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26ª Exposição Internacional da Indústria de Defesa MSPO

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Lançador Poprad de Defesa Aérea
Lançador Poprad de Defesa Aérea

Por Jean François Auran
Especial para Forças de Defesa/Forças Terrestres

A Exposição Internacional da Indústria de Defesa MSPO é um dos eventos mais importantes para o setor europeu de equipamentos de defesa. Este ano, as mais recentes tecnologias militares foram apresentadas por 624 empresas (incluindo 328 empresas polonesas) de 31 países. Cerca de 20.000 visitantes profissionais visitaram a feira durante a semana.

A MSPO é a terceira exposição mais importante da Europa e a primeira na Europa Oriental. A 26ª edição da MSPO começou no dia 4 de setembro e terminou na sexta-feira, dia 7, em Kielce, na Polônia. A feira continuou até 9 de setembro de 2018 e os últimos dois dias foram abertos a visitantes não ligados à indústria de armas e defesa.

Esta exposição é fortemente apoiada pelo ministério polonês de Defesa e Forças Armadas. Mais de 30 unidades do Comando Geral foram apresentadas em Kielce. Esta edição é especial porque o tema principal foi o centenário da Polônia recuperando sua independência (1918-2018).

A Polônia está envolvida num programa de modernização multianual e ambicioso denominado “plano técnico de modernização das Forças Armadas polonesas para os anos 2013-2022”. Ele consistirá na modernização da maioria dos equipamentos mais pesados. Por exemplo, um total de 142 carros de combate Leopard 2A4 será atualizado para a versão do Leopard 2PL. Um grande esforço será realizado na área da artilharia, na defesa aérea e na mobilidade das forças.

Este evento também é importante para a política externa da Polônia e o ministro da Defesa, Mariusz Błaszczak, assinou no dia 4 de setembro um acordo de cooperação em defesa com o Ministro da Defesa da Etiópia. Diferentes protocolos entre entidades de pesquisa do setor e do estado foram assinados e a israelense Elbit concluiu um com a polonesa PCO SA em optoeletrônicos e sistema de proteção de aeronaves.

A Polônia tem uma confiança muito forte nos Estados Unidos, que é o parceiro mais próximo, mesmo comparado aos membros da União Europeia. Esta confiança foi traduzida nos últimos anos pela aquisição de muitos equipamentos, incluindo o sistema de defesa Patriot. O pavilhão dos EUA foi um dos mais importantes da feira.
Apesar de sua decepção com a compra do Black Hawk americano em 2016 pela Polônia, a Airbus apresentou toda a gama de seus produtos e serviços de defesa, espaço e segurança na feira.

Cerca de 100 soldados do 1º Batalhão da 17ª Brigada Mecanizada realizaram uma demonstração dinâmica de um Pelotão Motorizado em ação. Helicópteros W-3WA Sokol e W-3AE (máquina de evacuação aérea) forneceram o suporte aéreo.

Programas poloneses

Um dos projetos mais importantes é o novo veículo de combate de infantaria anfíbio, conhecido como Borsuk, exibido durante o evento em Kielce. Esta nova geração de veículos é uma combinação de dois projetos complexos e pioneiros realizados pela indústria de defesa polonesa. O primeiro é o próprio IFV, enquanto o segundo é o módulo de torre remota ZSSW-30.

A PZR está propondo uma nova versão do tanque de batalha PT91, codinome M2A2. Entre as modificações, o sistema de controle de fogo, a suspensão são aprimorados e uma câmera foi instalada para o motorista. Esta evolução do T-72 soviético é um dos mais bem sucedidos fora da Rússia.

No campo de tanques de batalha, a coreana Hyundai, em associação com várias dezenas de empresas poloneses e o instituto de pesquisa e desenvolvimento iniciou os preparativos para a participação no maior empreendimento de blindados.
Eles estão trabalhando em uma versão polonesa de seu K2 Black Panther chamado K2PL Wolf. A Polônia está procurando por um futuro tanque de batalha para lidar com os modelos russos mais modernos.

A empresa polonesa AMZ, fabricante de veículos blindados e de combate, revela uma nova versão do Tur V projetada para ser usada como veículo blindado multiuso sob o programa Pegaz. O Tur V pesa 9 toneladas e pode transportar outras 2 toneladas de carga. O veículo atinge velocidade de 110 km/h, com um alcance de 600 na estrada e 400 km fora de estrada. A Inspetoria de Armamentos do Ministério da Defesa polonês planeja adquirir 280 veículos multifuncionais para as Forças Especiais e a Polícia Militar no período entre 2017 e 2022.

A empresa Rosomak S.A. revelou uma nova versão de Posto de Comando do seu veículo blindado 8×8, uma variante do Patria AMV fabricado sob licença na Polônia. O Posto de Comando está equipado com sistemas de comunicação, incluindo computadores e software capazes de enviar dados confidenciais, incluindo informações secretas da OTAN. O veículo pode acomodar 7 pessoas, incluindo motorista, comandante, operador e quatro oficiais.

A empresa WZM, com sede na cidade de Poznan, exibiu duas versões modificadas do BMP1 (veículos blindados BWR) capazes de realizar missões de reconhecimento. Os veículos são denominados BWR-1S e BWR-1D. Essas máquinas são equipadas com sistemas de comunicações Harris e Radmor e um radar SR HAWK 2E. Atualmente as forças polonesas têm 38 BWR e todos eles devem ser modificadas até 2022.

Modernização da artilharia

O projeto mais importante é a modernização e aquisição do lançador múltiplo Homar. Cinqüenta e seis lançadores de foguetes, compostos por módulos de fogo de 3 divisões, são considerados para este programa. Discussões com a Lockheed Martin e IMI (Israel) ainda estão em andamento para condições de compensação.

O obuseiro autopropulsado Krab Howitzer usando o chassi sul-coreano K9 Thunder e uma torre britânica AS-90M Braveheart com canhão de calibre 52 foram entregues em agosto do ano passado às Forças Armadas. A empresa polonesa WB Electronics fornece o sistema de controle de fogo de artilharia Topaz e o alcance é de até 40 km. Cinco batalhões serão equipados com 24 obuseiros.

Em cooperação com a Ukroboron (Ukrainia), o Grupo WB apresentou um sistema de foguetes de artilharia em Kielce. O sistema é projetado para proteger instalações militares e concentração de forças de veículos aéreos não tripulados e para ajudar as Forças Terrestres na destruição de helicópteros e alvos voadores leves.

O sistema Daisy ZRN-01 é baseado em uma unidade de lançamento com liberdade de 360 ​° de movimento horizontal (rotação) e elevação vertical de -10 a + 80°. Os projéteis propulsados por foguetes de 80 mm são fabricados pelo SJSHC “Artem” ucraniano. O sistema pode engajar alvos terrestres a uma distância de até 7.000 m e alvos aéreos a até 4.000 m.

Radar de vigilância e defesa aérea NUR-15M
Radar de vigilância e defesa aérea NUR-15M

Melhorias na defesa aérea

Segundo o plano Wisla, a Polônia está em busca de sistemas de defesa aérea média. O plano é entregar oito baterias de mísseis Patriot em uma configuração 3+. A indústria polonesa está desenvolvendo equipamentos para integrar os requisitos de offset em 8 áreas relacionadas. As baterias serão ligadas a equipamentos poloneses já em serviço. O sistema de defesa aérea será equipado com estações de reconhecimento técnico de rádio PCL/PET desenvolvidas pela empresa PIT-Radwar pertencente ao Polish Armaments Group.

O plano de modernização de defesa aérea de curto alcance denominado Narew é lançado para uma exigência global de 19 baterias, incluindo 10 para a Força Aérea Polonesa. A MDBA poderia ser um dos potenciais fornecedores para este projeto, oferecendo o Land Captor com mísseis CAMM-ER. A MBDA está procurando fazer progressos em vários programas na Polônia, ao mesmo tempo em que trata de abrir um novo escritório na capital do país este ano.

Várias empresas polonesas produzem diferentes tipos de radares de vigilância aérea/defesa. Um deles é o NUR-15M, dos quais 12 já estão em serviço. A mesma empresa também apresentou os radares de curto alcance desdobrável Bystra. Os radares Bystra fornecem dados de alvos para os ativos de defesa aérea, incluindo os sistemas de SAM auto-propulsados Poprad.

Radar móvel Bystra
Radar móvel Bystra

 

Programa UAV

A Polônia está desenvolvendo uma enorme gama de UAV para aplicações militares e alguns equipamentos para combater essa nova ameaça. Um dos mais interessantes é o Warmate 2 desenvolvido em cooperação com os Emirados Árabes Unidos. Este modelo possui uma autonomia de 2 horas e está equipado com uma carga termobárica de 5 Kg e antitanque. O alcance do link de dados é de 20 km. O modelo original do Warmate,  usado por forças especiais polonesas, tinha uma ogiva explosiva de 1,5 kg.

A empresa polonesa Wojskowe Zakłady Elektroniczne (WZE) apresenta os seus novos sistemas anti-UAV LANCA 2.0, concebidos para neutralizar pequenos objetos voadores. Tem uma ampla gama de freqUências operacionais capazes de neutralizar os drones a uma distância máxima de 1.000 m.

Concluindo

No campo das curiosidades, descobrimos um ônibus blindado desenvolvido pela Szczęśniak. Baseado em um chassi MAN resistente oferece durabilidade incomparável, este ônibus pode enfrentar areia, neve e gelo. O motor MAN de seis cilindros oferece 240 cv e o veículo pode atingir a velocidade máxima de 117 km/h.

FOTOS: Jean François Auran

12 COMMENTS

  1. Acho interessante esses mini-drones. Imagina sua base ou seu comboio ser atacado por um enxame de mini-drones kamikaze, cada um deles com 2 kilos de explosivo. Acho que ainda não existe defesa pra isso.

    • Agnelo 11 de setembro de 2018 at 12:05

      Olá Agnelo, boa tarde.
      Talvez vosê possa esclarecer uma dúvida minha a respeito da eficiência/eficácia entre o emprego de uma unidade móvel especialista, como o veículo com Lançador Poprad de Defesa Aérea (da foto desta matéira) ou um veículo de uso geral, transportando equipes com lançadores tipo MANPADS. Pressupondo a existência de uma unidade radar independente (como me parece ser o caso aqui).
      Saudações

      • Prezado
        Não sou Art AAe, mas, pelo q entendo, uma unidade como essa deve possuir outras capacidades na Vtr, além da Proteção tanto Bld (SFC) como QBRN, por exemplo.
        Tem de saber a dotação também.
        Uma Seção com o IGLA, por exemplo, é constituída por 6 lançadores q se “espalham” no terreno. Ou seja, 6 misseis sendo disparados se necessário.
        Já a seção com essas Vtr seriam 4 Vtr por Seção, q pelo q parece, seriam 16 misseis disparados.
        A mobilidade para acompanhar forças Bld e Mec fica melhor em Vtr assim, já q em outra, a equipe com o lançador provavelmente teria de parar para atirar.
        Resumindo, capacidades e técnicas diferentes.
        Sds

  2. Gostaria de parabenizar o editor do site e a todos que colaboram com esse que é um dos melhores sites de informações sobre temas militares. As legendas nas fotos ficaram fantásticas. esperamos que isso se torne corriqueiro em todas as matérias. mais uma vez parabéns

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