DÉBORA ÁLVARES
Agência Estado

vinheta-clipping-forte1O ministro da Defesa, Celso Amorim, fez um apelo ao Congresso Nacional ao pedir a aprovação de um projeto que aumente os recursos destinados às Forças Armadas. Segundo ele, o ideal seria ter não 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor, mas 2%. “Isso demonstraria a crescente consciência da importância da Defesa”, disse durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado na manhã desta quinta-feira.

Amorim voltou a ressaltar que o País está pronto para atuar nos grandes eventos que receberá a partir do próximo mês – entre 15 e 30 de junho o Brasil sediará a Copa das Confederações e, de 23 a 28 de julho, a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, que contará com a presença do Papa Francisco. A segurança será coordenada pelo Ministério da Defesa, em parceria com o da Justiça e outros órgãos do governo.

O ministro destacou que um efetivo de 20 mil militares das Forças Armadas deve ser deslocado para atuar na Copa das Confederações e oito mil, na visita do Papa ao País. “Isso entre aqueles que estarão diretamente atuando e outros que estarão de contingência para eventualidades de uma ação maior. Sem falar dos policiais militares e da Polícia Federal.”

Nos grandes eventos, conforme ressaltou o ministro, as Forças Armadas atuarão não só em relação a ações tipicamente suas, como controle do espaço aéreo, marítimo, contra terrorismo, defesa cibernética ou contra eventuais incidentes químicos, biológicos, mas “com força de contingência para qualquer motivo que venha a gerar falência dos órgãos de segurança”.

As parcerias com os Estados Unidos para medidas contra o terrorismo também foram destacadas por Amorim durante a audiência. Ele explicou que as Forças Armadas passam por treinamento para atuar nessa área e contam, inclusive, com uma unidade contra terrorismo para ação em questões como uso de armas químicas.

FONTE: O Estado de S. Paulo (Território Eldorado)

Guarani - foto Nunão - Forças Terrestres

Luis Kawaguti

Da BBC Brasil, em São Paulo

 

vinheta-clipping-forte1O Brasil aumentou em 34% em temos absolutos (sem descontar a inflação) o seu investimento militar entre 2011 e 2012, de acordo com informações do Ministério da Defesa. Boa parte dinheiro foi destinado a programas considerados estratégicos, como o desenvolvimento de submarinos e a modernização de aviões de caça.

A pasta informou que esse tipo de gasto foi de R$ 6,5 bilhão, há dois anos, para R$ 8,7 bilhões, no ano passado.

Os investimentos fazem parte de um orçamento geral que chegou a R$ 66,3 bilhões em 2012. Ele inclui também o pagamento de militares da ativa e da reserva, pensões, pagamento de dívidas, manutenção de estruturas, entre outros.

Grande parte da verba investida foi destinada para os programas de desenvolvimento de submarinos da Marinha, de construção de blindados Guarani, de transporte de pessoal para o Exército, e de desenvolvimento do do avião de transporte KC-390, que ainda não está pronto.

Os recursos também foram usados na modernização de aviões de caça, de sistemas de artilharia antiaérea e na recuperação de equipamentos deteriorados, entre outros projetos.

Queda em ranking

De acordo com um ranking da Sipri (Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo), o Brasil está entre os 15 países que mais gastam com defesa no mundo.

Entretanto, o país caiu no ranking da 10º posição em 2011 para a 11º em 2012. Nas três primeiras posições estão Estados Unidos, China e Rússia.

O instituto afirmou que os gastos brasileiros no setor de defesa subiram de R$ 61,7 bilhões em 2011 para R$ 64,7 bilhões no ano passado.

Com base nisso, estimou que, embora o crescimento brasileiro absoluto tenha sido de quase 5%, após o desconto da inflação, o crescimento real teria sido de – 0,5%, segundo Carina Solmirano, uma das autoras da pesquisa.

Porém, o Ministério da Defesa afirmou que o Sipri não levou em conta verbas adicionais recebidas pela pasta, que elevaram seu orçamento para R$ 66,3 bilhões em 2012.

Com a verba adicional, o crescimento se tornou positivo, mas continua indicando uma tendência de estabilidade.

Além disso, o governo destaca que as verbas para investimento militar estão em crescimento no país. Desde 2004, os investimentos cresceram 480% em termos absolutos – de R$ 1,5 bilhão em 2004 para R$ 8,7 bilhões em 2012.

FONTE: BBC Brasil via Resenha do Exército

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Luiz Carlos Aguiar

vinheta-clipping-forte1O cenário geopolítico mundial está mudando e hoje o Brasil participa de forma mais ativa como ator regional e global, aumentando a necessidade de investimentos na defesa e segurança da nação. Somos um povo pacífico, mas ainda sofremos com a violência, o narcotráfico e a exploração ilícita de nossos recursos naturais. O mesmo país que foi escolhido para sediar as próximas edições da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos é também um dos maiores consumidores de drogas do mundo, mesmo sem ser produtor primário dessas substâncias.

Felizmente, dois projetos poderão começar a mudar esta triste realidade: o primeiro satélite geoestacionário brasileiro, para comunicações estratégicas e ampliação do programa nacional de banda larga, e o sistema de monitoramento integrado de fronteiras (Sisfron). Em ambas as iniciativas a indústria brasileira lidera esses projetos em conjunto com parceiros internacionais.

Com uma força de engenharia invejável, nos setores aeroespacial e de defesa, estamos certos de que podemos fazer muito mais. A indústria nacional de Defesa se diversificou e está se consolidando em torno daquilo que mais gosta e sabe fazer: a gestão de projetos complexos de alta tecnologia nos campos aeroespacial e de defesa e segurança. Radares, sistemas de apoio à decisão e de comunicação inteligente, além de veículos aéreos não tripulados, fazem parte das nossas soluções integradas, assim como os aviões militares.

O campo aeronáutico continuará a ser a força motriz do crescimento deste setor e serve como excelente exemplo desse novo ciclo virtuoso. O cargueiro militar KC-390, que será produzido pela Embraer Defesa & Segurança, continua em pleno desenvolvimento e será um vetor importante na arena internacional, estabelecendo um novo conceito de mobilidade, capacidade preconizada na nossa Estratégia Nacional de Defesa.

É importante esclarecer que os benefícios de uma indústria de defesa fortalecida se estendem por todos os segmentos da sociedade civil, ao estimular o desenvolvimento tecnológico, criar produtos de exportação de alto valor agregado e gerar emprego e renda. Para isso, as empresas brasileiras precisam conceber tecnologia e exportá-la para outros mercados. A nona edição da maior feira de defesa da América Latina, que acontece semana que vem, no Riocentro, é uma excelente oportunidade para ver de perto os avanços desta indústria no País.

Nosso DNA de desenvolver tecnologia e transformá-la em produtos, serviços e soluções que servem para o Brasil e para o mundo ocorrerá com a maturação de todos esses projetos. A indústria brasileira realizou com sucesso projetos no ramo aeronáutico militar e já exportou para mais de 40 países em todos os continentes, gerando empregos, divisas, renda e tributos para o Brasil.

Por fim, gostaria de reafirmar a capacidade transformadora que o poder de compra do Estado tem para a indústria que desenvolve tecnologia. No entanto, o investimento nesta área precisa ser perene e, para que isso aconteça, as empresas brasileiras devem buscar a integração competitiva de suas respectivas cadeias de suprimentos e, desta forma, reunir condições de exportar.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres (IISS, na sigla em inglês) publicou na semana passada o anuário “The Military Balance-2013” em que confronta os gastos militares de diferentes países, entre outros fatores. De acordo com o documento, nos últimos anos a Rússia aumentou seus gastos militares, enquanto os EUA e os países europeus tiveram de cortá-los devido à crise econômica mundial.

“Em consequência do clima econômico ruim, as despesas globais com defesa apresentaram um declínio pelo segundo ano consecutivo. Paralelamente, observamos o aumento dos orçamentos militares no Oriente Médio, Norte da África, Rússia, Ásia e na América Latina”, disse o diretor-geral do IISS, John Chipman, durante o discurso de apresentação dos resultados. “Como previmos, em 2012, os gastos militares da Ásia ultrapassaram, pela primeira vez, o valor das despesas com defesa assumidas pelos países europeus membros da Otan”.

O anuário dedica 45 de suas 600 páginas à Rússia, às ex-repúblicas soviéticas e à reforma das Forças Armadas russas. Os autores do documento acreditam que, depois da demissão de Anatóli Serdiukov, em novembro do ano passado, e da nomeação de Serguêi Choigu como novo titular da pasta da Defesa, a reforma militar na Rússia continuará seguindo o mesmo rumo.

Apesar de o relatório apontar que “os gastos militares da Rússia estão crescendo, enquanto nos EUA e na Europa eles estão diminuindo”, essa afirmação pode impressionar apenas aqueles que não sabem que os gastos militares russos são muito inferiores aos dos EUA, Reino Unido ou da França.

De acordo com as estatísticas oficiais, o orçamento de defesa dos EUA para 2013 aprovado pelo Senado e Congresso norte-americanos equivale a US$ 550 bilhões, isto é, US$ 100 bilhões inferior em relação aos orçamentos de 2012 e 2011. O país segue atrás da China que, com US$ 120 a 150 bilhões, ocupa a segunda posição. Na sequência estão Reino Unido e França, com US$ 90 bilhões e US$ 70 bilhões, respectivamente. Por fim, a Rússia, com US$ 55 a 60, ocupa a 5ª posição.

Fato é que os EUA, assim como muitos países ocidentais, enfrentam graves dificuldades econômicas. Quando os orçamentos do Estado são reduzidos, os gastos militares também acabam sendo cortados. O Pentágono, por exemplo, deu um fim à guerra no Iraque, diminuindo assim consideravelmente os gastos militares dos EUA, está retirando as tropas norte-americanas do Afeganistão e desistiu de operações ativas, pelos menos terrestres, contra o regime de Kadafi. Além disso, reduziu a carteira de encomendas do avião de quinta geração F-22 de 700 para 200 unidades e de sua versão mais leve F-35. Os aliados dos EUA na Europa Ocidental seguem a mesma tendência.

Atualmente, o F-22 não tem pares no mundo, a não ser o avião russo T-50 (mais conhecido por PAK FAT-50, na sigla em russo), que será construído em 2015. Como os EUA e a Otan não têm intenção de lutar contra a Rússia, seus arsenais militares existentes são suficientes para travar guerras semelhantes às desencadeadas nos últimos anos no Iraque, Afeganistão e Iêmen, por exemplo.

Paralelamente, os gigantes da indústria armamentista como a Boeing, Lockheed,  Dassault, Grumman, BAE Systems ou AEDS não querem perder encomendas bilionárias de equipamento militar sofisticado. Portanto, mesmo ao reduzir as verbas para a defesa, inclusive aquelas para o escudo antimíssil na Europa, os EUA e seus aliados ocidentais dificilmente se contentarão com o montante de US$ 60 bilhões dos gastos militares russos.

A Rússia, por sua vez, segue na contramão. Nos 20 anos posteriores à extinção da URSS, o Estado não liberou verbas significativas para o rearmamento das Forças Armadas do país. Como resultado, a fatia de equipamento militar moderno nas tropas diminuiu para 10%. A guerra de agosto de 2008, quando as tropas georgianas atacaram a força de paz russa na Ossétia do Sul, mostrou claramente as tristes consequências dessa política. Os soldados russos só venceram graças à sua coragem e bravura militar, e não porque usaram material de guerra moderno.

Diante dos fatos, o governo decidiu disponibilizar US$ 700 bilhões em 2011 para um programa de rearmamento que vai durar 10 anos. No total, o governo russo liberou para a defesa 1,3 trilhões de rublos (cerca de US$ 42 bilhões) em 2011 e, no ano seguinte, 1,4 trilhões (cerca de US$ 45 bilhões). Em 2013, é estimada a aplicação de mais 1,5 trilhões de rublos (cerca de US$ 48 bilhões), de modo que, até 2020, 70% dos arsenais militares russos sejam atualizados. Assim, fica evidente que os gastos militares russos não são secretos nem representam nenhuma ameaça para a paz no mundo.

FONTE: Gazeta Russa

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vinheta-clipping-forte1No dia da abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o Legislativo chinês, o governo chinês anunciou que os gastos militares do país crescerão 10,7% em 2013, atingindo 740,6 bilhões de yuan (cerca de US$ 119 bilhões). Os gastos com segurança interna também subirão 8,7%.

“Precisamos acelerar a modernização da defesa nacional e das Forças Armadas, bem como fortalecer a capacidade militar e de defesa da China”, disse o primeiro-ministro Wen Jiabao, segundo trechos divulgados para a imprensa antes do discurso de abertura do encontro.

Segundo Wen, que se despede do posto de premiê durante a reunião anual, é preciso assegurar “a soberania, a segurança e a integridade territorial” da China. O discurso se dá em meio a uma disputa entre Pequim e Tóquio pelo arquipélago de Diaoyu (Senkaku, para os japoneses). A região possui reservas de gás natural e também é reivindicada por Taiwan.

A China tem um segundo maior orçamento militar do mundo, perdendo apenas para os EUA -que gastou quase seis vezes mais que Pequim em defesa em 2012, segundo a Bloomberg.

Nas projeções econômicas, Wen disse que a expectativa de crescimento do país para 2013 é de 7,5%. O deficit, contudo, deve alcançar cerca de US$ 193 bilhões, ou 2% do PIB.

Novo governo

A reunião anual servirá para ratificar os nomes definidos pelo Partido Comunista para os principais cargos do governo. O congresso nomeará Xi Jinping presidente do país, um cargo simbólico. Desde novembro, ele é secretário-geral do partido e chefe da Comissão Central Militar, postos bem mais importantes.

Entre as promessas feitas por Xi para o seu mandato estão o combate à corrupção e à desigualdade social, a melhora da qualidade de vida da população e o aumento da proteção ao meio ambiente.

Wen Jiabao será substituído por Li Keqiang, como premiê. Analistas dizem que Li gostaria de uma drástica reorganização no governo, com a criação de ministérios voltados para a regulação financeira e a proteção ambiental.

Com quase 3.000 membros, o congresso é dominado por membros do PC. A previsão é que o congresso dure até o dia 17 de março.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1O novo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse na sexta-feira que a incerteza orçamentária – com a possibilidade de novos cortes de 46 bilhões de dólares nas verbas da Defesa – põe em risco o cumprimento de todas as missões do Pentágono.

Na sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse no cargo, na quarta-feira, Hagel disse que, por causa dos cortes, a Marinha terá de gradualmente desativar quatro unidades aéreas, a Força Aérea terá de cortar imediatamente as horas de voo, e o Exército irá reduzir treinamentos.

“Deixe-me deixar claro que essa incerteza põe em risco nossa capacidade de cumprir efetivamente todas as nossas missões”, disse Hagel, acrescentando que, enquanto os cortes continuarem em vigor, “seremos forçados a assumir mais riscos, com medidas que irão progressivamente ter efeitos abrangentes”.

Hagel, no entanto, adotou um tom mais moderado que outras autoridades de defesa, segundo as quais os cortes orçamentários seriam devastadores e poderiam transformar as Forças Armadas dos EUA em um poderio de segunda categoria.

O novo secretário disse que os EUA “têm a melhor força de combate, a mais capacitada força de combate, a mais poderosa força de combate do mundo”, e garantiu que “a gestão dessa instituição, a começar com o Estado-Maior, não vai permitir a erosão de tal capacidade”.

“Vamos gerir essas questões. Há ajustes. Antecipamos esse tipo de realidade, e vamos fazer o que precisamos para assegurar as capacidades das nossas forças”, acrescentou Hagel.

As declarações do secretário foram feitas num dia em que a Casa Branca e o Congresso fracassaram novamente na busca de um acordo que impeça o chamado “sequestro” de 85 bilhões de dólares do orçamento governamental, que começa a vigorar à meia-noite, conforme prevê uma lei de 2011 que resolveu uma crise fiscal anterior.

Hagel disse que uma prioridade do Pentágono será proteger as verbas para a guerra do Afeganistão.

“O Exército vai restringir os treinamentos para todas as unidades, exceto as mobilizadas no Afeganistão, afetando adversamente quase 80 por cento de todas as unidades operacionais do Exército”, disse ele.

Hagel afirmou ainda que neste mês o Pentágono deverá notificar preliminarmente milhares de funcionários civis sobre a concessão de uma licença não-remunerada. Autoridades dizem que a maioria dos 800 mil funcionários civis do Departamento de Defesa deve ser afetada, provavelmente tendo de tirar um dia de folga por semana durante 22 semanas, a partir de abril.

“Sei que esses cortes orçamentários vão causar dor, particularmente para a nossa força de trabalho civil e suas famílias”, disse Hagel, que prometeu continuar trabalhando com o Executivo e o Congresso para tentar reverter os cortes.

(Reportagem de David Alexander e Phil Stewart)

FONTE: Reuters via o Estado de S. Paulo

Sete dias para destravar o Orçamento

PAULO DE TARSO LYRA

ADRIANA CAITANO

 

vinheta-clipping-forte1Passado o retiro de carnaval na base naval de Aratu, na Bahia, a presidente Dilma Rousseff retornará a Brasília com alguns nós a desatar para que o ano de 2013 comece de maneira efetiva. O primeiro desafio será a votação do Orçamento, remarcada pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para a próxima terça-feira, 19 de fevereiro. Além disso, ela deverá deflagrar a reforma ministerial necessária para incorporar o PSD ao governo, acomodar insatisfações no PMDB e reabilitar o PR.

Dilma queria que o Congresso tivesse aprovado o Orçamento em 5 de fevereiro passado. Afinal de contas, foi o segundo adiamento provocado por falta de consenso entre a base aliada e a oposição — no fim de dezembro, a peça orçamentária já havia batido na trave ao ir à votação. Contaminado pela polêmica na apreciação dos vetos presidenciais, a análise foi transferida para 5 de fevereiro, data subsequente à eleição de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a presidência da Câmara.

Não deu certo. Mais uma vez, a presidente entendeu o adiamento. Segundo conversas com pessoas próximas, ela interpretou a mudança na votação à necessidade de Renan e de Henrique darem uma demonstração de força para seus eleitores, provando que o Legislativo, daqui para frente, “não vai mais se subordinar integralmente aos interesses do Executivo”. Ambos foram eleitos em primeiro turno, fizeram discursos ´para dentro do Congresso´. Era natural que adotassem uma postura corporativista no primeiro dia.

Agora, espera o Planalto, será diferente. “Tudo bem, passou a folia, passou a eleição, temos que começar a trabalhar para que o país volte a crescer”, afirmou ao Correio um interlocutor da presidente. Embora acreditem que, do ponto de vista econômico, a não votação do Orçamento até o momento não chega a ser um desastre — a Medida Provisória liberando R$ 42,8 bilhões para investimentos supre as necessidades imediatas do governo —, nunca é bom governar sem uma peça orçamentária aprovada pelo Congresso.

Além disso, os tempos de rebeldia são curtos, analisam os aliados do Planalto. O Congresso está espremido entre uma presidente com índices astrônomicos de popularidade e um Supremo Tribunal Federal (STF) em estado de graça após o julgamento do mensalão, presidido por um ministro — Joaquim Barbosa — galgado à condição de herói nacional. “Eles (os parlamentares) não vão querer passar a impressão que remam contra a opinião pública”, disse uma pessoa próxima da presidente.

Dilma também está preocupada com os rumos da base aliada. Por precaução, durante a visita feita por Henrique Eduardo Alves — protocolar e formal, sem grandes emoções —, ela perguntou ao peemedebista o que esperar do novo líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha. Ouviu um desanimado Henrique Alves responder: “não sei”. Há muito os antigos aliados não falam a mesma língua. E o deputado potiguar ficou assustado com a celeridade com que o peemedebista fluminense exonerou Francisco Bruzzi, assessor direto da liderança do PMDB, que teria sido flagrado pela Operação Navalha, em 2007, recebendo R$ 20 mil de propina da empreiteira Gautama.

Segundo apurou o Correio, no entanto, Henrique Alves pode ficar tranquilo, mesmo que Eduardo Cunha cometa loucuras na liderança. Não é dele que a presidente Dilma Rousseff vai cobrar a fidelidade do PMDB na Câmara. Os alvos, se o caldo entornar, são o vice-presidente Michel Temer e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O primeiro empenhou a palavra à presidente de que “qualquer líder eleito seria fiel ao Planalto”. E Cabral foi ainda mais específico. “Se eleito, Eduardo Cunha será fiel ao Planalto.”

PR reabilitado

A presidente também ensaiou, na semana passada, uma reaproximação com PR. Recebeu primeiramente o senador Blairo Maggi (MT), que presidirá a Comissão de Agricultura, Meio Ambiente e Fiscalização e sempre foi o nome preferido por Dilma caso o PR retorne à Esplanada. Depois, recebeu o atual presidente da legenda, senador Alfredo Nascimento (AM), e o líder do partido na Câmara, Anthony Garotinho (RJ). Sinalizou que deseja ter o partido mais perto do governo, mas ainda não prometeu nada. “Foi uma conversa muito tranquila. A ideia do partido é esperar a reforma ministerial e ver se ela vai nos colocar em algum ministério. Se sim, o partido vai colher os nomes possíveis que tenham o perfil do ministério que ela escolher”, declarou ao Correio o deputado Lincoln Portela (MG).

O atual titular do Transportes, Paulo Sérgio Passos, sempre foi visto como um “forasteiro pelo PR”, por não ter militância partidária. Dilma, no entanto, gosta dele. Mas Passos tem se sentido desprestigiado nos últimos tempos, esvaziado com a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável por conduzir as concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. “Dilma não prometeu nada para ninguém. Eles (Alfredo e Garotinho) vieram aqui porque Maggi foi recebido em uma dia e eles não queriam parecer desprestigiados um ano antes das eleições”, desconversou um aliado da presidente.

“A ideia do partido é esperar a reforma ministerial e ver se ela vai nos colocar em algum ministério. Se sim, o partido vai colher os nomes possíveis que tenham o perfil do ministério que ela escolher”

Lincoln Portela (PR-MG), deputado federal

“Se eleito (líder do PMDB na Câmara), Eduardo Cunha será fiel ao Planalto”

Promessa feita a Dilma Rousseff pelo governador fluminense, Sérgio Cabral

FONTE: Correio Braziliense via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1A Índia vai reduzir seu orçamento militar no próximo ano fiscal, que começa em 1º de abril, devido à desaceleração econômica enfrentada pelo país, disse nesta quarta-feira o ministro de Defesa, A.K. Antony. Ele acrescentou que a Índia, um dos países que mais gasta com equipamentos militares, vai reduzir as importações e focar em aumentar a produção local de armas.

A Índia compra armas no valor de bilhões de dólares de países como Rússia, Estados Unidos, Israel, França e Reino Unido. O governo destinou 1,93 trilhão de rupias para o Exército no próximo ano fiscal.

O crescimento econômico da Índia diminuiu para o menor ritmo em cerca de uma década, com a inflação alta e o crescente déficit fiscal e orçamentário se juntando ao impacto da fraca economia global. O governo informou recentemente que estima que a economia tenha crescido 6,2% no último ano fiscal até março de 2012, menos do que a estimativa inicial de 6,5%. As informações são da Dow Jones.

FONTE: O Estado de S. Paulo (título original: “Questão econômica faz Índia reduzir orçamento militar“)

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Pagamento da folha de pessoal absorve 80% dos recursos

Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de Brasília

O orçamento do Ministério da Defesa, que em 2011 chegou a R$ 60,8 bilhões, é o terceiro maior do governo. Perde apenas para a previdência social (R$ 294 bilhões) e para a área da saúde (R$ 74 bilhões). Mas cerca de 80% dos recursos destinam-se ao pagamento da folha de pessoal, e 63% desse total vão para funcionários aposentados. Apenas 13,7% do orçamento destinam-se ao custeio, e menos ainda – 6,7% dos R$ 60 bilhões – são transformados em investimentos, segundo dados do pesquisador Vitélio Brustolin, que defendeu sua tese sobre o tema na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Brustolin está de malas prontas para os Estados Unidos, onde fará um pós-doutorado em Harvard sobre a indústria de defesa americana. “Embora tenha o terceiro orçamento da União, o dinheiro destinado a manter os equipamentos atuais, o que cria um risco: sucateamento e dificuldade para aquisição de novos.”

Hoje, segundo dados de mercado, o Brasil gasta 1,6% do PIB com a indústria de defesa, um percentual abaixo do verificado tanto em nações ricas quanto nas emergentes: o Chile gasta 3,5%, os Estados Unidos, 4,8%, o Reino Unido, 2,7%, a China, 2,1%.

Além do baixo investimento no setor, os militares se ressentem da ameaça constante da tesoura do governo. Para manter o cumprimento das metas de superávit primário, o contingenciamento de recursos é comum. “O orçamento de defesa tem sido o mais afetado pelos contingenciamentos. Valores destinados a custeio e investimentos, na monta de R$ 15,9 bilhões, foram limitados em R$ 10 bilhões em 2010. Em 2011 a cena foi semelhante: o Ministério da Defesa sofreu um corte de 26,5% nas despesas referentes a custeios e investimentos, ou seja: R$ 4,0 bilhões a menos”, analisa Brustolin.

O pesquisador observa que, apesar dos cortes, ao final dos anos de 2010 e 2011, parte dos recursos foi redirecionada. “Isso evitou catástrofes maiores, pois esses contingenciamentos ocorrem, justamente, nos gastos com a manutenção dos equipamentos e nos investimentos e projetos. Mas o decreto 7.622, de 22 de novembro do ano passado, liberou parte dos recursos contingenciados. O total desembolsado ficou em pouco mais que 70% da dotação autorizada. Resumindo: somando-se ao contingenciamento, grande parte dos recursos previstos não foi executada”, explica o pesquisador.

Nesse contexto, surge uma preocupação entre militares, parlamentares e especialistas: a necessidade de fontes complementares de financiamento para que projetos como a implementação do Sistema de Monitoramento das Fronteiras (SisFron) possam sair do papel. “É preciso avançar na definição de um orçamento mais robusto para as Forças Armadas”, defende o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional.

Os projetos estruturantes são cruciais para o melhor monitoramento da fronteira terrestre, da costa brasileira e do espaço aéreo, em um momento em que o país se prepara para explorar o pré-sal e pleiteia um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. “Quanto mais pudermos implementar esses projetos com independência tecnológica, melhor para nós. Mas é preciso destacar que esses projetos são alocados no orçamento como investimentos. Por isso, todas as vezes em que houver contingenciamento, que sempre afeta investimentos e custeios, a produção de tecnologias fundamentais para o país estará sendo prejudicada”, ressalta Brustolin.

Trata-se de uma questão que também preocupa a indústria. “De um lado, se acena com uma MP que concede benefícios fiscais para investir no Brasil e transferir tecnologia. De outro, há preocupação de que não haja um fluxo contínuo e permanente de recursos para financiar esses projetos, que são vultosos”, afirma um empresário do setor.

As Forças Armadas trabalham na elaboração do Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa (Paed), que contemplará projetos e prioridades das três forças em um horizonte de 20 anos, até 2031. A expectativa é de que em dois meses esse relatório possa estar pronto, segundo o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. A prioridade dos investimentos será a defesa da Amazônia, das fronteiras brasileiras e da chamada Amazônia Azul. Estima-se no mercado que os investimentos em 20 anos possam superar R$ 100 bilhões.

Os investimentos em tecnologia militar podem ter grande impacto na sociedade civil, aponta Brustolin. O avião a jato e a internet são inovações desenvolvidas por militares que hoje são amplamente utilizadas por bilhões de pessoas. “Certamente a trajetória do Brasil é bastante diferente da dos Estados Unidos, no entanto, há importantes lições a serem aprendidas com os americanos que podem ser adaptadas às políticas públicas de inovação brasileiras”, afirma o pesquisador. Para ele, essa consideração baseia-se no fato de que o acompanhamento histórico dos gastos militares no Brasil demonstra os sucessivos cortes em investimentos e custeio, bem como a descontinuidade de programas científicos-tecnológicos, ao contrário do que ocorre nos EUA.

FONTE: Valor Econômico – 27/02/2012

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A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional vai realizar audiência pública com a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, para prestar esclarecimentos sobre a execução orçamentária para as Forças Armadas.

A iniciativa do debate, ainda sem data marcada, é do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG). De acordo com Azeredo, o objetivo da reunião é conseguir explicações a respeito de notícias veiculadas pela imprensa de que está havendo sucateamento e subutilização de equipamentos na Marinha, no Exército e na Aeronáutica, em função da escassez de recursos destinados a essas Forças e ao Ministério da Defesa.

“Ao mesmo tempo, há contingenciamento de recursos, pois do corte de R$ 4 bilhões anunciados no início deste ano, apenas R$ 2,2 bilhões foram liberados”, acrescenta Azeredo.

Segundo os militares, os prejuízos podem afetar diretamente projetos importantes, como a compra de caças para a Força Aérea e a construção de submarinos pela Força Naval. O deputado afirma também que, em um segundo momento, esse sucateamento pode chegar a esvaziar as intenções brasileiras de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

FONTE: Agência Câmara de Notícias

Jogos Militares estouram orçamento em 28%

Nem tudo é festa. Os preparativos dos Jogos Militares chegam à reta final com o orçamento estourado. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), os gastos do Ministério da Defesa com o evento já atingem R$ 1,5 bilhão – 28% acima do previsto, cerca de R$ 1,2 bilhão. Leia matéria completa aqui.

FONTE: O Globo

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Brasil versus BRICs

Enquanto o Brasil não resolver seus problemas estruturais, vai ser difícil ao País conseguir recursos adicionais para investir em Defesa

1. Investimento em relação ao PIB. Brasil em último.

2. Exportações em relação ao PIB. Brasil em último.

3. Dívida Pública em relação ao PIB. Só a Índia é pior que o Brasil.

4. Pagamento de juros em relação ao PIB. Só a Índia é pior que o Brasil.

5. Receita Tributária em relação ao PIB. Aqui, ninguém passa o Brasil.

6. Se quiser ler a matéria toda, são 18 páginas. Sebastian Briozzo e Joydeep Mukherji. Standard & Poor’s. Conheça.

VEJA TAMBÉM:

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José Casado

RIO – Há duas semanas o Senado aprovou a Convenção sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas, um dos pilares jurídicos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre direitos humanos. Tornou-se crime no Brasil um agente do Estado usar as desculpas de “seguir ordens” ou “em missão militar” como razão para não ser punido por prender uma pessoa, não comunicar essa prisão e ainda privá-la de qualquer tipo de ajuda legal. As regras valem para todos os agentes públicos, mesmo em tempo de guerra.

É fato relevante num país que há três décadas convive com a busca de desaparecidos durante a ditadura militar. Mas passaram-se 17 anos desde a assinatura desse acordo, em 1994, até a sua aprovação no Congresso. Foram mais de 6.000 dias “em tramitação” legislativa.

Estreante no Senado, Pedro Taques (PDT-MT) participou da votação, perplexo:

- O nosso processo legislativo é do século XIX.

Mais tarde, fez as contas e levou um susto: se os 81 senadores e 513 deputados federais decidissem votar todos os projetos que estão pendentes no Congresso – sem apresentar nenhum novo e mantendo o atual ritmo de trabalho -, atravessariam um século trancados em sessões de votação.

Há quase três dezenas de milhares de propostas “em tramitação”. Pela média histórica, somente uma em cada dez tem chance real de virar lei. As demais têm destino certo: o arquivo.

Esse processo de asfixia legislativa se agrava a cada semana, principalmente porque o Congresso adotou a política de não decidir nas áreas definidas pela Constituição como de sua competência exclusiva.

Simples e óbvia, a Carta manda o Legislativo legislar e fiscalizar, o Executivo executar, e o Judiciário julgar. Não tem sido assim e o resultado é um visível desequilíbrio entre poderes, inédita desde a redemocratização há 26 anos: a supremacia do Executivo e um gradativo avanço do Judiciário no vácuo deixado por um Congresso cada vez mais enfraquecido.

As evidências se multiplicam na pauta de pendências da Câmara e do Senado. O caso dos vetos presidenciais é exemplar. A Constituição permite ao presidente da República vetar projetos do Legislativo até 15 dias depois da aprovação. E impõe ao Congresso o dever de decidir se mantém ou derruba o veto presidencial no prazo de 30 dias. Existem 2.180 vetos presidenciais à espera de decisão dos parlamentares. Alguns estão na fila há uma década.

Abandonou-se também o julgamento de contas de governo. O Legislativo tem o poder, o dever e a competência exclusiva na análise e decisão sobre as contas do presidente da República. Mas permanecem contas presidenciais pendentes de 12 exercícios financeiros. A mais antiga é de 1990, do governo Fernando Collor. Passaram-se 21 anos e ainda não foi votada.

- O Parlamento não cumpre a ordem constitucional – constata o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). – E aqui se revela uma das mais expressivas, discretas e proveitosas formas de poder político: o de não decidir.

No vácuo, o STF avança e decide

Não é por falta de tempo. O Código Florestal transita há 12 anos no Legislativo. Mais longo é o percurso da proposta sobre união de casais gays: há 16 anos está pronto para votação. Em vez de solução, surgiram outros 21 projetos similares. No vácuo, o Supremo Tribunal Federal avançou. E decidiu, “interpretando” a Constituição.

- Todo mundo tem na sua vida um exemplo de perda por causa dessa decisão do Legislativo de não decidir – lamenta o deputado. – O Executivo agora é quase o único poder, e a República virou ficção. Precisamos é de uma revolução pela lei.

O senador Itamar Franco (PSDB-MG), ex-presidente da República, não disfarça a irritação. Dias atrás ele recebeu o comando de uma comissão parlamentar para examinar uma Medida Provisória. Na primeira reunião, foi o único a aparecer. Esperou meia hora, desistiu e foi ao plenário onde fez um desabafo sobre sua frustração:

- Se continuarmos com esse processo de aviltamento do Poder Legislativo no País…Todos sabem o que acontece – protestou. – São situações como essa que acabam por fazer prosperar, nas ruas, dúvidas sobre a necessidade de um Parlamento. Nós estamos nos desmoralizando. Estamos sendo legisladores de brincadeira – de brincadeira!

O governo legisla mais que o Congresso, e cada vez mais. Desde 1989 sucessivos presidentes editam, em média, uma Medida Provisória por semana (na administração Dilma Rousseff, até agora, a média caiu para uma a cada duas semanas). Já somam 1.127. A maioria encontra-se “em tramitação” no Legislativo. Entre essas, há 52 que, embora provisórias, “tramitam” há mais de uma década.

No universo das MPs acontece um pouco de tudo. Por exemplo: uma delas, aprovada na semana passada, abrigava desde doações ao Haiti até uma completa reforma da Lei de Licitações Públicas, em caráter emergencial por causa da Copa do Mundo – embora o Brasil tenha sido escolhido para sediar a Copa há exatos três anos e sete meses.

- Temos certa dose de culpa, tudo isso não acontece por acaso – criticou a senadora estreante Ana Amélia Lemos (PP-RS). – Há uma relação de subordinação e clientelismo com o governo. E não é possível na democracia um poder se sobrepor ao outro, como acontece hoje na relação Executivo-Legislativo.

Sem cumprir as atribuições constitucionais básicas (legislar e fiscalizar), o Congresso se vê, também, cada vez mais limitado na capacidade de decidir sobre o Orçamento. Clássico símbolo da independência de poderes na democracia liberal, a autonomia do Legislativo sobre o orçamento tornou-se emblema da fragilidade institucional brasileira: quem decide quase tudo é o governo. A margem de manobra parlamentar atualmente é sobre uma fatia inferior a 1% da receita anual de impostos. Para o Executivo é o mundo ideal, porque pode usar essas emendas como instrumento para impor sua agenda ao Congresso.

Em tese, cada parlamentar pode apresentar emendas para obras até a soma de R$ 13,5 milhões. São aprovadas, mas o investimento depende da vontade do governo, que, numa tática de pressão, libera cada vez menos: em 2007, autorizou 32% dos investimentos aprovados por emendas; no ano passado, apenas 15%.

Nos plenários sobram desalento e autocrítica, como a do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) na semana passada:

- Quando os parlamentares vão olhar para os seus mandatos e enxergar que é preciso haver uma afirmação daquilo que é sua atribuição e que não pode ser terceirizado?

FONTE: O Globo

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Viviane Monteiro

vinheta-clipping-forteO contingenciamento no Orçamento deste ano atingiu R$ 11,16 bilhões da verba de custeio, o equivalente a 51,1% dos R$ 21,8 bilhões anunciados. Já nos investimentos, o corte foi de R$ 10,3 bilhões, correspondentes a 48,2% do total, segundo o Ministério do Planejamento, com base no decreto 7.094, publicado na semana passada. Apesar do corte nos investimentos, a verba destinada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi preservada.

Conforme os anexos do decreto, o orçamento dos investimentos para este ano foi limitado em R$ 43,19 bilhões, ante os R$ 61,15 bilhões previstos inicialmente, o que representa bloqueio de R$ 17,9 bilhões.

O contingenciamento será menor porém, quando forem computados os créditos especiais previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que, segundo o Ministério, ainda não estão incluídos nos dados do anexo. Distribuídos entre os orçamentos de investimento e de custeio, esses créditos especiais aprovados totalizam R$ 10 bilhões.

Apesar de praticamente todos os Ministérios terem sido atingidos pelo contingenciamento, o Ministério da Defesa foi o mais afetado pelo bloqueio de verbas. O orçamento inicial, que era de R$ 15,9 bilhões, foi limitado em R$ 10 bilhões. O Ministério informou não poder fornecer detalhes sobre os cortes, por não ter analisado o decreto de contingenciamento. No ano passado, o Ministério da Defesa foi um dos órgãos que mais perderam verbas na distribuição de recursos no início do ano.

Caso semelhante acontece com o Ministério do Turismo, onde o corte atingiu R$ 3,56 bilhões do orçamento para este ano. A verba inicial, que era de R$ 4,2 bilhões, caiu para R$ 623,6 milhões. Segundo o anexo do decreto, o bloqueio de verba do Ministério das Cidades também foi expressivo, de R$ 2,87 bilhões, o que limitou o orçamento a R$ 11,925 bilhões.

No Ministério da Educação, o orçamento deste ano foi limitado a R$ 21,1 bilhões – a verba inicial era de de R$ 22,2 bilhões. Os recursos previstos para o Ministério da Saúde também não escaparam do corte, ainda que em menor proporção. Foram limitados a pouco menos de R$ 53,1 bilhões, ante R$ 54 bilhões previstos originalmente.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp

NOTA DO BLOG: o título original da matéria do Valor Econômico era “Corte no Orçamento atinge 51% da verba de custeio”, referindo-se ao total do orçamento. Trocamos pelo que está agora no alto da matéria para ressaltar, a partir do conteúdo original, o que é mais importante para o campo de discussão da Trilogia Blog.

NOTA 2 - Após a análise dos comentários já realizados até as 18h30 desta segunda-feira, sugerimos que os leitores interessados em comentar a respeito dos reflexos do contingenciamento, para programas da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil, fazerem esses comentários nos tópicos similares a este que estão nos outros dois blogs da trilogia. Deixe este espaço para os comentar sobre os reflexos para as Forças Terrestres e para a Defesa de maneira geral.

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Governo causa ciúme no Exército com verba maior para Marinha e Aeronáutica

Orçamento muito menor que o das outras Forças é considerado ‘vergonhoso’

Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA. O anúncio de gastos bilionários com a compra de 36 aviões de combate para a Aeronáutica e a construção de um submarino nuclear para a Marinha gerou desequilíbrio e desconforto velado nas Forças Armadas. Sem grandes pretensões no mercado armamentista internacional, o Exército ficou para trás na partilha de verbas para 2010, último ano do governo Lula. No projeto de Orçamento enviado ao Congresso, o valor destinado ao reaparelhamento da Força é de R$361 milhões, cifra chamada de insuficiente e vergonhosa nos corredores do Quartel-General em Brasília.

Num cálculo que só leva em conta investimentos diretos em 2010, as verbas para reaparelhamento serão mais de sete vezes maiores na Marinha (R$2,7 bilhões), e três vezes e meia superiores na Aeronáutica (R$1,3 bilhão). A longo prazo, a diferença ficará maior, já que o governo se comprometeu a gastar R$19 bilhões com os submarinos, e pelo menos R$7 bilhões com os novos caças da Força Aérea.

Apesar da discrição militar, a disparidade tem gerado protestos no Exército, onde são antigas as queixas pelo sucateamento de instalações e veículos. Para um coronel próximo ao comandante da Força, general Enzo Peri, a opção pelas compras bilionárias deixou na gaveta projetos mais baratos do Exército, a maioria ligada à preservação da Amazônia e às fronteiras.

- A diferença chega a ser vergonhosa. Marinha e Aeronáutica conseguiram emplacar dois projetos caríssimos, com muito apelo de marketing. Talvez o Exército tenha pecado por não vender algo tão grandioso. O fato é que o nosso orçamento está à míngua – afirmou o coronel.

Um general ouvido pelo GLOBO disse que os projetos das outras Forças são elogiáveis, mas não justificam o abandono das demandas do Exército. E citou três prioridades que não foram contempladas no Orçamento de 2010: a renovação da frota de blindados, já licitada e estimada em R$5 bilhões para a fabricação de mil veículos; a montagem de um sistema de defesa antiaérea, sem previsão de gastos; e a promessa de dobrar a presença militar nas fronteiras da Amazônia, que anda a passos lentos.

Deputado acusa governo de se render a lobby da França

Para 2010, o Orçamento do Exército prevê o uso de 2,6% das verbas para investimentos. Outros 7% irão para custeio, e 90,4% serão gastos com pessoal ativo e pensionistas.

O desequilíbrio entre os gastos bilionários e a falta de verbas para o cotidiano das Forças Armadas tem sido alvo de críticas na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. O deputado Julio Delgado (PSB-MG) acusa o governo de ter se rendido ao lobby da França, com a suposta cumplicidade de colegas que viajaram a Paris em julho com as contas pagas pela Dassault, que deve vender os 36 caças à FAB.

- As compras vão gerar desequilíbrio nas Forças Armadas, porque o Orçamento do Exército ficará mais descoberto. Parece que algumas autoridades estão sofrendo de francofilia.

Favorável à compra dos caças e submarinos, o presidente da Associação Brasileira de Estudos da Defesa, Eurico de Lima Figueiredo, diz que o Exército também precisa ser ouvido:

- Mas é impossível agradar a todos ao mesmo tempo.

Defesa nega desequilíbrio no orçamento

BRASÍLIA. O Ministério da Defesa admite que os projetos de maior porte do Exército ficaram fora dos planos para o último ano do governo Lula, mas contesta as queixas sobre o desequilíbrio nos orçamentos das Forças Armadas. Em nota, a assessoria do ministro Nelson Jobim disse que as verbas previstas para o reaparelhamento de Marinha, Exército e Aeronáutica não podem ser comparadas: “Não existe relação entre os gastos de uma Força e os de outra. Cada Força tem sua realidade e projetos com cronogramas específicos”.

Perguntada sobre os principais projetos do Exército, a Defesa citou o Amazônia Protegida, que prevê a construção de 28 Pelotões Especiais de Fronteira até 2018, ao custo estimado de R$1 bilhão. “Mas ainda não há um detalhamento do cronograma”, diz a nota. O projeto não aparece no Orçamento enviado ao Congresso.

As diretrizes para o reaparelhamento decididas ano passado, no lançamento da Estratégia Nacional de Defesa, são de médio e longo prazo. “As Forças fizeram propostas de aparelhamento e de articulação até 2030, mas o Ministério da Defesa ainda vai fazer a análise e a consolidação pra corrigir omissões, superposições, etc. A partir daí é que serão dimensionadas as necessidades e elaborados os programas”, diz a nota.

FONTE: O Globo

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