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Estadão entrevista General Câmara Senna

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Ele foi o responsável por ações militares no Rio de Janeiro em 1994

O senhor coordenou as ações militares no Rio em 1994. Qual era a situação na época?
Naquela época, a criminalidade na cidade do Rio era bem menor. Não havia a quantidade de armas de guerra que os traficantes têm hoje, nem a quantidade de comunidades dominadas por traficantes com fuzis. O que levou o governo federal da época (gestão Itamar Franco) a intervir foi o grande impacto causado à sociedade quando a polícia do Rio se mostrou incapaz de entrar em comunidades dominadas pelo tráfico. A PM tinha poucos fuzis e ainda não tinha tática para atuar em grandes áreas dominadas pelo crime ou em enfrentamentos de maior magnitude.

A ação de 1994 foi necessária?
Foi uma medida necessária e oportuna, apoiada por sociedade, imprensa e comunidades. Havia necessidade de um “choque de autoridade”.

Como o senhor analisa a situação da violência no Rio hoje?
O armamento dos bandidos hoje tem poder ofensivo bem maior. O número de comunidades dominadas é bem superior, assim como o domínio das facções criminosas sobre a população. Há agora milícias que atuam com a mesma violência que os traficantes, dominam territórios e populações e cometem ilícitos variados, o que não era significativo em 1994. Também não havia grandes questionamentos sobre a legalidade do emprego das Forças, talvez porque a palavra “intervenção” não tenha sido oficialmente adotada na ocasião. Fizemos tudo como se intervenção fosse, mas a palavra não foi usada. E a imprensa de uma maneira geral colaborava.

Hoje é muito diferente?
Eu não sentia tanta pressão por parte das autoridades, da Justiça e da imprensa, como agora com o general Braga Netto (interventor do Rio) e a interpretação da palavra intervenção. O presidente e seus ministros não se envolviam tanto.

Do ponto de vista jurídico, a operação de 94 era bem diferente da atual. O que podia ser feito?
Foi adotado um tipo de mandado de busca em que se designava um endereço específico acrescido de “e adjacências”. Muita arma foi achada não no domicílio do bandido, mas em casas de moradores que eram obrigados a guardar as armas. As regras de engajamento para as tropas eram bem mais flexíveis, dando mais liberdade de revistar, identificar, buscar casa a casa e reagir a confrontos.

É função das Forças intervir na segurança pública dos Estados?
O problema do Rio não é de segurança pública, mas de segurança nacional. Novas leis têm de ser aprovadas, incluindo emendas constitucionais, e procedimentos referentes ao emprego da tropa e das polícias têm de ser modificados para que o Estado vença essa guerra. É tudo ou nada. Ou o Estado vence a batalha ou não sei o que vai acontecer ao País.

Leia entrevista completa no site do Estadão, clicando aqui.

15 COMMENTS

  1. Não basta intervir, pois algo já foi feito como vimos em 1994, é preciso localizar os arsenais do crime, é preciso localizar os recursos financeiros, que financiam o crime organizado, é preciso depurar as polícias dos maus policiais, as regras de engajamento devem permitir ao EB e posteriormente as policias a eliminação de elementos que portem armamento (fuzil ou pistola) em via pública, é preciso localizar as rotas de abastecimento de drogas e armas dos bandidos e prender os lideres sejam eles nas comunidades ou no asfalto e principalmente afastar os consumidores de drogas dos locais de distribuição da mesma. Combater o assalto e roubo de cargas (via rodoviária), pois pode ser uma migração na forma de agir dos criminosos é preciso asfixia-los financeiramente, e em termos logísticos, e cuidar para que não migrem para outros estados da federação. É preciso desmantelar o controle dos presídios por facções criminosas.

  2. É preciso acabar com o criminoso.

    Pensou nessa solução, Larri Gonçalves?

    Sem criminoso, sem crime, entendeu?

    Guerra? Estado de Sítio JÁ!

  3. Complicada a situação, e boa parte da complicação se deve à mídia(controladíssima por ideologias permissivas de todo tipo), vide esta parte do texto(entrevista);

    “Eu não sentia tanta pressão por parte das autoridades, da Justiça e da imprensa, como agora com o general Braga Netto (interventor do Rio) e a interpretação da palavra intervenção. O presidente e seus ministros não se envolviam tanto.”

    Esta parte pra mim resume a situação e seu possível resultado. Critiquei(erroneamente e sem conhecimento) o Gen Braga Neto em outra postagem, pelo que me desculpo, mas agora me compadeço e torço pra que tenha êxito.

    • Durante os anos de PT, nunca antes na historia desse país, o governo federal investiu tanto em publicidade e propaganda, dinheiro este que rendeu imensos lucros aos grandes conglomerados midiáticos.

      Quando a teta seca, é normal que o bebe chore.

  4. M. Silva, acabar com criminoso não basta, porque afinal de contas o mais importante é dispositivo legal que foi criado pela constituição de 1988 que deu direitos a quem não devia ter dado direitos , portanto precisa ser desfeito, assim como uma atualização dos códigos penal e CPP QUE SÃO MUITO ANTIGOS e desatualizados, acaba-se com o bandido de hoje, amanhã surgem novos, é preciso criar uma legislação atualizada assim como um aparelho policial adequado e integrado para combater a criminalidade não só no Rio, mas em todo o Brasil. As FFAA precisam de recursos para poderem monitorar as fronteiras e impedir o contrabando, tráfico de armas e drogas, caso contrário será secar gelo.

  5. Eu trabalhei nessa operação em 1994-1995, nomeada Operação Rio 1.
    Tinha 2 anos de Papiloscopista PCERJ e fiquei baseado na PE na Barão de Mesquita.
    Naquela época o EB era inexperiente em operações policiais, com as regras de engajamento, judiciárias e burocráticas. Totalmente fora da doutrina.
    Hoje o EB está mais experiente, mas os criminosos estão mais preparados e há organizações e indivíduos de destaque trabalhando contra.

  6. Acho que quando falam em intervenção eles pensam em Ditadura,tomada de poder,acabar com partidos etc etc.Se a Imprensa noticia todos os dias crimes contra as pessoas e contra o patrimônio ela e que devia dar apoio a essa ofensiva,contra bandidos que não são nem de esquerda e nem de direita,e querem e através da intimidação e da violência viverem no bem bom.A População deve sair de cima do muro,e apoiar de modo discreto essa ocupação.(Não pense em vocês pensem nos seus filhos -Freud)

  7. Ou vi de um colega professor que teve dois irmãos e pai mortos no cumprimento do dever e de um parente que mora numa comunidade que 70% por cento da população que habita estas, são coniventes com o tráfico. opinião deles : guerra é guerra. Infelizmente civis morreram em confrontos e o EB tem de ter apoio jurídico e institucional para agir. Papa Charles e Papa Mike já estão com novos comandantes. Inteligência, infiltração e contrainformação são essenciais e acima de tudo ter poder de polícia, prendendo ou revidando em caso de confronto armado. senhores queria que fosse diferente, mas moro no estado do Rio e está muito sério. sou a favor da posse de armas e se me perguntarem sobre posse, terei minhas dúvidas. Desculpe àqueles que discordam do uso da força, porém isto virou realmente um hell do Rio de Janeiro.

  8. Errata: Ouvi… desculpe os erros. pulou e estou com as luzes apagadas. Grande abraço e que Deus os protejam.

  9. Errata…morrerão… moro no Estado do Rio… Sou a favor… e se me perguntarem sobre porte, terei dúvidas…

  10. Da minha parte posso adiantar que a escolha do Dr. Rivaldo é excelente.
    Afinal a Divisão de Homicídios tem o maior índice de solução de crimes do RJ.
    E a DivHom só atrai os honestos. Para corruptos trabalhar lá é castigo, pois não se pode extorquir os mortos.
    E homicídios são crimes que exigem investigação apurada. Como o homicídio do diplomata grego onde foi descoberto o conluio entre a esposa e seu amante.

  11. O caso do Rio realmente é de segurança nacional! Historicamente todos os combates bem sucedidos contra grupos armados, com o Estado Islâmico, Al Qaeda, Máfia e grupos guerrilheiros foi feito, tomando -se como primeira medida a localização e o bloqueio dos meios financeiros destes grupos! Assim eles não podiam repor o que perdiam, tanto em armamento como também repor pessoal perdido, pois havia poucos recursos livres pra isso, não podiam bancar seus próprios integrantes ou comprar apoio. Aqui, no Rio, o setor de inteligência da Polícia Civil, responsável por fazer esra função não recebeu nenhum recurso para trabalhar no ano passado! Como é de conhecimento público há anos, os principais criminosos não moram em favelas e são estes que dão suporte, legal, midiático, influenciando comunidades, quanto também financeiro a essas facções, sejam elas de traficantes quanto de milícias! Fazendo-se necessária identificação de tais indivíduos e sua interdição, além dos meios que possam vir a se tornar fontes financeiras altenativas como o roubo de carga e de veículos.

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