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Quem provocou a nova escalada de violência no Oriente Médio? Existe uma saída diplomática? Por que isso está acontecendo agora?

A BBC ouviu dois acadêmicos – um palestino e um israelense – sobre as origens da onda de violência e as perspectivas para a região nos próximos dias.

Efraim Inbar (à esquerda na foto) é professor de estudos políticos e diretor do centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos da Universidade Bar Ilan, de Tel Aviv.

Mahdi Abdul Hadi (à direita) é diretor da Sociedade Acadêmica Palestina para Estudo de Assuntos Internacionais (Passia, na sigla em inglês).

Confira abaixo o ponto de vista de cada um.

BBC: Quem provocou esta nova escalada de violência?

Inbar: O Hamas. Desde o começo do ano, o Hamas disparou quase mil mísseis no sul de Israel, aterrorizando mais de um milhão de pessoas. Em algum momento, teríamos que pôr fim a isso, como faria qualquer outro país.

Nós nos retiramos de Gaza e a única coisa que queremos é ficar tranquilo. O Hamas é uma organização terrorista que quer destruir o Estado judeu.

Hadi: Israel. Isso começou com o assassinato de Jabari (Ahmed Jabari, chefe da ala militar do Hamas).

Ele era um homem-chave para a segurança dos israelenses. Foi ele quem protegeu (o soldado Gilad) Shalit durante cinco anos. Foi quem negociou a troca de prisioneiros e uma trégua entre Gaza e Israel.

A guerra contra Israel, na verdade, se trata da questão do Irã. Israel quer pôr à prova sua própria capacidade de defesa e a capacidade do Hezbollah, Gaza e Irã. Isso foi provocado por Israel para descobrir a capacidade balística do Irã em Gaza, mas no fim das contas a obsessão do [premiê israelense] Netanyahu é o Irã.

BBC: Por que está acontecendo agora?

Inbar: Nas últimas semanas houve um aumento na quantidade de mísseis lançados pelo Hamas, é difícil resistir à pressão pública para responder.

Hadi: Netanyahu quer se fortalecer antes das eleições. Ele quer passar a imagem de que é o rei de Israel e dar 100% de segurança a Israel.

Em segundo lugar, ele quer ter Barack Obama ao seu lado, antes que seja tarde demais. Já conseguiu fazer com que Obama emitisse um comunicado dizendo que Israel tem direito a se defender.

Terceiro, ele quer apoio da Europa diante da reivindicação dos palestinos (por um Estado próprio) diante da ONU.

BBC: Como você vê o Hamas?

Inbar: O Hamas é uma organização terrorista islamista radical que quer destruir o Estado judeu. Foram eleitos? Hitler também foi eleito pelos alemães.

Hadi: Hamas é parte da sociedade palestina. Ganharam as eleições em 2006, gostemos ou não. Sobreviveram ao golpe de Estado tentado pelo Fatah. Israel chama o Hamas de terrorista, como também chama o Hezbollah e o Irã.

BBC: O que quer cada um?

Inbar: O que o Hamas quer é simplesmente matar judeus. O que nós queremos também é simples: queremos tranquilidade, nada mais.

Não podemos mudar o governo de Gaza, sabemos que o Hamas tem raízes na população palestina, que infelizmente gosta do que eles fazem.

Hadi: A agenda de Israel é a seguinte: conhecer a capacidade militar de Gaza, provar sua própria capacidade de defesa, pôr à prova a posição do governo islâmico do Egito e manter todos os palestinos divididos entre o Hamas e o Fatah.

Em Israel, existem duas escolas de pensamento. Uma é a que tenta enfrentar seus medos, ver como são capazes de administrar essa situação. A outra linha – a linha dura militar israelense – diz: “Temos que eliminar toda a infraestrutura militar de Gaza”.

BBC: Como os palestinos são afetados pelo bloqueio de Israel?

Inbar: O bloqueio foi resposta ao lançamento de mísseis. Somos muito estúpidos de dar água e eletricidade para eles. Permitimos que entre comida e muitas outras coisas em Gaza.

Que eu me lembre, durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos não permitiam que entrasse água ou eletricidade na Alemanha. Isso é uma guerra.

Hadi: O isolamento fez muito mal a Gaza. E na Cisjordânia a situação não é melhor. Há 600 postos de controles e meio milhão de colonos israelenses.

BBC: Como você vê a assimetria entre as mortes israelenses e palestinas?

Inbar: Somos melhores que eles na defesa dos nossos cidadãos. Eles se escondem entre os civis, disparam mísseis a partir de concentrações civis. Em uma guerra, há danos colaterais.

É isso que eles querem. Jogam com as mortes civis para pressionar a opinião pública. Eles são moralmente responsáveis pelas mortes em Gaza.

Hadi: Há mais de cem mártires em Gaza e milhares de feridos. A maioria das instituições foram destruídas. O povo sofre e vive em uma cultura de guerra, medo, frustração, pobreza e desemprego.

BBC: Existe uma saída diplomática?

Inbar: Depende do Hamas. Não fomos nós quem começamos isso. Eles precisam parar de lançar mísseis. É simples.

Não falamos em soluções. Não se pode pensar em soluções em um conflito em que uma parte quer destruir a outra. O que se pode fazer é conseguir uma trégua de longo prazo. É difícil usar a diplomacia quando alguém quer te matar.

O Egito tem um papel importante. A Irmandade Muçulmana está no poder, em certos pontos são muito parecidos com o Hamas. Por outro lado, o Egito precisa ter uma relação boa com os Estados Unidos para poder alimentar seus milhões de habitantes. Eles estão divididos entre o desejo de apoiar o Hamas e suas necessidades práticas.

Hadi: Com base na experiência de 40 anos de ocupação israelense, ninguém confia que Israel fará um acordo. Eles firmam um pacto, mas logo agem da forma contrária. Nunca respeitam o que prometem. Em segundo lugar, as garantias dadas pelos Estados Unidos e Europa são muito fracas.

O Egito tem muitos elementos. São 26 partidos políticos que apoiam Gaza e desafiam Israel. Há vários assessores do presidente (egípcio) Mursi que recomendam que ele não se meta em nenhuma guerra. Tudo depende de Mursi.

BBC: Como o mundo vê essa nova escalada de violência?

Inbar: A Europa entende que temos o direito à autodefesa. Acreditam que a violência é algo anacrônico, mas o mundo civilizado está com Israel. O Hamas é a barbárie.

Hadi: Isso despertou solidariedade em todas as capitais europeias e árabes. Pela primeira vez, o tom dos ministros das Relações Exteriores do mundo árabe e dos líderes árabes é diferente.

Os meios cobrem o conflito com interpretações diferentes.

FONTE: BBC Brasil

 

Os soldados e policiais da República Democrática do Congo (RDC) que ocupavam a cidade oriental de Goma após sua tomada, ontem, pelos rebeldes do Movimento M23, se uniram nesta quarta-feira ao grupo insurgente.

Fontes civis em Goma informaram hoje à Agência Efe por telefone que 398 soldados e 232 policiais depuseram as armas e se uniram ao M23, durante um ato no estádio da cidade, fronteiriça com Ruanda.

Assim, os desertores atenderam à convocação do M23 de que todos os soldados das forças de segurança congolesa em Goma entregassem as armas e se unissem a eles no que consideraram “a nova missão para salvar o país”.

Além disso, os amotinados do M23 libertaram todos os presos da cidade, que foram incorporados a suas fileiras.

“Já basta das autoridades de Kinshasa. Não as queremos”, gritou um líder do M23 durante a operação de alistamento dos novos soldados.

O número de soldados que compõem o M23 era estimado em cerca de 2 mil antes dos novos recrutamentos.

Segundo fontes da insurgência, a rebelião instaurará amanhã um governo que administrará a região, no leste da RDC.

O Executivo estará dirigido pelo chefe da ala política do movimento, Jean-Marie Runiga, enquanto a ala militar será liderada pelo general Sultani Makenga, chefe do Estado-Maior do Exército Revolucionário Congolês (ARC, a nova denominação do M23).

Vários relatórios da ONU e de ONGs estabelecem Ruanda e Uganda como atores no conflito em apoio dos rebeldes, embora ambos os países neguem categoricamente sua participação.

O presidente da RDC, Joseph Kabila, e o presidente ruandês, Paul Kagame, se encontram hoje na capital ugandense para tratar da situação na região através da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos.

O M23 é formado por um grupo de soldados congoleses amotinados e supostamente fiéis ao rebelde Bosco Ntaganda, procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade.

Os rebeldes se sublevaram em abril passado para protestar contra a perda de poder que o Executivo de Kinshasa impôs a seu líder, e reivindicam novas negociações com o governo.

Ntaganda, com um amplo histórico de motins, se integrou há dois anos no Exército da RDC ao contribuir para a pacificação de Kivu do Norte após ajudar a deter, em 2009, Laurent Nkunda, antigo senhor da guerra e general do Exército congolês.

No entanto, nos últimos meses não houve notícias do paradeiro e das atividades de Ntaganda.

A RDC ainda está imersa em um frágil processo de paz após a segunda guerra do Congo (1998-2003), que envolveu vários países africanos, e abriga a maior missão de paz da ONU.

FONTE: Agência EFE via EXAME

FOTO: NBC

 
Por Roberto Simon, enviado especial

Apesar dos esforços diplomáticos que levaram ontem a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Jerusalém, divergências não especificadas entre o Hamas e Israel frustraram o anúncio de um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Numa declaração conjunta, ao lado de Hillary, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, reiterou preferir uma solução diplomática, mas alertou que seu país está pronto para intensificar a ofensiva.

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, chegou a anunciar que a “agressão israelense” acabaria ontem, mas o governo egípcio voltou atrás horas depois. Um dos porta-vozes do Hamas, Ayman Taha, tinha informado à agência Reuters que um acordo tinha sido alcançado e as armas silenciariam a partir da meia-noite.

Israel, entretanto, não confirmou a informação. “Se uma solução de longo prazo puder ser colocada em prática por meio da diplomacia, Israel será um parceiro empenhado”, afirmara Netanyahu.

Na véspera, Israel resistia a acatar uma trégua em Gaza que não representasse uma situação duradoura em relação ao fim do disparo de foguetes e mísseis desde a Faixa de Gaza na direção do sul israelense. Hillary, ao lado de Netanyahu, assegurou que o “compromisso dos EUA com a segurança de Israel é sólido como uma rocha e inquebrantável”.

Tropas israelenses continuam às portas do território palestino. O chanceler de Israel, Avigdor Lieberman – tido como a voz mais radical no gabinete – alertou que uma eventual ofensiva terrestre será nos moldes da lançada durante a Segunda Intifada, um dos momentos mais dramáticos da história do conflito palestino-israelense. Ao receber o secretário-geral da ONU, Lieberman ainda afirmou que as pressões sobre Israel por moderação “fortalecem o Hamas”.

Mais sangue

Em Gaza, os bombardeios por ar e mar intensificaram-se à noite após um dia de maior calma, segundo relatos de moradores do território. Em várias regiões a aviação israelense despejou milhares de avisos ordenado que civis abandonassem suas casas.

Dois carros em que supostamente viajavam líderes do grupo Jihad Islâmica foram alvo de bombardeios, afirmou o Exército israelense, que diz ter matado ontem outros 16 integrantes do grupo aliado ao Irã. Dois repórteres da TV do Hamas – alvo frequente durante essa ofensiva – também teriam sido mortos. A cifra de vítimas palestinas nos 7 dias de ofensiva militar ultrapassa 125, afirmam fontes médicas. Segundo o Unicef, 18 crianças de Gaza morreram em bombardeios israelenses e mais de 250 ficaram feridas. A Cruz Vermelha emitiu um alerta em razão do estado precário dos hospitais da região.

FONTE: O Estado deS. Paulo

FOTO: militaryphotos.net

 

O líder militar do movimento palestino Hamas, Ahmed Jaabari, foi morto na Faixa de Gaza em consequência de um ataque israelense contra o veículo em que estava nesta quarta-feira, 14, segundo o grupo, que domina o território. Segundo a AFP, o Hamas disse que Israel ”abriu as portas do inferno” com o ataque.

Jaabari ocupava o topo de lista de “mais procurados” de Israel desde a guerra entre o país e o Hamas no final de 2008. Segundo o Hamas, Jaabari, que dirigia o braço armado da organização, o Izz el-Deen Al-Qassam, morreu ao lado de outra pessoa. Os dois estavam no carro que foi atingido por um míssil.

Israel confirmou que havia realizado o ataque e justificou a morte de Jaabari pela ”atividade terrorista que conduziu ao longo de uma década”.

Nos últimos dias, autoridades israelenses discutiram a retomada da política de “assassinatos seletivos” de líderes do Hamas, uma polêmica onda de execuções extrajudiciais, em meio aos persistentes disparos de foguetes de militantes palestinos contra o sul de Israel

 

Com Reuters e AE

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta terça-feira (13) que o Brasil está disposto a participar de uma eventual missão de paz da ONU na Síria e se disse preocupado pela possível extensão do conflito nesse país.

“O Brasil já contribuiu no passado e estaria disposto a considerar a possibilidade de participar de uma futura missão de paz”, declarou Patriota, que, no entanto, esclareceu que o organismo internacional ainda não tomou uma decisão.

Também sustentou que o Conselho de Segurança da ONU deveria dar “todas as garantias necessárias” a essa possível missão de paz.

Segundo o ministro, “a comunidade internacional reconhece que não deve haver uma maior militarização do conflito”, mas ao mesmo tempo observa uma espiral crescente de violência, que ameaça expandir-se para além das fronteiras sírias.

“A perspectiva que o conflito comece a afetar outros países começa a preocupar e muito”, comentou Patriota, em alusão aos recentes incidentes com Israel e Turquia.

FONTE: EFE, via Portal R7

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Projéteis sírios atingem Israel, país responde

Disparo, em reação a projéteis que atingiram Colinas de Golã, é primeiro ataque ao país vizinho desde 1973

 

Daniela Kresch


A guerra civil na Síria ecoa na fronteira do país com Israel. Pela primeira vez em quase 40 anos, desde a Guerra do Yom Kipur, em 1973, Israel lançou um míssil antitanques (o novíssimo modelo Tamuz) contra solo sírio depois de ser atingido, pela quarta vez em uma semana, por projéteis lançados do país árabe contra as Colinas de Golã. A troca de hostilidades tem o potencial de incendiar o Oriente Médio, principalmente se for acompanhada de bombardeios mútuos também na fronteira entre Síria e Turquia.

“As forças do Exército de Defesa de Israel fizeram tiros de advertência e transmitiram uma mensagem às forças sírias através das Nações Unidas. Qualquer fogo adicional irá provocar uma resposta rápida”, afirmou o Exército, em comunicado.

Para a maioria dos analistas, o fogo sírio que atingiu Israel não foi intencional, e sim fruto dos confrontos entre o Exército e a oposição ao governo do presidente Bashar al-Assad. Os militares tentam, há semanas, retomar as cidades de Kuneitra e Bir Adjam, a poucos quilômetros da fronteira com Israel, controladas atualmente pelos rebeldes. O mesmo tem acontecido na fronteira com a Turquia.

ESCALADA NA ÚLTIMA SEMANA

Apesar de Israel e Síria estarem, tecnicamente, em estado de guerra desde 1974, quando assinaram um acordo de cessar-fogo, a fronteira era considerada uma das mais calmas nas últimas décadas. Desde o começo da guerra civil síria, no entanto, a tensão aumentou. Em julho e setembro, houve casos esporádicos de projéteis que caíram nas Colinas do Golã. Mas, na última semana, eles se acentuaram. Na quinta-feira, três morteiros atingiram a região. Um deles caiu no quintal de uma casa no vilarejo de Alonei HaBashan. Dias antes, três tanques sírios entraram na zona desmilitarizada estabelecida pela ONU em 1974 e um foguete sírio alcançou um jipe militar israelense na fronteira.

- O problema sírio pode acabar se transformando em problema nosso – disse, em reação à escalada na tensão, o general Benny Gantz, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

Ontem, um morteiro sírio de 120 milímetros atingiu a base militar de Tel Hazka, no Norte do Golã, explodindo numa área não populada. O exército israelense enviou uma queixa formal às Forças Observadoras de Separação da ONU (Undof), afirmando que “o fogo que chega a Israel a partir da Síria não vai ser tolerado e poderá ser respondido com severidade”. Paralelamente, os militares dispararam o míssil Tamuz, teleguiado, alvejando intencionalmente uma área despopulada.

- A intenção da resposta de Israel não foi a de instigar guerra, e sim enviar um sinal à Síria que Israel não vai ignorar fogo contra seu território – afirma o analista político Ron Ben-Yishai.

Mas, apesar disso, os moradores das Colinas do Golã se preparam para uma elevação na violência. Muitos estão limpando abrigos antiaéreos para o caso de uma nova guerra com a Síria.

Segundo o professor Ely Carmon, do Centro Interdisciplinar Hertzelyia, o lançamento de ontem contra Israel pode ter sido intencional, mas também pode ser uma provocação do exército de Assad com o objetivo de atrair Israel para dentro do conflito e, dessa forma, conseguir o apoio de parte da população e do resto do mundo árabe. Outra teoria é a de que “jihadistas” estrangeiros estejam preparando o terreno para um conflito com o Estado Judeu.

- Nos últimos dois meses, entraram na Síria e se estabeleceram na fronteira com Israel elementos “jihadistas” e membros da rede terrorista al-Qaeda. Eles já dizem claramente que assim que “acabarem com o trabalho” contra o governo sírio, vão continuar a lutar também contra o país – acredita Carmon. – De qualquer forma, a situação do Golã só ficará mais complicada.

TROCA DE HOSTILIDADES COM GAZA

Se a fronteira Norte está agitada, o mesmo se pode dizer da fronteira sul de Israel, com a Faixa de Gaza. Na sexta-feira, começou uma nova rodada de ataques e contra-ataques entre o exército israelense e militantes de grupos radicais palestinos como o Hamas e a Jihad Islâmica.

A escalada da violência começou quando um jipe de Israel foi atingido por um míssil quando patrulhava a fronteira. Em resposta, a Força Aérea israelense atacou alvos no Sul de Gaza, matando seis pessoas: dois militantes de grupos islâmicos e quatro civis. Nas 48 horas seguintes, mais de 120 mísseis, foguetes e morteiros lançados de Gaza aterrissaram em Israel, ferindo três civis e paralisando todo o Sul do país.

- O mundo precisa entender que Israel não vai ficar de braços cruzados quando enfrenta tentativas de nos ferir – disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

O premiê – que concorre à reeleção pelo partido conservador Likud no dia 22 de janeiro – está sob pressão popular para acabar com os bombardeios de Gaza, ao mesmo tempo em que não parece ter interesse em melindrar a opinião pública internacional – e o novo governo do Egito – com uma nova guerra no território palestino.

FONTE: O Globo, via resenha do EB

FOTO: Haaretz

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Os gritos na televisão em comemoração pela reeleição do presidente dos EUA, Barack Obama, deram a Mohammad Rehman Khan uma dor de cabeça lancinante, conforme anos de dor e raiva vieram à tona.

O paquistanês, de 28 anos, acusa o presidente norte-americano de ter tirado dele o pai, três irmãos e um sobrinho, todos mortos em um ataque de uma aeronave não tripulada dos EUA, os chamados drones, um mês depois de Obama tomar posse para o primeiro mandato.

“A mesma pessoa que atacou a minha casa foi reeleita”, disse Rehman à Reuters na capital paquistanesa, Islamabad, para onde ele fugiu depois do ataque a sua vila no Waziristão do Sul, uma das várias regiões tribais da etnia pashtun na fronteira com o Afeganistão.

“Desde ontem, a pressão no meu cérebro aumentou. Lembro-me de toda a dor novamente.”

Em sua campanha de reeleição, Obama não deu nenhuma indicação de que iria interromper ou alterar o programa de drones, que ele adotou em seu primeiro mandato para matar militantes da Al Qaeda e do Taliban no Paquistão e no Afeganistão, sem arriscar vidas norte-americanas.

Ataques aéreos são altamente impopulares entre muitos paquistaneses, que os consideram uma violação da soberania que causam inaceitáveis mortes de civis.

“Sempre que tem uma chance, Obama vai morder os muçulmanos como uma cobra. Olha quantas pessoas ele matou com ataques de drones”, disse Haji Abdul Jabar, cujo filho de 23 anos também foi morto em um bombardeio deste tipo.

Analistas dizem que a raiva com o avião não tripulado pode ter ajudado o Taliban a recrutar militantes, o que complica os esforços para estabilizar a incontrolável região de fronteira entre Paquistão e Afeganistão. Isso também poderia atrapalhar o plano de Obama de retirar as tropas norte-americanas do Afeganistão em 2014.

Obama autorizou cerca de 300 ataques aéreos no Paquistão durante seus primeiros quatro anos de mandato, mais de seis vezes o número durante a administração de George W. Bush, de acordo com o instituto New America Foundation.

Desde 2004, um total de 337 ataques de drones norte-americanos no Paquistão já mataram entre 1.908 e 3.225 pessoas.

O instituto estima que cerca de 15 por cento dos mortos não eram militantes, embora esse percentual tenha diminuído drasticamente para cerca de 1 a 2 por cento este ano. O governo norte-americano diz que ataques aéreos são muito necessários e causam o mínimo de mortes de civis.

A obtenção de dados precisos sobre as vítimas e os efeitos dos drones é extremamente difícil nas perigosas, remotas e muitas vezes inacessíveis regiões tribais. O Taliban frequentemente isola os locais de ataques.

FONTE: Reuters

FOTO: CNN

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O enviado da ONU para mediar os conflitos na Síria, o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, teme que o vazio de poder criado com a queda do regime do presidente Bashar al-Assad possa ser ocupado por rebeldes e milícias.

Em entrevista concedida ao jornal de língua árabe baseado em Londres al-Hayat, o diplomata conjectura acerca dos riscos de sectarismo e divisões étnicas na Síria, e declarou: “o que eu temo é pior… Temo que o colapso do Estado transforme a Síria em uma nova Somália”. O país localizado no extremo leste, na região do Chifre da África, está sem governo centralizado desde a guerra civil em 1991.

“As pessoas falam do risco de cisão da Síria. Mas não é isso que eu vejo”, disse Brahimi, designado pela ONU para mediar os conflitos entre rebeldes e o governo de Assad em agosto, substituindo Kofi Annan. “Acredito que se a situação não for conduzida de forma adequada, o perigo é de uma ‘somalização’. Haverá colapso do Estado, e ascenção de senhores da guerra e milícias”.

O trabalho de Brahimi se torna ainda mais complicado por conta das diferenças dentro da comunidade internacional sobre como o conflito – que já dura 19 meses – deve ser solucionado. As revoltas contra o governo de Assad começaram pacíficas, inspiradas pelos levantes em outros países da região – a chamada Primavera Árabe. Mas as lutas armadas começaram poucos meses depois, quando o presidente mandou forças militares para suprimir os protestos.


Ao ser perguntado sobre até quando os confrontos podem continuar, o enviado da ONU afirma: “Todos precisam encarar uma verdade amarga e difícil – uma crise como essa, se não for tratada corretamente, pode se arrastar por um ano, dois, ou mais”. E completa: “espero que não dure todo esse tempo, mas pode acontecer, se todos os envolvidos, dentro e fora da Síria, não fizerem o que é preciso”.

Em entrevista no último domingo (04), na cidade do Cairo, Brahimi pediu às autoridades mundiais que adotem uma resolução proposta pelo Conselho de Segurança da ONU, com base em um acordo mediado por Kofi Annan em Junho desse ano em Genebra, e que propunha estabelecer um governo de transição na Síria. “Sim, o Conselho de Segurança está dividido. O importante é que o acordo de Genebra seja aplicado em uma solução”, explica o diplomata.

Rússia e China, membros permanentes do Conselho, vetaram três esboços de resoluções propostas pela ONU que poderiam aumentar a pressão sobre o governo de Assad. A Declaração de Genebra não especifica se o atual presidente teria algum papel em um possível novo governo sírio.

FONTE: Huffington Post e BBC (Tradução e adaptação do Forças Terrestres a partir de original em inglês)
FOTOS: AFP via BBC

 

A explosão na fábrica de armas em Cartum, capital do Sudão, teve um desdobramento inesperado. O incêndio ocorreu na semana passada (24), resultado de uma sabotagem ou um ataque aéreo, e logo após o incidente,  foram lançados mísseis em direção do reator nuclear israelense na cidade de Dimona, na região de Gaza. A fronteira sul da Faixa de Gaza está a cerca de 40 quilômetros de um reator em Israel, e acredita-se que foram usados mísseis do tipo Grad. Para fins de comparação, os próprios Qassam palestinos alcançam apenas metade dessa distância. Ao mesmo tempo, o bombardeio tem como objetivo chamar atenção, acredita o diretor do Centro de pesquisas sócio-políticas Vladimir Evseiev: “O reator está bem protegido de mísseis por um sistema multinível e uma cúpula de ferro. Esse bombardeio não poderia ter causado qualquer dano, mas o próprio fato do ataque é uma demonstração. Talvez isto seja uma reação aos acontecimentos no Sudão. Pois Israel tem repetidamente atacado o território sudanês, destruindo trens com armas que se destinávam para a Faixa de Gaza. Não há dúvidas de que haja ligação entre o Sudão e a Faixa de Gaza”.

Segundo dados citados pela imprensa israelense, a fábrica de armamentos em Cartum produzia mísseis balísticos de um dos modelos Shahab, desenvolvido pelo Irã. Estava sendo criada lá uma reserva para Teerã em caso de guerra. Pouco depois da explosão das instalações, militares iranianos visitaram o país africano. Nesse caso, o lançamento de mísseis contra Dimona pode ser visto como uma reataliação por parte do Irã. Porém, há uma contradição: o reator foi atacado a partir da Faixa de Gaza, que é controlada pelo Hamas, e suas relações com Teerã não têm sido as melhores ultimamente. O movimento encontrou para si outro patrocinador, na pessoa do Emir do Catar, que recentemente visitou Gaza. Vladimir Ievseiev tem certeza de que o Hamas não está envolvido no incidente: “em Gaza há um número de organizações radicais que não são controlados pelo Hamas. Há o Jihad Islâmico, existem outras estruturas também. É bem evidente que esta ação não é benéfica para o Hamas. Especialmente depois da visita do Emir do Catar a Gaza . Atacar instalações nucleares israelenses não é está nos interesses nem do Catar, nem do Hamas.”

Os “vingadores desconhecidos” que dispararam mísseis contra o reator poderiam ser qualquer grupo islâmico local. Os produtos da fábrica de armamentos no Sudão caiam nas mãos de uma variedade de forças na região, acredita o presidente do Instituto do Oriente Médio, Evgueni Satanovski: “sem dúvida, Israel decidiu destruir a fábrica. O contrabando de armas, inclusive através do Sudão para o Sinai e outros lugares da África – a região do Sahel, da África subsaariana e do próprio Saara, – existia. Especialmente tendo em conta que a liderança sudanesa tinha más relações com Muammar Kadhafi. Agora já não há mais Kadhafi, e os grupos islamâmicos podem facilmente se armar através das fábricas sudanesas.”

Especialistas notam que a produção da fábrica do país era enviada, entre outros, aos aliados do Irã – o grupo libanês Hezbollah e o exército de Bashar al-Assad. Essas entidades interessam ao Irã muito mais do que a Faixa de Gaza. Sendo assim, um indício de envolvimento de Teerã nos eventos em torno de Dimona é pouco provável. No entanto, não se pode excluir a possibilidade de que um certo grupo de radicais com mísseis de Gaza utilizaram os eventos no Sudão para atrair a atenção de potenciais patrocinadores. Que tipo de radicais são esses, se tornará claro quando alguém morder sua isca e passar a visitar Gaza com frequência.

FONTE: Voz da Rússia (Edição e adaptação do Forças Terrestres. Título original: “Poderiam míssies sudaneses danificarem reator israelense?”)

 

Rebeldes sírios disseram nesta quarta-feira que formaram uma brigada de palestinos aliados em um bairro de Damasco para lutar contra palestinos armados alinhados com o presidente Bashar al-Assad.

Cerca de 150.000 refugiados palestinos vivem no acampamento Yarmouk na capital síria, uma vasta área de blocos de apartamentos de concreto, onde alguns moradores apoiam o levante de 19 meses contra Assad e outros lutam ao lado de soldados sírios.

“Estamos armando palestinos que estão dispostos a lutar… Nós formamos a Liwa al-Asifah (Brigada de Assalto), que é composta apenas de combatentes palestinos”, disse um comandante rebelde da brigada Suqour al-Golan (Falcões de Golã) à Reuters.

“Sua tarefa é estar no comando do campo de Yarmouk. Nós todos a apoiamos e protegemos”, acrescentou.

Rebeldes disseram que eles e a nova brigada vão atacar combatentes Yarmouk leais a Ahmed Jibril, chefe da Frente Popular pela Libertação Palestina — Comando Geral (FPLP-CG), patrocinado pela Síria, acusando os homens de Jibril de assediar moradores do acampamento e atacar combatentes do Exército Livre da Síria (FSA).

Alguns combatentes da FPLP-CG tinham entregado suas armas para os rebeldes, disse o comandante, convocando outros a seguir o exemplo e ameaçando assassinar figuras pró-Assad.

Uma bomba explodiu nesta quarta-feira embaixo do carro de um coronel do Exército sírio em Yarmouk, mas ele não estava no veículo e não houve vítimas, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora o conflito. Não ficou claro se o incidente estava relacionado com a tensão entre rebeldes sírios e facções palestinas em Yarmouk.

Mais de 180 pessoas foram mortas na Síria na terça-feira, muitos em ataques aéreos do governo, afirmou o Observatório, que estima que pelo menos 32 mil pessoas foram mortas desde março de 2011, quando protestos pacíficos contra o regime de Assad eclodiram.

FONTE: Reuters

IMAGEM: AFP (Bairro da cidade de Aleppo, sob domínio do Exército sírio)

 

Dois soldados que pertenciam a um batalhão do Exército britânico foram mortos nesta terça-feira atingidos por disparos de um homem vestido com o uniforme da polícia afegã, informou o Ministério da Defesa em Londres.

Os militares, pertencentes ao Primeiro Batalhão do regimento Royal Gurkha Rifles, morreram em um posto de controle no distrito de Nahr-e Saraj, na província de Helmand, onde a maior parte do contingente britânico no Afeganistão está mobilizada, indicou o ministério, sem indicar a nacionalidade das vítimas.

Este regimento é formado por oficiais britânicos e ‘ghurkas’, soldados nepaleses que servem desde o século XIX nas forças armadas britânicas, especialmente em operações no exterior.

Estas duas mortes elevam para 43 o número de baixas sofridas pelas Forças Armadas britânicas durante o ano no Afeganistão, e para um total de 437 desde o início da intervenção internacional liderada pelos Estados Unidos, em 2001.

Um porta-voz da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan havia anunciado estas mortes horas antes à AFP.

“Um homem com uniforme da polícia afegã voltou sua arma contra as forças da Isaf no sul do Afeganistão matando dois soldados da missão”, disse à AFP em Cabul.

O ataque foi reivindicado por um porta-voz dos insurgentes talibãs, que afirmou que as duas vítimas eram britânicas.

FONTE: Agência AFP via ISTOÉ

 

Um projétil de bateria anti-aérea da Síria atingiu uma clínica hospiltar em uma cidade da Turquia próxima à fronteira, segundo uma agência de notícias local. Não foi registrado nenhum ferido. O exército investiga a área para concluir de onde partiu o artefato.

Desde o dia 3 de outubro, após um morteiro sírio matar cinco civis turcos, ambos os países passaram a trocar disparos esporádicos de artilharia.

Segundo relatos veículados na televisão turca, a clínica hospitalar fica a 200 metros do limite com a Síria, na cidade de Reyhanli. O projétil ricocheteou cinco vezes antes de atingir o muro do prédio. A vila atingida fica do outro lado da fronteira de um dos principais redutos dos rebeldes que lutam contra o presidente Bashar Al-Assad na província de Idlib.

Ataques

Nesta terça-feira, em uma ofensiva para liberar estradas controladas por rebeldes no norte da Síria, o exército de Assad bombardeou as vilas de Maaret Al-Numan e Mar Shamsheh, segundo relatos do Observatório Sírio para Direitos Humanos, entidade baseada em Londres. As duas localidades são pontos-chave no caminho que liga Aleppo à capital Damasco. Não foram divulgados números de mortos ou feridos após o ataque.

Os rebeldes tomaram as duas vilas no começo do mês e contaram uma das principais rotas para envio de suprimentos às tropas de Assad localizadas no norte e no nordeste da Síria.

FONTE: Portal Último Segundo iG, com informações da Associated Press.

IMAGEM: Associated Press

 

 

O Exército de Israel informou que deu início neste domingo ao maior exercício militar conjunto com os EUA. A operação batizada de “Austere Challange 12″ inclui mais de 3.500 americanos e 1.000 israelenses. Os militares estão praticando suas habilidades em trabalhar em conjunto contra uma série de ameaças a Israel, o principal aliado americano no Oriente Médio.

“[As manobras] afastam a imagem de uma rusga entre os Estados Unidos e Israel”, declarou o cientista político da Universidade de Bar Ilan, Gerald Steinberg, “Elas demonstram que, apesar das diferenças de opinião, ainda há uma cooperação significativa em termos de defesa”.

Os atritos entre os EUA e Israel se agravaram nas últimas semanas, quando o primeiro ministro Benjamin Netanyahu e outros altos funcionários do governo começaram a deliberar sobre a demarcação de uma “linha vermelha” que deflagraria uma possível intervenção militar no Irã.

A operação entre os EUA e Israel estava originalmente programado para abril, mas foi adiada a pedido de Tel Aviv. Nenhuma razão foi dada para as manobras, mas elas ocorrem em meio a crescentes rumores de que o país está se preparando para atacar o Irã, caso Teerã não interrompa seu programa de enriquecimento de urânio. O contra-ataque por parte de Teerã e seus aliados do Hamas e do Hezbollah é atualmente a maior ameaça que o Estado israelense teria a temer.

O Irã nega as acusações de estar desenvolvendo armas atômicas, e reafirma que seus esforços são exclusivamente para fins civis. Porém, os líderes do país prometeram retaliações severas contra Israel em caso de ataque às instalações de seu programa atômico.

De acordo com generais americanos e israelenses, o “Austere Challange 12″ deve simular uma guerra de diversas frentes, com ataques de vários tipos, desde mísseis balísticos de longo alcance até morteiros. Estima-se que as três semanas de operações devem custar 30 milhões de dólares. Os Estados Unidos empregarão baterias de mísseis Patriot e um navio aequipado com o sistema anti-mísseis Aegis. Israel incluirá seus sistemas Arrow e Iron Dome.

FONTES: Associated Press via O Estado de S. Paulo e Wall Street Journal (tradução e adaptação pelo Forças Terrestres do original em inglês)

IMAGEM: Fox News

 

Santos discute com líder das Farc e dois guerrilheiros morrem em bombardeio

 

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, respondendo ontem às críticas do líder guerrilheiro Iván Márquez ao programa agrário do governo, disse que o processo de restituição de terras a camponeses está privando as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de uma de suas bandeiras políticas. Na quinta-feira, durante a instalação oficial do diálogo de paz, na Noruega, Márquez afirmou que a medida é uma “armadilha” e a entrega de escrituras aos camponeses é uma tentativa de obrigá-los a vender suas terras a multinacionais. Ainda ontem, Bogotá informou que duas pessoas morreram em um bombardeio do Exército, na terça-feira, contra um acampamento das Farc.

FONTE/FOTO: O Estado de São Paulo, via Resenha do EB/midiario

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Atentado põe em risco frágil paz no Líbano

Carro-bomba explode em bairro afluente de Beirute e mata oito, entre eles chefe da inteligência; Síria é suspeita

 

Marcelo Ninio

A explosão de um carro-bomba matou ontem num bairro de maioria cristã de Beirute um dos principais chefes da inteligência do Líbano e outras sete pessoas, reacendendo as tensões sectárias e os temores de um contágio da guerra civil na Síria.

Entre os mortos está Wissam al Hassan, 47, chefe de inteligência das forças de segurança internas, o que fortalece a hipótese de que tenha sido o alvo da explosão.

Foi o primeiro carro-bomba em quatro anos em Beirute e o mais grave atentado desde o assassinato do ex-premiê Rafiq Hariri, em 2005.

A explosão abriu uma cratera no chão e ergueu uma coluna de fumaça negra no badalado bairro de Ashrafieh, área no leste da capital conhecida pelo comércio sofisticado e pela vida noturna.

Testemunhas contaram que o impacto foi tão grande que destruiu vários carros e balançou os prédios das redondezas. Ao menos 80 pessoas ficaram feridas.

A explosão assustou os funcionários do Centro Cultural Brasil-Líbano, a quatro quarteirões de distância. “O estrondo foi impressionante, o prédio inteiro tremeu”, contou à Folha a professora Renata Vieira. Segundo a Embaixada do Brasil em Beirute, não há notícia de brasileiros entre as vítimas.

PLANO PARA ATENTADOS

As tensões sectárias no país, alimentadas pela guerra na vizinha Síria, aumentaram nas últimas semanas, depois que os serviços de segurança desbarataram um plano para atentados e assassinatos.

Chefiada por Al Hassan, a operação levou à prisão de Michel Samaha, proeminente político libanês, ex-ministro da Informação e aliado do ditador sírio, Bashar Assad. Após a prisão, Al Hassan recebeu ameaças de morte e mudou a família para Paris.

Ninguém assumiu a autoria do ataque de ontem. As suspeitas recaíram sobre a Síria e seus aliados no Líbano, sobretudo o Hizbollah, misto de milícia e partido e grupo mais influente do país.

O fato de o atentado ter sido num bairro cristão não tem necessariamente significado político, já que os partidos cristãos estão divididos entre a coalizão de governo do Hizbollah e a oposição.

O grupo xiita condenou o atentado em nota: “Este crime terrível é uma tentativa contra a estabilidade do Líbano e a união nacional”.

Saad Hariri, filho do ex-premiê assassinado em 2005, não tem dúvida de que Assad está por trás do ataque. “Um regime que massacra seu próprio povo não pensa duas vezes ao executar um inimigo no Líbano”, disse, à CNN, da Arábia Saudita -há meses Saad evita visitar o Líbano.

Al Hassan foi durante anos um dos assessores mais próximos de Rafiq Hariri. Em 2005, ele chefiou uma investigação que apontou o envolvimento do Hizbollah e da Síria no assassinato do ex-premiê. Mais tarde, uma comissão da ONU também culpou membros do grupo xiita.

A guerra na Síria elevou as tensões no país, acirrando a divisão entre aliados de Assad, como o Hizbollah, e opositores, como a coalizão 14 de Março, liderada por Saad.

Houve confrontos violentos nos últimos meses, mas eles se restringiram a áreas com maior concentração de forças pró-Assad, como Trípoli (norte), enquanto Beirute vivia relativa calmaria.

Ontem, porém, manifestantes queimaram pneus e fecharam ruas na capital em protesto contra o atentado. “Assad já ameaçou várias vezes incendiar a região se a pressão contra ele aumentar”, disse Fares Soueid, porta-voz da 14 de Março.

FONTE/FOTO: Folah de São Paulo, via resenha do EB/RichardHall

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A Coreia do Norte ameaçou ontem (18) a Coreia do Sul com um ataque militar se opositores ao regime de Pyongyang lançarem panfletos políticos sobre seu território na próxima semana.

“Ao menor movimento vinculado (a este projeto) de lançar panfletos (…), as unidades da Frente Oeste lançarão sem aviso prévio um ataque militar sem piedade”, advertiu o Exército popular da Coreia do Norte em um comunicado.

A Coreia do Sul afirmou imediatamente que responderia a qualquer ataque norte-coreano.

“Se isto ocorrer, responderemos atacando ali onde estiver a origem dos disparos”, declarou o ministro sul-coreano da Defesa, Kim Kwan-Jin, citado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Desertores norte-coreanos anunciaram sua intenção de enviar no dia 22 de outubro às 11h30 (23h30 do dia 21 de outubro, horário de Brasília) através da fronteira perto da cidade de Paju, 60 km ao norte de Seul, balões carregando panfletos.

O exército norte-coreano, citado pela agência oficial KCNA, aconselhou os moradores da região a “evacuar em previsão de eventuais danos”. “Os arredores serão alvo de disparos diretos do Exército Popular da Coreia”, disse o comunicado.

Os militantes contrários ao regime de Pyongyang enviam regularmente em direção ao Norte panfletos de propaganda denunciando o caráter autoritário deste regime e convocando os norte-coreanos a se rebelar.

FONTE: Agência AFP

 

O exército jordaniano realizou, nesta quinta-feira, uma série de manobras militares perto da fronteira com a Síria, que incluíram o uso de aviões de combate e helicópteros, depois que Amã afirmou que tomará medidas perante o conflito no país vizinho.

Segundo a agência oficial jordaniana Petra, o rei Abdullah II da Jordânia participou desses exercícios militares, nos quais foram usadas munições reais.

A agência não ofereceu mais detalhes sobre as manobras e nem sobre os motivos das mesmas, mas as autoridades jordanianas declararam, recentemente, que estão tomando medidas preventivas para fazer frente a qualquer uso de armas químicas por parte do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

As potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, advertiram sobre o possível uso destas armas pelo regime de Damasco, que assegurou que só utilizaria esse tipo de armamento em caso de agressão externa.

O governo de Petra também não esclareceu se, nas manobras desta quinta, participaram tropas ocidentais, depois das informações que especialistas militares teriam chegado ao país para ajudar o Exército jordaniano a lidar com a ameaça de armas químicas.

Em 10 de outubro, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, confirmou o envio de um grupo de assessores militares à Jordânia para apoiar o país perante a crise na Síria e precisou que a equipe se ocupará, entre outras coisas, de assegurar um melhor controle sobre as armas químicas de Damasco.

FONTE: EFE via Terra Notícias

 
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