Onde serão realizadas as competições de saltos ornamentais nos Jogos Rio-2016? Anteontem, em entrevista após a reunião com a Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para o megaevento, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos, anunciou que a modalidade trocaria o Maria Lenk, na Barra, pelo Forte de Copacabana. Só faltou um detalhe: a autorização prévia do Exército, por meio do Comando Militar do Leste.
Ontem, a instituição militar deixou claro que só soube da ideia pela imprensa. A seção de Comunicação Social do Comando Militar do Leste informou: “O Museu Histórico do Exército/Forte de Copacabana está empenhado em cumprir o compromisso assumido pelo Exército Brasileiro para que essa unidade venha a apoiar as competições da maratona aquática e triatlo durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, em conformidade com documento assinado pelo chefe de gabinete do Comandante do Exército, dirigido ao Sr. Jacques Rogge, Presidente do Comitê Olímpico Internacional, datado de 30 de janeiro de 2009″.
O documento, segundo o Comando Militar do Leste, garante o uso, sem custo, pelo Comitê Organizador, das instalações do Forte de Copacabana para maratonas aquáticas e triatlo. Depois de acrescentar que no Forte haverá ampla arquibancada e centro de mídia, o CML acrescentou: “Não existe, até o momento, compromisso relativo à competição de saltos ornamentais”.
Bem diferente, do que disse Nuzman: “vocês, fotógrafos e cinegrafistas, farão lá as imagens mais bonitas dos Jogos,” afirmou ele, anteontem.
Procurado pela imprensa, o Comitê Rio-2016 informou que, após “contatos informais” com representantes das Forças Armadas, o comitê informou à comissão de coordenação do COI para os Jogos propostas de alterações de locais de competição: “A partir da concordância do COI, o Rio 2016 formalizará às partes interessadas a solicitação de uso das instalações de Deodoro para as disputas de rúgbi, hóquei na grama e basquete, além do Forte de Copacabana para os saltos ornamentais.”
Ou seja: somente agora, depois de conseguir o aval do COI e de Nuzman anunciar o que não estava acertado, é que o comitê organizador da Rio-2016 vai formalizar, junto ao Exército, o pedido de cessão de novos espaços para modalidades, como rúgbi, hóquei, basquete e saltos ornamentais.
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) apresentou hoje (24) a empresários brasileiros os 31 projetos de integração que farão parte da Agenda Prioritária de Infraestrutura do grupo. A maioria das obras é de transporte – apenas dois são de energia – e deverão custar cerca de US$ 21 bilhões. A meta é que os projetos sejam concluídos até 2022. A Unasul informou que serão feitas associações público-privadas, como forma de viabilizar as obras.
Para uma plateia de cerca de 180 empresários de todo o país, na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o presidente pro tempore do Conselho de Infraestrutura (Cosiplan) da Unasul, Cecílio Pérez Bordón, afirmou que os governos devem estar abertos ao diálogo com o empresariado nacional.
“Consórcios entre governos e empresas serão fundamentais para levar esses projetos adiante”, disse Bordón.
Segundo informações da Unasul, seminários semelhantes a esse serão feitos nas principais cidades dos 12 países membros da organização – Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela.
Para estudar as formas viáveis de financiamentos dos projetos, a união sul-americana formou um grupo de trabalho em que bancos multilaterais e modos de financiamento próprios de governos e de empresas privadas serão fontes a serem consultadas, informou a secretária-geral da Unasul, María Emma Mejía,
Ainda não há definição sobre as modalidades de contratação a serem adotadas em cada país. Para o diretor do departamento de infraestrutura da Fiesp,Carlos Cavalcante, o regime de concessão pública seria a melhor forma para o setor empresarial.
“Embora o regime de obra pública também dê oportunidades ao setor privado, o de concessão dá mais liberdade para se buscar financiamento. É possível fazer obras sem retirar recursos do Tesouro Nacional”, disse Cavalcante.
Dos 31 projetos de infraestrutura, 11 terão ligação com o território brasileiro, sendo que dez deles já estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo o subsecretário-geral de América do Sul, Central e Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Antônio Simões, a estimativa é que o impacto econômico gerado seja de quatro a cinco vezes maior do que o valor das obras.
A secretária-geral Mejía informou que a maior contribuição gerada pelas obras de infraestrutura será o vínculo entre os povos da América do Sul. Além de facilitar o escoamento das produções nacionais, as obras irão facilitar a mobilidade dos sul-americanos.
Serão construídos 2,4 quilômetros de pontes, 14 quilômetros de túneis, 57 quilômetros de anéis viários, 360 quilômetros de linhas de transmissão, 379 quilômetros de dragagem de rios, 1,5 mil quilômetros de gasodutos, 3,4 mil quilômetros de hidrovias, 5,1 mil quilômetros de rodovias, e 9,7 mil quilômetros de ferrovias.
Entre os projetos de maior destaque, estão os três corredores bioceânicos que irão conectar, por meio de rodovias, ferrovias e/ou hidrovias, as costas dos oceanos Atlântico e Pacífico.
O governo do Brasil, que faz fronteira com nove países da América do Sul, afirmou nesta terça-feira em Assunção, no Paraguai, que suas redes de comunicação e infraestrutura poderiam ser usadas no anel continental de fibra ótica, projeto elaborado pelos doze membros da União Sul-Americana de Nações (Unasul).
A ideia foi apresentada pelo diretor do departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, na 1ª Reunião do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan). De acordo com ele, o objetivo do projeto, aprovado em 30 de novembro de 2011 pelos ministros da área de infraestrutura e comunicações da Unasul, é conseguir a redução do preço da banda larga para o consumidor.
Atualmente, a informação entre os países da região é conduzida por meio de conexões internacionais que atravessam os oceanos Pacífico e Atlântico.
Coimbra acrescentou que as empresas estatais de telecomunicações de cada país na fronteira com o Brasil são “parte prioritária no projeto”, embora tenha dito que o setor privado será bem-vindo.
A reunião da Cosiplan foi aberta pelo ministro de Obras Públicas do Paraguai, Cecilio Pérez. No encontro, os representantes de cada membro da Unasul irão expor as condições de cada país para a elaboração do projeto do anel continental.
A secretária-geral da Unasul, a colombiana María Emma Mejía, afirmou que a região tem “um sério atraso” tecnológico na área de infraestrutura.
TÓQUIO — Os 50 trabalhadores que permaneceram nas instalações da central de Fukushima para resfriar os reatores danificados e o material irradiado são os novos heróis do Japão, os homens dispostos a sacrificar suas vidas para salvar a nação.
Em um ambiente contaminado pelos altos níveis de radiação, estes funcionários da companhia Tokyo Electric Power (Tepco) tentam resolver os problemas provocados pelo colapso dos sistemas de resfriamento e alimentação elétrica da central.
Este colapso já causou a fusão parcial de três dos reatores da central e a exposição das barras de combustível, que também ameaçam entrar em fusão, ao ar livre, liberando na atmosfera quantidades consideráveis de elementos radioativos.
Estes últimos trabalhadores presentes na central, após o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira, foram retirados do local brevemente na quarta-feira, quando o nível de radioatividade aumentou de maneira alarmante.
“Estas pessoas que estão trabalhando nas centrais enfrentam (o problema) sem titubear”, comentou Michiko Otsuki, funcionária da central Fukushima 2, situada a 12 km de Fukushima 1, onde estão os reatores danificados.
“Só posso rezar pela segurança de todos eles… Não esqueçam que estão trabalhando para nos proteger, a cada um de nós, em troca de suas próprias vidas”, escreveu Michiko na rede social japonesa Mixi.
O primeiro-ministro Naoto Kan também elogiou os esforços e a coragem destes homens.
“Na Tepco e nas empresas associadas, eles se esforçam neste momento para injetar água (nos reatores), estão fazendo todo o possível sem sequer pensar no perigo”, disse Kan.
Quando a Tepco recrutou mais 20 homens para participar das operações, foi procurada por vários funcionários que haviam sido retirados no começo da crise, segundo a agência Jiji.
Entre estes novos voluntários está um homem de 59 anos, que estava a um ano e meio da aposentadoria, anunciou sua filha em uma mensagem no site Prayforjapan.jp, conectado ao Twitter desde a catástrofe.
“Não pude deixar de chorar quando soube que meu pai seria enviado amanhã (…). Em minha casa, meu pai parece um tanto nervoso, mas nunca estive tão orgulhosa dele”, indicou.
Segundo David Brenner, diretor do centro de pesquisa radiológica de Columbia Service, os trabalhadores de Fukushima 1 estão expostos a um “risco significativo” dados os altos níveis de radioatividade aferidos no local.
“Eles já são heróis… Vão suportar exposições muito elevadas à radiação”, disse Brenner à BBC.
Na terça-feira, um nível de radioatividade de 400 millisieverts por hora foi observado perto do reator 3. Se uma pessoa permanece por uma hora em um local como este, receberá uma dose de radiação ionizante 20 vezes maior que o permitido aos trabalhadores do setor nuclear na França.
Mesmo assim, a gratidão dedicada aos 50 “liquidadores” japoneses – que lembra o sentimento despertado pelos homens que se sacrificaram para limpar o estrago provocado pelo colapso de Chernobyl, na Ucrânia, há 25 anos – não impede as críticas à forma como foram organizadas as operações de contenção de crise, tanto pela Tepco quanto pela Agência de Segurança Nuclear japonesa.
Houve críticas inclusive do ministério da Defesa japonês, depois que soldados envolvidos nas operações ficaram feridos e talvez tenham sido expostos à radiação, quando uma explosão fez voar pelos ares parte do edifício externo do reator 3, indicou o jornal Yomiuri.
Japão alerta sobre risco de blecaute em Tóquio hoje
O governo japonês alertou sobre o risco de um possível grande blecaute nesta quinta-feira na região de Tóquio em decorrência dos problemas de provisão elétrica causados pelo terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira (11), que danificaram várias usinas nucleares.
Por isso, foi pedido que as operadoras de trem da área de Tóquio suspendam o serviço na parte da tarde e que as empresas reduzam o consumo, segundo o ministro da Indústria japonês, Banri Kaieda, citado pela agência local Kyodo.
A situação se complicou ainda mais com o aumento do consumo de eletricidade devido à forte queda das temperaturas desde a noite de quarta-feira, o que gerou o temor de que durante o dia de hoje a demanda supere a oferta.
Nesta quinta-feira, a quatro dias do início da primavera, prevê-se que a temperatura em Tóquio fique próxima a 0ºC à noite, como já ocorreu ontem.
O devastador terremoto da última sexta-feira, que deixou mais de 14 mil vítimas entre mortos e desaparecidos no nordeste do Japão, ocasionou problemas em várias usinas nucleares, sobretudo na central de Fukushima, onde as autoridades lutam desde sábado para conter a deterioração de seus reatores.
Este panorama fez com que duas operadoras de eletricidade japonesas tenham passado a aplicar cortes de luz com duração entre três e seis horas em parte do território, além de pedir que os japoneses reduzam o consumo, algo que havia sido alcançado, embora o frio tenha chegado e prejudicado este esforço.
As principais operadoras de trem da região de Tóquio, a JR East e a Tokyo Metro, haviam indicado que reduziriam seus serviços a partir das 17h desta quinta-feira (5h de Brasília).
A temperatura caiu desde a noite de ontem nas regiões abastecidas pela Tepco (Tokyo Electric Power), operadora da usina de Fukushima.
Há quatro dias a empresa está empreendendo cortes de luz na região de Kanto, na qual se encontra Tóquio, para tentar impedir grandes blecautes.
A área metropolitana de Tóquio é habitada por mais de 30 milhões de pessoas, que utilizam os trens para chegar a seus locais de trabalho, mas, desde a crise gerada pelo terremoto, muitas pessoas optaram por trabalhar de casa.
A ministra de Reforma Administrativa, Murata Renho, solicitou à população maior esforço na economia de luz, já que a demanda por energia pode superar o que a Tepco pode fornecer no caso de os atuais níveis se manterem.
Cerca de dez milhões de lares serão afetados hoje pelos planos de cortes de energia da Tepco, segundo a agência local “Kyodo”.
Fábrica alemã de manutenção de blindados pretende iniciar operações em um ano
A fábrica alemã de blindados e de manutenção de equipamentos pesados Krauss-Maffei-Wegmann (KMW) terá sua sede em Santa Maria a partir de hoje, quando a empresa vai assinar o contrato de locação de uma sala comercial no último andar de uma das torres de escritórios do Santa Maria Shopping. Na cidade, funcionará o escritório central no Brasil, que será transferido de São Paulo para cá e representará a empresa na América do Sul. Além disso, daqui a um ano, já deve estar em funcionamento a unidade de manutenção dos blindados Leopard, comprados pelo Exército Brasileiro. Porém, a KMW tem planos bem mais ousados para Santa Maria. Aqui, também serão feitos serviços especializados de manutenção de veículos e equipamentos pesados para empresas privadas. No futuro, a empresa pretende ainda construir uma fábrica de blindados ou outros equipamentos na cidade.
Quem disse isso foi o gerente geral da KMW do Brasil Sistemas Militares, Christian Böge, um alemão que fala português fluente e que foi apresentado ontem ao prefeito Cezar Schirmer. Christian já está morando na cidade para definir os detalhes da instalação da empresa – sua família virá de São Paulo dentro de seis meses. A KMW ainda não definiu o terreno onde será erguido o prédio e a pista de testes de blindados, pois depende de novos estudos de resistência do solo das duas áreas em vista.
O gerente da KMW anunciou que a empresa pretende trazer equipamentos de última geração, que ainda não existem no Brasil, para colocar à disposição de laboratórios da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e também para treinar pessoas em conjunto com a UFSM. A empresa também já está em busca de empresas de engenharia e arquitetura locais para auxiliar no andamento da construção de seu prédio na cidade. A KMW quer contratar um escritório de contabilidade local, com profissionais que falem inglês. Interessados podem falar com o gabinete do prefeito.
Para Schirmer, a instalação da fábrica em Santa Maria será um grande salto de qualidade do ponto de vista tecnológico, pois os serviços de última geração oferecidos pela KMW na área de metal-mecânica devem fortalecer indústrias locais e atrair novas fábricas do setor para a cidade.
– A partir da instalação da KMW, Santa Maria se tornará uma referência no setor metal-mecânico do país. A KMW é uma referência mundial. Esse não é um projeto do nosso governo, mas, sim, um projeto estratégico para, no mínimo, 10 anos – disse Schirmer.
O gerente da empresa disse que o plano da KMW para Santa Maria é a longo prazo e que prevê investimentos pesados.
– Não é um projeto para seis meses, um ano. É um projeto da KMW para 10, 20 anos ou mais. A fábrica na Alemanha disse: “Nós queremos fazer uma parceria com a cidade” – contou Christian Böge.
Também está em Santa Maria o representante legal da KMW no Brasil, Sönke Böge, que ficará responsável pelas assinaturas de contratos e também conversou com o Diário ontem.
‘Vamos treinar as pessoas’
Diário de Santa Maria – Por que a KMW escolheu Santa Maria para instalar sua unidade no Brasil?
Christian Böge – Nós escolhemos Santa Maria por ser um polo na parte industrial, pelos blindados estarem aqui, por fornece uma mão de obra muito especializada, muito específica na parte de engenharia.
Diário – A empresa pretende contratar mão de obra da cidade?
Christian – A mão de obra, pretendemos que seja de Santa Maria mesmo. Eles vão ser treinados aqui na cidade e, futuramente, serão enviados para a Alemanha para um aprendizado mais aprofundado. Para isso, o idioma alemão é também imprescindível. Não precisa ser fluente. Mas seria um fator positivo se já tivesse alemão. E se não tiver fluente, vamos dar treinamento e contratar empresas que tenham curso de idiomas.
Diário – Já existe um prazo para começar as obras?
Christian – Estamos definindo isso. Não posso dizer agora as datas. Nós precisamos ainda fazer alguns estudos referentes ao solo (nos terrenos que estão sendo analisados). As datas exatas, eu poderia dar em, aproximadamente, três semanas.
Diário – Quais seriam os planos futuros da KMW para Santa Maria? Será uma fábrica?
Sönke Böge – Vamos construir aqui um galpão, e dentro, vai ser uma fábrica. Além de cumprir o contrato com o Exército, queremos ser um centro de excelência de manutenção, para fazer serviços de manutenção e outras coisas sobre qualquer tipo de equipamento pesado. Pode ser uma colheitadeira, pode ser um caminhão pesado. Nós vamos trazer a tecnologia para fazer a manutenção preventiva e também, posterior, para todo o tipo de equipamento pesado. Teremos o nosso escritório e vamos ter tecnologia em soldagem, hidráulica e eletromecânica para oferecer para quem quiser. Aqui vai ter um centro de excelência para fazer aquilo que não se consegue fazer hoje no Brasil. Nós vamos trazer alguns tipos de equipamentos que ainda não existem no Brasil e que estarão à disposição também dos laboratórios das faculdades. E máquinas de soldagem que não existem aqui e que estarão à disposição das indústrias.
Brasília – O Exército Brasileiro continua no apoio aos desabrigados das enchentes na região serrana do Rio de Janeiro e participa, também, da fase de recuperação da mobilidade da população por meios dos trabalhos de lançamento de pontes. Assim, um Destacamento composto por militares do Batalhão Escola de Engenharia, sediado no Rio de Janeiro (RJ), e do 3º Batalhão de Engenharia de Combate, sediado em Cachoeira do Sul (RS), concluíu o lançamento da Ponte Tipo Compact 200 sobre o Rio Grande, na cidade de Bom Jardim.
Por meio dessa equipagem, montada para suportar até trinta toneladas de carga sobre o seu piso, foi reestabelecida a ligação do município com as demais localidades da região, além de permitir que linhas de ônibus municipais e intermunicipais circulem normalmente na área afetada pelas enchentes.
A equipagem permanecerá no local até que as obras de recuperação da ponte, destrída pela enchente, sejam concluídas.
Anúncio foi feito nesta quinta-feira, quando o presidente e diretores da KMW estiveram na cidade
A filial da fábrica de blindados da KMW _ Krauss Maffei Wegmann, da Alemanha, deve se instalar em Santa Maria em breve.
Nesta quinta-feira, o presidente e dois diretores da KMW, a mesma que produz os blindados Leopard, comprados pelo Exército Brasileiro, estiveram na cidade e, segundo o prefeito Cezar Schirmer (PMDB), confirmaram a instalação de uma filial da KMW na cidade, que deve ocorrer no primeiro semestre de 2011.
Conforme o prefeito, além de confirmar a vinda, a KMW também anunciou a transferência de sua matriz, que funciona em São Paulo, para a cidade. Ainda nesta sexta-feira, os empresários devem buscar um escritório para ser alugado em Santa Maria.
O valor do investimento que será feito em Santa Maria não foi revelado pelos empresários alemães, assim como o número de funcionários que a empresa deve absorver. Mas, de acordo com a prefeitura, desde engenheiros até mecânicos devem ser contratados na cidade e receber treinamento na Alemanha.
FONTE: Diário de Santa Maria / COLABOROU: Felipp Bittencourt Frassetto
O Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM) está situado na ilha homônima, localizada no extremo oeste da restinga da Marambaia, estado do Rio de Janeiro. A restinga da Marambaia representa o limite sul da Baía de Sepetiba, importante pólo econômico do estado.
No entorno da Baía de Sepetiba estão localizados, dentre outros, o porto de Sepetiba, a Base Aérea de Santa Cruz (BASC) e as instalações da NUCLEP. Futuramente, ao lado do porto de Sepetiba, também será instalada uma nova base naval e um estaleiro responsável pela construção de submarinos convencionais e de propulsão nuclear.
A restinga da Marambaia representa uma faixa arenosa que se estende por 45 quilômetros e que está orientada, grosso modo, no sentido leste-oeste. Toda a sua área é de propriedade da União e está subdividida em três partes.
No lado leste, próximo ao continente, está a área pertencente ao Comando do Exército (área destacada em verde na imagem abaixo) e na ponta oposta (lado oeste), está a área de propriedade do Comando da Marinha (área destacada em laranja). No centro da restinga, limitada pelas áreas do Comando da Marinha e do Comando do Exército, está a área pertencente ao Comando da Aeronáutica (área destacada em azul).
O relevo é bastante plano e sua monotonia é quebrada somente no extremo oeste da restinga, área pertencente à Marinha. O ponto mais elevado é o pico da Marambaia (480 metros acima do nível do mar). Além de ser uma área militar, também é um paraíso ecológico com rica fauna e flora, estando a cobertura vegetal muito bem preservada. A Restinga da Marambaia é considerada Área de Proteção Ambiental (APA), de vital importância para o meio ambiente.
O CADIM
O CADIM é uma OM (Organização Militar) subordinada ao Comando do Pessoal de Fuzileiros Navais (CPesFN), sendo comandada atualmente pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) Marcos José Ferreira Viana. Sob seu comando estão 324 militares e duas dezenas de civis. Uma pequena parte destes homens e mulheres reside no local. A outra parte desloca-se do continente para a ilha durante o dia, utilizando uma embarcação que parte de Itacuruçá.
A missão principal do CADIM é contribuir para o aprestamento de Forças Navais e dos Fuzileiros Navais. Cabe destacar que o CADIM é o único local em todo o estado do Rio de Janeiro onde navios, aeronaves e veículos militares podem fazer uso de armamento real para adestramento. Em função da proximidade com várias outras OM, o deslocamento das unidades a serem adestradas é feito de forma rápida, economizando tempo e recursos.
As principais instalações do CADIM localizam-se em uma área voltada para o interior da Baía de Sepetiba, antigamente conhecida como Saquinho. Dentre as diversas edificações existentes, destacam-se o prédio do comando (antiga escola de pesca), a igreja de Nossa Senhora das Dores e o Hotel de Trânsito. Existe também diversas casas para os militares e suas famílias que moram no local, assim como instalações de apoio, heliponto e uma escola municipal que funciona em convênio com a Marinha.
Além de realizar atividades de adestramento, o CADIM recebe eventualmente o Presidente da República para períodos de descanso. Ali, o chefe da nação hospeda-se com privacidade e segurança.
Histórico
No período do Brasil colonial, a região da Marambaia (na língua indígena “cerco do mar”) era visitada por corsários que se abasteciam de víveres e mantinham suas naus abrigadas do mau tempo. Já na segunda metade do século XIX, no período imperial, o comendador Joaquim José de Souza Breves tomou posse das terras da restinga e instalou ali um centro de entreposto de escravos provenientes da África. O prédio que abriga atualmente o Hotel de Trânsito da Marinha (ver foto abaixo) foi, no passado, a antiga senzala da fazenda.
O Comendador Breves faleceu 1889, um ano após a declaração da Lei Áurea. Dois anos depois, familiares do Comendador Breves venderam à Companhia Promotora de Indústrias e Melhoramentos os terrenos da Marambaia. Quando a companhia foi liquidada em 1896 a propriedade da Ilha foi transferida para o Banco da República do Brasil.
A União adquiriu a Ilha da Marambai, com todas as suas benfeitorias, em 31 de dezembro de 1904. Cerca de dois anos depois a ilha foi posta à disposição da Marinha do Brasil. Em 1908, passou a funcionar na Marambaia a Escola de Aprendizes-Marinheiros.
No final da década de 1930, foi instalada ali a escola de pesca Darcy Vargas. A escola era mantida com os recursos da Fundação Cristo Redentor, que pertencia ao senhor Levy Miranda (nome da atual escola municipal da ilha). No início da década de 1970, a Fundação Cristo Redentor estava sem recursos para manter a escola e o terreno foi reintegrado ao patrimônio da União, sendo retransferido para a Marinha.
Em 1971, a Marinha ativou o “Campo da Ilha da Marambaia” e as instalações passaram a ser gerenciadas pelo CFN. A extinta escola de pesca passou a abrigar o Centro de Recrutas do Corpo de Fuzileiros Navais (CRCFN) até o ano de 1981, quando foi criado o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM).
Apoio à população civil local
É parte integrante do trabalho da Marinha dar suporte à comunidade que vive na Ilha da Marambaia. Este apoio é conhecido como Ações Cívico Sociais (ACISO).
Como a única forma de se chegar e sair da ilha é por via marítima, a Marinha disponibiliza para a comunidade local transporte entre o CADIM e a localidade de Itacuruçá. Existe uma embarcação que faz o percurso duas vezes ao dia. Dependendo das condições de mar e do tipo de embarcação empregad,a a viagem leva entre uma hora e uma hora e meia.
Em relação às atividades educacionais, a Marinha mantém um convênio com a Prefeitura de Mangaratiba com o propósito de apoiar o ensino fundamental, ministrado na Escola de Ensino Fundamental Levy Miranda. Ali estudam dependentes de militares e crianças da comunidade local. Dentre outras tarefas, cabe à Marinha o transporte dos professores desde o continente até a ilha.
Também é prestada assistência Médico-Ambulatorial à população civil da Ilha. Quando quadros clínicos graves são diagnosticados, a Marinha pode empregar embarcações e lanchas rápidas para retirada dos pacientes. O CADIM também presta apoio às campanhas de vacinação aos programas de controle de epidemias e pragas.
Sociedade com empresas ligada ao Sivam e de irmão de Mercadante planeja participar de projetos de modernização das Forças Armadas
O grupo Odebrecht criou uma empresa para administração de negócios na área de Defesa. A intenção da recém-criada companhia Copa Gestão em Defesa é participar dos programas de modernização das Forças Armadas brasileiras – que poderá incluir desde o projeto do sistema de gerenciamento de controle aéreo na costa brasileira, em estudo pela Marinha, como a construção de navios-patrulhas de proteção das plataformas que exploram o petróleo da camada do pré-sal.
A empresa, que será controlada pelo grupo Odebrecht, terá dois sócios minoritários: a Atech, uma empresa de tecnologia criada por executivos para fazer a integração do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), e a Penta Prospectiva Estratégica, que tem a participação de Oswaldo Oliva Neto, irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato ao governo de São Paulo. Coronel reformado, Oliva Neto ocupou até 2007 o cargo de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República, depois transformado em ministério, após a saída do ex-ministro Luiz Gushiken do governo Lula.
A Copa Gestão em Defesa representa outro passo da Odebrecht no campo da Defesa. Em junho, o grupo firmou acordo com a EADS Defence & Security para formação de uma joint venture, no qual a empresa europeia – que controla na área civil a fabricante de aviões Airbus – possa tanto vender como transferir tecnologia para as áreas de Defesa e segurança.
No fim de 2008, a tradicional empreiteira já tinha sido escolhida pelo governo brasileiro – sem licitação – para ser a empresa brasileira responsável com a francesa DCNS pela montagem de quatro submarinos convencionais e um quinto submarino de propulsão nuclear – projeto avaliado em quase 7 bilhões de euros (cerca de R$ 16 bilhões), que engloba também a construção de um estaleiro e uma base naval para a Marinha.
Roberto Simões, executivo que ficou à frente da criação da Santo Antônio Energia, empresa que participa da construção de uma hidrelétrica no Rio Madeira, conduziu a formação da nova empresa de gestão na área de Defesa. A Odebrecht Plantas Industriais e Participações (OPIP) será a companhia do grupo à frente da Copa Gestão em Defesa.
Sócios minoritários da Odebrecht
Formada principalmente por engenheiros, a Atech nasceu em 1997 como uma fundação responsável pela integração do sistema do Sivam depois que a empresa Raytheon transferiu a tecnologia de monitoramente da Amazônia ao Brasil. Além do controle do tráfego e da defesa de espaço aéreo, o Sivam também faz o monitoramento ambiental e meteorológico. Mais recentemente, a fundação fez uma cisão de sua atividade, criando uma empresa de tecnologia, que será a responsável pelas atividades da Copa.
Além do irmão famoso do PT, Oliva Neto é filho do general reformado Oswaldo Muniz Oliva, ex-comandante da Escola Superior de Guerra (ESG) no fim dos anos 1980. A Penta presta atualmente consultorias ao setor privado, elaborando cenários nas áreas de Defesa e Segurança Nacional. Procuradas, as empresas não se manifestaram sobre a criação da companhia.
Sinal do fim de prestígio político dos militares, Exército, Marinha e Aeronáutica terão que abandonar os edifícios que ocupavam na Esplanada dos Ministérios
Claudio Dantas Sequeira
Símbolo do poder e prestígio que os militares mantiveram no Brasil mesmo após a redemocratização do País, os edifícios da Esplanada dos Ministérios ocupados pelas Forças Armadas estão prestes a receber novos moradores. Em uma decisão que demorou mais de 25 anos para ser tomada, o Executivo decidiu, finalmente, que os comandantes militares devem voltar a comandar as tropas da caserna, e não mais em uma área que originalmente foi criada para abrigar os ministérios. Ainda não há data definida para o início da mudança, mas internamente o Exército já concordou em ser o primeiro a voltar para o quartel. Mais do que prática, a medida tem um efeito simbólico importante e deve causar mal-estar em parte da tropa. Desde o fim da ditadura os militares vêm perdendo espaço na política brasileira. A criação do Ministério da Defesa, há 11 anos, significou o primeiro passo no controle civil das Forças Armadas. Mas só no Dia do Soldado, 25 de agosto, com a sanção presidencial da lei que reestrutura e fortalece a Defesa, é que o projeto avançou de forma concreta. Pois, mesmo sem a prerrogativa de ministros de Estado, sabe-se em Brasília que os comandantes militares mantiveram, em parte, o status do passado.
MUDANÇA – Comando do Exército será a primeira força militar a desocupar a Esplanada
“A desocupação desses imóveis será um marco histórico”, avalia Gunther Rudzit, que foi assessor do Ministério da Defesa na gestão do advogado Geraldo Quintão (2000-2002). O especialista lembra que Quintão, quando ministro, chegou a pensar na hipótese de remover as Três Armas da Esplanada, mas ficou só na intenção. “Não havia clima para isso, pois o Ministério, na verdade, não tinha controle nenhum sobre os militares, não indicava o comandante nem controlava o orçamento”, explica Rudzit. A história, no entanto, mudou na administração do ministro Nelson Jobim, especialmente a partir da aprovação da Estratégia Nacional de Defesa no Congresso. “Vai ter uma chiadeira, especialmente entre os oficiais da reserva. Vão achar que é revanchismo”, prevê o especialista. O presidente do Clube Naval, almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral, concorda. Para ele, trata-se de uma medida vertical, feita sem consulta prévia e cuja reação não será positiva. “A Esplanada é o centro do poder. É aquela velha história; quem está perto do rei manda ou influencia, quem está longe não interfere”, afirma Veiga Cabral.
OLIVA – Exército será a primeira das Três Armas a voltar para a caserna
Fontes do Alto Comando ouvidas por ISTOÉ confirmaram que o Exército será a primeira Arma a deixar a Esplanada. Desde que o comandante era ministro, seu gabinete sempre esteve localizado no “Forte Apache”, quartel-general localizado no Setor Militar Urbano. Mas toda a burocracia do Comando Militar do Planalto, da 11ª Região Militar e da Secretaria de Economia e Finanças está abrigada no edifício ministerial. “Esse conjunto todo será transferido para uma área ao lado do quartel-general, e vamos entregar os imóveis ao Patrimônio da União”, explica um assessor. Segundo ele, o Exército deixará a Esplanada provavelmente no final de 2011, assim que as obras da nova sede estiverem concluídas. A Força Aérea, por sua vez, deve ser a segunda a sair. O gabinete do comandante e toda a estrutura de assessoria deverão ser realocados perto da base aérea de Brasília, numa área onde hoje funciona o Comando-Geral de Operações Aéreas (Comgar). “Não é de hoje que o comando pensa em sair, tanto é que mantém uma estrutura administrativa relativamente pequena”, explica um oficial da FAB. Já a Marinha ainda não definiu se vai para a área Alfa, localizada na BR-040, em Santa Maria, distante 35 quilômetros do Plano Piloto.
Em ótimo estado de conservação, as instalações que serão desocupadas pelos Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica já são cobiçadas por outros ministérios e secretarias especiais, que por falta de espaço funcionam empilhadas nos mesmos imóveis. É o caso, por exemplo, do Bloco A, que abriga os ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Esporte, além das secretarias de Promoção da Igualdade Racial e de Política sobre Drogas. Sem contar a possibilidade de criação de novos ministérios, como o das Micro e Pequenas Empresas, idealizado por Dilma Rousseff.
“O ministro Nelson Jobim está sacudindo a caserna”, diz o coronel da reserva Geraldo Cavagnari. Para ele, a saída das Forças Armadas da Esplanada dos Ministérios era uma questão de tempo. “Quando tínhamos os ministros militares, a ocupação desses imóveis se justificava. Mas isso mudou. Os comandos não são instâncias políticas e a Esplanada é um local de órgãos políticos”, afirma. Segundo Cavagnari, que durante a Constituinte apresentou a proposta de criação do Ministério da Defesa, a mudança faz parte da consolidação do regime democrático. “É bom para o processo de despolitização das Forças Armadas. Toda essa reestruturação já deveria ter ocorrido antes, não fossem os antecessores de Jobim uns ministros medíocres”, afirma. Joanisval Gonçalves, especialista em defesa, prevê uma reação negativa na caserna. “A entrega dos ministérios é uma perda de prestígio muito grande. E, diga-se de passagem, parece uma agressão direta, um revanchismo”, diz. Gonçalves garante que a influência política dos militares hoje é mínima. “Dizer o contrário só serve para justificar decisões como essa.”
Militares e policiais federais poderão entrar e transitar em terras ocupadas por indígenas e realizar manobras, acampamentos, patrulhas, policiamento e outras atividades para a segurança da integridade do território nacional, para a garantia da lei e da ordem e para a segurança pública. É o que autoriza projeto do senador Augusto Botelho (PT-RR), aprovado ontem na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), que agora será votado pelo Plenário.
De acordo com o PLS 69/04 – Complementar, as Forças Armadas e a Polícia Federal poderão instalar e manter, nas áreas indígenas, unidades militares e policiais, equipamentos para fiscalização e apoio à navegação aérea e marítima, vias de acesso e demais medidas de infraestrutura e logística necessárias. Poderão ainda implantar programas e projetos de controle e proteção da fronteira.
O projeto de Augusto considera como relevante interesse público da União o exercício das atribuições constitucionais e legais das Forças Armadas e da Polícia Federal em terras ocupadas por indígenas.
Condições
O Conselho de Defesa Nacional terá que analisar o plano de trabalho relativo à instalação permanente de unidades militares e policiais naquelas áreas com as seguintes especificações: localização, justificativa, construções e contingente ou efetivo de policiais e militares.
A proposição também estabelece que toda ação deverá adotar medidas de proteção da vida e do patrimônio dos indígenas e de suas comunidades, de respeito aos usos, costumes e tradições desses povos.
O projeto original previa que a instalação de unidades policiais e militares, de equipamentos e das vias de acesso em áreas indígenas seria permitida somente em faixa de fronteira. Mas a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou emenda, acolhida pela CRE, que retirou essa expressão do texto para evitar limitação ao trabalho dos policiais e militares na região.
O relator, Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar ação relativa à reserva Raposa Serra do Sol, “pacificou essa questão” quando não deixou dúvidas sobre a liberdade de atuação das Forças Armadas e da Polícia Federal em terras indígenas.
Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos
O Brasil está investindo mais em projetos de inovação na área de defesa. Estudo inédito feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nos últimos oito anos, a participação do setor de defesa nos desembolsos dos fundos setoriais cresceu cerca de 10%. Do total de 13.433 projetos analisados pelo Ipea e que receberam apoio dos fundos, 258 estavam relacionados com o setor. Esses projetos, segundo a pesquisa, receberam R$ 479 milhões entre os anos de 2000 a 2008 e representaram cerca de 11% dos desembolsos dos fundos setoriais no período.
O trabalho faz parte de uma análise da inovação nos setores industriais brasileiros, desenvolvida em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo a diretora-adjunta da Diretoria de Estudos Setoriais do Ipea, Fernanda De Negri, responsável pela pesquisa sobre a participação do setor de defesa nos fundos setoriais, os mecanismos de apoio à ciência, tecnologia e inovação no Brasil vem registrando um crescimento importante nos últimos quatro anos. “O orçamento dos fundos setoriais para inovação subiu de R$ 300 milhões por ano para R$ 2 bilhões”, ressalta.
A participação atual do setor de defesa nos desembolsos dos fundos, de acordo com Fernanda, pode ser considerada expressiva, tendo em vista que no ano 2000 os projetos nessa área respondiam por menos de 1% do total liberado para pesquisas e desenvolvimento em inovação. “O aumento dos investimentos do governo em projetos de defesa é resultado de uma nova percepção da importância desse setor para o desenvolvimento do país, pois várias dessas tecnologias têm aplicações que podem gerar importantes efeitos de transbordamento para o setor produtivo brasileiro”, disse a diretora.
O Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), prevê o apoio a uma série de ações na área de defesa, com destaque para os sistemas computacionais complexos, tecnologia de sensoriamento remoto, fabricação e emprego de propelentes e explosivos, veículos autônomos, estruturas resistentes e eficientes, sensores, ações de defesa química, biológica e nuclear e integração de sistemas.
Ainda segundo a pesquisa do Ipea, dos 258 projetos relacionados com o setor de defesa, 99 foram desenvolvidos com a participação de 44 empresas, representando 46% do valor desembolsado pelos fundos ou R$ 223 milhões. “Levando-se em conta que a base industrial de defesa, utilizada neste trabalho, é composta por aproximadamente cem empresas, mais de 40% delas são apoiadas pelos fundos setoriais, evidenciando a elevada participação deles no apoio à P&D no setor de defesa”, ressalta Fernanda na pesquisa. Um dos principais projetos relacionados ao setor de defesa e apoiados pelos fundos setoriais nos últimos anos está o navio polar de apoio à pesquisa, que respondeu por 15% dos recursos destinados aos projetos selecionados. Ele foi adquirido pela Marinha para apoiar o programa de pesquisas brasileiro na região Antártica.
A pesquisa do Ipea também mostra que o sistema setorial de inovação no setor de defesa está bastante concentrado nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, devido à localização das instituições de pesquisa das Forças Armadas nessas regiões.
A preocupação com as divisas territoriais ganhou corpo após o anúncio da descoberta de reservas de petróleo e gás na camada de pré-sal, em novembro de 2007. Nos dois anos seguintes, os recursos destinados ao Ministério da Defesa foram ampliados em 45,64%. Segundo especialistas, houve antecipação de encomendas com o objetivo de manter a soberania nacional frente aos novos recursos naturais. Mesmo assim, os valores para a compra e renovação de equipamentos militares representaram apenas 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.
A camada pré-sal engloba as bacias do Espírito Santo, Campos (Rio) e Santos (SP). Conforme estimativas, a reserva pode conter 100 bilhões de boe (barris de óleo equivalente), o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo. Antes, as reservas nacionais eram de cerca de 14 bilhões de boe. A primeira descoberta foi feita em julho de 2005, mas o potencial de exploração só foi anunciado dois anos depois.
O aporte para a Defesa Nacional somaram R$ 4,79 bilhões no ano passado, montante 37,05% superior aos R$ 3,495 bilhões de 2008 e 45,64% maior que os R$ 3,289 bilhões de 2007. Esses valores incluem investimentos feitos pela Marinha, Exército e Aeronáutica e pela administração central do Ministério da Defesa.
O declaração oficial da pasta, no entanto, é de que não há relação entre a descoberta do óleo e o incremento dos recursos destinados à proteção do território brasileiro. O ministério ressalta ser uma política deste governo valorizar as Forças Armadas.
Manuel Nabais da Furriela, coordenador do Curso de Relações Internacionais da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), diz que no texto do Projeto de Defesa Nacional, consta proteção a recursos naturais, o que inclui os marítimos – muito valorizados atualmente.
Furriela afirma que a necessidade de reequipar as Forças Armadas existe há alguns anos, mas foi adiada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso por questões financeiras.
– As descobertas do pré-sal aceleraram o processo de modernização militar nacional. O que atrasa as negociações são condições técnicas, com a transferência de tecnologia – diz.
Seria ideal para o Brasil se os investimentos em renovação dos equipamentos militares chegasse a 2% do PIB, avalia Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).
Projetos
Entre os principais projetos do governo brasileiro na área de Defesa, estão a construção no Brasil de quatro submarinos convencionais e um submarino à propulsão nuclear (custo de 4,324 bilhões de euros ou R$ 12,1 bilhões).
Está em fase de análise a concorrência para a compra dos 36 caças que renovarão a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) e a construção de 50 helicópteros EC-725 (custo de 1,847 bilhão de euros ou R$ 5,1 bilhões) pela empresa brasileira Helibrás – associada ao grupo francês Eurocopter – que servirão Exército, Marinha e Aeronáutica.
A construção dos submarinos e dos helicópteros será feita no Brasil, com transferência de tecnologia, conforme acordo de parceria estratégica assinado em dezembro de 2008 pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy.
Expedito Bastos, pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), destaca que entre 1970 e 1980 o Brasil tinha empresas que supriram militarmente às necessidades de equipamento nacional. Ele destacou que algumas companhias ainda exportavam seus produtos. “A maioria das empresas dessa época faliu. O país não compreendeu a importância estratégica do setor”. Para ele, é preciso continuidade de investimentos em pesquisa e capacitação profissional.
Brasília (DF) – No dia 29 de dezembro, o Comando Logístico (COLOG), representado pelo Diretor de Material, General Mayer, assinou um contrato com a Fundação Ricardo Franco, destinado à execução de serviços de engenharia, de natureza logística e tecnológica, para desenvolvimento, implantação e operação de um Sistema Logístico Integrado (SLI) de apoio à vida útil da Família Leopard 1 adquirida do Exército da Alemanha e cujo 1º lote foi entregue ao Exército Brasileiro no corrente mês. No contrato está prevista, também, a implantação de linhas de pesquisa destinadas a apoiar o desenvolvimento do futuro blindado brasileiro de lagartas.
A Fundação Ricardo Franco é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de fundação de apoio ao Instituto Militar de Engenharia (IME). Foi instituída em 04 de dezembro de 1997, nos termos da Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994, observadas as disposições legais que regem as fundações privadas e a Resolução n° 68, de 13 de novembro de 1979, da Procuradoria-Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que houve um ‘desligamento’ total da Usina de Itaipu na noite desta terça-feira. A queda teria provoado um efeito cascata em outras linhas do Sistema Integrado Nacional. O ministro afirmou que 14 mil megawatts foram desligados, possivelmente por causas atmosféricas, e consequentemente outras linhas de energia foram afetadas. O apagão atingiu 12 Estados mais o Distrito Federal.
NOTA DO EDITOR: O apagão mostrou novamente como o Brasil é vulnerável em sua infraestrutura, tanto do ponto de vista econômico quanto no estratégico. Itaipu certamente seria um alvo perfeito para um inimigo do Brasil. É preciso criar redundância no sistema elétrico brasileiro e também um sistema de defesa para proteger esse ponto estratégico fundamental do País.
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Desenvolvimento de uma Mentalidade de Defesa no Brasil
A sociedade brasileira não demonstra ainda grande interesse pelos assuntos diretamente ligados à defesa nacional e o tema não é prioritário para as lideranças e os formadores de opinião do País.
A Estratégia Nacional de Defesa apresenta dentre suas metas o desenvolvimento de uma mentalidade de defesa na sociedade. Nesse sentido, A "trilogia" Forças de Defesa tem como objetivo tornar os assuntos de defesa parte da agenda nacional, a ponto de influenciar decisivamente as políticas governamentais no futuro.
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