130451074

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

vinheta-clipping-forte1A intervenção francesa no Mali tem origem na disputa por riquezas minerais–urânio para as usinas nucleares francesas, por exemplo– e na herança colonial da região. Fronteiras artificiais impostas pelas potências no século 19 fraturaram povos, gerando insatisfações.

A análise é do historiador Elikia M’Bokolo, 68, diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris, e professor da Universidade de Kinshasa (Congo). Para ele, há “um novo imperialismo”, no qual as velhas potências europeias precisam lidar com o apetite de emergentes como a China.

Bokolo, congolês especializado em temas do pan-africanismo, diz que a crise no Mali pode se reproduzir com a mesma violência nos países vizinhos, como Niger, Mauritânia e Chade. Isso porque, a guerra atual também é consequência “da estupidez do Ocidente” ao derrubar Muammar Gaddafi.

Nesta entrevista, concedida por telefone de Paris, o historiador fala da oposição à guerra na França, onde ainda paira a síndrome do Vietnã. E alerta para assassinatos de tuaregues em vilas: “Não se pode transformar essa guerra numa guerra cultural e religiosa”, afirma.

Folha – Como o sr. analisa a situação no Mali?

Elikia M’Bokolo – É fluida e incerta. A ação francesa é uma intervenção de uma antiga potência colonial. Tem uma imagem negativa para os africanos e malianos.

Quais são as causas do conflito?

Há várias razões. A primeira é que essa grande região –que vai da Mauritânia ao Chade até a Etiópia– é muito instável, com uma população nômade. Esta teve um papel histórico muito importante no passado, fazendo as trocas entre a África negra e a África árabe, mediterrânea.
Com as fronteiras coloniais, a população se fracionou em muitos Estados. É um primeiro ponto de descontentamento. Essa população sonha em refazer uma junção territorial. Assim, haveria liberdade de movimento, sem as limitações de fronteiras impostas pela colonização.

Quais são as outras razões?

Depois da colonização e, sobretudo, depois dos anos 1960, o novo poder africano reteve a lógica territorial colonial. Toda essa população, considerada periférica e marginal pelas potências colonizadoras, hoje em dia reivindica uma situação melhor do ponto de vista político e social.
A terceira razão é o apetite das potências capitalistas desenvolvidas por essa região desértica. É sabido já há algum tempo que ela tem petróleo, gás natural, urânio. E também o sol. Antes da intervenção francesa, a Alemanha tinha começado a desenvolver uma ideia de gerar eletricidade a partir da energia solar e transportá-la para a Europa.

Qual a razão mais importante?

Os países ocidentais têm interesse em colocar ênfase sobre o lado étnico, religioso, de instabilidade. Nada falam sobre a economia, os recursos naturais.
Esse é o lado importante. As grandes empresas francesas estão no Mali, no Niger. A maior parte da eletricidade produzida pelas centrais nucleares francesas é feita com o urânio que vem da África. Todo mundo sabe que a região é um reservatório importante de minerais.

A França fala da ação de radicais, da Al Qaeda. É ficção?

Não é tudo ficção. É verdade que o Mali é um país muçulmano há dezenas de séculos. Mas lá o islã  sempre foi moderado. Há uma grande tolerância em relação àqueles que não praticam a religião. O consumo de álcool, por exemplo, é permitido. O islã não é uma razão importante [para o conflito], mesmo que exista um certo número de muçulmanos que têm um ponto de vista extremista, da Al Qaeda ou de outros grupos islâmicos. Não se pode transformar essa guerra numa guerra cultural e religiosa.

A França advoga que há uma ameaça.

A França tem uma posição ambígua em relação à África. Mesmo um presidente socialista como François Hollande adota esse discurso civilizatório, de que há risco, ameaça, violação de direitos humanos, despeito à constituição democrática. Tudo é discurso para a opinião pública. Na verdade as questões são mais complexas. O governo francês joga em duas linhas: a ideológica, quase moral, e a linha econômica e financeira em defesa de seus interesses.

A França tem o direito de intervir no Mali?

Não. Os países africanos começam agora a se apressar para organizar tropas.

Opération Serval Mali Janvier 2013

É certo considerar que existe uma guerra imperialista em curso?

Sim. A África hoje é o continente que tem mais recursos naturais, alguns extremamente raros e os países europeus desenvolvidos querem essas riquezas.

E os chineses?

São recém-chegados. O grande medo do Ocidente é que coloquem as mãos sobre esses recursos. Para que a China não esteja lá, se multiplicam uma série de práticas. Uma delas são as intervenções chamadas de humanitárias. Também há o estímulo a guerras civis e a guerras separatistas, para que ocorram situações em que as empresas ocidentais possam utilizar esses recursos. A guerra econômica avança mascarada. Falamos todo o dia de guerras étnicas, humanitárias. Mas as questões são econômicas. É um novo imperialismo, no qual o velho imperialismo do mundo ocidental tem que lidar com o apetite dos países emergentes, sendo a China o principal exemplo.

Como é esse novo imperialismo em comparação com o do século 19?

No século 19 as potências coloniais não conheciam os recursos que estavam no subsolo. Hoje, conhecem. Sua estratégia é dizer que a África em geral pertence ao Ocidente. E que a China –e, depois de amanhã, a Índia, o Paquistão, Turquia, talvez o Brasil– e esses outros países emergentes não têm nada a ver com a África. Isso, eventualmente, pode até desandar num conflito de caráter mundial entre a China e as velhas potências.

Isso seria possível?

Não creio que seja imediatamente possível, mas não estou convencido de que isso seja impossível. Todas essas potências que atuam no continente africano são superarmadas, têm arsenais importantes, bombas atômicas. Nós, africanos, não temos nada.

O que vai acontecer? A guerra será longa? Os EUA vão intervir?

É difícil a situação. A França conseguiu assegurar um número de pontos com cerca de 2.000 soldados. É preciso lembrar que a região é quase desértica. Apesar da experiência colonial da França nesse ambiente, os rebeldes conhecem melhor o lugar do que as tropas francesas.
A opinião pública e parte da classe política francesa –à direita e a esquerda– começaram a dizer que a guerra dura muito. Há o temor de um novo Vietnã. A síndrome do Vietnã está nas mentes. Há também os problemas propriamente franceses: a crise econômica, o desemprego, a inseguridade. Alguns dizem que o governo deveria cuidar desses problemas antes de qualquer coisa.
Não estou certo de que os Estados Unidos irão intervir. A França é o único país que tem na região um número considerável de cidadãos. Não creio que os EUA e a União Europeia se envolvam numa guerra tão incerta. Não é normal que, depois de 50 anos depois da independência, as antigas potências coloniais façam ações pela ordem e pela lei na África Ocidental.

A pressão interna na França contra a guerra vai aumentar?

Sim. Porque o presidente socialista teve posições contra a Françafrique [ação neocolonial da França na África]. Se a guerra durar muito tempo, as pessoas vão começar a se interrogar sobre as suas razões. A esquerda radical, com Jean-Luc Mélenchon [candidato da Frente de Esquerda nas últimas eleições, ele obteve 11% dos votos], disse que essa intervenção se parece muito com a Françafrique.
Não sei se pode dizer isso já. A ação no Mali pode isolar o governo atual em relação à esquerda. E também em relação aos ecologistas. Ao mesmo tempo, a direita e a extrema direita vão jogar para defender os interesses de certas empresas de urânio, de minerais etc. É uma situação muito difícil, e o governo francês vai querer fazer a operação militar o mais rapidamente possível.

O conflito está relacionado com a derrubada de Gaddafi?

A questão não é étnica, dos tuaregues. É verdade que, quando a França e os outros países decidiram eliminar Gaddafi e o assassinaram, não puderam conter todas as consequências dessa intervenção. O regime de Gaddafi representava um ponto de estabilidade na África do Norte, mas também era a passagem entre a África subsaariana e a mediterrânea. Derrubando Gaddafi e improvisando essa situação supostamente democrática –mas que não representa ninguém–, eles destruíram o Estado da Líbia. Destruíram o controle sobre as armas, a circulação de pessoas, os serviços de segurança etc. As armas reativamente sofisticadas, os veículos militares estão nas mãos de grupos armados, que sabem que ninguém controla essa região há muito tempo.
A guerra do Mali é uma consequência do afundamento do regime de Gaddafi. É uma consequência da estupidez do Ocidente. Estão perto de tombar sobre os próprios pés. O que se passa no Mali hoje pode se reproduzir amanhã com a mesma violência no Niger, na Mauritânia, no Chade, e ninguém tem o poder de controlar isso.

Como reage a população do Mali?

A população é muçulmana e pratica um islamismo muito moderado há muito tempo. A presença importante dos tuaregues nesse conflito –e eles não estão sozinhos– representa um risco extremamente grave. Há tuaregues que não tem nada a ver com isso, são livres, independentes. Isso pode levar até a um tipo de racismo. É particularmente sério o que já começou a ser visto em um certo número de vilas. Há mortes, assassinatos de tuaregues. Isso pode se enraizar na região e durar dez, 20, 30 anos, pois é uma região muito difícil de controlar.
E a solução das armas não é a verdadeira solução. A solução é política, democrática, com uma nova forma de Estado, descentralizado, dando possibilidade para a população dividida pelas fronteiras coloniais se organizar e tornar possível uma integração.
A crise atual no Mali mostra que os africanos precisam superar as divisões. São mais de 50 Estados. Não é possível. No Mali é necessário ouvir o que sindicatos, ONGs, intelectuais têm a dizer. Uma parte desses líderes se opõe à intervenção francesa e prefere uma solução africana. Não é normal que um estrangeiro entre na nossa casa, que ataque o nosso próprio irmão.

FONTE: Folha de S. Paulo

VEJA TAMBÉM:

Tagged with:
 

Sob as areias do Saara

Islamist_groups_WestAfrica_big

Leonam dos Santos Guimarães

Doutor em engenharia naval e mestre em engenharia nuclear, é assessor da Presidência da Eletrobras Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica

 

vinheta-opiniao-forteApesar do acidente de Fukushima, a demanda por energia elétrica nuclear continua a crescer: 2013 começa com 65 usinas em construção, outras 160 em fase de planejamento e mais 340 propostas. A demanda por urânio será, portanto, cada vez mais elevada. Ao contrário do petróleo, a maior parte do urânio que alimenta as mais de 400 usinas nucleares em operação no mundo vem de regiões politicamente estáveis.

Com o aumento da demanda, uma parte cada vez mais significativa da oferta virá de regiões instáveis. Antecipando esse aumento de demanda (e de preços), as empresas do setor vêm fazendo nos últimos anos movimentos estratégicos, entre os quais a busca por fontes em locais inexplorados, o que inclui o norte do Mali, onde a França está hoje em guerra contra os insurgentes apoiados pela Al-Qaeda. Não há produção de urânio no Mali, mas empresas que lá têm investido na prospecção e pesquisa nos últimos anos, que não são poucas, devem estar arrependidas da decisão.

As quantidades envolvidas, entretanto, dificilmente justificariam uma “teoria da conspiração” sobre a França estar indo à guerra para proteger o acesso ao urânio. Entretanto, a economia política da extração de recursos naturais, incluindo urânio, bem poderia de fato ser um fator da decisão francesa sobre como responder à insurgência no oeste da África em geral. A recente tomada manu militari de uma planta de gás natural na Argélia prenuncia que o alcance da Al-Qaeda na região vai além de Mali e que os islamistas têm as instalações de exploração de recursos naturais como alvo.

O principal foco de preocupação da França é o Níger, único centro de produção de urânio em atividade no norte da África. Entretanto, as fronteiras nacionais no Saara e do Sahel existem, em grande parte, apenas nos mapas. Como no Mali, os tuaregues do Níger têm pressionado o governo para uma maior participação dos rendimentos de extração mineral, inclusive da produção de urânio. Em 2011, o Níger produziu 4.400 toneladas de urânio, sendo o quarto maior produtor do mundo. Duas minas em que a Areva é o principal acionista fornecem cerca de um terço do urânio consumido pelas centrais nucleares da França e grande parte da produção de urânio total da Areva.

No ano passado o governo do Níger, com o objetivo de aumentar a produção para mais de 5 mil toneladas/ano, teria pressionado a Areva para abrir uma mina de Imouraren, um local onde sete funcionários da empresa foram sequestrados pelos rebeldes em 2010. A tomada de reféns foi numa instalação de produção de urânio localizada no deserto, a 900km a nordeste da capital, Niamey. A segurança deficiente, fornecida por empresas dirigidas por ex-rebeldes tuaregues desarmados teria permitido aos insurgentes acessar suas vítimas facilmente. Os rebeldes executaram um refém francês e a Al Qaeda assumiu a responsabilidade. Logo após os sequestros, os militares franceses intensificaram sua presença aérea no Níger. Em 2007, ao mesmo tempo que os investidores estrangeiros estavam se preparando para prospecção de urânio no Mali, o governo do Níger terminou sua parceria exclusiva com a indústria francesa.

O Níger exigiu mais compensações da França pelas operações de mineração de urânio, vendeu no fim de 2012 dezenas de direitos de prospecção a investidores não franceses e apoiou as demandas dos tuaregues para compartilhar as receitas da produção de urânio da Areva. A concessão de direitos de prospecção para uma indústria chinesa gerou tensões entre tuaregues, levando ao sequestro de profissionais chineses que atuavam na área. Os tuaregues fizeram, em 1995, um acordo com o governo do Níger para cessar o conflito então existente em troca de 10% e 15% das receitas provenientes das operações de mineração de urânio.

Dois anos mais tarde, um grupo separatista retomou a violência contra o Estado, seguido por um acordo de paz que, por sua vez, deu origem a novos conflitos, devido à escassez de água, condições de trabalho e degradação ambiental. Em 2007 foi formado um movimento separatista tuaregue, que exigiu maior compensação das receitas do urânio e melhor proteção ambiental. O aumento da insurgência apoiada pela Al Qaeda poderia ser explicado pelos tuaregues terem buscado um aliado mais forte para fazer valer suas reinvidicações. A resolução do conflito atual apenas atenuará as ameaças de segurança de mineração na região no longo prazo, pois não só urânio, mas também outros minérios estratégicos, sob as areias do deserto, estão em jogo.

FONTE: Correio Braziliense via Resenha do Exército

Tagged with:
 

França em Mali

Mali

vinheta-clipping-forte1250px-Flag_of_Mali.svg1. No final do século XIX, Mali ficou sob o controle da França, tornando-se parte do Sudão francês. Em 1960, Mali conquistou a independência.

2. Com uma população de 15,5 milhões de habitantes, que se distribuem sobre o amplo território de 1,24 milhões de km², o Mali é um dos 25 países mais pobres do mundo. Seu PIB chegou no ano passado a US$ 16,0 bilhões, correspondentes a um valor per capital de tão somente US$ 1.100. Não tem acesso ao mar, e é muito dependente na sua renda das exploração do ouro e da exportação de produtos agrícolas, bem como da ajuda financeira mundial.

3. O avanço da guerrilha muçulmana (islâmicos radicais apoiados pelo Irã) do norte prossegue sobre os territórios do sul e é composta em boa parte de mercenários provenientes da Líbia. A área tomada pelos rebeldes, classificada como estado de Azawad, e um pouco maior que a França em território e compreende cerca de dois terços da área do país africano. Desde o início da crise, o Mali já enviou quase 150 mil refugiados aos países vizinhos.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia / IMAGEM: Google

Tagged with:
 

O presidente francês, François Hollande, afirmou nesta sexta-feira durante sua visita surpresa ao Afeganistão que a retirada das tropas francesas do país, programada para ocorrer até o final de 2012, será feita em parceria com as autoridades da nação asiática e com os aliados da Otan, mas que Paris manterá uma presença militar estratégia no local.

Em entrevista coletiva na embaixada da França em Cabul, o chefe de Estado francês ressaltou que chegou a “hora da soberania afegã”. Hollande explicou ainda que as tropas de combates deixarão o Afeganistão, mas que a França manterá uma presença militar no país, que se dedicará a “formação dos quadros do Exército afegão e estará presente nos hospitais e no aeroporto”.

Além disso, Hollande disse que a França trabalhará para que os afegãos tenham uma força policial “mais eficiente possível”. No final do período de “transição” não haverá “mais ações militares” de nenhum tipo, mas existirá uma “cooperação mais avançada” que a atual, em setores como educação, cultura, arqueologia e saúde, prometeu Hollande.

O objetivo é fazer com que “nossas empresas” venham para o Afeganistão em condições seguras, explicou o presidente, que ressaltou os laços que unem os dois países.
Hollande, que viajou em segredo por questões de segurança, fez estas declarações na capital Cabul, após visitar a base de Nijrab, na província de Kapisa.

Neste local, ele explicou aos militares franceses, (cerca de dois terços dos 3.500 soldados das forças internacionais no país), que “o compromisso da França com o Afeganistão entrava numa fase de “transição”, na qual “se desenvolverá uma cooperação civil a longo prazo”, de acordo com um “tratado de amizade” assinado em janeiro.
A “decisão soberana” de retirar as “tropas combatentes francesas respeitará todas as condições de segurança para os soldados, ressaltou o presidente.

Hollande acrescentou que a retirada francesa seria “ordenada e coordenada” e lembrou que era um “desafio importante em termos de organização e logística, uma operação com riscos que devem ser controlados”.
O chefe de Estado viajou ao Afeganistão por considerar necessário “explicar também às tropas que sua missão estará em breve terminada, e que em ordem e com grande orgulho vamos nos retirar e passar aos afegãos a gestão de seu território e a defesa de sua soberania”, disse para a rádio “France Info”.

“Penso que é um bela conquista para cada um, saber que essa passagem foi superada”, acrescentou.
Hollande, que viaja acompanhado dos ministros da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e das Relações Exteriores, Laurent Fabius, ressaltou que a retirada militar será feira em sintonia com os aliados, em particular com o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, e com as autoridades afegãs.

A operação terá três fases: a primeira será a retirada das forças combatentes (cerca de três mil homens) até o final deste ano; as unidades encarregadas de proteger e organizar a retirada deixarão o país em 2013; e depois disso permanecerão no Afeganistão apenas militares com o objetivo de treinar e cooperar com o Exército e a polícia local.

Desde que assumiu a presidência francesa, no dia 15 de maio, Hollande não parou de viajar. Ele já foi para Berlim, participou da cúpula da Otan e do G8 nos EUA, onde disse que iria cumprir sua promessa de retirar as tropas francesas do Afeganistão, e nesta semana esteve em Bruxelas na reunião informal da União Europeia.

LÚCIA MÜZELL – Direto de Paris

A vitória do socialista François Hollande nas eleições presidenciais francesas marca um momento histórico: desde a Revolução Francesa, a esquerda nunca esteve tão forte no país. O Partido Socialista já liderava as presidências de regiões equivalentes aos governos dos Estados brasileiros e caminha para recuperar a maioria parlamentar na Assembleia Nacional, nas eleições legislativas de junho.

O resultado de hoje, entretanto, será apenas a primeira etapa de um governo difícil, iniciado em plena crise econômica e com as urnas tendo exprimido um desejo de mais rigor em áreas como a segurança e a imigração. Desafio nada fácil, portanto, para a esquerda, que volta à presidência depois de 17 anos ausente do Palácio do Eliseu.

O cientista político Eddy Fougier, especialista na esquerda e em política europeia, considera que para encarar o novo posto, Hollande será obrigado a adotar uma política de “sarkozysmo humano” – terá ter pulso forte na economia e alguns temas importantes para a direita, ao mesmo tempo em que terá uma preocupação social superior a do atual presidente, Nicolas Sarkozy. Esclareça na entrevista abaixo quais devem ser os primeiros passos do governo socialista.

O que se pode esperar de um governo socialista neste momento de crise na França e na Europa?
Não há muita coisa de diferente a esperar. Houve muitas promessas, mas imediatamente após a eleição, Hollande terá uma série de problemas econômicos a serem resolvidos. A partir já da segunda-feira feira, haverá uma grande expectativa sobre a reação dos mercados a essa eleição. A política do governo nomeado por François Hollande terá uma margem de manobra muito mais reduzida do que os socialistas imaginam.

O senhor acha que não está claro para a equipe socialista que o momento econômico não vai permitir levar um governo tipicamente de esquerda, pelo menos neste primeiro momento?
Sim, eles sabem disso. Mas há sempre uma tentação pelo voluntarismo, uma ideia segundo a qual a vontade política consegue reverter a situação, convencer os mercados e incitar os outros países europeus a nos acompanhar no projeto de favorecer o crescimento. Eu acho que eles vão ter que considerar profundamente as demonstrações dos mercados, da Alemanha e dos outros países antes de começar a colocar em prática uma política verdadeiramente socialista. Isso não vai nada fácil.

Você acha que François Hollande prometeu demais durante a campanha?
Ele vai ter que considerar a realidade. É verdade que durante uma campanha eleitoral, os políticos têm tendência a se afastar da realidade e sonhar, mas a realidade vai aparecer imediatamente na segunda-feira, depois na cúpula europeia, nas reuniões do G8 e da Otan. Isso sem excluir a possibilidade de conflitos internacionais, como é o caso da ameaça no Irã. Ou seja, a situação internacional e econômica vão rapidamente trazer os socialistas à realidade. Não é por isso que ele não vai aplicar a sua política, mas sabemos que as barreiras de orçamento e pressão internacional serão muito fortes.

Promessas como o aumento da alíquota de imposto dos milionários para 75% e a contratação de 60 mil novos funcionários públicos lhe parecem demagógicas?
Não acho que ele tenha sido cínico. Acho que ele não anunciou nada que não pretende cumprir. Ele vai tentar fazê-lo, mas vai ser preciso um certo jogo de cintura caso não seja possível cumprir. Se sabe que uma parte dos milionários planeja deixar a França para não ter de pagar tanto imposto, o que pode levar o governo socialista a estabelecer regras bem específicas para que essa promessa seja aplicada. Ou seja, não vai significar que ele não fez, mas sim que não será exatamente o que os militantes imaginavam. Ele não pode não cumprir uma promessa tão simbólica quanto foi essa, mas vai ter de adaptá-la de forma a não prejudicar a economia. O mesmo vale para a contratação de mais funcionários públicos, afinal é só olhar ao redor e ver que os outros países da zona do euro não estão conseguindo fazer milagres.

O senhor acha que a Frente de Esquerda, do candidato da extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon, terá algum peso em um governo Hollande?
O que me parece é que o governo que será nomeado por François Hollande terá de enfrentar uma quádrupla oposição potencial. Isso vai ser muito complicado. Haverá a oposição clássica da direita, a da extrema direita, mas também uma oposição de esquerda, de Jean-Luc Mélenchon, que anunciou que se Hollande não cumprir suas promessas, haverá um “terceiro turno” nas ruas. Eu acho que, neste caso, poderemos ter na França movimentos semelhantes aos que aconteceram na Espanha, de indignados. Também o centro vai estar desconfiado, porque apesar de o líder François Bayrou anunciar que escolheu Hollande, ele se manteve muito cauteloso, sobretudo sobre as questões de orçamento Ele foi bem claro: se Hollande for pouco rígido nas questões de orçamento, o centro vai se colocar como oposição. Não vai ser nada fácil convencer Jean-Luc Mélenchon e François Bayrou ao mesmo tempo.

Mas com que força a esquerda vai enfrentar essa pressão toda?
Depois da alegria da vitória, haverá uma pressão política nacional extremamente forte, mesmo se a esquerda passar a ser maioria no Parlamento nas eleições legislativas de junho e se a esquerda já ocupa a maioria das presidências de regiões semelhante ao posto de governador de Estado, no Brasil. Jamais na história francesa pós-Revolução a esquerda esteve com tanto poder no país. Mas ao mesmo tempo, jamais a oposição foi tão forte. Outro desafio importante é que se a esquerda decepcionar, poderá favorecer a candidatura de Marine Le Pen, da extrema direita, nas próximas eleições presidenciais, em 2017.

Faz 17 anos que a esquerda está de fora da presidência na França. Que evoluções o Partido Socialista apresenta desde que François Mitterrand deixou o poder, em 1995?
É paradoxal, mas eu diria que a esquerda francesa não evoluiu muito. É espantoso, porque a esquerda socialista francesa continua com uma relação dúbia com a economia de mercado. A esquerda da época de François Mitterrand queria romper com o capitalismo, quando ele foi eleito, mas depois ela se adaptou à economia de mercado e adotou uma linha bem mais social-democrata. Entretanto, ela não dizia isso de uma forma explícita, como fizeram o Partido Trabalhista, no Reino Unido, ou o Partido Social-Democrata alemão, por exemplo. Desde então, a esquerda francesa se manteve nessa ambiguidade, como mostra a promessa de Hollande de taxar em 75% da renda dos ricos. Na França, existe uma desconfiança sobre o capitalismo – Hollande disse com todas as letras que não gosta dos ricos. E isso não se deve unicamente ao fato de que esquerda francesa foi muito influenciada pelo marxismo, mas há também uma influência cristã segundo a qual não se deve gostar nem de dinheiro, nem dos ricos – como aconteceu no Brasil, aliás. Nesta questão, a esquerda não evoluiu muito.

Mas existe um forte polo ao centro no partido, que tinha na figura de Dominique Strauss-Kahn o seu nome mais forte – e era justamente ele quem deveria ter sido o candidato socialista nestas eleições.
Sim, certamente. Eles têm um polo mais liberal, pessoas que hoje têm um papel importante na campanha de Hollande, como Manuel Valls, que é o responsável pela comunicação do candidato, e também Pierre Moscovici, o coordenador da campanha. Mas o verdadeiro sinal que vai indicar que tipo de governo ele vai querer será a nomeação do governo e, principalmente, do primeiro-ministro. Se for Manuel Valls, ele terá optado pela esquerda que eu chamaria de “realista”. Mas se for Martine Aubry secretária-geral do Partido Socialista, será um outro tipo de esquerda, mais tipicamente francesa. É preciso lembrar, contudo, que Manuel Valls não teve bons resultados nas prévias socialistas que definiram quem seria o candidato, no ano passado. Por outro lado, Arnaud Montebourg, um dos nomes mais à esquerda no PS, bastante crítico à globalização e ao capitalismo, alcançou uma boa votação. Na França, um candidato socialista sempre deve reafirmar os valores da esquerda clássica, de independência em relação aos mercados financeiros, para conseguir um resultado importante.

Não houve uma mobilização forte dos militantes em torno da candidatura de François Hollande ao longo de toda a campanha – muitos afirmam que o fator mais forte da sua vitória terá sido a grande rejeição a Sarkozy. Como essa pouca mobilização poderá influenciar um governo que retorna ao poder depois de tanto tempo?
A rejeição é muito forte, certamente. Mas diante de uma vitória confortável, temos que nos perguntar sobre se não há, de fato, uma vontade de rever a esquerda no poder. Terá sido mais uma vontade de mudança ou a vontade de votar neste candidato específico? A avaliar. E a resposta terá de ser considerada na hora da escolha do primeiro-ministro. As eleições legislativas de junho também serão determinantes para essa resposta. A possibilidade é alta de que, com a vitória de Hollande, o Partido Socialista consiga a maioria absoluta na Assembleia Nacional. A força , ou não, dessa segunda vitória vai acabar com as últimas dúvidas sobre o apoio, ou não, da população à esquerda neste momento. Ou seja, nas eleições legislativas, não haverá mais esta dúvida sobre se o eleitorado está votando contra Sarkozy – mas sim se quer, de fato, o Partido Socialista.

O senhor vê esta eleição presidencial como uma etapa de um governo que vai se desenhar ao longo de algumas semanas, então?
Sim, ele vai ser obrigado a orientar a política dele de acordo com estes próximos acontecimentos. François Hollande poderá – ou será obrigado, talvez – a fazer uma política de “sarkozismo humano”, ou seja, ser obrigado a promover uma política rigorosa sob o ponto de vista econômico, firme nas questões de segurança, mas com mais justiça social e menos divisão da população. Ou seja, algo semelhante a Tony Blair, no Reino Unido, que teve de fazer um “tatcherismo humano”. No entanto, repito, para François Hollande vai ser ainda mais difícil porque a sua margem de manobra é realmente muito fraca.

O senhor acha que o retorno da esquerda ao poder na França, a segunda maior economia da zona do euro, poderá desencadear uma onda de governos de esquerda nos próximos anos nos outros países europeus, em oposição à onda de direita que dominou o continente nos últimos anos?
A possibilidade de uma onda sempre precisa ser considerada com muita prudência. Na eleição francesa, constato que estamos na tendência europeia que é a de punir os governos que chegam ao fim de mandatos: eles estão todos perdendo. Foi o que aconteceu na Grã-Bretanha, com Gordon Brown, depois na Espanha, com José Luis Rodrigues Zapatero, com a Grécia, com Portugal, e tantos outros – seja lá qual for o partido. Na Espanha isso foi interessante, porque havia um sentimento de “qualquer um, menos Zapatero”, e Mariano Rajoy conseguiu se eleger sem qualquer esforço ou promessa, mais ou menos como Hollande. Os atuais governantes são acusados de estarem na origem ou de terem agravado a crise. Outra tendência europeia neste momento é a subida do populismo, tanto de direita quanto de esquerda. Talvez a esquerda seja uma nova esperança neste momento, mas ainda não dá para dizer isso. A tendência maior ainda é por governos de direita, pelo menos por enquanto. Lembro que ainda não houve qualquer consequência política do movimento dos indignados, que foi, entretanto, muito forte em alguns países da Europa. É claro que as forças de esquerda europeias estarão acompanhando de perto o que acontece na França, mas para que uma onda vá adiante, vai ser necessário ver o que vai acontecer nas eleições alemãs. Se Angela Merkel perder o poder para o Partido Social Democrata, poderemos dizer que começa a acontecer uma onda.

FONTE: Terra

Tagged with:
 

ONU debate esta semana relatório com detalhes inéditos sobre planos iranianos

Denise Chrispim Marin

Os EUA e países europeus pressionam Israel a desistir de qualquer plano de ataque a instalações nucleares do Irã. Diante de novas evidências sobre a natureza militar do programa iraniano, que serão divulgadas pela ONU esta semana, potências ocidentais insistiram ontem na adoção de sanções mais duras contra Teerã como alternativa a um ataque – cujas consequências seriam “irreparáveis” e “desestabilizadoras” no Oriente Médio.

Na semana passada, a imprensa israelense divulgou que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está tentando persuadir seu gabinete a lançar um ataque-surpresa contra o Irã. Vozes de dentro do governo de Israel, incluindo o alto escalão do Exército e da inteligência, seriam contra a ofensiva.

Em meio ao crescimento do temor de uma ação israelense, a França alertou ontem para o risco de uma guerra. “Podemos ainda fortalecer as sanções para pressionar o Irã. Vamos continuar nesse caminho, pois uma intervenção pode criar uma situação totalmente desestabilizadora”, afirmou ontem o chanceler de Paris, Alain Juppé. “Temos de fazer de tudo para evitar o irreparável”, completou.

Essa linha de ação havia sido defendida pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Barack Obama, dos EUA, no dia 3, em Cannes. No encontro bilateral, os dois concordaram com o aumento da pressão sobre o Irã.

A possibilidade de Israel atacar o Irã tem sido classificada oficialmente pela Casa Branca como “especulação”. Mas, nos bastidores, há alto grau de preocupação. Uma autoridade de “alto escalão” de Washington disse à CNN em condição de anonimato que há uma “absoluta preocupação” em relação às intenções de Israel.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o secretário de defesa dos EUA, Leon Panetta, visitou Israel em outubro com o objetivo de conseguir um compromisso de Netanyahu de não atacar o Irã sem o aval dos EUA. Panetta alertou o premiê e o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, que Washington “não quer surpresas”. Mas Netanyahu e Barak foram evasivos com Panetta e não prometeram pedir a bênção dos EUA antes de uma eventual ação contra Teerã.

Em recente entrevista à rede de televisão CNN, Barak afirmou haver preferência no governo israelense pela solução diplomática. Mas, completou ele, nenhuma opção está excluída.

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou na sexta-feira acreditar na possibilidade de seu país empregar a força militar contra o Irã. “Os serviços de inteligência de vários países estão olhando o relógio e alertando seus líderes sobre o fato de não restar muito tempo.”

Nações Unidas

Esta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deverá apresentar um relatório sobre o programa nuclear iraniano, no qual concluirá que existem crescentes indícios de que Teerã está de fato em busca da bomba. O documento deve trazer um grau de detalhamento inédito sobre o programa iraniano.

A agência internacional teria obtido imagens por satélite de um contêiner de aço em Parchin, na periferia de Teerã, onde ocorreriam testes atômicos longe da supervisão dos inspetores. Potências ocidentais esperam usar o novo documento da ONU para conseguir aprovar mais sanções contra Teerã no Conselho de Segurança.

No sábado, o chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou ser “desprovida de fundamento e de autenticidade” a vinculação entre os testes de mísseis e o programa nuclear do país.

FONTE: O Estado de São Paulo

PARIS e LONDRES – Em uma demonstração de que os esforços da comunidade internacional não vão se limitar à ofensiva militar e à ordem de prisão contra Muamar Kadafi, o porta-voz do Exército francês confirmou, nesta quarta-feira, o país mandou armas para os rebeldes líbios. Reportagem publicada pelo jornal “Le Figaro” informou que a França está fornecendo armamento para rebeldes que atuam nas Montanhas Ocidentais da Líbia e tentam chegar a Trípoli, onde Kadafi resiste a três meses de guerra civil.

O coronel Thierry Burkhard confirmou que o envio de aramas aconteceu no início de junho, quando civisis foram cercados por forças do ditador, que se recusavam a autorizar a passagem de ajuda humanitária. Segundo o porta-voz do Exército, as armas foram lançadas de paraquedas nas montanhas de Nafusa.

Entre elas havia lançadores de foguetes, rifles de assalto, metralhadoras e mísseis antitanque. A decisão de enviar armas sem consultar os parceiros da Otan ocorreu “porque não havia outra forma de proceder”, disse uma fonte de alto escalão ao “Le Figaro”.

Rebeldes já receberam US$ 100 milhões de ajuda financeira internacional
No Reino Unido, o ministro de Relações Exteriores, William Hague, disse a parlamentares que já foi feito o primeiro pagamento de ajuda aos rebeldes, no valor de US$ 100 milhões. Em um encontro nos Emirados Árabes Unidos no início do mês, o grupo internacional que se uniu para discutir a situação da Líbia prometeu repassar aos rebeldes mais de US$ 1,3 bilhão.

- Na semana passada, eles receberam a primeira doação internacional (…) por meio do mecanismo de financiamento temporário estabelecido pelo grupo de contato para combustíveis e salários – disse Hague.

A rebelião contra os 41 anos de regime de Kadafi fez apenas ligeiros progressos desde que começou a receber apoio dos bombardeios aéreos da Otan, há três meses, mas agora os rebeldes dizem estar se aproximando da capital.

No domingo, o grupo que atua nas Montanhas Ocidentais, que ficam a sudoeste de Trípoli, obteve sua maior vitória ao chegar à localidade de Bir al Ghanam, onde agora enfrenta as tropas governistas.

FONTE: O Globo / Agências Internacionais

Tagged with:
 

Paris, 01 abr — A França e os Estados Unidos declararam hoje que o presidente cessante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo deve “retirar-se imediatamente” da vida política e ceder o seu lugar a Alassane Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional.

Em comunicado, o Eliseu apela ainda a “todas as forças em presença” no país a respeitar a “segurança dos civis” e avisa que os suspeitos de abusos “não escaparão às suas responsabilidades penais”.

De acordo com a presidência francesa, “é urgente pôr termo em definitivo à crise originada pela recusa de Laurent Gbagbo em reconhecer a sua derrota na segunda volta da eleição presidencial de 28 de novembro de 2010″. (Pedro Caldeira Rodrigues)

FONTE: LUSA

Tagged with:
 

Ministro francês defendeu ritmo da operação e aponta que ação não durará meses

PARIS – A coalizão das potências ocidentais pode levar dias ou semanas para destruir as Forças Armadas de Muamar Kadafi, mas não meses, disse nesta quinta-feira, 22, o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppe. Aviões de guerra da coalizão atacaram a Líbia pela quinta noite seguida nesta quinta-feira, mas ainda não conseguiram impedir que os tanques de Kadafi sigam bombardeando cidades controladas pelos rebeldes ou desalojar suas forças de um ponto estratégico no leste do país.

“A destruição da capacidade militar de Kadafi é uma questão de dias ou semanas, certamente não de meses”, disse Juppe a jornalistas.

Ele também defendeu o ritmo da operação, acrescentando: “Você não pode esperar que consigamos atingir nosso objetivo em apenas cinco dias.”

A França liderou a intervenção sancionada pela ONU visando interromper a contraofensiva de Kadafi contra as forças rebeldes, que querem o fim de seu regime autoritário de 41 anos.

Agora, Paris está pressionando, junto com Reino Unido, pela criação de um grupo de contato para discutir a governança política e a estratégia na missão, enquanto a Otan realiza a coordenação militar do dia-a-dia. O grupo seria composto dos principais países envolvidos na operação e outros, como as nações árabes que a apoiam.

Juppe disse que os líderes árabes precisam compreender que a onda de protestos na região mudaria as coisas para sempre e que os países, incluindo a Arábia Saudita, têm de considerar as aspirações do povo árabe.

“O processo que está ocorrendo no mundo árabe é irreversível. As aspirações do povo devem ser consideradas em todos os lugares, incluindo na Arábia Saudita”, afirmou.

FONTE: Estadão/Reuters

Tagged with:
 

Mais de 400 cidadãos franceses, dos cerca de 3 mil que se calcula que ainda estão em Tóquio, deixaram o Japão em dois voos fretados pelo Governo, informou nesta quinta-feira o Ministério das Relações Exteriores.

Um avião decolou nesta quinta-feira do Japão para a Coreia do Sul com 241 passageiros a bordo, enquanto 185 passageiros aterrissaram na manhã de quarta-feira no aeroporto de Charles de Gaulle, em Paris, entre eles 80 crianças de menos de 12 anos, ressaltou o ministério em comunicado.

Além disso, está previsto que outro avião parta esta tarde com os franceses que “desejem deixar o país” asiático, diante do risco do aumento dos níveis de radiação em Tóquio, devido aos escapamentos de vapor na central de Fukushima.

A companhia aérea Air France reforçou a capacidade de seus aviões e, desde quarta-feira, opera dois voos diários desde o Japão.

O ministério voltou a recomendar aos franceses que vivem nas regiões afetadas que “partam para o sul do país ou retornem à França”.

Além disso, ressaltou que, embora até agora não se tenha contabilizado nenhuma vítima francesa entre os mais de 5,4 mil mortos pelo terremeto e tsunami, o paradeiro de três dos franceses que vivem na região de Miyagi-Ken, ao norte da cidade de Fukushima, permanece desconhecido.

Terremoto e tsunami devastam Japão

Na sexta-feira, 11, o Japão foi devastado por um terremoto que, segundo o USGS, atingiu os 8,9 graus da escala Richter, gerando um tsunami que arrasou a costa nordeste nipônica. Fora os danos imediatos, o perigo atômico permanece o maior desafio. Diversos reatores foram afetados, e a situação é crítica em Fukushima, onde existe o temor de um desastre nuclear.

Juntos, o terremoto e o tsunami já deixaram mais de 5,4 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Além disso, os prejuízos já passam dos US$ 200 bilhões. Em meio a constantes réplicas do terremoto, o Japão trabalha para garantir a segurança dos sobreviventes e, aos poucos, iniciar a reconstrução das áreas devastadas.

FONTE: Terra/EFE

Tagged with:
 

Paris, 04 jan (Lusa) – Telegramas divulgados pelo WikiLeaks e publicados hoje pelo diário norueguês Aftenposten indicam que a França é o país mais ativo em matéria de espionagem industrial, relegando para segundo plano países como a China ou a Rússia.

Num dos telegramas confidenciais da diplomacia norte-americana que o diário norueguês cita – e que merece grande destaque na imprensa francesa -, a França é descrita como o “Império do Mal” no que diz respeito ao roubo de tecnologia.

“A espionagem francesa é tão extensa que os danos (que provoca) à economia alemã são mais elevados do que os danos provocados pela Rússia ou a China”, de acordo com um telegrama atribuído à embaixada dos Estados Unidos em Berlim.

Uma das pessoas citadas no correio diplomático norte-americano e que denunica a situação é Berry Smutny, diretor geral da OHB Technology, uma empresa alemã ligada ao sector de satélites.

“A França é o Império do Mal no que toca ao roubo de tecnologia, e a Alemanha sabe disso”, terá referido o empresário alemão em outubro de 2009, numa conversa privada com diplomatas norte-americanos.

O diário norueguês foi o último jornal a receber a totalidade dos 250 mil telegramas da diplomacia norte-americana, que o portal WikiLeaks cedeu em exclusivo aos cinco maiores jornais internacionais (The Guardian, El País, New York Times, Le Monde e Der Spiegel).

FONTE: MSN

Tagged with:
 

Paris e Londres anunciam cooperação inédita em defesa

LONDRES, 1 Nov 2010 (AFP) -França e Grã-Bretanha assinarão nesta terça-feira acordos de cooperação em matéria de Defesa de uma abrangência sem precedentes, que preveem a criação de uma força militar conjunta e o uso compartilhado de porta-aviões e laboratórios nucleares.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, firmarão dois tratados durante uma reunião em Londres, anunciou a presidência francesa.

O acordo permitirá a simulação do funcionamento do arsenal nuclear dos dois países a partir de 2014, em uma instalação conjunta na região da Borgonha.

Este novo centro de simulação será construído em uma instalação já existente da Comissão de Energia Atômica (CEA), em Valduc (Côte-d”Or), 45 km a noroeste de Dijon, no centro da França, começando a funcionar em 2014, mas com obras previstas até 2022, destacou a presidência francesa.

A unidade permitirá que cientistas franceses e britânicos “projetem os resultados das ogivas e materiais nucleares” a disposição dos dois Exércitos com o objetivo de garantir “a viabilidade, a segurança e a proteção a longo prazo de nossos arsenais nucleares”.

O novo laboratório de Valduc será complementado com um centro de pesquisas franco-britânico na localidade de Aldermaston, na Grã-Bretanha.

Esta “cooperação sem precedentes” se fará “respeitando totalmente a independência das forças de cada país”, destacou Paris.

França e Grã-Bretanha poderão seguir como atores militares de dimensão internacional, mas adaptados a uma era de rigor orçamentário. Londres e Paris “conservarão o direito de deslocar suas forças armadas de forma independente”, destacou um responsável britânico, que pediu para não ser identificado.

Os tratados incluirão a criação de “uma força expedicionária conjunta”, com entre 3.500 e 5.000 homens, que deverá iniciar seu treinamento no próximo ano. Esta nova força não será permanente e ficará encarregada de operações específicas, sob comando único.

“Anunciaremos o que chamamos de força expedicionária conjunta, e não uma força militar permanente. É uma conjunção de forças armadas dos dois países que treinam e atuam juntas”, disse o funcionário britânico.

Os dois países compartilharão ainda seus porta-aviões, a partir de 2020. A manutenção do novo avião de transporte A400M também será dividida.

Ao comunicar nesta segunda-feira os acordos aos deputados, David Cameron tratou de tranquilizar os “eurocéticos” de seu partido conservador, que temem um abandono de prerrogativas em benefício da União Europeia (UE). O premier garantiu que o acordo com a França é fruto dos mesmos princípios adotados nas discussões sobre o orçamento e as reformas institucionais da UE.

“O princípio é o mesmo. Associação sim, mas sem perder a soberania”.

No domingo, o ministro da Defesa, Liam Fox, justificou a aproximação com a necessidade de se fazer uma “economia importante” em época de austeridade orçamentária, mas garantiu que trata-se de algo puramente bilateral, descartando o início de um “exército europeu que não queremos”.

FONTE: Terra / AFP / COLABOROU: Roberto Bozzo

Tagged with:
 

O Exército Francês eviou seu veículo blindado de infantaria para o Afeganistão no esforço de melhorar sua disponibilidade operacional na região.

O diretor do programa VBCI disse que o 35 Regimento de Infantaria foi a primeira unidade do exército a testar o VBCI, que provê apoio de fogo ampliado e digitalização.

O VBCI tem 7,8m de comprimeiro, pesa 28 toneladas, acomoda um piloto e um artilheiro para operar um canhão automático de 25mm e transporta infantaria totalmente equipada.

O veículo provê transporte, proteção e apoio a grupos de combate de infantaria e a seus grupos de comando.

O VBCI recebeu upgrades contra IEDs, um kit de proteção contra RPG e modificações na torreta.

SAIBA MAIS:

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteUm suboficial francês morreu e um oficial ficou gravemente ferido em um ataque contra uma patrulha ocorrido nesta segunda-feira no vale de Alasay, no Afeganistão, anunciou o Palácio do Eliseu em um comunicado. Com isso, chega a 37 o número de militares franceses mortos na guerra no Afeganistão.

Conforme o comunicado da Presidência francesa, o militar “pagou com a vida o compromisso da França a serviço da paz e da estabilidade”. Os dois franceses foram atacados no momento em que patrulhavam, em companhia de uma seção do Exército afegão, o vale de Alasay, ao nordeste de Cabul.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, enviou condolências à família e colegas das vítimas e reafirmou o apoio ao povo afegão e condenar com firmeza a violência que castiga esse país.

Mais cedo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) já havia confirmado a morte de mais três militares americanos, sem dar detalhes sobre as circunstâncias. O número total de americanos mortos no Afeganistão apenas neste ano já chegou a dez, segundo contagem feita pela agência de notícias Associated Press.

O ano passado foi o mais violento para as tropas ocidentais no Afeganistão. Tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido perderam mais que o dobro de soldados dos anos anteriores, a vasta maioria morta em explosões de bombas na beira da estrada. As forças da Otan enfrentaram 7.200 bombas deste tipo ou explosivos improvisados em 2009, comparado a 81 em 2001.

O presidente americano, Barack Obama, determinou o envio de 30 mil homens adicionais para o Afeganistão como esforço para reverter o cenário, ainda neste primeiro semestre. Outros países da Otan devem enviar cerca de 7.000 soldados.

FONTE: Efe, France Presse e Folha Online

Tagged with:
 

Muito tem se falado recentemente sobre a parceria estratégica do Brasil com a França. Geralmente é mencionada a transferência de tecnologia, a modernização de equipamentos e até a parceria comercial e seus benefícios financeiros para o Brasil, mas fala-se nada ou muito pouco sobre a doutrina militar francesa e uma possivel influência sua nas FAs brasileiras.

Gostaria de tocar no assunto tão pouco debatido e tenho como intenção não uma crítica a determinado país, mas um momento de reflexão para os leitores mais leigos e até militares da ativa brasileiros. De maneira alguma digo que sou expert na matéria, mas trago o ponto de vista de um veterano de combate de alta intensidade, penso que tenho algo a oferecer àqueles que queiram ouvir.

Primeiramente vamos discutir o que é doutrina militar. Antes de tudo vale dizer que influências no processo estratégico são importantes e numerosas, a maioria é relativamente bem conhecida. Um exame detalhado de doutrina militar requer o entendimento de que doutrina tem ou deveria ter um impacto extraordinário no processo estratégico. Doutrina é uma matéria pouco definida, pouco compreendida e quase sempre confusa, apesar de ser de suma importância.

É possível encontrar várias definições de doutrina variando de país a país e corporação a corporação. Talvez a melhor definição, uma que é ao mesmo tempo precisa, lúcida e que não deixa fugir a importância do termo e também uma das mais simples: Doutrina militar é aquilo que acreditamos ser a melhor maneira possível de conduzir assuntos militares.

O uso da palavra “acreditamos” sugere que doutrina é o resultado do exame e interpretação da evidência disponível e também quer dizer que a interpretação está sujeita à mudanças de acordo com novas evidências, circunstâncias e tecnologias que são introduzidas.

A fonte principal de doutrina é a experiencia:: de certa forma doutrina é uma combinação daquilo que foi bem sucedido no passado. Porém, um dos maiores problemas é uma certa tendência dela estagnar-se e aí jaz a preocupação do autor. O pensamento intelectual militar francês não tem sido o estado da arte ou revolucionário há décadas. A experiência francesa após a 1GM reforça a noção do ponto citado, baseados na demonstrada superioridade da defesa durante a guerra das trincheiras, os franceses construíram as fortificações mais elaborados e sofisticadas do mundo, a Linha Maginot. A análise francesa das lições da história no pós-guerra não foi temperada pela mudanca tecnológica dos tempos.

Gostaria de citar alguns exemplos para ilustrar a estagnação ou tendência francesa a não liderar o campo intelectual militar. A Maioria já conhece as lições de 1940 e o fracasso doutrinário e estratégico francês, mas quantos de nós já estudamos sobre as operações francesas contra insurgência na Argélia?

Avancemos um pouco até a Guerra do Golfo, durante a fase da operação “Desert Shield”, o Reino Unido foi capaz de mobilizar 35.000 homens mais rápido do que a Franca foi capaz com seu contigente de 10.000 homens. Entre muitos dos fatores para isso, citados pelos próprios franceses, era uma doutrina logística falha e antiga, em comparação à dos ingleses.

A França em si também não foi a progenitora dos maiores avanços tecnológicos e intelectuais militares dos últimos anos, não foi em seus quartéis que surgiu a ideia e a implantação da debatida “Revolution in Military Affairs”, que sugere conhecimento situacional em tempo real ao comandante, por meios de comunicação, espaciais e inteligência, resumindo o famoso C4ISR (Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento). A França não liderou o emprego e desenvolvimento de UAV e UCAVs, “network-centric warfare”, a tendência mundial de emprego de Brigadas, como as unidades de combate principais hoje, ao invés da Divisão, nanotecnologia, capacidades stealth, robótica.

Em quesitos de guerra assimétrica mais uma vez o pensamento francês também nunca foi tido como o estado-da-arte, sendo os ingleses com suas experiências em Borneo e Irlanda do Norte, Vietnamitas contra os americanos e os próprios franceses e agora os próprios americanos com suas experiencias atuais e a reviravolta do cenário estratégico e tático no Iraque (sem contar as Filipinas e as Guerras das Bananas). Todos esses sao geralmente aceitos como os mais experientes em guerra assimetrica, de maior sucesso e de doutrina mais efetiva.

Vejam bem, esses são apenas exemplos para ilustrarmos o ponto de vista do autor. Mais uma vez quero ressaltar que a França não deixa de ser uma potência militar regional e que muitos países devem invejar suas capacidades. Devemos ressaltar também, como já citou o leitor “Hornet” no blog, que a razão de ser da parceria sempre foi o Submarino Nuclear Brasileiro, a futura jóia da coroa estratégica do país.

Então, partindo da concordância de que a parceria comercial, os equipamentos e a transferência de tecnologia são excelentes e de suma importância para o Brasil, o que se diz da parceria estratégica militarmente falando e do risco da absorção de uma doutrina e pensamento militar não acostumado a ser o progenitor de revoluções intelectuais e doutrinárias?

Aproveitemos o conhecimento tecnológico que virá, os equipamentos e sistemas de armas em si, mas devemos ter cuidado com a influência doutrinária. Afinal, já tivemos a influência francesa antes e constatamos que tal doutrina estava defasada e derrotada nos campos europeus. Tivemos que reaprender tudo, desde as organizações de pelotões, até as divisões às pressas com os EUA, durante a mobilização da FEB.

Tagged with: