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O exemplo do Iraque

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WALTER, PINCUS, THE WASHINGTON POST, É JORNALISTA – O Estado de S.Paulo

vinheta-clipping-forte1A prudência foi invocada enquanto o presidente Barack Obama decide sobre a veracidade das acusações de que Bashar Assad teria usado armas químicas. Talvez seja positiva a presença de Obama no Texas na inauguração da biblioteca de George W. Bush. Espero que ele tenha visitado o memorial e se informado sobre o Iraque, porque a mostra permite que “o visitante entre no próprio processo de decisão e conheça as políticas implementadas por Bush”, como diz o site do centro.

Enquanto Obama estava no Texas, o diretor de assuntos legislativos da Casa Branca, Miguel Rodriguez, enviou uma carta aos senadores Carl Levin, democrata, e John McCain, republicano, dizendo que a inteligência dos EUA apurou “com relativa segurança que o regime sírio usou armas químicas em pequena escala, especificamente o agente químico sarin”. A avaliação baseava-se em “amostras fisiológicas”, ou seja, de células ou de pele, enquanto outros afirmaram que também foram analisadas amostras de solo.

Durante uma reunião com repórteres, um funcionário de alto escalão estava pensando no Iraque quando afirmou: “É fundamental que tenhamos condições de apresentar provas irrefutáveis”. Ao contrário de Bush e de seus assessores, que se agarraram a informações mínimas e exageraram nas afirmações de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, Obama disse que as avaliações atuais avançam com muita cautela.

Voltemos a outubro de 2002. Três dias antes da votação no Congresso da resolução que autorizava o uso da força no caso de o Iraque se recusar a desistir de suas armas de destruição em massa, Bush fez um discurso destacando “uma grave ameaça à paz”. Depois de se referir aos ataques de 11 de Setembro, ele disse: “Concordamos que não devemos permitir que o ditador iraquiano ameace os EUA e o mundo com terríveis venenos e doenças, gases e armas atômicas”. No fim, o presidente não dispunha de claras evidências, apenas da resolução aprovada pelo Congresso. E, quatro meses mais tarde, usando a resolução, a coalizão liderada pelos americanos invadia o Iraque.

A lição é clara. É imprescindível que as alegações do uso de armas químicas na Síria sejam testadas duas vezes. Algo ocorreu no dia 19 de março em Khan al-Assal, a aldeia nos arredores de Alepo, onde governo e rebeldes se acusam de usar esse tipo de armas. Há relatos de que tropas sírias podem ter sido vítimas de um projétil que atingiu o alvo errado ou pode ser que o governo tenha tentado implicar os rebeldes.

Britânicos e franceses têm amostras de solo e entrevistas indicando que substâncias químicas foram usadas também em Ataybah, perto de Damasco, e em Homs. A ONU tem uma equipe de 15 pessoas aguardando em Chipre para ser enviada assim que Damasco autorizar. Até o momento, Assad só permitiu que ela chegasse a Khan al-Assal.

A demora compromete os exames. Amostras de urina só são válidas nos primeiros dias. O sangue se conserva por mais tempo. Uma tecnologia sofisticada pode identificar agentes nos exames de DNA e de solo. Vestígios, porém, não dirão a quem os usou. A questão mais difícil é o que fará Obama se provas incontestáveis envolverem Assad. Se o memorial de Bush no Texas contém alguma lição é não confiar no “instinto” de um presidente capaz de levá-lo a ordenar uma ação militar, particularmente se ele nunca esteve numa guerra. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

FONTE: O Estado de S. Paulo

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Julie E. Kirk
7 anos atrás

Obama diz que é preciso de informações precisas e comprovadas sobre o ataque para definir qualquer ação contra o regime sírio, principalmente em caso de intervenção militar, e voltou a dizer que as armas químicas mudaria o cenário da guerra civil.