Armando Monteiro Neto
O combate ao crime organizado requer ações de inteligência e cooperação das polícias Militar e Rodoviária Federal em investigações
Dados do Ministério da Fazenda e da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que as despesas realizadas pela União com segurança pública totalizaram R$ 9 bilhões em 2010. Somados aos gastos dos Estados, o montante chegou a R$ 47 bilhões no período.
Mas episódios como os observados em São Paulo e, recentemente, em Santa Catarina, sugerem que o enfrentamento da crescente violência exige mais do que apenas a garantia de recursos. O Estado brasileiro precisa rever sua estratégia geral de combate à criminalidade.
É notório que evoluiu a cooperação entre grupos que atuam em diferentes nichos criminais e em diferentes regiões do Brasil. Também cresceu seu poder no rastro do rápido desenvolvimento de novas tecnologias e da exploração de gama diferenciada de ilícitos, como a biopirataria, o tráfico de órgãos e a falsificação de produtos industriais.
A expansão do crime organizado exerce forte pressão sobre os sistemas nacionais de segurança pública. A construção de um sistema de inteligência policial em rede é parte do enfrentamento do problema. Nesse caso, o trabalho de inteligência não é privativo de agências policiais especializadas, mas encontra-se distribuído no sistema de Justiça criminal.
Tal enfoque tomou forma após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos e disseminou-se não apenas entre as nações diretamente afetadas por ameaças terroristas, mas também em países que convivem com organizações criminosas.
O crime organizado tem natureza complexa e envolve atividades realizadas em diferentes jurisdições. É necessário dispor de razoável capacidade tecnológica e de conhecimento especializado para detectar e reprimir as atividades dos grupos que o praticam.
O sucesso da ação dependerá da capacidade de os agentes estatais reduzirem os conflitos entre instituições que atuam em diferentes níveis e com competências diversas.
As Polícias Militares realizam a maior parte das prisões em flagrante. Mas é preciso uma nova legislação que garanta maior participação das polícias ostensivas (Militar e Rodoviária Federal) nas atividades de inteligência. Tais tarefas, apesar de contínuas e fundamentais, estão desamparadas do ponto de vista legal e requerem regulação constitucional.
Uma boa resposta seria a reforma do artigo 144, com o objetivo de permitir às polícias ostensivas atuar em cooperação com as judiciárias (Civil e Federal) nas suas investigações, além daquelas conduzidas pelo Ministério Público.
A regulação constitucional dessa matéria visa não apenas a proteção dos policiais envolvidos nas atividades de inteligência, mas tem o objetivo precípuo de garantir que o Ministério Público disponha de meios para exercer o controle externo das polícias que passarão a ter a prerrogativa legal de realizar atividades de inteligência.
O aspecto positivo dessa regulação é o potencial de eliminar os embates corporativistas hoje existentes entre órgãos policiais e estabelecer uma lógica de cooperação em benefício da segurança pública. Cabe ao Poder Legislativo preencher a lacuna legal existente.
A experiência externa mostra que não há melhor momento para combater o crime organizado do que em estágios iniciais. Depois, o custo das intervenções aumenta exponencialmente. Essa dinâmica afeta diretamente a estabilidade política de vários países latino-americanos.
ARMANDO MONTEIRO NETO, 60, senador pelo PTB de Pernambuco, é membro da Comissão Especial de Reforma do Código Penal
FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército
A reunião de integrantes dos governos estadual e federal realizada na terça-feira (06) no Palácio dos Bandeirantes para definir medidas conjuntas de combate à violência em São Paulo se concentrou em soluções de médio prazo. Das seis ações anunciadas, apenas uma tem efeito imediato: o envio a presídios federais de criminosos que atentaram contra agentes de segurança em São Paulo. A novidade foi a criação de uma agência para integrar setores de inteligência das forças estadual e federal.
Na terça-feira (06) já saiu o nome do primeiro preso transferido. Como antecipou a coluna Direto da Fonte, o traficante Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, será transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho no máximo até amanhã. Preso em Itajaí (SC) em 26 de agosto, ele cumpria pena em Mirandópolis. Ao ser preso, segundo homens da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Piauí afirmou que dois PMs morreriam a cada morte de integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e um a cada prisão.
Por outro lado, ficou de fora a promessa da Secretaria Nacional de Segurança Pública de enviar homens do Exército e da Força Nacional para ocupar favelas paulistas, como a Paraisópolis. “As Polícias Civil e Militar de São Paulo têm efetivo suficiente. O Exército está no momento descartado”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.
Integração
No caso da agência, a ideia é integrar os setores de inteligência das Polícias Federal, Civil e Militar a órgãos financeiros de combate à lavagem de dinheiro para que trabalhem juntas contra organizações criminosas para “asfixiar” as finanças do crime.
Tanto a Secretaria da Administração Penitenciária, por parte do Estado, quanto a Polícia Federal, pela União, têm serviços de inteligência que investigam o crime, assim como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda. A parceria vai levar à troca de informações entre essas partes.
As outras quatro iniciativas anunciadas já haviam sido prometidas em diferentes momentos e governos e ainda dependem do estreitamento da relação entre agentes federais e estaduais e de uma coordenação que os leve a trabalhar conjuntamente. Uma nova reunião, marcada para segunda-feira, tentará definir detalhes dessas parcerias.
Uma das medidas será tentar bloquear por terra, mar e ar as rotas de entrada de drogas e armas em São Paulo, com ajuda das Polícias Rodoviárias Estadual e Federal. O Porto de Santos foi citado como um local que receberá atenção especial.
Declarações
Ao anunciarem as medidas, tanto o governador Geraldo Alckmin quanto o ministro da Justiça tentaram demonstrar união. Também não faltaram frases de efeito. “É preciso cortar o fluxo de dinheiro das organizações criminosas. Contra essas organizações, não é possível retroceder um milímetro”, disse Alckmin. “Juntos, os governos estadual e federal são mais fortes do que o crime organizado”, afirmou Cardozo.
União e Estado também requentaram parcerias que já vinham sendo discutidas desde o ano passado, quando o governo federal anunciou o plano de combate ao crack. O estreitamento das relações no combate à droga voltou a ser prometido ontem, assim como o anúncio de bases comunitárias móveis em cracolândias.
As outras duas ações a serem detalhadas são as parcerias para aprimorar os trabalhos da Polícia Científica na identificação da origem da droga e na criação de um centro de controle integrado contra o crime organizado para decisões conjuntas.
FONTE: O Estado de S. Paulo
A Polícia Militar do São Paulo comprou submetralhadoras Famae SMT.40 para seus oficiais. De acordo com a corporação, “a submetralhadora foi comprada com o intuito de aumentar o número desse tipo de armamento”. A PM, porém, faz a ressalva que “as submetralhadoras anteriores são tão eficientes quanto essas e não serão retiradas de uso”.
Segundo a Taurus, fabricante da arma, a submetralhadora pesa 3,270 kg – com carregador -, tem 30 cartuchos e tem 470 mm de comprimento. A PM não pode informar quantas armas foram adquiridas por medida de segurança. Cada submetralhadora é avaliada em R$ 4,5 mil.
Fonte:Terra
NOTA DO LEITOR: Existe um erro na nomenclatura da mesma, sendo este modelo, um desenvolvimento próprio da Taurus e não a versão feita sob licença da FAMAE Chilena. (Claudio de Queiroz)
A cada bimestre, uma pessoa deixou de ser morta em cada uma das comunidades sob vigilância das 27 UPPs instaladas em favelas cariocas a partir do fim de 2008, afirma o sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ). “Estamos falando de 400, 500 vidas salvas por ano”, diz o acadêmico, com base na pesquisa Os Donos do Morro: Uma Avaliação Exploratória do Impacto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Estado do Rio de Janeiro, que coordenou. Apesar dessa queda – a 28ª UPP foi inaugurada na quinta-feira, na Rocinha -, há resistências ao projeto. Em alguns lugares, moradores reclamam da proibição de barulho à noite, que inviabiliza bailes funk e rodas de samba; em outros, garotos protestam contra as forças de segurança aos berros de “UPP vai morrer”; e há ainda favelas cujos habitantes rejeitam o termo “pacificação” – não há guerra, afirmam. O trabalho descobriu ainda que os próprios policiais desvalorizam os PMs de UPP, chamados nos batalhões de smurfs ou smurfetes devido ao uniforme azul (diferente da farda cinzenta do resto da corporação) e à atitude supostamente menos belicista, repudiada pela cultura de confronto. Até os policiais das UPPs desvalorizam seu trabalho e sonham ser policiais “normais”, como aqueles que os ridicularizam com o apelido.
“Eles se sentem fazendo outra coisa que não é polícia”, explica Cano, ao descrever as unidades lançadas pela Secretaria de Segurança em 2008. As novas estruturas, instaladas após a tomada de cada favela pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), se caracterizam pela saturação das comunidades com PMs recém-formados. O tráfico, porém, continua, escondido, sem exibir armas.
O trabalho também chegou a uma conclusão inquietante: no formato atual, o programa não pode ser levado a todas as áreas que precisariam dele, devido à grande quantidade de policiais exigida para sua reprodução nos mesmos padrões. “Não é possível multiplicar a polícia por oito, por nove”, diz Cano. Em uma conta rápida, a PM do Rio, atualmente com 38 mil integrantes, precisaria ser ampliada para pelo menos 304 mil militares, número que supera os 200 mil membros do Exército, por exemplo, e provocaria uma explosão de custos em salários, treinamento, armas. Só nas primeiras 13 UPPs, a PM mantinha, segundo a pesquisa, 18,2 policiais para cada mil habitantes – com casos como o do Morro Dona Marta, onde 217 agentes foram escalados para uma população de 3.513, ou seja, 61,8 PMs por mil.
Também fica esmaecida na pesquisa a imagem, transformada em instrumento de propaganda do governo fluminense, das áreas das favelas com UPPs como regiões pacíficas. Em contraste com os vídeos publicitários com moradores das áreas de UPP felizes e esperançosos, o trabalho mostra que, simultaneamente à queda da violência, cresceu o número de furtos e lesões corporais nas comunidades atingidas pelo programa. E revela que a relação moradores/PM nas áreas do projeto vai da integração absoluta, como no Jardim Batam, à hostilidade, como no Fallet/Fogueteiro/Coroa.
O que mais chamou a atenção nos resultados da pesquisa?
Em primeiro lugar, a constatação de que os resultados de redução na mortalidade se obtêm independentemente da razão policiais/habitantes. Nos locais com mais ou menos saturação de policiais o resultado é paralelo. Mesmo onde a relação entre polícia e comunidade é bastante tensa, há redução de mortalidade. Ou seja, daria para obter os mesmos resultados com menos policiais, portanto daria para estender o projeto a mais locais, e o projeto tem um potencial muito positivo na redução dessa violência armada, mesmo quando outros problemas de segurança, como a relação entre polícia e comunidade, não estão resolvidos. Outro elemento importante é a falta de legitimidade do projeto entre os próprios policiais. Afora os comandantes que estão identificados, os sargentos e os soldados prefeririam trabalhar em um batalhão normal.
Por que isso acontece?
Há um conjunto de elementos. A gratificação, de R$ 500, não funciona. Ela atrasa, tem desconto de Imposto de Renda. E para os policiais do resto das unidades, que conseguiram uma gratificação de R$ 350 justamente em função da desvantagem em relação às UPPs, esses R$ 350 são pagos regularmente, sem desconto. Em segundo lugar, as condições de trabalho são duras. Os PMs das UPPs têm de subir e descer morro, alguns estão alojados em contêineres e a reação da comunidade a eles nem sempre é muito positiva. Os PMs ainda entram no trabalho meia hora antes porque precisam passar no batalhão para pegar a arma e o veículo. Depois vão para a UPP começam a jornada de trabalho. Quando acabam, voltam para o batalhão para entregar o equipamento. Isso significa que trabalham uma hora a mais que um policial normal. E por trás está a questão doutrinal que faz com que ainda pensem que mediação de conflito é policiamento de segunda divisão.
Eles não se sentem respeitados.
Exatamente. Eles se sentem desrespeitados pela comunidade e desvalorizados pelo policial do batalhão, que o chama de smurfete, de smurf. É uma imagem muito danosa, infantiliza o policial da UPP, faz com que pareça uma coisa de brincadeira. Eles aprenderam, inclusive antes de entrar para a instituição, que polícia é para prender bandido e trocar tiro. Então, se sentem fazendo outra coisa que não é polícia.
A relação das UPPs com as comunidades não parece muito boa, por causa do repúdio à ideia de pacificação, das restrições ao lazer. Isso pode levar moradores a pensar: ‘Era melhor na época dos traficantes’?
Tem jovens que pensam exatamente isso. O que a gente espera é que haja uma negociação porque outro risco é o legalismo extremo. Por exemplo, a suposta lei do silêncio. Essa lei não é aplicada no resto da cidade com o mesmo rigor. As pessoas que nunca tiveram nenhum limite legal agora sentem que o limite delas é muito mais rigoroso que o de um cidadão comum. Propomos à polícia que se façam assembleias em que as pessoas discutam ou votem qual vai ser o limite do samba e do funk na sexta à noite, e que a polícia aplique a decisão da comunidade. A polícia fica muito mais legitimada, sem o ônus de tomar decisões de forma paternalista e de ser rejeitada por quem não gosta dessa restrição.
Esse paternalismo da polícia transparece muito na pesquisa. Ela assume um papel que não é dela?
Não deveria ser. A isso se junta a tradição autoritária da polícia e a existência do que chamamos de projeto moral. Muitos policiais querem acabar com o funk, com o proibidão (funk de exaltação ao crime), querem que a criança tenha cabelo curto. Por outro lado existe a demanda da própria comunidade por essa figura forte, de dono do morro, que resolve as coisas. Essas demandas confluem para fortalecer o papel paternal.
Como é a relação dos policiais da UPP com os moradores das comunidades?
Em algumas comunidades é boa, em muitas é tensa. No Batam, por exemplo, é boa. Ali os policiais levam os filhos para as festas na comunidade. Em Fallet/Fogueteiro/Coroa, é péssima. Fallet/Fogueteiro/Coroa tem bastante corrupção policial, um tráfico tradicional mais familiar e, portanto, uma rejeição forte da comunidade em relação à polícia. Fiz um patrulhamento com os policiais lá. Os garotos gritam: ‘UPP vai morrer’, e fazem pichação… É um ambiente extremamente hostil. Aí os policiais vão patrulhando com fuzil na ponta… Há muitas situações diferentes. Contudo, é melhor do que era antes. Porque tem muito menos tiroteio, quase não tem morte.
Apenas uma UPP, no Jardim Batam, é em área de milícia. A que atribuir essa lacuna, já que as milícias estão se espalhando pelo Rio, e a concentração do programa é na zona sul e em torno do Maracanã?
Há muitas razões por trás disso. Acho que nunca pensaram o projeto para milícia. Mas também não precisa ser nenhum gênio da sociologia nem da geografia para ver que evidentemente estão privilegiando áreas com uma população de classe média alta, áreas turísticas, que obviamente têm a ver com o projeto de megaeventos. Não fosse o Maracanã, a Tijuca não teria esse privilégio. O problema que se coloca é que, com esse nível de investimento em policiais, é impossível cobrir o conjunto do Estado.
Na sua avaliação, nos níveis atuais, o projeto não pode ser reproduzido em todo o Estado?
Não pode. É impossível. O número de policiais militares por habitantes no Rio é hoje de 2,3 para cada mil habitantes, próximo do nível padrão das Nações Unidas, de 3 por mil. Nas UPPs, há 18/19 PMs para cada mil habitantes. Então, não é possível multiplicar a polícia por oito, por nove.
Na escolha dos lugares para as UPPs, houve, em sua opinião, preocupação com visibilidade, com marketing?
Com certeza. Se as classes médias altas sentem que o projeto é em detrimento delas, o projeto pode entrar em crise. Então acho que há motivos menos louváveis, que são essa visibilidade, a mídia. E a visibilidade é internacional. Então há uma lógica política clara. Parte dela é compreensível e parte é pensando em termos eleitorais. Se o projeto tivesse começado na Baixada, de longe a região mais violenta do Estado, provavelmente hoje não teria esse nível de apoio. Então, pelo menos a zona sul e a zona central teriam de ser contempladas. O que me parece mais preocupante é que até hoje só contemplamos isso e pouco mais.
O projeto é prisioneiro dessa lógica?
Acho que é. Sem proteger os interesses dessas áreas nobres, corre-se o risco de perder a sustentação geral.
A pesquisa também constatou, por métodos estatísticos, que as UPPs têm poupado vidas. De quanto foi essa redução?
De meia vida por mês, por comunidade.
A cada dois meses, uma pessoa deixou de ter morte violenta em cada comunidade com UPP, é isso?
Isso. Agora, no entorno é mais difícil de estimar. Não é pouco não. Hoje são 20 e tantas UPPs, multiplique por 12 meses. Você vai ver que estamos falando de 400, 500 vidas por ano sendo salvas, fora o efeito no entorno, que vai na mesma direção. E a violência tem um efeito inercial muito forte. Quando as pessoas matam, acabam também sendo mortas. Quando você começa a diminuir essa violência, isso acaba gerando mecanismos que diminuem outros fatos violentos. A gente acha que parece pouco, mas na verdade não é não.
FONTE: O Estado de S. Paulo
Sob o argumento de que fere a Constituição, o Brasil rejeitou na terça-feira (18) proposta apresentada na Organização das Nações Unidas (ONU) para acabar com a Polícia Militar. De uma lista de 170 sobre políticas de direitos humanos, a recomendação foi a única negada. Para o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares, houve um equívoco na interpretação do texto – uma compilação de sugestões de diferentes países, incorporadas pelas Nações Unidas. Segundo o documento entregue pelo Brasil, publicado na terça-feira (18) no site da ONU, Brasília rejeitou a ideia, da Dinamarca, para “trabalhar na direção de abolir o sistema separado de Polícia Militar”.
Durante a reunião de maio em Genebra, diversos países europeus criticaram abertamente a violência usada pela Polícia Militar e apontaram a preocupação em relação aos números de mortes em operações. A resposta foi clara. “A recomendação não tem o apoio do Brasil, diante da Constituição, que prevê a existência de forças policiais militares e civis”, indica o documento.
“Forças policiais civis são responsáveis pelo trabalho de polícia judiciária e pela investigação de ofensas criminais, salvo ofensas militares”, explicou. “Forças policiais militares são responsáveis pelo policiamento ostensivo e pela preservação da ordem pública”, completa.
O governo ainda indicou que estava adotando medidas para melhorar o controle sobre os policiais, como a criação de um ombudsman. Além disso, estariam treinando de forma permanente os policiais em termos de direitos humanos. Nos últimos anos, diversos organismos da ONU criticaram as mortes ocorridas no Brasil por parte das forças de ordem e apontaram o fenômeno como uma das principais violações de Direitos Humanos no País.
Realizado a cada quatro anos, o evento em que o documento foi apresentado serve para sabatinar Estados sobre políticas de direitos humanos e governos de todo o mundo apresentam recomendações em relação a questões como saúde, educação e a situação de minorias.
Na quinta-feira (20), após avaliação das sugestões, o governo brasileiro volta à tribuna do Conselho de Direitos Humanos para informar os membros sobre quais medidas foram aceitas. Em quatro anos, a ideia é que as propostas aceitas pelo Brasil acabem sendo reavaliadas pelos demais governos, que cobraram a aplicação das recomendações.
Equívoco
Para o Conselho Nacional do Comando de Comandantes-Gerais das Polícias Militares, o documento da ONU não sugeriu o fim das Polícias Militares. Na visão dos conselheiros, houve equívocos na tradução que levaram os brasileiros a acreditar que era pedido o fim da PM. “O que a Dinamarca sugeriu foram medidas para acabar com a violência extralegal praticada por grupos de extermínio”, argumenta o coronel Atair Derner Filho, da PM de Santa Catarina e secretário-geral do Conselho.
O coronel afirma que a ONU, inclusive, usa o serviço de policiais militares brasileiros para treinar forças de segurança em países com instabilidade política, como Haiti e Timor Leste. “Como não houve recomendação para extinção da PM, no documento atual, ao qual tivemos acesso, de novo não localizamos esse debate”, disse o coronel. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
FONTE: O Estado de S. Paulo
Traficantes da comunidade são suspeitos das mortes de oito pessoas no fim de semana

RIO – Centenas de policias do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar ocuparam na madrugada desta terça-feira a favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, com o apoio de fuzileiros navais. Parte do efetivo foi levada para a comunidade dentro de quatro blindados dos fuzileiros, que já deixaram a favela.
As tropas se concentraram no fim da noite de segunda-feira no quartel do Corpo de Bombeiros de Guadalupe, de onde seguiu em comboio até a favela. Por enquanto, a PM ainda não divulgou detalhes da operação e não foram ouvidos sinais de disparos na chegada da polícia.
Traficantes da Chatuba, em Mesquita, são suspeitos das mortes de pelo menos oito pessoas no fim de semana, incluindo um grupo de seis jovens, entre 16 e 19 anos, sem antecedentes criminais. Eles desapareceram no sábado, quando foram tomar banho em uma cachoeira da região e os corpos foram encontrados na segunda-feira às margens da Via Dutra, com marcas de tiros, facadas e torturas.
Policiais prenderam Luiz Alberto Ferreira de Oliveira, de 29 anos, mas a PM não tem informações se ele participou da chacina. Os policiais foram até a casa de Luiz Alberto, na Travessa Paulo Jorge 36, para checar uma informação do disque-denúncia de que havia drogas e armas no local. Ele só permitiu a entrada da polícia com a chegada do advogado. Na casa foram apreendidos R$ 15.099 escondidos em uma lancheira infantil e 20 gramas de cocaína. Segundo os PMs, Luiz Alberto teria dito que a droga seria para consumo próprio, mas na casa havia indícios de que o local servia para o tráfico, já que foram encontrados dezenas de elásticos de dinheiro e saquinhos plásticos cortados normalmente usados para embalar sacolés de cocaína. Segundo a polícia, Luiz Alberto estava em liberdade há apenas uma semana. Ele ficou preso 27 dia depois de ter sido encontrado com munição de uso restrito.
FONTE: O Globo
Aeronave foi recebida durante comemorações do 87º aniversário do Gabinete Militar da Governadoria
A Helibras entregou, na última terça-feira (31), o novo helicóptero AS350 B2 para o estado de Goiás, durante as comemorações de 87 anos do Gabinete Militar da Governadoria que aconteceram na Academia de Polícia Militar, em Goiânia. O helicóptero substituirá a antiga aeronave Esquilo acidentada em 2000.
O AS350 B2 é um monoturbina com capacidade para quatro passageiros e dois tripulantes. Atualmente, cerca de 150 helicópteros da versão B2 estão em operação no mercado brasileiro, dos quais 60 no segmento de defesa social e segurança pública. A aeronave será utilizada pela Superintendência do Serviço Aéreo do Estado, pela administração do Palácio Pedro Ludovico Teixeira e do Palácio das Esmeraldas.
Durante a cerimônia de aniversário, o presidente da Helibras, Eduardo Marson Ferreira, e o gerente de vendas governamentais Mauro Ayres, foram homenageados com a “Medalha do Guardião”, destinada na ocasião a 52 autoridades civis e militares que prestaram relevantes serviços ao Gabinete Militar. Também participaram das comemorações, o governador Marconi Perillo, o vice-governador José Eliton Júnior, o chefe do Gabinete Militar Mauro Teixeira Cândido e oficiais da Polícia Militar do estado.
DIVULGAÇÃO: Convergência Comunicação Estratégica / FOTO: Helibras/Ailson Felício
O Exército promoveu uma entrevista coletiva na manhã de hoje 13º RC Mec com participação do General Tomás Miguel Mine Ribeiro Paiva, comandante do 11º Brigada de Infantaria Leve. Além dele também estiveram presentes o comandante da 3ª Cia de Polícia Militar de Pirassununga, capitão Carmo Augusto de Oliveira Vasques, o delegado titular do 1º DP, Maurício Miranda de Queiroz e o supervisor da Guarda Municipal, Paulo André Silva Tannus.
O general afirmou que 99% da munição foi recuperada. “Houve um amplo apoio das forças de segurança, da PM, PC e GM, sem o qual não seria possível recuperar a munição. Praticamente toda munição foi recuperada. O restante nós vamos continuar buscando, o que seriam 30 cartuchos. A gente acredita até que poderia ser extraviado no transporte. A unidade vai continuar buscando e emitir mandado de busca”
Foi comprovada a participação de um militar do regimento e ele foi preso preventivamente. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar e outro junto à Justiça Comum conduzido pela Polícia Civil.
A operação envolveu cerca de 600 militares da Brigada de Campinas. “Essa é uma resposta comum que o Exército sempre dará no caso de alguém invadir aquartelamento para roubar armamento e munição. A gente não descansa enquanto não recuperar o material”, afirmou o General.
O comandante afirma que o suspeito ainda não havia confessado o delito e que muito provavelmente a chacina ocorrida em Porto Ferreira na noite do último domingo (1) que vitimou três pessoas tenha envolvimento com esse furto. “Podem estar relacionados a esse caso e está sendo investigado pela polícia Civil”, afirmou.
Ele afirma que a segurança do paiol do 13º RC MEC deverá ser reforçada. “A guarda do paiol é realizada por quatro militares. Um inquérito vai comprovar se houve facilitação da guarda ou se houve omissão da guarda, as duas coisas são graves. Eu estive pessoalmente no paiol e é muito difícil pelas medidas de segurança que alguém faça alguma ação sem que a guarda tome conhecimento. A segurança nos quartéis é sempre fiscalizada. Nós conferimos o armamento e a munição diariamente, essa falha é inaceitável”, disse General Tomás.
Durante a coletiva, o general explicou como foi possível chegar ao acusado do furto das munições. “Nós chegamos ao soldado porque quando ocorreu o furto, nós convocamos todos os militares do quartel para comparecer no domingo (dia 1º) e ele faltou. Nós já começamos a suspeitar. No dia seguinte ele também faltou e aí nós fomos buscá-lo. Depois que ele foi preso, um familiar procurou a tropa e denunciou”.
Os soldados que estavam na guarda foram detidos disciplinarmente pelo erro na execução do serviço e agora seguem as investigações para comprovar se houve ou não participação criminosa ou omissão. “Serão julgados pela Justiça Militar por transgressão disciplinar ou crime militar. Se for transgressão, no mínimo serão expulsos”.
De acordo com General Tomás, o crime ainda deverá ter alguns desdobramentos. “No inquérito, possivelmente saberemos mais detalhes. Inicialmente a munição teria sido levada em dois veículos. Eles pularam o muro dos fundos. Tem monitoramento por câmera no paiol que não estava funcionando naquela semana o que indica a participação de pessoas que conheciam o sistema de segurança do quartel. Temos um prazo de 40 dias para o inquérito policial militar, a Polícia Civil prossegue com seu inquérito e, o normal é que as informações sejam divulgadas quando eles estiverem concluídos”, finalizou.
FONTE: portoferreiraonline
A recorrência de crimes envolvendo explosivos em terminais eletrônicos de bancos levou a 12ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito da Polícia Militar e o Exército Brasileiro a se unirem em uma operação para combater a comercialização clandestina de artefatos explosivos. A ação tem como foco, principalmente, estabelecimentos que vendem esse tipo de produto e também locais que fazem uso de dinamites, como pedreiras e mineradoras.
A operação foi uma iniciativa da Polícia Militar e faz parte de um pacote de medidas que estão sendo adotadas pelo Comando da 12ª Região de Polícia Militar (em Ipatinga, o qual está subordinado o 26º Batalhão de Itabira) que visa conter o crime de arrombamento a caixas.
A ação em parceria com o Exército começou nessa quinta-feira, 10, em João Monlevade, e continua nos próximos dias. Nesta sexta-feira, 11, os militares estão em Itabira, onde fiscalizam várias empresas. A operação vai passar ainda por cidades como Ipatinga, Belo Oriente, Timóteo, Caratinga, Nova Era, Rio Piracicaba, Bela Vista de Minas, Barão de Cocais, São Gonçalo do Rio Abaixo, Santa Bárbara e Catas Altas.
Estão sendo empregados nesta operação quatro militares do Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, sediado em São João Del Rey, e cerca de 20 militares do Policiamento Ambiental. O Exército vai verificar a regularidade da comercialização, armazenamento e uso de materiais explosivos, uma vez que esta atividade é de exclusividade da Corporação. À Polícia Militar cabe a fiscalização ambiental nestes empreendimentos.
Além dessas medidas, estão sendo intensificados os patrulhamentos e fiscalizações nas rodovias estaduais e federais no período noturno, principalmente nas vias de acesso aos municípios que compõem a região.
Incidência
Recentemente, no dia 2 de maio, por volta de 02hs, na MG 129, via de acesso ao município de Itabira, uma guarnição da Polícia Militar Rodoviária interceptou um veículo conduzindo suspeitos. Houve troca de tiros entre os homens e a Polícia Militar. O veículo foi apreendido, além de vários outros objetos utilizados em prática de crimes, como coletes balísticos, munição, toca ninja, luvas e material utilizado para arrombamentos.
Dois dias depois, em 4 de maio, dois terminais eletrônicos do banco Santander, em João Monlevade, foram explodidos na madrugada. Eram oito envolvidos. Os assaltantes colocaram dinamites nos caixas para roubar dinheiro. Um dos envolvidos foi preso em Santa Bárbara.
FONTE: DeFato Online
Por volta das 07h00min de hoje (dia 03 de abril de 2012), a equipe de serviço na aeronave Falcão 04, comandada pelo Capitão Fávero, foi acionada para prestar apoio aéreo num acidente ocorrido na Estrada da Ribeira (BR476), entre os Municípios de Tunas do Paraná e Adrianopolis.
Um motorista perdeu o controle da carreta que dirigia, carregada de cimento a granel, em uma curva. O caminhão veio a capotar, ficando o condutor preso nas ferragens. O helicóptero do GRAER foi essencial para o sucesso do resgate, pois, além de transportar o médico do SAMU, Dr. Glaycon, a fim de proporcionar suporte avançado de vida, buscou a equipe do Corpo de Bombeiros que estava com o equipamento hidráulico para desencarceramento. Com esse apoio aéreo, economizou-se aproximadamente uma hora para o início do salvamento da vítima.
Os militares-estaduais do GRAER, do 17ºBPM de Tunas do Paraná, do Corpo de Bombeiros de Colombo e uma equipe da Polícia Rodoviária Federal, trabalharam por aproximadamente cinco horas para retirar o motorista das ferragens da cabine, inclusive com o apoio de um trator e outra carreta. Após retirado das ferragens e estabilizado, o motorista acidentado foi embarcado no helicóptero Falcão 04 e encaminhado ao hospital Angelina Caron.
Novamente o GRAER, com suas aeronaves, prestou importante apoio a outras entidades de Segurança Pública e Defesa Civil. É importante sempre lembrar que, para atender às ocorrências da forma mais rápida e eficaz, os acionamentos das aeronaves se originam no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), o qual recebe os chamados da população mediante o TELEFONE 190.
DIVULGAÇÃO: Contato GRAER- Assessoria de Comunicação- GRAER
Rio – Uma comitiva da Secretaria de Segurança, que inclui o secretário José Mariano Beltrame, viaja este sábado à África do Sul, para fazer a última análise antes de comprar os novos blindados para as polícias Militar e Civil. É a nova geração de Caveirões – mais compactos, ágeis e velozes – que chega para substituir os atuais, evolução de carros-fortes adaptados.
Após inúmeras análises e testes, o veículo blindado favorito dos policiais é o Maverick, da empresa sul-africana Paramount. “É o melhor, preenche todos os requisitos”, afirmou ao IG um dos envolvidos na escolha técnica. Há uma licitação em curso, da Secretaria de Segurança (Seseg), ainda sem resultado anunciado.
Há urgência. No dia 6, a Seseg publicou “aviso de processo de aquisição de veículo blindado de uso policial”, informando que, “em razão da necessidade imediata, (…) iniciará o processo de aquisição de veículo blindado pesado de uso policial, adequado às características próprias das operações policiais desempenhadas pelo Bope”. Os fabricantes interessados deveriam apresentar a proposta até terça-feira.
É para acertar os últimos detalhes e especificações técnicas que Beltrame, os comandantes do Bope, tenente-coronel Renê Alonso, e do Choque, tenente-coronel Fábio Souza, e uma equipe da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), unidade de elite da Polícia Civil, vão à África.
Demanda antiga do Bope
A Secretaria de Segurança do Rio vem estudando, há anos, diversos modelos de blindados. Com a ascensão do ex-comandante do Bope, coronel Alberto Pinheiro Neto, à chefia do Estado-Maior da PM, demandas do gênero para as unidades especiais ganharam força e velocidade.
Inúmeros modelos foram analisados
O Bope já recebeu o russo Tigre, da Rosboron Exports, para teste. Também foram avaliados a carros da francesa Panhard, o sul-africano Gila, os britânicos da BAE RG 31M e RG32M e o israelense Sand Cat, além do Vespa (Viatura Especial de Patrulhamento) 02, modelo desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em cooperação com a Autolife, em São Paulo.
O Maverick é o favorito dos policiais e foi aprovado nos testes intensos – inclusive de tiros – a que foi submetido. Durante o processo de seleção, a Paramount trouxe ao Brasil um blindado montado e outro desmontado, em um contêiner, para as autoridades analisarem, o que foi visto como uma demonstração de empenho e boa-vontade. Tendo o prazo para propostas expirado, a viagem é sinal de que o sul-africano é a provável escolha definitiva.
O Maverick é capaz de transportar 12 homens e tem a proteção balística exigida pela PM, resistente a disparos de metralhadoras calibre .30 e fuzis 7.62mm, e resistência a explosões de granadas e bombas. Ao menos dez unidades devem ser compradas pela Secretaria de Segurança para Bope, Choque e Core.
O veículo atende às necessidades das unidades de elite, que estavam em busca de um carro de transporte blindado menor, mais moderno, ágil e com maior manobrabilidade em ladeiras e espaços limitados, adequado às favelas. O robusto Maverick tem motor a diesel e tração 4×4 com transmissão automática, o que facilita o desempenho em qualquer terreno. Outro fator importante é a existência de peças de reposição no Brasil.
Atendendo às necessidades do Batalhão de Choque, um ou dois veículos receberão uma torre com jato de água, para o controle de distúrbios.
Um ponto de preocupação no carro original eram as 11 janelas, que, embora deem ótima visibilidade para a equipe, são consideradas grandes demais pelos policiais – nos atuais Caveirões as escotilhas são pequenas. Também são blindadas, mas a questão é se haverá viabilidade econômica de substituí-las, no caso de necessidade.
Diante dos pedidos da polícia do Rio, a Paramount se comprometeu a diminuí-las. Uma câmera ainda pode ser instalada na traseira para melhorar a visibilidade do motorista.
FONTE: O Dia Online – As informações são do repórter Raphael Gomide, do IG / COLABOROU: Paulo Renato
POR FERNANDO MOLICA
Rio – O Exército começará, em março, a deixar o Complexo do Alemão, que ocupa desde novembro de 2010. Os soldados serão substituídos por bases de uma Unidade de Polícia Pacificadora que será instalada de forma gradativa — as tropas federais sairão até o fim de junho.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, revelou que a UPP no complexo de favelas terá nove bases ou unidades operacionais : oito nas comunidades já ocupadas e uma nos morros do Adeus e da Baiana, ainda não pacificados. A UPP terá um total de 2.200 policiais militares.
Primeiro o Bope
A substituição começará pela Vila Cruzeiro, que será ocupada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais. Segundo Beltrame, caberá sempre ao Bope a tarefa de entrar nas diferentes áreas do Alemão hoje vigiadas pelos militares do Exército.
Duas por mês
A Secretaria de Segurança quer instalar, por mês, duas bases da UPP no Alemão, o que permitirá a conclusão dos trabalhos até junho. Também em março, o Bope começa a ocupar sua nova sede, na Maré, o que facilitará o trabalho no Alemão.
FONTE: O Dia
Estados não foram consultados sobre piso salarial para policiais
Sob a ameaça de consecutivas greves de policiais militares, a Câmara dos Deputados sofre pressão para votar o piso nacional da categoria (PEC 300), sem sequer conhecer com rigor o limite de cada estado para reajustar o salário da tropa. A maioria dos governos estaduais ainda não foi consultada nem enviou ao Legislativo a contabilidade do impacto financeiro.
No fim de 2011, a União calculou um impacto de R$ 46 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões seriam bancados por um fundo custeado pelo governo federal. O Palácio do Planalto ainda não propôs alternativa à guerra de números patrocinada por parlamentares, favoráveis à proposta, e governadores, que rejeitam com veemência a aprovação do piso.
A redação da lei complementar, que circula no Congresso e seria votada a reboque da Emenda Constitucional, propõe piso de R$ 3.500. Levantamento feito pelo GLOBO, no entanto, mostra que nenhum estado paga hoje esse valor, à exceção do Distrito Federal, que remunera a polícia com dinheiro da União.
A Comissão criada na Câmara para tratar da PEC 300 sustenta que já enviou três ofícios aos estados para que indiquem seu limite financeiro, porém apenas oito teriam apresentado seus os números. Já o Conselho Nacional de Secretários de Administração (Consad) acusa os deputados de terem votado a PEC 300, em primeiro turno, só com o objetivo de semear votos nas eleições de 2010.
Na semana passada, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), descartou a retomada da votação da emenda que estabelece o piso nacional de PMs e bombeiros. Segundo Maia, a Câmara não tem como regular salários pagos a servidores estaduais. Ele frisou que esse tema deve ser tratado pelos estados da Federação e não pelo Congresso.
- Ninguém discute que o policial é mal remunerado, porém essa situação radicalizou muito o debate. O risco (de insubordinação da tropa) se transformou em realidade. O caos já chegou. Mais do que fixar piso, chegamos ao limite para que o Congresso decida qual é o modelo de polícia que o país precisa, levando em conta a realidade de cada estado – afirma o secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima.
Autor da PEC 300, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), presidente da comissão que discute a proposta, assegura que o impacto não chega à metade desse valor, e diz que só não pode apresentar um contraponto porque os estados fugiram ao debate.
- A alegação deles é mentirosa. Tanto é que apenas oito de 27 estados apresentaram o impacto financeiro. O piso acaba com o bico oficial e é isso que eles (secretários estaduais) não querem – diz o parlamentar.
Hoje, são contabilizadas distorções de até 200% entre o maior salário da PM, em Brasília (R$ 4,12 mil), e o pior, no Rio Grande do Sul (R$ 1,37 mil). O balanço, feito a partir das informações fornecidas pelos estados e pelo Consad, mostra ainda que apenas Sergipe – o menor estado brasileiro – se aproxima do piso em debate no Congresso, com um rendimento mensal mínimo de R$ 3,18 mil.
- Esse piso não expressa a realidade. Não observa a capacidade financeira dos estados. O Congresso não é o espaço para definir a remuneração de estados e municípios. O policial militar merece aumento, e eles estão recebendo gradativamente em todo o país. Lamento que os estados ainda não tenham encaminhado o impacto financeiro ao Congresso – diz o presidente do Consad e secretário de Administração do Rio, Sérgio Ruy Barbosa.
Na listagem dos salários iniciais da PM, o Rio de Janeiro aparece em 23º lugar. Barbosa sustenta, porém, que 28 mil policiais, entre 41 mil servidores, já recebem R$ 2,1 mil, como gratificação por bom comportamento, sem contar os reajustes progressivos previstos na carreira. Em todo o Brasil, os governadores se viram forçados a aprovar planos de reajustes escalonados até o final de 2014, diante da repetição de greves, mesmo sem respaldo constitucional para os movimentos.
Um lobista da PM no Congresso admitiu ao GLOBO, na última semana, que as denúncias de incitação à violência na Bahia, sustentadas por gravações que revelam a orquestração de ações ilegais, feriram o respaldo da população às polícias. Explicou que o “ato criminoso fragiliza o movimento reivindicatório”. E observou que muitos parlamentares se aproveitaram da PEC 300 para colher frutos eleitorais, sem analisar como o aumento poderia ser efetivado, criando falsa expectativa na corporação.
Até os deputados que lideram o lobby pela aprovação da proposta afirmam que as expectativas criadas pelo Congresso, misturadas à omissão do Planalto, frustraram e geraram revolta em quem acreditava na célere aprovação do piso nacional.
- Governo e o Congresso têm sua parcela de culpa (nessa situação). Não poderíamos criar a expectativa de aprovação, e agora não votar nem o segundo turno da proposta na Câmara. O governo precisa se posicionar com clareza e dizer, então, que não quer a aprovação da PEC 300 – afirma o presidente da Comissão de Segurança da Câmara, Mendonça Prado (DEM).
À margem da disputa, fica o Distrito Federal, com piso de R$ 4,1 mil. O salário da PM na capital do país não depende de arrecadação estadual, tampouco é ameaçado pelos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em Brasília, um fundo de R$ 9 bilhões, reajustado junto com a Receita Corrente Líquida da União e abastecido com recursos de contribuintes de todo o Brasil, paga os salários dos servidores da segurança, saúde e educação.
Potencial beneficiário do piso nacional, pelo efeito que terá sobre a carreira da PM, o presidente da Federação Nacional dos Oficiais da Polícia Militar, coronel Marlon Jorge Teza, afirma que os salários baixos atingiram o limite do insuportável. E diz que será cada vez mais difícil segurar os movimentos grevistas.
FONTE: O Globo
VEJA TAMBÉM:
COMPARATIVO DE SALÁRIOS ENTRE AS POLÍCIAS MILITARES DOS ESTADOS
Neste link existe uma tabela de salários das polícias militares por estado e outras informações.
FONTE: www.salariospm.xpg.com.br
Por Jorge Antonio Barros, da Cinelândia, Rio de Janeiro.
Em desobediência a ordens expressas, os policiais deixaram seus quartéis e tomaram de assalto as ruas do Rio, saqueando lojas, atacando quem passava e, de acordo com relatos feitos por testemunhas, matando diversas pessoas e em geral espalhando pânico e terror. O episódio ocorreu em 1831, quando instalou-se a mais séria crise política desde a abdicação de dom Pedro I, em abril daquele ano. Apesar de lembrar o que aconteceu durante a greve da PM na Bahia, o caso não guarda qualquer semelhança com a greve que foi decretada no primeiro minuto de hoje por policiais civis, militares e bombeiros do Estado do Rio. Exceto pelo fato de que os policiais em questão no episódio histórico pertenciam à Guarda Real de Polícia, o embrião da Polícia Militar, fundada em 1809 por d. João VI. A crise da polícia em 1831 foi talvez o primeiro movimento de motim policial, cujo pavio foi aceso pelo então ministro da Justiça, padre Diogo Antônio Feijó, que decidira punir revoltosos do 26º Batalhão de Infantaria do Exército. Os PMs da época então decidiram se rebelar.
Dessa vez o motivo da revolta é um conjunto de reivindicações salariais que, pela primeira vez na história do Rio, une policiais civis, militares e bombeiros numa greve por tempo indeterminado. Se as autoridades procurassem conhecer um pouco mais de história o cabo Benevenuto Daciolo, líder do movimento salarial dos bombeiros, não teria sido preso sob as acusações de aliciação para motim e incitamento à desobediência e indisciplina (crimes previstos pelo Código Penal Militar, ao qual estão subordinados policiais militares e bombeiros, já que são força auxiliar do Exército). Para piorar a situação, Daciolo foi detido no presídio Bangu 1 — prisão de segurança máxima para onde são levados criminosos de alta periculosidade — porque seus superiores consideraram perigoso deixá-lo preso no quartel-central de sua corporação, que fora invadido por bombeiros em protesto no ano passado. Ou seja: a cúpula do Corpo de Bombeiros reconheceu que suas instalações não oferecem a menor segurança. Só que se quiserem seguir o Código Penal Militar Daciolo deve ser preso numa instituição militar e não civil.
O que ouvi ontem à noite de líderes do movimento salarial que representam 70 mil agentes de segurança em todo o estado foi que a prisão de Daciolo foi um tiro ou uma mangueirada no pé, dada pelo próprio governo. Uma das palavras de ordem da assembléia de policiais era “soltem Daciolo” — que se tornou uma das principais reivindicações dos grevistas. O governo do estado deu a Daciolo o status de um Luís Inácio Lula da Silva, que também foi tratado como criminoso e preso por liderar a maior greve ocorrida durante a ditadura militar — a do ABC paulista, em 1978. Vinte e quatro anos foi eleito presidente da República.
O cabo voltava da Bahia onde certamente havia ido dar uma força para o movimento paredista baiano. Se os policiais já estavam decididos a entrar em greve, a prisão de Daciolo foi a desculpa de que necessitavam para privar a sociedade do direito básico à segurança, previsto na Constituição. O direito de greve a policiais é tema considerado polêmico por juristas, mas a paralisação com certeza pode ter consequências imprevisíveis até mesmo para a economia do estado, a uma semana do carnaval. O prejuízo para agências de turismo e hotéis pode ser incalculável se o movimento grevista tiver grande adesão e houver qualquer sinal de descontrole por parte das autoridades. A sensação de segurança — tão bem construída por estatísticas de criminalidade que mostram a redução dos delitos, em seis anos — pode ir pelo espaço se a greve tiver grande adesão e aumentar o risco da criminalidade nas ruas.
Ainda não há informações sobre adesão, mas a greve dos policiais já fez a 1ª “vítima” do carnaval: o Cordão do Bola Preta cancelou o desfile marcado para hoje à noite por questão de segurança. A Secretaria de Segurança só vai se pronunciar sobre a decisão de greve durante a manhã desta sexta-feira, 10.
A Comissão de grevistas diz que 30% dos efetivos das polícias civil, militar e do Corpo de Bombeiros permanecerão atendendo ocorrências graves. Um dos líderes da Polícia Civil, o inspetor Francisco Chao, recomendou a policiais da Delegacia de Homicídios que não faltem ao trabalho porque o serviço deles é essencial na investigação de assassinatos. Durante a assembleia, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio, Carlos Gadelha, fez um dos discursos mais serenos, propondo que os policiais não aceitem a infiltração de provocadores e não promovam atos de desordem. Os grevistas esperam contar com o apoio da sociedade, o que obviamente será muito difícil, já que são baixos os índices de confiança nas polícias.
Como não quer pagar para ver, o governo do estado já pediu ajuda ao Exército, que enviará 14 mil militares, e à Força Nacional de Segurança, que deverá colaborar com 300 agentes. O Rio já viu esse filme e, de modo geral, a população confia mais no Exército do que nas polícias. Mas Exército não tem vocação para fazer papel de polícia. O carioca já viu tropas do Exército e blindados nas ruas da cidade durante eleições, reuniões de cúpula e operações policiais em favelas, mas no carnaval será a primeira vez.
Na asssembleia que reuniu cerca de 5 a 6 mil pessoas, na Cinelândia, havia grande clima de torcida pela greve, cornetas e tambores, além da exibição de faixas com números de batalhões da PM e de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), sugerindo a adesão daquelas unidades. Por volta das 22h30m vi um grupo de policiais militares a paisana (usavam camiseta com a inscrição “Pmerj no local”) pegar o metrô em direção ao 19º BPM (Copacabana). Estavam de folga, mas disseram que pretendiam ir ao quartel para informar sobre a decisão de greve e estimular outros colegas a aderirem à paralisação. A ideia dos grevistas é permanecer aquartelados, a menos que sejam procurados por agentes da Polícia Federal. Aí deverão sair dos locais de trabalho e, mesmo fardados, permanecer nas ruas. O regulamento não os proíbe de usar farda a passeio. Para lhes lembrar que estão agindo fora da lei, a Corregedoria da PM já montou esquema destacando um policial para cada batalhão com a finalidade de fichar os “infratores”.
Com a greve, proibida a militares pela Constituição federal, os PMs caminham agora pelo fio da navalha. Quem diria que a PM — que foi um dos braços mais fortes da ditadura militar, que reprimiu com rigor movimentos sociais e sindicais — um dia decidisse também cruzar os braços por melhores condições de trabalho e de salário? Estive ontem à noite na Cinelândia e foi no mínimo curioso ver os policiais comemorarem ao saber que um grupo de policiais do Batalhão de Choque — a unidade encarregada de controlar distúrbios civis, dissolvendo manifestações a golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo, no passado — ontem à noite decidiu entregar as armas e se render, em vez de cumprir a ordem de ir para a rua, controlar os colegas de farda. Que tempos estranhos esses.
FONTE: Blog Repórter de Crime/O Globo
Juristas defendem que PMs são proibidos de fazer greve, mas a classe reivindica o direito à inciativa e pede melhores salários
A greve de policiais militares, que acontece há dez dias na Bahia e teve início no Rio de Janeiro na noite da última quinta-feira, incorporando policiais civis e bombeiros, reavivou o debate sobre quais os limites legais para manifestações da categoria.
Enquanto a maioria dos juristas defende que policiais militares são proibidos de fazer greve, a classe reivindica o direito à inciativa e afirma que só recorre a ela em último caso.
A polêmica se acirrou após a divulgação pela TV Globo, na última quarta-feira, de gravações em que policiais grevistas discutiam queimar caminhões e bloquear uma rodovia para impulsionar o movimento. Segundo a emissora, as conversas foram gravadas com autorização judicial.
Na manhã desta quinta, o prédio da Assembleia Legislativa da Bahia foi desocupado pelos manifestantes. O ex-policial militar Marco Prisco, líder do movimento, e o policial Antônio Angelim foram presos.
No Rio de Janeiro, o cabo Benvenuto Daciolo, membro do Corpo de Bombeiros, também foi preso após a divulgação da gravação de uma conversa entre ele e Prisco, que falava da possibilidade da adesão dos servidores de segurança do Rio à greve.
Desde o início da paralisação na Bahia, foram registrados 136 homicídios na região metropolitana de Salvador, aumento de 238% em relação ao mesmo período de 2011.
A BBC Brasil preparou perguntas e respostas sobre o conflito.
- O que os policiais militares reivindicam?
Eles querem aumento salarial em torno de 30% e a incorporação de gratificações aos salários. Os policiais também reivindicam a anulação de mandados de prisão contra 12 grevistas considerados líderes do protesto.
Os servidores do Rio de Janeiro pedem o aumento do piso salarial para R$ 3.500, com o acréscimo de R$ 700 em vale transporte e refeição, além da libertação do cabo Benvenuto Daciolo.
- A Constituição permite que policiais militares façam greve?
O artigo 142 da Constituição, presente no capítulo Das Forças Armadas, diz que “ao militar são proibidas a sindicalização e a greve”. Embora o capítulo trate das Forças Armadas, o artigo 42 da Constituição afirma que essas disposições também se aplicam aos integrantes das PMs e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados.
Para o jurista Wálter Maierovitch e para o coronel aposentado da PM de São Paulo José Vicente, a proibição está clara no texto.
Alguns advogados, no entanto, argumentam que o artigo 37 da Constituição, que trata de servidores públicos, afirma que “o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica”. Como tal lei jamais foi aprovada, eles dizem que a proibição não está explícita.
- Qual a posição dos policiais?
Para o soldado da PM do Espírito Santo Fernando Almança, um dos líderes de articulação nacional por melhores condições para a categoria, a Constituição não estende a proibição de greve à Polícia Militar, já que esta seria uma força auxiliar.
Ainda assim, ele afirma ainda que a greve só foi deflagrada porque todas as negociações por melhores condições de trabalho para policiais foram bloqueadas. Almança credita boa parte da insatisfação de policiais militares baianos (e brasileiros, por extensão) à paralisação das discussões no Congresso sobre uma proposta de emenda constitucional, conhecida como PEC 300, que estabeleceria um piso nacional para policiais militares e bombeiros.
“Lutamos há quatro anos pela aprovação da PEC 300. Ninguém começa uma greve sem antes tentar negociação”, diz.
Apresentada ao Congresso em 2008, a proposta passou por uma primeira votação na Câmara, mas não tem prazo para ser votada em segundo turno na mesma Casa nem para ser enviada ao Senado.
- O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre o assunto?
O órgão ainda não se manifestou diretamente sobre o caso de PMs que entraram em greve, mas, em novembro de 2011, o presidente do STF, Cezar Peluso, determinou que policiais civis do Distrito Federal suspendessem uma paralisação, argumentando que o direito à greve de servidores públicos não é absoluto.
Antes, em 2009, também ao julgar greve de policiais civis, o STF defendeu a inconstitucionalidade de paralisações no setor de segurança.
- De que outras formas os policiais militares poderiam se manifestar?
Para o jurista Wálter Maierovitch, há várias formas pelas quais policiais militares poderiam reivindicar melhores condições de trabalho sem recorrer a greves. Ele diz que a categoria poderia organizar comícios públicos e seminários, divulgar informações à imprensa, além de pressionar parlamentares por mudanças.
FONTE: BBC Brasil / FOTO: Luiz Gomes-Futura Press
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou nesta quinta-feira o projeto que aumenta o salário de policiais militares, civis, bombeiros e agentes penitenciários.
Foram 59 votos a favor e um contra, segundo informações do jornal O Globo. O reajuste no Rio será de 39%, gradual, até fevereiro de 2013.
O aumento ocorrem em meio a temores de uma paralisação de bombeiros e policiais fluminenses.
Nesta quarta-feira, foi divulgada uma gravação em que o líder grevista da Bahia, Marcos Prisco, articulava a expansão do movimento da PM baiana para o Rio.
Tanto Prisco, quanto o bombeiro fluminense Benevenuto Daciolo, foram presos nesta quinta-feira.
Prisco foi detido durante a desocupação da Assembleia Legislativa baiana e Daciolo no aeroporto do Galeão, onde desembarcava vindo da Bahia.
FONTE: BBC

























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