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Avibrás fecha contrato de R$ 900 milhões

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Astros II

Roberto Godoy

vinheta-clipping-forte1A Avibrás, de São José dos Campos, formalizou há poucos dias, em Jacarta, na Indonésia, um contrato avaliado em R$ 900 milhões para fornecer lançadores Astros II de foguetes de saturação ao exército do País. A encomenda, cobre 36 veículos blindados disparadores, unidades de apoio e suprimentos. As entregas serão feitas em etapas até 2016.

O protocolo inicial foi assinado dia último dia 8 de novembro de 2012 com grande festa -todavia, depois disso, o negócio passou por nove meses críticos, tempo gasto para a obtenção da carta de fiança para o processamento do crédito e de certidões específicas. Houve dificuldades nessa etapa porque a Avibrás ainda se está em recuperação judicial Embora tenha lastreado a demanda com o próprio contrato, além de itens patrimoniais, a avaliação do procedimento foi longa;

O presidente da empresa, Sami Hassuani, diz que “atualmente, existe apoio decisivo dosjni-nístérios da Defesa e da Fazenda. Ainda na obtenção das garantias de contrato, não obstante a legislação do setor precise ser atualizada para dar a rapidez da atualidade às transações”. Para Hassuani, também o custo, uma espécie de prêmio que se paga pelas cartas de abonamento, deve ser reduzido. “Esse valor, no Brasil, é ao menos quatro vezes mais caro que o praticado no mercado e demora de quatro a cinco meses para ser obtido, ante uma semana apenas no meio internacional”.

A Indonésia está levando para sua força terrestre, a versão Mk-6, a mais avançada do lançador de foguetes Astros-2. Vai equipar com ela dois batalhões especializados do Exército. O contrato é amplo: cobre as carretas lançadoras e os blindados que abrigam as centrais de comunicações, comando e controle, mais viaturas para o radar de coordenação, junto das unidades de meteorologia.

O sistema emprega os foguetes da família AV, com alcances entre 9 e 100 quilômetros. Os modelos maiores, os AV-SS-6o e AV-SS-80, podem receber ogivas múltiplas, levando até 70 pequenas granadas que são dispersadas sobre o alvo no momento do ataque.

A configuração escolhida pelos indonésios ainda não é a série 2020, definida como estratégica pelo Exército brasileiro, e que utilizará mísseis de cruzeiro para atingir objetivos a 300 quilômetros. O projeto considera um novo foguete guiado com possibilidade variada de configuração. O programa é prioritário no Ministério da Defesa, incluído no PAC-Equipamentos. pela presidente Dilma Rousseff. Foram liberados R$ 45,3 milhões para a fase inicial, o custo total é de R$ 1,09 bilhão.

O Astros da Indonésia sairá da fábrica com pesada carga eletrônica. Isso permitirá a futura incorporação da nova munição inteligente que cumpre atualmente as etapas de certificação – é o caso do míssil, por exemplo.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, sustenta que “a Indonésia tem grande importância no contexto mundial e é um parceiro do Brasil que anteriormente comprou aviões Super Tucano da Embraer. A aviação de Jacarta adquiriu os turboélices no arranjo de ataque leve, vigilância eletrônica e apoio à tropa terrestre.

Time. Para cumprir o contrato, a Avibrás instalou um time técnico na capital indonésia. E o segundo escritório da empresa na região. 0 primeiro é o de Kuala Lumpur, na Malásia, onde o Astros faz parte de um comando estratégico desde 2010. A encomenda do exército malaio bateu em R$ 500 milhões.

A concorrência na Indonésia foi muito pesada”, diz o presidente da empresa, Sami Hassuanl. A negociação começou em 2008 e exigiu “agilidade e prova de capacidade o tempo todo”. O contrato de US$ 405 milhões era disputado por fabricantes da Rússia e da Turquia. Hassuani acredita que o relacionamento com cliente será longo: “Nossa convivência é baseada em interesses comuns, e vai se estender por 30 anos. Esse tempo, no entendimento do mercado de equipamento militar, é dedicado ao aperfeiçoamento tecnológico, encomendas suplementares e sobretudo ao atendimento de novas parcerias. O impacto da encomenda indonésia será grande no polo industrial de São José dos Campos. Na Avibrás serão criados 300 empregos diretos – e outros na cadeia dos fornecedores, quase todos da região do Vale do Paraíba.

FONTE: O Estado de S. Paulo

9 COMMENTS

  1. A AVIBRÁS tem mesmo é que concentrar seus esforços em continuar fazendo intenso marketing do seu sistema ASTROS. Além de ser o principal produto da empresa, é um equipamento de qualidade excelente e grande capacidade estratégica.

    O Iraque comprou e os vizinhos sauditas correram atrás…

    A Malásia comprou, os vizinhos indonésios compraram também…

    Que montem um escritório na Tailândia já, é um vizinho e cliente em potencial! Hehehe…

    Mas sinceramente é uma excelente notícia, pois fortalece a indústria de defesa nacional e reduz a “mendigância” da AVIBRÁS junto ao governo brasileiro. Que deve continuar investindo neste sistema estratégico para a defesa nacional, mas, para o crescimento da empresa, o negócio é este aí, correr atrás e fechar negócio!

    Belo trabalho da AVIBRAS!

  2. Gracas a Deus pelos clientes estrangeiros, porque se fosse pela miseria que o Brasil comprou a Avibras teria tido o mesmo fim que a Engesa…

  3. APESAR da burocracia interna o governo conseguiu financiar uma venda CHAVE para uma das mais importantes empresas de Defesa do Brasil…

    O governo viabilizou a reestruturação financeira da Avibrás.

    A Marinha comprou o Astros FN.
    O Exercito renovou suas unidades do Astros e o governo federal financia o Astros 2020…

    E a Avibrás TEM outros produtos além do Astros mas realmente ele é o maior e mais importante…

  4. “Que montem um escritório na Tailândia já, é um vizinho e cliente em potencial! Hehehe…”

    Os chineses chegaram antes, os tailandeses já desenvolvem a alguns anos, sistemas MRLS em conjunto c/ os chineses.
    E se não estou enganado, a Turquia tb.

    Mas será que finalmente irá a “Encostada” na União, aka “Avibrás”, viver da venda de seus produtos???
    Tchan, tchan, tchan, tchan!!!

  5. Eu acho exagero foguetes não guiados com alcance superior a 50 km.
    A dispersão de um foguete balístico é muito grande e mesmo que seja dotado de uma grande ogiva dispersora de submunições (fragmentação) acho pouco útil na prática do ponto de vista tático. Já se for um alvo estratégico como um grande centro urbano teria algum efeito psicológico, salvo se dotado de agentes químicos letais, que não é o caso.
    Só pra comparação o MLRS americano adota foguetes não guiados com até 45 km. Além, ele faz uso de foguetes guiados por INS/GPS.
    Para que foguetes não guiados de grande alcance tenham alguma utilidade tática teriam que ser lançados literalmente às dezenas,o que pelo seu maior peso e tamanho demandaria vários veículos lançadores, o que pra mim é inviável tendo em mente o efeito incerto.
    No caso do SMERCH russo o lançador é dotado com 12 foguetes, o que parece compensar a precisão duvidosa. No caso do MLRS com somente 4 foguetes de maior calibre (SS-60 e SS-80) e 2 SS-150, acho temerário.

  6. Se irão desenvolver um foguete guiado para alcance de 40 Km no Sstros 2020, o que custa estender isso pra 80 ou 90?

  7. O Smerch possui 12 foguetes com 800 kg e com uma ogiva de 250 kg. Ou seja, mesmo que o CEP para 90 km de alcance seja altíssimo (na faixa de 1500 metros) o sistema consegue colocar para cada veículo 3 toneladas de submunições. Cada bateria com 6 veículos lançadores coloca 18 toneladas de aço e fogo a 90 km de distância.

    No caso do foguete brasileiro de maio alcance usado no ASTROS II, o SS-80 calibre 300 mm (igual ao Smerch, porém 2 metros mais curto) e com peso por volta de 550 kg, é aceitável supor que a ogiva seja da faixa de 150 kg.
    Um veículo lançador colocaria 600 kg de submunições a 90 km e uma bateria com 6 veículos lançadores depositariam 3,6 toneladas.

    Ou seja, comparativamente a capacidade de fogo de uma bateria do ASTROS II (com 6 veículos lançadores) equivale a capacidade de um único veículo do sistema russo.

  8. Ou seja, para que possamos concorrer de igual pra igual com o sistema russo ou americano seria interessante que a AVIBRAS desenvolvesse sistemas de orientação INS/GPS para seus foguetes de maior calibre/alcance.
    Havendo uma significativa redução do CEP (erro circular provável) a menor capacidade do sistema ASTROS passa a não fazer diferença e o sistema brasileiro teria a seu favor o fato de ser mais leve e consequentemente ter maior mobilidade estratégica.
    O aumento do custo de foguetes guiados seria amplamente compensado pela redução de quantidade de foguetes disparados para se obter um determinado efeito.
    O uso de foguetes guiados ainda poderia dispensar o uso de ogivas de fragmentação, do qual a necessidade de tê-las no ASTROS é um dos responsáveis pela recusa brasileira em não aderir ao tratado de limitação de armas de fragmentação.
    Em lugar destas ogivas dispersoras de submunições poderia ser usado uma ogiva integral (unitária) de explosão programada (aérea, ao nível do solo, penetrante) que não sofre nenhuma restrição perante a comunidade internacional.
    A intenção da AVIBRAS de desenvolver um foguete guiado de 40 km em detrimento de foguetes de maior alcance já é um bom sinal, mas igual ao Colombelli eu acho que os foguetes de maior alcance têm maior urgência nesta modernização.
    Com um foguete guiado de 40 km a intenção é permitir que um sistema de lançamento múltiplo de foguetes possa ser usado para bater alvos pontuais, saindo de sua utilização mais comum que é bater alvos de área. Este tipo de foguete de precisão teria também capacidade de operar em situações atípicas para um sistema MLRS, tais como as operações urbanas.
    Sem dúvida um foguete guiado de 40 km irá acrescer e muito à inegáveis qualidades do sistema ASTROS mas não o fará mais competitivo em relação a sistemas de maior alcance, como o Smerch ou o MLRS americano.

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