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Andrea Rizzi
Em Madri (Espanha)

O mercado mundial de armamentos está contornando com êxito o temporal da crise financeira. Apesar das dificuldades econômicas de muitos países ocidentais que figuram entre os maiores investidores militares do mundo, o setor prosseguiu em expansão em 2010. O faturamento das cem principais empresas produtoras subiu este ano para 305 bilhões de euros (o equivalente a cerca de um terço do PIB da Espanha) e cresceu 1% em termos reais em relação ao ano anterior, segundo dados publicados na segunda-feira pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Suécia).

Várias razões explicam esse resultado, que não inclui os dados das muito ativas empresas chinesas e de outros países nos quais a falta de transparência impede o acesso à informação. A primeira está ligada às características próprias do setor: seus tempos de produção.

“São necessários anos para produzir armas sofisticadas. Os processos de produção são lentos e muitos contratos costumam ser a longo prazo”, explica em conversa por telefone a pesquisadora Susan Jackson, autora do relatório. A compra de aviões, navios de guerra ou mísseis – que constituem uma cota muito relevante do mercado – é planejada com anos de antecedência. Portanto, o setor não reage imediatamente às mudanças de ciclo.

Em todo caso, Jackson considera que mesmo nos próximos anos é improvável que o setor sofra retrocessos marcantes. “Não creio que haja grandes flutuações. Algumas empresas poderão sofrer mais que outras por cortes em programas de compras, mas em todo caso não será um fenômeno generalizado”, indica a analista.

Uma das explicações é a sustentada demanda procedente de países emergentes, que contribuiu para manter o faturamento nos últimos anos e sem dúvida o fará cada vez mais nos próximos.

O rearmamento da China, por exemplo, promoveu uma reação em cadeia no sul e no leste asiáticos, e países como Índia ou Coreia do Sul estão comprando uma quantidade crescente de material bélico. No último quinquênio, os dois países foram o primeiro e o terceiro importadores do mundo. Embora o gasto militar chinês seja muito superior ao indiano e ao sul-coreano, Pequim é só o segundo importador mundial, pelo fato de ter uma maior capacidade de produção interna. A bonança econômica latino-americana também propiciou um aumento do gasto.

Jackson indica que as companhias do setor têm suas estratégias definidas para aproveitar o impulso dos países emergentes. A francesa Dassault, por exemplo, acaba de ser escolhida por Nova Déli para a compra de 126 aviões de combate Rafale, um contrato estimado em 15 bilhões de euros.

Mas inclusive no Ocidente o corte poderia não ser tão acentuado quanto a crise faz pensar. Alguns países recuaram em compras de armamentos já planejadas. A Itália quer reduzir de 131 para 90 o número de caças F-35 que comprará nos próximos anos. Os EUA também estão revisando importantes programas de aquisições. “Mas em geral os cortes no gasto militar não significam necessariamente cortes na compra de armas”, indica Jackson. Esse é um tipo de corte que enfrenta grandes resistências. Não só pela vontade de equipar as forças armadas com novo armamento, como também pela vontade de manter vivos e na vanguarda os ciclos de produção de empresas consideradas estratégicas.

Assim, a crise desacelerou o crescimento do setor, mas não deveria fazê-lo retroceder. Dentre as principais cem empresas do setor, 44 são dos EUA e 30 da Europa ocidental. As espanholas Navantia e Indra figuram respectivamente em 45º e 84º lugares na escala global. Lockheed Martin, BAE Systems e Boeing são as três primeiras da lista. Desde 2002 o faturamento das cem maiores companhias – que juntas representam a arrasadora maioria do negócio do setor – aumentou 60%, segundo dados do instituto de Estocolmo. (Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves)

FONTE: UOL Notícias/El País

VEJA TAMBÉM:

Em nota divulgada na terça-feira, 98 militares da reserva reafirmaram recentes ataques feitos por clubes militares à presidente Dilma Rousseff e disseram não reconhecer autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de expressar opiniões. A nota, intitulada “Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão”, também ataca a Comissão da Verdade, que apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão espera só a indicação dos membros para começar a funcionar. “(A comissão é um) ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”, diz o texto, endossado por, entre outros, 13 generais. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O novo texto foi divulgado no site A Verdade Sufocada, mantido pela mulher de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e um dos que assinam o documento. Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça. Ele nega os crimes.

A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo que ela se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar desacordo” sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a ditadura. Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da internet.

Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos. “Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia 16″, afirma a nota de ontem, que lembra que o texto anterior foi tirado da internet “por ordem do ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo”. Agora, os militares dizem que o “Clube Militar (da qual a maioria faz parte) não se intimida e continuará atento e vigilante”.

FONTE: Terra

Este é um alerta à Nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi marcada por servir à Pátria, tendo como guia o seu juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o Exército das gerações passadas e são os responsáveis pelos fundamentos em que se alicerça o Exército do presente.

Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar (leia aqui), a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo.

Texto completo

O Clube Militar é uma associação civil, não subordinada a quem quer que seja, a não ser a sua Diretoria, eleita por seu quadro social, tendo mais de cento e vinte anos de gloriosa existência. Anos de luta, determinação, conquistas, vitórias e de participação efetiva em casos relevantes da História Pátria.

A fundação do Clube, em si, constituiu-se em importante fato histórico, produzindo marcas sensíveis no contexto nacional, ação empreendida por homens determinados, gerada entre os episódios sócio-políticos e militares que marcaram o final do século XIX. Ao longo do tempo, foi partícipe de ocorrências importantes como a Abolição da Escravatura, a Proclamação da República, a questão do petróleo e a Contra-revolução de 1964, apenas para citar alguns.

O Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante, propugnando comportamento ético para nossos homens públicos, envolvidos em chocantes escândalos em série, defendendo a dignidade dos militares, hoje ferida e constrangida com salários aviltados e cortes orçamentários, estes últimos impedindo que tenhamos Forças Armadas (FFAA) a altura da necessária Segurança Externa e do perfil político-estratégico que o País já ostenta. FFAA que se mostram, em recente pesquisa, como Instituição da mais alta confiabilidade do Povo brasileiro (pesquisa da Escola de Direito da FGV-SP).

O Clube Militar, sem sombra de dúvida, incorpora nossos valores, nossos ideais, e tem como um de seus objetivos defender, sempre, os interesses maiores da Pátria.

Assim, esta foi a finalidade precípua do manifesto supracitado que reconhece na aprovação da “Comissão da Verdade” ato inconseqüente de revanchismo explícito e de afronta à lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo.

Assinam, abaixo, os Oficiais Generais por ordem de antiguidade e os Oficiais superiores por ordem de adesão.
OFICIAIS GENERAIS

Gen Gilberto Barbosa de Figueiredo
Gen  Amaury Sá Freire de Lima
Gen Cássio Cunha
Gen Aloísio Rodrigues dos Santos
Gen Ulisses Lisboa Perazzo Lannes
Gen Marco Antonio Tilscher Saraiva
Gen Aricildes de Moraes Motta
Gen Tirteu Frota
Gen César Augusto Nicodemus de Souza
Gen Marco Antonio Felício da Silva
Gen Bda Newton Mousinho de Albuquerque
Gen Paulo César Lima de Siqueira
Gen Manoel Theóphilo Gaspar de Oliveira
Gen Elieser Girão Monteiro

OFICIAIS SUPERIORES

T Cel Carlos de Souza Scheliga
Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra
Cel Ronaldo Pêcego de Morais Coutinho
Capitão-de-Mar-e-Guerra Joannis Cristino Roidis
Cel Seixas Marques
Cel Pedro Moezia de Lima
Cel Cláudio Miguez
Cel Yvo Salvany
Cel Ernesto Caruso
Cel Juvêncio Saldanha Lemos
Cel Paulo Ricardo Paiva
Cel Raul Borges
Cel Rubens Del Nero
Cel Ronaldo Pimenta Carvalho
Cel Jarbas Guimarães Pontes
Cel Miguel Netto Armando
Cel Florimar Ferreira Coutinho
Cel Av Julio Cesar de Oliveira Medeiros
Cel.Av.Luís Mauro Ferreira Gomes
Cel Carlos Rodolfo Bopp
Cel Nilton Correa Lampert
Cel Horacio de Godoy
Cel Manuel Joaquim de Araujo Goes
Cel Luiz Veríssimo de Castro
Cel  Sergio Marinho de Carvalho
Cel Antenor dos Santos Oliveira
Cel Josã de Mattos Medeiros
Cel Mario Monteiro Campos
Cel Armando Binari Wyatt
Cel Antonio Osvaldo Silvano
Cel Alédio P. Fernandes
Cel Francisco Zacarias
Cel Paulo Baciuk
Cel Julio da Cunha Fournier
Cel Arnaldo N. Fleury Curado
Cel Walter de Campos
Cel Silvério Mendes
Cel Luiz Carvalho Silva
Cel Reynaldo De Biasi Silva Rocha
Cel Wadir Abbês
Cel Flavio Bisch Fabres
Cel Flavio Acauan Souto
Cel Luiz Carlos Fortes Bustamante Sá
Cel Plotino Ladeira da Matta
Cel Jacob Cesar Ribas Filho
Cel Murilo Silva de Souza
Cel Gilson Fernandes
Cel José Leopoldino
Cel Evani Lima e Silva
Cel Antonio Medina Filho
Cel José Eymard Bonfim Borges
Cel Dirceu Wolmann Junior
Cel Sérgio Lobo Rodrigues
Cel Jones Amaral
Cel Moacyr Mansur de Carvalho
Cel Waine Canto
Cel Moacyr Guimarães de Oliveira
Cel Flavio Andre Teixeira
Cel Nelson Henrique Bonança de Almeida
Cel Roberto Fonseca
Cel Jose  Antonio  Barbosa
Cel Cav Ref Jomar Mendonça
Cel Nilo Cardoso Daltro
Cel Carlos Sergio Maia Mondaini
Cel Nilo Cardoso Daltro
Cel Vicente Deo
Cel Av Milton Mauro Mallet Aleixo
Cel José Roberto Marques Frazão
Cel Luiz Solano
Cel  Flavio Andre Teixeira
Cel  Jorge Luiz Kormann
Cel Aluísio Madruga de Moura e Souza
Cel Aer Edno Marcolino
Cel Paulo Cesar Romero Castelo Branco
Cel CARLOS LEGER SHERMAN PALMER
Capitão-de-Mar-e-Guerra Cesar Augusto Santos Azevedo
TCel Osmar José de Barros Ribeiro
T Cel Mayrseu Cople Bahia
TCel  José Cláudio de Carvalho Vargas
TCel Aer Jorge Ruiz Gomes.
TCel Aer Paulo Cezar Dockorn
Cap de Fragata Rafael Lopes Matos
Maj Paulo Roberto Dias da Cunha

OFICIAIS SUBALTERNOS

2º Ten José Vargas Jiménez

FONTE: A Verdade Sufocada

 

É o 2º militar detido em menos de uma semana por envolvimento com esse tipo de crime

 

Um cabo do Exército de Taubaté foi preso nesta quarta-feira (29) no bairro Esplanada Santa Terezinha. Esse é o segundo militar detido em menos de uma semana na cidade por envolvimento com o tráfico de drogas.

O cabo do Cavex, de 24 anos, foi preso em casa enquanto dormia. No local, foram apreendidas 86 pedras de crack, três pinos e um papelote de cocaína, além de dinheiro e aparelhos de telefone celular. Foi a segunda prisão de um militar do Cavex por tráfico em cinco dias.

Na última sexta-feira (24), cinco homens acusados de tráfico foram presos com dinheiro, drogas e armas por meio de escutas telefônicas. Dentre eles, um soldado de 21 anos, que guardava em casa 90 pinos de cocaína e munição.

De acordo com a polícia, os dois militares – o soldado e o cabo – fazem parte da mesma quadrilha, que atuava no Esplanada Santa Terezinha, um dos bairros mais violentos de Taubaté.

Ninguém do Comando de Aviação do Exército gravou entrevista. Por meio de nota, a informação é de que o cabo ficará preso no Cavex, mas só por enquanto. Em breve, ele dever ser levado a uma prisão comum.

É que o cabo era um militar temporário e, segundo o comando do Cavex, mesmo antes da prisão, o desligamento dele do Exército já era previsto. O cabo preso nesta quarta estava no Exército há seis anos.

Os militares acompanharam a Polícia Civil no cumprimento do mandado de prisão. E, durante toda a manhã, estiveram na delegacia de entorpecentes. Agora a polícia investiga se há mais militares e civis envolvidos com a mesma quadrilha.

O outro soldado preso na sexta-feira (23) continua detido no Cavex até que ele seja transferido para um presídio.

FONTE: www.vnews.com.br

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São cinco milhões de e-mails que terminam revelando como funciona a agência privada Stratfor, que trabalha com serviços secretos, Embaixadas e empresas multinacionais.

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Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

LONDRES – Hoje, 2ª-feira, 27 de fevereiro de 2012, WikiLeaks começou a publicar os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL [ing. The Global Intelligence Files – mais de 5 milhões de e-mails da empresa Stratfor de “inteligência/espionagem privada global” com escritórios no Texas.

Os e-mails cobrem o período entre julho de 2004 e dezembro de 2011. Revelam o funcionamento interno de uma empresa que, sob a fachada de editor-publisher de artigos e estudos sobre temas de inteligência, vende serviços confidenciais de inteligência/espionagem privada a grandes empresas, entre as quais Dow Chemical Co. de Bhopal; Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon; e também a agências estatais, como o Departamento de Segurança Nacional dos EUA [ing. US Department of Homeland Security], os Marines dos EUA e a Agência de Inteligência da Defesa dos EUA [ing. US Defense Intelligence Agency].

Os e-mails mostram a rede de informantes de Stratfor; a estrutura de pagamentos; as técnicas de lavagem de dinheiro para pagamentos ilegais; e os métodos “psicológicos”, como, por exemplo, em:

“[Vocês] têm de controlá-lo. Controlar significa controle financeiro, sexual ou psicológico (…). Digo-lhe isso, para iniciar nossa conversa sobre sua segunda fase”

– como escreveu o diretor-presidente da empresa Stratford, George Friedman, a um dos analistas da mesma Stratfor, Reva Bhalla, dia 6/12/2011, com instruções sobre como explorar um informante israelense que lhes oferece informação sobre as condições médicas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O material inclui informação secreta sobre os ataques pelo governo dos EUA contra Julian Assange e WikiLeaks, e as tentativas feitas pela própria empresa Stratfor para subverter WikiLeaks. As palavras “WikiLeaks” ou “Julian Assange” aparecem mencionadas em mais de 4.000 e-mails. Nos e-mails também se veem, em operação, as portas giratórias que conectam entre si as empresas privadas de inteligência nos EUA. Fontes governamentais e diplomáticas de todo o mundo oferecem à empresa Stratfor informação privilegiada sobre política e eventos globais, em troca de pagamento.

Os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL informam sobre como a empresa Stratfor recrutou uma rede global de agentes informantes que são pagos através de contas em bancos suíços e cartões de crédito pré-pagos. Stratfor mantém um mix de informantes oficiais e clandestinos, no qual se veem nomes de funcionários públicos, pessoal diplomático e jornalistas, em todo o mundo.

O material mostra como opera uma agência privada de inteligência/espionagem, e como espionam indivíduos, a serviço de seus clientes privados e estatais. Por exemplo, a empresa Stratfor monitorou e analisou as atividades online de ativistas de Bhopal, inclusive os “Yes Men”[1], para a gigante norte-americana da indústria química, Dow Chemical. Os ativistas, nesse caso, buscam reparação para o desastre ecológico provocado pelas empresas Dow Chemical/Union Carbide, em 1984, em Bhopal, Índia, que provocou milhares de mortes, atingiu mais de meio milhão de pessoas e foi causa de dano ambiental de longo prazo.

A empresa Stratfor já sabia que sua rotina de trabalho e modus operandi, de distribuir propinas e pagamentos secretos em dinheiro para obter informação do pessoal interno de empresas privadas e órgãos governamentais, é pouco segura. Em agosto de 2011, o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, escreveu confidencialmente aos seus empregados:

“Estamos contratando uma empresa de advocacia, para que crie uma política para nossa empresa [Stratfor], que não agrida os termos da Lei Anticorrupção em Negócios Estrangeiros [orig. Foreign Corrupt Practices Act]. Não quero ser arrastado algemado pela calçada para que os fotógrafos se fartem, nem quero ver arrastado ninguém do nosso pessoal”.

A prática da empresa Stratfor, de usar pessoal interno de outras empresas e agências estatais, rapidamente se converteu em esquema de distribuição de dinheiro, de legalidade questionável.

Os e-mails mostram que, em 2009, o então diretor-gerente de Goldman Sachs, Shea Morenz, e o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, tiveram a ideia de “usar a inteligência/espionagem” que estava sendo extraída da rede de elementos “internos” [orig. insiders] em empresas e nos governos, para iniciar um captive strategic investment fund. Em telegrama confidencial de agosto de 2011, que leva um selo de “NÃO DISTRIBUIR NEM DISCUTIR”, o presidente-executivo da empresa Stratfor, George Friedman explicou:

“O StratCap [Fundo Stratfor de Capitalização] usará nossas inteligência/espionagem e análises para comerciar em vários instrumentos geopolíticos, sobretudo papéis de governos, moedas e itens semelhantes”.

Os e-mails mostram que, em 2011, Morenz, de Goldman Sach, investiu “substancialmente” mais de $4milhões, e passou a integrar o conselho de diretores da empresa Stratfor. Ao longo de 2011, foi montada uma estrutura complexa de offshore share, que alcançava até a África do Sul, com o objetivo de fazer crer que o Fundo StratCap seria legalmente independente. Mas, confidencialmente, Friedman escreveu à equipe de Stratfor:

“Não pensem que [o fundo] StratCap seja organização de fora. Será integral (…). Será útil que vocês, em nome da maior conveniência, raciocinem como se [o fundo] fosse mais um aspecto de Stratfor; e que pensem em Shea como mais um executivo em Stratfor (…). Já estamos trabalhando em mock portfolios and trades [talvez, “portfólios para treinamento”?].

O Fundo Stratford de Capitalização [StratCap] será lançado em 2012.

Os e-mails de Stratfor mostram uma empresa privada que cultiva laços muito íntimos com agências oficiais e emprega vários ex-funcionários do governo dos EUA. A empresa está preparando o quadro das próximas promoções, para os próximos três anos, no Comando do Corpo de Marinha dos EUA [orig. the 3-year Forecast for the Commandant of the US Marine Corps], e dá treinamento aos marines dos EUA e “a outras agências governamentais de inteligência” que desejem “tornar-se Stratfors do governo”.

O vice-presidente para Inteligência de Stratfor, Fred Burton, foi agente especial do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e vice-diretor da divisão de contraterrorismo. Apesar desses laços com o estado, Stratfor e outras empresas assemelhadas operam sob completo segredo, sem qualquer supervisão pelo estado ou por órgãos de fiscalização oficial, e sem qualquer transparência.

A empresa Stratfor alega que opera “sem ideologia, agenda ou viés nacional”, embora os e-mails agora publicados mostrem em ação uma equipe de inteligência/espionagem privada, sempre bem firmemente alinhada com as políticas do governo dos EUA e com canais de contato direto com o Mossad. Esse contato direto está comprovado, através de um funcionário do jornal israelense Haaretz, Yossi Melman, que conspirou com o jornalista David Leigh, do Guardian, e, em flagrante violação do contrato entre WikiLeaks e Guardian, entregaram a Israel telegramas diplomáticos dos EUA, do lote de telegramas que WikiLeaks deixara sob a guarda do Guardian.

Ironicamente, considerando as circunstâncias atuais, Stratfor tem tentado entrar no que a empresa chama de “trem da alegria” [orig. gravy train] “dos vazamentos”, que teria surgido depois das revelações dos papeis do Afeganistão, em WikiLeaks:

“Será que não há alguma coisa a ganharmos, nesse trem da alegria dos ‘vazamentos’? Obviamente, se trata de vender medo, quer dizer: é bom negócio. E temos alguma coisa a oferecer, que as empresas de segurança das tecnologias da informação não têm, sobretudo nosso foco em contrainteligência e vigilância, que Fred e Stick conhecem melhor que qualquer um no planeta (…) Talvez possamos desenvolver algumas ideias e procedimentos sobre alguma rede de segurança focada contra ‘vazamentos’, para impedir que empregados das empresas consigam vazar informação sensível (…). De fato, não estou muito convencido de que se trate de problema de segurança de TI, ou que exija solução de TI.”

Como aconteceu com os telegramas diplomáticos publicados por WikiLeaks, grande parte do real significado desses e-mails só virá à tona ao longo das próximas semanas, quando a coalizão de jornais que construímos em todo o mundo para publicação dos documentos Stratford, e os internautas, em trabalho de pesquisa pública, já tiverem começado a vasculhar os documentos e encontrem conexões significativas.

Os leitores verão que, à parte o grande número de assinantes das publicações e clientes dos serviços da empresa, Stratfor também mantém, entre seus clientes, o controverso general paquistanês Hamid Gul, ex-chefe do serviço secreto do Paquistão (ISI), o qual, segundo os telegramas diplomáticos dos EUA, planejou explosões contra as forças internacionais no Afeganistão, em 2006. Os leitores descobrirão o sistema interno de classificação de e-mails de Stratfor, que organiza a correspondência em categorias como “alpha”, “tático” e “protegido”. A correspondência também inclui nomes em código para personagens considerados particularmente interessantes, como “Hizzies” (membros do Hezbollah), ou “Adogg” (Mahmoud Ahmedinejad).

Stratfor mantém negócios secretos com dúzias de empresas-de-mídia e jornalistas – da Agência Reuters ao Kiev Post. Uma lista dos “Confederation Partners” [Parceiros da Confederação] de Stratfor, que a empresa designa, internamente, como sua “Confed Fuck House”, está incluída nos documentos agora publicados.

Embora seja aceitável que jornalistas troquem informações entre eles, ou que sejam pagos por empresas outras, diferentes do jornal/rede do qual são empregados, dado que Stratfor é empresa privada de inteligência/espionagem que presta serviços a clientes estatais e clientes privados, o relacionamento entre jornalistas e esses atores é relacionamento ou corrompido ou que corrompe.

WikiLeaks também está divulgando a lista dos informantes da empresa Stratfor e, em muitos casos, recibos de pagamentos que receberam, inclusive pagamento mensal regular de $1.200, feito ao informante “Geronimo”, administrado por Fred Burton, ex-agente do Departamento de Estado, hoje empregado da empresa Stratfor.

WikiLeaks construiu uma parceria investigativa com mais de 25 organizações de mídia e ativistas, para informar o público em geral sobre esse imenso corpo de documentos. Aquelas organizações tiveram acesso a um sofisticado banco de dados e de pesquisa desenvolvido por WikiLeaks e, com WikiLeaks, estão avaliando os e-mails do ponto de vista do interesse jornalístico. Revelações importantes às quais cheguemos mediante o sistema de pesquisa em uso serão publicadas na imprensa comercial nas próximas semanas, ao mesmo tempo em que prosseguirá a publicação dos próprios documentos-fontes.

FONTE: Luis Nassif Online

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Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de Brasília

O orçamento do Ministério da Defesa, que em 2011 chegou a R$ 60,8 bilhões, é o terceiro maior do governo. Perde apenas para a previdência social (R$ 294 bilhões) e para a área da saúde (R$ 74 bilhões). Mas cerca de 80% dos recursos destinam-se ao pagamento da folha de pessoal, e 63% desse total vão para funcionários aposentados. Apenas 13,7% do orçamento destinam-se ao custeio, e menos ainda – 6,7% dos R$ 60 bilhões – são transformados em investimentos, segundo dados do pesquisador Vitélio Brustolin, que defendeu sua tese sobre o tema na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Brustolin está de malas prontas para os Estados Unidos, onde fará um pós-doutorado em Harvard sobre a indústria de defesa americana. “Embora tenha o terceiro orçamento da União, o dinheiro destinado a manter os equipamentos atuais, o que cria um risco: sucateamento e dificuldade para aquisição de novos.”

Hoje, segundo dados de mercado, o Brasil gasta 1,6% do PIB com a indústria de defesa, um percentual abaixo do verificado tanto em nações ricas quanto nas emergentes: o Chile gasta 3,5%, os Estados Unidos, 4,8%, o Reino Unido, 2,7%, a China, 2,1%.

Além do baixo investimento no setor, os militares se ressentem da ameaça constante da tesoura do governo. Para manter o cumprimento das metas de superávit primário, o contingenciamento de recursos é comum. “O orçamento de defesa tem sido o mais afetado pelos contingenciamentos. Valores destinados a custeio e investimentos, na monta de R$ 15,9 bilhões, foram limitados em R$ 10 bilhões em 2010. Em 2011 a cena foi semelhante: o Ministério da Defesa sofreu um corte de 26,5% nas despesas referentes a custeios e investimentos, ou seja: R$ 4,0 bilhões a menos”, analisa Brustolin.

O pesquisador observa que, apesar dos cortes, ao final dos anos de 2010 e 2011, parte dos recursos foi redirecionada. “Isso evitou catástrofes maiores, pois esses contingenciamentos ocorrem, justamente, nos gastos com a manutenção dos equipamentos e nos investimentos e projetos. Mas o decreto 7.622, de 22 de novembro do ano passado, liberou parte dos recursos contingenciados. O total desembolsado ficou em pouco mais que 70% da dotação autorizada. Resumindo: somando-se ao contingenciamento, grande parte dos recursos previstos não foi executada”, explica o pesquisador.

Nesse contexto, surge uma preocupação entre militares, parlamentares e especialistas: a necessidade de fontes complementares de financiamento para que projetos como a implementação do Sistema de Monitoramento das Fronteiras (SisFron) possam sair do papel. “É preciso avançar na definição de um orçamento mais robusto para as Forças Armadas”, defende o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional.

Os projetos estruturantes são cruciais para o melhor monitoramento da fronteira terrestre, da costa brasileira e do espaço aéreo, em um momento em que o país se prepara para explorar o pré-sal e pleiteia um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. “Quanto mais pudermos implementar esses projetos com independência tecnológica, melhor para nós. Mas é preciso destacar que esses projetos são alocados no orçamento como investimentos. Por isso, todas as vezes em que houver contingenciamento, que sempre afeta investimentos e custeios, a produção de tecnologias fundamentais para o país estará sendo prejudicada”, ressalta Brustolin.

Trata-se de uma questão que também preocupa a indústria. “De um lado, se acena com uma MP que concede benefícios fiscais para investir no Brasil e transferir tecnologia. De outro, há preocupação de que não haja um fluxo contínuo e permanente de recursos para financiar esses projetos, que são vultosos”, afirma um empresário do setor.

As Forças Armadas trabalham na elaboração do Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa (Paed), que contemplará projetos e prioridades das três forças em um horizonte de 20 anos, até 2031. A expectativa é de que em dois meses esse relatório possa estar pronto, segundo o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. A prioridade dos investimentos será a defesa da Amazônia, das fronteiras brasileiras e da chamada Amazônia Azul. Estima-se no mercado que os investimentos em 20 anos possam superar R$ 100 bilhões.

Os investimentos em tecnologia militar podem ter grande impacto na sociedade civil, aponta Brustolin. O avião a jato e a internet são inovações desenvolvidas por militares que hoje são amplamente utilizadas por bilhões de pessoas. “Certamente a trajetória do Brasil é bastante diferente da dos Estados Unidos, no entanto, há importantes lições a serem aprendidas com os americanos que podem ser adaptadas às políticas públicas de inovação brasileiras”, afirma o pesquisador. Para ele, essa consideração baseia-se no fato de que o acompanhamento histórico dos gastos militares no Brasil demonstra os sucessivos cortes em investimentos e custeio, bem como a descontinuidade de programas científicos-tecnológicos, ao contrário do que ocorre nos EUA.

FONTE: Valor Econômico – 27/02/2012

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Brasília – O Ministério da Defesa já organizou a parte logística para apoiar o governo colombiano e a Cruz Vermelha Internacional no resgate de dez reféns, mantidos em cativeiro pelas Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc). O governo do Brasil colocará à disposição dos colombianos dois helicópteros e um avião-cargueiro Casa C-295 (C-105 Amazonas), além de uma equipe de apoio. Ainda não há definição de data nem local para a libertação dos reféns.

As autoridades brasileiras aguardam também a tramitação burocrática para a consolidação do processo de apoio ao governo da Colômbia. A solicitação é feita por meio do governo colombiano para o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, que encaminha à Defesa.

Concluído o processo burocrático e definida a data aproximada para a libertação dos reféns, as aeronaves seguirão para Manaus, no Amazonas. No local, serão transmitidas as primeiras informações e depois a equipe de apoio deve seguir viagem até São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Só então as Farc deverão informar o local exato do resgate.

Há um ano, a equipe brasileira, com o apoio das aeronaves, ajudou no resgate de cinco reféns, mantidos sob poder das Farc. A operação de libertação levou quatro dias, seguindo um cuidadoso cronograma definido pelo comando da guerrilha.

Em fevereiro de 2011, para garantir o resgate, as Farc fizeram uma série de exigências e o governo colombiano também. Foram assinados protocolos de segurança nos quais ficou garantida a suspensão por 36 horas das operações militares nos locais onde serão entregues os cinco reféns. Em ações anteriores, foram tomadas medidas semelhantes.

FONTE: Jornal da Mídia

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Taleban assume atentado suicida em Jalalabad e diz ser resposta à queima de cópias do Alcorão em base americana

 

Um ataque suicida deixou nove mortos nesta segunda-feira em uma base e aeroporto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. O Taleban assumiu o atentado e disse se tratar de uma resposta à queima de cópias do Alcorão (livro sagrado muçulmano), em uma instalação militar americana em Cabul.

O atentado na cidade de Jalalabad acontece em meio aos protestos no país contra a queima de exemplares do Alcorão e outros materiais islâmicos religiosos durante o descarte de lixo em uma base aérea dos EUA. O autor do ataque desta segunda-feira lançou um carro cheio de explosivos contra o portão do aeroporto, que serve aeronaves militares internacionais.

De acordo com o porta-voz da polícia da província de Nungarhar, Hazrad Mohammad, a forte explosão matou nove afegãos: seis civis, dois guardas do aeroporto e um soldado. O ataque também deixou seis feridos. O porta-voz da Otan, Justin Brockhoff, reforçou que nenhum militar estrangeiro foi morto e disse que a base não foi danificada pela explosão.

Por causa da onda de violência, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou nesta segunda-feira que está transferindo todos os seus funcionários de um escritório em Kunduz, norte do Afeganistão, atacado por manifestantes na semana passada.

Segundo a ONU, o fechamento do escritório é temporário e todos os funcionários serão levados a outros locais, até que as condições de segurança sejam melhores. O ataque ao prédio da ONU no sábado deixou três mortos e 50 feridos.

Os protestos contra os Estados Unidos deixaram mais de 30 mortos desde que a queima dos livros sagrados foi divulgada, na terça-feira. Entre as vítimas estão quatro soldados americanos.

No domingo, manifestantes lançaram granadas contra uma pequena base americana no norte do país. Uma troca de tiros deixou dois afegãos mortos e sete soldados da Otan feridos.

Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu desculpas pelo incidente na base americana, na tentativa de acalmar os manifestantes afegãos. Em carta enviada ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, Obama prometeu uma investigação.

“Quero estender a você e ao povo afegãos minhas mais sinceras desculpas”, afirmou. “O erro foi impensado. Garanto que vou tomar as medidas necessárias para evitar que ele aconteça novamente e para punir os responsáveis.”

O incidente estimulou o sentimento contra o exterior que já está em crescimento no país depois de uma década de guerra no Afeganistão e alimentou os argumentos dos afegãos que acreditam que os soldados estrangeiros não respeitam sua cultura ou religião islâmica.

Ahmad Zaki Zahed, chefe do conselho provincial, disse que oficiais do Exército americano o levaram para uma área de queima na base onde 60 a 70 livros, incluindo cópias do Alcorão, foram recuperados. Os livros foram usados por detentos que estiveram encarcerados na base, disse. “Alguns estavam completamente queimados, enquanto outros pela metade”, relatou Zahed.

Segundo Zahed, cinco afegãos trabalhando no local lhe contaram que os livros religiosos estavam no lixo que dois soldados da coalizão liderada pelos EUA transportaram para a área em um caminhão na noite de segunda-feira. Quando perceberam que os livros estavam no lixo, os operários trabalharam para recuperá-los, contou. “Eles me mostraram como seus dedos ficaram queimados quando tiraram os livros do fogo.”

Em abril de 2011, uma manifestação de afegãos contra a queima do Alcorão por um pastor da Flórida se tornou mortal quando atiradores na multidão invadiram um complexo da ONU na cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do país, e mataram três membros da organização e quase guardas nepaleses.

FONTE: iG/AP, AFP e EFE

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Comandante da Otan pede desculpas e ordena investigação, dizendo que descarte de livro sagrado dos muçulmanos não foi intencional

 

Mais de 2 mil afegãos protestaram nesta terça-feira contra a queima inadvertida de cópias do Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos) e outros materiais islâmicos religiosos durante o descarte de lixo em uma base aérea dos EUA. Os manifestantes reivindicaram se encontrar com o presidente afegão, Hamid Karzai, para discutir a questão, ameaçando se manifestar novamente se sua demanda não for atendida.

O general americano John Allen, o principal comandante no Afeganistão, pediu desculpas e ordenou uma investigação sobre o incidente, que afirmou “não ter sido intencional de forma nenhuma”. O incidente estimulou o sentimento contra o exterior que já está em crescimento no país depois de uma década de guerra no Afeganistão e alimentou os argumentos dos afegãos que acreditam que os soldados estrangeiros não respeitam sua cultura ou religião islâmica.

No início desta terça-feira, enquanto as informações sobre o incidente se espalhavam, cerca de cem manifestantes se reuniram do lado de fora da Base de Bagram, ao norte de Cabul, na Província de Parwan. À medida que a multidão aumentava, também crescia o sentimento de indignação. “Morram, morram, estrangeiros!”, gritaram. Alguns fizeram disparos para o ar, enquanto outros arremessaram pedras contra o portão da base.

Ahmad Zaki Zahed, chefe do conselho provincial, disse que oficiais do Exército americano o levaram para uma área de queima na base onde 60 a 70 livros, incluindo cópias do Alcorão, foram recuperados. Os livros foram usados por detentos que estiveram encarcerados na base, disse. “Alguns estavam completamente queimados, enquanto outros pela metade”, relatou Zahed.

Segundo Zahed, cinco afegãos trabalhando no local lhe contaram que os livros religiosos estavam no lixo que dois soldados da coalizão liderada pelos EUA transportaram para a área em um caminhão na noite de segunda-feira. Quando perceberam que os livros estavam no lixo, os operários trabalharam para recuperá-los, contou. “Eles me mostraram como seus dedos ficaram queimados quando tiraram os livros do fogo.”

O general do Exército afegão Abdul Jalil Rahimi, comandante de um escritório de coordenação militar na província, disse que ele e outros oficiais se encontraram com os manifestantes, com líderes tribais e clérigos para tentar acalmar sua resposta emotiva. “Os manifestantes estavam com muita raiva e não queriam pôr fim ao protesto”, afirmou.

O manifestante Mohammad Hakim disse que, se as forças dos EUA não conseguem trazer paz ao Afeganistão, deveriam ir embora. “Deveriam partir em vez de desrespeitar nossa religão, nossa fé”, disse. “Eles têm de partir e, se mais uma vez desrespeitarem nosss religião, defenderemos nosso Alcorão, religião e fé sagrados até que a última gota de sangue tenha deixado nosso corpo.”

Mais tarde, porém, os manifestantes pararam de protestar e disseram que enviariam 20 representantes do grupo para a capital do país, Cabul, para conversar com parlamentares e para reivindicar um encontro com o presidente Karzai.

Em uma declaração, o comandante americano Allen se desculpou ao presidente e à população do Afeganistão e agradeceu aos afegãos “que nos ajudaram a identificar o erro e trabalharam conosco para corrigir a situação imediatamente”. Ele também afirmou que o incidente está sendo investigado.

Em abril de 2011, uma manifestação de afegãos contra a queima do Alcorão por um pastor da Flórida se tornou mortal quando atiradores na multidão invadiram um complexo da ONU na cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do país, e mataram três membros da organização e quase guardas nepaleses.

Negociações com o Taleban

Em entrevista transmitida nesta terça-feira pela emissora australiana SBS, o presidente afegão disse que seu governo mantém contatos diários com a milícia islâmica do Taleban por meio de intermediários. Autoridades afegãs e americanas tentam negociar com o Taleban para garantir a estabilidade do país depois da saída das tropas de combate estrangeiras, prevista para 2014, mas o diálogo é frágil, e recentemente o grupo islâmico negou que ele exista.

Questionados sobre se tem falado com o líder do grupo, mulá Omar, Karzai disse que “não pessoalmente”. “Quero dizer, não diretamente, de pessoa para pessoa. Mas por meio de intermediários sim.” Karzai e muitos analistas ocidentais dizem que o recluso Omar vive em Quetta, no Paquistão.

O presidente afegão disse que a negociação com o Taleban interessa também ao país vizinho. “Não é mais o Afeganistão que é o tema da conversa, ou a questão. É o Paquistão também. É a estabilidade do Paquistão também.”

Na semana passada, Karzai visitou Islamabad e irritou o governo local ao pedir para ter acesso a líderes do Taleban afegão supostamente instalados no Paquistão.

FONTE: iG/AP e Reuters

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Religiões no mundo

1. Muçulmanos: 1,6 bilhão de pessoas.
2. Católicos: 1,1 bilhão de pessoas.
3. Evangélicos: 800 milhões de pessoas.
4. Católicos Ortodoxos: 285 milhões de pessoas.
5. Seculares: sem filiação a Igrejas: 800 milhões de pessoas.
6. Hinduísmo: 800 milhões de pessoas.
7. Budismo: 500 milhões de pessoas.
8. Manifestações Folclóricas: 300 milhões de pessoas.
9. Otaismo/Confucionismo: 500 milhões de pessoas.
10. Xintoísmo: 50 milhões de pessoas.
11. Sikhismo: 25 milhões de pessoas.
12. Espiritismo: 15 milhões de pessoas.
13. Judaísmo: 15 milhões de pessoas.
14. Jainismo: 10 milhões de pessoas.
15. Fé Baha’i: 10 milhões de pessoas.
16. Outras: 10 milhões.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

Brasília Em 2011, as despesas de caráter secreto ou reservado da Presidência da República chegaram à cifra de R$ 10,9 milhões. O valor é inferior em R$ 100 mil ao desembolsado no exercício anterior, quando as despesas ultrapassaram R$ 11 milhões. Nos termos da legislação, os gastos são sigilosos “para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

Paralelamente à diminuição nos gastos de caráter secreto, o primeiro ano do governo Dilma Rousseff trouxe outra novidade em favor da transparência, como a Lei de Acesso às Informações Públicas. O fato, aliado à própria história da atual presidente, pode ter influenciado na redução deste tipo de gasto da Presidência da República ao longo de 2011.

Apesar dos resultados conquistados pelo órgão diretamente ligado à presidente, os gastos governamentais como um todo não seguiram a mesma tendência. A soma dos gastos sigilosos da Presidência com os dos ministérios da Fazenda, Educação, Justiça, Minas e Energia, Relações Exteriores e da Defesa chegou a R$ 43,1 milhões no ano passado. O montante é R$ 7,2 milhões maior do que o executado no exercício de 2010. Entre 2006 e 2011, não foi revelado o destino de aproximadamente R$ 176,2 milhões.

O órgão que mais efetuou gastos sigilosos no ano passado foi o Ministério da Defesa, desembolsando R$ 25,4 milhões. O segundo lugar ficou com a Presidência da República. O ranking é composto ainda pelos ministérios da Justiça (R$ 6,6 milhões), da Fazenda (R$ 159,1 milhões) e da Educação (R$ 94,1 mil).

Em 2010, apesar dos gastos globais terem sido menores, maior quantidade de órgãos efetuou despesas de caráter secreto. Ao todo, sete ministérios constam na lista do ano retrasado, quando o campeão também foi o Ministério da Defesa (R$ 17,6 milhões), seguido pela Presidência da República (R$ 11 milhões) e pelos ministérios da Justiça (R$ 7,1 milhões) e da Fazenda (R$ 172,3 milhões).

FONTE: Diário do Nordeste

BOGOTÁ, 24 Fev (Reuters) – Um comandante guerrilheiro responsável pelo apoio logístico e financeiro de várias frentes da guerrilha Farc no sudeste da Colômbia morreu nesta sexta-feira num combate com o Exército, em meio à nova estratégia militar para acabar com os rebeldes.

O comandante das Forças Militares, general Alejandro Navas, informou que a morte de Wilson Correa, apelidado de Eduardo Robayo, comandante da Frente 42 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, aconteceu perto do município de Vistahermosa, no departamento de Meta, 170 quilômetros a sudeste de Bogotá.

“Robayo atuava como comandante da frente 42 no Bloco Oriental das Farc, dedicado à extorsão, ao apoio logístico de várias quadrilhas”, disse Navas em entrevista coletiva.

O general classificou o líder guerrilheiro, que morreu com um de seus seguranças, como uma pessoa “sanguinária” que participou do sequestro do atual governador do departamento de Meta, que permaneceu mais de sete anos nas mãos das Farc na selva.

Navas disse que Correa também foi um dos responsáveis pela ativação de uma casa-bomba que causou a morte de 23 militares em 2001, no departamento de Meta, e pelo assassinato de um prefeito de uma cidade nesta mesma região.

A Colômbia redesenhou sua estratégia contra as Farc para priorizar o combate frontal de suas estruturas militares e econômicas, assim como os comandos secundários que antes não eram considerados vitais. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

FONTE: R7/Reuters

Ayaan Hirsi Ali publicou na revista Newsweek, de 13 de fevereiro passado, artigo fartamente documentado sobre a guerra que os países islâmicos estão desencadeando contra os cristãos, atingindo sua liberdade de consciência, proibindo-os de manifestarem sua fé e assassinando quem a professa individualmente ou mediante atentados a Igrejas ou locais onde se reúnam.

Lembra que ao menos 24 cristãos foram mortos pelo exército egípcio, em 9 de outubro de 2011; que, no Cairo, no dia 5 de março do mesmo ano, uma igreja foi incendiada, com inúmeros mortos; que, na Nigéria, no dia de Natal de 2011, dezenas de cristãos foram assassinados ou feridos, e que no Paquistão, na Índia e em outros países de minoria cristã a perseguição contra os que acreditam em Cristo tem crescido consideravelmente. Declara a autora que “os ataques terroristas contra cristãos na África, Oriente próximo e Ásia cresceram 309% de 2003 a 2010”. E conclui seu artigo afirmando que, no Ocidente, “em vez de criarem-se histórias fantasiosas sobre uma pretensa “islamofobia”, deveriam tomar uma posição real contra a “Cristofobia”, que principia a se infestar no mundo islâmico. “Tolerância é para todos, exceto para os intolerantes”.

Entre as sugestões que apresenta, está o Ocidente condicionar seu auxílio humanitário, social e econômico a que a tolerância para com os que professam a fé cristã seja também respeitada, como se respeita, na maioria dos países ocidentais a fé islâmica.

Entendo ser o Brasil, neste particular, um país modelo. Respeitamos todos os credos, inclusive aqueles que negam todos os credos, pois a liberdade de expressão é cláusula pétrea na nossa Constituição.

Ocorre, todavia, que as notícias sobre esta “Cristofobia islâmica” são desconhecidas no país, com notas reduzidas sobre atentados contra os cristãos, nos principais jornais que aqui circulam. Um homossexual agredido é manchete de qualquer jornal brasileiro. Já a morte de dezenas de cristãos, em virtude de atos de violência planejados, como expressão de anticristianismo, é solenemente ignorada pela imprensa.

Quando da Hégira, em 622, Maomé lançou o movimento islâmico, que levou à invasão da Europa em 711 com a intenção de eliminar todos os infiéis ao profeta de Alá. Até sua expulsão de Granada — creio que em 1492 — os mulçumanos europeus foram se adaptando à convivência com os cristãos, sendo que a filosofia árabe e católica dos séculos 12 e 13 convergiram, fascinantemente. Filósofos de expressão, como Santo Tomas de Aquino, Bernardo de Claraval, Abelardo, Avicena, Averróes, Alfa-rabi, demonstraram a possibilidade de convivência entre credos e culturas diferentes.

Infelizmente, aquilo que se considerava ultrapassado reaparece em atos terroristas, que não dignificam a natureza humana e separam os homens, que deveriam unir-se na busca de um mundo melhor. Creio que a solução apresentada por Ayaan Hirsi Ali é a melhor forma de combater preconceitos, perseguições e atentados terroristas, ou seja, condicionar ajuda, até mesmo humanitária, ao respeito a todos os credos religiosos (ou à falta deles), como forma de convivência pacífica entre os homens. É a melhor forma de não se incubarem ovos de serpentes, prodigalizando auxílios que possam se voltar contra os benfeitores.

Ives Gandra da Silva Martins é jurista. – ivesgandra@gandramartins.adv.br

FONTE: JB

A Royal Society britânica alertou sobre o risco da aplicação dos últimos avanços da neurociência na guerra do futuro e pediu aos governos que tomem medidas para proibir muitos dos novos agentes químicos. Nos últimos anos, a neurociência – um conjunto de disciplinas que estudam o sistema nervoso e sua relação com a conduta – avançou em ritmo vertiginoso, favorecida pelo interesse dos governos em desenvolver novas tecnologias e ferramentas para melhorar a eficiência de seus exércitos.

Em relatório de 65 páginas publicado recentemente com o título de “Neurociência, conflito e segurança”, a renomada sociedade científica enumera os progressos na área e os possíveis usos civis e militares, mas aconselha cautela aos governos na hora de colocar em prática essas descobertas.

O foco se dirigiu às armas “não letais”, entre as quais estão agentes químicos paralisantes e outras substâncias que agem diretamente sobre o sistema nervoso central e periférico. Conforme alerta da Royal Society, muitas delas ainda não estão regulamentadas por nenhum tratado internacional.

Essa constatação fez a entidade britânica pedir aos signatários da Convenção sobre Armas Químicas que incluam novos agentes químicos entre as substâncias proibidas em sua próxima revisão em 2013. Em seu relatório, a instituição reconheceu os benefícios que os avanços podem ter no tratamento de doenças neurológicas, mas expressou sua preocupação com as “lacunas em relação à legislação” que poderiam dar margem ao uso inadequado.

O marco legal atual restringe a criação de agentes químicos paralisantes, mas existe “certa ambiguidade nos tratados de proibição de armas químicas que, sob algumas interpretações, podem favorecer seu desenvolvimento”. Embora algumas pesquisas ainda estejam em estágio inicial já permitem vislumbrar como poderiam ser as guerras do futuro. Nelas, novas técnicas de estimulação cerebral por meio de remédios e ondas aumentariam a eficiência dos soldados e a velocidade com a qual aprendem tarefas.

Outras conquistas, mais próprias da ficção científica, permitiriam a comunicação das máquinas com o cérebro dos soldados graças a sistemas de interfaces neuronais, implantes que conectam o sistema nervoso com computador que interpreta as ondas cerebrais e as traduz em ações.

Segundo a Royal Society, com essa tecnologia seria possível, entre outras tarefas, controlar os sistemas militares à distância e melhorar a reabilitação física dos soldados. Graças à análise do cérebro com técnicas de neuroimagem poderiam ser consideradas novas variáveis no recrutamento de soldados, como velocidade de aprendizagem e o nível de risco que são capazes de assumir, e escolher assim os melhores para cada tarefa.

Outros estudos, realizados pelos Estados Unidos, investigam o uso do ultrassom como uma forma de interferir no cérebro, um campo que, de acordo com a Royal Society, teria “uma importante aplicação terapêutica”, mas também poderia ser usado para prejudicar a atividade cerebral.

A Convenção sobre Armas Químicas, assinada em 1993 e que teve a adesão até agora de 188 países, proíbe recorrer à guerra química em qualquer circunstância e enumera uma lista de substâncias e quantidades proibidas, mas a Royal Society pede a inclusão nesse acordo dos novos agentes químicos.

FONTE: Terra/EFE

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Resumo da Segunda Guerra Mundial

Está em espanhol, mas dá para entender. Confira um belo resumo da Segunda Guerra Mundial:

 

Gastos com festas

Com obras atrasadas em portos e aeroportos, PAC empacado e outras adversidades, o governo federal gastou R$ 54,2 milhões em festas, coquetéis e holofotes variados em 2011. A ONG Contas Abertas apurou que o Ministério da Cultura foi campeão, com R$ 11,3 milhões, o dobro de 2010, quando o Ministério da Educação do então ministro Fernando Haddad levou o troféu festança, gastando R$ 11 milhões.

Lição festiva

Em 2011, o MEC repetiu a façanha em valores absolutos, contribuindo para o aumento de 19,5% em um ano. A Funarte torrou R$ 8 milhões.

Defesa da alegria

Vice na disputa, o Ministério da Defesa gastou R$ 14,5 milhões em festas em 2011, a maioria no Exército. Em 2010, foram R$ 10,8 mi.

Enforcamento

Além do carnaval, parlamentares vislumbram ao menos sete semanas enforcadas com feriadões, neste ano eleitoral. A maioria dos feriados cai em terças, quartas e quintas-feiras, dias de sessões legislativas.

FONTE: www.claudiohumberto.com.br

 
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