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BRABATT 1/17 treina em Natal para missão no Haiti

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Ícaro Luiz Gomes

Na tarde de 19 de outubro, o ForTe/Forças de Defesa esteve presente no 16º Batalhão de Infantaria Motorizada – Batalhão Itapiru- (16ºBIMtz) para acompanhar os preparativos do 1º Batalhão de Infantaria de Forças de Paz (BRABATT 1/17).

Minustah

A  MINUSTAH é a Missão da ONU para a Estabilização do Haiti,  autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU pela resolução 1542 de 2004. Dado um histórico de conturbadas reviravoltas políticas e tensões internas, no referido ano uma crise interna de grandes proporções eclodiu, culminando com a deposição do presidente Aristide a época, e uma crise humanitária subsequente. Essa conjuntura foi analisada como comprometedora da segurança da região e da paz internacional, pois poderia abrir precedentes a outros golpes de estado pelo Caribe e América Central.

Desde a resolução 1529, também do Conselho de Segurança e também de 2004, uma Força Multinacional já se fazia presente no Haiti atuando na tentativa de resguardar os direitos humanos, contribuir na restauração da ordem e proteção de ONGs e Organismos Internacionais, mas a escalada da crise resultou na resolução 1542 e consequente criação da MINUSTAH. A MINUSTAH apresenta um componente civil e outro militar, o Brasil dados o longo histórico em bem sucedidas participações em missões da ONU e a política internacional foi selecionado para comandar o componente militar da MINUSTAH. O primeiro Force Commander da MINUSTAH foi o Gen. Augusto Heleno Ribeiro Pereira.

Ao longo da missão diversas ações e projetos resultaram na melhoria da segurança, fortalecimento das instituições governamentais e no desenvolvimento do país. Avanços esses que serviram de exemplo a problemas brasileiros tais como as UPP nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. No entanto, as diversas catástrofes naturais que assolaram/assolam, culminando em 2010 com um terremoto de 7 graus de magnitude, o Haiti destruíram todos os avanços alcançados e fizeram a missão regredir.

Na MINUSTAH o Brasil além de Force Commander possui o maior efetivo, composto por dois Batalhões de Infantaria de Forças de Paz (BRABATT 1 e 2) e uma Companhia de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY). Cada contingente reveza-se a cada 6 meses. Subordinado ao BRABATT 1 encontra-se ainda um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais e mais recentemente um Pelotão da FAB, contingentes militares de outros países Sul-Americanos também encontram-se subordinados, exemplo: Paraguaios, Bolivianos e Peruanos. Militares Peruanos e Bolivianos se revezam a cada contingente.

BRABATT 1/17

O 1º Batalhão de Infantaria de Forças de Paz, do 17º contingente, é composto por cerca de 800 militares, todos voluntários, e de todo Brasil, dos quais 200 são oriundos de Organizações Militares em Natal. Ainda compõem o BRABATT 1/17, um oficial do Peru no Estado-Maior Especial, um GptOpFuzNav com 240 militares, um pelotão da FAB e um pelotão do Paraguai, com cerca de 30 militares. Para esse contingente foi escolhida a cidade de Natal-RN para a realização do Exercício de Força de Paz e concentração das tropas para o envio ao Haiti.

O Exercício de Força de Paz é a última fase do treinamento para o contingente, fase essa onde os conhecimentos teóricos e práticos adquiridos durante os cursos e treinamentos preparatórios a missão de paz são postos em prática e avaliados ante população não-combatente e de condições socioeconômicas mais similares quanto possível ao do cenário haitiano.

Nessa fase, os possíveis cenários a serem encontrados no Haiti são treinados em nível de Batalhão, esses cenários não se reduzem aos aspectos estritamente militares (distinção difícil de se realizar na atualidade), as atividades de ACiSo, ou na linguagem da ONU, CIMIC também são treinadas junto a população carente.

Natal-RN sedia o exercício realizado pelo BRABATT 1/17, as razões para escolha de Natal foram o clima tropical que lembra o Haitiano, cerca de 25% do contingente encontrar-se servindo em unidades de Natal e um rodízio realizado pelo MD entre as unidades das diversas regiões brasileiras para que o maior número quanto possível possam ter contato com um ambiente operacional real. Outros contingentes tiveram a participação de militares aquartelados em Natal, inclusive em outras Missões de Paz que o Brasil tomou parte , como o 7ºBECmb na UNAVEM III.

O Exercício de Forças de Paz do BRABATT 1/17 foi realizando do período de 15 à 26 de outubro. Durante o referido período diversos treinamentos e exercícios foram realizados por toda cidade, especialmente em regiões carentes e próximas ao 16ºBIMtz.

Entre os principais treinamentos realizados encontram-se o de segurança de eleições; patrulhas à pé, motorizada e mecanizada -diuturnas – a ultima modalidade com apoio do 16RCMec; Pontos Fortes e checkpoints; e combate em ambiente urbano. Ações de Combate a Acidentes Naturais e de Cooperação Civil e Militar tiveram uma ênfase no treinamento, sendo as mesmas realizadas junto as comunidades carentes de Natal e Região Metropolitana.

 Dado período eleitoral Haitiano ocorrer durante a atuação do referido contingente no Haiti, as ações de GLO foram treinadas exaustivamente, houve um treinamento dedicado ao uso de agentes não-letais tais como: gás lacrimogênio, spray de pimenta e carabina 12 com balas de borracha.

A proporcionalidade de resposta a ameça é um dos princípios das restritas regras de engajamento que envolvem as missões de paz, para tanto, o uso de agentes não-letais é enfático. Tonfas, Cacetes elétricos, Gás Lacrimogênio, spray de pimenta e munição de borracha fazem parte do cotidiano de treinamento e operacional do BRABATT 1.

Outra ferramenta menos visivel, mas de resultado tão significante quanto, são a inteligencia emocional (para alguns autores da psicologia, biologia e sociologia) e as instruções socioculturais as quais o contingente é submetido. Conhecimento elementares do Francês, Inglês e principalmente do Créole são necessários da maior parte do contingente, inclusive todo ele sendo capaz de executar o hino haitiano em créole.

Nem sempre os meios não-letais surtem efeito esperado, dessa forma o uso de armamento letal é necessário; o armamento letal empregado para legitima defesa é o fuzil Imbel M964A1 e a pistola Imbel 9mm para o EB e os Fuzileiros Navais utilizam os fuzis Colt M16A2 e M4.

As CIMIC/ACiSo também foram efetuadas com destaque ao quadro de saúde e apoio a saúde envolvido. Composto por Médicos, Dentistas, Psicologo, Fisioterapeuta e profissionais da Enfermagem, quatro mulheres fazem parte desse quadro. Três médicas e uma dentista, das médicas duas são da MB e apoiarão diretamente os FuzNav.

A esfera da espiritualidade não foi descartada, no presente contingente encontram-se um capelão evangélico e BRABATT 1/17 irá um capelão católico. O contato com os familiares é indispensável e sua obrigatoriedade é regulada pela ONU, para tanto os contingentes dispõem de telefonia via satélite, internet Wifi de alta-velocidade e serviço postal/correios. Ressalva-se apenas a divulgação de informações que possam comprometer a segurança e o sucesso de operações e da missão em si.

Uma vez a cada contingente um navio da MB realiza apoio logístico em prol do contingente envolvido na MINUSTAH, para o 17º CONTBRAS, o navio partirá do Rio de Janeiro no dia 29 de outubro com previsão de chegar ao Haiti no dia 19 de novembro. Os principais suprimentos levados serão Equipamentos pesados, sobressalentes e alguns víveres. A FAB também realiza uma série de voos regulares para o apoio logístico de cada contingente, suprindo especialmente munições, transporte de víveres e pessoal.

O Exercício chamou bastante atenção da mídia local que produziu diversas reportagens no rádio, televisão e jornais. A Comunicação Social teve seu trabalho aumentado, mas também serviu de treinamento para o que haverá no Haiti. Foi simulada inclusive uma coletiva de imprensa com estudantes de comunicação social e relações internacionais de uma instituição de ensino superior da cidade.

Agradecimentos ao Cel. Rogério Franco Rozas, Comandante do BRABATT 1/17, ao G10 do BRABATT1/17 nas pessoas do CC Collaço e do Sgt Barros.

2 COMMENTS

  1. Parece mentira que esta questão de Força de Paz do Haiti ainda continua!

    Acho que se fazem intervenções militares no Haiti desde 1930!!!

    Resultado: absolutamente ZERO!!!

    Bacchi

  2. A missão no Haiti é a prova cabal de que os políticos não fazem a menor idéia do que se chama DEFESA. O frei beto adora regujitar m…, mas se cala quando o assunto é o Haiti. Por quê ele não faz campanha para a volta dos soldados? Por quê? Porque ele não sabe nada! O acéfalo do senador cristovam buarque, que com sua maldita PLS 176/2011 nada, NADA, fala sobre as tropas naquela ilha infernal…O itamaravilha adora ir pra mídia dizer que o braZil é pacifista e tal…então, por que ainda mantem-se a tropa lá? O terremoto na ilha já não foi um exemplo da incapacidade da tropa? Os EUA em 24hs mobilizaram mais soldados que todo o tempo de missão tupiniquim! Me dá nojo de lembrar o selecionado braZileiro jogando…sob a batuta do rei-sol Lulankamon I!
    Chega de torrar o meu dinheiro lá. Tragam as crianças pra casa!

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