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O LMV em detalhes – parte 6

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Agrale Marruá na versão AM11 (VTL Rec) na fábrica da Agrale em Caxias do Sul/RS.

Veículos leves 4×4 do EB

por Guilherme Poggio

É chegado o momento de se fazer uma pausa na história do LMV e contar a história, mesmo que de forma sucinta, dos utilitários leves 4×4 adquiridos e utilizados pelo Exército Brasileiro (EB) após a II Guerra Mundial. Ênfase foi dada aos veículos leves com capacidade de emprego tático.

Por décadas o veículo básico 4×4 do Exército Brasileiro (EB) foi o Jeep Willys em suas diferentes versões e modelos, tanto fornecidos pelos Estados Unidos quanto fabricados no Brasil pela Willys e pela Ford, entre 1954 e 1983. Esse veículos realizavam diversas missões como ligação, transporte leve, remoção de feridos do campo de batalha, reconhecimento e outras ações táticas.

Um dos vários Jipes fabricados pela Willys e pela Ford no Brasil, entre as décadas de 1950 e 1980, e empregados pelo EB. Na imagem acima um exemplar CJ-5 militar fabricado no Brasil, reconhecido pelo desenho do paralamas traseiro, de linhas retas, que difere do CJ-5 civil americano, o qual foi baseado no modelo militar M38A1, cuja produção começou em 1952. O EB utilizou diversas versões e evoluções do “Jeep” desde a Segunda Guerra Mundial, tanto fornecidas pelos EUA quanto fabricadas no Brasil.

Cabe destacar que na função tática alguns jipes foram armados com metralhadora 0,50 pol. e até mesmo com canhão sem recuo de 106 mm (como no caso o modelo M151A1, também utilizado pelo EB).

Nas décadas de 1980 e 1990 o Exército já buscava um substituto para a “família jipe”, cuja fabricação pela Ford, no Brasil, cessou em 1983. A frota remanescente, tanto dotada dos velhos motores Willys BF-161 de 6 cilindros quanto dos mais recentes Ford OHC de 4 cilindros (derivados do Maverick, e que equipou a família a partir de 1975) chegou a passar por remotorização com motores GM 4 cilindros (que até a virada para os anos 1990 ainda equipavam o Opala e utilitários Chevrolet). Esse trabalho foi realizado pela Bernardini, mas era evidente que o ciclo de vida dos velhos jipes estava chegando ao final.

Procurou-se prestigiar a indústria nacional para um substituto dos tradicionais jipes. Já no ano de 1982 a Envemo, uma empresa paulista que havia sido adquirida pela Engesa, desenvolveu uma viatura 4×4 de 3/4 de tonelada. O veículo utilizava o chassi de picape da Chevrolet, mas com suspensão modificada e tração nas quatro rodas. O veículo recebeu a denominação EE-34 e mais de 800 unidades foram fabricadas entre 1982 e 1985. Em 1989 uma nova versão com novo chassi foi produzida, mas em números mais modestos.

Dois exemplos de veículos 4×4 adquiridos na década de 1980 pelo EB. No canto esquerdo da foto está um Toyota Bandeirante e atrás dele um Engesa/Envemo EE-34. Ambos foram fabricados no Brasil e tiveram versões táticas armadas com metralhadoras de calibre 7,62 mm (como mostra a foto)

Outro veículo produzido no Brasil (mas nesse caso por montadora multinacional) e encomendado pelo EB ainda na década de 1980 foi o Toyota Bandeirante. Assim como o EE-34 ele também teve versões militares para a execução de missões táticas, as quais foram equipados com metralhadora de calibre 7,62 mm.

Já no começo da década de 1990 o grupo minerador EBX, do empresário Eike Batista, adquiriu os direitos de produção do jipe A3 da francesa Auverland (atual Panhard). Os veículos sofreram pequenas modificações e receberam o nome JPX no Brasil. Foram produzidas cerca de 2800 unidades na cidade minera de Pouso Alegre entre 1993 e 2001. Destas, cerca de 500 seguiram para as Forças Armadas.

O JPX foi um dos veículos leves adquiridos pelo EB durante a década de 1990.

O Land Rover Defender é outro utilitário 4×4 que continua sendo utilizado pelo EB. Sua produção no Brasil ocorreu entre 1998 e 2006, quando era montado em São Bernardo do Campo/SP nas instalações da Karmann-Guia. Cerca de 800 unidades eram montadas por ano e boa parte da produção destinou-se ao EB e à PMSP (Polícia Militar do Estado de São Paulo). O veículo chegou a ter 68% de componentes nacionais. Por diversos motivos todos estes veículos mencionados acima não foram introduzidos em larga escala.

O Land Rover Defender foi outro veículo adquirido pelo EB na década de 1990 que também foi empregado com finalidades táticas.

O Marruá entra em cena

Já na primeira década do Século XXI o EB decidiu adotar o Agrale Marruá como o veículo leve fora de estrada padrão do EB, incluindo o mesmo na função de VTL (Viatura Tática Leve). Atualmente, o tipo de veículo leve 4×4 mais utilizado pelo EB é o Agrale Marruá. Foram mais de quatro mil unidades incorporadas desde 2006. Diversas são as versões do Marruá em uso, incluindo o jipe AM2 (VTNE ½ t 4×4), um veículo de reconhecimento AM11 (VTL Rec), uma picape AM21/23 (VTNE ¾ t 4×4), um veículo de Comando e Controle e uma ambulância.

A história do Marruá começou quando um grupo de ex-funcionários da antiga Engesa fundou a Columbus Internacional Ltda. no início da década de 1990 (ver revista Forças de Defesa número 6, página 106). Tendo como base o antigo veículo fora de estrada EE-4/EE-12, a empresa aprimorou o projeto. A Agrale S/A, empresa nacional com longo histórico na produção de tratores (ver página 110 da revista já mencionada acima), adquiriu os direitos do projeto e deu o nome “Marruá” ao veículo.

Linha de montagem do Agrale Marruá em Caxas do Sul/RS

Dentre as diversas versões do Marruá adquiridas pelo EB estava a AM11, desenvolvida sobre chassi longo e capaz de receber um reparo para metralhadora calibre 7,62 mm. Esta versão recebeu a nomenclatura militar “Viatura Tática Leve de Reconhecimento” (VTL Rec). Esta viatura é, na atualidade, o principal veículo leve empregado pelo EB nos seus Pelotões de Cavalaria Mecanizado. Na próxima parte do texto traremos informações sobre estes pelotões.

Comparativo entra a versão padrão do Marruá (AM2) e a versão da Viatura Tática Leve de reconhecimento com o chassi estendido.

Para ler os textos anteriores clique nos links abaixo

O editor Guilherme Poggio viajou a Sete Lagoas a convite da IVECO/CNH.

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Mauricio R.Renato B.Maurício.FoxtrotLucianoSR71 Recent comment authors
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O EB também empregou nas décadas de 80 e 90, o Bernardini Xingu (uma cópia do Toyota) e uma versão militarizada da Rural. Nessa época, a Brigada Paraquedista lançava o EE-4 (ou EE-12) com CSR 106 mm por paraquedas.

Renato B.
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Renato B.

Tinha um jipe da CBT também não? O Javali.

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Pesquisei um pouco mais sobre o assunto e descobri que o EB também usou nesse período as viaturas 4×4 Dodge M37 e Chevrolet Engesa C14/C15.

http://www.armasnacionais.com/2018/05/chevrolet-engesa-c10-c14-c15.html

https://pmsantoangelo.abase.com.br/site/noticias/semana-da-patria/43723-desfile-militar-encerrou-a-semana-da-patria#fotos%5B0%5D/2/

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O EB empregou o M151 MUTT?

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cerberosph
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cerberosph

O EB empregou também o Niva não? Vi um em Picos

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Provavelmente como viatura administrativa.

Foxtrot
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Foxtrot

O EB precisa abandonar a doutrina da WWII .
Quase todos os seus veículos modernos tem essa haste corta cabos.comment image
Ou seja, hiper atrasado !

Maurício.
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Maurício.
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Viaturas 4×4 do EB nas décadas de 80 e 90:

Jeep
Ford F-85 (versão militar da Rural)
Dodge M37
Chevrolet Engesa C14/C15
Bernardini Xingu
Toyota Bandeirante
Engesa EE-12 (versão militar do EE-4)
Engesa e Envemo EE-34
JPX (adquirido em meados da década de 90)
M151

Mauricio R.
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Unmanned Ground Vehicle, pra quem pensa que drone somente voa…

(https://www.snafu-solomon.com/2019/10/qinetiq-north-america-and-pratt-and.html)

Mauricio R.
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Se o fardo estiver muito pesado, ele carrega!!!!

(https://www.snafu-solomon.com/2019/10/grizzly.html)

Mauricio R.
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Estrela de cinema:

(https://www.snafu-solomon.com/2019/10/ripsaw-m5-robotic-combat-vehicle.html)

Uma versão anterior apareceu em “Velozes & Furiosos”.