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Americanos terão comando separado de brasileiros

Rodrigo Rangel

vinheta-clipping-forteEmbora lidere a missão de paz da ONU no Haiti, o Brasil não coordenará a ação dos 5 mil soldados americanos que chegarão nos próximos dias para auxiliar no socorro às vítimas do terremoto de terça-feira. Nas próximas horas, 3.500 paraquedistas dos EUA devem desembarcar no país caribenho. Outros 2 mil fuzileiros serão enviados em seguida. Com este contingente, o Brasil deixará de ser o país com o maior número de militares no país.

Até o terremoto, o Brasil tinha 1.266 militares do Exército em ação no território haitiano, todos subordinados à Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Dezenove países integram o efetivo militar da força de paz, que conta com 7 mil homens espalhados pelo país. “Cada país que enviar militares comandará o seu pessoal”, disse uma fonte do Exército brasileiro. O maior temor agora é que a população faminta ataque os caminhões da ONU que transportarão os suprimentos. A segurança no aeroporto deverá ser reforçada e a ajuda deverá sair em comboios escoltados por militares.

FONTE: O Estado de São Paulo, via Notimp

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O prédio que matou 10 brasileiros

Pto forte 22 casa azul - foto via sangueverdeoliva

vinheta-clipping-forteDos 14 mortos confirmados até ontem entre os militares brasileiros no terremoto do Haiti, nada menos que 10 perderam a vida em um único local: o Ponto Forte 22 (uma espécie de posto avançado), mais popularmente conhecido como Casa Azul, em Porto Príncipe. O prédio ruiu na terça-feira, sepultando os soldados. Estive no local em abril de 2007, acompanhando as tropas brasileiras da Minustah, e me surpreendi com a quantidade de furos de bala espalhados pela construção – pintada, como o nome indica, de azul. Nos andares inferiores, uma pequena guarnição descansava. No piso superior, militares apontavam suas armas para Cité Soleil, um aglomerado de favelas à beira-mar, na época recém-pacificado. A tomada da Casa Azul pelos brasileiros, em janeiro daquele ano, foi, justamente, fundamental para pacificar Cité Soleil. Até então, o edifício de três andares era utilizado por gangues para dominar a principal estrada do país, a Rodovia Nacional 1.

– O prédio era mais alto do que os demais. De lá, as gangues disparavam contra alvos na estrada e dificultavam o trânsito das tropas – lembra o coronel Pedro Aurélio de Pessoa, comandante do Centro de Instrução de Operações de Paz Sergio Vieira de Mello.

Conquistada, a Casa Azul passou a ser uma base avançada estratégica, que abrigava em torno de 20 militares:

– Era um local que irradiava segurança para a população do entorno. Deixamos as marcas de tiros na fachada para que os habitantes não se esquecessem o motivo de estarmos lá – conta Pessoa.

Abalo histórico para o Exército

A força da natureza acabou gerando nos soldados brasileiros mais traumas do que todas as incursões militares realizadas após a II Guerra Mundial.

Nunca, em tempos de paz, o Exército do Brasil sofreu um revés como o provocado pelo terremoto no Haiti. Tanto que, ao visitar o Batalhão Brasileiro em Porto Príncipe, ontem, o ministro da Defesa Nelson Jobim ressaltou que “muitos estavam deprimidos pela perda de companheiros”.

Os 14 mortos, quatro desaparecidos e 14 feridos contabilizados pelo Exército são uma derrota histórica, para um inimigo contra o qual não há preparo bélico possível. Desde a última guerra mundial, quando o país perdeu mais de 400 militares na Itália em luta contra os nazistas, não morriam tantos pracinhas brasileiros em ação.

– Estamos no Haiti desde 2004, levando tiro, e nunca tivemos um combatente morto pelo inimigo, nunca fomos derrotados em combate. Para desastres climáticos, não há treino que prepare. Um militar não espera que o teto desabe sobre sua cabeça – desabafou o general da reserva Gilberto Figueiredo, presidente do Clube Militar, entidade porta-voz oficial das Forças Armadas.

O gaúcho Figueiredo está correto. O desastre provocado pelo terremoto não tem precedentes nem no Haiti, nem nas outras Missões de Paz nas quais o país se envolveu desde a II Guerra. Em Angola, onde soldados brasileiros permaneceram por três anos, o Brasil perdeu três militares – dois por malária, um abatido a tiros por saqueadores. Em Moçambique, não ocorreram baixas fatais, tampouco em Timor Leste, para ficar nas incursões recentes.

Nelson Düring, diretor do site especializado Defesanet.com.br, nota que a tragédia no Haiti acontece numa missão em que tudo deu certo para o Brasil. Ele diz que o pânico das Forças Armadas é ter de explicar à nação quando caixões com militares começarem a desembarcar.

– O curioso é que o túmulo de tantos soldados, agora, tenha sido o Ponto 22. Justamente o local da maior vitória brasileira no Haiti, o forte conquistado em fevereiro de 2007 às gangues, coroando a missão maior dos brasileiros, de dar segurança àquele povo – lamenta Düring.

Militares têm retorno adiado

Os 41 militares que estão lotados no Comando Militar do Sul e participam da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti não retornarão ao Brasil no sábado, como previsto. Eles completaram os seis meses de missão no país e o comando preparava sua recepção no país, mas o terremoto que atingiu o Haiti na terça mudou os planos. Não há nova data prevista para o retorno.

O chefe da Comunicação Social do Comando Militar do Sul, coronel Sylvio Cardoso, disse que a permanência deve considerar que o grupo tem experiência no país, por integrar a Companhia de Engenharia Haiti.

FONTE: Zero Hora, via Resenha CCOMSExNotimp

FOTO: Portal sangueverdeoliva – Haiti – Operações de Manutenção da Paz (foto tirada em ocasião de visita de equipe do Domingão do Faustão e cantor de rap MV Bill, em março de 2009)

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Ministério da Defesa – Nota à Imprensa nº 5

Brasil deflagra plano emergencial de socorro ao Haiti

O governo brasileiro inicia nesta quinta-feira (14/01) um plano emergencial para enfrentar os cinco problemas mais graves detectados pelas autoridades brasileiras que atuam no Haiti, atingido por forte terremoto na última segunda-feira: sepultamento dos mortos; socorro médico aos feridos; remoção de destroços; reforço da segurança nas operações; e distribuição de suprimentos, principalmente água e comida.

O Plano foi traçado em reuniões do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e representantes de órgãos do governo brasileiro que integram sua comitiva em viagem ao Haiti, com o general brasileiro Floriano Peixoto, que comanda a Força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) a Minustah, formada por aproximadamente 7 mil homens de diversos países. Deste total, 1.266 formam o Batalhão Brasileiro (Brabatt), comandado pelo Coronel João Batista Carvalho Berbardes.

O Plano foi elaborado também com a participação do embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, da embaixatriz Roseana Kipman, do ministro-interino da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Rogério Sotili, e do representante do Ministério da Saúde Guilherme Franco Neto, entre outros.

O ministro Jobim, após receber uma avaliação da situação em Porto Príncipe das autoridades brasileiras, explicou que tinha sido enviado pelo presidente Luis Inacio Lula da Silva para avaliar a situação e estabelecer uma estratégia de auxílio, após as ações de emergência adotadas nos primeiros momentos da tragédia. Jobim observou que a população associa a missão de paz ao Brasil, mais que aos organismos internacionais.

Portanto, caberia ao Brasil empreender suas próprias iniciativas, possíveis de serem realizadas com seus próprios meios, e paralelamente buscar reforço dos demais países e organismos internacionais. A avaliação é que, como o terremoto matou integrantes da ONU e de outros setores que atuam no Haiti, pode haver alguma demora na resposta desses organismos. “Não podemos esperar; se há problemas, temos de passar por cima dos problemas”, disse Jobim. Nesta quinta-feira o ministro discutirá o plano com o presidente do Haiti , René Préval, e com líderes religiosos.

O ministro Jobim e os comandantes do Exército, General Enzo Peri, e da Marinha, Almirante Moura Neto, também visitaram as tropas atingidas pelos desabamentos. Muitos estavam feridos e outros deprimidos pela perda de companheiros. “Sabemos do trabalho que vocês realizam aqui, a embaixatriz nos contou do empenho com o qual vocês ajudam nas atividades sociais. Viemos trazer os nossos parabéns e os nossos agradecimentos, e esperamos a pronta recuperação de vocês”.

Nesta manhã, Jobim fez relato das medidas ao presidente Lula e recebeu deste a informação de que serão enviados 50 bombeiros e cães farejadores.

Essas são os principais ações:

1) Escombros – O Batalhão de Engenharia do Exército deverá receber reforço de 15 engenheiros e equipamentos pesados da construtora OAS, que realiza obras no Haiti e se ofereceu a ajudar nas ações emergenciais. As equipes trabalharam na remoção de escombros de prédios destruídos, para liberar o trânsito, e para resgatar corpos e feridos ainda vivos. A obstrução das ruas no primeiro dia impediu o deslocamento de máquinas para os pontos de maior gravidade, onde o socorro só podia ser feito por civis e militares que chegavam a pé. Também serão enviados 50 bombeiros brasileiros, com caes farejadores;

2) Atendimento médico – Há um colapso nos serviços de saúde, já que os hospitais também desmoronaram. Em frente do batalhão brasileiro há um acampamento de pessoas que buscam socorro. Diante das limitações de meios, os militares brasileiros socorreram as que apresentam maior gravidade e montaram um hospital de emergência sob a cobertura de uma garagem. Nesse cenário de guerra, iluminado por holofotes de emergência, cerca de 70 pessoas são atendidas dia e noite por médicos militares. Algumas estão mutiladas.

De imediato, foi determinado à Aeronáutica o envio de um hospital de Campanha, operado por 40 profissionais de saúde e com mil metros quadrados. A expectativa é de que seja embarcado nesta quinta-feira, do Rio de Janeiro. Também deverá ser enviado hospital de campanha da Marinha. O Ministério da Saúde também já embalou kits de medicamentos para atendimento básico de 10 mil pessoas, e a partir das avaliações da comitiva complementará com outros produtos. Foi solicitada também às autoridades americanas ajuda imediata com medicamentos e também o envio de médicos e hospitais de campanha.

3) Corpos – Há grande preocupação com a existência de cadáveres abandonados nas ruas, o que pode provocar epidemias. Algumas pessoas estão sepultando seus mortos em encostas, com risco de exposição dos cadáveres nas chuvas. As autoridades brasileiras irão propor ao governo haitiano que indique uma área para instalação de um cemitério, para que os engenheiros brasileiros ajudem nos sepultamentos.

Um cuidado especial será tomado com os praticantes do Vodu, religião com forte presença no Haiti. Os parentes não aceitam que toquem em seus mortos enquanto não forem concluídos seus rituais. Nesse caso, a saída será os engenheiros abrirem as covas no novo cemitério e oferer aos familiares para que eles próprios procedam os rituais e o sepultamento naquele local, em condições sanitárias adequadas.

Os brasileiros mortos estão em câmara frigorífica do Brabatt. A ONU cuida dos procedimentos burocráticos necessários ao traslado para o Brasil. O procedimento é necessário para evitar que haja atrasos na tramitação dos processos de indenização às famílias.

4) Suprimentos – Há falta de água e comida para a população. O Brasil começa hoje a enviar ajuda ao Haiti e outros países prometem o mesmo. Mas é necessário montar uma estrutura de armazenamento e distribuição dos alimentos. Ainda hoje o Brabatt deverá concluir levantamento de áreas para armazenamento e de pontos de distribuição nas comunidades.

5) Segurança – Será necessário reforçar a segurança dos comboios de ajuda humanitária e de distribuição de alimentos e de ajuda médica. A avaliação é que, com o agravamento da situação, a população desesperada possa saquear os comboios e invadir os hospitais de campanha, o que paralisaria o trabalho de socorro. Mesmo antes do terremoto, já fazia parte da rotina dos militares fortalecer a segurança das equipes que distribuiam comida e brinquedos nos eventos em Porto Príncipe.

Brasília, 14 Janeiro de 2010

Assessoria de Comunicação Social

Ministério da Defesa

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Imagens do Haiti logo após o terremoto

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Imagens durante o terremoto no Haiti

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Ministério da Defesa divulga lista de 14 militares brasileiros mortos no Haiti

Ministro da Defesa e comandantes do Exército e da Marinha na chegada ao Haiti  - Roosewelt Pinheiro - Agência Brasil

Brasília – O número de militares brasileiros mortos durante o terremoto da última terça-feira (12) no Haiti subiu para 14, de acordo com nota divulgada hoje (14) pelo Ministério da Defesa. São eles:

- 1º Tenente Bruno Ribeiro Mário, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- 2º Sargento Davi Ramos de Lima, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- 2º Sargento Leonardo de Castro Carvalho, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- 3º Sargento Rodrigo de Souza Lima, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Cabo Douglas Pedrotti Neckel, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Cabo Washington Luis de Souza Seraphin, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Soldado Tiago Anaya Detimermani, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Soldado Antônio José Anacleto, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Soldado Felipe Gonçalves Julio, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Soldado Rodrigo Augusto da Silva, do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP).

- Cabo Ari Dirceu Fernandes Junior, do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente (SP).

- Soldado Kleber da Silva Santos, do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente (SP).

- Subtenente Raniel Batista de Camargos, do 37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins (SP).

- Coronel Emilio Carlos Torres dos Santos, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF).

O comunicado informa também que quatro militares continuam desaparecidos:

- Coronel João Eliseu Souza Zanin, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF).

- Tenente coronel Marcus Vinícius Macedo Cysneiros, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF).

- Major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho, do Departamento-Geral do Pessoal, sediado em Brasília (DF).

- Major Márcio Guimarães Martins, do Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista, sediada no Rio de Janeiro (RJ).

Dos 14 homens feridos, dois serão repatriados para o Brasil e dois foram estão internados na República Dominicana, país vizinho ao Haiti.

FONTE/ FOTO (Ministro da Defesa, Nelson Jobim , Comandantes do Exército, general Enzo Peri, e Comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto, na chegada à base brasileira no Haiti -  Roosewelt Pinheiro): Agência Brasil

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Exército atualiza relação dos militares mortos e desaparecidos no Haiti

MINISTÉRIO DA DEFESA
EXÉRCITO BRASILEIRO
GABINETE DO COMANDANTE
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO

ESCLARECIMENTO AO PÚBLICO INTERNO NR 003 – 14 DE JANEIRO DE 2010

Atualizando as informações transmitidas no dia 13 de janeiro, a propósito da tragédia ocorrida no Haiti, o Comando do Exército informa que o número de vítimas entre os militares brasileiros é o seguinte:

Foram confirmados os óbitos de 13 (treze) militares do BRABATT:

5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena-SP.

- 1º Tenente BRUNO RIBEIRO MÁRIO;
- 2º Sargento DAVI RAMOS DE LIMA;
- 2º Sargento LEONARDO DE CASTRO CARVALHO;
- 3º Sargento RODRIGO DE SOUZA LIMA;
- Cabo DOUGLAS PEDROTTI NECKEL;
- Cabo WASHINGTON LUIS DE SOUZA SERAPHIN
- Soldado TIAGO ANAYA DETIMERMANI;
- Soldado ANTONIO JOSÉ ANACLETO;
- Soldado FELIPE GONÇALVES JULIO; e
- Soldado RODRIGO AUGUSTO DA SILVA.

2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em São Vicente-SP.

- Cabo ARÍ DIRCEU FERNANDES JÚNIOR e
- Soldado KLEBER DA SILVA SANTOS.

37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins-SP.

- Subtenente RANIEL BATISTA DE CAMARGOS

MINUSTAH.

- Coronel EMILIO CARLOS TORRES DOS SANTOS, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília-DF.

Além disso, encontram-se desaparecidos 04 (quatro) militares que estavam no Quartel da MINUSTAH (Hotel CRISTOPHER):

- Cel JOÃO ELISEU SOUZA ZANIN, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília-DF;
- Ten Cel MARCUS VINICIUS MACEDO CYSNEIROS, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília-DF;
- Maj FRANCISCO ADOLFO VIANNA MARTINS FILHO, do Departamento-Geral do Pessoal, sediado em Brasília-DF; e
- Maj MÁRCIO GUIMARÃES MARTINS, do Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista, sediada no Rio de Janeiro-RJ.

Há 12 (doze) feridos que serão repatriados para o Brasil e 02 (dois) outros militares foram evacuados para a República Dominicana.

Brasília, 14 de janeiro de 2010.
Gen Bda CARLOS ALBERTO NEIVA BARCELLOS
Chefe do CCOMSEx

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Entrevista do general Torres de Melo

O general indignado

Gen Torres de Melo

Militar reformado, 85 anos de vida, o general Torres de Melo mantem um ritmo de atividades impressionante. No Lar Torres de Melo, na coordenação do grupo Guararapes, trocando emails com todo o Brasil ou acompanhando a política e a vida do País. Ou, como diz e enfatiza, “do meu País”

Torres de Melo é, em essência, um indignado. Mais do que isso, é um militar reformado que caminha para as nove décadas de vida sem perder o foco na preocupação com o futuro do Brasil. Ninguém precisa concordar com as teses que defende, e nem ele diz que pretende que assim o seja, mas sua visão sobre o mundo, especialmente sobre a realidade nacional, a de hoje e a histórica, contemplam uma parte do pensamento nacional que encontra no seu entusiasmo uma voz enfática de manifestação.

Às portas de completar 85 anos de vida, o general Francisco Batista Torres de Melo é daqueles que, goste-se ou não do que diz, aceite-se ou não suas teses, não desperdiça qualquer chance que lhe seja apresentada para defendê-las. Aquela que lhe entusiasma com ênfase maior nos dias atuais aponta a sociedade brasileira contemporânea como resultado de uma “degenerescência” que vem sendo construída ao longo dos anos. E, adverte, que se não for revertida pode levar a uma “revolução social ou coisa pior”.

Reformado do Exército após 44 anos de vida militar ativa, Torres de Melo cumpre uma rotina diária de trabalho como voluntário no Lar Torres de Melo (nome em homenagem ao pai dele), pela manhã. À tarde, numa atividade que entra noite adentro, senta-se diante do computador do escritório montado em seu apartamento para trocar correspondências, responder emails e fazer movimentar o pensamento do Grupo Guararapes (que coordena) sobre a realidade brasileira. Foi no apartamento dele, em Fortaleza, que O POVO conversou com o general Torres de Melo na tarde de 1o de abril.

O POVOComo o senhor analisa a conjuntura brasileira atual?
Torres de Melo - Nós, hoje, recebemos uma massa de informações que nos coloca numa situação muito complicada. Um fato que aconteça na Indochina entra na nossa casa quase ao mesmo tempo, Nós pensamos, então, que o mundo vai se acabar e isso não é verdade. O mundo continua dentro de sua normalidade e o difícil é você compreender essa complexidade de informações que se recebe.

OP - O senhor é otimista em relação ao futuro, já que contraria a ideia de que o mundo caminha para o fim?
Torres de Melo – O problema, para mim, é que o homem esmagou a pessoa humana. O homem não conseguiu se adaptar à vida moderna e, hoje, sofre muito mais do que antigamente. Quando eu era mais novo, na década de 40, 50, o mundo era outro, era uma maravilha. Fortaleza era uma cidade calma, tranquila, porque vivíamos onde nós estávamos morando. O mundo, para nós, não tinha tanta importância e, por exemplo,uma revolta que acontecesse na África do Sul não chegava aqui do jeito que é hoje, dando a impressão de que é diante da nossa própria casa. Quem conseguir passar uma semana sem ler jornal, ver televisão ou ouvir rádio será uma pessoa absolutamente feliz.

OP - Está mais difícil, portanto, lidar com o mundo de hoje…
Torres de Melo - Muito mais difícil. Vamos à cidade de Fortaleza onde, no passado, os homens se davam mais, se amavam mais, pensavam mais uns nos outros, eles eram menos egoístas. Já esse mundo de hoje é muito materialista e a pessoa quer ficar rica a qualquer preço, precisa se afirmar de qualquer maneira, o que traz conseqüências terríveis para a sociedade.

OPTrazendo a discussão para um foco mais pessoal, por que o senhor decidiu ser militar?
Torres de Melo – O meu pai nos conduziu para que entrássemos no Colégio Militar. Eu fui, gostei, meus irmãos, também, um deles ainda está conosco ai, e adorei a carreira, senti que era a minha vida, não tinha outra vida.

OPO senhor esteve na ativa durante quanto tempo?
Torres de Melo - Foram 44 anos.

OPO que ainda permanece na memória do senhor como lembrança inesquecível desse período?
Torres de Melo – Considero ter sido um militar de muita sorte, porque o sonho de todo militar é comandar, é dirigir homens. E eu comandei em 18 desses 44 anos. Na Polícia Militar de São Paulo, na PM do Piauí, no CPOR, no Mato Grosso.

OPA história, na avaliação do senhor, faz justiça com os militares no Brasil?
Torres de Melo – Não. O que acontece é que o militar brasileiro participou de todo o processo de evolução desse País. O grande desenvolvimento do Brasil está montado em duas grandes escolas que ainda estão ai: o IME (Instituto Militar de Engenharia) que proporcionou as cabeças para a siderurgia, levou São Paulo, em especial a ter o progresso que apresenta hoje, e o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), que possibilitaria depois a Embraer. Ou seja, os militares estavam sempre à frente, não apenas do programa desenvolvimentista do País como sempre estiveram, também, ao lado dos governos. É muita injustiça, portanto, dizer que nós éramos contra o governo. O militar, normalmente, é sempre governo. Por exemplo, em 30 não foram os militares que fizeram a revolta que levou à queda de Washington Luis. Houve, de fato, militares que fizeram parte daquele movimento, mas, na verdade, quem fez a revolta foi Minas Gerais, foi o Rio Grande do Sul, foi a Paraíba, foram os políticos que revoltaram-se contra Washington Luis. Não foram os militares os responsáveis pela revolta de 32, em São Paulo, foram os políticos paulistas em reação ao governo de Getúlio Vargas, que era um ditador. Os militares não fizeram a revolta de 35, consequência da ação de pessoas de fora, pagas por pessoas de fora, o senhor sabe que a coisa nasce lá pela União Soviética, que a dona Olga veio pra cá como uma espiã alemã, custeada pelos russos. Em 45, quando o Getúlio caiu, mais uma vez não foram os militares que o derrubaram, foram os mineiros, lembremos do grande Manifesto Mineiro, que balançou o sistema político. Se o senhor for em 54, não foram os militares que mataram Getúlio, foram os elementos que o cercavam, o exploravam e basta ler o livro “Chatô” para ver que coisa horrível. Eram elementos podres cercando-o e que levaram àquela explosão. No caso do Jânio, ele, na sua loucura, talvez querendo se manter no poder a todo custo, largou o governo e foi embora, não fomos nós. Da mesma maneira que não fomos nós, militares, que botamos o João Goulart pra fora do governo. Ninguém fala, ninguém diz, todo mundo permanece calado, mas Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Meneghetti , no Rio Grande do Sul, Ney Braga, no Paraná…

OPTodos eles civis.
Torres de Melo - Todos, à exceção do Ney Braga, que era coronel da reserva, mas, àquela altura, era praticamente um civil. O que aconteceu? O povo foi às ruas, chamou as Forças Armadas e o Castelo Branco foi escolhido porque eles não se ajeitavam. O Castelo foi passando o poder para outros, não teve oba-oba. O que acontece é que é preciso, na luta política, a esquerda, que saiu derrotada em todas as situações históricas, em 35, em 61 e em 64, precisa, até hoje, justificar a situação e investe na tese de que os militares não prestam, os militares são os causadores de tudo. No entanto, o senhor não vê, nessa confusão toda que está ai, nesses roubos todos, nenhum militar envolvido.

OPOs militares não teriam, então, uma autocrítica a fazer diante de todos esses fatos, especialmente o período em que governaram o País?
Torres de Melo - Não, não governamos. Apenas o presidente da República era um militar e, assim como o médico e qualquer outro brasileiro que apresente condições, o militar também pode ser presidente da República. Se o senhor olhar o gabinete do presidente Castelo Branco era composto, basicamente, por civis.

OPA escolha do presidente da República naquele momento, general, se dava dentro do ambiente militar.
Torres de Melo - Quem escolheu o presidente castelo Branco foi o (Carlos) Lacerda.

OP - Não foi uma escolha dos militares?
Torres de Melo – Não, não foi.

OPQuanto à autocrítica, o senhor considera que não houve erros, ela não é necessária?
Torres de Melo - O que aconteceu, na minha observação, é que houve um pouco de demora no poder. A verdade é que o poder desgasta e a permanência nele por 20 anos, quer dizer, desde 1964 até 1984, acabou desgastando. Se nós tivéssemos entregue um pouco antes, talvez tivesse sido melhor. Por exemplo, se o doutor Petrônio Portela não tivesse morrido a história do Brasil seria outra.

OPA transição teria se dado naquele momento, mais pra trás?
Torres de Melo – Exatamente. O (Ernesto) Geisel teria feito o Petrônio Portela presidente da República. Então, essas coisas acontecem, a história é assim.

OPE as disputas internas entre os próprios militares, com a existência de uma linha dura?
Torres de Melo – Isso ai se enfeita muito. A questão é que 64 ainda está muito próximo e há necessidade da coisa se assentar mais para que a história seja contada com mais calma. O problema é que, além disso, a ideologia cega. Volto a dizer que se o Brasil é um grande País, hoje, é porque tudo, tudo que foi planejado deu-se entre 64 e 82. Tucuruí, Carajás, todas as grandes hidrelétricas, as estradas, os portos, de Itaqui (MA), de Sepetiba (RJ), a energia nuclear, tudo. Quando veio a pseudo-democracia, pseudo porque democracia é o cumprimento da lei, coisa que não acontece no Brasil atual, onde sequer a Constituição é respeitada.

OPNão vivemos,então, num estado democrático de Direito?
Torres de Melo - Não, não vivemos. É triste dizer isso. Não se cumpre o artigo 220 da Constituição, o artigo 221, a propaganda é direta. O governo gastando 2 bilhões de reais com propaganda, segundo li, dinheiro que poderia servir para construir hidrelétricas no Amazonas, por exemplo. Não é a pessoa “a”, “b” ou “c”.

OP - O regime militar brasileiro foi violento ou é injustiçado quando é chamado de ditadura? Houve uma polêmica recente no País quando um grande jornal, a Folha de S. Paulo, defendeu que em comparação com países vizinhos, como a Argentina, até se poderia chamar o caso brasileiro de ditabranda….
Torres de Melo - Graças a Deus, no Brasil, nós não tivemos.. O que é que aconteceu no Brasil? Os civis se revoltaram, o senhor Magalhães Pinto desceu com a polícia dele, o Exército entrou em apoio etc, e o senhor João Goulart foi posto pra correr. O Costa e Silva assumiu em pleno estado democrático de Direito, porque não é eleição direta ou indireta que define isso. A Alemanha nunca elegeu seu presidente diretamente, por exemplo. Em 1956 aconteceu um fato que abalou o mundo: foi o 20° Congresso do Partido Comunista da União Soviética. O senhor tem conhecimento disso! A partir dali passou a haver uma divisão nas esquerdas, na qual a esquerda da União Soviética achava que era preciso tomar o poder através do voto, na democracia, enquanto a esquerda que tinha referência na China, na Albânia, em Cuba, defendia que o poder deveria ser tomado pela força. Isso acabou repercutindo aqui no Brasil e aconteceu que a briga, de tão violenta, resultou na expulsão de (Luiz Carlos) Prestes. O Prestes foi expulso do partido! A facção da luta armada, isso é contado com maestria pelo Jacob Gorender, um comunista, no livro “Cobate nas Trevas”, que queria assumir o poder pela força, partiu para a guerra. Em 1966 começou a coisa a se deteriorar e aconteceu o atentado no aeroporto do Guararapes, em Recife, onde jogaram três bombas. Começou ai a luta armada, porque a esquerda, orientada pela China, por Cuba, Che Guevara, Albânia, queria a tomada do poder pela força. Mas, o Brasil é um país de sorte e aconteceu que a esquerda foi derrotada rapidamente.

OP - O AI-5 não foi um dos erros que mereceriam, hoje, uma autocrítica?
Torres de Melo - O AI-5 foi uma necessidade. Havia uma divisão no governo, uma parte era a favor e outra parte era contra. O vice-presidente da República, doutor Pedro Aleixo, era contra, enquanto o ministro da Justiça, um civil, era a favor. O Magalhães Pinto era contra, um outro era a favor. Agora, se não houvesse o AI-5 o que é que teria acontecido? O AI-5, em si, não é nada. A vitória contra o desmando da guerrilha, da morte, porque o senhor há de compreender uma situação em que a pessoa está na sua casa, chega alguém e joga uma bomba. O senhor não vai gostar! Não tem quem goste, né? Então, foi uma luta na qual morreram 400 pessoas, não sei…

OP - A ocorrência de mortes, na quantidade que fosse, não seria evitável?
Torres de Melo - Não, na medida em que eles é que começaram a matar. Quem jogou a bomba no aeroporto de Guararapes? Fomos nós? Não! Lá, mataram um almirante reformado, mataram um jornalista e um pobre de um jogador de futebol, um grande jogador de futebol, perdeu uma perna. Se eles estavam na disposição de tomar o poder pela força, por isso criaram a Guerrilha do Araguaia, na certeza de que teriam um território livre para atuar. Como eles estavam na teoria da força, a reação só poderia se dar na base, também, da força.

OPO senhor concorda, portanto, que o regime militar brasileiro, comparado ao que aconteceu em outros países….
Torres de Melo - Meu amigo, estou acabando de ler um livro, que até aconselho ao senhor, chamado “Cisnes Selvagens”, que é a história da China de Mao Tsé-Tung. Ai o senhor vai ver o que é uma desgraça. Quem conhece a história, como eu conheço, de (Josef) Stálin, de (Adolf) Hitler, de Fidel Castro, de Mao, não é possível se querer implantar um regime semelhante, isso não cabe na cabeça de ninguém. Foi Deus quem quis que no Brasil não tivéssemos isso.

OP - É simples assim a explicação para o fato de termos tido um processo, aparentemente, menos violento?
Torres de Melo - O brasileiro é tão sensacional que eu tinha um médico muito meu amigo, amicissimo do meu pai, doutor Pontes Neto, que era um sonhador. O que acontece com ele? Vai preso no 23 BC, cujo comandante era muito amigo dele, tinham sido colegas de Colégio Militar. Só no Brasil poderia acontecer um negócio desses. Naquela época, o general comandante da 10a Região, André Fernandes, adoece de apendicite aguda. Sabe quem foi operá-lo? O Pontes Neto. Quer dizer, isso só no Brasil poderia acontecer algo assim. O brasileiro não é dado a violências, mas meterem na cabeça de alguns jovens que a violência iria resolver. Deu nisso, deu nisso. Por exemplo, quando fui vereador com meu amigo Chico Lopes (hoje deputado federal pelo PCdoB), meu amigo Chico Lopes, ao me despedir da Câmara ele chorou. Porque eu acredito nas idéias do Chico Lopes, ele acredita na minha e, mais importante, nos respeitamos. Este é o verdadeiro brasileiro, não aquele que pega e joga uma bomba, sai atirando, assaltando, roubando.

OP - No caso ainda do AI-5, o senhor entende que aquele ato de força sobre o Congresso…
Torres de Melo – Não foi assim, o Congresso aceitou. O problema, meu amigo, é que estávamos tratando de uma situação de sobrevivência. da democracia no Brasil. E nós fomos salvos. O senhor já imaginou se tivesse sido instalada aqui uma ditadura nos moldes de Cuba? Quantos teriam ido para o “paredon”? Se em Cuba foram 17 mil, aqui seriam 100 mil! Essa é que é a realidade.

OPO senhor falava da autocrítica, que talvez fosse melhor ter passado menos tempo no poder.
Torres de Melo – Talvez tenha sido um erro político, de visão política, mas a história tá ai.

OPE o que veio depois do período militar, com a redemocratização, como o senhor analisa?
Torres de Melo – O que veio depois merece uma análise sociológica. O homem é o homem, no Brasil, na China ou na Rússia, ele quer suas oportunidades. E, conforme a evolução da sociedade ele sofre mais ou sofre menos, mas, se você olhar o Brasil de 1930 eram outros homens. A sociedade brasileira veio, desde então, se degenerando, foi se tornando permissiva, por isso, por aquilo ou por aquilo outro. O Castelo (Branco) era um homem equilibrado, que não admitia que pusessem a mão no ombro dele. Um dia, um irmão dele que ocupava uma função pública ganhou um Volkswagen de presente. O que ele fez? Ligou para perguntar quando ele iria devolver o veículo, porque demitido da função já estava! Então, veja a retidão moral de um Castelo, de um (Ernesto) Geisel, de um (Emílio) Médici.

OPHoje, para o senhor, este tipo de coisa não acontece mais?
Torres de Melo - Os processos foram se degenerando. Outro exemplo, que não foi contado por mim, foi contado pelo Delfim Neto. Delfim chegou para o Médici, era ministro dele na época, e disse que havia necessidade de aumentar o preço da carne. Médici foi claro e firme: não admitia. Delfim diz que tentou argumentar, mas ele cortou o assunto e disse assim: “não admito!”. Vinte dias depois, segundo conta o senhor Delfim Neto, o Médici lhe chama e autoriza o aumento do preço da carne. Delfim pergunta, então: por que, presidente? Médici explicou que tinha mandado vender seus bois antes do aumento ser autorizado. Você entendeu? Pra não dizerem, depois, que ele teria autorizado o aumento para ganhar dinheiro! Hoje, não, o sujeito rouba aqui, rouba acolá, defende aqui, defende acolá. A coisa vem se degenerando, perdeu-se o sentido do valor ético da vida. Esta degenerescência é perigosa!

OPO senhor foi vereador por Fortaleza nos anos 90. O que ficou de importante dessa experiência, além, como já ressaltou antes, da amizade com o comunista Chico Lopes?
Torres de Melo - Na Câmara, tentei demonstrar que nós estávamos ali para estudar os grandes problemas da cidade. Nós precisariamos estar pensando alto, mas, às vezes, ficava meio perdido. Eu, Chico Lopes, aquele menino do PT, o José Maria Pontes, ficávamos perdidos, porque ninguém pensava na cidade, ninguém ali pensa na cidade. Não há substância. Quando vejo que Londres tem 15 conselheiros municipais, contra 41 vereadores em Fortaleza, noto que alguma coisa está errada. Eu fui, eu vi, quando ia passando por uma rua na Suécia, o primeiro-ministro, que até seria assassinado logo depois, em cima de um banquinho vendendo a sua idéia, fazendo seu comício, sozinho. Quando lembro disso e vejo essa confusão que está ai, sem que existam idéias, sem sonhos, onde o único objetivo aparente é ver como sair ganhando, como tirar proveito. Não pode ser assim, não é possível que continue.

OPComo é possível reverter essa situação sem que haja necessidade de um rompimento institucional, que venha um golpe….
Torres de Melo – O problema não é de golpe. O que acontece é que, na América Latina, a mediocridade está dominando.

OP - Só na América Latina?
Torres de Melo - Aqui, mas também na África, em parte da Ásia..

OP - Hoje discute-se a qualidade dos políticos no mundo todo, na verdade.
Torres de Melo – Não. O senhor veja que o Primeiro-ministro da Inglaterra é um homem altamente preparado.

OPJá o mesmo não se pode dizer, parece, do chefe do Governo da Itália, Silvia Berlusconi, que….
Torres de Melo – O italiano também, mas, como dizem que ele é de direita então o pau ronca. O certo é que a mediocridade é uma doença terrível que assola o Brasil. Se o senhor for ao Congresso do Brasil, não tenho nada contra ninguém, nem a favor de ninguém, vejo sempre o meu Brasil, o País dos meus filhos, dos meus netos, meus bisnetos, e comparar a situação de hoje com aquela em que já tivemos um Milton Campos, o pai do Virgílio Távora, o próprio Coronel Virgílio…

OPO senhor não considera que a situação se deve, também, ao fato de hoje haver mais exposição, existirem as tevês que transmitem as sessões para o público, por exemplo?
Torres de Melo – Não, não. É uma doença sociológica, aconteceu em Roma, que já dominou o mundo e, quando começou a degradar na sua política interna, deixando que os medíocres começassem a assumir o poder pelo dinheiro, se desmoronou. Hoje em dia, por mais que você seja competente, não conseguirá sequer se candidatar porque a primeira coisa que vão perguntar é se ele tem munição, que foi o que fizeram comigo quando cheguei a pensar em disputar a prefeitura de Fortaleza pela última vez. Um cidadão chegou pra mim e perguntou se eu tinha munição. O sistema está montado de uma tal maneira que, de maneira simplificada, define que devem ser eleitos os que interessam a ele, “vamos eleger os nossos”. Isso é no Brasil todo e é grave. Pode levar o País para uma revolução social ou coisa pior.

OP - Uma reforma política, que é o que se fala no momento, poderia resolver?
Torres de Melo - A reforma política, primeiro, não vai sair. Ela não interessa aos políticos que ai estão. O meu receio é que a coisa continue se degenerando até chegar ao ponto de explodir, o que não quero que aconteça. Seria ruim, não pra mim que já estou velho, mas para a sociedade que vai sofrer. Na universidade, o senhor acha que está certo um aluno frequentar a aula de calção? O sujeito pode usar lá seu calção, não sou contra nada, mas tudo tem seu tempo e seu lugar. Eu uso calção para ir à praia. Para assistir uma aula eu devo ir vestido, é como acontecia antigamente, não existia problema. Outra coisa grave: o ignorante total é a felicidade.

OPA corrupção, que o senhor considera ser um mal da conjuntura política brasileira atual, na verdade é um problema muito mais antigo.
Torres de Melo – A corrupção é do homem, vem desde Caim e Abel. Na verdade, a combinação entre sexo, poder e dinheiro resulta, inevitavelmente, em corrupção. O que precisa é a sociedade ter determinadas normas, leis, que leve à punição imediata de quem praticá-la. Nos Estados Unidos, agora, um cidadão deu um golpe de não sei quantos bilhões de dólares, pegou 150 anos de prisão e já está preso. Aqui, não.

OPNa época do governo Itamar Franco o senhor fez parte de uma comissão cuja tarefa era, exatamente, estudar casos de corrupção dentro do governo. No que resultou aquele trabalho?
Torres de Melo - Eu tremia. Tinha dias que vinha lá de Brasília certo de que iria ter um enfarto, com vergonha, de tristeza. O senador Pedro Simon (do PMDB do Rio Grande do Sul) contou a história recentemente da tribuna do Senado, disse que foi ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, me citou, inclusive, ao ler os nomes dos integrantes da comissão. O que se apurou, meu amigo…

OPNo que é resultaram essas apurações?
Torres de Melo – Nada! O senhor Fernando Henrique Cardoso veio, após o Itamar, e, simplesmente, acabou com a comissão. Tinha dias que vinha para Fortaleza, no mesmo avião do Quintela, que era de Maceió, e nós diziamos um ao outro, durante a viagem, que um dos dois pifaria, não daria para aguentar. Era uma tristeza.

OP - De lá pra cá, então, o quadro piorou na avaliação do senhor?
Torres de Melo - E bota piorou nisso, meu amigo! O pior, mais ainda, é o cinismo.

OP - E a tese, defendida por alguns dentro do atual governo, de que está havendo hoje, na verdade, é um combate mais efetivo à corrupção?
Torres de Melo - Não, não, não. Há é um processo de degenerescência da sociedade. Por exemplo: não estou dizendo que, antigamente, governador não tinha amante. Tinha, mas antes havia maior respeito à majestade do cargo. Hoje a coisa acontece às claras, ninguém quer nem saber. Seja aqui, na União Soviética, onde o senhor quiser, quando a sociedade quebra os seus valores ela entra em pânico. Assim foi com a degenerescência dos costumes na corte francesa, foi com a degenerescência da corte do Czar Vermelho, do Stálin, li um livro no qual consta o que o Calinin correu atrás de menininha novinha pra ele é pra deixar qualquer um de cabelo arrepiado.

OPEntão, insistirei que não se trata de um fenômeno brasileiro a tal mediocridade da classe política. Os Estados Unidos, por exemplo, também tiveram exemplos bastante graves nos últimos tempos.
Torres de Melo – Os Estados Unidos, conforme dizia um amigo meu, morto recentemente, que dizia ter pena porque, sendo um país sensacional, vai se degenerar no álcool. O gelinho, o som do gelo. Quando uma sociedade está bebendo muito é porque está no caminho da degenerescência. É um sinal de que a sociedade está tremendo, então, meu amigo, muito cuidado com aquele barulho do gelo.

OPO senhor acompanha o noticiário?
Torres de Melo - Acompanho tudo. Leio três jornais todo dia, leio duas revistas e ainda recebo cerca de mil mensagens por dia, através de email. Hoje, passei cerca de sete mil. Não fiquei pra trás.

OPDepois daquela manifestação do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), apontando corrupção no governo Lula, o senhor encaminhou uma carta a ele de solidariedade. Recebeu alguma resposta?
Torres de Melo – Não. A posição do doutor Jarbas é muito delicada. Tem dois senadores, o próprio Jarbas e o Pedro Simon, este, inclusive, não sei como é que ainda está vivo. Lembro quando ele pediu uma CPI para investigar as empreiteiras, baseado em muita coisa que tinha sido levantada pela Comissão Especial de Combate à Corrupção no governo Itamar. É a mesma coisa do Jarbas Vasconcelos.

OPNo caso do Jarbas, porém, o senhor não considera que há um certo oportunismo, á que ele era aliado do governo FHC e nunca se manifestou, por exemplo, contra a medida que extinguiu a comissão de combate à corrupção?
Torres de Melo – Ele poderia ter dito o que disse antes ou depois, mas a Bíblia diz que há tempo pra tudo. Tempo pra plantar e tempo pra colher. Ele achou que o tempo era agora, para o senhor deveria ter sido antes, outro pode entender que deveria ser mais adiante.

OP - Qual a avaliação que o senhor faz do governo Lula?
Torres de Melo - Medíocre. E o problema não é apenas do atual governo, trata-se de um processo que vem caindo de algum tempo, ele está pegando apenas o rabinho do coelho.

OP - O governo anterior, que era comandado por uma pessoa preparada, considerada de grande peso intelectual, padecia da mesma mediocridade então?
Torres de Melo – O problema não está na formação. Essa mediocridade é uma doença desgraçada.

OPComo sair dela, então?
Torres de Melo - Só há duas maneiras: através da educação, mas educação mesmo. Educar distribuindo camisinhas não funciona, o que defendo é a volta do respeito aos idosos, às normas, ao professor, o fim da anarquia. Só vai por ai, isso é cultura, leva tempo.

OP - Tempo e dinheiro?
Torres de Melo - Não, gasta-se muito em educação. O problema maior é que gasta-se mal. No governo Virgílio Távora uma professora ganhava oito salários mínimos, mas a professora era professora.

OPO senhor não imagina, claro, uma volta ao passado do jeito que eram as coisas no passado?
Torres de Melo - Não, claro que é necessário adaptar às condições de momento. O que não pode é continuar do jeito que está agora. Outra coisa que não cabe na minha cabeça, eu que servi no Exército em todo o País, de São Paulo a Manaus, do Rio de Janeiro ao Mato Grosso, nos 44 anos de ativa, nós tratarmos de maneira diferente alguém porque é preto, ou porque é índio, é branco. É brasileiro e pronto. Servi na Amazônia e incorporávamos o índio porque era brasileiro, não porque era índio. Hoje é índio pra cá.

OPÉ uma crítica à política de cotas do governo, às ações afirmativas?
Torres de Melo – Que não deram certo nos Estados Unidos. O que dá certo é o mérito, o que está errado não é a cota, o que está errado é o ensino público. O certo é que no nosso Exército tinha preto, tinha branco, amarelo, tem general japonês, general preto. Eu mesmo, fui promovido por um general preto.

OP - Ex-comandante da Polícia Militar, no São Paulo e no Piauí, como o senhor analisa o cenário atual da segurança pública no Brasil?
Torres de Melo – Segurança pública não é um problema de polícia, é um problema de sociedade. Para a sociedade desorganizada, torta, que vive no tóxico e no álcool, que não tem regras, na qual tudo vale, não há segurança pública que dê jeito. Quando fui comandar a Polícia Militar do Piauí durante quatro anos só registramos um crime, de motivação passional. Durante quatro anos só um crime. Arrumei a polícia direitinho, ajeitei, pronto! Fui pra São Paulo, era a década de 70…

OPO mundo, então, era bastante diferente do atual?
Torres de Melo – Era, ainda tinha um restinho daquela coisa de estudantes, faculdade de Direito, mas já começavam os assaltos, que foram ensinados aos criminosos comuns pelos guerrilheiros da esquerda. Eles viveram juntos dentro das cadeias. Nós colocávamos as viaturas nas ruas em São Paulo e tinha dia em que não havia assalto na cidade. São Paulo! Uma vez, conversando com o ministro Armando Falcão, me dava muito com ele, disse a ele que daquele jeito não daria certo, que a coisa iria degenerar. Estava vivendo o problema e estava falando de perspectiva, que aquele negócio de afrouxar as leis de tóxicos não iria dar certo. Naquela época, a classe média começava a entrar no tóxico e auto-defesa dela fez com que as leis fossem afrouxando. O problema estava apenas começando e lembro ter dito a ele: ‘doutor Armando, isso não vai dar certo’. O que temos ai, hoje, é o tóxico dominando a sociedade.

OP - As drogas estariam na origem de grande parte dos problemas atuais da sociedade?
Torres de Melo - Exato, é o tóxico, a sociedade se desmanchou. Lembro que a gente ia na Boca do Lixo, na Boca do Luxo, lá em São Paulo, e havia drogas, mas a gente controlava a situação, havia um controle. Hoje, a polícia está inibida, não pode agir. Se há uma pessoa que é contra qualquer ato de violência esta sou eu, porque sofri na minha carne, o meu pai teve, em 30, a sua casa invadida pela polícia porque era contra o governo. Papai era revolucionário de 30, ao lado de Juarez Távora, então, quando vejo qualquer violência aquilo me faz mal.

OPO senhor gosta da política de segurança do atual governador, Cid Gomes? A apóia, especialmente quanto à idéia da polícia comunitária, do programa Ronda do Quarteirão?
Torres de Melo - Acho equilibrada, a coisa está melhorando, mas acho que seria necessário prestigiar mais a Polícia Militar. Eu comandei duas polícias e sei o quanto é complicado o nosso sistema.

OPO que seria prestigiar mais?
Torres de Melo – Sou a favor da organização policial chilena, da organização chilena..

OPQual é essa organização?
Torres de Melo – É um modelo hierarquizado. No Chile, por exemplo, tem o general policial. A polícia tem que agir violentamente contra os maus elementos dela, não tem esse negócio. Não presta, é botar pra fora mesmo. O problema é o seguinte, também: se um general chega de calção no quartel, o soldado vai de cueca. O senhor entende o que eu quero dizer? Tudo tem que ter referência senão não vai. Na minha idéia vem tudo hierarquizado e, por exemplo, o delegado, seria delegado e coronel. Não se trata de eu ser militarizado, mas é porque a sociedade precisa se organizar.

OP - Hoje, comparado à época em que o senhor foi comandante de instituições do gênero, respeita-se menos a polícia?
Torres de Melo - Não é problema de respeito à polícia, mas de respeito à ordem. O brasileiro não cumpre ordem, nem norma, todo mundo acha-se com direito de ultrapassar pela direita, eu passo no sinal vermelho e acabou. É um vale-tudo! Na época em que eu estava em São Paulo e fui participar de um almoço, a convite de um Clube Rotary, algo do tipo. Tudo lá é grande e estavam ali cerca de 500 pessoas. Mostrei o que estávamos fazendo etc e, ao final, abriram-se às perguntas. Um dos presentes, então, diz na minha cara: coronel, a sua polícia é corrupta, com 50 reais e compro seus soldados. Terminou? Terminei. Eu disse, e o senhor é um corruptor safado e ordinário. É, inclusive, pior do que ele! Acabou a reunião. A verdade é esssa, que só existe o corrupto porque há o corruptor. Existe quem venda porque existe quem compre. A verdade é que a sociedade degenerou-se.

OPO País vive a iminência de uma disputa pela presidência da República que, apontam as expectativas, terá de um lado o governador José Serra e do outro a ministra Dilma Rousseff. Os dois participantes de destaque na resistência ao regime militar, Serra como presidente da UNE na época e Dilma como participante da luta armada. Qual a simbologia disso, se, claro, na visão do senhor há alguma?
Torres de Melo - O que me preocupa para 2010 não é a candidatura de Serra, de Dilma, mas é a situação do meu País. O governo vai gastar o último tostão, vai quebrar o País para eleger o candidato dele, no caso que o senhor está falando, a doutora Dilma. Não haverá o mínimo escrúpulo em tudo isso, ou seja, este é um País infeliz. Essa é a minha ansiedade. Minha questão não é ideológica, é uma questão de Brasil. O sujeito pode ser o que for, pode ser assaltante, pode ser o que for, teve voto, compra. O quanto custa não interessa. Isto é grave e a imprensa sabe disso. A degenerescência política do País é de tal ordem que ninguém sabe para onde vai, nem o governo sabe quem vai apoiar dona Dilma e nem o José Serra sabe quem vai apoiá-lo. É quem tem mais poder, quem tiver mais munição para comprar as consciências. Consciência não, porque quem se vende não tem consciência. Estou preocupado com o que vai ser do meu País, não estarei mais por aqui, mas a coisa é essa.

FONTE: O Povo Online / 06 Abr 2009

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Terremoto no Haiti – Nota nº 4 (19h30)

Prioridade no momento é enviar alimentos do estoque do governo e garantir trabalho de brasileiros que já estão no país

Brasília, 13/01/2010 – O Ministério da Defesa informa que a prioridade do governo brasileiro, neste momento, em termos de ajuda humanitária às vítimas do terremoto que atingiu o Haiti, é enviar água e alimentos disponíveis no estoque do governo e garantir o trabalho dos brasileiros que já estão naquele país.

A primeira aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) parte do Rio de Janeiro para Porto Príncipe agora à noite (previsão de decolagem 21 horas) com 13 toneladas de suprimentos, água e alimentos, para as tropas brasileiras. A aeronave deve pousar amanhã cedo na capital do Haiti.

A segunda aeronave da FAB deve partir amanhã, em horário a ser confirmado, levando a bordo profissionais da Defesa Civil do Rio de Janeiro e cães farejadores, além de equipamentos e suprimentos (alimentos, remédios e água).

A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) também já colocou à disposição 14 toneladas de alimentos (açúcar, leite em pó, sardinha e fiambre) para as vítimas do terremoto.

A avaliação do Ministério da Defesa e das Forças Armadas é que não há condições, no momento, de organizar doações de alimentos, água, roupas ou outros materiais arrecadados por terceiros e nem de armazená-los e distribuí-los no Haiti. O governo ainda não tem uma avaliação precisa das reais necessidades da população haitiana e é preciso aguardar o momento oportuno para organizar e, eventualmente, despachar àquele país doações encaminhadas por terceiros.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Defesa

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Os brasileiros mortos no Haiti

1) Zilda Arns, 75 anos – Médica pediatra, sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa. Ela também representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Nasceu em Forquilhinha (SC) e morava em Curitiba (PR). Tinha duas irmãs, uma das quais, a irmã Helena, foi diretora do Colégio Santa Inês, em Porto Alegre, além do arcebispo emérito de São Paulo, Paulo Evaristo Arns.

2) Emilio Carlos Torres dos Santos – Militar da Minustah (Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti), coronel do Exército, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília (DF)

3) Bruno Ribeiro Mário, 26 anos – Primeiro-tenente do Exército, natural de São Gabriel (RS) – Estudou no Colégio Militar de Santa Maria (RS) e, há quatro anos, antes de embarcar para o Haiti, servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP). Completaria no fim de semana seis meses na missão de paz no país caribenho e voltaria ao Brasil no sábado, para comemorar o aniversário em Santa Maria, no próximo dia 8.

4) Raniel Batista de Camargos – Subtenente do Exército, do 37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins (SP).

5) Davi Ramos de Lima, 37 anos – Segundo-sargento do Exército, natural de Garanhuns (PE). Cresceu em João Pessoa (PB) e seguiu a carreira do pai. Servia o Exército desde 1995. Era lotado no 5° Batalhão de Infantaria de Lorena (SP), onde morava. Era casado e pai de 3 filhos.

6) Leonardo de Castro Carvalho – Segundo-sargento do Exército. Servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena (SP).

7) Douglas Pedrotti Neckel – Cabo do Exército, natural de Cruz Alta (RS). Também servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena (SP). Radicado com a família no interior de São Paulo há 14 anos, sempre sonhou em servir o Exército e chegou a trancar o curso de Adminstração na Faculdade São Joaquim quando surgiu a oportunidade de embarcar para o Haiti. De malas prontas, voltaria neste sábado.

8 ) Washington Luis de Souza Seraphin – Cabo do Exército. Servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena (SP).

9) Arí Dirceu Fernandes Júnior – Cabo do Exército, natural de São Vicente (SP). Servia no 2º Batalhão de Infantaria Leve de São Vicente (SP), antes de seguir para o Haiti, em 2004. Se preparava para voltar ao litoral paulista no dia 24 deste mês.

10) Antonio José Anacleto – Soldado do Exército. Servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena (SP).

11) Tiago Anaya Detimermani, de 23 anos – Soldado do Exército, natural de Cachoeira Paulista (SP). Também servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena (SP). Foi para o Haiti em julho e preparava-se para voltar ao Brasil no sábado. Terça-feira era seu último dia de trabalho quando aconteceu o terremoto que destruiu o Haiti.

12) Kleber da Silva Santos – Soldado do Exército, natural de São Vicente (SP). Servia no 2º Batalhão de Infantaria Leve de São Vicente (SP), antes de seguir para o Haiti, em 2006. Se preparava para voltar ao litoral paulista no dia 24 deste mês.

FONTE: O Globo

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NOTA OFICIAL MD: Terremoto no Haiti

Nota oficial – Terremoto no Haiti – Homenagem – (17 horas)
Brasília, 13/01/2010

Sob o impacto da tragédia que se abateu sobre o povo do Haiti, presto meu tributo especial aos militares brasileiros que tombaram no cumprimento da missão delegada, antes de tudo, pelo povo brasileiro: levar a solidariedade e o calor da nossa gente aos irmãos haitianos.

Eles carregavam em seus corações um pouco do amor e da compaixão semeada por D. Zilda Arns, mulher exemplar que teve sua vida também ceifada neste triste acontecimento.

D. Zilda, num sacerdócio que contagiou e mobilizou multidões, tinha em comum com os militares brasileiros da Missão de Paz da ONU, em seus últimos momentos, a voluntariedade na dedicação à tarefa.

Ali, ninguém estava obrigado, mas movido pelo interesse no crescimento pessoal, trazido pelas novas experiências e, especialmente, pelo esforço solidário para tornar o mundo melhor e mais seguro para os seus semelhantes.

Este é o grande legado que nos deixam esses homens e mulheres sacrificados pela missão no Haiti. E a eles prestamos as nossas homenagens.

Nelson A. Jobim
Ministro de Estado da Defesa

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