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vinheta-clipping-forte1Negociadores de cerca de 150 países se reúnem nesta segunda-feira em Nova York para uma última tentativa de concluir um tratado internacional contra o tráfico de armas convencionais, que enfrenta resistência de um poderoso lobby pró-armas dos EUA.

Ativistas do controle de armas e dos direitos humanos dizem que uma pessoa morre por minuto no mundo em decorrência de armas de fogo, e que o tratado seria útil para conter o fluxo descontrolado de armas e munições que alimentam guerras, atrocidades e abusos.

A Assembleia Geral da ONU aprovou em dezembro que as negociações sejam retomadas nesta semana sobre aquele que poderá se tornar o primeiro tratado global a regulamentar o comércio de todas as armas convencionais — um negócio de 70 bilhões de dólares, que inclui de helicópteros e navios de guerra a pistolas e rifles de assalto.

Uma conferência começou a redigir o tratado em julho de 2012, mas o processo foi adiado a pedido de Estados Unidos, Rússia e China.

Naquela época, delegados disseram que os EUA preferiam deixar a questão para depois da eleição presidencial de novembro passado, algo que o governo do presidente Barack Obama negou. As novas negociações prosseguem até o dia 28.

Os EUA dizem querer um tratado robusto, mas Obama enfrenta pressão da poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA) para bloqueá-lo. O grupo já disse que vai tentar derrubar a ratificação do tratado no Senado, caso o governo apoie o documento a ser definido pela ONU.

O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, disse na sexta-feira que seu país está “resoluto em seu compromisso de alcançar um Tratado do Comércio de Armas forte e efetivo, que ajude a tratar os efeitos adversos do comércio global de armas sobre a paz e a estabilidade globais”.

Mas ele repetiu que os EUA –maior país fabricante de armas no mundo– não aceitarão um tratado que imponha limites ao direito constitucional do porte de armas por cidadãos norte-americanos, uma questão politicamente delicada no país.

A NRA nega que um massacre escolar em dezembro nos EUA tenham reforçado os argumentos em prol do controle armamentista global. A entidade também diz que o tratado pode afetar o direito dos cidadãos a portar armas, algo que partidários do tratado dizem ser falso, por envolver apenas o fluxo transnacional de armas de fogo.

Diplomatas dizem que, se os EUA e outros países mantiverem sua obstrução, os demais países poderão mesmo assim apresentar uma proposta de tratado para ser votada na Assembleia Geral.

Uma alternativa seria fazer emendas para tornar o texto mais aceitável aos EUA e a outras delegações. Mas partidários do tratado temem que isso leve a um enfraquecimento do texto.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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A China tornou-se o quinto maior exportador de armas do mundo, sua posição mais alta no ranking desde a Guerra Fria, com o Paquistão sendo seu principal comprador, informou nesta segunda-feira um respeitado centro de estudos sueco.

O volume de exportações de armas da China entre 2008 e 2012 cresceu 162 por cento, em comparação com o período de cinco anos anterior, com sua participação no comércio mundial de armas passando de 2 por cento para 5 por cento, afirmou o Instituto Internacional de Estudos para Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês).

A China substitui a Grã-Bretanha entre os cinco primeiros países que mais comercializam armas entre 2008 e 2012. Estados Unidos e Rússia, que são responsáveis por 30 e 26 por cento, respectivamente, das exportações de armas, são os maiores exportadores mundiais do setor, segundo o Sipri.

“A China está se estabelecendo como um significativo fornecedor de armas para um número crescente de importantes Estados beneficiários”, disse o diretor do Programa de Transferências de Armas do Sipri, Paul Holtom, em um comunicado.

A mudança, destacada no Relatório de Tendências na Transferência Internacional de Armas do centro de estudos, marca pela primeira vez a China como um dos cinco maiores exportadores de armas desde o período entre 1986 e 1990 analisado pelo Sipri.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês Hong Lei, quando questionado sobre o relatório, disse que a China era um exportador de armas responsável que cumpria rigorosamente a lei internacional.

“Na exportação de armas, a China adota três princípios. Primeiro, que seja favorável às necessidades justificáveis de autodefesa do país destinatário. Segundo, que não prejudique a paz, segurança e estabilidade regional e global. Terceiro, que não interfira nos assuntos internos de outros países”, disse ele a repórteres.

O Sipri mantém uma base de dados global de transferências de armas que registra as exportação de armas desde 1950. O centro avalia os dados em um período de cinco anos, porque a venda de armas varia por ano.

Alemanha e França ficaram em terceiro e quarto lugares na lista de exportadores de armas.

FONTE: Reuters via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1No dia da abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o Legislativo chinês, o governo chinês anunciou que os gastos militares do país crescerão 10,7% em 2013, atingindo 740,6 bilhões de yuan (cerca de US$ 119 bilhões). Os gastos com segurança interna também subirão 8,7%.

“Precisamos acelerar a modernização da defesa nacional e das Forças Armadas, bem como fortalecer a capacidade militar e de defesa da China”, disse o primeiro-ministro Wen Jiabao, segundo trechos divulgados para a imprensa antes do discurso de abertura do encontro.

Segundo Wen, que se despede do posto de premiê durante a reunião anual, é preciso assegurar “a soberania, a segurança e a integridade territorial” da China. O discurso se dá em meio a uma disputa entre Pequim e Tóquio pelo arquipélago de Diaoyu (Senkaku, para os japoneses). A região possui reservas de gás natural e também é reivindicada por Taiwan.

A China tem um segundo maior orçamento militar do mundo, perdendo apenas para os EUA -que gastou quase seis vezes mais que Pequim em defesa em 2012, segundo a Bloomberg.

Nas projeções econômicas, Wen disse que a expectativa de crescimento do país para 2013 é de 7,5%. O deficit, contudo, deve alcançar cerca de US$ 193 bilhões, ou 2% do PIB.

Novo governo

A reunião anual servirá para ratificar os nomes definidos pelo Partido Comunista para os principais cargos do governo. O congresso nomeará Xi Jinping presidente do país, um cargo simbólico. Desde novembro, ele é secretário-geral do partido e chefe da Comissão Central Militar, postos bem mais importantes.

Entre as promessas feitas por Xi para o seu mandato estão o combate à corrupção e à desigualdade social, a melhora da qualidade de vida da população e o aumento da proteção ao meio ambiente.

Wen Jiabao será substituído por Li Keqiang, como premiê. Analistas dizem que Li gostaria de uma drástica reorganização no governo, com a criação de ministérios voltados para a regulação financeira e a proteção ambiental.

Com quase 3.000 membros, o congresso é dominado por membros do PC. A previsão é que o congresso dure até o dia 17 de março.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1O novo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse na sexta-feira que a incerteza orçamentária – com a possibilidade de novos cortes de 46 bilhões de dólares nas verbas da Defesa – põe em risco o cumprimento de todas as missões do Pentágono.

Na sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse no cargo, na quarta-feira, Hagel disse que, por causa dos cortes, a Marinha terá de gradualmente desativar quatro unidades aéreas, a Força Aérea terá de cortar imediatamente as horas de voo, e o Exército irá reduzir treinamentos.

“Deixe-me deixar claro que essa incerteza põe em risco nossa capacidade de cumprir efetivamente todas as nossas missões”, disse Hagel, acrescentando que, enquanto os cortes continuarem em vigor, “seremos forçados a assumir mais riscos, com medidas que irão progressivamente ter efeitos abrangentes”.

Hagel, no entanto, adotou um tom mais moderado que outras autoridades de defesa, segundo as quais os cortes orçamentários seriam devastadores e poderiam transformar as Forças Armadas dos EUA em um poderio de segunda categoria.

O novo secretário disse que os EUA “têm a melhor força de combate, a mais capacitada força de combate, a mais poderosa força de combate do mundo”, e garantiu que “a gestão dessa instituição, a começar com o Estado-Maior, não vai permitir a erosão de tal capacidade”.

“Vamos gerir essas questões. Há ajustes. Antecipamos esse tipo de realidade, e vamos fazer o que precisamos para assegurar as capacidades das nossas forças”, acrescentou Hagel.

As declarações do secretário foram feitas num dia em que a Casa Branca e o Congresso fracassaram novamente na busca de um acordo que impeça o chamado “sequestro” de 85 bilhões de dólares do orçamento governamental, que começa a vigorar à meia-noite, conforme prevê uma lei de 2011 que resolveu uma crise fiscal anterior.

Hagel disse que uma prioridade do Pentágono será proteger as verbas para a guerra do Afeganistão.

“O Exército vai restringir os treinamentos para todas as unidades, exceto as mobilizadas no Afeganistão, afetando adversamente quase 80 por cento de todas as unidades operacionais do Exército”, disse ele.

Hagel afirmou ainda que neste mês o Pentágono deverá notificar preliminarmente milhares de funcionários civis sobre a concessão de uma licença não-remunerada. Autoridades dizem que a maioria dos 800 mil funcionários civis do Departamento de Defesa deve ser afetada, provavelmente tendo de tirar um dia de folga por semana durante 22 semanas, a partir de abril.

“Sei que esses cortes orçamentários vão causar dor, particularmente para a nossa força de trabalho civil e suas famílias”, disse Hagel, que prometeu continuar trabalhando com o Executivo e o Congresso para tentar reverter os cortes.

(Reportagem de David Alexander e Phil Stewart)

FONTE: Reuters via o Estado de S. Paulo

logovinheta-clipping-forte1A criação de um fundo para financiar projetos na América do Sul e na África divide governos das duas regiões.

Enquanto africanos pressionam para tirar do papel a proposta pensada ainda 2009, países como o Brasil, Venezuela e Colômbia resistem à ideia de montar um fundo de contribuições voluntárias para bancar projetos de infraestrutura e energia.

A possibilidade de o Brasil ser um dos principais doadores de um fundo formado por países ainda em desenvolvimento assusta o governo da presidente Dilma Rousseff e é vista, ao mesmo tempo, como uma atraente oportunidade pela maioria dos africanos.

Essas diferenças ficaram explícitas ontem, no primeiro dia da 3ª Cúpula ASA (América do Sul-África), que reúne em Malabo, capital da Guiné Equatorial, representantes de 66 países até sexta.

A discussão sobre a criação do fundo esquentou os debates de altos funcionários. O assunto será debatido por chanceleres e chefes de Estado, entre eles Dilma, que chega a Malabo na noite de hoje.

A solução tem tudo para ser, literalmente, diplomática. O Brasil sugeriu que um grupo de trabalho seja criado para debater a proposta e, em setembro, apresentar o formato do fundo. Mas, se não houver consenso, poderá ficar nas mãos dos chefes de Estado a decisão final.

“Podemos fazer muito sem um fundo”, disse aos colegas diplomatas a embaixadora Maria Edileuza Fontenete Reis. Foi ela quem conduziu as reuniões de ontem e tentou, de todas as formas, frear a ansiedade de representantes de países africanos.

FONTE: Folha de S. Paulo  via Resenha do Exército

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Por Martín Granovsk

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vinheta-clipping-forte1O historiador Erick Langer, diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, em Washington, comenta vários temas da história continental, como o populismo, a ascensão e as crises do neoliberalismo, as conexões das terras baixas com os Andes e a influência da China e dos EUA.

“Me parece muito interessante que o continente tenha mudado tanto na última década e tenha podido aproveitar, do ponto de vista econômico, uma grande mudança mundial: a maior presença chinesa”, afirma Langer.

Como, na sua opinião, a América Latina se aproveitou do contato com a China?

A China é um rival dos Estados Unidos que requer matérias-primas da América Latina. Isso contribuiu para que a região enfrentasse a crise em melhores condições. Não sem perigos, claro.

Qual será o perigo?

Que a América Latina não intensifique o processo de elaboração de matérias-primas e siga exportando commodities. É um desafio para todos os governos da região, sem exceções. A vantagem é que a partir de 2000 a América Latina em geral, e a América do Sul em particular, se libertou da dependência do modelo neoliberal dos Estados Unidos.

Como esse modelo afetava a região?

Criou um desassossego das classes médias e baixas em termos de distribuição da riqueza. Essa expressão não estava, evidentemente, no Consenso de Washington.

O documento do consenso exortando à desregulação e a desregulamentar a economia é de 1989. Não ficou nada?

Na região? Praticamente nada. É um fator positivo para a região.

Ou seja, o crescimento chinês é um elemento positivo e a queda do Consenso de Washington é outro ponto bom.

E acrescento um fator de peso: os Estados Unidos estão muito preocupados com o Oriente Médio e efetivamente não prestaram muita atenção à América Latina.

Os acadêmicos e os dirigentes políticos discutem sempre se isso é bom ou ruim. Alguns defendem que para a América Latina a situação é melhor quando Washington menos se ocupa dela.

Bom, em matéria política há um tema prático a considerar. Vai soar quase redundante – quando Washington se ocupa menos, a ingerência é menor. A maioria das vezes que os Estados Unidos se voltaram para outros lugares que não América Latina, como na Primeira Guerra Mundial, a região foi favorecida. Não dou o exemplo da Segunda Guerra Mundial porque o fenômeno é muito mais complexo. Mas depois de muitas vezes o problema foi que os governos do continente não foram aliados dos Estados Unidos, mas dependentes de Washington. Não é a mesma coisa. Os Estados Unidos tinham o poder de se impor. De impor, inclusive, um modelo que já não funciona. Barack Obama se deu conta disso, embora seu principal tema não seja a América Latina. E antes dele, George Bush também não estava concentrado na América Latina.

Quer dizer que é bom para a região que não haja uma dedicação especial?

Mas eu investigo a América Latina! Você quer que fique desempregado?

Professor, você compartilha a visão que mostra, do ponto de vista político, várias Américas do Sul situadas em extremos opostos?

Me parece que não há uma divisão tão taxativa porque os processos são muito semelhantes. Tomemos de novo em consideração algumas realidades. Antes os chineses pensavam na América do Sul como Chile, porque os chilenos haviam sido muito efetivos em se vender na China. Quer dizer que, em última instância, não foram tão diferentes como acabaram sendo os outros, não é certo? Na atualidade, a América do Sul tem uma realidade estável. É uma realidade comum. Mas também, com suas diferenças, o protesto é um hábito comum. Há protestos antigovernamentais, para além dos conteúdos, na Argentina, no Chile e no México. E dá a sensação de que às vezes é difícil classificar cada coisa como de direita ou de esquerda.

Você dizia que falar de esquerda ou de direita não esgota uma análise. E a noção de populismo o satisfaz como conceito?

Também não é suficiente. É muito difícil definir o que é populismo. Dito agora é diferente de quando um pesquisador o aplicava nos anos 30 ou 40, uma época muito ligada ao começo das etapas de substituição das importações industriais. Hoje pode haver experiências de substituição, mas a base sempre é a busca de um tipo de relação com a economia mundial. O que se poderia resgatar, e há uma herança muito longa de Juan Manuel de Rosas em diante, é a importância que um chefe político que seja um personagem carismático pode ter. Isto faz com que a política se torne muito personalista. Assim teríamos uma característica populista. De todo modo, a chave é se esse fenômeno transpõem ou não os limites da democracia. Enquanto a oposição possa ganhar (se o faz ou não, é outra questão) está tudo bem. Não falo apenas da Argentina. Acontece em todos os países.

Os opositores têm a mesma característica em todas as partes?

Não. Mas há um elemento comum: a oposição está muito desorganizada em todos os países onde há líderes fortes.

Há líderes fortes porque não há oposição organizada ou há oposição desorganizada pela existência de lideranças fortes?

O populismo tem uma virtude e uma desvantagem: abarca muitas correntes políticas. E essas diferentes correntes se manifestam no líder. A oposição, ao contrário, não tem muitos interesses em comum e então as diversas correntes não se unem.

Que outroa momentoa da América Latina o senhor presenciou, além do retorno de Perón ao governo argentino em 1973?

Fui bolsista da Fullbright em 2000. Fernando de la Rúa era o presidente. Vi a queda, com o “corralito” e o drama social. E depois se deu a extraordinária recuperação econômica que vocês experimentaram. De todo modo, hoje me parece que se deve observar muito a velocidade relativamente menor de crescimento da economia chinesa e avaliar se a América Latina é capaz de saltar para outro modelo que no futuro não a faça depender da venda de matérias-primas. Não sei se você sabe, quando conversam em privado, muitos dirigentes chineses equiparam a América Latina à África.

Em que se baseiam?

Nas perspectivas de utilização econômica. Eles não entendem as enormes diferenças. A América Latina é outro mundo, diferente da África. Mas muitos dirigentes chineses pensam assim.

Por que concordou em criar uma Cátedra Argentina em Georgetown?

O embaixador Jorge Argüello veio e me propôs. Me pareceu bem. Pensamos em estabelecer um espaço acadêmico porque nos parecia que a Argentina é um país sumamente importante da América Latina. A Cátedra Argentina será uma forma construtiva de colocar a Argentina em evidência para que as pessoas de Washington se deem conta da complexidade do país. Para melhorar as relações é necessário melhorar a difusão e o conhecimento. O desconhecimento cria problemas. É um projeto de longo alcance. Essa Cátedra Argentina deve durar muitos anos e não depender da administração política de turno. Por isso necessitamos de recursos. O próprio embaixador me dizia que ele queria que seguisse em frente. O Brasil ganhou um grande espaço em Washington. É lógico. O Brasil está crescendo e tem importância mundial. Mas há países tão importantes como o Brasil e nosso objetivo é enfatizar também a Argentina.

E a quem se direciona esse novo núcleo de estudo?

Os estudantes, evidentemente, e toda a comunidade acadêmica. Mas, mais amplamente, o conjunto de latino-americanistas, de especialistas em América Latina, e funcionários e dirigentes. Que conheçam mais e prestem mais atenção – é importante para manter boas relações na América Latina e no Cone Sul em geral.

* A entrevista foi realizada em setembro de 2012. Trechos datados foram suprimidos. A tradução é do Cepat

FONTE: Carta Maior (edição e adaptação do Forças Terrestres)

vinheta-clipping-forte1Avessa às formalidades diplomáticas, a presidente Dilma Rousseff abriu espaço na agenda da semana que vem para receber em audiência o primeiro-ministro da Federação Russa, Dmitri Medvedev, como sinal da importância que o Brasil quer dar à aproximação com a Rússia. Além das demandas por abertura de mercado, para carnes e soja, o governo brasileiro negocia acordos com os russos para compra de armamentos, cooperação em defesa e energia sustentável e intercâmbio de estudantes pelo programa Ciência sem Fronteiras.

Dilma deverá pedir a Medvedev apoio à candidatura do embaixador brasileiro Roberto Azevedo à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e quer discutir com os russos a formação do Banco dos Brics, um banco de desenvolvimento criado pelo grupo constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – a ser oficializado possivelmente na próxima reunião dos cinco governos, em março, na África do Sul.

Há ainda muito que combinar com os russos, até a chegada de Medvedev, que vem ao país para participar, com o vice-presidente, Michel Temer, da reunião da Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia. A missão russa inclui as principais autoridades do Ministério da Agricultura do país, para discutir com o governo brasileiro a retirada de barreiras às vendas de soja e a habilitação, para exportar carne bovina, de frigoríficos do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. Em contrapartida, será negociada a facilitação da entrada do trigo russo no mercado brasileiro.

A vinda de uma comissão de alto nível, chefiada pelo ministro da Agricultura russo, Nicolai Fyodorov, alimenta expectativas em Brasília de um acordo capaz de ampliar as vendas de soja e carnes ao país. O comitê agrário Brasil-Rússia se reunirá nos dias 18 e 19, às vésperas da chegada de Medvedev. As carnes são o principal produto de exportação do Brasil à Rússia; somente as exportações de carnes congeladas de bovino somaram US$ 1 bilhão em 2012, um terço do total, e têm se mantido constantes, apesar da queda de 25% nas exportações totais brasileiras à Rússia em 2012. O fim de restrições à carne bovina in natura fez as exportações do produto crescerem 460% no ano passado, para US$ 15 milhões – ainda uma pequena parcela das vendas aos russos.

Outro ponto de discussão de forte interesse dos dois governos é a compra de equipamento anti-aéreo russo, com a fabricação de componentes no Brasil. O Ministério de Defesa já discutiu com o governo russo a compra de baterias antiaéreas de alta tecnologia Pantsir S1, e um acordo de fabricação conjunta de mísseis portáteis Igla-S, que envolveria pelo menos três empresas brasileiras do setor de defesa: a Embraer, a Odebrecht Defesa e Tecnologia e a Avibrás.

Há exigências de sigilo comercial por parte dos russos e detalhes da cooperação que impedem os diplomatas de prever se o acordo na área de defesa estará entre os documentos a serem assinados durante a visita do vice-presidente russo.

A compra é tratada no governo como uma questão de tempo, porém, e é vista como um passo adicional na cooperação dos dois países no setor, hoje ainda limitada a transações comerciais. Segundo o jornal “Pravda”, citando a empresa Russian Technologies, o Brasil recebeu, entre 2008 e 2012, armas e equipamento militar no valor de US$ 306,7 milhões. Entre os armamentos já usados pelo Brasil estão 250 Igla-S de uma versão anterior à que é negociada no pacote de transferência de tecnologia entre os dois governos.

Entre os acordos com significado também simbólico está a assinatura de um acordo com a Universidade de Brasília para instalação, na capital, de um ponto de calibragem do sistema russo de geo-localização concorrente do GPS, o Glonass. Os dois governos firmarão, ainda, um acordo de cooperação para promoção bilateral de exportações de pequenas e médias empresas russas e brasileiras, além de um memorando para troca de informações e experiência em eventos esportivos.

A Eletrobras firmará um acordo de cooperação em eficiência energética e fontes renováveis de geração elétrica que a estatal brasileira defende como um elemento importante dos planos de internacionalização da empresa. Um memorando para cooperação sobre usos pacíficos em energia nuclear também está em discussão, assim como programas conjuntos em nanotecnologia.

Uma delegação de especialistas do setor financeiro deve discutir com os brasileiros um possível acordo de coordenação bancária, que envolve negociações para um acordo de pagamentos em moeda local no comércio dos dois países. A Rússia tem um acordo do gênero com a China e o Brasil, com a Argentina, embora esse último tenha pouca relevância dadas as incertezas cambiais no país vizinho.

FONTE: Valor Econômico

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Andrés Velasco – O Estado de S.Paulo

vinheta-clipping-forte1Os participantes chegaram, os convidados europeus saudados, discursos foram proferidos, brindes foram feitos e, no final, a reunião anual da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe, (Celac) foi aclamada como um sucesso.

Mas o que restou na manhã seguinte foi a sensação clara de uma região que está profundamente dividida, sem um objetivo comum e, sobretudo, sem liderança.

Em primeiro lugar, a boa notícia: os quatro principais países da orla do Pacífico – México, Colômbia, Peru e Chile – adotaram importantes medidas para aprofundar seu acordo de integração e comércio. No fim deste ano, 90% de todo o comércio praticado no bloco estará livre de tarifas. A Costa Rica solicitou sua adesão e o Japão foi aceito como observador. Esta aliança do Pacífico, com quase 40% do PIB latino-americano e US$ 500 milhões de exportações anuais, tem potencial para se tornar uma força motriz do crescimento econômico da região.

A saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o impediu de participar do encontro, mas os chefes de Estado que seguem sua liderança compareceram em bloco e coletivamente rejeitaram um pedido europeu para ser incluída na declaração final uma garantia de que as regras de investimento não serão mudadas arbitrariamente.

O presidente boliviano, Evo Morales, usou o fórum para criticar o Chile e reiterar as reivindicações territoriais do seu país. Quando, no final, o presidente cubano, Raúl Castro, assumiu a presidência rotativa da Celac, instituição presumivelmente dedicada a ampliar a democracia, nem mesmo os mais experimentados diplomatas conseguiram disfarçar o sorriso irônico.

A Celac, que exclui explicitamente os Estados Unidos e o Canadá, foi criada em 2010 para que os países da América Latina e Caribe pudessem determinar seu próprio rumo no sentido de políticas democráticas e de uma prosperidade compartilhada. O que não fizeram.

Claro que muitos países da região são nominalmente democráticos. Mas a liberdade política não existe em Cuba e a governança democrática está sob desafio permanente na Venezuela e em outras partes.

É verdade que muitas economias da região cresceram desde a crise, beneficiando-se de um ambiente internacional caracterizado por preços exorbitantes das commodities e taxas de juro baixíssimas. Mas, em razão da competitividade limitada e pouca capacidade para inovar, ninguém sabe o que ocorrerá com o crescimento na América Latina, se e quando os preços das commodities caírem.

Da mesma maneira, a desigualdade diminuiu em alguns países. Mas a região permanece a mais desigual do planeta e os mercados de trabalho e escolas que funcionam muito mal sugerem que a situação permanecerá a mesma num futuro previsível.

Se perguntar aos líderes latino-americanos e caribenhos como pretendem enfrentar tais desafios, você terá uma cacofonia de respostas, nem todas coerentes. As raízes do problema estão nas décadas de 80 e 90.

Nessa época, os governos de diversos países latino-americanos fizeram tentativas radicais para desregulamentar suas economias e abri-las para o comercial internacional e o capital externo.

Algumas reformas de liberalização dos mercados já estavam muito atrasadas nesses países. Mas privatizar sem políticas de concorrência mais vigorosas levou em muitos casos à criação de monopólios privados que cobravam preços altos por serviços e produtos medíocres.

Da mesma maneira, permitir as enormes entradas de capital antes de regulamentar adequadamente o sistema bancário interno provocou uma explosão de empréstimos e crises financeiras em massa. Os custos econômicos e sociais dessas estratégias equivocadas foram enormes.

Um retrocesso era inevitável. E de fato o populismo, tão familiar na história da região, fez um retorno estrondoso na Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela e em outros lugares. A retórica adotada é no estilo dos anos 60 e anticapitalista e as políticas adotadas têm sido erráticas e quase sempre arbitrárias. E apesar das receitas inesperadas propiciadas pelo boom global das commodities na década passada, os resultados deixam muito a desejar.

Na Venezuela, a renda per capita hoje está menor do que há três décadas. Na Argentina, o governo resolveu o problema da inflação persistente, de 20% ou mais, manipulando os dados sobre preços.

Naturalmente os países que tiveram melhor desempenho são aqueles que evitaram tanto o fanatismo da direita como o populismo da esquerda. O Brasil sob o governo dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva deve ser lembrado neste aspecto, juntamente com o Chile.

Nesses casos, os incentivos com vistas ao investimento e crescimento foram combinados com ambiciosas políticas sociais. A renda se expandiu e a pobreza caiu, enquanto um amplo conjunto de indicadores de desenvolvimento humano melhorou.

Brasil e Chile não têm todas as respostas: os dois países ainda exibem muita desigualdade e seus sistemas de ensino são medíocres, para citar dois problemas arraigados. Mas ambos os países parecem ter encontrado mais respostas do que outros com propostas alternativas. Então, por que Brasil e Chile não se tornam modelos de desenvolvimento de centro-esquerda modernos para a região?

No Chile, a coalizão de partidos Concertación foi uma defensora inútil de suas próprias realização, porque líderes mais velhos da mesma aliança nunca aprovaram as políticas moderadas que eram implementadas.

O Brasil, um país muito maior, seria o candidato natural para liderar ideológica e politicamente a região. Mas não desejando confrontar Chávez e muito ansioso por ser o melhor amigo de todos, o país renunciou a esse papel.

Imagine uma futura reunião da Celac em que a presidência do órgão seja outorgada a um líder progressista, moderno, que consiga impor um programa convincente no sentido das liberdades pessoais, crescimento econômico e inclusão social. Imagine um encontro em que defender a democracia seja algo mais do que uma pilhéria cruel. É pedir muito? Uma geração inteira de latino-americanos espera que não. / / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* É EX-MINISTRO DAS FINANÇAS DO CHILE, PROFESSOR-VISITANTE NA SCHOOL OF INTERNATIONAL AND PUBLIC AFFAIRS DA UNIVERSIDADE DA COLUMBIA. FOI CONSULTOR DO FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL, BANCO MUNDIAL E DO BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, COMO TAMBÉM DE DIVERSOS GOVERNOS LATINO-AMERICANOS

FONTE: O Estado de S. Paulo

Indicadores econômicos de países da América do Sul em 2012

tabela economica Am do Sul 2012

(Abeceb – Cepal – La Nacion, 04) Pela ordem: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai.

1. Crescimento do PIB: 1% / 1,1% / 5,5% / 4,1% / 6,2% / 3,8% /

2. Inflação: 25,6%, (cálculo independente) / 5,8% / 1,5% / 2,4% / 2,6% / 7,5%.

3. Crescimento da Indústria: (-1,2%) / (-2,1%) / 2,6% / 0,8%, 2,9% / 2,8%.

4. Proporção do Investimento no PIB: 24,2% / 20,2% / 25,7% / 23,1% / 25,2% / 19,6%.

5. Crescimento da Construção Civil: (-3,2%) / 3% / 8% / 1% / 16% / 12%.

6. Comércio Exterior: (-3,7%) / 0,1% / 3,5% / 10,3% / 7,8% / 6,9%.

7. Investimento direto estrangeiro: US$ 5,4 bilhões / US$ 43,2 bilhões / US$ 9,6 bilhões / US$ 7,8 bilhões. / US$ 5,4 bilhões / Uruguai: US$ 2,4 bilhões.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

Educação Financeira em 3 Capítulos

Educação FinanceiraSinopse: 

Capítulo I – Finanças Pessoais, apresentamos conceitos básicos e diversos exemplos práticos enfatizando a importância da educação financeira. Ensinamos a elaborar um orçamento e um fluxo de caixa (receitas e despesas), utilizando o excel. Mostramos como é possível economizar “revendo as despesas”, mantida a qualidade de vida. Falamos das “armadilhas do consumo”, ensinamos a lidar com o crédito em suas diversas modalidades e com os juros nas compras parceladas. Mostramos a importância do investimento na capacitação profissional. No Capítulo II – Introdução ao Sistema Financeiro, apresentamos uma visão da circulação da moeda na economia, retratamos a importância dos bancos e demais agentes financeiros, mostramos como as crises financeiras internacionais vêm afetando a nossa economia. Esses conceitos facilitarão aos leitores, não economistas, o entendimento das matérias econômicas veiculadas diariamente nos jornais, na internet e em programas de televisão.
Capítulo III – Alternativas de Investimento, apresentamos os principais investimentos em renda fixa e renda variável oferecidos pelo mercado, as perspectivas de rendimento e os riscos envolvidos em cada um deles.

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Sobre o autor:  Morei nos EUA de 1988 a 1990. Minha filha iniciou a cursar o “high school” em Washington DC e, no primeiro mês de aula, fui surpreendido. Compunha a grade curricular uma disciplina “Financial Education”, até então estranha aos meus ouvidos. Passei a acompanhar, passei a gostar.
De volta ao Brasil, outras atividades, outras prioridades. Em 2010, após a realização de diversos cursos sobre o assunto, elaborei o Projeto Educação Financeira e passei a realizar palestras e cursos.
Em 2013 o livro digital, sonho finalmente realizado. Sou Oficial da Reserva Remunerada da Marinha do Brasil (MB). Por mais de trinta anos, no Brasil e no exterior, exerci na Marinha diversos cargos de gerência e direção, nas áreas de logística e finanças. Com formação e pós em Administração de Empresas fui, durante oito anos, Diretor Administrativo-Financeiro de empresa estatal (NUCLEBRAS SA), além de ter dirigido, por períodos menores, duas empresas privadas (MULTIIMAGEM LTDA e LBT SINALIZAÇÕES LTDA). Atualmente, , sou Gerente de Projetos Especiais da Secretaria Geral da Marinha (SGM); Palestrante em Cursos de Educação Financeira em empresas, entidades de ensino e na MB (Escola Naval, Colégio Naval, demais Cursos de Formação de Oficiais e Praças) e Diretor Financeiro da SOMA-Associação de Profissionais e Consultores de Direito Ambiental. LUIZ PAULO GUIMARÃES, email: lamgcris@gmail.com ouguimaraes@sgm.mar.mil.br

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vinheta-clipping-forte1(Folha de SP, 06)  1. O custo para a organização da Copa de 2014 já atinge R$ 26,5 bilhões. A cifra é R$ 2,7 bilhões maior que o previsto no primeiro balanço orçamentário da União, de janeiro de 2011, e vai aumentar. Para o governo federal, essa conta ainda não está fechada. Questionado o Ministério do Esporte informou que a previsão é que os investimentos para o Mundial alcancem R$ 33 bilhões. Considerado o valor atual -R$ 26,5 bilhões-, o país vai custear 85,5% das obras relacionadas ao evento. O dinheiro vem dos governos federal, estaduais e municipais.

2. O número é baseado na última versão da matriz de responsabilidade, consolidada em dezembro de 2012. O documento cita os gastos com obras de mobilidade urbana, estádios, portos, aeroportos, telecomunicações, segurança e turismo relacionados ao Mundial. Além disso, aponta os responsáveis por arcar com os custos. A cifra foi atualizada com o aumento de preço do Maracanã e com os valores das instalações temporárias no entorno das arenas da Copa das Confederações e do Mundial. Para atender os dois torneios, essas estruturas custarão R$ 900 milhões às sedes.

3. De todo o dinheiro que será desembolsado para realizar a Copa do Mundo, apenas R$ 3,8 bilhões serão bancados pela iniciativa privada. Outros R$ 14,9 bilhões serão financiados pelo governo federal. Os R$ 7,7 bilhões restantes sairão dos Estados e das cidades-sedes.  A maior parte dos investimentos não governamentais será feita em aeroportos -R$ 3,64 bilhões serão aportados em Guarulhos, Campinas, Natal e Brasília.

4. Na construção e reforma de estádios, a disparidade é ainda maior. O investimento direto da iniciativa privada é ínfimo. Em 2008, ano seguinte ao anúncio de que o Brasil sediaria a Copa-2014, o então ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., declarou à Folha que não seria gasto “nenhum centavo de dinheiro público” com estádios do Mundial.

5. Apesar da promessa de que não haveria dinheiro público nos estádios da Copa-2014, as obras nas arenas que receberão o torneio são realizadas com quase 100% de dinheiro governamental:  97,3% são oriundos dos cofres públicos.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

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vinheta-clipping-forte1A Índia vai reduzir seu orçamento militar no próximo ano fiscal, que começa em 1º de abril, devido à desaceleração econômica enfrentada pelo país, disse nesta quarta-feira o ministro de Defesa, A.K. Antony. Ele acrescentou que a Índia, um dos países que mais gasta com equipamentos militares, vai reduzir as importações e focar em aumentar a produção local de armas.

A Índia compra armas no valor de bilhões de dólares de países como Rússia, Estados Unidos, Israel, França e Reino Unido. O governo destinou 1,93 trilhão de rupias para o Exército no próximo ano fiscal.

O crescimento econômico da Índia diminuiu para o menor ritmo em cerca de uma década, com a inflação alta e o crescente déficit fiscal e orçamentário se juntando ao impacto da fraca economia global. O governo informou recentemente que estima que a economia tenha crescido 6,2% no último ano fiscal até março de 2012, menos do que a estimativa inicial de 6,5%. As informações são da Dow Jones.

FONTE: O Estado de S. Paulo (título original: “Questão econômica faz Índia reduzir orçamento militar“)

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O secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, apelou para que os países da União Europeia invistam mais em defesa apesar das restrições econômicas, sob o risco de comprometerem a parceria militar do bloco com os Estados Unidos.

Rasmussen disse, durante a divulgação de relatório ontem (31), que se os investimentos em defesa continuarem baixos “ a capacidade prática das nações europeias para agir juntamente com os EUA será comprometida”. O secretário acrescenta que a OTAN ainda é “o poder militar mais importante no mundo”.

Porém, Rasmussen alerta que ameaças como terrorismo, pirataria e guerra cibernética não darão trégua enquanto a Europa tenta se recuperar economicamente, e acrescenta: “a ascenção de novo poderes pode criar um vácuo entre a capacide de de influência [desses novos agentes] e a nossa”.

O documento divulgado ontem aponta que 72% dos investimentos em defesa da OTAN em 2012 foram por parte dos Estados Unidos, em comparação aos 68% de 2007. Alemanha, França, Itália e Reino Unido respondem pelo resto das despesas, mas a contribuição francesa caiu dramaticamente.

De acordo com o relatório, “[essa retração] pode fragilizar laços de solidariedade e comprometer a capacidade dos países europeus para agir sem envolvimento norte-americano”. Ainda segundo o documento, as despesas militares da OTAN corresponderam a 60% dos gastos militares globais em 2011, e devem cair para 56% em 2014.

FONTE: EU Observer e Naval Open Source Intelligence (tradução e adaptação do Forças Terrestres a partir de original em inglês)

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O ‘cisma do Pacífico’

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José Luís Fiori

vinheta-clipping-forte1“O Brasil era naturalmente líder, hoje a coisa é muito complicada. O continente se dividiu, há o “Arco do Pacífico”… Então de alguma maneira perdemos nossa relevância política no continente que era inconteste. Nunca chegamos a pensar uma negociação a fundo com os EUA, sempre tivemos medo”. F. H. Cardoso, Valor, 30/11/12

Na história do desenvolvimento sul-americano – depois da Segunda Guerra Mundial – o projeto de integração do continente nunca foi uma política de Estado, indo e vindo através do tempo, como se fosse uma utopia “sazonal”, que se fortalece ou enfraquece dependendo das flutuações da economia mundial e das mudanças de governo, dentro da própria América do Sul. Durante a primeira década do século XXI, os novos governos de esquerda do continente, somados ao crescimento generalizado da economia mundial – entre 2001 e 2008 – reavivaram e fortaleceram o projeto integracionista, em particular o Mercosul, liderado pelo Brasil e pela Argentina. Depois da crise de 2008, entretanto, esse cenário mudou: a América do Sul recuperou-se rapidamente, puxada pelo crescimento chinês, mas esse sucesso de curto prazo trouxe de volta e vem aprofundando algumas características seculares da economia sul-americana, que sempre obstaculizaram e dificultaram o projeto de integração, como seja, o fato de ser uma somatória de economias primário-exportadoras paralelas, e orientadas pelos mercados externos.

Essa situação de desaceleração ou impasse do “projeto brasileiro” de integração sul-americana, explica, em parte, o entusiasmo da grande imprensa econômica internacional, e o sucesso entre os ideólogos liberais latino-americanos, da nova “Aliança do Pacífico”, bloco comercial competidor do Mercosul, inaugurado pela “Declaração de Lima”, de abril de 2011, e sacramentado pelo “Acordo Marco de Antofagasta”, assinado em junho de 2012, pelo Peru, Chile, Colômbia e México. Quatro países com economias exportadoras de petróleo ou minérios, e adeptos do livre-comércio e das políticas econômicas ortodoxas. O entusiasmo ideológico, ou geopolítico, entretanto, encobre – às vezes – alguns fatos e dados elementares.

Os quatro membros da “nova aliança” já tinham assinado acordos prévios de livre- comércio com os EUA

O primeiro é que os quatro membros da “nova aliança” já tinham assinado acordos prévios de livre-comércio com os EUA e com um grande numero de países asiáticos. O segundo e mais importante é que o México pertence geograficamente à América do Norte, e desde sua incorporação ao Nafta, em 1994, se transformou num pedaço inseparável da economia americana e no território ocupado pela guerra entre os grandes cartéis da droga que fornecem a cocaína da sociedade americana, que vem, em boa parte, exatamente do Peru e da Colômbia.

Em terceiro lugar, os três países sul-americanos que fazem parte do novo bloco, têm territórios isolados por montanhas e florestas tropicais e são pequenas ou médias economias costeiras e de exportação, com escassíssimo relacionamento comercial entre si, ou com o México. O Chile é o único desses três países, que possui um clima temperado e terras produtivas, mas é um dos países mais isolados do mundo, e é quase irrelevante para a economia sul-americana. A soma do produto interno bruto dos três, é de cerca de U$ 800 bilhões, menos de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e menos de um quarto do PIB do Mercosul. Além disso, o crescimento econômico recente do Chile, Peru e Colômbia foi quase igual ao do Equador e Bolívia, que também são andinos, não pertencem ao novo bloco, se opõem às políticas e reformas neoliberais, e devem ingressar brevemente no Mercosul, como aconteceu com a Venezuela.

Concluindo, se pode dizer com toda certeza que esse “cisma do Pacífico” tem mais importância ideológica do que econômica, dentro da América do Sul, e seria quase insignificante politicamente se não fosse pelo fato de se tratar de uma pequena fatia do projeto Obama de criação da “Trans-Pacific Economic Partenership” (TPP), peça central da sua política de reafirmação do poder econômico e militar americano na região do Pacífico. Desde 2010 o presidente Barack Obama vem insistindo na tecla de que os EUA são uma “nação do Pacífico” que se propõe exercer um papel central e de longo prazo no controle geopolítico e econômico dos dois lados do Pacífico, no Oceano Índico e no sul da Ásia.

Nesse sentido, é preciso ter claro que a inclusão do Brasil nesse novo “arco do Pacífico”, implica numa opção pela condição de “periferia de luxo” do sistema econômico mundial, e também significa, em última instância, apoiar e participar da estratégia americana de poder global, e ao mesmo tempo, de uma disputa regional, entre os EUA, o Japão e a China, pela hegemonia do leste asiático e do Pacífico Sul. Segundo o periódico Foreign Affairs,”caso as negociações deem resultados, o TPP injetará bilhões na economia americana, e solidificará o compromisso político, financeiro e militar de Washington com o Pacífico pelas próximas décadas” (julho/agosto 2012)

José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ “O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo”. Escreve mensalmente às quartas-feiras.

FONTE: Valor conômico via Resenha do Exército

 

ENTREVISTA – Otaviano Canuto

“Há uma armadilha no caminho do Brasil”

Um país passar de pobre a remediado é um feito importante que o Brasil já realizou. Mas passar de remediado a desenvolvido é um jogo bem mais difícil

vinheta-clipping-forte1O BRASIL É CONSIDERADO, PELO BANCO MUNDIAL, UM PAÍS COM RENDA POR HABITANTE DE nível médio para alto. Esse status foi confirmado em 1987 e ameaçado pela última vez em 2002. Estamos na faixa de renda por habitante entre US$ 4 mil e US$ 12.500 por ano. Por esse critério, parecemos bem próximos dos cerca de 30 países ricos da mesma classificação. Mas há um obstáculo no caminho. A maioria das nações empaca nesse estágio do enriquecimento – elas ficam presas numa “armadilha de média renda”, com crescimento insuficiente para dar o salto seguinte. O brasileiro Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para combate à pobreza, vem estudando o tema. É natural que economias maiores e mais maduras cresçam menos, mas Canuto concluiu que o problema é outro. Para ele, a estratégia que serviu ao Brasil (e à maioria dos países da turma remediada) para escapar da pobreza simplesmente não funciona para escapar do nível de renda atual. O problema foi detalhado num artigo publicado em setembro, escrito em coautoria com Pierre-Richard Agénor, professor da Universidade de Manchester, no Reino Unido. O estudo dá ênfase à importância da educação e das telecomunicações, ajuda a entender por que o Brasil cresce menos do que precisa e como lidar com esse problema.

ÉPOCA- O Brasil corre hoje o risco de ficar preso numa armadilha de baixo crescimento?

Otaviano Canuto – Acho que ele é baixo hoje, mas o Brasil corre esse risco se não avançar no ritmo necessário para a educação de qualidade. O país tem de fazer a transição para um sistema que premie o desempenho dos professores e em que os estudantes tenham melhores resultados em exames como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, organizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Além disso, precisa recuperar a capacidade de investir em infraestrutura, a tradicional – transportes, energia – e a avançada, de telecomunicações. Esse atraso, aliás, pode ser visto como problema e oportunidade. Se as deficiências de infraestrutura forem enfrentadas, o efeito em aumento de produtividade e redução dos gargalos será tamanho que abrirá oportunidade de o país Éontinuar crescendo substancialmente. No caso da infraestrutura, quanto mais o Brasil perseguir a criação de campeões nacionais nessas áreas, maior é o risco de deixar para trás o usufruto e o potencial produtivo do acesso às novas tecnologias para todos os outros. Vimos isso na época da reserva de informática. O país pagou um preço. Ela não gerou os campeões nacionais e deixou os usuários atrasados. O custo para os usuários tem de ser levado em conta o tempo todo.

ÉPOCA- Mas o país foi bem-sucedido ao passar de economia de baixa renda para média renda. Por que o processo não continuaria?

Canuto – Aí é que está: isso não é um processo contínuo. É o que se conclui da observação dos países na história recente que fizeram a transição para a renda alta. Não são muitos.

Pelas definições do Banco Mundial, quando você olha de 1960 para cá, apenas 13 territórios, entre 101 considerados com renda média naquela época, conseguiram passar para o patamar mais alto. Entre esses, há sete casos que servem mesmo como referência: Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Israel e Ilhas Maurício, além de Hong Kong e Taiwan, que no Banco Mundial tratamos como parte da China.

ÉPOCA – Por que os outros seis casos não servem de exemplo?

Canuto- Não são casos ilustrativos. Um é o da Guiné Equatorial – um país na África, pequeno, com menos de 1 milhão de habitantes, extremamente bem-dotado de recursos naturais, renda muito elevada e muito mal distribuída. Outros cinco casos são muito peculiares: Porto Rico, parte dos Estados Unidos, e Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda, que se integraram ao espaço econômico europeu.

ÉPOCA – Como foi o primeiro salto dos países que passaram do nível de baixa renda para o de média renda?

Canuto – Podemos supor que nem a metade dos 101 países de renda média em 1960 estava nessa condição 50 anos antes. Há uma história em comum entre essas economias, a América Latina e outras partes do mundo em que aconteceu, no passado, a transição de baixa renda para média renda: durante um processo de urbanização, houve um crescimento elevado por um longo período. Isso refletiu a transferência da atividade dos setores de subsistência, de baixa produtividade, de baixo valor de mercado, em geral na área rural, para atividades mais modernas, com mais capital e tecnologia. Mas isso ocorreu sem grandes novos requisitos educacionais. Não é um processo automático, mas ele aconteceu e acontece com relativo êxito. Em geral, essa mudança vem acontecendo no mundo sem necessidade de grandes saltos educacionais e na capacitação técnica do país.

ÉPOCA- Para essa transição, basta um treinamento básico?

Canuto – É isso. São trabalhos que envolvem tecnologias já disponíveis, não tão sofisticadas. É a história do Brasil nos anos 1950, 1960, 1970, da Coreia do Sul nos anos 1970 e 1980, do lapão antes disso. Não há nenhum caso que eu conheça, dessa mudança de baixa renda para média renda, que não possa ser razoavelmente descrito por essa história. Como todo estereótipo, exige ajustes aqui e acolá. Na América Latina, o processo ocorreu no pós-guerra e a partir do mercado doméstico. Na Ásia, foi num momento mais recente, e usou o mercado externo como alavanca para aumentar a velocidade do processo. E lá houve muito mais ênfase na educação do que em nosso continente. A transição para a média renda foi muito mais sólida no caso da Ásia do que no da América Latina.

ÉPOCA – Como funciona o segundo salto, da média renda para a alta renda?

Canuto – O que caracteriza aqueles sete casos que mencionei que servem de exemplo? Em todos eles, a partir de certo momento, foi esgotado o filão da simples transferência de gente (entre setores e do campo para a cidade). Esses países foram para outro estágio, em que a mão de obra precisa ser muito educada. Mas não basta fazer o esforço educacional se não houver um escoadouro da mão de obra para atividades de maior conteúdo tecnológico. Houve a criação local de capacidade de gestão, de organização de processos de produção, em setores com alto valor de mercado na economia mundial. A transição da média renda para a renda alta acontece quando uma parcela crescente da população é ocupada com atividades no alto da escala de sofisticação tecnológica. Elas exigem manejo de tecnologia, a adaptação, a inovação em processos e produtos. No Brasil, você tem altas capacidades tecnológicas e gerenciais, como a que você encontra na Embraer, na Petrobras, na agricultura. Mas a proporção dessas atividades não é alta o suficiente para puxar para cima a renda média do país.

ÉPOCA – Como uma boa infraestrutura ajuda a alavancar um país para o grupo dos países de renda alta?

Canuto – A experiência dos asiáticos, de Israel e das Ilhas Maurício revela também que a infraestrutura adequada e no lugar certo é uma condição necessária para o sucesso. Refiro-me à infraestrutura básica, de transportes, energia, e a mais sofisticada, de telecomunicações, banda larga. Esse é um pilar necessário para a circulação de ideias e inovações. Em todos os países que deram o segundo salto também houve o fortalecimento dos direitos de propriedade e de auferir retornos com a introdução de inbvações em produtos e processos. Esse é um ponto em que países cOmo a China terão de adaptar seus sistemas se quiserem dar o salto no futuro. Nos casos em que houve o salto, há a percepção, por parte do investidor, de que quem introduzir inovações pode se apropriar do retorno obtido. Algumas sobrancelhas no Brasil vão se erguer com o que vou dizer, mas outro ponto que ajudou foi certa flexibilidade do mercado de trabalho. A contratação, num sistema rico em inovações, tem de ser mais flexível do que num sistema de produção em massa, porque os resultados são muito mais incertos. O fôlego da transição dependerá de haver uma estrutura física e institucional que a sustente e um ambiente amigável para a tomada de riscos.

ÉPOCA – Essa lógica inclui setores não tecnológicos, como entretenimento, moda e outros serviços sofisticados?

Canuto – Sim. Essas atividades têm valor extremamente alto, com conteúdo “tecnológico”, num sentido mais amplo, muito alto, desenvolvido localmente.

ÉPOCA- Por seu estudo, dar esse segundo salto é mais difícil. Que países parecem presos hoje na armadilha do baixo crescimento?

Canuto – A Argentina é um. A base educacional da população já foi muito elevada, talvez sem a proporção de ciência e engenharia que seria interessante, e o país chegou a desenvolver* capacidade tecnológica em algumas áreas. Mas está patinando há décadas. A armadilha da média renda é caracterizada, normalmente, por baixo crescimento da produtividade e uma parcela relativamente baixa de profissionais de alta qualificação em atividades criativas.

ÉPOCA – Há países no rumo correto para continuar crescendo sem cair na armadilha?

Canuto – O Chile é um excelente caso e está numa trajetória , dessa natureza. O desafio dele será ter uma parcela crescente da população ocupada em atividades superiores em sofisticação na cadeia de matérias-primas. O México também vai bem. Mas ainda precisa de um regime de direito à propriedade mais condizente com a inovação, precisa quebrar a rigidez em áreas como petróleo e telecomunicações.

FONTE: Revista Época via Resenha do Exército

 

Europeus reduzem despesas militares

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Por Assis Moreira

De Genebra 

vinheta-clipping-forte1A crise econômica acelera cortes bilionários nas despesas militares na Europa, provocando temores de que o velho continente se desarma quando o resto do mundo se rearma e perde influência na cena internacional.

No começo do mês, o jornal “Le Monde”, de Paris, publicou editorial com o título “Perigo, a Europa renuncia a se defender”, alertando para consequências civis e militares, como aumentar a desindustrialização que alguns países dizem querer combater.

Num relatório ao presidente francês, François Hollande, o ex-chanceler Hubert Védrine diz que desde o fim do império soviético, em 1991, o que os europeus esperam são os “dividendos da paz, do social e do aumento do poder de compra ou da afirmação dos direitos individuais”.

Ou seja, a Europa está muito longe da dialética de ameaças à segurança/respostas militares, mesmo na área do terrorismo, ou da visão americana de riscos e ameaças estratégicas. Mas nota que o choque enorme da “crise da economia cassino americano-global” desde 2008, a crise da dívida soberana europeia e a necessidade imperiosa de pegar emprestado entre € 8 trilhões e € 9 trilhões por ano para manter o nível de vida acentua a tendência que se traduz por baixa dos orçamentos de defesa europeus. “E o que é ambivalente: menos meios e capacidades, mas em princípio também mais obrigações de agir em comum”, diz.

Globalmente, as despesas militares alcançaram US$ 1,7 trilhão em 2011, quando pararam de crescer. O que muda é a repartição. Em 2012, os EUA fizeram 46% do total. Por sua vez, os Bric – Brasil, Rússia, China e Índia – aumentaram as despesas militares em 38,6% entre 2007 e 2011. Somente a China elevou os gastos em 62%, pulando de US$ 87,7 bilhões a US$ 142,8 bilhoes no período. A Índia aumentou em 42%, a Rússia, em 40% e o Brasil, em 30,7%. Azerbaijão, Polônia, Turquia e Colômbia estão também entre os países que aumentaram os gastos nos últimos anos.

Já a Europa em 15 anos viu sua fatia diminuir de 31% para 19%. Grécia e Espanha, especialmente afetados pela crise, cortaram as despesas militares entre 30% e 40% em 2011. Itália e Bélgica, entre 10% e 15%, e vários outros países, entre 15% e 30%. A França e o Reino Unido diminuíram a conta em cerca de 5%. Já a Alemanha aumentou suas despesas militares ligeiramente. Na Suécia, o chefe do Estado-Maior, general Sverker Goeranson, irritado, sugeriu suprimir uma das Forças Armadas, dizendo que o país não dispõe de meios que permitam defender o país por mais de uma semana.

Os EUA insistem para os europeus não se privarem de meios estratégicos. A ex-secretária de Estado Madeleine Albright estimou num relatório em 2% do PIB o mínimo que um país da Otan, a aliança militar ocidental, deve gastar em defesa para não comprometer a segurança comum.

Atualmente, somente o Reino Unido está acima de 2% do PIB – é o primeiro da Europa, mas prevê corte de 7,7% nas despesas até 2015. Os gastos da França ficam em 1,7% do PIB, da Espanha, em 0,65% e da Itália, em 0,8%. A crise leva países nórdicos e do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) a juntarem seus esforços militares.

A guerra contra terroristas no Mali ilustra dificuldades da capacidade francesa e da ausência de defesa europeia. Para transportar soldados ao país africano, Paris teve que alugar também aviões comerciais de grande porte. Na Líbia, 80% dos alvos atacados pelos franceses foram a partir de informações de drones dos EUA.

No momento, os franceses dizem que a guerra no Mali não vai aumentar muito sua fatura militar porque uma hora de voo de jato Rafale custaria de toda maneira € 40 mil em treinamento ou no combate. Já um míssil custa € 300 mil, e essa fatura vai crescer.

Para o jornal “Le Monde”, as consequências do desarmamento europeu são estratégicas. Estima ser provável que a indústria europeia de defesa “desapareça definitivamente” das licitações de países emergentes, dando como exemplo o fiasco até agora das tentativas francesa e sueca de vender jatos de combate ao Brasil.

Considera que a espiral de austeridade pode tanto afundar as indústrias de defesa europeias como fortalecer “definitivamente” a órbita de um complexo americano “sem dúvida ávido de compensar além de suas fronteiras os cortes orçamentários que também sofre em casa”. E adverte para que a perda de influência, emprego e autonomia seja levada em conta.

Já o Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) vê outro cenário. Sam Perlo-Freeman, diretor do Programa de Despesas Militares, considera “muito forte falar em desarmamento” na Europa, apesar dos cortes significativos nas despesas militares.

“Vários países estão cortando tropas, recuando em compras de equipamentos. Mas grandes países como Reino Unido, França e Alemanha continuam a atualizar e modernizar seus armamentos, só que num ritmo menor.”

Além disso, segundo Freeman, outras capacidades estão sendo expandidas, como no caso dos drones. Avalia também que menos forças convencionais não significam perda de segurança. “Isso significará diminuição de capacidade em se engajar em missões no estrangeiro, embora alguns países estejam de fato expandindo o número de tropas disponíveis, como a França no Mali”, diz.

Freeman contesta a percepção de que menos capacidade militar conduz à perda de influência. “”De várias maneiras a influência econômica e cultural pode ser mais importante no mundo moderno do que a militar, embora a influência econômica da União Europeia também esteja baixando por causa da crise”, diz. Para ele, uma consequência mais provável “será crescente tensão na Otan, com os Estados Unidos vendo um valor menor na contribuição militar de membros europeus na aliança”.

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

 

Impostos, história e corrupção

vinheta-clipping-forte1Hoje, com mais de um terço do PIB em seu poder, o governo investe em média 1%, mesmo com o estardalhaço da propaganda oficial e o PAC. Quanto maior o peso estatal, maiores as oportunidades de corrupção, troca de favores e clientelismo.

A tributação sempre esteve associada à coerção da sociedade pelo poder estatal, tornando-se objeto constante de controvérsia ao longo da história humana, dando origem a rebeliões, movimentos políticos, mitos e leis.

Grandes impérios sempre impuseram pesada tributação aos territórios submetidos. Nos tempos de Jesus Cristo apresentado na Bíblia, os cobradores de impostos eram considerados grandes pecadores e vistos como símbolo da dominação estrangeira simbolizada pelo Império Romano.

Considerada a primeira Constituição da história, a Magna Carta foi criada para limitar o poder dos reis ingleses de tributar a população.

É da mesma época o mito de Robin Hood, herói que lutava contra a opressão estatal e roubava do xerife de Nottingham- administrador dos cofres públicos – para distribuir aos pobres.

A Independência Americana foi motivada sobretudo por conta da questão dos impostos e seu lema inicial era “no taxation without representation”.

A própria Revolução Francesa foi motivada inicialmente por um setor público visto como perdulário e voraz.

No Brasil, Tiradentes entrou para a história e transformou-se em herói nacional por conspirar contra o “quinto” cobrado por Portugal.

Mais de 200 anos depois, a “derrama” de impostos do brasileiro chegou a quase 36% do PIB em 2012 e dados do impostômetro – medidor dos impostos cobrados, idealizado pela Associação Comercial de São Paulo e pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – indicam que o país recolheu R$ 1,556 trilhões no ano passado.

Para este ano, está prevista nova arrecadação recorde de R$ 1,734 trilhão. Nas comparações internacionais, o Brasil também está no topo. Nossa carga tributária é maior que em todos os países da América, com exceção da Argentina.

Também ganhamos da maioria dos países da OCDE e quando comparados aos países emergentes, somos campeões com folga.

As estatísticas indicam que a arrecadação vem crescendo sistematicamente bem mais que o PIB do país e nesses anos nos quais a economia encontra-se estagnada e a inflação cresce, observamos como consequência lógica que o Estado brasileiro está inchando a passos largos.

Muitas vezes me perguntam porque o Brasil crescia tanto na década de 70 e hoje vive “patinando”. Uma das respostas mais óbvias tem a ver com a tributação: na época do “Milagre”, o país possuia uma carga tributária próxima a 25% do PIB e os investimentos da União significavam quase 5% do PIB.

Hoje, com mais de um terço do PIB em seu poder, o governo investe em média 1%, mesmo com o estardalhaço da propaganda oficial e o PAC.

Além disso, a maior parte da arrecadação é composta por impostos indiretos que atrapalham a nossa competitividade e distorcem os incentivos produtivos.

Quanto maior o peso estatal, maiores as oportunidades de corrupção, troca de favores e clientelismo.

Em diversos rankings, nosso país aparece na vice-colocação entre os países mais corruptos, perdendo apenas para a Nigéria.

Segundo a sabedoria popular, “o Brasil tem a maior carga tributária do mundo para pagar a maior corrupção do mundo”.

Observando os dados da Receita Federal e lendo as notícias de que José Genoino assumiu o mandato de deputado federal na semana passada, fica difícil discordar.

Publicado no jornal Brasil Econômico.

Rodrigo Sias é economista do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

FONTE: Mídia Sem Máscara

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vinheta-clipping-forte11. Os países com as melhores imagens de marca (“country brand”). A empresa de consultoria FutureBrand analisou 118 países, em pesquisa que envolveu 3600 formadores de opinião de 18 países. Com base nos resultados da pesquisa, o Brasil está em 28º lugar (os dez países no topo da lista foram Suíça, Canadá, Japão, Suécia, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, EUA, Finlândia e Noruega). O estudo avaliou uma série de parâmetros (sistema de valores, qualidade de vida, ambiente de negócios, tradições e cultura e turismo).

2. O estudo avalia ainda quinze países que apresentam as melhores perspectivas, baseada na percepção de formadores de opinião (governança, ambiente de investimentos, capital humano, crescimento econômico, sustentabilidade e influência), na qual o Brasil está em 9º lugar. Em primeiro lugar se encontram os Emirados Árabes Unidos, seguidos por Chile, Malásia, Catar, Estônia, China, Islândia, México, Brasil, Turquia, Tailândia, Colômbia, Índia, Cazaquistão e Vietnã.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 
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