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O Brasil deve integrar as forças de paz na Síria a pedido da Rússia?

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Missão brasileira no Haiti

Gustavo Chacra

A Rússia tem interesse em que o Brasil participe de forças de paz para a redução dos conflitos militares na Guerra da Síria. A ideia que Moscou vem negociando com o Irã e a Turquia, além dos EUA indiretamente, busca estabelecer zonas de separação entre áreas controladas pelo regime de Bashar al Assad e áreas controladas pela oposição. Na visão russa, forças militares de nações emergentes, como o Brasil e a Índia, seriam o ideal.

Há interesse, segundo apurei, de alguns membros da área da Defesa no Brasil em participar destas forças. Vale lembrar que a Marinha brasileira integra a UNIFIL no Líbano e é por manter o cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel na zona marítima. Até 1967, o Brasil teve o Batalhão Suez como integrante das forças de paz na Faixa de Gaza. Os militares brasileiros, inclusive, estavam no território quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias em 1967. E, claro, há também as tropas na MINUSTAH, no Haiti, que onde devem sair em outubro. O Brasil tem a vantagem de ser culturalmente próxima da Síria. Centenas de milhares de sírios e libaneses imigraram para o Brasil e os brasileiros possuem excelente imagem entre os sírios.

A estratégia da Rússia, basicamente, visa consolidar o poder de Assad, que já controla quase todas as principais zonas urbanas da Síria, incluindo Damasco, Aleppo, Homs, Hama e a costa mediterrânea. Ao mesmo tempo, Putin faria uma concessão para a Turquia e Arábia Saudita, aceitando que os rebeldes, muitos deles ligados à Al Qaeda, sigam controlando Idlib. Os EUA, apesar do recente bombardeio contra Assad, mantêm o foco no apoio a milícias curdas no combate ao ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico e Daesh.

Estas milícias curdas, que atuam na fronteira com a Turquia e tentarão derrotar o ISIS em Raqqa, não são inimigas de Assad, mas tampouco são aliadas. Estes grupos curdos, em especial o YPG, são, no entanto, adversárias da Turquia, que considera estas facções terroristas pela ligação com o grupo separatista curdo PKK, responsável por dezenas de atentados no território turco.

FONTE: Blog Guga Chacra/Estadão

9 COMMENTS

  1. Mais gasto de milhões? pra logo depois vir uma onde de refugiados como aconteceu no caso do Haiti? Ganhamos assento no CS da ONU, uma organização com donos? Canoa muito, muito furada.

  2. Perfeito Colombelli. Some a isso chamar atenção dos cortadores de cabeça para nós, o que não é nada bom em termos de prevenção de atentados terroristas.

  3. Eu fico realmente tocado quando três sólidas e pujantes democracias como Rússia, Turquia e Irão clamam pela ajuda de países hiper-desenvolvidos como Brasil e Índia para tentar por fim ao conflito que eles iniciaram, financiaram e mantiveram por quase uma década…
    Me dá até vontade de chorar…
    Quanto a nós, temos nossa guerra interna para cuidar, essa sim muito mais mortífera para nosso próprio povo, e cujos números deixam a guerra da Síria – apesar de toda a destruição e calamidade –
    parecendo briga de saída de escola.
    O inimigo está aqui dentro, e entre nós.

  4. Em geral não “falo” de política aqui… Em geral não ligo para comentários “negativos”.. Mas nunca deixo de reconhecer um excelente comentário.
    “O inimigo está aqui dentro, e entre nós”
    Pena que poucos conseguem entender isso. Nossa realidade é tão absurda e tão degradante que os “gringos” não conseguem entender. Morre mais gente no Brasil todos os dias por violência e problemas de segurança pública do que nos conflitos em andamento.
    Somos um estado falho, como dizem os portugueses (não do Brasil, refiro-me à expressão).
    100% de acordo Vader.

  5. Tremenda furada!Pra que mandar Forcas pra Siria onde nao ha interesse algum para o Brasil quando o Rio de Janeiro, Sao Paulo e Porto Alegre, alem das fronteiras Oeste e Norte estarem submergindo ao crime organizado, ameaca de terroristas, narcotrafico, quadrilhas de coyotes? A Venezuela e uma ameaca a paz no continente! A operacao Ostium mostrou a importancia da Forca Aerea na Defesa da Patria contra ameaca das drogas. Porque a Marinha e os Fuzileiros nao fazem “exercicios” no Lago de Itaipu? Ja fazem excelente servico no Pantanal e Anazonia alem da seguranca na ZEE. Essa decisao de empregar o exercito em “operacoes surpresas” no RJ seria um tipo de “escalada”? O ministro Jungmann disse que nao mais quer combater a “febre”. Estaria pronto para debelar a infeccao??

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