Página 1 de 812345...Última »

espanha_internagrandeoudestaque

vinheta-clipping-forte1As Forças Armadas brasileiras poderão intensificar a cooperação com a Espanha nos setores de desastres naturais e defesa cibernética, entre outros. O tema fez parte da reunião bilateral entre o ministro da Defesa, Celso Amorim, e o colega espanhol Pedro Morenés Eulate, ocorrida hoje em Brasília (DF).

Na reunião, o ministro espanhol revelou interesse numa aproximação com o Brasil e outros países sul-americanos para tratar especificamente do apoio em questões de desastres naturais. Por sugestão de Amorim, prontamente aceita por Morenés, o tema será objeto de cooperação bilateral – que poderá, futuramente, ser estendida aos outros países que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Mais adiante, Morenés manifestou interesse, também, no setor de defesa cibernética, considerado como “área de cooperação prioritária”. Celso Amorim citou a experiência do país na criação do Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, já em funcionamento, e concordou em aprofundar a troca de conhecimentos nesse campo.

Durante a reunião, os dois ministros destacaram a crescente aproximação entre suas respectivas indústrias de defesa, inclusive em processos de licitação de interesse mútuo. E reafirmaram a disposição em estender ao setor de defesa a “intensa” relação econômica e política que os países mantêm entre si.

espanha_interna4Após o encontro, Amorim e Morenés assinaram comunicado conjunto onde destacam a cooperação entre os dois países no sentido de assegurar a continuidade e o intercâmbio na área de defesa. Morenés mostrou-se interessado em projetos que o governo brasileiro vem desenvolvendo com a Marinha, o Exército e a Aeronáutica.

“O Brasil decidiu ampliar sua capacidade operacional em defesa” e a Espanha “quer estar ao seu lado”, compartilhar experiências e explorar as possibilidades de cooperação que existem na indústria de defesa e no meio militar, disse o ministro espanhol.

Reunião bilateral

A visita do ministro Morenés é desdobramento do encontro da presidenta Dilma Rousseff com governantes espanhóis, ocorrida em novembro do ano passado em Madri.

Coube ao ministro brasileiro iniciar a exposição com relato de temas que interessam aos dois países. Amorim destacou, por exemplo, o trabalho de revitalização dos aviões P3 Orion e da aquisição das aeronaves C-295 CASA, que no Brasil têm a denominação de C-105 Amazonas.

Na reunião, Amorim e Morenés abordaram também o Programa de Obtenção de Meios de Superfície (Prosuper) da Marinha do Brasil, em que há interesse espanhol no fornecimento de embarcações, e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) do Exército Brasileiro.

Os dois ministros conversaram ainda sobre a importância de fortalecer o intercâmbio entre militares das respectivas Forças Armadas. Ao final do encontro, Amorim reiterou o convite para que se realizem visitas de alto nível do Ministério da Defesa espanhol ao Brasil. Morenés, por sua vez, informou que estará representado na feira LAAD Security & Defence, que acontece em abril no Rio de Janeiro, pelo Diretor Geral de Armamento e Material de seu país.

Leia aqui a íntegra do comunicado conjunto dos ministros da Defesa do Brasil e da Espanha.

FONTE: Ministério da Defesa

amazonia_internagrande

vinheta-clipping-forte1Em sintonia com a diretriz da Estratégia Nacional de Defesa (END) que determina o adensamento da presença de suas unidades na região amazônica e nas áreas de fronteira, o Exército Brasileiro (EB) deverá criar um novo comando militar.

Trata-se do Comando Militar do Norte (CMN), que cobrirá uma área de cerca de 1,722 milhão de quilômetros quadrados, abrangendo os estados do Amapá, Maranhão e Pará.

Em decreto (nº 7.946) publicado np último dia oito no Diário Oficial da União, a presidenta Dilma Rousseff delega ao comandante da Força Terrestre, general Enzo Peri, competência para alteração de parte dos efetivos militares, de modo a permitir a transferência dos oficiais e praças que irão compor o novo comando.

O CNM será o oitavo comando militar do Exército, que já conta com os comandos do Sul (CMS), Sudeste (CMSE), Leste (CML), Oeste (CMO), Nordeste (CMNE), da Amazônia (CMA) e do Planalto (CMP). A criação do CMN, cuja sede será em Belém (PA), está prevista no plano de reestruturação da Força.

amazonia_internapequenaO estabelecimento doa novo comando, afirma o EB, ampliará a presença militar na Amazônia oriental, criando melhores condições para as ações de planejamento, gestão e execução das atividades de defesa, segurança e proteção sob responsabilidade da Força Terrestre na região.

Com a mudança, a grandes unidades do Exército existentes na área – 8ª Região Militar, 8ª Divisão de Exército e 23ª Brigada de Infantaria de Selva, com sedes nas cidades de Belém (PA) e Marabá (PA) – passam a se subordinar ao novo Comando.

Veja a íntegra do Decreto n° 7.946/13

FONTE: Ministério da Defesa

valerie_internapequena2vinheta-clipping-forte1O ministro da Defesa, Celso Amorim, recebeu nesta ontem a subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Valerie Amos.

Durante o encontro, de aproximadamente 30 minutos, as autoridades examinaram as principais crises humanitárias em curso no mundo – em particular, no Oriente Médio e na África – e a importância do treinamento adequado, inclusive em matéria humanitária, dos militares designados para missões internacionais de paz da ONU.

Valerie Amos citou a valiosa experiência brasileira no Haiti, onde o país exerce o comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti – Minustah, como exemplo positivo de lições que as Forças Armadas brasileiras podem a compartilhar com a comunidade internacional.

Celso Amorim expressou disposição em estender sua cooperação com a ONU, não só com experiência, mas também com a preparação de militares. Citou, em particular, a disponibilidade do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – CCOPAB, no Rio de Janeiro, em receber militares de terceiros países designados para missões de paz. “Sem dúvida, nossas experiências no Haiti podem ser transmitidas”, disse o ministro.

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários dirigido por Valerie Amos faz parte da Secretaria-Geral da ONU e é responsável por reunir todos os atores humanitários para garantir uma resposta coerente em emergências. Segundo informações do órgão, o Escritório garante a estrutura em que cada ator possa contribuir para o esforço global de resposta humanitária.

Sua missão é mobilizar e coordenar eficazmente a ação humanitária em parceria com atores nacionais e internacionais, para aliviar o sofrimento humano em desastres e emergências; defender os direitos das pessoas em necessidade; promover a prevenção de desastres e soluções sustentáveis aos mesmos.

FONTE: Ministério da Defesa

Tagged with:
 

africadosul_grande

Brasília, 07/03/2013 – Um relatório contendo detalhes sobre a segurança das estruturas estratégicas da Copa do Mundo 2010 foi entregue ao governo brasileiro pelo Ministério da Defesa da África do Sul. As informações serão utilizadas no preparo do planejamento da Copa Fifa 2014 que acontecerá no Brasil.

A disposição do governo sul-africano em cooperar com o Brasil foi externada, hoje (7), pelo vice-ministro de Defesa, Thabang Makwetla, ao ministro Celso Amorim, no encerramento da 1ª Reunião do Comitê Conjunto Brasil-África do Sul.

“Ao oferecermos ajuda ao Brasil manifestamos o desejo que possa realizar a Copa 2014 com muito sucesso, e que a seleção de vocês vença para que a Copa fique com o país do sul”, disse Makwetla. “É bom lembrar também que a seleção da África do Sul estará aqui e terá um desempenho melhor do que foi em 2010. Quem sabe possamos ter Brasil e África do Sul na final”, afirmou Makwetle, provocando risos entre os participantes de cerimônia.

Após a reunião, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, disse que já dispõe de informações sobre como as autoridades da África do Sul planejaram o setor de defesa para a competição esportiva ocorrida há três anos. “Recebemos um relatório muito bom do governo sul-africano”, contou o militar.

Cooperação Brasil-África do Sul

A reunião de encerramento foi marcada pela assinatura de documentos nos quais Brasil e África do Sul se comprometem a ampliar a cooperação entre as Forças Armadas respectivas. O vice-ministro ressaltou em seu discurso o bom relacionamento entre as duas nações e a necessidade de melhoria dos sistemas de defesa daquele país.
“Essa primeira reunião do comitê é muito importante. O processo com o Brasil vem se intensificando desde 1994, e devemos ampliar ainda mais”, destacou Makwetla.

O vice-ministro contou ainda que essa integração também se dá com a participação dos países em dois blocos multilaterais: IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Makwetla informou da expectativa do governo sul-africano para a reunião do BRICS no final de março. A cúpula deve ocorrer em Durban, na África do Sul.
Na ocasião, o sul-africano destacou também a cooperação das Forças Armadas dos dois países no sentido de permitir o tráfego seguro de navios no oceano Atlântico. “Tenho certeza que essa reunião permitirá o fortalecimento de nossas instituições do setor de defesa”, afirmou o ministro que, mais adiante, contou que o governo irá participar da LAAD 2013, feira internacional de defesa e segurança que acontecerá no próximo mês no Riocentro, Rio de Janeiro.

Da parte do Brasil, o ministro Amorim afirmou que estava satisfeito com os resultados da conferência dentro do ambiente de cooperação Sul-Sul. O ministro contou que tem enorme carinho para com a África do Sul, e que essa admiração vem desde a época em que era ministro das Relações Exteriores no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Amorim espera que os dois países possam realizar exercícios semelhantes com as Forças Terrestre e Aérea, seguindo as mesmas diretrizes das realizadas com a Marinha.

“Essa reunião se seguirá por outras, em benefício da paz no Atlântico Sul e no mundo. É uma reunião histórica do nosso comitê conjunto de defesa”, afirmou Amorim.

FONTE: Assessoria de Comunicação Social (Ascom) do Ministério da Defesa / FOTO: Felipe Barra

nonamevinheta-clipping-forte1Os coordenadores de Defesa de Área (CDAs) das seis cidades-sede da Copa das Confederações devem apresentar, até o fim de março, a lista de estruturas estratégicas que será submetida ao crivo da presidenta Dilma Rousseff. A medida tem por objetivo definir os principais pontos a serem monitorados pelas Forças Armadas ante possível “ataque” que coloque em risco a realização da competição esportiva promovida pela Fifa.
As diretrizes foram transmitidas ontem (5) durante reunião no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste (CML), na capital fluminense. Por orientação do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, os oficiais-generais apontarão os locais que deverão ser monitorados. Os militares estarão atentos, por exemplo, a estruturas de telecomunicações, transportes e energia elétrica.
A reunião dos CDAs serviu também para que cada coordenador detalhasse sobre a mobilização do aparato e a montagem dos centros de comando e controle. De acordo com as informações transmitidas, Marinha, Exército e Aeronáutica devem mobilizar cerca de 20 mil militares que estarão na linha de frente dos eventos ou integrando a força de contingenciamento. Os comandantes terão também o instrumento da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que pode ser utilizado em caso de necessidade.
“Ao contrário daquilo que ocorreu na Rio+20 [Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável], na Copa das Confederações não teremos a exposição militar nas ruas. Até porque isso é uma determinação da Fifa que terá a vigilância privada nos estádios e a participação da segurança pública estaduais. Cuidaremos apenas da infraestrutura crítica e do combate ao terrorismo e guerra cibernética”, explicou o general De Nardi.

Estruturas estratégicas

O assessor especial para grandes eventos do Ministério da Defesa, general Jamil Megid, explicou que o Ministério de Minas e Energia, por exemplo, já tomou iniciativa de se reunir com as diretorias das concessionárias de energia elétrica que abastecem as cidades de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Recife (PE), Rio de Janeiro(RJ) e Salvador (BA) para transmitir as orientações referentes ao fornecimento de eletricidade. Ficou decidido também que as empresas devem manter seguranças privados no planejamento e somente receberão o suporte do aparato militar caso haja emergência.
De acordo com os relatos apresentados pelos coordenadores, nas sedes de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador há pouco risco de incidente. As cidades do Recife e do Rio de Janeiro deverão merecer atenção especial. A capital pernambucana em função de manifestações de trabalhadores rurais sem terra (MST) e o Rio pelo fato de que ao encerramento da Copa das Confederações entrará no ritmo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Mesmo assim, os generais Marcelo Flávio Oliveira Aguiar e José Alberto da Costa Abreu, respectivamente coordenadores do Recife e do Rio, estão otimistas sobre a realização dos jogos. “A copa das Confederações será um grande teste para a visita do Papa”, explicou o general Abreu. “No Recife, estaremos prontos para receber as três partidas da Copa das Confederações”, assegurou o general Aguiar.

Calendário da Copa

A partir da lista de locais que devem ser protegidos pelas Forças Armadas, o EMCFA produzirá Exposição de Motivos a ser levada à presidenta Dilma, em meados de abril, para que conceda os instrumentos visando a execução do plano de segurança da Copa das Confederações. Com isso, os coordenadores de área poderão concluir o planejamento para o evento.
Durante a reunião dos CDAs foram repassadas as ações da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para as cidades-sede. O encontro teve exposição sobre combate ao terrorismo e defesa cibernética. O general Marco Antonio Freire, comandante da Brigada de Operações Especiais, sediada em Goiânia (GO), e o general José Carlos dos Santos, chefe do Centro de Defesa Cibernética, explanaram  sobre as participações dos setores no evento.

FONTE: Ministério da Defesa

Tagged with:
 

africadosul_internagrande

vinheta-clipping-forte1Teve início na manhã de ontem (05), no edifício-sede do Ministério da Defesa (MD), a 1ª reunião do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-África do Sul. Até a próxima quinta (7), militares das Forças Armadas dos dois países e servidores civis vão trocar experiências sobre as respectivas indústrias de defesa e debater possibilidades de cooperação. As conclusões servirão de base para as próximas reuniões do comitê.

O evento foi aberto pelo ministro da Defesa, Celso Amorim. Além de dar as boas-vindas à comitiva sul-africana, o ministro ressaltou a importância de se aumentar a cooperação bilateral. Na avaliação de Amorim, Brasil e África do Sul são parceiros de grande potencial. Ambos constituem grandes democracias multiétnicas de influência central em suas regiões, defensoras de uma ordem multipolar, com inclusão dos países emergentes na governança global. Segundo o ministro, esse potencial está comprovado pelo projeto do “A-Darter”, míssil ar-ar de quinta geração desenvolvido conjuntamente entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Força Aérea Sul-africana. Os novos mísseis, cuja produção terá início ainda em 2013, vão ser utilizados pelas aeronaves F-5M da FAB e por aeronaves Gripen sul-africanas.

Após a abertura do evento, os trabalhos começaram com a apresentação da estrutura do MD e de alguns dos projetos prioritários da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Na ocasião, mapas mostraram a reestruturação das organizações militares pelo país, atendendo à diretriz da Estratégia Nacional de Defesa (END) de “adensar a presença das unidades das Forças nas fronteiras”.

africadosul_interna2Novos batalhões e brigadas em áreas ribeirinhas, aquisição e modernização de equipamentos, além de sistemas de monitoramento, como o de gerenciamento da Amazônia Azul, da Marinha, e o Sisfron, do Exército, foram alguns dos exemplos citados de iniciativas para prover o país de mais capacidades de defesa.

Houve, também, um breve resumo sobre a LAAD Defence and Security – maior feira de defesa e segurança da América Latina, que este ano acontecerá na primeira quinzena de abril, no Rio de Janeiro. Representantes da África do Sul foram convidados para o evento e tiveram sua provável presença valorizada pelo Brasil. Até o momento, ministros de defesa de 14 países já confirmaram participação. A expectativa é de receber até 65 delegações estrangeiras.

Ao fazer sua exposição, a comitiva estrangeira – sob a coordenação do comandante da Força Aérea, tenente-brigadeiro Fabian Msimang – apresentou as bases da estratégia de defesa sul-africana, de garantia de proteção e das capacidades de defesa efetiva do país e sobre como são desenvolvidas as operações conjuntas. Para os sul-africanos, “é fundamental a proteção das vias marítimas, terrestres e aéreas”.

africadosul_interna1Representantes da South African Aerospace Maritime and Defence Industries Association (AMD), única associação reconhecida como entidade comercial da indústria de defesa da África do Sul, falaram sobre a capacidade do país na produção de helicópteros, navios e veículos-aéreos não tripulados (VANTs).

Sobre o assunto, a AMD informou que uma nova geração de VANTs está em andamento. Segundo a associação, os veículos entrarão em teste entre junho e julho deste ano. As aeronaves têm resistência de 16h e são adaptadas com mísseis, diferencial tecnológico da companhia sul-africana.

Presidida pelo chefe de Assuntos Estratégicos do MD, almirante de esquadra Carlos Augusto de Sousa, a 1ª reunião do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-África do Sul deverá ser encerrada na manhã de quinta-feira. Ao final do encontro bilateral, será assinada ata com os resultados das discussões travadas ao longo dos três dias.

FONTE: Ministério da Defesa

namibia_destaque

vinheta-clipping-forte1Os governos do Brasil e da Namíbia querem fortalecer suas relações em defesa, estendendo para as áreas do Exército e da Aeronáutica a bem-sucedida cooperação existente hoje entre as marinhas das duas nações. A intenção foi manifestada em comunicado conjunto divulgado durante a visita oficial de dois dias realizada esta semana pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, à cidade de Windhoek, capital do país africano (leia a íntegra do comunicado em inglês).

Acompanhado de comitiva integrada por representantes de seu ministério e de empresários da indústria nacional de material militar, Amorim participou de reunião bilateral na sede do Ministério da Defesa namibiano. Durante o encontro, do qual participaram o ministro da defesa, Nahas Angula, e os principais chefes militares do país africano, foram discutidos vários temas relacionados à cooperação em defesa.

As delegações manifestaram a intenção de aumentar o número de exercícios militares, e também de ampliar os projetos conjuntos na área industrial, com o objetivo de melhorar a capacidade produtiva e operacional dos dois países no setor de defesa.

Nahas Angula fez uma breve exposição sobre o cenário geopolítico africano, destacando as preocupações de seu país com o aumento da pirataria, do tráfico de drogas, da pesca ilegal e de outras atividades ilícitas nas águas do Oceano Atlântico que banham a costa da Namíbia e de outras nações africanas.

namibia02Em resposta, Celso Amorim afirmou que o Brasil compartilha das apreensões namibianas em relação ao aumento das atividades ilegais. Durante a conversa, ambos concordaram em ampliar o trabalho conjunto bilateral, e no âmbito de foros como a Zopacas, para manter o Atlântico Sul como zona de paz e livre de ameaças.

Agradecimento presidencial

Após reunir-se com seu contraparte namibiano, Amorim foi recebido no palácio do governo pelo presidente do país, Hifikepunye Pohamba. O ministro brasileiro entregou a Pohamba uma carta da presidenta Dilma Roussef. No documento, Dilma reitera a disposição do governo brasileiro de ampliar a cooperação com o país africano em setores diversos, entre os quais o de defesa.

Depois de ler com atenção a carta, Pohamba afirmou compartilhar com a presidenta brasileira as mesmas preocupações e visões sobre a situação da África, de outras regiões do mundo, e sobre as relações entre os países. Em seguida, dirigindo-se ao ministro Celso Amorim, fez um sincero agradecimento ao Brasil pelo apoio prestado pelo país na constituição da Marinha namibiana.

De fato, há quase duas décadas, a Marinha do Brasil tem mantido um forte programa de cooperação com a força naval da Namíbia, que inclui desde a formação de oficiais e praças militares em escolas brasileiras até a doação e venda de navios. Como consequência dessa relação, muitos oficiais namibianos falam português, e outros se encontram atualmente fazendo cursos em instituições de ensino da Marinha.

namibia04No âmbito da cooperação, o Brasil mantém uma missão com cerca de 40 militares da Marinha, sediados no porto de Walvis Bay. Em abril deste ano, o novo navio-patrulha oceânico que será incorporado à Força Naval brasileira, o Apa, visitará Walvis Bay, onde deverá participar de operações conjuntas no mar com os militares namibianos. O Apa é o segundo navio-patrulha oceânico dos três adquiridos junto à Inglaterra a ser incorporado à Marinha do Brasil.

Além de encontrar-se com o presidente da Namíbia, Celso Amorim manteve encontros de trabalho com outras autoridades do país, entre as quais o primeiro ministro, Hage Geingob. Oficiais-generais e superiores das Forças Armadas receberam grupo de empresários brasileiros numa reunião em que estes últimos puderam apresentar alguns de seus projetos e produtos.

Integrante da comitiva brasileira, o comandante do Exército, general Enzo Peri, foi recebido por seu contra parte namibiano. Durante a visita, a comitiva brasileira contou com apoio da embaixadora do Brasil no país, Ana Maria Sampaio Fernandes. Antes de passar pela Namíbia, a comitiva esteve em Angola, também em visita oficial.
Leia também:Brasil ajudará Angola a estruturar sua indústria de Defesa

FONTE: Ministério da Defesa

Tagged with:
 

Pantsir-S1 pantsyr_l4

vinheta-destaque-forteBrasília, 20/02/2013 – A presidenta da República, Dilma Rousseff, autorizou o Ministério da Defesa a iniciar conversas para efetivar a compra de cinco sistemas de defesa antiaéreos da Rússia. A decisão ocorreu na manhã desta quarta-feira (20), durante reunião com o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev, ocorrida no Palácio do Planalto.

No início da tarde, no Palácio do Itamaraty, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, e o diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-militar, Alexander Fomin, assinaram a Declaração de Intenção de Defesa Antiaérea, o primeiro passo antes da formalização do contrato que deve ser assinado dentro de três a quatro meses.

Negociações iniciais indicam que os sistemas serão utilizados pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica. Três deles são de alta tecnologia e têm capacidade de médio alcance (Pantsir-S1). O Brasil pretende comprar também duas baterias antiaéreas do modelo Igla, de baixo alcance.

Após o aval do governo, o general De Nardi e o russo Fomin estiveram reunidos com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e auxiliares da equipe econômica. De Nardi explicou que o valor do contrato ainda não foi definido.

“Tudo vai depender dos componentes dos sistemas que serão adquiridos. É possível, por exemplo, que os caminhões sejam fornecidos por empresas no Brasil. Isso reduziria o preço. Os detalhes começarão a ser definidos a partir de agora”, afirmou.

A aquisição dos sistemas antiaéreos começou a ser discutida em dezembro do ano passado, quando a presidenta Dilma e o ministro da Defesa, Celso Amorim, estiveram em visita oficial a Moscou. Na ocasião, ficou acertada a visita de uma delegação brasileira à Rússia. No final de janeiro, o general De Nardi liderou a comitiva composta por representantes do governo brasileiro e empresários nacionais.

Durante a viagem, o chefe do EMCFA conheceu diversos equipamentos de tecnologia avançada produzida pela indústria russa. Ao mesmo tempo, recebeu garantias do fabricante de que haverá transferência de tecnologia sem restrições, uma das condições estabelecidas para fechar o acordo.

Brasil-Rússia

A negociação dos sistemas de defesa antiaéreos foi um dos principais pontos da visita oficial do primeiro-ministro Medvedev ao Brasil. O assunto constou da reunião com a presidenta Dilma, no Palácio do Planalto. Com a decisão de avançar nas negociações, De Nardi e Fomin passaram ao diálogo com a equipe do ministro Mantega.

Os equipamentos devem começar a ser entregues 18 meses após a assinatura do contrato. O prazo para formalizar o acordo deve ser de três a quatro meses. “Esperamos contar com os sistemas já nos Jogos Olímpicos Rio 2016”, previu De Nardi, que à tarde participou de outra reunião com a equipe do ministro Mantega.

Reunião ampliada

No final da manhã, no Itamaraty, a comitiva russa liderada por Medvedev participou de reunião ampliada que contou com o vice-presidente Michel Temer, os ministros Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), Edison Lobão (Minas e energia), Mendes Ribeiro Filho (Agricultura e Pecuária) e Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia).

Durante o encontro bilateral, as partes trataram de temas como a participação de universidades russas do programa “Ciência Sem Fronteira” e o comércio de carnes bovina, suína, aves, trigo e soja, bem como a licitação de blocos para exploração de petróleo na área do pré-sal e a construção de usinas nucleares.

Na conversa, os dois países trataram também de temas como tecnologia do sistema bancário e uso de moedas comuns no comércio entre os países que integram o bloco econômico denominado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Após a reunião, Temer e Medvedev participaram de cerimônia de assinatura de acordos e encerraram o programa com declarações à imprensa.

DIVULGAÇÃO: Assessoria de Comunicação Social (Ascom)

vinheta-clipping-forte1

Luanda – Angola pretende contar com a ajuda do Brasil para a criação da Indústria Militar Nacional e no fortalecimento da Indústria de Defesa, visando reduzir a dependência que as FAA têm na aquisição de meios logísticos do exterior do país.

Esta intenção foi manifestada hoje, segunda-feira, em Luanda, pelo ministro da Defesa Nacional, Cândido Pereira dos Santos Van-Dúnem, quando discursava na abertura das conversações entre as delegações dos ministérios da defesa de ambos estados, no quadro da visita do seu homólogo brasileiro, Celso Amorim.

Deste modo, afirmou que o seu departamento ministerial está aberto à exploração e discussão de outras vias de cooperação, no domínio da defesa e das respectivas Forças Armadas, na base do respeito mútuo, da igualdade e reciprocidade de vantagens, cujo escopo é o desenvolvimento de uma instituição militar angolana sólida e de respeito.

“É importante sublinhar, que no âmbito do processo de reestruturação e potenciação das Forças Armadas Angolanas, o nosso país tem mantido uma cooperação privilegiada com diversos países do mundo, em que se inscreve o Brasil, com quem partilhamos vantagens mútuas”, referiu.

Cândido Van-Dúnem defendeu à necessidade de, no decurso das conversações, as delegações trabalharem para o objectivo pontual de se reforçar o teor do acordo de cooperação já existente e, na sequência, reflectirem e concertarem novos programas subsidiários àquele.

Por isso, o governante angolano realçou a importância da visita do seu homólogo brasileiro, pois vai permitir a criação de novas bases mais sólidas para uma cooperação mais dinâmica no domínio da defesa e das Forças Armadas.

Antes do início das conversações, o ministro brasileiro, que cumpre desde hoje uma visita de 48 horas a Angola, foi recebido com honras militares na parte frontal do edifício/sede do Ministério da Defesa Nacional, na presença do seu homólogo angolano, e de seguida reuniram-se em privado.

Ainda hoje Celso Amorim, que faz acompanhar de oficiais generais dos ramos do Exército, Marinha, Força Aérea, bem como de empresários da indústria militar brasileira, visita a Base Naval de Luanda, pertencente a Marinha de Guerra Angolana.

As conversações oficiais terminam terça-feira com a assinatura do documento final, seguido da leitura de um comunicado de imprensa.

Angola e Brasil mantêm relações de amizade e cooperação em vários domínios desde 1975 pós-independência, altura que o governo brasileiro reconheceu Angola como estado soberano.

Fonte: Angola Press

 

Tagged with:
 

celso_amorim20

vinheta-clipping-forte1Em entrevista concedida à rádio Voz da Rússia, o ministro da Defesa, Celso Amorim, falou sobre a parceria entre brasileiros e russos na área de Defesa. Recentemente, os dois países iniciaram negociações para a aquisição de sistemas de defesa antiaérea russos, com transferência de tecnologia.

Na conversa, Amorim aborda o tema e fala da possibilidade de desenvolvimento conjunto de equipamentos mais modernos. “Essa sugestão surgiu já na reunião do nosso chefe de Estado-Maior Conjunto com o seu correspondente russo e com as empresas”, disse o ministro.

“Vou chamar a atenção para o fato de que ele foi lá com várias empresas brasileiras. O que é muito interessante, porque isso já vai preparando terreno para uma eventual produção no Brasil, um desenvolvimento tecnológico conjunto”, completou.

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista concedida ao jornalista Alexander Krasnov. O material também está disponível no sítio eletrônico da Voz da Rússia.

Entrevista com ministro da Defesa do Brasil

Apresentamos a entrevista concedida à Voz da Rússia pelo ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim. Ele falou, entre outros assuntos, sobre as relações russo-brasileiras na área técnico-militar. Esta foi a primeira vez que um ministro da Defesa do Brasil falou em exclusivo à mídia russa.

Celso Amorim nasceu em Santos, no estado de São Paulo, há 69 anos. Foi ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Itamar Franco e nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como diplomata, chefiou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, entre 1995 e 1999, quando se tornou amigo de Sergei Lavrov, que hoje é o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Depois, assumiu a chefia da Missão Brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, Suíça. Em 2001, serviu como embaixador no Reino Unido. Celso Amorim é ministro da Defesa do Brasil desde 8 de agosto de 2011.

– Muito obrigado, ministro, por essa oportunidade. A gente agradece imensamente. Fizemos até um levantamento ainda há pouco e descobrimos que essa vai ser a primeira entrevista de um ministro brasileiro para o público russo. Isso nos enche de muita esperança e muito orgulho. O senhor esteve com a presidenta Dilma em dezembro na Rússia e foram realizados vários acordos entre os dois países. Mas, como destacou a própria presidenta, a área técnico-militar recebeu um destaque especial. Como está indo essa cooperação agora?

– Bom, o acordo de cooperação militar assinado abrange os mais diversos níveis. Por exemplo, havia uma dificuldade de treinamento dos pilotos dos helicópteros russos que nós havíamos comprado. A empresa dava um treinamento básico, mas nós precisávamos de algo mais. E, com esse acordo, nós teremos esse tipo de treinamento militar de maneira mais normal, mais fluida. Além de muitas outras coisas.

A assinatura desse acordo, em si mesma, já é algo muito importante, porque ela abre muitas outras avenidas de cooperação, de formação para trabalhar em áreas avançadas que interessam à Rússia e ao Brasil. Seja na cibernética, na área espacial ou de equipamento militar mesmo.

Houve essa aquisição dos helicópteros de combate, muito bons, e, no início, houve um pouco de dúvida sobre a manutenção. Mas já verifiquei que essas questões estão sendo encaminhadas e, naturalmente, no espírito do próprio acordo de compra, esperamos que haja uma boa transferência de habilidades e competências nessa área.

– Nós sabemos que o chefe do Estado-Maior, o general José Carlos De Nardi, esteve recentemente também na Rússia negociando alguns acordos mais concretos.

 É. A ida do general De Nardi foi resultado direto das conversas entre os presidentes. O comunicado conjunto da visita, que singulariza a área de defesa antiaérea, já previa a ida do chefe de Estado-Maior brasileiro para tratar dessa possibilidade de cooperação.

Isso envolve, naturalmente, alguma aquisição, de acordo com as nossas necessidades imediatas, mas também há a expectativa de que empresas russas possam fabricar algum desses equipamentos aqui no Brasil. Agora, as questões técnicas ainda estão sendo discutidas.

A visita foi muito proveitosa. Seguramente, terá uma continuidade agora com a vinda do primeiro-ministro (Dmitri Medvedev), e a nossa expectativa é a de que isso possa caminhar. Claro que tem muita coisa a se discutir ainda, como aspectos financeiros, orçamentários, qual a transferência de tecnologia, treinamento e todas essas coisas.

– Mas uma eventual produção no Brasil desses equipamentos modernos é de interesse brasileiro.

– Sim. Não só dos equipamentos atuais, mas quem sabe até de um equipamento que ainda está em desenvolvimento pela própria Rússia.

– Isso antecipa um pouco outra pergunta. A Rússia tem exemplos de desenvolvimento conjunto de aviões com outros países. Isso poderia ser um caminho para o Brasil também?

– Bom, nesse caso, nós não estamos falando de aviões. Estamos falando desse equipamento de defesa antiaérea. Independentemente da aquisição e da produção no Brasil de equipamentos já existentes, há a possibilidade também do desenvolvimento conjunto de equipamentos mais modernos. Isso está sendo discutido, mas essas coisas levam algum tempo. Essa sugestão surgiu já na reunião do nosso chefe de Estado-Maior Conjunto com o seu correspondente russo e com as empresas. Vou chamar a atenção para o fato de que ele foi lá com várias empresas brasileiras. O que é muito interessante porque isso já vai preparando terreno para uma eventual produção no Brasil, um desenvolvimento tecnológico conjunto.

– A Rússia nos informa que existe uma lei que protege a propriedade intelectual justamente na área de defesa entre a Rússia e o Brasil. Esse acordo, na verdade, já foi ratificado pelo parlamento russo e, segundo eles, só falta agora o Brasil ratificar também.

– Há um pequeno problema interno, mas isso vai ser superado. Nós tivemos muito recentemente uma lei de acesso à informação, que não tem nada a ver com a parte tecnológica. Então, é preciso estudar todos esses acordos – não só com a Rússia – que envolvem cláusulas de confidencialidade para que possam ficar dentro da lei brasileira. Mas eu não vejo nenhuma dificuldade nisso. É um problema puramente burocrático de atualização.

– Entendi.

Quando nós começamos a recolher as perguntas da redação russa, percebemos que lá as pessoas ainda tem pouco conhecimento dos desafios do Brasil na área da defesa. No imaginário russo, o Brasil é um gigante, muito forte, que não tem nenhuma preocupação com a defesa. Eu queria que o senhor falasse um pouco como o Brasil se vê hoje nessa questão.

– Que é um gigante muito forte, isso é verdade. E que no futebol a gente nunca se preocupou muito com a defesa – por fazer sempre muitos gols, desde a época do Garrincha –, isso também é verdade. Mas, deixando a brincadeira de lado, obviamente o Brasil não pode ser uma das maiores economias do mundo, ser um dos maiores repositórios de água doce, biodiversidade, de capacidade de produção de alimento, ter a Amazônia do tamanho que é e não se preocupar com a defesa. Não é possível isso.

Embora tenhamos dez vizinhos, nós não temos problemas com nenhum deles. Todos os problemas de fronteira que nós tínhamos foram resolvidos diplomaticamente há mais de cem anos. A relação nossa com todos esses países é uma relação de amizade e cooperação. Mas isso não quer dizer também que nós não temos que defender nossas fronteiras de outras situações: grupos irregulares, traficantes de drogas, etc.

Pelas razões que eu enunciei antes, tendo toda essa riqueza natural, esse parque industrial e essa capacidade de produção que a gente tem, quem garante que, no futuro, um conflito até entre terceiros não poderá ter uma repercussão aqui? Esperamos que não, mas a melhor maneira de evitar isso é ter a nossa defesa. Por isso que eu digo: do ponto de vista regional, na América do Sul, cooperação; do ponto de vista global, dissuasão. Sem perder de vista que também tem que ter cooperação, nada é preto e branco.

– Essa é a maior preocupação então? É para dissuasão no caso desses eventos de maior envergadura.

– É para o caso de algum país querer se aventurar onde não deve.

– Essa preocupação é muito semelhante ao caso da Rússia…

– Eu acho que o Brasil e a Rússia têm muitas coisas em comum. Os dois são do BRICS, são países ricos em energia, com população semelhante, extensão territorial. Claro que há duas grandes diferenças: a Rússia tem bomba atômica e nós não temos e a Rússia é membro do Conselho de Segurança da ONU e nós não somos. Eu espero que em breve só haja a primeira diferença, porque bomba atômica nós não queremos ter.

– E quanto ao projeto do submarino?

– É um submarino de “propulsão nuclear”. É sempre bom deixar claro. O que é nuclear no submarino não são as armas que ele leva. O que é nuclear é a propulsão. Ele usará energia nuclear como poderia estar usando diesel ou biocombustível.

É um projeto que está caminhando, está avançando. Os primeiros desenhos, as primeiras capacidades já foram mais ou menos adquiridas, na França. O pacote envolve um submarino nuclear mais quatro submarinos convencionais e nós estamos recebendo a primeira parte dos convencionais. Mas quanto ao desenho e ao projeto do submarino nuclear, nós já estamos bastante avançados. Agora, o que diz respeito à geração de energia é totalmente nosso. A França não tem nada a ver com isso, com a parte do propulsor. É 100% nacional.

– Sobre a licitação do avião, não sei se posso perguntar se tem alguma novidade, alguma previsão…

– Perguntar não ofende, mas não tenho nenhuma novidade para dizer no momento. No futuro, outros projetos sempre estarão em aberto.

– Se a Rússia tiver alguma chance de entrar, com seus equipamentos, é só num outro projeto… se aparecer?

– Já entrou com os helicópteros.

– Sei. Aliás, tem um projeto de outro helicóptero, pela Odebrecht, se não me engano.

– Bom, aí eu não sei se era militar ou civil. Isso não foi conversado em detalhe. O que eu posso lhe dizer sobre o que foi conversado em profundidade na visita da presidenta e gerou muito rapidamente uma missão… Em três semanas mais ou menos, nós mandamos o nosso Estado-Maior Conjunto para os rigores do frio russo…

– Me contaram que ele pegou vinte graus negativos.

Com relação a essa visita e à visita agora do primeiro-ministro Dmitri Medvedev, existe alguma expectativa de assinatura, de fechamento desses acordos?

– Eu acho que a questão da defesa antiaérea começou agora. Acho que haverá um relato, é possível que se mencione algum aspecto, algum detalhe que não tenha ficado claro. Não sei se há intenção de se fazer algum outro memorando. O acordo nós acabamos de assinar. Então, da nossa parte, não há necessariamente o desejo. Mas também não excluo a possibilidade de que, se houver uma proposta, ela será examinada.

FONTE: Ministério da Defesa

VEJA TAMBÉM:

Tagged with:
 

18/01/2003 – Começa hoje (18) mais uma campanha de alistamento militar. Este ano as peças publicitárias associam os desafios típicos do cotidiano com os enfrentados na carreira militar. Além do rádio e da televisão, o Ministério da Defesa vai promover ações específicas de comunicação nas mídias sociais (Twitter e Facebook) – canais muito utilizados pelos jovens, público-alvo da campanha. Vale lembrar: jovens do sexo masculino, nascidos em 1995, têm até o dia 28 de junho para comparecer à Junta de Serviço Militar mais próxima de suas residências. Confira no link abaixo o filme da campanha.

DIVULGAÇÃO: Assessoria de Comunicação Ministério da Defesa

TÂNIA MONTEIRO E LEONENCIO NOSSA – Agência Estado

Sem previsão para deixar o Haiti, o Exército brasilero gastou, de abril de 2004 a novembro deste ano, R$ 1,892 bilhão na manutenção da tropa no país arrasado por uma guerra civil e, mais recentemente, por um terremoto. Desse total, a Organização das Nações Unidas (ONU) reembolsou R$ 556,5 milhões para o Tesouro Nacional. Os números são do Ministério da Defesa.

Na prática, um gasto de R$ 1,3 bilhão líquido em recursos do Brasil. Em 2004, o governo Lula justificou que a participação na missão de paz da ONU era uma forma de garantir um assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança, o que não ocorreu.

Atualmente, o Brasil mantém 1.910 homens das Forças Armadas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). A maioria do contingente brasileiro é do Exército. Ainda há militares da Aeronáutica (30 homens da Força Aérea Brasileira) e da Marinha (200 fuzileiros navais). A meta para 2013 é reduzir o efetivo para 1.200 militares, mesmo número do início da operação, em 2004 – o acréscimo ocorreu após o terremoto de 2010.

A redução da tropa de forma “responsável”, nas palavras do ministro da Defesa, Celso Amorim, é respaldada por uma resolução da ONU, de outubro. No começo deste mês, o presidente do Haiti, Michel Martelly, escreveu uma carta de duas páginas implorando à presidente Dilma Rousseff para negociar a manutenção do efetivo, argumentando que ainda não conseguiu formar uma polícia nacional para deter o avanço de gangues. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Mauritânia, Ahmedou Ould Mohamed Radh, assinaram hoje declaração de intenções com o objetivo de ampliar a cooperação em diferentes segmentos no setor de defesa. O documento foi firmado na manhã desta quarta-feira, ao final de reunião bilateral no edifício-sede do Ministério da Defesa (MD).

No encontro foram tratados, principalmente, de assuntos relacionados à Marinha e à Força Aérea, áreas em que a Mauritânia manifestou interesse mais imediato em estreitar a cooperação. De acordo com o ministro Radh, nos últimos anos seu país vem realizando uma série de mudanças e aquisições na área de defesa e segurança em razão do aumento de incidentes relacionados ao tráfico de drogas e ao combate ao crime organizado.

A Mauritânia também tem enfrentado problemas decorrentes da instabilidade política no Mali, país vizinho com quem possui uma fronteira de 2.237 km de extensão, uma das mais longas da África. “Uma parte grande da fronteira está ocupada por terroristas. Já são 65 mil os refugiados do Mali no nosso país”, disse o mauritanês, acrescentando que o Exército de seu país passa há três anos por um processo de modernização para fazer frente às novas ameaças.

Na oportunidade, Celso Amorim anunciou que o navio-patrulha oceânico “Apa”, o segundo do lote de três embarcações adquiridas pelo Brasil da Inglaterra, terá como primeiro destino na África a Mauritânia, após sua partida do Reino Unido. A previsão da passagem é em meados de março. “Podemos fazer, na ocasião, algum tipo de exercício conjunto a exemplo do que fizemos em outros países africanos”, afirmou o ministro.

Presente na reunião, o comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, enfatizou que a Força Naval está pronta para colaborar já em março. Ele disse ainda que seria interessante os mauritaneses conhecerem os sistemas brasileiros de controle de tráfego marítimo e de busca e salvamento. “Queremos nos espelhar na experiência de vocês como maior Marinha do mundo”, afirmou o ministro Radh.

Outro aspecto enfatizado na reunião foi que a relação Sul-Sul é algo a ser fortalecido por ambos os países. Para o ministro Amorim, a localização geoestratégica da Mauritânia faz com que o Brasil tenha interesse em estreitar as relações em defesa, assim como faz com outros países africanos, a exemplo da Guiné-Bissau.

Ajuda aérea

O ministro da Mauritânia manifestou, também, o interesse em receber apoio do Brasil para melhorar as capacidades operativas e de formação de oficiais e praças de sua Força Aérea. Na reunião, foi relembrada a compra dos Super-Tucanos adquiridos pela Mauritânia no Brasil. O ministro Radh afirmou que necessita de assistência dos brasileiros para treinamento de pilotos mauritaneses no país africano a fim de que estes possam operar as novas aeronaves.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, lembrou que o Brasil presta apoio a vários países que adquiriram Super-Tucanos na realização de treinamento de pilotos. Saito afirmou que, futuramente, militares aviadores brasileiros podem ir a Mauritânia para essa finalidade. “Podemos, ainda, oferecer a vocês um curso relâmpago de formação de pilotos na nossa Academia [AFA].” Ele acenou, ainda, com a possibilidade de que praças mauritaneses façam curso na Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAr), localizada em Guaratinguetá (SP), onde poderão ter experiência em manutenção de aeronaves, como mecânicos.

Durante o encontro, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, também colocou à disposição do representante da Mauritânia a possibilidade de recebimento de militares do país em escolas de formação da Força Terrestre, além do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, no Rio de Janeiro.

A comitiva da Mauritânia visitará as empresas Embraer, Avibras e Engepron para conhecer melhor a indústria e projetos brasileiros de defesa. Durante o encontro de hoje, também esteve presente o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi.

Leia íntegra da declaração de intenções firmada entre os ministros da Defesa do Brasil e da Mauritânia

FONTE: Ministério da Defesa

 

Os ministros da Defesa do Brasil e do Peru, Celso Amorim e Pedro Cateriano Bellido, anunciaram nesta segunda-feira a criação de um grupo de trabalho binacional para estudar aspectos econômico-financeiros e jurídicos de futuras operações de compra e venda de equipamentos e de transferência tecnológica na área de defesa. O anúncio foi feito ao final da reunião bilateral entre ambos, ocorrida esta manhã na sede do Ministério da Defesa (MD), em Brasília.

Um dos aspectos centrais a ser tratado no âmbito do grupo de trabalho será a proteção da Amazônia, área de interesse comum enfatizada pelos representantes dos dois países durante o encontro. Há duas semanas, em reunião ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) na cidade de Lima, Peru, os países-membros da Unasul aprovaram a proposta brasileira de estabelecimento de um sistema sul-americano de gestão e monitoramento das chamadas áreas especiais, a exemplo de reservas indígenas e de unidades de proteção ambiental.

O Brasil já possui expertise no assunto, adquirida com o trabalho desenvolvido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão da Defesa. O CDS aprovou, dentro do Plano de Ação para 2013, a constituição de um grupo para estudar a criação desse sistema, que deverá prestar importante auxílio no mapeamento e monitoramento de áreas isoladas em zonas geográficas como a Amazônia, os Andes e o Chaco.

Destacando que a relação entre Brasil e Peru já gerou importantes acordos regionais, entre os quais o que deu origem à Unasul, Celso Amorim chamou de “estratégica” a cooperação com o país vizinho. Para o ministro, mais significativo que o aspecto comercial é fortalecer essa parceria por meio de ações concretas.

O ministro da Defesa peruano também reforçou a importância da integração entre os dois países. Segundo ele, “a aliança estratégica com o Brasil é uma prioridade” do atual governo de seu país.

Produção de embarcações fluviais Pedro Bellido convidou os representantes brasileiros a conhecer empresa SIMA (Serviços Industriais da Marinha), que fabrica embarcações fluviais e petrolíferas no Peru, e que tem a França como um de seus clientes. De acordo com o ministro, há interesse em realizar parceria entre a SIMA e a estatal brasileira Petrobras.

Presente à reunião, o comandante da Marinha do Brasil, almirante Julio Soares de Moura Neto, saudou a iniciativa, dizendo que as duas Armadas têm buscado ampliar a cooperação. “Em fevereiro, pretendo estreitar mais os laços com a vinda do almirante Carlos Roberto Tejada Mera [comandante da Marinha peruana] ao Brasil”, afirmou.

Ensino

O intercâmbio na área de ensino também foi enfatizado na reunião desta manhã. Segundo o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, as conferências bilaterais de Estado-Maior são exemplos de cooperação entre as Forças Terrestres dos dois países, além da quantidade de militares brasileiros e peruanos que fazem cursos em ambas as nações. “Fazemos esforço para manter isso no mais alto nível”, disse ele.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, lembrou que a Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga (SP), tem atualmente quatro alunos peruanos. “Na área de ensino e operacional temos forte intercâmbio, e estamos prontos para iniciar cooperação em outras instâncias”, disse.

Na oportunidade, o comandante-geral da Força Aérea do Peru, general-do-ar Pedro Seabra Pinedo, elogiou a instrução acadêmica recebida pelos militares peruanos no Brasil em cursos de formação.

Os peruanos manifestaram ainda interesse em enviar alunos para estudar no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), ideia prontamente aceita pela comitiva brasileira, que reiterou que a instituição passa por processo de expansão.

Na reunião, Amorim abordou também o interesse brasileiro em fortalecer a cooperação na área de indústria de defesa. Como exemplo desse fortalecimento, ele mencionou algumas importantes iniciativas recém-aprovadas pelo CDS de desenvolvimento regional de Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants) e um avião treinador básico.

O ministro brasileiro também destacou outras oportunidades de cooperação na área naval, como navios-patrulha fluviais, e fez menção ao início da produção, no Brasil, dos blindados sobre rodas Guarani. Ele ressaltou ainda o trabalho realizado em conjunto com países vizinhos nas Operações Ágata, iniciativa prevista no Plano Estratégico de Fronteiras (PEF). “Nós sempre avisamos aos países fronteiriços quando as ações começam e é importante que isso seja feito em cooperação. Nós fazemos do nosso lado e vocês do outro”, reiterou o ministro.

Pedro Bellido explicou que atualmente a maior preocupação na área de defesa no Peru é na luta contra o terrorismo na chamada zona do VRAEM (Valle do Rio Apurímac, Ene e Mantaro). “Não é como em décadas passadas, mas é importante enfrentarmos a situação”, afirmou.

Nesse sentido, o ministro da Defesa peruano manifestou interesse nos aviões de alarme aéreo antecipado (AEW) da Força Aérea Brasileira (FAB), usados pelo Censipam no monitoramento da Amazônia. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, destacou que esse tipo de avião agregou uma nova tecnologia de emprego à Força Aérea.

Antes do encontro bilateral, o ministro peruano foi recebido com honras militares no Ministério da Defesa. Na ocasião, foram entoados os hinos nacionais dos dois países. Também estiveram presentes no encontro o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi; o chefe de Logística do MD, general Adriano Pereira Júnior; e o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Disciplina, hierarquia, preparação, conhecimento técnico, capacitação e comprometimento. Durante a entrega do 3º Prêmio Melhor Gestão do Projeto Soldado-Cidadão, que aconteceu nesta segunda-feira à tarde, os requisitos foram mencionados, em oportunidades diferentes, para destacar o leque de qualidades aprendidas pelos jovens que integram o programa – que tem o objetivo de capacitar profissionalmente militares temporários da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Durante a premiação no Teatro da Poupex, no Setor Militar Urbano, o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que “a importância desse programa é ressaltar ainda mais o papel que tem o Serviço Militar na integração dos indivíduos na sociedade”.

Para ele, o Soldado-Cidadão representa, ainda, o compromisso do governo da presidenta da República, Dilma Rousseff, com a inclusão social e “com a transformação de todos os brasileiros e brasileiras em efetivos cidadãos”.

Foram agraciadas instituições das três Forças que se destacaram na implementação do projeto: o Comando do 8º Distrito Naval, localizado na cidade de São Paulo; o Departamento de Engenharia e Construção do Exército, em Brasília (DF); e a Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, os prêmios foram recebidos pelos comandantes de cada unidade militar.

No mesmo evento, houve entrega do diploma de Colaborador do Projeto Soldado-Cidadão – honra concedida a personalidades e instituições, oficiais e suboficiais da ativa e da reserva, que prestaram serviço ao programa. Além de seis militares (dois de cada Força), receberam o prêmio as empresas BASF, Intelbras e Rudder Centro de Formação em Segurança.

Antes das entregas, foi exibido rápido vídeo explicativo, onde soldados das três Forças Armadas contaram sobre as qualificações que escolheram – entre elas panificação, refrigeração e eletricista de automóveis – e como têm usado os aprendizados na vida profissional.

O ministro participou da solenidade ao lado dos comandantes da Força Naval, almirante-de-esquadra Wilson Barbosa Guerra (representante); da Terrestre, general-de-Exército Enzo Martins Peri; e da FAB, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito. Estiveram presentes, também, participantes beneficiados pela iniciativa.

Projeto

Sob a gestão do Ministério da Defesa (MD), o projeto Soldado-Cidadão foi criado em 2002. O propósito principal é dar oportunidade para que profissionais temporários das Forças Armadas aprendam uma atividade e possam exercê-la após deixarem as organizações militares. É uma ponte para o primeiro emprego.

Até o final deste ano, a iniciativa terá beneficiado cerca de 180 mil jovens em 134 municípios, com uma média de 67% empregados ou gerando renda.

Já o prêmio Soldado-Cidadão foi instituído pelo MD em 2010 para reconhecer e divulgar as melhores práticas de gestão dos agentes envolvidos na execução do programa.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Às vésperas do sorteio das chaves das seleções que vão disputar a Copa das Confederações, em 2013, no Brasil, o Ministério da Defesa promoveu, nesta sexta-feira, uma reunião com os oficiais generais coordenadores das ações da Defesa para os chamados “grandes eventos”. O encontro aconteceu na sede do Comando Militar do Sudeste (CMSE), em São Paulo, sob a coordenação do Estado-Maior das Forças Armadas (EMCFA).

Além de preparativos para a própria Copa das Confederações, a reunião abordou medidas de segurança para a Copa do Mundo FIFA 2014, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em meados do próximo ano, e as Olimpíadas Rio 2016. Em videoconferência, foi feita também uma avaliação preliminar da Operação Atlântico III.

Para o chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi, as Forças Armadas têm se preparado para corresponder às necessidades do país em assegurar que os grandes eventos transcorram sem maiores transtornos.

De Nardi indicou aos oficiais generais que, pela complexidade, o maior desafio em termos de segurança será a visita do Papa Bento XVI. Ele disse também que os militares terão acompanhamento minucioso em duas questões: contraterrorismo e ataques cibernéticos.

“Vejo a visita do Papa como sendo o nosso maior desafio. Iremos trabalhar para que nada venha a manchar esse grande evento. É o compromisso que assumimos com a presidenta Dilma Rousseff”, assegurou o general.

Escolha de São Paulo

A capital paulista foi escolhida para reunir os oficiais generais pelo fato de sediar, neste sábado, o sorteio das chaves para formação da tabela da Copa das Confederações. Com a iniciativa, os coordenadores militares das 12 cidades-sede onde haverá jogos das Copas das Confederações e do Mundo, esta última em 2014, puderam se inteirar de assuntos relacionados às competições esportivas e ao evento religioso promovido pela Igreja católica.

“Em segurança, não há espaço para erro”, explicou o general De Nardi. “Em reunião com a presidenta Dilma, restou claro que não será aceito um só arranhão em qualquer dos grandes eventos”, disse. “Nos reunimos em São Paulo porque amanhã teremos o sorteio das chaves e esse exercício servirá de teste para os dois eventos”, completou.

Durante o encontro, De Nardi explicou, em linhas gerais, que as Coordenações de Defesa de Áreas (CDAs) devem estar estritamente ligadas aos comando  das operações para que o plano possa ser colocado em prática com o devido sucesso.

O general assegurou que o Governo Federal tem destinado os recursos financeiros necessários para a execução do planejamento. Segundo ele, além dos temas afetos aos comandos, será dada atenção às ações de terrorismo e de ataque cibernético. No primeiro caso, caberá à Brigada de Operações Especiais, com sede em Goiânia (GO), liderar o plano de segurança. Já o Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), situado no QG do Exército, em Brasília, cuidará de proteger as redes de telecomunicações.

Na conversa, o chefe do EMCFA pediu ainda que cada oficial general presente levasse as ideias discutidas na reunião para as respectivas sedes, como forma de desenvolvê-las e aprimorá-las. E destacou que qualquer deslize afetará não apenas a imagem da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, mas de todo o Brasil.

Operação Atlântico III

Além do debate sobre a segurança dos grandes eventos, o EMCFA participou de videoconferência de avaliação da Operação Atlântico III. Na ocasião, os Comandos Militares apresentaram os principais resultados e as sugestões para as próximas operações conjuntas.

Segundo o general De Nardi, o exercício, que empregou 10 mil militares no Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, serviu de teste para o plano de segurança a ser colocado em prática já no próximo ano, quando ocorrem a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude.

Um dos pontos de destaque foi o adestramento, por parte da 1ª Divisão do Exército – Divisão Mascarenhas de Moraes, em pontos de infraestrutura, como a Refinaria Duque de Caxias, as linhas de transmissão de Furnas, a rede de telecomunicação da Embratel, em Tanguá, e as usinas nucleares, em Angra do Reis.

Na conversa, o chefe do EMCFA classificou como fator positivo a interoperabilidade das Forças e enfatizou que esse será o objetivo principal das operações conjuntas. Ele sugeriu ainda que, numa próxima edição, Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) sejam incluídos nos exercícios.  Por fim, anunciou que o Estado de São Paulo fará parte da área de adestramento da Operação Atlântico.

FONTE: Ministério da Defesa

 

A recuperação da capacidade operacional das Forças Armadas e o desenvolvimento de projetos ligados aos três eixos estruturantes da Estratégia Nacional de Defesa (END) e do Programa de Articulação e Equipamentos de Defesa (PAED) – cibernético, aeroespacial e nuclear – marcaram o último painel do Seminário Estratégias de Defesa, realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

Durante mais de duas horas, militares representando o Ministério da Defesa, por meio do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), fizeram detalhamento minucioso daquilo que planejam para o horizonte de 35 anos. O seminário foi promovido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Coube ao chefe de Operações Conjuntas (Choc), do EMCFA/MD, brigadeiro Ricardo Machado Vieira, a abertura do painel “Os grandes projetos estratégicos das Forças Armadas”. O militar fez sua exposição com base nas diretrizes traçadas pela END e pelo PAED. E apresentou os eixos estruturantes que cabem às Forças Armadas e os principais projetos em desenvolvimento por elas.

“Precisávamos de um plano para as nossas Forças Armadas dispostas em forma mais lógica. Por isso, buscamos prioridades em áreas estratégicas”, disse o brigadeiro Machado.

Submarino nuclear

Após a apresentação das diretrizes gerais, os oficiais-generais representantes dos comandantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB) deram detalhes daquilo que vem sendo desenvolvido. O contra-almirante Antonio Fernando Garcez Faria relatou que a Marinha tem trabalhado em projetos na área nuclear, que se divide no ciclo de combustível e no laboratório de geração núcleo-elétrica (LABGENE).

A Força Naval também trabalha no âmbito do núcleo de poder naval no desenvolvimento de navios-patrulha de 500 toneladas – corveta classe Barroso. A meta é incorporar 46 desses navios. A Força atua ainda no Programa de Obtenção de Meios de Superfícies com os navios-patrulha adquiridos recentemente na Grã-Bretanha.

O navio-patrulha oceânico Amazonas foi o primeiro de três unidades a ser incorporado para atuar na região denominada “Amazônia Azul”. Nas próximas semanas, a Marinha receberá a segunda embarcação em Londres, sendo a terceira no primeiro trimestre do próximo ano.

Em outra frente, a Força Naval trabalha no projeto de construção de submarinos convencionais e a propulsão nuclear no polo de Itaguaí (RJ). O esforço concentrado tem por finalidade, também, permitir a segurança da navegação.

Já na parte de tropas, a Marinha planeja constituir a 2ª Esquadra da 2ª Força de Fuzileiros que deverá ser instalada próximo à foz do rio Amazonas. Deste modo, o litoral brasileiro estaria sendo coberto pelos fuzileiros numa área que vai do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS).

Sete projetos do Exército

Em seguida, o general-de-brigada Luiz Felipe Linhares Gomes, chefe do Escritório de Projetos do Exército, apresentou os setes projetos estratégicos da Força Terrestre. O primeiro deles é o blindado Guarani – que tem por finalidade produzir o carro de combate substituto do Urutu e do Cascavel. Segundo o general, serão adquiridas 102 unidades de combate, mas, antes dessa remessa, a Iveco produzirá 14 para a Argentina.

“Isso será importante, pois o Brasil irá exportar esses equipamentos, agregando divisas à balança comercial”, disse o militar, ao explicar que o projeto é viável economicamente para o país.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) foi o segundo projeto apresentado na palestra das Forças Armadas. De acordo com o general Luiz Felipe, o projeto piloto a cargo do braço de indústria de defesa Embraer, vencedora da licitação, será desenvolvido em Dourados (MS). Além disso, o Exército trabalha com o projeto Proteger, que tem foco nas 664 bases de infraestrutura do país, como porto, aeroportos, usinas nucleares e hidrelétricas, bem como redes de comunicação.

O Exército atua também no projeto Astros 2020, no Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) e na Recop (Recuperação da Capacidade Operacional). O militar enfatizou em discurso que o investimento em defesa não tem custo. Segundo ele, o leque de projetos e programas permitirá, entre outras questões, gerar mais emprego, desenvolver a indústria nacional e transferir tecnologia.

Soberania do espaço aéreo

O brigadeiro Osmar Machado, da 6ª Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica, apresentou os projetos prioritários da Força Aérea. Ele começou a exposição informando que o Plano Estratégico Militar da Aeronáutica (PEMAER), para 2010/2013 traz, na prática, as determinações da END e do PAED, documentos norteadores do Ministério da Defesa. O plano, prevê entre outras coisas, o aumento da capacidade operacional da FAB e a capacitação científica e tecnológica da Força.

“Qualquer projeto dentro da FAB tem que chegar à missão principal, que é manter a soberania do espaço aéreo do Brasil”, destacou.

A Aeronáutica atua em projetos como a modernização do F-5M com lote de 46 aeronaves, sendo que 44 aviões já foram incorporados. Também investe na revitalização de 43 aviões do A-1M (AMX), cuja entrega deve ser concluída até o próximo ano. O brigadeiro citou ainda, que entrou em ação na Operação atlântico III, que ocorre entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Aeronave tem por missão assegurar o patrulhamento marítimo.

Durante sua exposição, o militar mencionou também projetos como o A-29 (caça leve), o KC-390 – avião para transporte de tropas e cargas, além de outras funções – e os helicópteros H-XBR, que terão 50 unidades entregues para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, além da Presidência da República.

A FAB atua também no desenvolvimento de doutrina para utilização de veículos aéreos não tripulados (Vants), com dois equipamentos já em fase de testes pela Força. Já quanto ao projeto F-X2 – um dos temas mais esperados pela plateia –, o brigadeiro Osmar Machado informou que a análise da concorrência encontra-se em fase de decisão por parte da presidenta Dilma Rousseff.
“Posso apenas informar que, qual seja a decisão do projeto escolhido atenderá muito bem à FAB”, encerrou.

Após as apresentações, o público pôde formular indagações. Em seguida, o seminário foi encerrado pelo deputado Hugo Napoleão (PSD-PI) e pela presidenta da Comissão, deputada Perpétua de Almeida (PCdoB-AC).

FONTE: Ministério da Defesa

 

O ministro da Defesa, Celso Amorim, voltou a defender, em palestra, a participação da sociedade na discussão sobre os rumos da Defesa brasileira. “O envolvimento do conjunto da população no debate sobre as questões da paz e da guerra é da essência da democracia”, disse Amorim na abertura do “Seminário Estratégias de Defesa Nacional”, realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, o interesse crescente por esse debate, manifestado por variados setores sociais, “expressa a determinação do povo brasileiro de ter parte ativa na construção de seu destino como nação independente.”

O seminário, que acontece hoje e amanhã (28), é promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE).

“Esse contato estreito e regular que mantive este ano com as duas Casas do Congresso é um reflexo da importância que os temas da Defesa alcançaram na agenda política e, de maneira mais ampla, na agenda da opinião pública”, afirmou o ministro.

A cerimônia de abertura do seminário contou com a participação do ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, dos comandantes da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto; do Exército, general Enzo Martins Peri; e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Na plateia, autoridades civis e militares, parlamentares, adidos militares e jornalistas.

Confira, abaixo, os principais trechos do discurso do ministro da Defesa, Celso Amorim, na abertura do seminário na Câmara dos Deputados.

Aproximação com o Congresso Nacional

“Quero dizer da minha satisfação em retornar à Câmara dos Deputados para participar de um seminário sobre a Defesa do Brasil. Em fevereiro, recebi o honroso convite para fazer a abertura de um seminário sobre política industrial e tecnológica na área de Defesa, promovido pela Frente Parlamentar de Defesa Nacional. Em março e abril, compareci a audiências públicas no Senado Federal e, em julho, em ato com o Presidente do Congresso Nacional, Senador José Sarney, entreguei à apreciação do Congresso o Livro Branco de Defesa Nacional e as novas versões da Política e da Estratégia Nacionais de Defesa. Agora, graças à iniciativa da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, tenho a oportunidade de debater aqui assuntos centrais para o pensamento estratégico, como o atual cenário global, o entorno geoestratégico brasileiro, as relações da Defesa com a sociedade e os desafios para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa.”

Profissionalismo militar

“A liderança civil das Forças Armadas é hoje uma realidade não contestada. A ela corresponde, com igual naturalidade, a valorização e o respeito do profissionalismo militar. A altíssima credibilidade de que gozam nossos marinheiros, soldados e aviadores junto à população brasileira – inclusive consignada em estudo do IPEA – dá testemunho disso.”

Interesse da população pela temática da Defesa

“O crescente interesse público por assuntos militares não se confunde com militarismo de qualquer natureza. O envolvimento do conjunto da população no debate sobre as questões da paz e da guerra é da essência da democracia. Segundo o famoso relato de Tucídides, a “oração fúnebre” pronunciada por Péricles aos atenienses, no ano de 430 antes de Cristo, enunciou a importância capital da tomada de decisões de forma democrática para a condução dos destinos da coletividade. Péricles assevera que seus concidadãos – mesmo abatidos pelas adversidades na guerra contra Esparta – têm o dever de (cito) “decidir as questões públicas por si mesmos, na crença de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação” (fim da citação). Felizmente, as ações que nos cabe tomar hoje são bastante diversas daquelas que levariam a uma guerra geral e consumiriam a civilização grega. Vivemos em um tempo de paz e nos beneficiamos dele.”

Estratégia Nacional de Defesa

“A Estratégia Nacional de Defesa, por sua vez, estabelece as orientações e as formas de alcançar os objetivos de defesa por meio de ações de médio e longo prazo. Um dos desafios que identifica é o fato de ser “indispensável para as Forças Armadas de um país com as características do nosso, manter, em meio à paz, o impulso de se preparar para o combate e de cultivar, em prol desse preparo, o hábito da transformação”. O primeiro eixo dessa transformação é a reorganização e reorientação das Forças Armadas, de modo a que estejam preparadas para desempenhar sua missão constitucional de defesa da pátria no contexto dos riscos e ameaças do século XXI.Outro eixo é a organização da indústria nacional de defesa, orientada pelo preceito de que a política de defesa é indissociável da política de desenvolvimento. O documento define três setores estratégicos em que o país deve alcançar autonomia tecnológica: o nuclear, o cibernético e o aeroespacial. Destaco o importante papel do Congresso Nacional na apreciação e implementação dessas e de outras ações previstas na Estratégia.”

Livro Branco de Defesa

“(…) o Livro Branco divulga e detalha a visão geral do Governo na área da Defesa. É uma medida concreta que visa à sensibilização do público para a importância da defesa. Nas palavras da Sra. Presidenta da República, Dilma Rousseff, o Livro “é um convite à reflexão e ao diálogo. Sua leitura indicará, sobretudo, que Defesa e Democracia formam um círculo virtuoso no novo Brasil que estamos construindo” (fim da citação). A publicação do Livro Branco, pioneira no Brasil, cumpre duplo propósito: de um lado, comunica com transparência à sociedade os objetivos traçados para sua defesa bem como as carências que terão de ser supridas para a sua realização; de outro, sinaliza as estratégias de preservação dos interesses brasileiros, de modo a manter os altos níveis de confiança junto a nossos parceiros no exterior. O Livro Branco é, ele mesmo, indicador da transformação do lugar ocupado pela Defesa na agenda pública no Brasil – e da transformação da própria Defesa.”

Multipolaridade

Associações de Estados também contribuíram para mitigar a preponderância de uma única potência. A maioria delas assumiu uma dimensão regional, com ênfase em aspectos econômicos, mas com indiscutíveis implicações políticas. A União Europeia – em que pese às dificuldades do momento – é a mais notável. Mesmo aqui, na América do Sul, demos passos importantes, com a preservação (sempre difícil) do Mercosul e a criação da Unasul. Em 2003, um fato novo ocorreu: três grandes países em desenvolvimento e democráticos do Sul, Índia, Brasil e África do Sul, juntavam-se em um Foro de Diálogo, o IBAS, voltado para a busca de soluções a desafios internos e externos semelhantes. Três anos mais tarde, em 2006, começaria a tomar forma outro grupo político que, aos três países do IBAS, associaria China e Rússia.  IBAS e BRICS tornaram-se símbolos, ainda que talvez embrionários, das novas perspectivas abertas pela incipiente multipolaridade.

Primeira mulher oficial-general no Brasil

“É com enorme satisfação que registro, neste foro, a promoção da primeira mulher ao posto de oficial-general das Forças Armadas brasileiras, a Contra-Almirante Dalva Maria Carvalho Mendes. Suas novíssimas platinas dão um brilho especial às muitas conquistas que as mulheres brasileiras vêm obtendo em nossa sociedade.”

Segurança internacional

“Trabalhamos, assim, para o fortalecimento da multipolaridade, que, em tese, reduz as vulnerabilidades e aumenta as margens de liberdade para a ação externa do Brasil. Há indícios de uma desconcentração do poder mundial, que conduziria a essa multipolaridade. Mas tal desconcentração não se tem feito acompanhar da observância das regras universais (ou multilaterais) de conduta inscritas na Carta da ONU. Por outro lado, nada garante que essa desconcentração ocorra de forma pacífica. Uma rápida passada d’olhos no panorama da segurança internacional ajuda a dimensionar os desafios para que uma multipolaridade orgânica – isto é, baseada em normas de ampla aceitação – lance raízes no campo das relações internacionais. Ou, para dizê-lo de outra forma, para que a cooperação prevaleça sobre o conflito. Aprofunda-se, por exemplo, a assimetria na aplicação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, quase exclusivamente dirigida aos esforços de não-proliferação (Art. I, II e III), em detrimento dos objetivos igualmente fundamentais de promoção dos usos pacíficos da energia nuclear (Art. IV) e de abertura de negociações “em boa fé” rumo ao desarmamento nuclear (Art. VI).”

Conselho de Segurança da ONU

“A última década assistiu a mais de uma situação em que ações armadas ocorreram à revelia da vontade do Conselho. A invasão do Iraque foi um caso patente. Há que se notar também a evidente extrapolação do mandato conferido por aquele órgão no caso da Líbia. O desrespeito às regras de conduta multilaterais determinadas pela Carta das Nações Unidas é uma fonte de instabilidade no sistema internacional, com implicações para a segurança de nosso país. Debilitada a âncora multilateral que disciplina o emprego da violência, o sistema internacional corre sério risco de ver-se à deriva. Não custa insistir: o Brasil beneficia-se da paz. Apenas um Conselho de Segurança reformado em seus métodos de trabalho e na composição de seus membros permanentes poderá lidar eficazmente com os desafios da segurança internacional.”

Riqueza do Brasil

“Disputas entre as grandes potências são – e sempre serão – parte integrante da realidade internacional. A possibilidade de que possam assumir a natureza de um conflito militar é o que motivaria preocupação, uma preocupação que não pode ser descartada. A escassez de alimentos e de energia, assim como a deterioração das condições ambientais ou a busca por recursos como a água doce ou a biodiversidade, podem constituir-se em pontos de fissura nas placas tectônicas da ordem global. Do nosso ponto de vista, esse quadro hipotético agrava-se quando se leva em conta ser o Brasil dotado de abundantes reservas justamente desses recursos.”

Dissuasão

“Não me canso de dizer: ser país pacífico não é sinônimo de estar desarmado. A dissuasão é a estratégia primária da política de defesa brasileira. E defesa, volto a repetir, não se delega. Seu objetivo é evitar, por meio da posse de adequadas capacidades militares, agressões ao patrimônio brasileiro ou ações que afetem, ainda que indiretamente, interesses nacionais.”

Cooperação na América do Sul

“A estratégia dissuasória se complementa com a estratégia de cooperação, sobretudo na América do Sul. Nas relações com nossos vizinhos, o interesse brasileiro é servido por medidas de apoio a outros países, que revertem em benefícios a médio ou longo prazos. A incompreensão por vezes suscitada por essa lógica de cooperação – incompreensão que se apega à retórica do egoísmo e da reciprocidade imediata – não encontra amparo no pensamento do Patrono da diplomacia brasileira. Há 103 anos, o Barão do Rio Branco advertia que o Brasil sempre havia suscitado na América espanhola “grandes preconceitos e desconfianças, que pela nossa parte procuramos ir modificando pela cordura e pela longanimidade” (fim da citação). Em outras palavras, o Barão advogava, com lucidez de estadista, uma atitude de bom senso e generosidade para com nossos vizinhos.  Isso é especialmente válido na área de Defesa: o Brasil, um dos países com maior número de vizinhos no mundo, mantém com todos eles uma paz centenária, podendo evitar o dispêndio de recursos e energia em diferendos fronteiriços.”

Operações Conjuntas

“Além de desenvolver a doutrina de interoperabilidade entre as Forças e conduzir exercícios como as operações Amazônia 2012 e Atlântico III, cabe ao EMCFA conduzir a Operação Ágata, que é uma operação de prevenção e repressão a ilícitos transfronteiriços, inserida no Plano Estratégico de Fronteiras, estabelecido pela Sra. Presidenta da República, Dilma Rousseff, em junho de 2011. O EMCFA tem aprofundado estudos relativos à recomposição das capacidades de defesa antiaérea brasileira, carência sentida em todas as frentes de Defesa.”

 

Confira a íntegra da conferência do ministro Celso Amorim.

FONTE: Ministério da Defesa

 
Página 1 de 812345...Última »