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O LMV em detalhes – parte 1

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Lancia Ansaldo Lince. Veículo blindado projetado pela Lancia em parceria com a Ansaldo na Segunda Guerra Mundial tendo como base o Daimler Dingo. A Lancia produzia o chassi e seus componentes (motor, transmissão, etc.) e a Ansaldo fazia a parte da carroceria blindada.

Por Guilherme Poggio

Histórico

Industrial Vehicles Corporation, ou simplesmente IVECO, é uma companhia privada italiana baseada em Turim (Torino) e controlada pelo grupo CNH Industrial. A empresa surgiu no ano de 1975 pela fusão de diversas companhias europeias como a FIAT Veicoli Industriali, a Lancia e a DM (todas italianas), a Unic (francesa) e a Magirus-Deutz (alemã). A companhia possui um amplo portfólio de utilitários leves, veículos pesados, caminhões, ônibus e viaturas militares sobre rodas.

O “braço militar” da IVECO é conhecido como IVECO Defence Vehicles e tem suas origens na década de 1910, com a criação da Lancia Veicoli Industriali. Em 1937 foi inaugurada a produção de veículos sobre rodas militarizados e/ou blindados pela Lancia, na cidade italiana de Bolzano. É nesta cidade do norte da Itália que a sede da IVECO Defence Vehicles continua instalada até os dias atuais.

A IVECO Defence possui instalações espalhadas em diversos países. No Brasil o escritório da empresa está localizado na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A planta de produção da IVECO Defence no Brasil faz parte do complexo industrial de Sete Lagoas, também localizado em Minas Gerais. Compõem ainda o complexo de Sete Lagoas a IVECO Truck & Bus, que produz uma linha de utilitários, ônibus e caminhões para o mercado civil, e a FTP Industrial, fabricante de motores e transmissões.

Após uma passagem conturbada pelo país nas décadas de 1970 e 1980, modelos importados de caminhões IVECO retornaram ao Brasil através de importadores independentes a partir de 1995. Dois anos depois a companhia italiana decidiu retornar ao mercado brasileiro como parte de uma estratégia para toda a América Latina, tendo como base não só o Brasil, mas também a Argentina.

Vista externa de parte das instalações da IVECO Truck & Bus em Sete Lagoas/MG.

Já no final do ano de 1997 o município de Sete Lagoas (MG) havia sido escolhido como local para a implantação da futura fábrica. A planta foi inaugurada em novembro de 2000 e começou produzindo furgões da linha Daily. A produção de caminhões teve início em abril de 2004, com a inauguração da linha de montagem.

No ano de 2007 a proposta da IVECO foi escolhida pelo Exército Brasileiro para produzir o primeiro protótipo da viatura blindada de transporte de tropas médio sobre rodas (VBTP-MR), o Guarani. Sendo assim a planta da IVECO em Sete Lagoas foi expandida.

Campo de Provas

Na parte noroeste do complexo de Sete Lagoas foi construído um moderno campo de provas, inaugurado em meados de 2015. Ele é utilizado tanto pela linha de veículos civis como militares. Segundo a empresa foram investidos R$ 24 milhões para a conclusão das obras.

O campo de provas da IVECO conta com uma pista de alta velocidade com reta infinita (parabólica), cuja extensão é de 1,6 km. Além disso, há uma pista para medição dos ruídos e outra para testes de frenagem, suspensão e direção.

Para a realização de testes com veículos militares o campo de provas possui obstáculos verticais, fosso com água para teste de navegabilidade, pista com inclinação lateral de 20%, rampas diversas com inclinações de 12% a 60%, além de um fosso seco de 1,2m de profundidade.

Pista de veículos de defesa – foto: IVECO

Produção

Tanto a planta de defesa quanto a área de testes de veículos militares da IVECO, no Complexo de Sete Lagoas, foram originalmente construídas para atender à produção da viatura Guarani 6×6, mas podem ser perfeitamente utilizadas para a instalação de uma linha de montagem e testes para a eventual produção do LMV (Light Multirole Vehicle), veículo selecionado pelo Exército Brasileiro (EB) para o programa “Viatura Blindada Multitarefa Leve de Rodas (VBMT-LR)” (veja artigo específico sobre a história do VBMT-LR clicando aqui).

O tempo para se produzir um único LMV é de dois meses, caso haja pressa em receber as unidades. Mas geralmente são necessários três meses para se produzir um único LMV. O número máximo de LMV que pode ser construído ao mesmo tempo (cadência de produção) depende do tamanho da instalação e do número de turnos de trabalho na fábrica, dentre outras variáveis.

Deve-se destacar que a IVECO não tem intenção de produzir uma versão civil do LMV, pois o mercado seria muito limitado. Deve-se pensar que uma versão civil necessitaria de uma estrutura de pós-venda, a qual, para um volume pequeno, seria economicamente inviável. E como será visto em artigo futuro, o LMV só parece um veículo comum, mas na verdade é uma máquina feita para emprego tático.

No entanto, até que o LMV venha a ser produzido no Brasil, muita coisa ainda precisa acontecer. Em primeiro lugar, o contrato para a aquisição dos primeiros 32 veículos referentes ao programa VBMT-LR do EB precisa ser formalizado até o final deste ano. Caso contrário, o processo todo irá caducar, pois a lei das licitações – 8.666 – define o prazo máximo de cinco anos, sendo que esta licitação ocorreu em 2015. E mesmo estes primeiros 32 veículos deverão ser totalmente importados.

Vista superior do Complexo da IVECO em Sete lagoas. O Campo de Provas aparece a NW das instalações industriais e a fábrica da IVECO Defence está destacada em vermelho

Um segundo lote de 77 veículos, ainda em negociação, poderia ser montado no Brasil através de kits enviados pela matriz. Já o terceiro e último lote (também de 77 unidades) seria fabricado no Brasil, com nível de nacionalização crescendo, gradativamente, até atingir 70%. Ao todo, os três lotes somariam 186 veículos.

O interesse do Exército é expandir esse número para além das 186 unidades inicialmente planejadas. Em algumas publicações, como a Jane’s, foi informado que o total de unidades poderia chegar a 1464. Sendo assim, a produção local com crescente nacionalização de componentes seria muito vantajosa, pois haveria ganho de escala. Além disso, seria estabelecida uma cadeia de suprimentos local que abasteceria o Exército com peças e sobressalentes por décadas.

Custo e nome

O preço de referência para cada um dos LMV que será adquirido pelo EB é de um milhão e meio de reais. Apenas como comparação, cada Guarani possui como preço de referência quatro a cinco milhões de reais a viatura básica (sem armamento, sistemas de comando e controle, etc.). Um Guarani totalmente equipado pode chegar a dez milhões de reais a unidade (só uma estação de arma remota custa na faixa de 800 mil reais). Sobre o Guarani o “Forças Terrestres” trará mais informações em matérias futuras. No momento o foco é no LMV.

Para muitas funções táticas não vale a pena empregar veículos maiores, mais caros e que abrigam um número maior de soldados. Nestes casos um LMV pode ser a melhor solução tática e econômica. (o papel tático do veículo será discuto em outros artigos).

Especula-se muito sobre o nome que o Exército adotará para a viatura LMV. Na Itália ela é conhecida como Lince e, no Reino Unido, era conhecida como Panther. É pouco provável que o EB continue a chamá-la de “Lince”.

No passado, os veículos da família sobre rodas, projetados e construídos pela Engesa S/A, receberam nomes de cobras peçonhentas como Urutu, Cascavel, Sucuri e Jararaca. Os dois primeiros foram adotados em caráter regular pelo EB, que manteve os nomes.
Até o momento, a Nova Família de Blindados Sobre Rodas (NFBR) possui apenas um único tipo de veículo, e este é conhecido como “Guarani”, em homenagem a uma tribo indígena brasileira. Assim, é de se esperar que os próximos exemplares dessa família também recebam o nome de tribos. Portanto, o LMV poderá se chamar Timbira, Tamoio, entre diversas outras possibilidades. Somente o nome “Tupi” deverá ser vetado, pois o blindado da Avibrás/Renault que concorreu contra o LMV recebeu essa denominação.

Nos textos seguintes o “Forças Terrestres” trará mais informações sobre o projeto do LMV.

O editor Guilherme Poggio viajou a Sete Lagoas a convite da IVECO/CNH.

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Bruno Vinícius Campestrini
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Bruno Vinícius Campestrini

Alguém saberia dizer se o exército tem algum interesse em pegar alguns HMMVWs “de grátis” com os americanos para complementar esse veículo, ou até mesmo se seria algo possível? Porque a 1,5 milhão a unidade, tenho a ligeira premonição de que o EB não terá a quantidade necessária tão cedo.

Bueno
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Bueno

Muito bom! ! Excelente material. Este número de 1460 und é de deixar entusiasmado, se alcançado vai demorar mas é um projeto de longo prazo. Tdo correr bem , sem cortes e contingenciamento n Quem viu a explanação do Gen Chefe EPEX na CREDEN , ele dizendo que não vão mais alongar as entregas das Viaturas Guarani, o prazo revisado da última entrega e 2040, acho uma luz amarela para todo programa Guarani do qual o LMV fazer parte. Complicado, uma empresa faz parceria com as FFAA Viabilizam um Investimento alto no país a8 vem o congresso e dinamita o… Read more »

Bruno Vinícius Campestrini
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Bruno Vinícius Campestrini

Quanto ao veículo em si, realmente impressionante (especialmente a capacidade contra IEDs, testada na prática pelo exército italiano).

OSEIAS
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OSEIAS

Ótima matéria e cheia de detalhes. Até porque está em sequencia e assim temos muitas informações. O que gostaria de saber, é porque não se tomou a decisão de desenvolvermos uma viatura? Sei da licitação e dos participantes. Mas se não estamos em período de guerra, porque não se direcionou algo para a própria Avibras ou a Agrale que no caso da Agrale já nos entrega o Maruá. Porque não desenvolver algo no Brasil, um milhão e meio é algo bem vantajoso.

Abraços a todos.

Bueno
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Bueno

Os veículos das propostas nacionais
apresentadas foram reprovados, quem venceu foi a IVECO, Daí a sequência de matérias sobre o LMV vencedor, só falta a assinatura do contrato. Prazo final dezembro 2019

Carlos Gallani
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Carlos Gallani

Eu vi uma foto do interior do segundo colocado é simplesmente achei a coisa mais medonha, pra falar a verdade a IVECO nem teve um concorrente!

OSEIAS
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OSEIAS

obrigado pela contribuição, mas sei disso. O que eu mencionei é que por 1,5 milhão não poderíamos desenvolver algo com empresas nacionais? O que a Avibras apresentou foi algo para participar da licitação. Falo em desenvolver, decisão de estado.

Carvalho
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Carvalho

Muito bom…
Lendas que se desfazem:
1) O LMV não impacta contrato ou linha de produção do Guarani. Fazem parte do mesmo processo. Adquirimos algumas centenas de Guarani, está na hora de investir nos LMVs, para estruturar uma força de pronto emprego equilibrada e multifuncional.
2) O LMV é multiplicador de forças. Sua função não pode ser efetuada por Guarani. Ele garante economicidade e flexibilidade tática.

O vento é o senhor do sabão!!!

Carvalho
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Carvalho

3) Três lotes com total de 186 vtrs. Não precisamos dotar todas as unidades com LMV, somente as de pronto emprego.

Carvalho
Visitante
Carvalho

Poggio,
O veículo que foi testado é filho único de mãe solteira?
Ele foi montado exclusivamente para a concorrência??

Flávio Henrique
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Flávio Henrique

Sim, esse já está com todos os itens da versão brasileira. Que contará com uma configuração diferentes das versões já existentes.

Flanker
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Flanker

Off topic:
Não foi publicado por aqui ainda, mas chegaram, finalmente, os 32 M-109A5BR, modernizados pela BAE nos EUA. Junto, vieram mais 5 M-88, que se juntarão aos outros 4 já recebidos anteriormente.

observador
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observador

Sabemos que a indústria militar tem grande diferença da indústria civil comum. Mas, apenas uma dúvida que gostaria de levantar junto à vocês. Os veículos japoneses, principalmente Toyota e Honda, têm fama de serem de ótima qualidade no quesito durabilidade (e de fato são). Será que essas marcas não teriam interesse de desenvolver um veículo desse? (eu sei, só eles podem responder, mas… kkk). E se desenvolvessem, será que seriam tão bom em relação aos demais?

Tomcat4.0
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Tomcat4.0

A afirmação mais braba de seu comentário são as adaptações feitas em caminhonetes Hilux no oriente médio e ,se não me engano, na África tbm , com tudo que é tipo de armamento sendo colocado na traseira e se vê em trocentos vídeos as máquinas em operação, são adaptações é claro e não se comparam a veículos desenvolvidos para o fim a que se propõe mas ,na medida do possível, cumprem suas missões nas mãos de seus operadores.

Reginaldo Abelar Borges
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Reginaldo Abelar Borges

Jararaca II

Eduardo O.
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Eduardo O.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eduardo O.
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Eduardo O.

E por incrível que pareça acerto miserávi. Ambos tem a mesma função na Cav Mec.

Carvalho
Visitante
Carvalho

Reginaldo, Segundo o Reginaldo Bacchi (que diz a lendaq que foi quem batizou o “Osório”), o Jararaca era um ótimo produto (na sentido da sua concepção), mas um péssimo projeto (no sentido da maneira como foi desenvolvido – vários projetistas, vários interregnos, falta de requisitos claros). Assim sendo, acho que o o LMV pode ser definido como um ótimo produto (sua necessidade ficou patente nos últimos conflito) e um ótimo projeto (embora ainda existam críticas sobre sua adequação mecânica para a função). Como a própria matéria informa que existe especulações sobre o nome, acho que a sugestão de jararaca II… Read more »

willhorv
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willhorv

Esta planta deve ter uma capacidade máxima de produção dos Guaranis sem precisar de modificações….alguém saberia informar?

JOSE CLAUDIO DA SILVA
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JOSE CLAUDIO DA SILVA

Mais um empreendimento do governo petista.

Tomcat4.0
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Tomcat4.0

Excelente saber que se planeja adquirir mais que os 183 veículos.

sandro
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sandro

Esse veiculo compete com o Guará da Avibras? Qual a vantagem dele em relação ao Guará?

jodreski
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jodreski

A AMAN já está formando mágicos? Pois só assim pro EB conseguir chegar nesse número de 1464…

Jeff
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Jeff

Tamoio é um nome que combina bem com o bicho….

marrua113
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Sucuri não tem peçonha “veneno”…mata por asfixia/estrangulamento. Se basearem no nome europeu, teria que ser de um felídeo, se possível nativo da América do Sul.

Augusto L
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Rafaelsrs
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Rafaelsrs

Texto muito bom mas uma correção de leve: Sucuri é única do rol de cobras a não possuir peçonha.