O ministro da Defesa, Celso Amorim, recebeu nesta ontem a subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Valerie Amos.
Durante o encontro, de aproximadamente 30 minutos, as autoridades examinaram as principais crises humanitárias em curso no mundo – em particular, no Oriente Médio e na África – e a importância do treinamento adequado, inclusive em matéria humanitária, dos militares designados para missões internacionais de paz da ONU.
Valerie Amos citou a valiosa experiência brasileira no Haiti, onde o país exerce o comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti – Minustah, como exemplo positivo de lições que as Forças Armadas brasileiras podem a compartilhar com a comunidade internacional.
Celso Amorim expressou disposição em estender sua cooperação com a ONU, não só com experiência, mas também com a preparação de militares. Citou, em particular, a disponibilidade do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – CCOPAB, no Rio de Janeiro, em receber militares de terceiros países designados para missões de paz. “Sem dúvida, nossas experiências no Haiti podem ser transmitidas”, disse o ministro.
O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários dirigido por Valerie Amos faz parte da Secretaria-Geral da ONU e é responsável por reunir todos os atores humanitários para garantir uma resposta coerente em emergências. Segundo informações do órgão, o Escritório garante a estrutura em que cada ator possa contribuir para o esforço global de resposta humanitária.
Sua missão é mobilizar e coordenar eficazmente a ação humanitária em parceria com atores nacionais e internacionais, para aliviar o sofrimento humano em desastres e emergências; defender os direitos das pessoas em necessidade; promover a prevenção de desastres e soluções sustentáveis aos mesmos.
Dois blindados da Marinha brasileira avançam durante a noite pelas tortuosas e escuras ruas de Porto Príncipe com 14 fuzileiros fortemente armados; não há disparos e a aparente tranquilidade mostra a frágil paz vivida pelo Haiti quase uma década após a chegada da ONU, em 2004.
Os blindados Piranha abrem as portas e os soldados percorrem já sem o armamento pesado e à pé as ruas de uma favela e as passagens, como um labirinto, de um acampamento de desabrigados pelo terremoto de 2010, composto por centenas de barracas rudimentares construídas com pedaços de paus e sacos.
O silêncio de noite é interrompido pela tosse de um menino — o cheiro de fezes e de urina toma conta do local. Uma moto aparece em uma esquina, um grupo de homens na outra, a patrulha os cumprimenta, comprova que não há nenhum problema, continua.
Patrulhas como esta são rotina em um país dividido em setores entre as tropas que integram os capacetes azuis da ONU, boa parte delas sul-americanas.
Assim como ocorreu no conjunto de favelas do Caju e na Barreira do Vasco, favelas no Rio de Janeiro conquistadas neste último fim de semana sem que um só disparo fosse feito, o efeito dissuasivo da presença armada massiva é grande. Isso permite uma aproximação maior dos capacetes azuis que levam água potável, médicos e até animadas sessões de cinema às comunidades mais pobres.
A situação não era essa quando as tropas da ONU chegaram, em 2004, devido ao conflito desencadeado após a saída do ex-presidente Jean Bertrand Aristide.
— Muitos destes bairros foram sendo conquistados em confrontos a tiros, rua a rua — explica o comandante do contingente brasileiro, o de maior presença no Haiti, coronel Rogério Rozas.
Mas a dramática pobreza é uma porta aberta à violência, denuncia Leonard Gregory, um líder comunitário de Bel Air, o coração político da capital do Haiti, com grande incidência de violência.
— Se tivermos segurança, poderemos solucionar o resto dos problemas .
No Haiti, três em cada quatro dos dez milhões de habitantes são pobres, o acesso à água, à eletricidade ou inclusive à moradia em condições é muito deficitário e 350 mil pessoas ainda vivem em acampamentos miseráveis desde o terremoto que em 2010 matou 220 mil pessoas.
O país avança em direção a uma transição que levará a ainda precária Polícia Nacional a assumir a segurança.
— Um aspecto primordial do mandato da ONU é reestruturar a polícia. Uma polícia eficiente e capaz em todo o país é uma condição para que a missão da ONU termine seu mandato no que diz respeito à segurança— afirma o comandante da força militar da ONU no Haiti, o general brasileiro Fernando Rodrigues Goulart.
O governo acaba de lançar um plano para elevar de 10 para 15 mil os efetivos de sua polícia até 2016. Esta polícia já acompanha as patrulhas e assume parte da responsabilidade na segurança.
— Existe uma falta de confiança entre as comunidades e a polícia — conta Daniel Delva, haitiano que coordena programas de pacificação de favelas da ONG brasileira Viva Rio no Haiti — É um momento difícil, notamos que a delinquência, que com a entrada das tropas da ONU diminuiu, agora volta a aumentar. O terremoto desorganizou tudo, milhares de presos escaparam das prisões, o desemprego é gigante, não há programas para os jovens que deem alternativas à delinquência.
A Viva Rio, no Haiti desde 2004, acaba de lançar com as autoridades locais, a polícia e a ONU um programa para aproximar a polícia e as comunidades, como já faz nas favelas do Rio de Janeiro, dominadas durante décadas pelo tráfico e onde uma solução foi criar polícias comunitárias, com ações culturais e sociais incluídas, porque “para o desenvolvimento social é preciso ter paz e para a paz é preciso ter desenvolvimento social”, segundo o ex-comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro e coordenador da ONG, Ubiratan Angelo.
—Aplicamos a mesma aproximação que no Rio, porque é uma realidade parecida, embora aqui o motivo da vigilância não seja o tráfico, mas sim (um problema) econômico, social e político — esclarece Delva.
A violência doméstica e contra a mulher é grave, e também cresce o temor de que a convocação de eleições locais neste ano eleve os ânimos políticos.
Em 2012, voltou a crescer um problema de antigos membros do Exército dissolvido por Aristide, que, com a promessa do governo de reativar as Forças Armadas, voltaram a sair às ruas com suas velhas armas para recuperar sua força, explica Goulart. A ação da ONU e as negociações com o governo acabaram com esta situação, assegura.
Após quase uma década no país, a missão da ONU começou a reduzir seus efetivos militares (atualmente 6,7 mil) aos níveis de antes do terremoto, mas não tem data para sair.
Domingo, dia 03/02/2013, mais um encontro de praticantes de Airsoft foi realizado nas dependências do 2º BIL, em São Vicente/SP, para mais uma operação de MilSim.
Um grande número de participantes e equipes mais uma vez comparecerem abrilhantando o evento, entre elas a Black Ops Airsoft Team, Close Quarters Airsoft Team e Clube de Tiro Cubas Airsoft Team, entre convidados de São Paulo e de Curitiba/PR.
No TO foram desenvolvidos simulações de patrulhas de risco e operação com unidades de caçadores. O 2º BIL era até poucos anos denominado 2º BC e muitos jogadores foram seus infantes no passado.
Este jogo foi incorporado uma inovação, uma operação ACISO (Ação Cívico-Social), cujo “ingresso simbólico” era doação de 1 Kg de alimentos não perecíveis para serem doados a intituição “Lar de Amparo Vovó Walquiria” em São Vicente/SP, uma associação de amparo e apoio a idosos carentes e sem local para ir http://vovowalquiria.blogspot.com.br/,
Os idosos e mantenedores do lar ficaram muito contentes com a visita, carinho e apoio dos jogadores e do Exército Brasileiro.
Agradecemos a todos os participante e tembém ao Comando, Oficiais e Praças do 2º BIL, Batalhão Martin Afonso, o “Sentinela da Baixada” e em especial ao 1º SGT INF Anderson pela possibilidade da simulação militar e da ação cívico social ao lar Vovó Walquiria, o qual nos deixou muito felizes.
Foi mais um grande dia, praticando airsoft/MilSim e ainda ajudando e prestando uma ajudas a uma instituição que ajuda muitos seres humanos, ou seja foi “One fine Day” ..
ACISO – Lar Vovó Walquiria
Fotos: Fabiana S. M. Lopes, Marcelo ‘MO’ Lopes, Richard Coatsworth, Jerry Masson e Sgt Anderson
Três anos após o terremoto que deixou mais de 230 mil mortos no Haiti, o Ministério da Defesa (MD) começa gradualmente a reduzir a quantidade de militares enviada para integrar a força de paz naquele país caribenho.
Com a nova troca de contingentes, que deverá ser concluída na primeira semana de junho, o Brasil voltará a contar com um único batalhão na capital Porto Príncipe. Atualmente, 1.910 militares brasileiros atuam no Haiti. Com a extinção do Batalhão de Infantaria da Força de Paz (Brabatt 2), esse efetivo deverá cair para 1.450 militares, o mesmo contingente de antes do terremoto de 2010.
A redução militar naquele país é fruto de entendimento com a Organização das Nações Unidas (ONU). O batalhão único ficará sob o comando do coronel Zenedir da Mota Fontoura, que desembarcará no Haiti com a tropa militar no dia 7 de junho, de acordo com calendário divulgado pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA).
Na tarde desta quarta-feira, o chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi, recebeu o grupo de 30 oficiais que integrarão o 18º contingente brasileiro. Na ocasião, De Nardi explicou que o Brasil retoma o quantitativo militar de antes da tragédia. “Estamos apenas retirando o Brabatt 2, batalhão que era direcionado para o atendimento em função do terremoto”, enfatizou o general.
De Nardi lembrou a importância de os militares se aterem ao fato de estarem representando a Pátria. “Lá, vocês não serão apenas da Marinha, do Exército ou da Força Aérea. Vocês estarão atuando como representantes do Brasil”, contou.
Os oficiais que desembarcarão no Haiti participaram de um curso preparatório no MD, no qual receberam orientações sobre a missão da tropa. A preparação foi organizada pela Subchefia de Logística Operacional do Estado-Maior. As palestras abordaram desde aspectos sanitários do contingente até a temas afetos à política externa brasileira no Haiti.
Ao final, o grupo participou de videoconferência com as lideranças militares que estão na capital haitiana. Nessa reunião, os militares que estão em Porto Príncipe repassaram experiências adquiridas no período em que atuam. O curso foi encerrado com as instruções do MD aos oficiais.
Sem previsão para deixar o Haiti, o Exército brasilero gastou, de abril de 2004 a novembro deste ano, R$ 1,892 bilhão na manutenção da tropa no país arrasado por uma guerra civil e, mais recentemente, por um terremoto. Desse total, a Organização das Nações Unidas (ONU) reembolsou R$ 556,5 milhões para o Tesouro Nacional. Os números são do Ministério da Defesa.
Na prática, um gasto de R$ 1,3 bilhão líquido em recursos do Brasil. Em 2004, o governo Lula justificou que a participação na missão de paz da ONU era uma forma de garantir um assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança, o que não ocorreu.
Atualmente, o Brasil mantém 1.910 homens das Forças Armadas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). A maioria do contingente brasileiro é do Exército. Ainda há militares da Aeronáutica (30 homens da Força Aérea Brasileira) e da Marinha (200 fuzileiros navais). A meta para 2013 é reduzir o efetivo para 1.200 militares, mesmo número do início da operação, em 2004 – o acréscimo ocorreu após o terremoto de 2010.
A redução da tropa de forma “responsável”, nas palavras do ministro da Defesa, Celso Amorim, é respaldada por uma resolução da ONU, de outubro. No começo deste mês, o presidente do Haiti, Michel Martelly, escreveu uma carta de duas páginas implorando à presidente Dilma Rousseff para negociar a manutenção do efetivo, argumentando que ainda não conseguiu formar uma polícia nacional para deter o avanço de gangues. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Durante três dias, integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Creden) da Câmara dos Deputados e representantes do Ministério da Defesa estiveram, em missão oficial, na capital haitiana. Com o objetivo de conhecer o trabalho realizado pelas tropas de paz no país caribenho, o grupo manteve reuniões com o primeiro ministro Laurent Lamothe e com parlamentares haitianos, e visitou as unidades militares.
Ao término do périplo, os parlamentares brasileiros admitiram a importância da participação militar do país. A presidente da Creden, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), disse que “há a necessidade de um pacto do povo haitiano em defesa da unidade e celeridade do processo de eleição limpa”.
Numa das reuniões ocorridas em Porto Príncipe, os deputados brasileiros foram informados que o fortalecimento do processo político e a autonomia da polícia nacional serão decisivos para que o Haiti possa dispensar a presença de organismos internacionais no país. Essa análise foi feita pelo Force Commander da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), general de brigada Fernando Rodrigues Goulart.
De acordo com Goulart, para a missão chegar ao seu final é necessária a consolidação das instituições democráticas. E uma das ações prioritárias é o processo contínuo de fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti (PNH), por ser uma iniciativa voltada à segurança no país. Atualmente, a força policial recebe treinamento da Minustah e conta com 10 mil homens, mas precisa alcançar o efetivo de 15 mil policiais.
Contingente brasileiro
O Brasil também deve reduzir para 1,2 mil a sua tropa no Haiti até o final do primeiro semestre do ano que vem. De acordo com o comandante do 17º Contingente Brasileiro, coronel Rogério Rozas, para garantir um ambiente seguro e estável à reconstrução das instituições, o governo brasileiro mantém, no momento, o maior efetivo na missão. São 2.076 militares divididos em três unidades: o 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz (Brabatt 1); o 2º Batalhão de Infantaria de Força de Paz (Brabatt 2) e a Companhia de Engenharia de Força de Paz (Braengcoy).
O comandante, que assumiu o cargo no início da semana passada, disse aos parlamentares que “o grande desafio do grupo é manter os avanços, que são fruto do esforço de todos os militares das Forças Armadas brasileiras que já passaram pela missão”. A pacificação de áreas como Cité Soleil, região que viveu acentuados problemas de criminalidade, foi apontada por Rozas como uma das conquistas da Minustah, comandada pelo Brasil.
O efetivo é responsável pelo patrulhamento a pé e motorizado nas ruas de Porto Príncipe. Os dois batalhões realizam, em média, mais de 3 mil patrulhas por mês. Já a Companhia de Engenharia apoia atividades em obras de infraestrutura, asfaltamento das rodovias, reconstrução e assistência humanitária, tanto na área civil como militar.
Cooperação
O embaixador do Brasil no Haiti, José Luiz Machado e Costa, também esteve no encontro dos parlamentares com os comandantes militares. Ele salientou que a cooperação internacional é um dos pilares da presença brasileira no país caribenho, e que as parcerias são planejadas considerando sempre o apoio direto às comunidades.
De acordo com o embaixador, os principais projetos em andamento são nas áreas de saúde, agricultura e energia, sendo esta por meio da construção da Usina Hidrelétrica de Artibonite 4C, fruto de uma parceria entre os governos brasileiro e haitiano, realizado pela Companhia de Engenharia de Força de Paz.
Combate à fome
Ainda na viagem, deputados brasileiros receberam pedido para que o Brasil possa compartilhar experiências em programa de combate à fome e à pobreza com o Haiti. O apelo foi feito durante encontro dos parlamentares. A reunião ocorreu na sede do Parlamento haitiano.
O presidente do Senado e da Assembleia Nacional haitiana, Desras Simon Dieuseul, falou que o país precisa de apoio para promover a cidadania para garantia das necessidades básicas do cidadão haitiano. “O parlamento haitiano apela ao Brasil no sentido de compartilhar experiências de combate à fome e à pobreza”, reforçou.
Perpétua Almeida sugeriu a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre dois parlamentos na área legislativa, voltada para temas como agricultura, saúde, trabalho e mulheres.
Os senadores e deputados do Haiti foram unânimes ao falar da importância da participação brasileira na Minustah. Eles também relataram as dificuldades que retardam o desenvolvimento social e econômico do país, entre elas a falta de segurança alimentar e infraestrutura, agravada pelos últimos desastres como a seca e os furações Isaac e Sandy.
Força de paz
No encontro dos parlamentares brasileiros com o primeiro ministro do Haiti, Laurent Lamothe, na última etapa da visita oficial, foi apresentado pedido de apoio ao Congresso Nacional para que o Brasil continue a liderar a Minustah. Lamothe falou que o governo está aberto para construir um diálogo político para a promoção da estabilidade do país.
Mas, segundo o líder haitiano, até que seu país consiga um modelo de desenvolvimento durável é necessário contar com ajuda internacional. No momento em que a maioria dos países que integram a missão reduz os investimentos em função da crise econômica, Lamothe pediu ajuda ao Parlamento brasileiro.
“O Brasil exerce um papel preponderante. Conclamo o Parlamento a compreender a presença do comando brasileiro na Minustah”, enfatizou.
Para o vice-chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, general Celso José Tiago, o acompanhamento das atividades militares por representantes do Legislativo brasileiro permitirá um melhor entendimento das necessidades das Forças e um conhecimento real de que o apoio ao país caribenho é necessário. O general afirmou que o ministério não mediu esforços para a realização da missão por considerar imprescindível aprimorar o entendimento da realidade sobre o Haiti.
“Tenho certeza que os três parlamentares serão os principais disseminadores no Congresso Nacional da importância do trabalho que está sendo feito pela tropa brasileira,” concluiu.
Rio de Janeiro – O processo de substituição das tropas brasileiras na Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) foi iniciado nesta segunda-feira com a chegada de 130 militares, de um total de 652, à capital Porto Príncipe.
Segundo um comunicado emitido pela Força Aérea Brasileira, os 130 soldados foram transportados em um avião KC 137, que partiu da Base Aérea do Rio de Janeiro na tarde de ontem.
O Brasil, em sua condição de responsável militar da missão, é o país com um maior número de soldados na Minustah, todos sob comando do general Fernando Rodrigues Goulart.
Até o dia 3 de dezembro serão efetuadas outras nove operações de substituição de tropa no Haiti. Nesta data, os 652 novos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica brasileira já deverão estar operando em solo haitiano.
Na última semana, a Marinha do Brasil já tinha enviado um navio de desembarque de veículos de combate para dar respaldo às tropas brasileiras da Minustah, o qual levava desde ambulâncias até blindados.
No último mês, o Conselho de Segurança da ONU renovou por mais um ano o mandato de sua missão no Haiti, que se estenderá até o dia 15 de outubro de 2013, mas com uma nova redução de militares, de 7.340 a 6.270 efetivos.
A Minustah foi estabelecida pelo Conselho de Segurança em 2004 depois que o então presidente, Jean-Bertrand Aristide, acabou buscando exílio político, em um período posterior ao conflito armado que se estendeu por várias cidades do país.
Na tarde de 19 de outubro, o ForTe/Forças de Defesa esteve presente no 16º Batalhão de Infantaria Motorizada – Batalhão Itapiru- (16ºBIMtz) para acompanhar os preparativos do 1º Batalhão de Infantaria de Forças de Paz (BRABATT 1/17).
Minustah
A MINUSTAH é a Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU pela resolução 1542 de 2004. Dado um histórico de conturbadas reviravoltas políticas e tensões internas, no referido ano uma crise interna de grandes proporções eclodiu, culminando com a deposição do presidente Aristide a época, e uma crise humanitária subsequente. Essa conjuntura foi analisada como comprometedora da segurança da região e da paz internacional, pois poderia abrir precedentes a outros golpes de estado pelo Caribe e América Central.
Desde a resolução 1529, também do Conselho de Segurança e também de 2004, uma Força Multinacional já se fazia presente no Haiti atuando na tentativa de resguardar os direitos humanos, contribuir na restauração da ordem e proteção de ONGs e Organismos Internacionais, mas a escalada da crise resultou na resolução 1542 e consequente criação da MINUSTAH. A MINUSTAH apresenta um componente civil e outro militar, o Brasil dados o longo histórico em bem sucedidas participações em missões da ONU e a política internacional foi selecionado para comandar o componente militar da MINUSTAH. O primeiro Force Commander da MINUSTAH foi o Gen. Augusto Heleno Ribeiro Pereira.
Ao longo da missão diversas ações e projetos resultaram na melhoria da segurança, fortalecimento das instituições governamentais e no desenvolvimento do país. Avanços esses que serviram de exemplo a problemas brasileiros tais como as UPP nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. No entanto, as diversas catástrofes naturais que assolaram/assolam, culminando em 2010 com um terremoto de 7 graus de magnitude, o Haiti destruíram todos os avanços alcançados e fizeram a missão regredir.
Na MINUSTAH o Brasil além de Force Commander possui o maior efetivo, composto por dois Batalhões de Infantaria de Forças de Paz (BRABATT 1 e 2) e uma Companhia de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY). Cada contingente reveza-se a cada 6 meses. Subordinado ao BRABATT 1 encontra-se ainda um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais e mais recentemente um Pelotão da FAB, contingentes militares de outros países Sul-Americanos também encontram-se subordinados, exemplo: Paraguaios, Bolivianos e Peruanos. Militares Peruanos e Bolivianos se revezam a cada contingente.
BRABATT 1/17
O 1º Batalhão de Infantaria de Forças de Paz, do 17º contingente, é composto por cerca de 800 militares, todos voluntários, e de todo Brasil, dos quais 200 são oriundos de Organizações Militares em Natal. Ainda compõem o BRABATT 1/17, um oficial do Peru no Estado-Maior Especial, um GptOpFuzNav com 240 militares, um pelotão da FAB e um pelotão do Paraguai, com cerca de 30 militares. Para esse contingente foi escolhida a cidade de Natal-RN para a realização do Exercício de Força de Paz e concentração das tropas para o envio ao Haiti.
O Exercício de Força de Paz é a última fase do treinamento para o contingente, fase essa onde os conhecimentos teóricos e práticos adquiridos durante os cursos e treinamentos preparatórios a missão de paz são postos em prática e avaliados ante população não-combatente e de condições socioeconômicas mais similares quanto possível ao do cenário haitiano.
Nessa fase, os possíveis cenários a serem encontrados no Haiti são treinados em nível de Batalhão, esses cenários não se reduzem aos aspectos estritamente militares (distinção difícil de se realizar na atualidade), as atividades de ACiSo, ou na linguagem da ONU, CIMIC também são treinadas junto a população carente.
Natal-RN sedia o exercício realizado pelo BRABATT 1/17, as razões para escolha de Natal foram o clima tropical que lembra o Haitiano, cerca de 25% do contingente encontrar-se servindo em unidades de Natal e um rodízio realizado pelo MD entre as unidades das diversas regiões brasileiras para que o maior número quanto possível possam ter contato com um ambiente operacional real. Outros contingentes tiveram a participação de militares aquartelados em Natal, inclusive em outras Missões de Paz que o Brasil tomou parte , como o 7ºBECmb na UNAVEM III.
O Exercício de Forças de Paz do BRABATT 1/17 foi realizando do período de 15 à 26 de outubro. Durante o referido período diversos treinamentos e exercícios foram realizados por toda cidade, especialmente em regiões carentes e próximas ao 16ºBIMtz.
Entre os principais treinamentos realizados encontram-se o de segurança de eleições; patrulhas à pé, motorizada e mecanizada -diuturnas – a ultima modalidade com apoio do 16RCMec; Pontos Fortes e checkpoints; e combate em ambiente urbano. Ações de Combate a Acidentes Naturais e de Cooperação Civil e Militar tiveram uma ênfase no treinamento, sendo as mesmas realizadas junto as comunidades carentes de Natal e Região Metropolitana.
Dado período eleitoral Haitiano ocorrer durante a atuação do referido contingente no Haiti, as ações de GLO foram treinadas exaustivamente, houve um treinamento dedicado ao uso de agentes não-letais tais como: gás lacrimogênio, spray de pimenta e carabina 12 com balas de borracha.
A proporcionalidade de resposta a ameça é um dos princípios das restritas regras de engajamento que envolvem as missões de paz, para tanto, o uso de agentes não-letais é enfático. Tonfas, Cacetes elétricos, Gás Lacrimogênio, spray de pimenta e munição de borracha fazem parte do cotidiano de treinamento e operacional do BRABATT 1.
Outra ferramenta menos visivel, mas de resultado tão significante quanto, são a inteligencia emocional (para alguns autores da psicologia, biologia e sociologia) e as instruções socioculturais as quais o contingente é submetido. Conhecimento elementares do Francês, Inglês e principalmente do Créole são necessários da maior parte do contingente, inclusive todo ele sendo capaz de executar o hino haitiano em créole.
Nem sempre os meios não-letais surtem efeito esperado, dessa forma o uso de armamento letal é necessário; o armamento letal empregado para legitima defesa é o fuzil Imbel M964A1 e a pistola Imbel 9mm para o EB e os Fuzileiros Navais utilizam os fuzis Colt M16A2 e M4.
As CIMIC/ACiSo também foram efetuadas com destaque ao quadro de saúde e apoio a saúde envolvido. Composto por Médicos, Dentistas, Psicologo, Fisioterapeuta e profissionais da Enfermagem, quatro mulheres fazem parte desse quadro. Três médicas e uma dentista, das médicas duas são da MB e apoiarão diretamente os FuzNav.
A esfera da espiritualidade não foi descartada, no presente contingente encontram-se um capelão evangélico e BRABATT 1/17 irá um capelão católico. O contato com os familiares é indispensável e sua obrigatoriedade é regulada pela ONU, para tanto os contingentes dispõem de telefonia via satélite, internet Wifi de alta-velocidade e serviço postal/correios. Ressalva-se apenas a divulgação de informações que possam comprometer a segurança e o sucesso de operações e da missão em si.
Uma vez a cada contingente um navio da MB realiza apoio logístico em prol do contingente envolvido na MINUSTAH, para o 17º CONTBRAS, o navio partirá do Rio de Janeiro no dia 29 de outubro com previsão de chegar ao Haiti no dia 19 de novembro. Os principais suprimentos levados serão Equipamentos pesados, sobressalentes e alguns víveres. A FAB também realiza uma série de voos regulares para o apoio logístico de cada contingente, suprindo especialmente munições, transporte de víveres e pessoal.
O Exercício chamou bastante atenção da mídia local que produziu diversas reportagens no rádio, televisão e jornais. A Comunicação Social teve seu trabalho aumentado, mas também serviu de treinamento para o que haverá no Haiti. Foi simulada inclusive uma coletiva de imprensa com estudantes de comunicação social e relações internacionais de uma instituição de ensino superior da cidade.
Agradecimentos ao Cel. Rogério Franco Rozas, Comandante do BRABATT 1/17, ao G10 do BRABATT1/17 nas pessoas do CC Collaço e do Sgt Barros.
A Rússia estuda a proposta da Liga Árabe de mobilizar uma força conjunta da ONU e dos países árabes na Síria, mas considera que antes é necessário um cessar-fogo, disse nesta segunda-feira em Moscou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.
“Estudamos esta iniciativa e esperamos que nossos amigos nos países árabes esclareçam alguns pontos. Para mobilizar uma força de paz, é necessária a autorização da parte que a recebe. Precisa-se de algo que se pareça com um cessar-fogo”, disse Lavrov.
No entanto, considerou que será um objetivo difícil de ser cumprido porque “os grupos armados que combatem o regime sírio não obedecem a ninguém e não são controlados por ninguém”.
A oposição síria, por sua vez, considera impossível iniciar negociações até que o presidente Bashar Assad abandone o poder.
Lavrov, que na semana passada viajou à Síria, convocou nesta segunda-feira novamente os opositores a iniciarem negociações e lembrou que o regime havia proposto realizar negociações com o vice-presidente, Faruk Chareh.
“Deveriam utilizar esta oportunidade e lançar um diálogo com o vice-presidente. Agora é a oposição quem tem a palavra”, considerou o ministro russo.
UNIÃO EUROPEIA
A União Europeia disse nesta segunda-feira que apoia a iniciativa da Liga Árabe na Síria, incluindo o pedido ao Conselho de Segurança para formar uma força conjunta dos países da ONU e da Liga para acabar com a violência no país.
“Nós apoiamos fortemente qualquer iniciativa destinada que ponha fim imediato à repressão sangrenta “, disse Michael Mann, porta-voz da chefe da diplomacia europeia declarou Michael Mann, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.
“Estamos em contato constante com o secretário-geral da Liga Árabe e a ONU para examinar a forma de colocar isto em prática o mais rápido possível”, completou.
Segundo o porta-voz, as decisões tomadas no domingo pelos ministérios das Relações Exteriores da Liga Árabe são “corajosas” e firmam “o claro compromisso e a liderança que a Liga Árabe assume para resolver a crise na Síria”.
CHINA
Também nesta segunda-feira, a China indicou que apoia uma solução que passe pelo “diálogo”, mas não se pronunciou sobre a proposta da Liga Árabe.
“A China apoia e convoca a Liga Árabe a seguir com seus esforços de mediação política”, declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Liu Weimin.
“A ação da ONU deve permitir reduzir as tensões na Síria e favorecer o diálogo político para solucionar o conflito”, acrescentou. “A China apoiará as ações da comunidade internacional que são compatíveis com as propostas da China”, disse ainda Weimin.
A Rússia e a China são os princiapais apoiadores do regime de Assad. Ambos bloquearam em duas ocasiões resoluções do Conselho de Segurança da ONU de condenação da repressão na Síria, que ocorre há quase um ano. Eles consideram que os textos devem reconhecer a parte de responsabilidade da oposição na violência.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira a redução das tropas de paz no Haiti e anunciou que, a partir do ano que vem, cerca 3.300 soldados serão retirados do país.
Com a decisão, o total de militares da missão será reduzido para 10.500 – mesmo número de soldados que estava no país antes do terremoto, que devastou partes do país em janeiro de 2010.
Segundo a ONU, a redução se justifica porque, apesar de frágil, a situação da segurança do país melhorou.
O porta-voz do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes, confirmou à BBC Brasil que 257 dos 2.200 militares brasileiros deixarão o país.
O ministro da Defesa, Celso Amorim, já havia anunciado a retirada parcial, em março de 2012, dos brasileiros da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), cujo comando militar é liderado pelo Brasil.
“Essa posição, que já havia sido coordenada com a Defesa, foi aprovada por consenso hoje”, afirmou Nunes.
“E o chanceler (Antonio Patriota) aproveitou a visita da primeira-dama haitiana, Sophia Martelly, ao Brasil para elogiar a formação do novo governo e para reiterar o engajamento do Brasil com o desenvolvimento do Haiti, seguindo os desejos da população.”
Popularidade em queda
O plano da ONU prevê a redução dos atuais 7.340 soldados para 3.241 no próximo ano. Muitos haitianos, no entanto, vêm pedindo a retirada total das forças da ONU no país.
Isso porque a popularidade da Minustah entre os haitianos vem caindo os últimos meses, principalmente pelas acusações de que os soldados da ONU vindos do Nepal foram os responsáveis por levar a cólera ao país, que matou cerca de 6 mil pessoas.
A situação da missão se agravou no mês passado, quando foi publicado na internet um vídeo nas quais militares da força de paz uruguaios supostamente estupraram um haitiano de 18 anos.
O governo do Uruguai determinou o retorno imediato dos cinco “capacetes azuis” do país acusados de envolvimento no caso.
Progressos
A Minustah foi criada pelo Conselho de Segurança em 2004 e desde então vem auxiliando as policiais a manter a segurança do país, especialmente durante as eleições, que foram marcadas por fraude e revoltas.
A missão é formada por soldados provenientes de 18 países, principalmente latino-americanos.
Apesar da melhora na segurança do país, a resolução da ONU expressou “preocupação com os novos crimes que se popularizaram após o terremoto, como assassinatos, estupros e sequestros na capital Port-au-Prince e nos departamentos no oeste.”
Mas o conselho afirmou que o Haiti “teve progressos consideráveis” desde o tremor: “Pela primeira vez em sua história, o Haiti está passando por uma transferência pacífica de poder.”
O país ainda enfrenta um imenso desafio no que diz respeito à reconstrução pós-terremoto, que matou mais de 250 mil pessoas.
FONTE: BBC Brasil
Nota do Editor: A retirada dos 257 soldados brasileiros já era esperada pois esse contigente “extra” foi enviado para auxiliar os trabalhos de resgate e reconstrução do Haiti após o terremoto sendo mantido a Tropa para Manutenção da Paz.
As chuvas dos últimos dias em Santa Catarina deixaram mais de sessenta municípios catarinenses em estado de calamidade pública ou emergência. O governador catarinense Raimundo Colombo aceitou de pronto o auxílio oferecido pelo governador do Paraná, Beto Richa, que enviou policiais militares do Grupamento Aéreo (GRAER) para apoiar as ações de socorro às vítimas. Os PMs paranaenses retornaram nesta quarta-feira (14) ao Quartel do Comando Geral, em Curitiba.
Em 2008, noutra situação de enchentes, policiais militares do Paraná também participaram dos trabalhos de resgate às vítimas. Esse ano foram enviados pelo Comando Geral da PMPR quatro policiais e bombeiros militares: piloto e co-piloto e dois PMs especializados neste tipo de ocorrência. A equipe de PMs e BMs do Paraná atuou em várias frentes desta calamidade.
A aeronave enviada à Santa Catarina foi a Falcão 3, com capacidade de transporte para sete pessoas, e que também suporta mais de mil quilos de carga pendurada. Para o capitão William Fávero, comandante da aeronave, o suporte oferecido pelo governo paranaense aos catarinenses reforça o compromisso da PMPR em servir e proteger. “Já voamos 17 horas e transportamos 2500 quilos de gêneros e dez pessoas com condição precária de saúde”, explicou Capitão Fávero.
O helicóptero Falcão 3 se envolveu em várias missões em Santa Catarina, como resgate aéreo médico, patrulhamento em áreas sensíveis, transporte de alimentos, medicamentos, materiais de limpeza, tropas, médicos, pessoas ilhadas e outras. Várias missões desenvolvidas pelos PMs paranaenses foram emocionantes, algumas delas foram lembrada pelo Capitão Fávero.
“O transporte de uma senhora de 87 anos para o hospital para que ela fizesse hemodiálise foi uns dos destaques na missão”. Outra situação enfrentada pelos PMs do GRAER foi o transporte de bolsas de plaquetas, para atender pessoas com ferimentos hemorrágicos. “Uma das pessoas que recebeu as plaquetas não sobreviveria se não houvesse o transporte aéreo”, conta Capitão Fávero.
Em Santa Catarina, a situação começa a ser normalizada, ao ponto que os níveis de água dos rios começam a baixar e os moradores a retornar para as casas. Esta enchente fez com que mais de 60 mil catarinenses deixassem suas casas e afetou o abastecimento de água de mais de 200 mil pessoas.
A Embaixada do Brasil no Japão e o Consulado-Geral do Brasil em Tóquio preparam para amanhã (18) uma nova operação de resgate de brasileiros que vivem na região de Miyagi, onde está a cidade de Sendai, que sofreu tremores intensos de terra e tsunamis. Serão enviados dois ônibus, um caminhão e uma van para a região. O Ministério das Relações Exteriores informou que os brasileiros retirados de Sendai serão levados para Tóquio.
Anteontem (15) foi resgatado um grupo de 25 brasileiros que moravam nas áreas de Miyagi e Fukishima – onde houve os acidentes nucleares. Do total de 254 mil brasileiros que vivem no Japão, 777 estavam em áreas consideradas de risco em decorrência dos tremores de terra, tsunamis e acidentes nucleares.
As regiões consideradas pelas autoridades como mais delicadas são Fukushima – por causa das explosões e vazamentos nucleares – e Miyagi, Iwate e Aomori – ameaçadas por causa dos acidentes naturais.
De acordo com o Itamaraty, há um esquema de plantão tanto na Embaixada do Brasil no Japão, quanto nos três consulados em funcionamento no país. Paralelamente, há funcionários da representação brasileira que percorrem as áreas mais atingidas para levantar as necessidades e entregar mantimentos.
No site do consulado do Brasil em Tóquio há uma relação dos locais que funcionam como abrigos em várias cidades japonesas. A maioria dos locais transformados em abrigos é de escolas primária e secundária. Para mais informações o endereço eletrônico é o do Setor de Assistência a Brasileiros (assistencia@consbrasil.org).
Em uma entrevista exclusiva com o Sunday Telegraph, o brigadeiro James Bashall, comandante da Operação “Deference”, codinome para o resgate britânico, revelou que parte da missão teve que ser abortado após ameaças dos líbios.
O Brigadeiro Bashall, 48, comandante geral da Força Conjunta (JFHQ), que planejou a operação de resgate SAS, disse que se um dos aviões de transporte Hércules C-130 fosse derrubado ou forçado a pousar “a missão humanitária teria se transformado em uma crise”.
Bashall, um ex-paraquedista, disse: “Foi um momento tenso, estávamos voando para o desconhecido O Líbia já teve defesas superfície-ar formidáveis e eles ainda podem ter.
“Eles certamente tinham a capacidade de abater um Hércules e se isso tivesse acontecido a operação teria ido de ser uma missão de resgate humanitário para algo muito diferente. Preocupava-me, dada a capacidade de líbios, e eu temia que eles podem não ser tão racionais como imaginávamos. Assim que a surgiu a ameaça eu disse para a aeronave voltar, não tinha escolha. Felizmente tinha dois outros aviões a caminho. Toda a operação militar envolve riscos -.. você nunca vai chegar lá para nada ”
O brigadeiro, que serviu no Iraque, Afeganistão e Irlanda do Norte, disse que sua organização que se especializou em resgatar cidadãos britânicos em países envolvidos em combate, foi convidado pelo “Foreign and Commonwealth Office” para prestar assistência em missões de evacuação de pessoal não combatente (NEO) na terça-feira, 22 de Fevereiro.
Falando a partir do centro de operações em Malta, o Brigadeiro Bashall disse: “Eu acompanhava a situação pelo noticiário, mas não tinha sido convidado a fazer nada até que terça-feira. Naquela noite nós havíamos inserido uma equipe em Malta e outra em Creta – eram oito por equipe e cada um com um conjunto de habilidades especiais. Logo na manhã de quinta-feira, despachamos uma equipe para Trípoli, que incluiu também uma equipe de infiltração rápida a partir do FCO. A equipe que estava em Creta se juntou à tripulação da fragata HMS Cumberland, que foi desviada de uma viagem de volta para o Reino Unido e se dirigiu para Benghazi. ”
Na chegada a Benghazi, a HMS Cumberland evacuou 425 civis, dos quais 119 britânicos, em duas viagens ao longo de poucos dias, mas o verdadeiro desafio para Brigadeiro Bashall e sua equipe foi tentar localizar cidadãos do Reino Unido isolados no deserto.
Para a próxima fase da missão equipes do SAS (Special Air Service) voaram para Malta em helicópteros Chinook para participar do resgate.
O Brigadeiro Bashall continuou: “O maior desafio para a minha equipe era o resgate de 150 cidadãos britânicos isolados em torno de campos de petróleo no deserto. O problema foi agravado pela dispersão e localização, além do confuso relato de onde eles estavam. Então passamos a quinta e a sexta-feira construindo uma imagem de onde eles estavam. A maioria das informações foram passadas por equipes de reconhecimento que estavam atuando em Trípoli que tinha contato telefônico e e-mail com eles. Então começamos a ter uma visão de onde as pessoas estavam no deserto . No sábado eu estava confiante de que tínhamos o suficiente para lançar C-130 para o deserto e começar o resgate.”
A missão inicialmente seguiu com o planejado, com os três C-130 aproximando-se da costa líbia pela manhã do Sábado bem cedo. Bem acima dos aviões de transporte uma aeronave de vigilância da RAF monitorava os acontecimentos, observando e ouvindo a qualquer sinal de que os líbios estavam prestes a lançar um ataque.
O brigadeiro continuou: “De acordo com o nosso dever de proteger os cidadãos britânicos no exterior, penetramos no espaço aéreo líbio em direção à uma série de campos de pouso 150 milhas ao sul da costa.
“Todas as aeronaves procuraram comunicação com o controle aéreo líbio para explicar o que estavam fazendo para resgatar cidadãos britânicos. As duas primeiras aeronaves não obtiveram resposta. Quando a terceira aeronave fez contato via rádio, os líbios responderam para “darmos meia volta ou seríamos interceptados.” “Foi um momento tenso. Então eu pensei em vez de arriscar, eu vou trazer a aeronave de volta. Eu não tinha certeza do que eles estavam planejando fazer, era uma ameaça vaga, mas eu esperava que eles lançassem seus jatos contra nós – derrubá-lo ou forçá-lo apousar – nós não sabemos o suficiente sobre seus sistemas para saber o que aquilo significava.
“Se eles tivessem derrubado nosso avião todo a situação teria mudado, passando de uma operação humanitária para algo muito diferente, eu olhei para o risco e tomei uma decisão em cada fase da operação, para continuar ou dar meia volta – você decide se vai ou não vai a cada instante.”
Havia agora uma possibilidade muito real de que as duas aeronaves C-130 seriam recebidas de forma hostil nos respectivos campos de pouso.
O brigadeiro acrescentou:. “A maior ameaça naquele momento era uma possível reação no solo. Não sabíamos como seríamos recebidos, porque não tínhamos certeza do quem controlando o aeródromo, se eles ainda eram pessoas ligadas a Kadafi, em um cenário confuso, em que você está caminhando para uma guerra civil, simplesmente não sabe onde reside a autoridade.
“Em alguns localidades, tivemos um contato com pessoas que utilizavam telefone por satélite e foram capaz de nos dizer quantas pessoas estavam lá e que era seguro, caso contrário, teríamos que arriscar e avaliar a situação uma vez que estivéssemos no chão. ”
Assim que o avião pousou as tropas do SAS a bordo se prepararam para uma eventual ação, esperando pelo melhor e planejando para o pior. Os soldados foram alertados de que havia o risco de alguém levar para bordo da aeronave uma bomba.
O brigadeiro Bashall continuou: “O trabalho deles (SAS) foi fazer uma avaliação da situação no terreno, verificar todos que subiam a bordo e suas identidades. Como havia o risco de que alguém levar para bordo uma bomba antes de deixá-los entrar.
“Nós permanecíamos no chão por cerca de uma hora e meia em cada local. Em alguns locais, os moradores não eram amigáveis, em todos os locais tinham pessoas com armas ao redor do aeródromo. Nós não tínhamos certeza de quem eles eram ou qual era a estrutura de comando.
“No último voo do domingo, o avião se aproximou da pista e o campo de pouso foi bloqueado. O piloto circulou e demonstrou sua intenção de pousar como forma solicitar o desbloqueio da pista. Um desconhecido no solo disparou uma rajada na direção da aeronave, um dos tipos ricocheteou no capacete do piloto – o avião subiu até uma altura segura e voltou a Malta.
“No domingo nós refinamos a nossa abordagem, porque pudemos entrevistar aqueles que haviam sido resgatados e perguntamos se eles sabiam de quaisquer outras áreas onde não havia cidadãos do Reino Unido.”
” O brigadeiro Bashall descreveu a operação como sendo “razoavelmente tensa”, mas acrescentou: “Todo mundo foi muito profissional, mas havia uma tensão porque muito do que era desconhecido – estávamos entrando no desconhecido e, nessa fase, você tem que confiar em sua equipe, eu acho. Foi uma operação fantástica de sucesso – quando você ouvir as histórias das pessoas que foram resgatadas. – eles estavam tendo um tempo muito tórrida e eles foram muito grato ”
Após a primeira missão de resgate no sábado passado, o Primeiro-Ministro falou ao brigadeiro Bashall no telefone. “Ele disse bem feito, bom trabalho e, obviamente, que foi muito bem recebido por todos aqui.”
Na tarde de hoje, 15 Fev, os helicópteros do Exército Brasileiro que participam da missão humanitária na Colômbia, coordenada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, chegaram ao aeroporto da cidade de Cali (cerca de 300 Km a oeste da capital Bogotá), para dar sequência à operação de resgate de reféns libertados pelas FARC.
Para amanhã, 16 Fev, a previsão é de serem regatados o major de polícia Guillermo Sollórzono e o cabo do Exército Salin Sanmiguel.
Helicópteros do Exército Brasileiro em missão humanitária na Colômbia chegam à localidade de Ibagué para a última missão de resgate
Os dois helicópteros Cougar, do Exército Brasileiro, em missão humanitária de apoio ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na Colômbia, chegaram na tarde de hoje, dia 12 Fev, na localidade de Ibagué, situada a cerca de 180 Km a oeste da capital Bogotá, para cumprirem, no dia 13 Fev, a última etapa dos resgates de reféns libertados pelas FARC.
A previsão da chegada dos helicópteros ao Brasil, por término de missão, é no 17 Fev (quinta-feira), com pouso no 4º Batalhão de Aviação do Exército, cuja sede é na cidade de Manaus-AM.
Missão humanitária da Cruz Vermelha na Colômbia, apoiada pelo Exército Brasileiro, realiza resgate de mais dois sequestrados
Por volta de 18:50 hs (horário de Brasília), o helicóptero Cougar, do Exército Brasileiro, designado para transportar os delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), pousou no aeroporto da cidade de Florência, trazendo os dois seqüestrados libertados pelas FARC.
No decorrer dessa operação, o outro helicóptero Cougar, que permanecia em prontidão no aeroporto de Florência para qualquer contingência, foi acionado pela Cruz Vermelha para realizar o resgate de um soldado, do Exército Colombiano, ferido por uma mina terrestre no interior da selva, que aguardava socorro num local de difícil acesso situado a 44 milhas náuticas da cidade de Florência.
Amanhã, dia 12 Fev, os helicópteros seguirão para a localidade de Ibague, cerca de 180 km a oeste de Bogotá, para no dia seguinte, 13 Fev, resgatar mais dois militares sequestrados.
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Desenvolvimento de uma Mentalidade de Defesa no Brasil
A sociedade brasileira não demonstra ainda grande interesse pelos assuntos diretamente ligados à defesa nacional e o tema não é prioritário para as lideranças e os formadores de opinião do País.
A Estratégia Nacional de Defesa apresenta dentre suas metas o desenvolvimento de uma mentalidade de defesa na sociedade. Nesse sentido, A "trilogia" Forças de Defesa tem como objetivo tornar os assuntos de defesa parte da agenda nacional, a ponto de influenciar decisivamente as políticas governamentais no futuro.
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