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vinheta-clipping-forte1Cerca de 850 militares mato-grossense estão em fase final de preparação para uma missão de paz no Haiti. Eles devem ser enviados no mês de maio deste ano durante o período de eleições naquele país. Além da ação de segurança e patrulha, os militares também serão responsáveis por ações de assistência social e humanitária aos habitantes do Haiti.

As Forças Armadas Brasileiras estão no Haiti desde junho de 2004, integrando a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Desde então, mais de 20.000 militares brasileiros já passaram pela missão.

O major Sérgio Mattos explicou que a operação de preparação será realizada pela primeira vez na capital mato-grossense. “Serão 1.250 homens nessa operação, sendo cerca de 850 daqui de Mato Grosso. Eles ficarão entre seis e oito meses lá, já que este é um ano de eleição no Haiti”, disse.

As atividades em Cuiabá vão acontecer entre os dias 15 de abril e 2 de maio. Os militares irão escolher uma área carente para simular as ocorrências cotidianas daquele país, além de realizar atendimentos médicos e odontológicos à população em um determinado dia. Para isso, eles solicitaram a utilização de uma escola municipal, que ainda será definida, já que os locais das operações ainda não foram escolhidos.

Durante as simulações, que incluem abordagens e atendimento aos moradores, manifestações e atendimento a feridos, os soldados irão conhecer alguns dos problemas que podem vivenciar no Haiti.

Ainda conforme o Exército, além dos militares, também serão deslocados cerca de 100 veículos, entre caminhões e blindados. Os representantes do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil solicitaram o apoio da Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos para minimizar o impacto do fluxo de veículos no trânsito de Cuiabá.

De acordo com o Coronel Milton Lopes, é a primeira vez que Mato Grosso será base de treinamento para uma missão de paz internacional. “Além de militares de Mato Grosso, também estão sendo convocadas tropas do Exército de Mato Grosso do Sul e outros estados. O estado irá concentrar a última fase de treinamentos’’, explicou o coronel.

Além de militares mato-grossenses, participarão da missão outras unidades do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil, da Força Aérea Brasileira, do Exército Canadense, das Forças Militares do Paraguai e do Exército Peruano.

FONTE: G1 via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1As Forças Armadas brasileiras poderão intensificar a cooperação com a Espanha nos setores de desastres naturais e defesa cibernética, entre outros. O tema fez parte da reunião bilateral entre o ministro da Defesa, Celso Amorim, e o colega espanhol Pedro Morenés Eulate, ocorrida hoje em Brasília (DF).

Na reunião, o ministro espanhol revelou interesse numa aproximação com o Brasil e outros países sul-americanos para tratar especificamente do apoio em questões de desastres naturais. Por sugestão de Amorim, prontamente aceita por Morenés, o tema será objeto de cooperação bilateral – que poderá, futuramente, ser estendida aos outros países que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Mais adiante, Morenés manifestou interesse, também, no setor de defesa cibernética, considerado como “área de cooperação prioritária”. Celso Amorim citou a experiência do país na criação do Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, já em funcionamento, e concordou em aprofundar a troca de conhecimentos nesse campo.

Durante a reunião, os dois ministros destacaram a crescente aproximação entre suas respectivas indústrias de defesa, inclusive em processos de licitação de interesse mútuo. E reafirmaram a disposição em estender ao setor de defesa a “intensa” relação econômica e política que os países mantêm entre si.

espanha_interna4Após o encontro, Amorim e Morenés assinaram comunicado conjunto onde destacam a cooperação entre os dois países no sentido de assegurar a continuidade e o intercâmbio na área de defesa. Morenés mostrou-se interessado em projetos que o governo brasileiro vem desenvolvendo com a Marinha, o Exército e a Aeronáutica.

“O Brasil decidiu ampliar sua capacidade operacional em defesa” e a Espanha “quer estar ao seu lado”, compartilhar experiências e explorar as possibilidades de cooperação que existem na indústria de defesa e no meio militar, disse o ministro espanhol.

Reunião bilateral

A visita do ministro Morenés é desdobramento do encontro da presidenta Dilma Rousseff com governantes espanhóis, ocorrida em novembro do ano passado em Madri.

Coube ao ministro brasileiro iniciar a exposição com relato de temas que interessam aos dois países. Amorim destacou, por exemplo, o trabalho de revitalização dos aviões P3 Orion e da aquisição das aeronaves C-295 CASA, que no Brasil têm a denominação de C-105 Amazonas.

Na reunião, Amorim e Morenés abordaram também o Programa de Obtenção de Meios de Superfície (Prosuper) da Marinha do Brasil, em que há interesse espanhol no fornecimento de embarcações, e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) do Exército Brasileiro.

Os dois ministros conversaram ainda sobre a importância de fortalecer o intercâmbio entre militares das respectivas Forças Armadas. Ao final do encontro, Amorim reiterou o convite para que se realizem visitas de alto nível do Ministério da Defesa espanhol ao Brasil. Morenés, por sua vez, informou que estará representado na feira LAAD Security & Defence, que acontece em abril no Rio de Janeiro, pelo Diretor Geral de Armamento e Material de seu país.

Leia aqui a íntegra do comunicado conjunto dos ministros da Defesa do Brasil e da Espanha.

FONTE: Ministério da Defesa

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vinheta-clipping-forte1O Exército da Coreia do Sul disse que vai atacar a Coreia do Norte e mirar suas principais lideranças, se o governo norte-coreano lançar um ataque, como ameaçou fazer em resposta ao que diz ser exercícios militares “hostis” entre forças norte-americanas e sul-coreanas.

Um dos principais generais da Coreia do Norte, em uma rara aparição na televisão estatal na terça-feira, disse que o governo havia tornado sem efeito seu acordo de armistício com Washington e ameaçou uma ação militar contra os EUA e a Coreia do Sul se os treinos continuassem. Os exercícios militares começaram em 1o de março.

As tensões têm crescido em toda a península coreana desde que o Norte, sob a liderança do jovem Kim Jong-un, que assumiu o cargo há pouco mais de um ano depois da morte de seu pai, lançou um foguete de longo alcance em dezembro passado.

Após isto, o país realizou um terceiro teste nuclear em 12 de fevereiro, provocando a perspectiva de mais sanções da ONU, que devem ser anunciadas formalmente na quinta-feira depois de Estados Unidos e China, único grande aliado diplomático do Norte, fecharem um acordo para punir Pyongyang.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte intensificou suas ameaças militares contra a Coreia do Sul e os Estados Unidos, provocando uma concisa advertência de Seul, na quarta-feira, de que não iria ficar de braços cruzados, caso seu território fosse atacado.

“Temos todos os preparativos prontos para um castigo forte e decisivo, não só contra a fonte da agressão e as suas forças de apoio, mas também o elemento de comando”, afirmou o major-general do Exército sul-coreano, Kim Yong-hyun, em uma entrevista coletiva em uma das mais clara ameaças que Seul fez.

A retórica belicosa da Coreia do Norte raramente vai além disso, apesar de em 2010 ter afundado um navio da Marinha sul-coreana, matando 46 marinheiros, além de bombardear uma ilha sul-coreana, matando civis, no mesmo ano.

A nova presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, comprometeu-se a se envolver com o Norte se este abandonar seus planos nucleares, mas agora enfrenta a perspectiva de um desafio hostil no início de seu mandato de 5 anos.

(Reportagem adicional de Michelle Nichols, na ONU, e Sui-Lee Wee, em Pequim)

FONTE: O Estado de S. Paulo

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vinheta-clipping-forte1Teve início na manhã de ontem (05), no edifício-sede do Ministério da Defesa (MD), a 1ª reunião do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-África do Sul. Até a próxima quinta (7), militares das Forças Armadas dos dois países e servidores civis vão trocar experiências sobre as respectivas indústrias de defesa e debater possibilidades de cooperação. As conclusões servirão de base para as próximas reuniões do comitê.

O evento foi aberto pelo ministro da Defesa, Celso Amorim. Além de dar as boas-vindas à comitiva sul-africana, o ministro ressaltou a importância de se aumentar a cooperação bilateral. Na avaliação de Amorim, Brasil e África do Sul são parceiros de grande potencial. Ambos constituem grandes democracias multiétnicas de influência central em suas regiões, defensoras de uma ordem multipolar, com inclusão dos países emergentes na governança global. Segundo o ministro, esse potencial está comprovado pelo projeto do “A-Darter”, míssil ar-ar de quinta geração desenvolvido conjuntamente entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Força Aérea Sul-africana. Os novos mísseis, cuja produção terá início ainda em 2013, vão ser utilizados pelas aeronaves F-5M da FAB e por aeronaves Gripen sul-africanas.

Após a abertura do evento, os trabalhos começaram com a apresentação da estrutura do MD e de alguns dos projetos prioritários da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Na ocasião, mapas mostraram a reestruturação das organizações militares pelo país, atendendo à diretriz da Estratégia Nacional de Defesa (END) de “adensar a presença das unidades das Forças nas fronteiras”.

africadosul_interna2Novos batalhões e brigadas em áreas ribeirinhas, aquisição e modernização de equipamentos, além de sistemas de monitoramento, como o de gerenciamento da Amazônia Azul, da Marinha, e o Sisfron, do Exército, foram alguns dos exemplos citados de iniciativas para prover o país de mais capacidades de defesa.

Houve, também, um breve resumo sobre a LAAD Defence and Security – maior feira de defesa e segurança da América Latina, que este ano acontecerá na primeira quinzena de abril, no Rio de Janeiro. Representantes da África do Sul foram convidados para o evento e tiveram sua provável presença valorizada pelo Brasil. Até o momento, ministros de defesa de 14 países já confirmaram participação. A expectativa é de receber até 65 delegações estrangeiras.

Ao fazer sua exposição, a comitiva estrangeira – sob a coordenação do comandante da Força Aérea, tenente-brigadeiro Fabian Msimang – apresentou as bases da estratégia de defesa sul-africana, de garantia de proteção e das capacidades de defesa efetiva do país e sobre como são desenvolvidas as operações conjuntas. Para os sul-africanos, “é fundamental a proteção das vias marítimas, terrestres e aéreas”.

africadosul_interna1Representantes da South African Aerospace Maritime and Defence Industries Association (AMD), única associação reconhecida como entidade comercial da indústria de defesa da África do Sul, falaram sobre a capacidade do país na produção de helicópteros, navios e veículos-aéreos não tripulados (VANTs).

Sobre o assunto, a AMD informou que uma nova geração de VANTs está em andamento. Segundo a associação, os veículos entrarão em teste entre junho e julho deste ano. As aeronaves têm resistência de 16h e são adaptadas com mísseis, diferencial tecnológico da companhia sul-africana.

Presidida pelo chefe de Assuntos Estratégicos do MD, almirante de esquadra Carlos Augusto de Sousa, a 1ª reunião do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-África do Sul deverá ser encerrada na manhã de quinta-feira. Ao final do encontro bilateral, será assinada ata com os resultados das discussões travadas ao longo dos três dias.

FONTE: Ministério da Defesa

vinheta-clipping-forte11. A venda de armas e serviços militares por parte das 100 maiores empresas mundiais do setor totalizou cerca de US$ 410 bilhões em 2011, de acordo com dados divulgados pelo “Stockholm Internacional Peace Research Institute” (SIPRI). Desde 2002, a venda de armas teve aumento de 51% em termos reais.

2. As vendas dos 44 produtores de armas norte-americanos somaram 60% do total, sendo que as 30 maiores empresas europeias foram responsáveis por 29% das vendas. A Embraer aparece na 81ª colocação (95ª em 2010).

3. A expansão das empresas produtoras de armas no mercado de segurança cibernética é tendência clara na análise do ranking feito pelo SIPRI, devido principalmente à crescente importância política e orçamentária do tema como questão de segurança nacional.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

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vinheta-clipping-forte1Após oito meses sem contato formal, o Irã e as grandes potências encerraram ontem mais uma rodada de negociações nucleares sem alcançar um acordo, mas com planos de novos encontros em março e abril.

Apesar de prolongar o impasse acerca do programa nuclear iraniano, o desfecho foi visto como um passo importante nos esforços para apaziguar os ânimos e diluir riscos de uma nova guerra no Oriente Médio.

O Irã manifestou sua satisfação após dois dias de reuniões a portas fechadas em Almaty, capital do Cazaquistão, com representantes de China, Rússia, EUA, França, Reino Unido e Alemanha.

“Desta vez percebemos que [as potências] tentaram se aproximar do nosso ponto de vista”, declarou o principal negociador iraniano, Saeed Jalili.

Ele deixou claro que ainda existe um “longo caminho até o ponto desejável”, mas ressaltou que as partes podem estar próximas de uma “guinada”.

Jalili se referia à proposta apresentada pelas potências para levantar, pela primeira vez, algumas das sanções econômicas caso Teerã atenda três exigências que tornariam mais difícil seu caminho rumo a uma eventual bomba atômica.

As medidas determinam que Teerã deve diminuir seu grau de enriquecimento de urânio para menos de 20%, enviar para o exterior estoques de urânio mais enriquecidos e suspender atividades numa central atômica construída debaixo de uma montanha.

Os iranianos, que argumentam ter direito de usar energia nuclear para produzir medicamentos e eletricidade, embarcaram de volta para Teerã sem responder à proposta.

Mas o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que o encontro em Almaty foi “útil”, ecoando declarações de diplomatas europeus presentes no encontro.

Eleições

Fontes ocidentais disseram à Folha que não esperavam uma reviravolta na posição do Irã já que o país está às vésperas da eleição presidencial de junho, que designará o sucessor de Mahmoud Ahmadinejad, impedido por lei de se candidatar novamente.

Segundo analistas, a rodada de conversas em Almaty expôs uma abordagem mais construtiva dos dois lados, rompendo com o tom abrasivo de conversas anteriores, quando chegou a ser cogitado o fim do diálogo.

Os esforços diplomáticos visam encontrar uma solução negociada ao impasse e evitar que Israel, única potência nuclear do Oriente Médio, execute sua ameaça de bombardear o Irã.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1Os governos do Brasil e da Namíbia querem fortalecer suas relações em defesa, estendendo para as áreas do Exército e da Aeronáutica a bem-sucedida cooperação existente hoje entre as marinhas das duas nações. A intenção foi manifestada em comunicado conjunto divulgado durante a visita oficial de dois dias realizada esta semana pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, à cidade de Windhoek, capital do país africano (leia a íntegra do comunicado em inglês).

Acompanhado de comitiva integrada por representantes de seu ministério e de empresários da indústria nacional de material militar, Amorim participou de reunião bilateral na sede do Ministério da Defesa namibiano. Durante o encontro, do qual participaram o ministro da defesa, Nahas Angula, e os principais chefes militares do país africano, foram discutidos vários temas relacionados à cooperação em defesa.

As delegações manifestaram a intenção de aumentar o número de exercícios militares, e também de ampliar os projetos conjuntos na área industrial, com o objetivo de melhorar a capacidade produtiva e operacional dos dois países no setor de defesa.

Nahas Angula fez uma breve exposição sobre o cenário geopolítico africano, destacando as preocupações de seu país com o aumento da pirataria, do tráfico de drogas, da pesca ilegal e de outras atividades ilícitas nas águas do Oceano Atlântico que banham a costa da Namíbia e de outras nações africanas.

namibia02Em resposta, Celso Amorim afirmou que o Brasil compartilha das apreensões namibianas em relação ao aumento das atividades ilegais. Durante a conversa, ambos concordaram em ampliar o trabalho conjunto bilateral, e no âmbito de foros como a Zopacas, para manter o Atlântico Sul como zona de paz e livre de ameaças.

Agradecimento presidencial

Após reunir-se com seu contraparte namibiano, Amorim foi recebido no palácio do governo pelo presidente do país, Hifikepunye Pohamba. O ministro brasileiro entregou a Pohamba uma carta da presidenta Dilma Roussef. No documento, Dilma reitera a disposição do governo brasileiro de ampliar a cooperação com o país africano em setores diversos, entre os quais o de defesa.

Depois de ler com atenção a carta, Pohamba afirmou compartilhar com a presidenta brasileira as mesmas preocupações e visões sobre a situação da África, de outras regiões do mundo, e sobre as relações entre os países. Em seguida, dirigindo-se ao ministro Celso Amorim, fez um sincero agradecimento ao Brasil pelo apoio prestado pelo país na constituição da Marinha namibiana.

De fato, há quase duas décadas, a Marinha do Brasil tem mantido um forte programa de cooperação com a força naval da Namíbia, que inclui desde a formação de oficiais e praças militares em escolas brasileiras até a doação e venda de navios. Como consequência dessa relação, muitos oficiais namibianos falam português, e outros se encontram atualmente fazendo cursos em instituições de ensino da Marinha.

namibia04No âmbito da cooperação, o Brasil mantém uma missão com cerca de 40 militares da Marinha, sediados no porto de Walvis Bay. Em abril deste ano, o novo navio-patrulha oceânico que será incorporado à Força Naval brasileira, o Apa, visitará Walvis Bay, onde deverá participar de operações conjuntas no mar com os militares namibianos. O Apa é o segundo navio-patrulha oceânico dos três adquiridos junto à Inglaterra a ser incorporado à Marinha do Brasil.

Além de encontrar-se com o presidente da Namíbia, Celso Amorim manteve encontros de trabalho com outras autoridades do país, entre as quais o primeiro ministro, Hage Geingob. Oficiais-generais e superiores das Forças Armadas receberam grupo de empresários brasileiros numa reunião em que estes últimos puderam apresentar alguns de seus projetos e produtos.

Integrante da comitiva brasileira, o comandante do Exército, general Enzo Peri, foi recebido por seu contra parte namibiano. Durante a visita, a comitiva brasileira contou com apoio da embaixadora do Brasil no país, Ana Maria Sampaio Fernandes. Antes de passar pela Namíbia, a comitiva esteve em Angola, também em visita oficial.
Leia também:Brasil ajudará Angola a estruturar sua indústria de Defesa

FONTE: Ministério da Defesa

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logovinheta-clipping-forte1A criação de um fundo para financiar projetos na América do Sul e na África divide governos das duas regiões.

Enquanto africanos pressionam para tirar do papel a proposta pensada ainda 2009, países como o Brasil, Venezuela e Colômbia resistem à ideia de montar um fundo de contribuições voluntárias para bancar projetos de infraestrutura e energia.

A possibilidade de o Brasil ser um dos principais doadores de um fundo formado por países ainda em desenvolvimento assusta o governo da presidente Dilma Rousseff e é vista, ao mesmo tempo, como uma atraente oportunidade pela maioria dos africanos.

Essas diferenças ficaram explícitas ontem, no primeiro dia da 3ª Cúpula ASA (América do Sul-África), que reúne em Malabo, capital da Guiné Equatorial, representantes de 66 países até sexta.

A discussão sobre a criação do fundo esquentou os debates de altos funcionários. O assunto será debatido por chanceleres e chefes de Estado, entre eles Dilma, que chega a Malabo na noite de hoje.

A solução tem tudo para ser, literalmente, diplomática. O Brasil sugeriu que um grupo de trabalho seja criado para debater a proposta e, em setembro, apresentar o formato do fundo. Mas, se não houver consenso, poderá ficar nas mãos dos chefes de Estado a decisão final.

“Podemos fazer muito sem um fundo”, disse aos colegas diplomatas a embaixadora Maria Edileuza Fontenete Reis. Foi ela quem conduziu as reuniões de ontem e tentou, de todas as formas, frear a ansiedade de representantes de países africanos.

FONTE: Folha de S. Paulo  via Resenha do Exército

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Diplomacia e proteção de civis

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Antonio de Aguiar Patriota

 

vinheta-clipping-forte1A proteção de civis desarmados em situações de conflito é um desafio de ordem moral e diplomática. Inocentes mortos, feridos ou desabrigados não podem ser tratados como meros “efeitos colaterais”. A questão exige que a comunidade internacional assuma sua responsabilidade coletiva. A importância crescente do tema levou a presidência de turno sul-coreana do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) a realizar debate, em nível ministerial, de que participei em 12 de fevereiro.

Como ponto de partida devemos ter presente que a prevenção de conflitos é a melhor forma de garantir a proteção de civis. Muito se fala sobre a inaceitabilidade de situações em que governos deixam de proteger suas próprias populações. Hoje existe consenso internacional quanto à necessidade de esforços coordenados para fazer frente a tais circunstâncias.

É necessário reconhecer, porém, que a comunidade internacional tem sido omissa em relação a questões fundamentais para a proteção de populações civis, entre as quais sobressaem as seguintes:

A promoção do desenvolvimento sustentável, com ênfase na erradicação da pobreza e na segurança alimentar, contribui para promover a paz. A ausência de oportunidades e de perspectivas é gênese de conflitos, estimula os radicalismos e enfraquece a crença nas instituições. É lamentável o elevado nível das despesas militares, enquanto não são atingidas as metas de Assistência Oficial ao Desenvolvimento, acordadas em Monterrey em 2002.

Precisamos lutar para reduzir a disponibilidade dos instrumentos de violência, em particular as armas de destruição em massa. É imprescindível fazer avançar o desarmamento e a não proliferação. A facilidade  na obtenção de armas convencionais, particularmente pelo comércio ilícito, multiplica os danos causados por conflitos. As consequências para os civis do uso indiscriminado de novidades tecnológicas no combate a insurgências ou ao terrorismo, por sua vez, requerem um debate aprofundado.

Não podemos esquecer a responsabilidade da comunidade internacional na paralisação do processo de paz Israel- Palestina e o fracasso do Quarteto em contribuir para um acordo. Medidas unilaterais estão exacerbando tensões na região. O CSNU deve atuar decisivamente nessa questão. A vulnerabilidade da população civil nos territórios ocupados representa uma situação de alto risco, cuja periculosidade não deve ser subestimada.

A paralisia em questões de paz e segurança internacional pode ser considerada o mais preocupante exemplo da estagnação do sistema de governança mundial. O CSNU, congelado em configuração de poder anacrônica, é o foro que debate e pode chegar a autorizar o uso da força para a proteção de civis. Um CSNU mais legítimo e representativo disporá de melhores condições para implementar medidas preventivas e estratégias diplomáticas que evitem a radicalização e solucionem conflitos.

Reconhecemos que em alguns casos a comunidade internacional não poderá prevenir, por meios diplomáticos, conflitos armados com violações massivas de direitos humanos da população civil. Ainda assim, devem-se esgotar todos os meios pacíficos para minimizar o impacto sobre civis. O uso da força sempre traz consigo o risco de mortes e disseminação de violência e instabilidades. As intervenções militares no Afeganistão e no Iraque, por exemplo, causaram elevado número de civis mortos (estimativas conservadoras calculam aproximadamente 120 mil mortos de setembro de 2001 a setembro de 2012), além de refugiados e deslocados internos (em torno de 1,6 milhão de pessoas somente no Iraque). A África do Norte vive o efeito desestabilizador de ações na Líbia. Essas lições não podem ser ignoradas.

Em situações excepcionais e extremas em que o uso da força venha a ser autorizado pelo Conselho de Segurança para proteger civis, é necessário garantir que a intervenção militar seja criteriosa, proporcional e estritamente limitada aos objetivos estabelecidos pelas Nações Unidas. Nesse contexto, devemos velar 1) pela inserção da intervenção numa estratégia diplomática de resolução de conflitos – em outras palavras, a intervenção não pode ser um fim em si mesmo; 2) pela geração de um mínimo de violência e instabilidade, evitando criar ainda mais danos para a população civil; e 3) pela adoção e observância de procedimentos claros de monitoramento e avaliação pelo CSNU da maneira como suas resoluções são interpretadas e aplicadas.

Prevenção de conflitos e resolução pacífica de disputas minimizam o sofrimento de civis. Quando a intervenção militar é autorizada e considerada potencialmente benéfica, a responsabilidade de proteger deve ser acompanhada da responsabilidade ao proteger. Os esforços multilaterais de proteção de civis devem estar ancorados no respeito aos direitos humanos e no Direito Internacional Humanitário, inclusive no contexto da luta contra o terrorismo.

Nota-se hoje uma crescente utilização da frase “não há solução militar para…” A presidenta Dilma Rousseff, em seu discurso no Debate Geral da 67.a Assembleia-Geral da ONU, declarou que “não há solução militar para a crise síria”. É esta constatação que torna tão urgente e necessária uma plataforma diplomática para a Síria como a do Grupo de Ação de Genebra de 2012. 0 presidente norte- americano, Barack Obama, em seu discurso de posse, em janeiro passado, afirmou que “segurança e paz duradouras não exigem guerra perpétua”.

Passado o momento unipolar e iniciada a formação de uma ordem multipolar, começa a se firmar a convicção de que não há solução militar para a grande maioria dos problemas de paz e segurança do mundo contemporâneo. Devemos encarar essa evolução como uma nova abertura parao multilateralismo e um papel mais relevante para a diplomacia.

FONTE: O Estado de S. Paulo via Resenha do Exército

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Fernando Exman

vinheta-clipping-forte1O governo federal quer aproveitar a viagem que a presidente Dilma Rousseff fará nesta semana à África para tentar reforçar ainda mais a presença das empresas brasileiras na região. O desafio, entretanto, é grande: além do desconhecimento de parte considerável do empresariado sobre as potencialidades do mercado africano, as empresas brasileiras precisam enfrentar a concorrência de outras companhias estrangeiras, principalmente da China. Está em jogo um mercado de aproximadamente 1 bilhão de consumidores, com demanda em alta pelos mais vários tipos de bens e serviços e um crescimento econômico superior à média mundial.

Dilma participará na sexta-feira da cúpula América do Sul – África (ASA), em Malabo, Guiné Equatorial. O tema do encontro é justamente o fortalecimento da cooperação entre países em desenvolvimento. Em seguida, ela desembarcará na Nigéria, parceiro considerado estratégico no continente.

 

“A China tem ganhado participação na África. Mas, em termos de comércio, o crescimento da participação da China na África não é em detrimento da participação brasileira. O Brasil também cresceu seu “market share” em detrimento de outros”, disse a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres, destacando que a participação do continente africano nas exportações brasileiras passou de 3,9% para 5% entre 2003 e 2012 e as importações permaneceram em 6% do total no mesmo período.

Na avaliação de autoridades brasileiras, a oferta de linhas de crédito vem tendo um papel estratégico na disputa pelo mercado africano e os ambiciosos programas de financiamento da China têm feito a diferença. Como consequência, um grupo de trabalho coordenado pela Presidência da República discute novas formas de impulsionar o comércio com o continente africano. Um dos aspectos discutidos é o lançamento de mecanismos de financiamento.

Em 2010, registra um estudo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a China substituiu o Banco Mundial (Bird) como principal fonte de financiamento dos países africanos. Entre 2001 e 2010, os empréstimos concedidos à África pelo Exim Bank chinês, instituição voltada ao fomento às exportações e importações do país asiático, foram estimados em US$ 67,2 bilhões. Já os financiamentos do Banco Mundial nesse mesmo período totalizaram US$ 54,7 bilhões.

O próprio Banco Mundial já analisou a questão. No relatório “Construindo pontes: O papel crescente da China como financiadora da infraestrutura da África Subsaariana”, de 2009, o Bird mostrou que o crescimento do comércio entre a China e a África foi acompanhado por uma maior ajuda econômica oferecida pelo país asiático a partir de 2001. Em contrapartida, diversas obras de infraestrutura executadas pelos chineses na África têm como garantia ou são pagas com petróleo, minério de ferro, cromo ou cacau, diz o Bird. Hoje, a China é o principal fornecedor do continente, e encontra na África um destino para os seus produtos de alto valor agregado. O país asiático também se consolida como o maior comprador de produtos africanos, ultrapassando os Estados Unidos.

A China demonstra que pretende manter tal papel. Em agosto de 2012, anota o estudo do Ministério do Desenvolvimento, o país anunciou a concessão de crédito de US$ 20 bilhões em três anos para projetos de infraestrutura, agricultura e desenvolvimento na África.

Num ritmo mais tímido, o Brasil também tem disponibilizado apoio às exportações à região. Entre 2008 e 2012, por exemplo, o valor desembolsado por programas oficiais alcançou US$ 4,8 bilhões.

O Brasil ainda mantém uma série de programas de cooperação técnica com o continente. Cerca de 150 iniciativas em aproximadamente 40 países são mantidas pelo Brasil, segundo o Itamaraty.

Outro sinal da maior aproximação entre o Brasil e a África é o crescimento do total de empresas brasileiras que atuam no comércio bilateral. Enquanto o total de empresas brasileiras exportadoras caiu nos últimos anos, o número de empresas que vendem para a África subiu 39% entre 2003 e 2012, para 3.810. Já as empresas que importam produtos africanos totalizaram 1.739 em 2012, alta de 84%.

O Ministério do Desenvolvimento também prevê uma alta nas exportações de serviços por parte de empresas brasileiras e, consequentemente, uma elevação dos embarques de bens relacionados a esses projetos. Nas contas do ministério, cada US$ 100 milhões em exportações de serviços geram US$ 30 milhões em exportações de equipamentos e outros produtos.

“Esses investimentos brasileiros na África puxam consigo exportações de bens que de outra maneira dificilmente ocorreriam”, afirmou Tatiana Prazeres, destacando ser uma característica da balança comercial Brasil-África a atuação de “trading companies” de propriedade das construtoras brasileiras. “As exportações são feitas por uma empresa, a comercial exportadora, que traz produtos de empresas de menor porte.”

FONTE: Valor Econômico, via resenha do EB

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vinheta-clipping-forte1Os ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) aprovaram formalmente nesta segunda-feira, 18, uma grande missão militar que contará com 500 soldados dos países do bloco para treinar o Exército do Mali.

O primeiro grupo de 70 agentes da UE desembarcou na nação do oeste africano 10 dias atrás e o sinal verde dos ministérios indicou a última fase da organização da Missão de Treinamento da União Europeia, que tem um mandato de 15 meses para moldar o Exército do Mali.

A chefe de Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton, afirmou que a missão “será de grande importância no apoio ao Exército do Mali”, que tem poucos equipamentos, além de uma fraca força de treinamento, o que limita a capacidade de manter a integridade territorial do país.

Em dezembro, os 27 países da União Europeia aprovaram pela primeira vez o projeto de uma missão de treinamento para aumentar a capacidade do Exército de combater os rebeldes islâmicos, que, no ano passado, tomaram o controle do norte do país.

Mas o lançamento da missão foi acelerado após a intervenção surpresa da França em sua ex-colônia no dia 11 de janeiro para impedir que os insurgentes marchassem para a capital do Mali.

Cerca de 16 países da UE, assim como Noruega, concordaram em participar da missão, que terá um orçamento de 12,3 milhões de euros, com cada nação financiando suas próprias tropas. Quase metade das tropas será de treinadores, o restante fornecerá proteção e apoio administrativo e médico.

As informações são da Dow Jones

FONTE: O Estado de S. Paulo

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Governo quer autonomia bélica brasileira

Ideia é revitalizar indústria. Amorim vai à África negociar

 

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vinheta-clipping-forte1O governo decidiu adotar como estratégia para fortalecer o sistema de defesa nacional a cooperação e a formação de polos produtores com os vizinhos sul-americanos e com os países da África ocidental. O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse ao GLOBO que esse tipo de integração faz parte do processo de revitalização da indústria brasileira. Um dos objetivos é tornar o Brasil menos dependente de equipamentos e da tecnologia estrangeira. Em uma missão inédita, Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores no governo Lula, embarca hoje para Angola e Namíbia, acompanhado de executivos de 12 empresas brasileiras interessadas em fazer negócios, joint-ventures e outros tipos de cooperação no continente africano.

Amorim lembrou que, com aprovação da Lei 12.598, o governo está regulamentando as Empresas Estratégicas de Defesa (EED), que deverão ser líderes nacionais e regionais, com incentivos tributários e concorrenciais, para fortalecer a autonomia bélica do país, e, de quebra, estimular a indústria e a balança comercial.

— Essas medidas legislativas são importantes, não só porque a defesa é um estímulo importante para a indústria em qualquer país do mundo, mas também porque é preciso ter um grau razoável de autonomia tecnológica e industrial para garantirmos a defesa. Interessa ao governo promover os dois lados — disse o ministro.

No roteiro, a América do Sul

Amorim destacou que o governo quer elevar o percentual histórico de investimentos do setor público em defesa, de 1,5% do PIB para cerca de 2%, em um horizonte de dez anos. A meta consiste em um estímulo suficiente para que empresas de pequeno, médio e grande portes ingressem no mercado armamentista e invistam também no mercado externo.

Na viagem para Namíbia e Angola, Amorim levará Embraer, Condor, Schmid Telecom, Avibras, Agrale, Andrade Gutierrez, Taurus, Odebrecht, Emgepron, CBC, VBR e H2Life. A missão é o primeiro passo de uma prospecção no continente e a ideia do ministro é repetir o sucesso que o Brasil vem obtendo nas relações com os países da América do Sul.

Segundo o ministro, o Brasil já consolidou parcerias estratégicas em toda a América do Sul, tendo como fórum de referência o Conselho Sul-Americano de Defesa. Há, por exemplo, a participação da indústria argentina na composição do avião de carga KC-390, da Embraer; a compra de quatro lanchas fluviais da Colômbia; o projeto de criação de um navio patrulha fluvial por brasileiros, colombianos e peruanos; além de articulações para a contratação conjunta de veículos aéreos não tripulados (vants).

— Queremos criar uma indústria de defesa sul-americana, até porque ninguém quer ser simplesmente um mercado. Na Europa, isso já acontece e aqui cooperamos de igual para igual — disse. — Queremos agora algo semelhante com a África, porque há um interesse comum em manter o Atlântico Sul livre de conflitos, diante das riquezas que ele possui.

Além da óbvia defesa do pré-sal, segundo Amorim, o Brasil também tem preocupação com recursos geológicos no fundo do Atlântico, onde já existem pesquisas avançadas. Há, ainda, grande preocupação com a pirataria, uma vez que boa parte do comércio exterior brasileiro, incluindo importações de petróleo, passam por essas águas.

Todos os três navios de patrulha oceânica comprados pelo Brasil da BAE Systems, do Reino Unido, por exemplo, passaram por portos africanos antes de chegar. Segundo Amorim, Angola, que já tem parcerias com o Brasil, quer que as empresas brasileiras façam lá joint-ventures.

— Mas as empresas é que vão ter a última palavra.

‘Tecnologia não se dá’

Com o chamado Brics (sigla para o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), há parcerias em formato bilateral. Por exemplo, o Brasil acaba de formalizar a aquisição de equipamentos de artilharia antiaérea da Rússia, tem parceria para a construção de mísseis ar-ar com a África do Sul e o próprio ministro visitou recentemente a Índia. No caso da China, a parceria no campo espacial acaba tangenciando o setor militar.

Segundo Amorim, “nossa cooperação não se esgota nas vendas”. Ele, porém, é cético em relação às promessas de transferência de tecnologia dos países desenvolvidos.

— Tecnologia não se dá.

Amorim contou que, quando trabalhava no Ministério de Ciência e Tecnologia, perguntou a um colega qual a diferença entre dar e transferir.

— A resposta foi: “Se eles te derem, é ciência; se te venderem, é tecnologia”.

Nota do Ministério da Defesa sobre a viagem

O ministro da Defesa, Celso Amorim, parte neste domingo (17/02) para a África numa viagem oficial de três dias a Angola e  à Namíbia. A viagem tem o objetivo de ampliar o intercâmbio e a cooperação na área de defesa com as duas nações africanas.

A pedido do governo angolano, além de representantes do Ministério da Defesa e dos comandos militares, a comitiva brasileira será integrada por um grupo de 14 empresários, representantes de diferentes segmentos da indústria nacional de material militar. Entre as empresas que participarão da viagem estão companhias como a Embraer, Odebrecht, Avibrás, Emgepron, Imbel e CBC.

Nos dois países estão previstos encontros de Celso Amorim com os titulares dos respectivos ministérios da Defesa, visitas a instalações militares e reuniões com empresários e representantes governamentais. Estão previstos ainda encontros do ministro brasileiro com os presidentes dois países.

A visita da comitiva brasileira insere-se no conjunto de iniciativas que visam a ampliar e abrir novas possibilidades de intercâmbio e cooperação com as nações africanas no campo da defesa. Também é parte do esforço brasileiro em fortalecer as instituições dos países que compartilham o Atlântico Sul, com o objetivo de manter a região como zona de paz e de cooperação, afastada de conflitos internacionais.

O Brasil possui laços históricos com Angola e Namíbia, países com os quais mantém relações próximas nos planos político e militar. O Brasil foi a primeira nação a reconhecer a independência de Angola, em 1975, tendo participado de missões de paz da ONU no país nos anos 90. A nação africana é compradora de material militar brasileiro, já tendo adquirido, por exemplo, aviões de ataque leve Super Tucano, da Embraer.

A Namíbia contou com o importante auxílio do Brasil para a criação de sua Marinha. Muitos dos militares que integram a Força Naval do país foram e ainda são formados em escolas da Marinha brasileira. O Brasil também fez o levantamento da plataforma continental da nação africana, trabalho que agora está sendo realizado em Angola.

Durante a visita aos dois países, deverão ser discutidas alternativas para estender a bem-sucedida cooperação na área naval aos demais segmentos da defesa: terrestre e aeronáutico.

O ministro da Defesa brasileiro será portador de cartas da presidenta da República, Dilma Rousseff, endereçadas aos presidentes dos dois países. Nelas, a presidenta destacará os laços históricos entre o Brasil e ambas as nações, e as possibilidades de incremento da cooperação bilateral na área de defesa.

FONTE: O Globo e Ministério da Defesa

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ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

vinheta-clipping-forte1A intervenção francesa no Mali tem origem na disputa por riquezas minerais–urânio para as usinas nucleares francesas, por exemplo– e na herança colonial da região. Fronteiras artificiais impostas pelas potências no século 19 fraturaram povos, gerando insatisfações.

A análise é do historiador Elikia M’Bokolo, 68, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris, e professor da Universidade de Kinshasa (Congo). Para ele, há “um novo imperialismo”, no qual as velhas potências europeias precisam lidar com o apetite de emergentes como a China.

Bokolo, congolês especializado em temas do pan-africanismo, diz que a crise no Mali pode se reproduzir com a mesma violência nos países vizinhos, como Niger, Mauritânia e Chade. Isso porque, a guerra atual também é consequência “da estupidez do Ocidente” ao derrubar Muammar Gaddafi.

Nesta entrevista, concedida por telefone de Paris, o historiador fala da oposição à guerra na França, onde ainda paira a síndrome do Vietnã. E alerta para assassinatos de tuaregues em vilas: “Não se pode transformar essa guerra numa guerra cultural e religiosa”, afirma.

Folha – Como o sr. analisa a situação no Mali?

Elikia M’Bokolo – É fluida e incerta. A ação francesa é uma intervenção de uma antiga potência colonial. Tem uma imagem negativa para os africanos e malianos.

Quais são as causas do conflito?

Há várias razões. A primeira é que essa grande região –que vai da Mauritânia ao Chade até a Etiópia– é muito instável, com uma população nômade. Esta teve um papel histórico muito importante no passado, fazendo as trocas entre a África negra e a África árabe, mediterrânea.
Com as fronteiras coloniais, a população se fracionou em muitos Estados. É um primeiro ponto de descontentamento. Essa população sonha em refazer uma junção territorial. Assim, haveria liberdade de movimento, sem as limitações de fronteiras impostas pela colonização.

Quais são as outras razões?

Depois da colonização e, sobretudo, depois dos anos 1960, o novo poder africano reteve a lógica territorial colonial. Toda essa população, considerada periférica e marginal pelas potências colonizadoras, hoje em dia reivindica uma situação melhor do ponto de vista político e social.
A terceira razão é o apetite das potências capitalistas desenvolvidas por essa região desértica. É sabido já há algum tempo que ela tem petróleo, gás natural, urânio. E também o sol. Antes da intervenção francesa, a Alemanha tinha começado a desenvolver uma ideia de gerar eletricidade a partir da energia solar e transportá-la para a Europa.

Qual a razão mais importante?

Os países ocidentais têm interesse em colocar ênfase sobre o lado étnico, religioso, de instabilidade. Nada falam sobre a economia, os recursos naturais.
Esse é o lado importante. As grandes empresas francesas estão no Mali, no Niger. A maior parte da eletricidade produzida pelas centrais nucleares francesas é feita com o urânio que vem da África. Todo mundo sabe que a região é um reservatório importante de minerais.

A França fala da ação de radicais, da Al Qaeda. É ficção?

Não é tudo ficção. É verdade que o Mali é um país muçulmano há dezenas de séculos. Mas lá o islã  sempre foi moderado. Há uma grande tolerância em relação àqueles que não praticam a religião. O consumo de álcool, por exemplo, é permitido. O islã não é uma razão importante [para o conflito], mesmo que exista um certo número de muçulmanos que têm um ponto de vista extremista, da Al Qaeda ou de outros grupos islâmicos. Não se pode transformar essa guerra numa guerra cultural e religiosa.

A França advoga que há uma ameaça.

A França tem uma posição ambígua em relação à África. Mesmo um presidente socialista como François Hollande adota esse discurso civilizatório, de que há risco, ameaça, violação de direitos humanos, despeito à constituição democrática. Tudo é discurso para a opinião pública. Na verdade as questões são mais complexas. O governo francês joga em duas linhas: a ideológica, quase moral, e a linha econômica e financeira em defesa de seus interesses.

A França tem o direito de intervir no Mali?

Não. Os países africanos começam agora a se apressar para organizar tropas.

Opération Serval Mali Janvier 2013

É certo considerar que existe uma guerra imperialista em curso?

Sim. A África hoje é o continente que tem mais recursos naturais, alguns extremamente raros e os países europeus desenvolvidos querem essas riquezas.

E os chineses?

São recém-chegados. O grande medo do Ocidente é que coloquem as mãos sobre esses recursos. Para que a China não esteja lá, se multiplicam uma série de práticas. Uma delas são as intervenções chamadas de humanitárias. Também há o estímulo a guerras civis e a guerras separatistas, para que ocorram situações em que as empresas ocidentais possam utilizar esses recursos. A guerra econômica avança mascarada. Falamos todo o dia de guerras étnicas, humanitárias. Mas as questões são econômicas. É um novo imperialismo, no qual o velho imperialismo do mundo ocidental tem que lidar com o apetite dos países emergentes, sendo a China o principal exemplo.

Como é esse novo imperialismo em comparação com o do século 19?

No século 19 as potências coloniais não conheciam os recursos que estavam no subsolo. Hoje, conhecem. Sua estratégia é dizer que a África em geral pertence ao Ocidente. E que a China –e, depois de amanhã, a Índia, o Paquistão, Turquia, talvez o Brasil– e esses outros países emergentes não têm nada a ver com a África. Isso, eventualmente, pode até desandar num conflito de caráter mundial entre a China e as velhas potências.

Isso seria possível?

Não creio que seja imediatamente possível, mas não estou convencido de que isso seja impossível. Todas essas potências que atuam no continente africano são superarmadas, têm arsenais importantes, bombas atômicas. Nós, africanos, não temos nada.

O que vai acontecer? A guerra será longa? Os EUA vão intervir?

É difícil a situação. A França conseguiu assegurar um número de pontos com cerca de 2.000 soldados. É preciso lembrar que a região é quase desértica. Apesar da experiência colonial da França nesse ambiente, os rebeldes conhecem melhor o lugar do que as tropas francesas.
A opinião pública e parte da classe política francesa –à direita e a esquerda– começaram a dizer que a guerra dura muito. Há o temor de um novo Vietnã. A síndrome do Vietnã está nas mentes. Há também os problemas propriamente franceses: a crise econômica, o desemprego, a inseguridade. Alguns dizem que o governo deveria cuidar desses problemas antes de qualquer coisa.
Não estou certo de que os Estados Unidos irão intervir. A França é o único país que tem na região um número considerável de cidadãos. Não creio que os EUA e a União Europeia se envolvam numa guerra tão incerta. Não é normal que, depois de 50 anos depois da independência, as antigas potências coloniais façam ações pela ordem e pela lei na África Ocidental.

A pressão interna na França contra a guerra vai aumentar?

Sim. Porque o presidente socialista teve posições contra a Françafrique [ação neocolonial da França na África]. Se a guerra durar muito tempo, as pessoas vão começar a se interrogar sobre as suas razões. A esquerda radical, com Jean-Luc Mélenchon [candidato da Frente de Esquerda nas últimas eleições, ele obteve 11% dos votos], disse que essa intervenção se parece muito com a Françafrique.
Não sei se pode dizer isso já. A ação no Mali pode isolar o governo atual em relação à esquerda. E também em relação aos ecologistas. Ao mesmo tempo, a direita e a extrema direita vão jogar para defender os interesses de certas empresas de urânio, de minerais etc. É uma situação muito difícil, e o governo francês vai querer fazer a operação militar o mais rapidamente possível.

O conflito está relacionado com a derrubada de Gaddafi?

A questão não é étnica, dos tuaregues. É verdade que, quando a França e os outros países decidiram eliminar Gaddafi e o assassinaram, não puderam conter todas as consequências dessa intervenção. O regime de Gaddafi representava um ponto de estabilidade na África do Norte, mas também era a passagem entre a África subsaariana e a mediterrânea. Derrubando Gaddafi e improvisando essa situação supostamente democrática –mas que não representa ninguém–, eles destruíram o Estado da Líbia. Destruíram o controle sobre as armas, a circulação de pessoas, os serviços de segurança etc. As armas reativamente sofisticadas, os veículos militares estão nas mãos de grupos armados, que sabem que ninguém controla essa região há muito tempo.
A guerra do Mali é uma consequência do afundamento do regime de Gaddafi. É uma consequência da estupidez do Ocidente. Estão perto de tombar sobre os próprios pés. O que se passa no Mali hoje pode se reproduzir amanhã com a mesma violência no Niger, na Mauritânia, no Chade, e ninguém tem o poder de controlar isso.

Como reage a população do Mali?

A população é muçulmana e pratica um islamismo muito moderado há muito tempo. A presença importante dos tuaregues nesse conflito –e eles não estão sozinhos– representa um risco extremamente grave. Há tuaregues que não tem nada a ver com isso, são livres, independentes. Isso pode levar até a um tipo de racismo. É particularmente sério o que já começou a ser visto em um certo número de vilas. Há mortes, assassinatos de tuaregues. Isso pode se enraizar na região e durar dez, 20, 30 anos, pois é uma região muito difícil de controlar.
E a solução das armas não é a verdadeira solução. A solução é política, democrática, com uma nova forma de Estado, descentralizado, dando possibilidade para a população dividida pelas fronteiras coloniais se organizar e tornar possível uma integração.
A crise atual no Mali mostra que os africanos precisam superar as divisões. São mais de 50 Estados. Não é possível. No Mali é necessário ouvir o que sindicatos, ONGs, intelectuais têm a dizer. Uma parte desses líderes se opõe à intervenção francesa e prefere uma solução africana. Não é normal que um estrangeiro entre na nossa casa, que ataque o nosso próprio irmão.

FONTE: Folha de S. Paulo

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Por Martín Granovsk

Langer-Office.jpg_722325795

vinheta-clipping-forte1O historiador Erick Langer, diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, em Washington, comenta vários temas da história continental, como o populismo, a ascensão e as crises do neoliberalismo, as conexões das terras baixas com os Andes e a influência da China e dos EUA.

“Me parece muito interessante que o continente tenha mudado tanto na última década e tenha podido aproveitar, do ponto de vista econômico, uma grande mudança mundial: a maior presença chinesa”, afirma Langer.

Como, na sua opinião, a América Latina se aproveitou do contato com a China?

A China é um rival dos Estados Unidos que requer matérias-primas da América Latina. Isso contribuiu para que a região enfrentasse a crise em melhores condições. Não sem perigos, claro.

Qual será o perigo?

Que a América Latina não intensifique o processo de elaboração de matérias-primas e siga exportando commodities. É um desafio para todos os governos da região, sem exceções. A vantagem é que a partir de 2000 a América Latina em geral, e a América do Sul em particular, se libertou da dependência do modelo neoliberal dos Estados Unidos.

Como esse modelo afetava a região?

Criou um desassossego das classes médias e baixas em termos de distribuição da riqueza. Essa expressão não estava, evidentemente, no Consenso de Washington.

O documento do consenso exortando à desregulação e a desregulamentar a economia é de 1989. Não ficou nada?

Na região? Praticamente nada. É um fator positivo para a região.

Ou seja, o crescimento chinês é um elemento positivo e a queda do Consenso de Washington é outro ponto bom.

E acrescento um fator de peso: os Estados Unidos estão muito preocupados com o Oriente Médio e efetivamente não prestaram muita atenção à América Latina.

Os acadêmicos e os dirigentes políticos discutem sempre se isso é bom ou ruim. Alguns defendem que para a América Latina a situação é melhor quando Washington menos se ocupa dela.

Bom, em matéria política há um tema prático a considerar. Vai soar quase redundante – quando Washington se ocupa menos, a ingerência é menor. A maioria das vezes que os Estados Unidos se voltaram para outros lugares que não América Latina, como na Primeira Guerra Mundial, a região foi favorecida. Não dou o exemplo da Segunda Guerra Mundial porque o fenômeno é muito mais complexo. Mas depois de muitas vezes o problema foi que os governos do continente não foram aliados dos Estados Unidos, mas dependentes de Washington. Não é a mesma coisa. Os Estados Unidos tinham o poder de se impor. De impor, inclusive, um modelo que já não funciona. Barack Obama se deu conta disso, embora seu principal tema não seja a América Latina. E antes dele, George Bush também não estava concentrado na América Latina.

Quer dizer que é bom para a região que não haja uma dedicação especial?

Mas eu investigo a América Latina! Você quer que fique desempregado?

Professor, você compartilha a visão que mostra, do ponto de vista político, várias Américas do Sul situadas em extremos opostos?

Me parece que não há uma divisão tão taxativa porque os processos são muito semelhantes. Tomemos de novo em consideração algumas realidades. Antes os chineses pensavam na América do Sul como Chile, porque os chilenos haviam sido muito efetivos em se vender na China. Quer dizer que, em última instância, não foram tão diferentes como acabaram sendo os outros, não é certo? Na atualidade, a América do Sul tem uma realidade estável. É uma realidade comum. Mas também, com suas diferenças, o protesto é um hábito comum. Há protestos antigovernamentais, para além dos conteúdos, na Argentina, no Chile e no México. E dá a sensação de que às vezes é difícil classificar cada coisa como de direita ou de esquerda.

Você dizia que falar de esquerda ou de direita não esgota uma análise. E a noção de populismo o satisfaz como conceito?

Também não é suficiente. É muito difícil definir o que é populismo. Dito agora é diferente de quando um pesquisador o aplicava nos anos 30 ou 40, uma época muito ligada ao começo das etapas de substituição das importações industriais. Hoje pode haver experiências de substituição, mas a base sempre é a busca de um tipo de relação com a economia mundial. O que se poderia resgatar, e há uma herança muito longa de Juan Manuel de Rosas em diante, é a importância que um chefe político que seja um personagem carismático pode ter. Isto faz com que a política se torne muito personalista. Assim teríamos uma característica populista. De todo modo, a chave é se esse fenômeno transpõem ou não os limites da democracia. Enquanto a oposição possa ganhar (se o faz ou não, é outra questão) está tudo bem. Não falo apenas da Argentina. Acontece em todos os países.

Os opositores têm a mesma característica em todas as partes?

Não. Mas há um elemento comum: a oposição está muito desorganizada em todos os países onde há líderes fortes.

Há líderes fortes porque não há oposição organizada ou há oposição desorganizada pela existência de lideranças fortes?

O populismo tem uma virtude e uma desvantagem: abarca muitas correntes políticas. E essas diferentes correntes se manifestam no líder. A oposição, ao contrário, não tem muitos interesses em comum e então as diversas correntes não se unem.

Que outroa momentoa da América Latina o senhor presenciou, além do retorno de Perón ao governo argentino em 1973?

Fui bolsista da Fullbright em 2000. Fernando de la Rúa era o presidente. Vi a queda, com o “corralito” e o drama social. E depois se deu a extraordinária recuperação econômica que vocês experimentaram. De todo modo, hoje me parece que se deve observar muito a velocidade relativamente menor de crescimento da economia chinesa e avaliar se a América Latina é capaz de saltar para outro modelo que no futuro não a faça depender da venda de matérias-primas. Não sei se você sabe, quando conversam em privado, muitos dirigentes chineses equiparam a América Latina à África.

Em que se baseiam?

Nas perspectivas de utilização econômica. Eles não entendem as enormes diferenças. A América Latina é outro mundo, diferente da África. Mas muitos dirigentes chineses pensam assim.

Por que concordou em criar uma Cátedra Argentina em Georgetown?

O embaixador Jorge Argüello veio e me propôs. Me pareceu bem. Pensamos em estabelecer um espaço acadêmico porque nos parecia que a Argentina é um país sumamente importante da América Latina. A Cátedra Argentina será uma forma construtiva de colocar a Argentina em evidência para que as pessoas de Washington se deem conta da complexidade do país. Para melhorar as relações é necessário melhorar a difusão e o conhecimento. O desconhecimento cria problemas. É um projeto de longo alcance. Essa Cátedra Argentina deve durar muitos anos e não depender da administração política de turno. Por isso necessitamos de recursos. O próprio embaixador me dizia que ele queria que seguisse em frente. O Brasil ganhou um grande espaço em Washington. É lógico. O Brasil está crescendo e tem importância mundial. Mas há países tão importantes como o Brasil e nosso objetivo é enfatizar também a Argentina.

E a quem se direciona esse novo núcleo de estudo?

Os estudantes, evidentemente, e toda a comunidade acadêmica. Mas, mais amplamente, o conjunto de latino-americanistas, de especialistas em América Latina, e funcionários e dirigentes. Que conheçam mais e prestem mais atenção – é importante para manter boas relações na América Latina e no Cone Sul em geral.

* A entrevista foi realizada em setembro de 2012. Trechos datados foram suprimidos. A tradução é do Cepat

FONTE: Carta Maior (edição e adaptação do Forças Terrestres)

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Andrés Velasco – O Estado de S.Paulo

vinheta-clipping-forte1Os participantes chegaram, os convidados europeus saudados, discursos foram proferidos, brindes foram feitos e, no final, a reunião anual da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe, (Celac) foi aclamada como um sucesso.

Mas o que restou na manhã seguinte foi a sensação clara de uma região que está profundamente dividida, sem um objetivo comum e, sobretudo, sem liderança.

Em primeiro lugar, a boa notícia: os quatro principais países da orla do Pacífico – México, Colômbia, Peru e Chile – adotaram importantes medidas para aprofundar seu acordo de integração e comércio. No fim deste ano, 90% de todo o comércio praticado no bloco estará livre de tarifas. A Costa Rica solicitou sua adesão e o Japão foi aceito como observador. Esta aliança do Pacífico, com quase 40% do PIB latino-americano e US$ 500 milhões de exportações anuais, tem potencial para se tornar uma força motriz do crescimento econômico da região.

A saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o impediu de participar do encontro, mas os chefes de Estado que seguem sua liderança compareceram em bloco e coletivamente rejeitaram um pedido europeu para ser incluída na declaração final uma garantia de que as regras de investimento não serão mudadas arbitrariamente.

O presidente boliviano, Evo Morales, usou o fórum para criticar o Chile e reiterar as reivindicações territoriais do seu país. Quando, no final, o presidente cubano, Raúl Castro, assumiu a presidência rotativa da Celac, instituição presumivelmente dedicada a ampliar a democracia, nem mesmo os mais experimentados diplomatas conseguiram disfarçar o sorriso irônico.

A Celac, que exclui explicitamente os Estados Unidos e o Canadá, foi criada em 2010 para que os países da América Latina e Caribe pudessem determinar seu próprio rumo no sentido de políticas democráticas e de uma prosperidade compartilhada. O que não fizeram.

Claro que muitos países da região são nominalmente democráticos. Mas a liberdade política não existe em Cuba e a governança democrática está sob desafio permanente na Venezuela e em outras partes.

É verdade que muitas economias da região cresceram desde a crise, beneficiando-se de um ambiente internacional caracterizado por preços exorbitantes das commodities e taxas de juro baixíssimas. Mas, em razão da competitividade limitada e pouca capacidade para inovar, ninguém sabe o que ocorrerá com o crescimento na América Latina, se e quando os preços das commodities caírem.

Da mesma maneira, a desigualdade diminuiu em alguns países. Mas a região permanece a mais desigual do planeta e os mercados de trabalho e escolas que funcionam muito mal sugerem que a situação permanecerá a mesma num futuro previsível.

Se perguntar aos líderes latino-americanos e caribenhos como pretendem enfrentar tais desafios, você terá uma cacofonia de respostas, nem todas coerentes. As raízes do problema estão nas décadas de 80 e 90.

Nessa época, os governos de diversos países latino-americanos fizeram tentativas radicais para desregulamentar suas economias e abri-las para o comercial internacional e o capital externo.

Algumas reformas de liberalização dos mercados já estavam muito atrasadas nesses países. Mas privatizar sem políticas de concorrência mais vigorosas levou em muitos casos à criação de monopólios privados que cobravam preços altos por serviços e produtos medíocres.

Da mesma maneira, permitir as enormes entradas de capital antes de regulamentar adequadamente o sistema bancário interno provocou uma explosão de empréstimos e crises financeiras em massa. Os custos econômicos e sociais dessas estratégias equivocadas foram enormes.

Um retrocesso era inevitável. E de fato o populismo, tão familiar na história da região, fez um retorno estrondoso na Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela e em outros lugares. A retórica adotada é no estilo dos anos 60 e anticapitalista e as políticas adotadas têm sido erráticas e quase sempre arbitrárias. E apesar das receitas inesperadas propiciadas pelo boom global das commodities na década passada, os resultados deixam muito a desejar.

Na Venezuela, a renda per capita hoje está menor do que há três décadas. Na Argentina, o governo resolveu o problema da inflação persistente, de 20% ou mais, manipulando os dados sobre preços.

Naturalmente os países que tiveram melhor desempenho são aqueles que evitaram tanto o fanatismo da direita como o populismo da esquerda. O Brasil sob o governo dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva deve ser lembrado neste aspecto, juntamente com o Chile.

Nesses casos, os incentivos com vistas ao investimento e crescimento foram combinados com ambiciosas políticas sociais. A renda se expandiu e a pobreza caiu, enquanto um amplo conjunto de indicadores de desenvolvimento humano melhorou.

Brasil e Chile não têm todas as respostas: os dois países ainda exibem muita desigualdade e seus sistemas de ensino são medíocres, para citar dois problemas arraigados. Mas ambos os países parecem ter encontrado mais respostas do que outros com propostas alternativas. Então, por que Brasil e Chile não se tornam modelos de desenvolvimento de centro-esquerda modernos para a região?

No Chile, a coalizão de partidos Concertación foi uma defensora inútil de suas próprias realização, porque líderes mais velhos da mesma aliança nunca aprovaram as políticas moderadas que eram implementadas.

O Brasil, um país muito maior, seria o candidato natural para liderar ideológica e politicamente a região. Mas não desejando confrontar Chávez e muito ansioso por ser o melhor amigo de todos, o país renunciou a esse papel.

Imagine uma futura reunião da Celac em que a presidência do órgão seja outorgada a um líder progressista, moderno, que consiga impor um programa convincente no sentido das liberdades pessoais, crescimento econômico e inclusão social. Imagine um encontro em que defender a democracia seja algo mais do que uma pilhéria cruel. É pedir muito? Uma geração inteira de latino-americanos espera que não. / / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* É EX-MINISTRO DAS FINANÇAS DO CHILE, PROFESSOR-VISITANTE NA SCHOOL OF INTERNATIONAL AND PUBLIC AFFAIRS DA UNIVERSIDADE DA COLUMBIA. FOI CONSULTOR DO FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL, BANCO MUNDIAL E DO BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, COMO TAMBÉM DE DIVERSOS GOVERNOS LATINO-AMERICANOS

FONTE: O Estado de S. Paulo

celso_amorim20

vinheta-clipping-forte1Em entrevista concedida à rádio Voz da Rússia, o ministro da Defesa, Celso Amorim, falou sobre a parceria entre brasileiros e russos na área de Defesa. Recentemente, os dois países iniciaram negociações para a aquisição de sistemas de defesa antiaérea russos, com transferência de tecnologia.

Na conversa, Amorim aborda o tema e fala da possibilidade de desenvolvimento conjunto de equipamentos mais modernos. “Essa sugestão surgiu já na reunião do nosso chefe de Estado-Maior Conjunto com o seu correspondente russo e com as empresas”, disse o ministro.

“Vou chamar a atenção para o fato de que ele foi lá com várias empresas brasileiras. O que é muito interessante, porque isso já vai preparando terreno para uma eventual produção no Brasil, um desenvolvimento tecnológico conjunto”, completou.

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista concedida ao jornalista Alexander Krasnov. O material também está disponível no sítio eletrônico da Voz da Rússia.

Entrevista com ministro da Defesa do Brasil

Apresentamos a entrevista concedida à Voz da Rússia pelo ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim. Ele falou, entre outros assuntos, sobre as relações russo-brasileiras na área técnico-militar. Esta foi a primeira vez que um ministro da Defesa do Brasil falou em exclusivo à mídia russa.

Celso Amorim nasceu em Santos, no estado de São Paulo, há 69 anos. Foi ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Itamar Franco e nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como diplomata, chefiou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, entre 1995 e 1999, quando se tornou amigo de Sergei Lavrov, que hoje é o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Depois, assumiu a chefia da Missão Brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, Suíça. Em 2001, serviu como embaixador no Reino Unido. Celso Amorim é ministro da Defesa do Brasil desde 8 de agosto de 2011.

– Muito obrigado, ministro, por essa oportunidade. A gente agradece imensamente. Fizemos até um levantamento ainda há pouco e descobrimos que essa vai ser a primeira entrevista de um ministro brasileiro para o público russo. Isso nos enche de muita esperança e muito orgulho. O senhor esteve com a presidenta Dilma em dezembro na Rússia e foram realizados vários acordos entre os dois países. Mas, como destacou a própria presidenta, a área técnico-militar recebeu um destaque especial. Como está indo essa cooperação agora?

– Bom, o acordo de cooperação militar assinado abrange os mais diversos níveis. Por exemplo, havia uma dificuldade de treinamento dos pilotos dos helicópteros russos que nós havíamos comprado. A empresa dava um treinamento básico, mas nós precisávamos de algo mais. E, com esse acordo, nós teremos esse tipo de treinamento militar de maneira mais normal, mais fluida. Além de muitas outras coisas.

A assinatura desse acordo, em si mesma, já é algo muito importante, porque ela abre muitas outras avenidas de cooperação, de formação para trabalhar em áreas avançadas que interessam à Rússia e ao Brasil. Seja na cibernética, na área espacial ou de equipamento militar mesmo.

Houve essa aquisição dos helicópteros de combate, muito bons, e, no início, houve um pouco de dúvida sobre a manutenção. Mas já verifiquei que essas questões estão sendo encaminhadas e, naturalmente, no espírito do próprio acordo de compra, esperamos que haja uma boa transferência de habilidades e competências nessa área.

– Nós sabemos que o chefe do Estado-Maior, o general José Carlos De Nardi, esteve recentemente também na Rússia negociando alguns acordos mais concretos.

 É. A ida do general De Nardi foi resultado direto das conversas entre os presidentes. O comunicado conjunto da visita, que singulariza a área de defesa antiaérea, já previa a ida do chefe de Estado-Maior brasileiro para tratar dessa possibilidade de cooperação.

Isso envolve, naturalmente, alguma aquisição, de acordo com as nossas necessidades imediatas, mas também há a expectativa de que empresas russas possam fabricar algum desses equipamentos aqui no Brasil. Agora, as questões técnicas ainda estão sendo discutidas.

A visita foi muito proveitosa. Seguramente, terá uma continuidade agora com a vinda do primeiro-ministro (Dmitri Medvedev), e a nossa expectativa é a de que isso possa caminhar. Claro que tem muita coisa a se discutir ainda, como aspectos financeiros, orçamentários, qual a transferência de tecnologia, treinamento e todas essas coisas.

– Mas uma eventual produção no Brasil desses equipamentos modernos é de interesse brasileiro.

– Sim. Não só dos equipamentos atuais, mas quem sabe até de um equipamento que ainda está em desenvolvimento pela própria Rússia.

– Isso antecipa um pouco outra pergunta. A Rússia tem exemplos de desenvolvimento conjunto de aviões com outros países. Isso poderia ser um caminho para o Brasil também?

– Bom, nesse caso, nós não estamos falando de aviões. Estamos falando desse equipamento de defesa antiaérea. Independentemente da aquisição e da produção no Brasil de equipamentos já existentes, há a possibilidade também do desenvolvimento conjunto de equipamentos mais modernos. Isso está sendo discutido, mas essas coisas levam algum tempo. Essa sugestão surgiu já na reunião do nosso chefe de Estado-Maior Conjunto com o seu correspondente russo e com as empresas. Vou chamar a atenção para o fato de que ele foi lá com várias empresas brasileiras. O que é muito interessante porque isso já vai preparando terreno para uma eventual produção no Brasil, um desenvolvimento tecnológico conjunto.

– A Rússia nos informa que existe uma lei que protege a propriedade intelectual justamente na área de defesa entre a Rússia e o Brasil. Esse acordo, na verdade, já foi ratificado pelo parlamento russo e, segundo eles, só falta agora o Brasil ratificar também.

– Há um pequeno problema interno, mas isso vai ser superado. Nós tivemos muito recentemente uma lei de acesso à informação, que não tem nada a ver com a parte tecnológica. Então, é preciso estudar todos esses acordos – não só com a Rússia – que envolvem cláusulas de confidencialidade para que possam ficar dentro da lei brasileira. Mas eu não vejo nenhuma dificuldade nisso. É um problema puramente burocrático de atualização.

– Entendi.

Quando nós começamos a recolher as perguntas da redação russa, percebemos que lá as pessoas ainda tem pouco conhecimento dos desafios do Brasil na área da defesa. No imaginário russo, o Brasil é um gigante, muito forte, que não tem nenhuma preocupação com a defesa. Eu queria que o senhor falasse um pouco como o Brasil se vê hoje nessa questão.

– Que é um gigante muito forte, isso é verdade. E que no futebol a gente nunca se preocupou muito com a defesa – por fazer sempre muitos gols, desde a época do Garrincha –, isso também é verdade. Mas, deixando a brincadeira de lado, obviamente o Brasil não pode ser uma das maiores economias do mundo, ser um dos maiores repositórios de água doce, biodiversidade, de capacidade de produção de alimento, ter a Amazônia do tamanho que é e não se preocupar com a defesa. Não é possível isso.

Embora tenhamos dez vizinhos, nós não temos problemas com nenhum deles. Todos os problemas de fronteira que nós tínhamos foram resolvidos diplomaticamente há mais de cem anos. A relação nossa com todos esses países é uma relação de amizade e cooperação. Mas isso não quer dizer também que nós não temos que defender nossas fronteiras de outras situações: grupos irregulares, traficantes de drogas, etc.

Pelas razões que eu enunciei antes, tendo toda essa riqueza natural, esse parque industrial e essa capacidade de produção que a gente tem, quem garante que, no futuro, um conflito até entre terceiros não poderá ter uma repercussão aqui? Esperamos que não, mas a melhor maneira de evitar isso é ter a nossa defesa. Por isso que eu digo: do ponto de vista regional, na América do Sul, cooperação; do ponto de vista global, dissuasão. Sem perder de vista que também tem que ter cooperação, nada é preto e branco.

– Essa é a maior preocupação então? É para dissuasão no caso desses eventos de maior envergadura.

– É para o caso de algum país querer se aventurar onde não deve.

– Essa preocupação é muito semelhante ao caso da Rússia…

– Eu acho que o Brasil e a Rússia têm muitas coisas em comum. Os dois são do BRICS, são países ricos em energia, com população semelhante, extensão territorial. Claro que há duas grandes diferenças: a Rússia tem bomba atômica e nós não temos e a Rússia é membro do Conselho de Segurança da ONU e nós não somos. Eu espero que em breve só haja a primeira diferença, porque bomba atômica nós não queremos ter.

– E quanto ao projeto do submarino?

– É um submarino de “propulsão nuclear”. É sempre bom deixar claro. O que é nuclear no submarino não são as armas que ele leva. O que é nuclear é a propulsão. Ele usará energia nuclear como poderia estar usando diesel ou biocombustível.

É um projeto que está caminhando, está avançando. Os primeiros desenhos, as primeiras capacidades já foram mais ou menos adquiridas, na França. O pacote envolve um submarino nuclear mais quatro submarinos convencionais e nós estamos recebendo a primeira parte dos convencionais. Mas quanto ao desenho e ao projeto do submarino nuclear, nós já estamos bastante avançados. Agora, o que diz respeito à geração de energia é totalmente nosso. A França não tem nada a ver com isso, com a parte do propulsor. É 100% nacional.

– Sobre a licitação do avião, não sei se posso perguntar se tem alguma novidade, alguma previsão…

– Perguntar não ofende, mas não tenho nenhuma novidade para dizer no momento. No futuro, outros projetos sempre estarão em aberto.

– Se a Rússia tiver alguma chance de entrar, com seus equipamentos, é só num outro projeto… se aparecer?

– Já entrou com os helicópteros.

– Sei. Aliás, tem um projeto de outro helicóptero, pela Odebrecht, se não me engano.

– Bom, aí eu não sei se era militar ou civil. Isso não foi conversado em detalhe. O que eu posso lhe dizer sobre o que foi conversado em profundidade na visita da presidenta e gerou muito rapidamente uma missão… Em três semanas mais ou menos, nós mandamos o nosso Estado-Maior Conjunto para os rigores do frio russo…

– Me contaram que ele pegou vinte graus negativos.

Com relação a essa visita e à visita agora do primeiro-ministro Dmitri Medvedev, existe alguma expectativa de assinatura, de fechamento desses acordos?

– Eu acho que a questão da defesa antiaérea começou agora. Acho que haverá um relato, é possível que se mencione algum aspecto, algum detalhe que não tenha ficado claro. Não sei se há intenção de se fazer algum outro memorando. O acordo nós acabamos de assinar. Então, da nossa parte, não há necessariamente o desejo. Mas também não excluo a possibilidade de que, se houver uma proposta, ela será examinada.

FONTE: Ministério da Defesa

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Caiu a ficha

Vant PF

Luiz Carlos Azedo

vinheta-clipping-forte1O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi a La Paz para se reunir com o colega boliviano, Carlos Romero. Na pauta, o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. O governo brasileiro quer permissão para que veículos aéreos não tripulados da PF sobrevoem espaço aéreo boliviano. Para o Brasil, o saldo da política cocaleira do presidente Evo Morales é a epidemia de crack.

FONTE: Correio Braziliense, via resenha do EB

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vinheta-clipping-forte1O Mali pediu nesta terça-feira ajuda para “combater os islamitas”, antes de uma reunião em Bruxelas entre a ONU, a União Africana (UA) e representantes da comunidade internacional com o objetivo de alcançar uma solução pacífica a longo prazo no país africano.

“Todo o mundo está aqui. Esta ameaça envolve os países civilizados”, salientou o ministro das Relações Exteriores de Mali, Tieman Coulibaly. “O mundo inteiro deve nos respaldar para combater os jihadistas em nosso território”, acrescentou.

O objetivo da reunião em Bruxelas é encontrar uma solução duradoura e a longo prazo para o país, uma vez que finalize a intervenção francesa no país africano. “Necessitamos nos preparar para o futuro”, disse uma autoridade europeia, um dia antes da reunião. “Quando um Estado cai precisamos reconstruí-lo, como se fosse Humpty Dumpty”, acrescentou a fonte, que pediu anonimato.

O exército francês continuou na segunda-feira a ofensiva perseguindo os grupos armados islâmicos no norte do Mali, onde acredita-se que mantêm em seu poder sete reféns franceses. Em Paris, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o dirigente da França, François Hollande, concordaram na necessidade de estabelecer o quanto antes uma força africana no Mali, para logo colocá-la sob a direção da ONU.

“Os Estados Unidos e a França concordam na necessidade de instituir tão rápido quanto possível a missão internacional liderada por africanos no Mali e passá-la tão rápido como a cautela permita às Nações Unidas”, afirmou Biden, após encontrar-se em Paris com Hollande.

Os islamitas, obrigados a abandonar as cidades de Gao, Tombuctú e Kidal, no norte, se refugiaram no em Ifoghas, situado a 1.500 km ao nordeste de Bamako, próximo da fronteira com a Argélia.

Em Ifoghas, em suas montanhas e grutas, berço dos tuareg, se escondem uma grande parte dos chefes e combatentes islamitas e se encontram os depósitos de armas e tanques de combustível, segundo analistas e fontes de segurança da região.

Nesta área também devem estar os reféns franceses sequestrados no Níger e no Mal, em 2011 e 2012, pelos grupos Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), o Movimento para a Unidade e o Jihad na África Ocidental (MUYAO).

FONTE: Terra Notícias

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