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Carlos Alberto Sardenberg

Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e, em renda per capita, estão entre os dez mais ricos. Considerando apenas os países grandes, os EUA são os mais ricos. Além disso, trata-se de uma democracia. Logo, é esse o modelo a ser copiado, certo?
Mas olhem o momento: uma baita crise financeira e a evidência de que os mais ricos sempre se saem melhor. Na prosperidade, ganham mais, na queda, perdem menos. Além disso, empresas e bancos, na liberdade de mercado, só pensam nos seus lucros, dane-se o povo. Não, esse sistema não serve mais, nem para os americanos.

Passemos, então, para a segunda maior economia do mundo, a China. Crescimento médio anual de 10% ao longo de três décadas! Há empresas privadas, nacionais e estrangeiras, mas as estatais e o governo controlam firmemente os negócios, impondo limites à ganância do mercado. Para os países emergentes, em especial, esse capitalismo de estado seria o modelo ideal para o crescimento rápido e mais equilibrado, certo?

Mas é uma ditadura – e provavelmente o modelo só para de pé nesse ambiente autoritário. O controle do governo gera muitas ineficiências e corrupção, pois os negócios dependem sempre do “apoio” de um governante ou de um dirigente do Partido Comunista. Além disso, além de salários baixos, há muita desigualdade, sim. Em Shangai, o padrão de vida é europeu. No interior, há regiões mais pobres que a África. Não, esse tipo de crescimento não justifica uma ditadura.

Passemos, então, para a Europa, a ocidental, onde se pratica o capitalismo do bem-estar social ou a economia social de mercado. A Alemanha, terceira maior economia do mundo, é o exemplo acabado: democracia, empresas privadas pujantes, mas com forte regulação, e um governo que fornece serviços universais de qualidade. São ricos, livres e têm a proteção do Estado – eis o modelo, certo?

Mas custa muito caro. Isso exige uma carga tributária cada vez mais elevada e, mesmo assim, a dívida dos governos já chegou a níveis insuportáveis. Esse custo e mais o excesso de regulação e de governo retiram competitividade das empresas. Resultado: baixo crescimento, níveis elevados de desemprego, especialmente entre os jovens. As gerações atuais estão protegidas, mas os mais jovens percebem que o futuro não garante a boa vida dos pais. Não, o modelo parece não servir nem para os próprios europeus.

Eis o debate que ocorre mundo afora, inconcluso. Voltaremos ao tema, claro.

FONTE: O Globo

 

1. O Brasil é o mais ambíguo dos países a praticar o capitalismo de Estado, segundo a revista britânica The Economist. Com o líder soviético Vladimir Lênin na capa, a publicação diz que o capitalismo de Estado tem se tornado um modelo ascendente. Estado brasileiro voltou a se fazer presente com força na economia nos últimos anos. “O governo despejou recursos em um punhado de (empresas) campeãs, particularmente no setor de recursos naturais e telecomunicações”, diz a publicação. A Economist afirma que a grande inovação do capitalismo de Estado brasileiro é a prática que chama de “Leviatã como acionista minoritário”.

2. A revista ressalta que o Estado brasileiro é acionista minoritário em uma série de empresas privadas e que, apesar de não ter o controle acionário, o governo tem voz suficiente para mudar o curso dos negócios de acordo com seus interesses. “O capitalismo de Estado frequentemente reforça a corrupção, porque aumenta o tamanho e as opções de prêmios para os vitoriosos”, diz, lembrando que os principais expoentes do modelo ocupam posições nada louváveis no ranking de corrupção da Transparência Internacional: o Brasil está em 73º lugar, a China em 75º e a Rússia em 143º.

FONTE: BBC

HAVANA, 16 JAN (ANSA) – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, está em Cuba para preparar a agenda que a presidente Dilma Rousseff cumprirá em sua visita ao país, informou à ANSA o assessor de imprensa da embaixada brasileira em Havana, Tulio Amaral.

“O chanceler terminará sua estada amanhã e a presidente Dilma começará sua visita oficial no fim deste mês”, informou Amaral.

Fontes do governo brasileiro anunciaram, no fim de semana, que a viagem da mandatária à ilha “terá um forte tom econômico”.

O comércio entre os dois países alcançou US$570 (cerca de R$1 bilhão) milhões entre janeiro e novembro de 2011, valor superior ao registrado ao longo de todo o ano de 2010, quando a balança registrou US$488 milhões (cerca de R$869 milhões).

O Brasil participa da construção de uma zona especial de desenvolvimento no porto do Mariel, a cerca de 40 quilômetros de Havana, uma obra considerada estratégica para a economia nacional, segundo o presidente Raúl Castro.

FONTE: ANSA

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1. Na relação dos países com maior inflação em 2011, Venezuela e Argentina ficaram uma vez mais nos dois primeiros lugares, com, respectivamente, 27,6% e 21%. Este último percentual de acordo com estimativas de analistas privados, pois os dados oficiais permanecem distorcidos. As demais economias sul-americanas terminaram o ano com um índice inflacionário de um dígito. O Uruguai foi, dentre tais países, o com maior inflação, com 8,6%. Brasil, Peru, Colômbia e Equador revelaram aceleração de seus números de inflação, na comparação com 2010, enquanto Paraguai e Bolívia mostraram desaceleração da inflação.

2. (El País, 10) Ortega assume a presidência da Nicarágua com a ideia de perpetuar-se no poder. Ele quer eliminar as barreiras legais que limitam a continuidade indefinida no poder.

3. (Clarín, 10) Abraçados, de mãos dadas para as fotos, e sorridentes, se mostraram o presidente da Venezuela, Hugo Chávez e seu colega iraní, Mahmud Ahmadinejad no encontro que tiveram no Palácio de Miraflores em Caracas. Com esse tom exultante disseram que estão juntos “para frear a loucura imperialista”. “É o campeão da luta contra o império e oxalá sempre estejamos juntos”, disse referindo-se a Chávez, diante do aplauso generalizado dos funcionários venezuelanos.

4. (Cepal, 2011) Em conjunto, os países sul-americanos cresceram 4,6%, levemente mais que os centro-americanos (4,1%), enquanto que o Caribe se expandiu só 0,7%, devido principalmente à contração de Trinidad y Tabago, a maior economia da sub-região.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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  1. Índia, US$ 6,6 bilhões ou cerca de 10% do total
  2. EAU, US$ 6,1 bilhões
  3. Austrália, US$ 5,2 bilhões
  4. Arábia Saudita, US$ 4,7 bilhões
  5. Coreia do Sul, US$ 3,6 bilhões
  6. Iraque, US$ 2,75 bilhões
  7. EUA, US$ 2,43 bilhões
  8. Venezuela, US$ 2,3 bilhões
  9. Turquia, US$ 2 bilhões
  10. Paquistão, US$1,8 bilhões
FONTE: news.ifeng.com

O Brasil ultrapassou o Reino Unido como a sexta potência econômica mundial, de acordo com o Economist Intelligence Unit, que se baseia no produto interno bruto (PIB) de ambos os países, medido em dólares à taxa de câmbio corrente.

Esta informação antecipa as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Business Monitor International (BMI) para 2011 e tem uma curiosidade. Em 2013, ainda de acordo com a consultora do grupo Economist, o Brasil perderá esta posição para a Índia, mas vai recuperá-la um ano depois, devido ao Mundial de Futebol. E à custa da França.

O Folha de São Paulo avança que esta subida do Brasil no ranking das maiores economias mundiais se deve à crise dos países desenvolvidos, que antecipou esta ascensão econômica – no ranking – dos países emergentes.
Em 2009, o PIB brasileiro ultrapassou o Canadá e a Espanha, e um ano depois o de Itália. Mas o melhor, para a economia brasileira, ainda está para vir. Em 2020, o Brasil terá ultrapassado todas as economias europeias, o que inclui a poderosa Alemanha.

FONTE: Greensavers, em 14.12.2011

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1. O quadro internacional sofreu mudanças significativas em 2011. A crise europeia tem encoberto uma crise maior: o fim do ciclo liberal hegemônico desde o final dos anos 70 com a ascensão de Thatcher no Reino Unido. Nesse sentido, a crise financeira de 2008 vai muito além da irresponsabilidade e da especulação. A questão do Euro -déficits e dívidas-, nesse sentido, é uma crise conjuntural grave e a ponta visível daquele final de ciclo.

2. Quando se fala em reforma institucional da União Europeia, com perda parcial de soberania dos países sobre suas políticas fiscais, há que se lembrar que o orçamento é a razão histórica de ser dos parlamentos. Portanto, a perda parcial de soberania seria dos próprios parlamentos. Isso aponta para um ciclo que começa a ser desenhado, com instâncias coletivas de ampliação da esfera estatal.

3. A decisão de responder a crise das dividas com restrições orçamentárias, gera uma restrição internacional ao crédito para evitar efeitos multiplicadores adicionais e um processo recessivo que atravessará 2012, pelo menos. Seja pelo canal comercial, seja pelo canal creditício, as economias fora do eixo dos EUA-Europa já sentem as consequências. No caso do Brasil, se conjuga esse quadro internacional com os efeitos internos de 2010, da irresponsabilidade fiscal, da bolha creditícia, da perda de competitividade industrial e da insegurança cambial, todos com reflexos inflacionários.

4. A América Latina continuou navegando sem sinal de tendência. Piñera no Chile, Santos na Colômbia e Molina na Guatemala apontaram para a direita. Humala no Peru, Ortega na Nicarágua e Cristina Kirchner na Argentina reforçaram o populismo. Este quadro e as provocações lançadas contra os EUA terminaram isolando a América Latina, incluindo o Brasil, por sua heterodoxia externa. A China, o Irã e a Rússia avançaram sobre o continente, em especial a China, que se tornou o principal parceiro comercial da América do Sul.

5. O silêncio dos EUA em relação à crise europeia apenas ratificou sua cada vez mais clara preferência pelas relações com a Ásia. A associação de livre comércio dos EUA com países asiáticos, que em breve incorporará o Japão, e que incluiu o Peru e Chile, países do Pacífico, é contundente demonstração disso. A própria tranquilidade em relação ao pós-primavera árabe, a saída do Iraque, mostram que a atenção dos EUA estará concentrada no Irã e na defesa de seus parceiros e espaços estratégicos como a Arábia Saudita e Israel.

6. A política externa europeia teve um forte ajuste em relação ao norte da África (com a decisão da IDC-internacional democrata de centro- e do PPE -partido popular europeu- que tem a maioria no parlamento europeu e onde está a maioria dos governos europeus), ao entender como parte do processo democrático a vitória dos partidos islâmicos e passar a estabelecer, naturalmente, relações interculturais e inter-religiosas com os partidos islâmicos, incorporando aqueles que assim quiserem à própria IDC, como já ocorreu com o partido da Independência do Marrocos no final de 2010.

7. Nesse quadro internacional jogam-se novas estratégias, onde o amadorismo, o voluntarismo e a excitação que tem caracterizado a política externa brasileira só produzirão abraços, tapas nas costas, e isolamento da mesa daquelas decisões estratégicas.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

(BBC, 20) 1. O balanço das atividades do Mercosul, que completou 20 anos de integração econômica em 2011, é considerado “decepcionante”, segundo um relatório do renomado Instituto de Estudos Políticos de Paris sobre a América Latina. “A história do Mercosul é pontuada por fases de progresso interrompidas por mudanças políticas ou crises econômicas, e seguidas de retomadas que suscitam um aumento das expectativas, rapidamente desapontadas”, diz o cientista político Olivier Dabène, presidente do Observatório Político da América Latina e do Caribe do instituto parisiense. Segundo o especialista, o Mercado Comum do Sul (Mercosul), integrado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, ainda enfrenta, após 20 anos de existência, “duas fraquezas estruturais”.

2. A primeira delas é a assimetria entre os Estados membros, diz Dabène, autor do capítulo sobre o Mercosul do relatório. “O Mercosul é um processo de integração debilitado por profundas assimetrias de desenvolvimento. O projeto neoliberal (nos anos 90) leva a crer que a integração regional permitirá uma convergência natural das economias”, afirma. “Mas, durante a década de 90, as assimetrias se aprofundaram mais em vez de desaparecer, suscitando uma certa frustração do Paraguai e do Uruguai”. Outra deficiência do Mercosul apontada pelo especialista é a falta de instituições capazes de levar em conta os interesses gerais do bloco. Entre os exemplos citados, está o Parlamento do Mercosul (Parlasul), que possui “atribuições modestas” em relação à tomada de decisões.

FONTE: BBC, via Ex-Blog do Cesar Maia

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Começa a ressaca épica da China

1. A Bolha de crédito da China finalmente estourou. O mercado imobiliário está balançando descontroladamente. É difícil obter bons dados na China, mas algo está errado quando o site de imóveis Homelink relata que o preço das casas novas em Pequim despencou em novembro em relação ao mês anterior. Se isto é remotamente verdade, o calibrado pouso suave que as autoridades chinesas pretendiam está indo muito errado e os riscos girando fora de controle.

2. Os investidores estão subestimando maciçamente o risco de uma aterragem forçada na China, e certamente de outros BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China). Os BRICs estão caindo como tijolos (bric em inglês) e as crises são o home-blown, causado por seus próprios ciclos de altos e baixos de crédito. Acho que é altamente provável que a China vá desvalorizar o yen no próximo ano, arriscando uma guerra comercial.

3. A economia está totalmente fora dos eixos. O consumo caiu de 48pc para 36pc do PIB desde a década de 1990. O investimento subiu para 50pc do PIB. Isso está fora das cartas, mesmo para os padrões do Japão, Coréia ou Taiwan. Nada assim tem sido visto antes em tempos modernos. A Fitch Ratings afirmou que a China é viciada em crédito, mas com cada vez menos vontade para cada dose. Um dólar extra em empréstimos aumentou o PIB em 0,77 dólares em 2007. Agora em 2011 são $ 0,44. “A realidade é que hoje a economia da China exige um financiamento significativamente maior para atingir o mesmo nível de crescimento, como no passado”, disse o analista chinês Charlene Chu.

4. Professor Patrick Chovanec da Tsinghua de Pequim School of Economics, disse que a desaceleração do mercado imobiliário China começou em agosto, quando as empresas de construção informaram que os estoques não vendidos atingiram US $ 50 bilhões. Isso já se transformou em “uma espiral descendente de expectativas”. Uma queima de estoques está em curso. Enquanto isso, a desaceleração está se infiltrando no núcleo das indústrias. A produção de aço tem fraquejado.

5. Pequim foi capaz de contrariar a crise global em 2008-2009 com o desencadeamento de crédito, agindo como um amortecedor para o mundo inteiro. É duvidoso que Pequim pode repetir este truque pela segunda vez.

6. Mark Williams da Capital Economics disse que a grande esperança era que a China usasse sua farra de crédito após 2008, para ganhar tempo, mudando os crônicos sobre-investimento para o crescimento do consumo. “Isso não saiu conforme o planejado. Na verdade, a China enfrenta uma ressaca de desalavancagem épica, como o resto de nós”.

FONTE: A. Evans – Editor de Negócios Internacionais – The Telegraph, 15.12, via Ex-Blog do Cesar Maia

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