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Novos blindados contarão com freios ABS, tração nas 4 rodas e ar-condicionado potente, melhorando o conforto dos policiais

 

novocaveiraorjdivvinheta-clipping-forte1O governo do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira a empresa sul-africana Paramount Logistics Corporation vencedora do pregão internacional realizado para a aquisição de oito novos blindados que reforçarão as operações de segurança no Estado, substituindo os atuais “caveirões”. O resultado do certame – que teve início em janeiro e contou com a concorrência de cinco companhias estrangeiras – foi publicado no Diário Oficial de sexta-feira. Os oito veículos táticos foram adquiridos por R$ 6,65 milhões.

Conheça o Maverick, o novo ‘caveirão’

O objetivo é fornecer quatro veículos táticos para o Batalhão de Operações Especiais (Bope), dois para o Batalhão de Choque – ambos da Polícia Militar – e dois para a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil.

Os novos blindados deverão possuir tecnologia de ponta, com sistema de freios ABS, tração nas quatro rodas, sistema de detecção e supressão de incêndio no motor, além de capacidade para se locomover em locais íngremes e acidentados. Outra exigência especial é instalação de ar-condicionado potente e que contenha um sistema de alimentação de energia independente do motor, permitindo que a refrigeração funcione normalmente com o blindado desligado. Os veículos táticos também terão que utilizar diesel S10, que é um combustível menos poluente.

Além de fornecer os blindados, a empresa vencedora também realizará os serviços de manutenção dos veículos durante cinco anos. Segundo o governo, os blindados serão um reforço importante para os grandes eventos esportivos que o Rio de Janeiro receberá nos próximos anos.

FONTE: Terra

A Síria é aqui

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Daniel Cerqueira

 

vinheta-clipping-forte1A ONU anunciou recentemente que desde o princípio do conflito na Síria, em março de 2011, cerca de 70 mil pessoas foram mortas naquele país. Nesse mesmo período no Brasil, segundo nossos cálculos, baseados nas informações oficiais do Ministério da Saúde, 120 mil pessoas foram assassinadas. Porém, ao contrário de uma guerra pontual, o conflito difuso por cá já dura décadas – tendo vitimado mais de 1,4 milhão de indivíduos, desde 1980 – e pode ser vaticinado com pequena margem de erro: em 2013, algo em torno de 60 mil pessoas sofrerão homicídio, sendo em sua esmagadora maioria homens, jovens, negros ou pardos, com menos de sete anos de estudo, que serão mortos nas vias públicas, por arma de fogo, no período noturno, entre 20h e meia-noite.

Até a década de 90, o debate da segurança pública no país seguia num movimento pendular, que ora clamava por mais policiamento (e de preferência uma polícia dura para acabar com os criminosos); e ora repousava no determinismo do crime como uma consequência natural das mazelas sociais. Nos anos 2000 a mudança: percebeu-se que o debate bipolar era por demais simplório; e que o caminho implicava numa política que unisse a prevenção social com o bom policiamento, que respeita os cidadãos. No plano político houve também importantes inovações. Exatamente em 2000, após o incidente do ônibus 174, pela primeira vez a segurança pública foi tema das eleições municipais; e o governo federal interveio mais diretamente na questão, com o estabelecimento do 1º Plano Nacional de Segurança Pública e do Fundo Nacional de Segurança Pública. Já na era Lula, a ideia de integração entre os entes federativos e de política preventiva baseada em ações locais foi levada a sério, em que as prefeituras formulariam propostas de programas a serem financiados pelo governo federal.

Afora os problemas de governança e de coordenação entre os entes federativos, ainda não resolvidos, descobriu-se que apenas poucos municípios estavam habilitados a fazer tais propostas. Por outro lado, o desafio de conter os homicídios no Brasil é uma tarefa tão árdua e tão importante que não pode ficar apenas a cargo das polícias, das prefeituras, ou do governo federal.

É hora de um pacto anti-homicídio que envolva os vários entes federativos, a sociedade civil, o empresariado e a academia; e que seja baseado não apenas numa carta genérica de intenções, mas orientado por um diagnóstico preciso sobre as condições e os fatores criminogênicos em cada uma das 288 cidades com mais de cem mil habitantes no Brasil. E onde cada programa e política adotada tenham a sua efetividade avaliada quantitativamente, em vez de ter o seu sucesso festejado pelo senso comum. Esta é a hora! Se não pelas tragédias diárias que desestruturam as famílias brasileiras, pela perda econômica associada a essas mortes, que somam R$ 110 bilhões, a cada ano.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

FOTO: Brasil de Fato

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Reforço chegou em SC por volta das 14h20min desta sexta-feira

 

vinheta-clipping-forte1Os soldados da Força Nacional chegaram em Florianópolis por volta das 14h20 desta sexta-feira na Base Aérea. Às 16h, 25 homens se deslocaram em direção à Academia de Polícia. Cerca de 150 soldados já estão na cidade. O comandante-geral da PM em SC, coronel Nazareno Marcineiro, estará no comando da operação de combate aos atentados em Santa Catarina.

Em coletiva, Nazareno pediu apoio da imprensa em relação à confidencialidade da operação que será desenvolvida.

Ainda de manhã, os soldados publicaram no Twitter uma foto se preparando para a viagem com a frase:

—O bixo (sic) vai pegar—, escreveu um dos participantes do grupo.

Ainda nesta sexta, a secretária Regina Minck, Secretaria Nacional de Segurança Pública, o secretário Estadual de Segurança Pública, César Grubba, e o comandante geral da Polícia Militar, o coronel Nazareno Marcinero, se reuniram à tarde para tratar de como será a operação em Santa Catarina. (ver notícia completa no link abaixo).

FONTE: anoticia.clicrbs.com.br

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Por Fernando Montenegro

vinheta-opiniao-forteMesmo não possuindo poder de combate para enfrentar o Exército durante a pacificação dos complexos de favelas do Alemão e da Penha, os integrantes do crime organizado prosseguiram promovendo ações hostis, principalmente no campo das operações psicológicas, durante toda a ocupação.

As técnicas, táticas e procedimentos de guerra irregular usados atualmente pelo crime organizado no Brasil foram assimilados pelos revolucionários comunistas na década de 1960 em Cuba, na China, na Albânia e outros países da Cortina de Ferro. Posteriormente, o guerrilheiro brasileiro Carlos Marighela os sintetizou escrevendo o Mini Manual do Guerrilheiro Urbano (1969), conhecido e usado pelas principais organizações terroristas e criminosas do mundo hoje em dia. Quando colocaram integrantes da luta armada e criminosos comuns no Presídio da Ilha Grande nas mesmas celas, no início da década de 1970, estes ensinamentos foram difundidos.

Da simbiose entre criminosos políticos e os comuns, nasceu o Comando Vermelho, primeira facção de crime organizado do Brasil, hoje possuindo conexões internacionais com vários segmentos do narcoterrorismo transnacional, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Durante a pacificação de algumas favelas no Rio de Janeiro, puderam-se observar ações psicológicas direcionadas aos diversos públicos-alvo do cenário: as tropas do Exército, os próprios criminosos, a população local das comunidades e a opinião pública em geral. Da mesma forma, foram desenvolvidas as chamadas propagandas branca, cinza e negra ao longo da operação.

As pichações em muros e paredes, anteriores à pacificação, foram anuladas pela ação da tropa logo no início. No entanto, novas gravações e pinturas enaltecendo a facção criminosa e as iniciais de seus principais líderes foram realizadas em outros lugares, com siglas referentes ao Comando Vermelho. Também foram grafitados desenhos e textos ironizando a ação do Exército. Normalmente ocorriam nos intervalos de ronda das patrulhas.

Em situações de maior tensão, aproveitando-se de tumultos, surgiam rapidamente faixas e cartazes já preparados previamente, dando a impressão de que as turbas teriam sido agrupadas para aumentar o efeito e a visibilidade dos materiais. Também acompanhavam as faixas panfletos normalmente bem escritos, manipulando e distorcendo os fatos, procurando desacreditar a Força de Pacificação.

O Comando Vermelho filmou e filma suas atuações por ocasião dos embates e depois edita os vídeos, mostrando as forças legalistas sendo alvejadas em associação com imagens depreciativas da polícia ou das Forças Armadas e insatisfações da população com a exclusão social das favelas.

Esses vídeos são acompanhados de legendas e músicas que fazem apologia ao crime organizado. Depois de prontos, eles são postados no YouTube e outros sites da internet, usando inclusive redes sociais.

Os criminosos também se valem da difusão de boatos ameaçando a tropa e seus colaboradores através da comunidade ou simulando conversas no rádio (sabendo que estão sendo monitorados).

Outra forma de evidenciar força ou associação ao terror é a própria embalagem das drogas. Além de identificarem explicitamente sua proveniência, procuram usar slogans como “Rebeldes da Líbia”, “Esquina da Somália”, “Respeita o crime”, “Lança Míssil”. Sempre vêm acompanhados das iniciais CVRL (Comando Vermelho Rogério Lengruber, fundador do grupo) e alguma imagem de um traficante ou de uma arma.

A manutenção da lei do silêncio na comunidade é realizada através do terror. Os traficantes que possuem registro de atividades criminosas na polícia abandonaram a área, entretanto os “ficha-limpa” permaneceram na comunidade, promovendo atividades ilícitas de pequeno volume, direcionadas principalmente ao consumo interno. Os colaboradores das Forças Armadas tinham que ser muito discretos sob o risco de serem “justiçados” pelos criminosos.

Existem vários estúdios rudimentares que produzem músicas de péssima qualidade e com linguagem extremamente chula visando a apologia ao sexo explícito, ao crime organizado e depreciando a polícia ou o Exército. Essas músicas são muito populares no interior das favelas e são usadas para promover a degradação moral da comunidade, edificar os criminosos e provocar as forças legalistas. Embora sejam constantemente reprimidas, muitas vezes fica difícil identificar em tempo a origem do som dentro do labirinto de becos e vielas de uma favela com 16 km de perímetro e 400 mil habitantes.

Em algumas ocasiões, durante a madrugada, foram preparados gatilhos de tempo em artefatos caseiros para incendiar veículos estacionados na rua, mas foram neutralizados antes de serem detonados. Em outras ocasiões, foram preparadas barricadas com a finalidade de impedir ou dificultar o trânsito das viaturas. Essas ações normalmente eram muito bem articuladas, pois contavam com a participação de várias pessoas. Alguns olheiros (vigias), distribuídos nos arredores, monitoravam a movimentação da tropa, usando celulares para falar ou enviar mensagens de texto, ou mesmo rádios tipo talk about.

Tendo em vista que existe uma quantidade significativa de pessoas que vivem e se beneficiam do tráfico de drogas (vigilantes, vendedores, seguranças, embaladores/preparadores, transportadores, dentre outros), estas eram usadas sistematicamente para provocar arruaças e desgaste na tropa, ao promover brigas, desobediência e resistência ao acatamento de ordens.

Normalmente, mulheres, gestantes, idosos e crianças simpatizantes do tráfico formavam uma barreira protegendo os marginais contra a tropa por meio de escândalos, agredindo com palavras ou arremessando objetos de toda ordem. Essa situação costumava ser extremamente delicada, até mesmo para o uso de tecnologias não letais (spray de pimenta, munição de borracha, entre outras), pois quase sempre havia elementos preparados para filmar as ações da tropa e explorar as imagens na mídia. Em várias oportunidades, parecia que os jornalistas já estariam por perto, alertados de que haveria algum enfrentamento e, após a chegada deles, as turbas eram formadas e as hostilidades iniciavam.

Do acima descrito, pode-se perceber que os integrantes do Comando Vermelho dominam várias técnicas de emprego de Operações Psicológicas, direcionando-as aos diversos públicos-alvo integrantes do Teatro de Operações e sabendo usar redes sociais, internet, edição de vídeos, gravações de músicas, ou atividades mais rudimentares como grafitar paredes ou espalhar o terror com boatos e ameaças.

A maior dificuldade em realizar uma repressão mais eficaz a essas ações das forças adversas foi a falta de liberdade legal da tropa, conforme as regras de engajamento. É importante salientar que o Exército foi empregado numa situação de normalidade constitucional. Isso significa que todos os moradores das comunidades (por mais violência e ilícitos que houvesse) estariam em pleno gozo de seus direitos e garantias individuais. A tropa não possuía, portanto, autorização para entrar nas casas/barracos, recolher veículos sem documentação (missão da polícia), ou realizar outras ações. Os militares deveriam agir como se estivessem em um bairro de classe A, por exemplo.

A decisão da forma de emprego foi tomada no plano político e causou um enorme desgaste à Força de Pacificação em todos os níveis hierárquicos; entretanto, mais uma vez, os militares brasileiros souberam se adaptar a essas condicionantes, anularam as ações e concluíram a missão com sucesso histórico sem precedentes, entregando as comunidades às autoridades do estado do Rio de Janeiro, com índices de segurança inéditos naquela região.

*Fernando Montenegro, Coronel da reserva do Exército brasileiro e por duas vezes comandante de uma Força Tarefa Valor Batalhão de Infantaria Leve

FONTE: Portal Diálogo-Américas

Caveirões de Israel para polícia do Rio

São oito blindados, além da manutenção da frota por cinco anos

 

vinheta-clipping-forte1Global ShieldRio – O secretário de Segurança José Mariano Beltrame vai renovar a frota de ‘caveirões’ das polícias por R$ 6,150 milhões, cerca de 28% do preço inicial de R$ 22 milhões estipulado pelo governo do estado na concorrência. O pregão internacional para a compra de oito novos blindados aconteceu ontem, e a empresa israelense Global Shield ofereceu os carros, gestão da frota e manutenção por cinco anos.

O ‘desconto olímpico’ de cerca de 72% é creditado aos grandes eventos, como a Copa de 2014 e Olimpíada de 2016, quando a empresa de Israel terá no Rio o maior show-room de segurança pública mundial.

O resultado da licitação deve ser publicado hoje no Diário Oficial do Estado. Participaram ainda outras três empresas: a sul-africana Paramount, a americana Plazan-Oshkosh e a também israelense Quartzu-Haitehof. A francesa Renault foi desclassificada pois apresentou preço 10% acima do preço inicial.

Os oito novos veículos blindados irão para o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil.

Ao justificar a necessidade da compra, no lançamento da licitação, a Casa Civil do governo estadual argumentou que os eventos que a cidade vai receber aumentaram a demanda por ações de prevenção contra atos de terrorismo e pelas demandas rotineiras.

“As forças de segurança pública fluminense vivenciam, atualmente, uma incompatibilidade entre as necessidades materiais… e as condições de trabalho.Como resultado, o agente faz sem segurança o que gera número de lesionados e feridos mortalmente, por falta das condições”, dizia o edital.

FONTEodia.ig.com.br

vinheta-clipping-forte1(Heraldo Muñoz, subsecretário geral da ONU e diretor regional para América Latina e Caribe do PNUDEl País, 11) 1. O lado frágil da América Latina é o crime, a violência e a insegurança. Com diferentes intensidades entre os países, a região sofre de uma epidemia de violência, acompanhada pelo crescimento e disseminação de crimes, bem como pelo aumento do medo entre os cidadãos.

2. Entre 2000 e 2010 a taxa de homicídios da região aumentou 11%, enquanto que na maioria das regiões do mundo diminuiu. Se considerarmos os países com dados entre 1980 e princípio de 1990, em comparação com o momento atual, veremos que os roubos quase triplicaram nos últimos 25 anos.

3. Por que isso ocorre? Uma razão é que os países da região ainda sofrem com a incompetência na área de justiça e segurança. Isso se reflete em níveis alarmantes de impunidade, na crise que aflige seus sistemas prisionais e da desconfiança dos cidadãos em relação às instituições policiais e judiciais.

4. É justamente à luz dessas deficiências que a privatização da segurança tem ganhado força, o que tende a aprofundar a desigualdade no acesso à segurança e deixa sem solução os desafios enfrentados pelo Estado como o principal responsável pela segurança.

5. Outra razão de fundo são os laços comunitários como a família, escola e comunidade que perderam sua força em alguns contextos como tensores sociais que permitem desenvolver formas positivas de convivência. A insegurança reconfigurou o tecido social das sociedades latino-americanas, reduzindo os espaços de cooperação, confiança e participação cidadã e propiciando, em alguns casos, formas de organização distorcidas pelo medo e pela desconfiança, como a “justiça pelas próprias mãos”.

6. Apesar de o crime organizado ter ganhado notoriedade como um catalisador da violência e criminalidade em nível local e transnacional, a afetação cotidiana dos cidadãos revela que estão expostos a muitas outras ameaças, como a criminalidade de rua, a violência sexual e a violência exercida pelos e contra os jovens. Estas ameaças, na prática, estão interligadas e em um ciclo contínuo.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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Em uma noite fria de novembro, na Times Square, em Nova York, o policial Lawrence DePrimo, 25, estava trabalhando em um posto de combate ao terrorismo quando encontrou um mendigo idoso descalço.

Os dois sumiram por alguns instantes e, quando voltaram, o policial segurava um par de botas novas nas mãos e se ajoelhou para ajudar o homem a colocá-las. O gesto de bondade teria passado despercebido se não fosse uma turista do Arizona, que fotografou a cena com um celular.

A foto foi enviada para a página do Departamento de Polícia de Nova York no Facebook, o que fez com que DePrimo se tornasse um herói da noite para o dia.

“O homem estava congelando e era possível ver as bolhas nos seu pés”, disse DePrimo em entrevista ao “The New York Times”. “Eu estava com dois pares de meias e ainda sentia frio”, continuou. Depois de uma breve conversa, o policial descobriu o número que o mendigo calçava.

Apoiando-se nos calcanhares, o homem caminhou lentamente pela avenida, ao lado do policial, que entrou em uma loja de calçados. O responsável pela loja naquela noite, Jose Cano, 28, disse que ficou surpreso com a atitude do policial e ofereceu seu desconto de funcionário para que o valor das botas caísse de US$ 100 para cerca de US$ 75.

“Ele é o homem mais educado que conheci”, disse o policial, acrescentando que o rosto do homem se iluminou ao ver as botas. DePrimo contou ainda que ofereceu uma xícara de café para o homem, mas, “tão logo as botas estavam em seus pés, ele seguiu o seu caminho, e eu voltei para o meu posto”, disse. O mendigo não foi localizado pela reportagem do jornal americano.

A fotografia do policial ajoelhado próximo ao homem foi postada em uma terça-feira à noite e já no início da noite de quarta-feira havia sido vista 1,6 milhão de vezes. A imagem também recebeu 275 mil “curtir” e mais de 16 mil comentários no Facebook, o que representa um enorme sucesso para um perfil de departamento de polícia, que geralmente recebe fotos de armas e cerimônias de premiação.

Assim, a imagem do policial que se ajoelha para ajudar um mendigo descalço a se calçar se destacou. “Essa é definitivamente [a imagem] mais viral”, disse Barbara Chen, uma porta-voz do departamento, que ajuda a gerenciar a página no Facebook.

A maioria dos comentários trazia elogios ao policial, mas alguns usuários da rede social disseram suspeitar de que a fotografia tivesse sido encenada.

O policial DePrimo, que entrou na corporação em 2010 e vive com os pais em Long Island, ficou espantado com a fama repentina.

A foto foi tirada por Jennifer Foster, diretora de comunicação do escritório do xerife do condado de Pinal, no Arizona. Ela disse que, no momento em que viu a cena, lembrou-se de um dia em que, ainda menina, viu seu pai, um veterano de 32 anos da força de polícia de Phoenix, entregar um prato de comida a um mendigo. “Ele agachou-se, assim como esse oficial”, disse Foster.

FONTE: UOL Notícias

 

*WASHINGTON NOVAES

Que quer dizer exatamente a onda redobrada de violência na Grande São Paulo e no interior paulista, em Santa Catarina, Goiás, Paraíba, Bahia, Ceará e outros Estados? O tema está a cada dia mais presente na comunicação e suscita, até mesmo em entrevistas e artigos assinados, muitas interpretações. Na verdade, a questão já era muito forte e só agora temos uma nova visão? Ou se trata de uma escalada na violência? Por quê? Será coincidência ou um salto de consciência?

Carmo Bernardes, o falecido escritor mineiro/goiano, costumava dizer que os acontecimentos (e a consciência sobre eles) em nossa vida não escorrem lentamente, e sim dão saltos repentinos: de um momento para outro, vem-nos a consciência de que houve uma mudança forte, um salto. Será assim neste momento? Ou se trata apenas de coincidência, situações momentâneas? Por um lado, as estatísticas de crimes mostram que a situação não é nova, embora possa ter-se agravado – apenas se estaria dando mais ênfase. De fato, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, citado pelo ministro da Justiça (Estado, 14/11), diz que já tínhamos no ano passado 471.200 pessoas presas em 295.400 vagas, com um déficit de 175.800 vagas e 1,6 preso por vaga. Só no Estado de São Paulo, 195 mil presos, ou 1,9 por vaga. Nas 28 prisões da Região Metropolitana, no ano passado, 43.600 presos. E 250 mil pessoas detidas provisoriamente.

Então, por que não percebemos antes a enormidade do quadro e só lhe damos atenção agora? Há indícios de que ocorreram mudanças importantes e certas coisas parecem mais visíveis. Entre elas, um aparente deslocamento geográfico do crime organizado, em busca de novos territórios, desde que cessou o acordo não declarado que havia no Rio de Janeiro, desde o governo Chagas Freitas, na década de 1970, entre a polícia e o tráfico de drogas – “vocês não descem o morro e nós não subimos”. Com a ocupação de morros e favelas pelo programa das Unidades de Polícia Pacificadora, o crime (tráfico de drogas, especialmente) teve de migrar – inclusive para fora do Estado. São Paulo e Santa Catarina parecem ser novos territórios, ou a busca deles.

Mas essa busca tem implicado uma escalada. Os comandos de organizações na área do tráfico têm recorrido até à requalificação técnica de seus membros, matriculando-os em cursos que ensinam a manusear explosivos (Folha de S.Paulo, 18/11). Tem significado a exigência de que os devedores aos mandantes do tráfico sejam obrigados a saldar suas dívidas executando policiais – seis PMs e dois agentes prisionais foram executados em 20 dias (Estado, 15/11), quando 154 pessoas foram assassinadas. Em um ano, foram mortos 93 policiais (19/11). Ordens de ataques têm partido de dentro de prisões (15/11), a ponto de os governos federal e paulista cogitarem de instalar bloqueadores de celulares em presídios, ao custo de R$ 1 milhão em cada um deles, levados para 143 unidades prisionais (19/11). A evidência de que esses novos fatores influenciam a visão das autoridades paulistas está no processo, já iniciado, de transferir líderes de organizações criminosas para penitenciárias de segurança máxima fora do Estado (17/11) e no anúncio de que haverá ações importantes em “14 pontos estratégicos do Estado”.

Para completar o quadro da redistribuição geográfica do crime organizado: parece claro que o Centro-Oeste brasileiro se transformou no ponto de recepção e redistribuição de drogas advindas das regiões de fronteira. Goiânia teve quase 500 homicídios no ano passado, mais de 500 este ano, até agora – quase invariavelmente relacionados com o tráfico e o não pagamento de dívidas. Em Rio Verde, cidade de 185 mil habitantes, quase cem assassinatos em 2011. Este ano, mais (O Popular, 19/11).

De certo modo, os fatos estavam diante dos nossos olhos há muito tempo. Na Paraíba, a Polícia Federal prendeu mais de 30 policiais e agentes de segurança “envolvidos em grupos de extermínio” (Estado, 10/11). “De 1984 para cá”, escreve o leitor Marcelo de Lima Araújo, “mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas intencionalmente no Brasil”, o “20.º país mais violento do mundo” (Fórum dos Leitores, 7/11).

E mesmo deixando de lado as razões sociais desse quadro não há como entrar nessa seara abominável do crime e do crime organizado sem referência à situação calamitosa do Judiciário, que implica também a ausência de ressocialização de quem está na prisão – parte da pena quase inexistente. Nada menos que 423.400 processos, ao todo, estão paralisados em tribunais federais e estaduais (Agência Globo, 16/11), aguardando julgamento. Nos tribunais federais, nada menos que 26 milhões de processos foram abertos em 2011 (eram 5,1 milhões em 1990). E com isso 90 milhões de processos tramitam nos tribunais. Mas no ano passado cada ministro do Superior Tribunal de Justiça julgou 6.955 ações; no Tribunal Superior do Trabalho, 6.299 cada um; no Tribunal Superior Eleitoral, 1.160. Como dar conta da papelada toda?

É evidente que nossos modos de viver, acotovelados em grandes cidades e megalópoles, criam condições favoráveis – geográficas, econômicas, sociais, de dificuldade de cobertura policial em toda a área, etc. Mas as verbas previstas para a construção de presídios até 2014 são de apenas R$ 1,1 bilhão, com 24 mil vagas implantadas, 42 mil contratadas; apenas 7.106 entregues (Folha de S.Paulo, 18/11).

E quanto a novas condições sociais e econômicas nas grandes cidades, não há muitas razões para otimismo. Estudo de 40 especialistas da Universidade de São Paulo (USP), ao lado de 81 técnicos da Prefeitura, para o governo paulistano, diz que “a São Paulo dos sonhos” “poderá estar pronta em 2040″, nas áreas de transportes coletivos, habitação, despoluição de rios, etc. E custaria R$ 314 bilhões.

Haja paciência e fé! E ainda a crença ilusória de que algo será possível, principalmente nas áreas de segurança e Justiça, sem reformas mais amplas, de caráter global mesmo. Migração de fatores sociais e da criminalidade, escaladas de violência, etc., não se detêm diante de fronteiras municipais, estaduais ou nacionais.

* JORNALISTA – E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

FONTE: Estadão / FOTO: Yasuyoshi Chiba – AFP

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Para entender a onda de homicídios em São Paulo – SP

1. Uma comparação numérica entre os homicídios em S. Paulo e no Rio de Janeiro não ajuda a entender o núcleo do problema em SP.

2. No Estado do Rio de Janeiro, para uma população de 15.993.583 habitantes pelo censo de 2010, entre janeiro e setembro de 2012 (dados oficiais do ISP), foram registrados 3.028 homicídios dolosos. No Estado de SP, para uma população de 41.252.160 habitantes pelo censo de 2010, neste mesmo período –janeiro a setembro de 2012- foram registrados 3.329 homicídios. São taxas anualizadas, por 100 mil habitantes, de 25,24 para o Estado do Rio e de 10,76 para o Estado de SP.

3. Comparando as Capitais, no mesmo período, para uma população de 6.323.037 pelo censo de 2010, a Cidade do Rio de Janeiro (ISP) registrou 935 homicídios. Para 11.376.685 habitantes pelo censo de 2010, a Cidade de SP registrou 919 homicídios. São taxas anualizadas de 19,72 para a Cidade do Rio de Janeiro e 10,77 para a Cidade de SP.

4. Em setembro, na Cidade de SP ocorreu pânico, com um número recorde de homicídios dolosos: 135. Nesse mesmo mês, foram 95 homicídios dolosos na Cidade do Rio de Janeiro. Anualizando -apenas esse mês de setembro- a taxa por 100 mil habitantes de SP alcançaria 14,24. No caso da Cidade do Rio de Janeiro, os homicídios de setembro, anualizados, produziriam uma taxa por 100 mil habitantes de 18,02.

5. Qual a diferença? No Rio a violência é difusa e em boa parte relacionada ao crime organizado e sua ação.

6. Em SP, anos atrás, as facções foram unificadas em torno do PCC. Anos atrás, o PCC havia feito um ensaio de operação pânico/terror, matando policiais e chacinando grupos. Agora, a operação pânico/terror é feita contra qualquer pessoa, sozinha ou não, independente de assalto ou tráfico de drogas ou qualquer razão ou pretexto. Qualquer pessoa em qualquer situação é alvo do pânico/terror. No início, os policiais eram o alvo preferencial. Agora é qualquer um.

7. Por isso a gravidade da situação em SP. No Rio, em 2007, uma operação foi feita por uma facção contra veículos. A origem dos delinquentes estava em uma comunidade que cercada se eliminou o problema. Agora, em SP, o terror/pânico vem de vários pontos e assassinam qualquer um sem pretexto. Uma questão de extrema gravidade.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

A aposentadoria dos fuzis

Quatro anos após a 1ª UPP, PMs voltam a usar apenas pistolas, além de armas não letais

 

Diego Barreto

Arma que simboliza, como um estigma, os grandes confrontos entre a polícia e criminosos ao longo dos últimos 30 anos, o fuzil começa gradualmente a sumir das ruas do Rio. Reflexo do processo de pacificação, que completa quatro anos na próxima semana, a substituição do armamento de grosso calibre por armas de choque (não letais) e pistolas, noticiada por Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, foi confirmada ontem pela Polícia Militar. A iniciativa, que inicialmente está sendo implantada em regiões onde as favelas receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), já retirou do patrulhamento dessas áreas 273 fuzis.

De acordo com a PM, parte das equipes de patrulhamento de Zona Sul, Centro, Tijuca e outras áreas do estado já trabalha com armas não letais e pistolas no lugar de fuzis. Um total de 1.265 tasers (armas de choque) foi entregue aos policiais. Em três favelas pacificadas – Dona Marta (em Botafogo), Jardim Batam (Realengo) e Chapéu Mangueira (Leme) – fuzis também não são mais usados. O processo de troca começou em maio no Dona Marta, a primeira favela pacificada da cidade – a ocupação começou em 19 de novembro de 2008.

Outras cinco áreas com UPPs seguem o mesmo caminho: Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos (Copacabana); Providência (Centro); Morro da Formiga (Tijuca) e Morro do Andaraí. Nessas favelas, apenas equipes de supervisão das UPPs ainda portam fuzis. O objetivo da corporação é, ao longo dos anos, apenas unidades especiais como o Bope e o Batalhão de Choque utilizarem armamento pesado.

O comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, disse que a substituição de armamento de guerra por armas não letais e pistolas significa uma grande mudança na corporação.

- Isso representa uma transformação da cultura que nós, policiais, tínhamos, de que o fuzil resolvia os conflitos. Hoje a pacificação transformou essa questão – disse, acrescentando que alguns fuzis já estão sendo aposentados. – Alguns fuzis estão sendo levados para áreas onde o seu uso ainda é necessário, outros já estão sendo guardados. Ao longo do tempo, isso deve se estender a outras regiões do estado, até que o fuzil seja utilizado somente por unidades especiais. Acredito que dentro de alguns anos vamos aposentar os fuzis das ruas.

Especialistas elogiam a iniciativa

A substituição do armamento de guerra recebeu a aprovação de especialistas em segurança pública. Antropólogo, instrutor de tiro e ex-capitão do Bope, Paulo Storani foi um dos que aplaudiram a iniciativa.

- A velocidade de um projétil de fuzil é alta, assim como a transferência de energia. No corpo humano, os estragos são enormes. A onda de choque provocada pela bala causa a destruição do tecido, que se liquefaz quando atingido. Dependendo do ângulo e da distância, a bala pode se esfacelar ao atingir uma parede, causando ferimentos em várias pessoas próximas. O fuzil é capaz de atingir com precisão um alvo a até 400 metros de distância. Mas o projétil pode percorrer uma distância de até quatro mil metros. Foi desenvolvido para ser usado em guerras convencionais, tendo capacidade de perfurar um capacete de aço e matar o oponente – explicou Storani.

Ele lembrou que o fuzil começou a ser usado na década de 90, em resposta aos arsenais adquiridos pelas facções criminosas:

- No início dos anos 90, os criminosos começaram a utilizar esse tipo de arma. Em 1995, os primeiros fuzis da PM foram emprestados pelas Forças Armadas. Inicialmente, só o Bope usava. O fuzil foi responsável no estado pelo aumento da letalidade nas operações policiais, com mortes de inocentes, policiais e traficantes. A retirada desse armamento do patrulhamento das ruas é muito positiva. É um grande indicador de sensação de segurança maior nessas áreas pacificadas. Criar uma nova cultura sem fuzil vai demorar um tempo. Haverá resistência de policiais que viveram confrontos.

Para o sociólogo Ignácio Cano, professor e coordenador do Laboratório de Análise de Violência da Uerj, sem a presença de traficantes fortemente armados, o uso de fuzis por policiais não se justifica:

- A iniciativa representa a ruptura com um modelo de guerra. Com os espaços recuperados dos criminosos, não se justifica a presença de policiais com armas de alto poder. Tem que se desmontar a associação de táticas de guerra com policiamento. Isso naturalmente deve começar pelas áreas pacificadas. Depois, é preciso que haja expansão para outras regiões.

Presidente da Sociedade Amigos de Copacabana e do Conselho de Segurança Comunitária do bairro, Horácio Magalhães disse que a presença de armamento pesado nas mãos de policiais cria a impressão de confronto iminente, o que não reflete a realidade da região hoje:

- Essa mudança é muito positiva. Se a área está pacificada, é um contrassenso ver o policial portando essas armas.

Opinião semelhante tem a vice-presidente da Associação de Moradores de Vila Isabel:

- Sempre defendemos o policiamento comunitário no bairro, com um maior envolvimento dos policiais com os moradores. Nos países desenvolvidos, o patrulhamento é feito até sem armas. Por isso, considero uma medida boa a retirada dos fuzis.

A medida também pode evitar casos como o do menino João Roberto, de 3 anos, morto em julho de 2008, na Tijuca. PMs atiraram no carro dirigido pela mãe do garoto, ao confundir o veículo com outro ocupado por bandidos. Os disparos foram feitos com fuzil.

FONTE: O Globo, via Resenha do EB

FOTO: AP

 

A reunião de integrantes dos governos estadual e federal realizada na terça-feira (06) no Palácio dos Bandeirantes para definir medidas conjuntas de combate à violência em São Paulo se concentrou em soluções de médio prazo. Das seis ações anunciadas, apenas uma tem efeito imediato: o envio a presídios federais de criminosos que atentaram contra agentes de segurança em São Paulo. A novidade foi a criação de uma agência para integrar setores de inteligência das forças estadual e federal.

Na terça-feira (06) já saiu o nome do primeiro preso transferido. Como antecipou a coluna Direto da Fonte, o traficante Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, será transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho no máximo até amanhã. Preso em Itajaí (SC) em 26 de agosto, ele cumpria pena em Mirandópolis. Ao ser preso, segundo homens da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Piauí afirmou que dois PMs morreriam a cada morte de integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e um a cada prisão.

Por outro lado, ficou de fora a promessa da Secretaria Nacional de Segurança Pública de enviar homens do Exército e da Força Nacional para ocupar favelas paulistas, como a Paraisópolis. “As Polícias Civil e Militar de São Paulo têm efetivo suficiente. O Exército está no momento descartado”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.

Integração

No caso da agência, a ideia é integrar os setores de inteligência das Polícias Federal, Civil e Militar a órgãos financeiros de combate à lavagem de dinheiro para que trabalhem juntas contra organizações criminosas para “asfixiar” as finanças do crime.

Tanto a Secretaria da Administração Penitenciária, por parte do Estado, quanto a Polícia Federal, pela União, têm serviços de inteligência que investigam o crime, assim como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda. A parceria vai levar à troca de informações entre essas partes.

As outras quatro iniciativas anunciadas já haviam sido prometidas em diferentes momentos e governos e ainda dependem do estreitamento da relação entre agentes federais e estaduais e de uma coordenação que os leve a trabalhar conjuntamente. Uma nova reunião, marcada para segunda-feira, tentará definir detalhes dessas parcerias.

Uma das medidas será tentar bloquear por terra, mar e ar as rotas de entrada de drogas e armas em São Paulo, com ajuda das Polícias Rodoviárias Estadual e Federal. O Porto de Santos foi citado como um local que receberá atenção especial.

Declarações

Ao anunciarem as medidas, tanto o governador Geraldo Alckmin quanto o ministro da Justiça tentaram demonstrar união. Também não faltaram frases de efeito. “É preciso cortar o fluxo de dinheiro das organizações criminosas. Contra essas organizações, não é possível retroceder um milímetro”, disse Alckmin. “Juntos, os governos estadual e federal são mais fortes do que o crime organizado”, afirmou Cardozo.

União e Estado também requentaram parcerias que já vinham sendo discutidas desde o ano passado, quando o governo federal anunciou o plano de combate ao crack. O estreitamento das relações no combate à droga voltou a ser prometido ontem, assim como o anúncio de bases comunitárias móveis em cracolândias.

As outras duas ações a serem detalhadas são as parcerias para aprimorar os trabalhos da Polícia Científica na identificação da origem da droga e na criação de um centro de controle integrado contra o crime organizado para decisões conjuntas.

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

Polícia Militar de SP compra novas submetralhadoras

A Polícia Militar do São Paulo comprou submetralhadoras Famae SMT.40 para seus oficiais. De acordo com a corporação, “a submetralhadora foi comprada com o intuito de aumentar o número desse tipo de armamento”. A PM, porém, faz a ressalva que “as submetralhadoras anteriores são tão eficientes quanto essas e não serão retiradas de uso”.
Segundo a Taurus, fabricante da arma, a submetralhadora pesa 3,270 kg – com carregador -, tem 30 cartuchos e tem 470 mm de comprimento. A PM não pode informar quantas armas foram adquiridas por medida de segurança. Cada submetralhadora é avaliada em R$ 4,5 mil.

Fonte:Terra

NOTA DO LEITOR: Existe um erro na nomenclatura da mesma, sendo este modelo, um desenvolvimento próprio da Taurus e não a versão feita sob licença da FAMAE Chilena. (Claudio de Queiroz)

 

Por Eduardo Velozo Fuccia

O fuzilamento do sargento Marcelo Fukuhara, no início da madrugada de domingo, na Ponta da Praia, em Santos, não pode ser apontado como algo inesperado. E fez aumentar ainda mais entre os policiais o clima de medo e tensão diante de informações de uma lista de outros PMs marcados para morrer.

Denúncia anônima no sábado à tarde à Polícia Militar já dava conta de que criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC), motivados por uma significativa recompensa em dinheiro, haviam descido a Serra para fazer (eliminar) um membro da corporação em Santos, cujo nome não foi especificado. Para checar a informação e adotar as medidas preventivas ao suposto ataque, policiais militares realizaram patrulhamento no Morro da Penha.

Nesse local, estariam reunidos os integrantes da facção criminosa para acertar os últimos detalhes da emboscada e, lá, os PMs se depararam com o marginal apelidado por Nhenheco pilotando uma moto. Um sargento e um soldado reconheceram o suspeito e tentaram interceptar com a viatura a moto que ele pilotava. Nhenheco, porém, atirou mais de cinco vezes na direção dos patrulheiros e fugiu correndo em direção a um matagal, na Rua Quatro, abandonando uma Honda CB 300R amarela.

Os policiais escaparam ilesos e não revidaram os tiros, porque logo perderam de vista o acusado. Na sequência, apuraram que a moto pertence à cunhada de Nhenheco, que o acusou de tê-la furtado de sua casa. Na Central de Polícia Judiciária (CPJ) foi registrado boletim de ocorrência, contra Nhenheco, por furto e tentativa de homicídio.

Precisão cirúrgica

Outras informações que também chegaram de forma anônima à PM garantem que há mais cinco policiais marcados para morrer. A diferença é que os nomes foram mencionados. Os novos potenciais alvos, a exemplo de Fukuhara, são do 6º BPM/I e apontados por colegas como policiais “linha de frente”.

Um policial da Força Tática de Santos conversou com A Tribuna e manifestou a tensão e o medo generalizados da tropa. Ele também se queixou da “falta de respaldo do comando” e reconheceu o poder de fogo demonstrado pelo PCC.“Ele age com precisão cirúrgica, definindo antes o alvo para abatê-lo no horário de folga”.

Segundo o patrulheiro, a maior preocupação do comando é “segurar a tropa” para evitar possíveis ações justiceiras, popularmente conhecidas como ataques ninjas. “A cúpula não quer aumentar na população a sensação de insegurança e de uma guerra entre o PCC e os órgãos de segurança”. O policial ainda revelou que todas as equipes de Força Tática da Baixada Santista foram escaladas para trabalhar até o dia 15, sem folgas, 12 horas diariamente.

Ex-oficial da PM e procurador de justiça, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, esteve domingo à tarde em Santos. Ele veio acompanhado do comandante geral da PM, coronel Roberval Ferreira França, e ambos se reuniram com o comandante da corporação na região, coronel Marcelo Prado. O encontro foi no quartel do Comando de Policiamento do Interior/6 (CPI/6), na Ponta da Praia, e dele também participaram comandantes dos batalhões da região.

Ninguém da Polícia Civil, cuja atribuição constitucional é investigar crimes, apurando as suas circunstâncias e autoria, foi convidado a acompanhar a reunião. A Tribuna quis entrevistar o coronel Prado para abordar as declarações do membro da Força Tática do 6º BPM/I. Porém, em nota, o Setor de Comunicação Social da corporação informou que não está autorizada entrevista do comandante do CPI/6 e divulgou um comunicado institucional à Imprensa.

Fonte: A Tribuna
Vídeo: TV Record

Somos um país pacífico?

As imagens abaixo mostram a execução do Policial Militar do Estado de São Paulo, Fábio Passos de Sá. As imagens são fortes e não gostamos de compartilhar a dor de uma pessoa, mas se faz necessário uma reflexão. Afinal somos ou não um país pacífico? Muitos dizem que nós não temos guerra com ninguém, mas acredito que a nossa guerra é diária! Quantos policiais precisam morrer para que os governos assumam a situação da insegurança no país? Até quando esses profissionais irão fazer “bico” para complementar a renda, já que o soldo é distante da necessidade de uma família?

O nosso sentimento à família e amigos do policial caído.

Fonte: Brasil Urgente – TV Bandeirantes

Incidente com tropas em Sulacap e Santa Cruz não teve feridos

 

Miguel Caballero

A três dias da eleição, tropas do Exército que estão no Rio desde segunda-feira para dar segurança ao processo eleitoral foram, pela primeira vez, alvo de violência, ontem, em duas favelas da cidade. Ao chegarem, por volta das 8h, à favela Minha Deusa, em Sulacap, e à de Antares, em Santa Cruz, ambas na Zona Oeste, os militares foram recebidos com tiros de fuzil e fogos de artifício. Segundo a 1ª Divisão do Exército, que coordena o trabalho das tropas, não foi possível identificar os autores dos disparos nem de onde eles saíram. Ninguém ficou ferido.

Os episódios nas regiões dominadas por traficantes foram considerados fatos isolados pelos militares e não houve reação. Também havia fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nas ações.

Após a entrada do Exército na Favela de Antares, quatro homens (dois menores de idade) foram detidos por policiais militares que faziam patrulhamento nos arredores da comunidades. Com eles foram apreendidos maconha, cocaína, crack, além de uma pistola. Há suspeita de que o grupo tentava fugir após a chegada da tropa federal.

Já durante a incursão à Favela Minha Deusa, em Sulacap, foram encontradas seis munições de fuzil 5,56mm. Apenas ontem, os fiscais do TRE apreenderam cerca de uma tonelada de material utilizado para fazer propaganda irregular. Além de Sulacap e Santa Cruz, houve fiscalização, sem incidentes, nas comunidades Anil e Tirol, ambas em Jacarepaguá.

Desde o início da semana, 3.545 militares estão nas ruas do Rio, ocupando territórios controlados pelo tráfico ou por milícias, das 8h às 18h, para garantir as atividades de campanha de todos os candidatos. No domingo, dia da votação, o total chegará a cinco mil homens em vários pontos do Rio.

Presidente do TRE vai à favela

As operações conjuntas das Forças Armadas e do TRE prosseguem hoje. Uma tropa do 1º Batalhão de Infantaria Motorizado ocupará, pela manhã, a favela da Coreia, em Senador Camará, na Zona Oeste, considerada atualmente uma das mais violentas do Rio. O presidente do TRE, desembargador Luiz Zveiter, anunciou que vai acompanhar pessoalmente a incursão.

A força-tarefa para garantir segurança no processo de votação contará com a ajuda também da Polícia Civil no domingo. Em reunião ontem com o presidente do TRE, a chefe da polícia, delegada Martha Rocha, determinou que serão deslocados 7.731 policiais para ficarem à disposição da Justiça Eleitoral no dia da eleição.

- Vamos tocar nossa rotina de domingo de maneira eficiente, com essa missão especial junto ao TRE-RJ – disse Martha Rocha.

Além da operação na Favela da Coreia, os militares ocuparão hoje outras três regiões da Zona Oeste sob comando de milícias ou do tráfico: Muzema, no Itanhangá; Jardim Maravilha, em Pedra de Guaratiba; e Carobinha, em Campo Grande.

As tropas federais atuarão também em sete cidades do interior do estado nas eleições. O Exército destacará 1.200 homens para reforçar a segurança em Campos, Macaé, Itaboraí, Rio das Ostras e Magé; já a Marinha controlará as cidades de Cabo Frio e São Gonçalo.

FONTE: O Globo, via Resenha do EB

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A cada bimestre, uma pessoa deixou de ser morta em cada uma das comunidades sob vigilância das 27 UPPs instaladas em favelas cariocas a partir do fim de 2008, afirma o sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ). “Estamos falando de 400, 500 vidas salvas por ano”, diz o acadêmico, com base na pesquisa Os Donos do Morro: Uma Avaliação Exploratória do Impacto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Estado do Rio de Janeiro, que coordenou. Apesar dessa queda – a 28ª UPP foi inaugurada na quinta-feira, na Rocinha -, há resistências ao projeto. Em alguns lugares, moradores reclamam da proibição de barulho à noite, que inviabiliza bailes funk e rodas de samba; em outros, garotos protestam contra as forças de segurança aos berros de “UPP vai morrer”; e há ainda favelas cujos habitantes rejeitam o termo “pacificação” – não há guerra, afirmam. O trabalho descobriu ainda que os próprios policiais desvalorizam os PMs de UPP, chamados nos batalhões de smurfs ou smurfetes devido ao uniforme azul (diferente da farda cinzenta do resto da corporação) e à atitude supostamente menos belicista, repudiada pela cultura de confronto. Até os policiais das UPPs desvalorizam seu trabalho e sonham ser policiais “normais”, como aqueles que os ridicularizam com o apelido.

“Eles se sentem fazendo outra coisa que não é polícia”, explica Cano, ao descrever as unidades lançadas pela Secretaria de Segurança em 2008. As novas estruturas, instaladas após a tomada de cada favela pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), se caracterizam pela saturação das comunidades com PMs recém-formados. O tráfico, porém, continua, escondido, sem exibir armas.

O trabalho também chegou a uma conclusão inquietante: no formato atual, o programa não pode ser levado a todas as áreas que precisariam dele, devido à grande quantidade de policiais exigida para sua reprodução nos mesmos padrões. “Não é possível multiplicar a polícia por oito, por nove”, diz Cano. Em uma conta rápida, a PM do Rio, atualmente com 38 mil integrantes, precisaria ser ampliada para pelo menos 304 mil militares, número que supera os 200 mil membros do Exército, por exemplo, e provocaria uma explosão de custos em salários, treinamento, armas. Só nas primeiras 13 UPPs, a PM mantinha, segundo a pesquisa, 18,2 policiais para cada mil habitantes – com casos como o do Morro Dona Marta, onde 217 agentes foram escalados para uma população de 3.513, ou seja, 61,8 PMs por mil.

Também fica esmaecida na pesquisa a imagem, transformada em instrumento de propaganda do governo fluminense, das áreas das favelas com UPPs como regiões pacíficas. Em contraste com os vídeos publicitários com moradores das áreas de UPP felizes e esperançosos, o trabalho mostra que, simultaneamente à queda da violência, cresceu o número de furtos e lesões corporais nas comunidades atingidas pelo programa. E revela que a relação moradores/PM nas áreas do projeto vai da integração absoluta, como no Jardim Batam, à hostilidade, como no Fallet/Fogueteiro/Coroa.

O que mais chamou a atenção nos resultados da pesquisa?

Em primeiro lugar, a constatação de que os resultados de redução na mortalidade se obtêm independentemente da razão policiais/habitantes. Nos locais com mais ou menos saturação de policiais o resultado é paralelo. Mesmo onde a relação entre polícia e comunidade é bastante tensa, há redução de mortalidade. Ou seja, daria para obter os mesmos resultados com menos policiais, portanto daria para estender o projeto a mais locais, e o projeto tem um potencial muito positivo na redução dessa violência armada, mesmo quando outros problemas de segurança, como a relação entre polícia e comunidade, não estão resolvidos. Outro elemento importante é a falta de legitimidade do projeto entre os próprios policiais. Afora os comandantes que estão identificados, os sargentos e os soldados prefeririam trabalhar em um batalhão normal.

Por que isso acontece?

Há um conjunto de elementos. A gratificação, de R$ 500, não funciona. Ela atrasa, tem desconto de Imposto de Renda. E para os policiais do resto das unidades, que conseguiram uma gratificação de R$ 350 justamente em função da desvantagem em relação às UPPs, esses R$ 350 são pagos regularmente, sem desconto. Em segundo lugar, as condições de trabalho são duras. Os PMs das UPPs têm de subir e descer morro, alguns estão alojados em contêineres e a reação da comunidade a eles nem sempre é muito positiva. Os PMs ainda entram no trabalho meia hora antes porque precisam passar no batalhão para pegar a arma e o veículo. Depois vão para a UPP começam a jornada de trabalho. Quando acabam, voltam para o batalhão para entregar o equipamento. Isso significa que trabalham uma hora a mais que um policial normal. E por trás está a questão doutrinal que faz com que ainda pensem que mediação de conflito é policiamento de segunda divisão.

Eles não se sentem respeitados.

Exatamente. Eles se sentem desrespeitados pela comunidade e desvalorizados pelo policial do batalhão, que o chama de smurfete, de smurf. É uma imagem muito danosa, infantiliza o policial da UPP, faz com que pareça uma coisa de brincadeira. Eles aprenderam, inclusive antes de entrar para a instituição, que polícia é para prender bandido e trocar tiro. Então, se sentem fazendo outra coisa que não é polícia.

A relação das UPPs com as comunidades não parece muito boa, por causa do repúdio à ideia de pacificação, das restrições ao lazer. Isso pode levar moradores a pensar: ‘Era melhor na época dos traficantes’?

Tem jovens que pensam exatamente isso. O que a gente espera é que haja uma negociação porque outro risco é o legalismo extremo. Por exemplo, a suposta lei do silêncio. Essa lei não é aplicada no resto da cidade com o mesmo rigor. As pessoas que nunca tiveram nenhum limite legal agora sentem que o limite delas é muito mais rigoroso que o de um cidadão comum. Propomos à polícia que se façam assembleias em que as pessoas discutam ou votem qual vai ser o limite do samba e do funk na sexta à noite, e que a polícia aplique a decisão da comunidade. A polícia fica muito mais legitimada, sem o ônus de tomar decisões de forma paternalista e de ser rejeitada por quem não gosta dessa restrição.

Esse paternalismo da polícia transparece muito na pesquisa. Ela assume um papel que não é dela?

Não deveria ser. A isso se junta a tradição autoritária da polícia e a existência do que chamamos de projeto moral. Muitos policiais querem acabar com o funk, com o proibidão (funk de exaltação ao crime), querem que a criança tenha cabelo curto. Por outro lado existe a demanda da própria comunidade por essa figura forte, de dono do morro, que resolve as coisas. Essas demandas confluem para fortalecer o papel paternal.

Como é a relação dos policiais da UPP com os moradores das comunidades?

Em algumas comunidades é boa, em muitas é tensa. No Batam, por exemplo, é boa. Ali os policiais levam os filhos para as festas na comunidade. Em Fallet/Fogueteiro/Coroa, é péssima. Fallet/Fogueteiro/Coroa tem bastante corrupção policial, um tráfico tradicional mais familiar e, portanto, uma rejeição forte da comunidade em relação à polícia. Fiz um patrulhamento com os policiais lá. Os garotos gritam: ‘UPP vai morrer’, e fazem pichação… É um ambiente extremamente hostil. Aí os policiais vão patrulhando com fuzil na ponta… Há muitas situações diferentes. Contudo, é melhor do que era antes. Porque tem muito menos tiroteio, quase não tem morte.

Apenas uma UPP, no Jardim Batam, é em área de milícia. A que atribuir essa lacuna, já que as milícias estão se espalhando pelo Rio, e a concentração do programa é na zona sul e em torno do Maracanã?

Há muitas razões por trás disso. Acho que nunca pensaram o projeto para milícia. Mas também não precisa ser nenhum gênio da sociologia nem da geografia para ver que evidentemente estão privilegiando áreas com uma população de classe média alta, áreas turísticas, que obviamente têm a ver com o projeto de megaeventos. Não fosse o Maracanã, a Tijuca não teria esse privilégio. O problema que se coloca é que, com esse nível de investimento em policiais, é impossível cobrir o conjunto do Estado.

Na sua avaliação, nos níveis atuais, o projeto não pode ser reproduzido em todo o Estado?

Não pode. É impossível. O número de policiais militares por habitantes no Rio é hoje de 2,3 para cada mil habitantes, próximo do nível padrão das Nações Unidas, de 3 por mil. Nas UPPs, há 18/19 PMs para cada mil habitantes. Então, não é possível multiplicar a polícia por oito, por nove.

Na escolha dos lugares para as UPPs, houve, em sua opinião, preocupação com visibilidade, com marketing?

Com certeza. Se as classes médias altas sentem que o projeto é em detrimento delas, o projeto pode entrar em crise. Então acho que há motivos menos louváveis, que são essa visibilidade, a mídia. E a visibilidade é internacional. Então há uma lógica política clara. Parte dela é compreensível e parte é pensando em termos eleitorais. Se o projeto tivesse começado na Baixada, de longe a região mais violenta do Estado, provavelmente hoje não teria esse nível de apoio. Então, pelo menos a zona sul e a zona central teriam de ser contempladas. O que me parece mais preocupante é que até hoje só contemplamos isso e pouco mais.

O projeto é prisioneiro dessa lógica?

Acho que é. Sem proteger os interesses dessas áreas nobres, corre-se o risco de perder a sustentação geral.

A pesquisa também constatou, por métodos estatísticos, que as UPPs têm poupado vidas. De quanto foi essa redução?

De meia vida por mês, por comunidade.

A cada dois meses, uma pessoa deixou de ter morte violenta em cada comunidade com UPP, é isso?

Isso. Agora, no entorno é mais difícil de estimar. Não é pouco não. Hoje são 20 e tantas UPPs, multiplique por 12 meses. Você vai ver que estamos falando de 400, 500 vidas por ano sendo salvas, fora o efeito no entorno, que vai na mesma direção. E a violência tem um efeito inercial muito forte. Quando as pessoas matam, acabam também sendo mortas. Quando você começa a diminuir essa violência, isso acaba gerando mecanismos que diminuem outros fatos violentos. A gente acha que parece pouco, mas na verdade não é não.

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

Sob o argumento de que fere a Constituição, o Brasil rejeitou na terça-feira (18) proposta apresentada na Organização das Nações Unidas (ONU) para acabar com a Polícia Militar. De uma lista de 170 sobre políticas de direitos humanos, a recomendação foi a única negada. Para o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares, houve um equívoco na interpretação do texto – uma compilação de sugestões de diferentes países, incorporadas pelas Nações Unidas. Segundo o documento entregue pelo Brasil, publicado na terça-feira (18) no site da ONU, Brasília rejeitou a ideia, da Dinamarca, para “trabalhar na direção de abolir o sistema separado de Polícia Militar”.

Durante a reunião de maio em Genebra, diversos países europeus criticaram abertamente a violência usada pela Polícia Militar e apontaram a preocupação em relação aos números de mortes em operações. A resposta foi clara. “A recomendação não tem o apoio do Brasil, diante da Constituição, que prevê a existência de forças policiais militares e civis”, indica o documento.

“Forças policiais civis são responsáveis pelo trabalho de polícia judiciária e pela investigação de ofensas criminais, salvo ofensas militares”, explicou. “Forças policiais militares são responsáveis pelo policiamento ostensivo e pela preservação da ordem pública”, completa.

O governo ainda indicou que estava adotando medidas para melhorar o controle sobre os policiais, como a criação de um ombudsman. Além disso, estariam treinando de forma permanente os policiais em termos de direitos humanos. Nos últimos anos, diversos organismos da ONU criticaram as mortes ocorridas no Brasil por parte das forças de ordem e apontaram o fenômeno como uma das principais violações de Direitos Humanos no País.

Realizado a cada quatro anos, o evento em que o documento foi apresentado serve para sabatinar Estados sobre políticas de direitos humanos e governos de todo o mundo apresentam recomendações em relação a questões como saúde, educação e a situação de minorias.

Na quinta-feira (20), após avaliação das sugestões, o governo brasileiro volta à tribuna do Conselho de Direitos Humanos para informar os membros sobre quais medidas foram aceitas. Em quatro anos, a ideia é que as propostas aceitas pelo Brasil acabem sendo reavaliadas pelos demais governos, que cobraram a aplicação das recomendações.

Equívoco

Para o Conselho Nacional do Comando de Comandantes-Gerais das Polícias Militares, o documento da ONU não sugeriu o fim das Polícias Militares. Na visão dos conselheiros, houve equívocos na tradução que levaram os brasileiros a acreditar que era pedido o fim da PM. “O que a Dinamarca sugeriu foram medidas para acabar com a violência extralegal praticada por grupos de extermínio”, argumenta o coronel Atair Derner Filho, da PM de Santa Catarina e secretário-geral do Conselho.

O coronel afirma que a ONU, inclusive, usa o serviço de policiais militares brasileiros para treinar forças de segurança em países com instabilidade política, como Haiti e Timor Leste. “Como não houve recomendação para extinção da PM, no documento atual, ao qual tivemos acesso, de novo não localizamos esse debate”, disse o coronel. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

Cálculo dos gastos de 18 meses de operação foi feito pelos próprios militares a pedido do ‘Estado’; soldados deixarão a área no dia 30

 

MARCELO GOMES / RIO – O Estado de S.Paulo

Os 18 meses de ocupação pelo Exército nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, custarão R$ 333 milhões ao governo federal, segundo cálculos da própria Força feitos a pedido do ‘Estado’. No dia 30, os últimos mil militares sairão definitivamente da região, que passará para controle de autoridades estaduais.

“Nossa missão foi cumprida. A área realmente está pacificada. É um lugar mais tranquilo para se viver, com índices de criminalidade aceitáveis, padrões das melhores regiões do mundo. Não há mais a ditadura do fuzil”, resumiu o general do Exército Carlos Sarmento, comandante da Força de Pacificação.

Até o dia 30, a Secretaria Estadual de Segurança vai inaugurar quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo da Penha. O vizinho Complexo do Alemão, de onde as forças federais já saíram, ganhou outras quatro UPPs nos últimos meses.

Neste ano, apesar de a ocupação durar apenas seis meses, será concentrada a maior parte das despesas: já foram empenhados (reservados no orçamento para posterior execução) R$ 103 milhões. Além disso, ainda serão empenhados R$ 32 milhões, totalizando R$ 135 milhões. Em 2011, o Exército investiu R$ 130 milhões na Força de Pacificação. Em seu auge, foram mobilizados 1.800 militares.

Já em 2010 foram gastos R$ 68 milhões em apenas um mês. A ocupação dos Complexos do Alemão e da Penha pelas forças de segurança ocorreu em 28 de novembro, após uma onda de ataques de traficantes a unidades policiais e dezenas de ônibus incendiados. As ações orquestradas levaram pânico à população. Investigadores descobriram que os ataques partiram de líderes da facção criminosa que tinha no Alemão e na Penha seu quartel-general, contrariados com o avanço das UPPs.

Inicialmente, o prazo de atuação da Força de Pacificação se encerraria em 31 de outubro de 2011, mas foi prorrogado até 30 de junho deste ano a pedido do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Os R$ 333 milhões foram empregados em aquisição e manutenção de viaturas, material de saúde, equipamentos de proteção individual e de comando e controle, armamento letal e não letal, combustível e material de engenharia. Além de alimentação, pagamento de serviços de concessionárias, transporte de pessoal e manutenção e horas de voo de aeronaves do Exército. O valor supera em 22% tudo o que foi gasto em 2011 com reaparelhamento e adequação do Exército, segundo o Siga Brasil, portal de acompanhamento da execução do Orçamento federal mantido pelo Senado. Também supera em 61,6% o que foi investido no ano passado no programa Participação Brasileira em Missões de Paz.

Mudança. “Aqui era o centro logístico e operacional da facção criminosa que dominava essa região e levava terror ao Rio de Janeiro. Hoje não temos mais isso. O que temos é um tráfico de drogas local, como em qualquer outra comunidade. E procuramos, logicamente, coibir dentro do possível. Não é mais uma favela exportadora de droga, não há mais consumidores que vêm de fora comprar entorpecente aqui”, diz o general Sarmento. “Desde a pacificação, não houve um tiro de arma pesada.”

Comandante vê mudança cultural nas comunidades

Para o comandante da Força de Pacificação, general Carlos Sarmento, houve uma mudança cultural nas comunidades com a presença do Exército. “No início, houve muitas prisões por desacato, porque os moradores não estavam acostumados às leis. Tínhamos muito problema de som alto. Quando o militar pedia para o responsável baixar o som, algumas pessoas, já alcoolizadas, xingavam, atiravam pedra. Hoje a cultura do som alto diminuiu bastante. Também temos menos problemas com desrespeito à lei do silêncio após as 22h. E todos os motociclistas andam de capacete e com motos com placa dentro das comunidades. Antes da pacificação, isso era impensável.”
Nesse período, foram registradas cerca de 170 ocorrências nos Complexos do Alemão e da Penha, a maioria relacionada a crimes leves, como desobediência, resistência e ameaça. Mas também houve casos de homicídios, tentativas de homicídio e lesão corporal. A Ouvidoria da Força de Pacificação ainda recebeu 4.178 denúncias desde sua implementação. / M.G.

FONTE: O Estado de São Paulo

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