As tropas sul-coreanas e americanas iniciaram nesta segunda-feira as manobras militares anuais, realizadas entre os dois países. As manobras são realizadas apesar da ameaça da Coreia do Norte de iniciar um ataque nuclear. Os norte-coreanos anunciaram, na semana passada, que anulariam o armistício que vigorava entre as duas Coreias, o que eleva a possibilidade de um conflito na região.
O regime norte-coreano diz que o seu vizinho do sul está fazendo exercícios para se preparar a uma invasão apoiada pelos americanos. A Coreia do Sul e os Estados Unidos contam com 28 mil soldados na península. As manobras são, em sua maioria, virtuais, mas elas mobilizam pelo menos 13 mil soldados coreanos e americanos na região.
Esses exercícios militares acontecem após uma semana de forte tensão na península: Pyongyang ameaça anular completamente o armistício da Guerra da Coreia, ocorrida entre 1950 e 1953. O líder Kim Jong-Un diz que o seu exército está pronto para um conflito total. Além disso, a Coreia do Norte alerta que os dois países estão à beira do que chamaram de “guerra termonuclear” e que os Estados Unidos, se expõem a um ataque “nuclear preventivo”. A linha de comunicação que mantinha o contato entre os dois vizinhos foi desligada pelos coreanos do norte na semana passada. Os dois países fazem testes com esta linha diariamente, mas o Norte não respondeu aos chamados nesta segunda-feira.
Na sexta-feira(8), o Conselho de Segurança da ONU votou novas sanções contra a Coreia do Norte, depois que o país realizou um teste nuclear em fevereiro e lançou, em dezembro, um foguete, considerado por Seul como um míssil.
Ameaças e demonstrações de força se tornaram comuns entre as duas Coreias nos últimos 50 anos. Mas, observadores julgam que a situação é tensa a tal ponto, que um simples incidente diplomático nos próximos dias pode ter graves consequências para os dois países.
Segundo o ministro sul-coreano da Defesa, o Norte prepara-se para realizar manobras internas ainda esta semana. Os quartéis situados nas ilhas norte-coreanas, próximas à fronteira marítima com o Sul, instalaram canhões em posição de ataque. A China, tradicional aliada da Coreia do Norte, pediu calma aos dois países e exortou os vizinhos à renunciarem a todo ato suscetível de agravar as tensões. A presidente sul-coreana Park Geun-Hye, que tomou posse há duas semanas, disse que a situação é muito grave e prometeu responder energicamente a qualquer provocação do Norte. Ela deve reunir o seus ministros ainda nesta segunda-feira, pela primeira vez, desde o início do seu mandato.
FONTE: Rádio França Internacional via Resenha do Exército
Após oito meses sem contato formal, o Irã e as grandes potências encerraram ontem mais uma rodada de negociações nucleares sem alcançar um acordo, mas com planos de novos encontros em março e abril.
Apesar de prolongar o impasse acerca do programa nuclear iraniano, o desfecho foi visto como um passo importante nos esforços para apaziguar os ânimos e diluir riscos de uma nova guerra no Oriente Médio.
O Irã manifestou sua satisfação após dois dias de reuniões a portas fechadas em Almaty, capital do Cazaquistão, com representantes de China, Rússia, EUA, França, Reino Unido e Alemanha.
“Desta vez percebemos que [as potências] tentaram se aproximar do nosso ponto de vista”, declarou o principal negociador iraniano, Saeed Jalili.
Ele deixou claro que ainda existe um “longo caminho até o ponto desejável”, mas ressaltou que as partes podem estar próximas de uma “guinada”.
Jalili se referia à proposta apresentada pelas potências para levantar, pela primeira vez, algumas das sanções econômicas caso Teerã atenda três exigências que tornariam mais difícil seu caminho rumo a uma eventual bomba atômica.
As medidas determinam que Teerã deve diminuir seu grau de enriquecimento de urânio para menos de 20%, enviar para o exterior estoques de urânio mais enriquecidos e suspender atividades numa central atômica construída debaixo de uma montanha.
Os iranianos, que argumentam ter direito de usar energia nuclear para produzir medicamentos e eletricidade, embarcaram de volta para Teerã sem responder à proposta.
Mas o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que o encontro em Almaty foi “útil”, ecoando declarações de diplomatas europeus presentes no encontro.
Eleições
Fontes ocidentais disseram à Folha que não esperavam uma reviravolta na posição do Irã já que o país está às vésperas da eleição presidencial de junho, que designará o sucessor de Mahmoud Ahmadinejad, impedido por lei de se candidatar novamente.
Segundo analistas, a rodada de conversas em Almaty expôs uma abordagem mais construtiva dos dois lados, rompendo com o tom abrasivo de conversas anteriores, quando chegou a ser cogitado o fim do diálogo.
Os esforços diplomáticos visam encontrar uma solução negociada ao impasse e evitar que Israel, única potência nuclear do Oriente Médio, execute sua ameaça de bombardear o Irã.
FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército
Editorial Folha de São Paulo
A expectativa de algum arejamento no regime da Coreia do Norte, após a ascensão do jovem ditador Kim Jung-un, se esfacelou com a detonação de uma bomba nuclear em Kilju, no nordeste do país.
O terceiro teste subterrâneo confirma a nação asiática como maior fator de instabilidade na região, com seu governo sempre disposto a chantagear inimigos e até aliados.
A explosão foi a mais violenta da série de três, algo entre 4 e 10 quilotons (20% a 50% do poder da bomba de Hiroshima), embora haja indícios de que partiu de artefato pequeno o bastante para se acomodar numa ogiva. Como houve um bem-sucedido teste balístico em dezembro passado, a Coreia do Norte estaria hoje mais perto da capacidade de alvejar vizinhos como Coreia do Sul e Japão.
O alvo principal da provocação de Kim Jung-un, contudo, parece estar ao norte da fronteira. Principal aliado (se não único) de seu regime, a China passa por delicada transição na cúpula do poder, com a entronização de Xi Jinping como líder máximo da ditadura irmã.
Interessa a Kim testar a disposição dos chineses para manter a linha de comércio bilateral (US$ 5,9 bilhões em 2012) que impede norte-coreanos de precipitar-se na penúria e no caos. Cada vez mais engajada em contrastar o poderio dos EUA, ao menos no setor asiático, a China não pressionará tão cedo o regime do país que lhe serve de tampão para afastar das fronteiras a influência militar norte-americana na Coreia do Sul.
A temeridade norte-coreana decerto leva irritação a Pequim, mas não a ponto de tornar aceitável uma escalada de sanções internacionais contra o vizinho. Na prática, chancela-se o uso da ameaça nuclear por norte-coreanos como um tipo de seguro contra supostas articulações externas para derrubar o regime. Kim contará com o apoio da nova direção chinesa, de corte igualmente conservador.
Não será ainda desta vez, acredita-se, que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotará resoluções duras, “prontas e críveis”, contra a ditadura norte-coreana, como demandam os Estados Unidos. Para contornar o veto inevitável da China, o colegiado tende a abrandar novas restrições cogitadas para obter consenso.
As sanções, portanto, devem seguir focalizadas diretamente sobre o bloqueio do desenvolvimento de mísseis nucleares. É pouco provável que envolvam a interrupção do fornecimento de petróleo, por exemplo, que continuará a ser provido pela China -embora a Coreia do Norte, ao contrário do Irã, já tenha provado do que é capaz.
FONTE: folha.com
Um novo míssil balístico intercontinental de combustível líquido e 100 toneladas começará a ser construído ate o final deste ano. A informação foi transmitida nesta sexta-feira (19) à agência “RIA Nóvosti” pelo conselheiro do comandante da Força de Mísseis Estratégicos, o general aposentado Víktor Esin.
“No início de outubro, o Ministério da Defesa russo aprovou o projeto preliminar do novo míssil, pedindo aos engenheiros para rever alguns aspectos”, disse Esin, acrescentando que os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento já tiveram início.
O anúncio está de acordo com as declarações anteriores do comandante da Força de Mísseis Estratégicos, Serguêi Karakáev, à agência de que a Rússia iria construir um novo míssil balístico intercontinental até 2018.
O novo aparato substituirá o míssil balístico pesado R-36M2 “Voevoda”, conhecido no Ocidente como Satanás, que é capaz de carregar uma carga útil de até 10 toneladas.
Todos os mísseis balísticos intercontinentais anteriores projetados para lançamento a partir de submarinos (Bulavá) ou da terra (Tópol-M e Iars) eram de combustível sólido.
FONTE: Agência RIA Novosti, via Gazeta Russa (edição pelo Forças Terrestres. Título original: “Construção de novo míssil balístico começará até o final deste ano)
IMAGEM: pravda.ru
Moscou irá deixar programa de décadas com os Estados Unidos, que tinha como objetivo desmantelar as armas de destruição em massa, informou o jornal russo Kommersant nesta quarta-feira (10).
O jornal russo apresenta fontes do departamento de Estado dos EUA dizendo que a Rússia não está mais interessada no programa Nunn-Lugar (também conhecido como Programa de Cooperação para a Redução de Ameaças – CTR, na sigla em inglês). A iniciativa data do início da década de 1990 e ajudou a desativar armas nucleares, biológicas e químicas após a queda da União Soviética.
Segundo as autoridades norte-americanas, os colegas russos informaram durante uma reunião recente que Moscou não precisa mais da assistência financeira para o projeto, enfatizando, contudo, a importância de guardar segredos de Estado.
Essa é a mais recente mudança nas relações de Moscou com Washington, e segue o anúncio da Rússia no início deste mês de brecar os trabalhos da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) no país. A explicação dos russos é de que, atrávés da organização, agências do governo estadunidense estariam usando dinheiro para influenciar as eleiçõs no país.
Trata-se também de um novo episódio após os comentários do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Lavrov, na semana passada, de que a “redefinição” da política entre Rússia e os Estados Unidos “não pode durar para sempre”.
O programa CTR teve início em 1991 e foi duas vezes prorrogado, em 1999 e 2006. As condições atuais expiram no ano que vem. Os Estados Unidos já teriam gasto o equivalente a US$ 8 bilhões no desenvolvimento do projeto.
Segundo o Washington Post, entre os marcos alcançados pela iniciativa ao longo desses 20 anos estariam garantir que armas atômicas deixassem a Ucrânia, o Cazaquistão e Belarus, desativar 7.600 ogivas nucleares, desmantelar 902 mísseis balísticos intercontinetais e 33 submarinos nucleares, além de guardar 24 locais de armazenamento de armas atômicas.
O programa também incluía medidas para aumentar a segurança em usinas nucleares da ex-União Soviética e gerar trabalho alternativo para os institutos e fábricas antes envolvidas na produção de armas de destruição em massa.
FONTE: Gazeta Russa e CBS News
Por Roberto Simon
Decisões “sábias” do americano John F. Kennedy e do soviético Nikita Khruchev, somadas a muita sorte. Foi essa a combinação que salvou o mundo da hecatombe nuclear há 50 anos, afirma o professor de Harvard Graham Allison, autor do clássico The Essence of Decision (A essência da decisão, sem tradução no Brasil), no qual esmiúça os 13 dias em que o mundo vislumbrou o abismo nuclear.
O risco de um confronto “cujas proporções nem Hitler imaginara” mudou a Guerra Fria, disse Allison ao Estado. E as lições de 1962 não caducaram: o programa nuclear iraniano, defende, é uma “Crise dos mísseis em câmera lenta”.
Estado: É possível fazer uma estimativa de quão perto chegamos de uma guerra nuclear em 1962?
Graham Allison: Digo que a Crise dos mísseis foi o momento mais perigoso da história da humanidade – e a maioria dos que estudaram o período concorda comigo. À época, Kennedy calculava que o risco de uma guerra nuclear era de entre 33% a 50%. Nenhum estudo sobre a crise me convenceu de que essa era uma estimativa exagerada. Um confronto nuclear não seria o armagedon, pois não mataria todos os seres humanos. Mas a cifra de mortos seria de centenas de milhares de pessoas – o pior evento da história.
Estado: E, ao final, o que impediu as potências de chegar à guerra?
Graham Allison: Primeiro, as sábias decisões de ambos, Kennedy e Khruchev. Segundo, uma grande sorte, pois, apesar da boa conduta dos dois líderes, havia uma série de fatores fora do controle deles que poderia ter levado à guerra.
Estado: O quê, por exemplo?
Graham Allison: Na segunda semana da crise, tanto Kennedy quanto Khruchev entenderam que pessoas dentro de seus governos estavam tomando decisões técnicas que poderiam levar a reações em cadeia e, no fim, à guerra. Por exemplo, no sábado, dia 27 de outubro, Kennedy foi informado de que um avião-espião U2, que deveria fazer um voo de reconhecimento fora da URSS, havia entrado no território soviético e estava indo em direção a Moscou. E o presidente falou a famosa frase: “Sempre tem um filho da p… que não fica sabendo das coisas!”. Naquela noite, Khruchev enviou uma carta brilhante a Kennedy em que constatava o absurdo de estarem as duas superpotências no mais alto nível de alerta e um avião não identificado se aproximar da capital de uma delas. Se Khruchev decidisse derrubá-lo…
Estado: Como a experiência de outubro de 1962 mudou a Guerra Fria?
Graham Allison: Foi uma mudança paradigmática para Kennedy e Khruchev a experiência de olhar para o abismo nuclear e realmente sentir o temor desse holocausto potencial, no qual o presidente dos EUA e o secretário-geral de Moscou seriam os grandes atores. Lembre-se que o confronto envolveria uma escala de morte que nem Hitler imaginara. Com a Crise dos mísseis, ambas as superpotências disseram “nunca mais isso”. A competição entre ambas passou a ser regulada pelo que Kennedy chamava de “as precárias regras do status quo”. Depois de 1962, foi colocado um telefone direto de Washington a Moscou, permitindo o diálogo entre os líderes. Em seguida, proibiram testes nucleares. Ao final, vieram os acordos para reduzir os arsenais atômicos.
Estado: O sr. afirma que o programa nuclear iraniano equivale a uma “Crise dos mísseis em câmera lenta”. Como é isso?
Graham Allison: Costuma-se dizer que, com a questão do Irã, o presidente dos EUA se aproxima de uma encruzilhada: ou atacará as instalações de Teerã para frear o programa ou aceitará a existência de um Irã nuclear. Eram exatamente essas as opções que os assessores da Casa Branca deram a Kennedy em 1962. O presidente, porém, rejeitou ambas – uma era pior que a outra.
Atacar Cuba levaria à 3.ª Guerra Mundial e aquiescer faria Khruchev tentar algo ainda mais ousado, provavelmente em Berlim, o que também levaria a um confronto. Nessas circunstâncias, Kennedy começou a buscar uma opção “menos terrível” que aquelas duas. Ao olhar para a crise iraniana hoje, devemos nos questionar se não há opções mais inteligentes do que a adotada atualmente pelos EUA.
FONTE: O Estado de S. Paulo
NOTA DA EDITORA: Essa entrevista é parte do especial do Estadão marcando os 50 anos da Crise dos Mísseis
Por Roberto Simon
Uma mensagem arrepiante chegou à Embaixada do Brasil em Havana em 26 de outubro de 1962. O governo brasileiro estava “seguramente informado” de que EUA e URSS entrariam em guerra “nas próximas 48 horas” caso não cessasse a instalação de mísseis soviéticos em Cuba, alertava o chanceler Hermes Lima ao embaixador em Havana, Luiz Bastian Pinto. E ordenava o ministro: “Realize imediata gestão junto ao governo (cubano), apelando para a suspensão dos trabalhos”.
Há 50 anos, a Crise dos Mísseis fazia o mundo, incluindo o Brasil de João Goulart, caminhar à beira do precipício da guerra atômica. O então líder soviético, Nikita Khruchev, decidira instalar foguetes nucleares a quase 300 km de Miami, algo que o governo de John F. Kennedy estava disposto a impedir a qualquer custo – até mesmo com a guerra.
Para entender como o Brasil viu o mundo rumo ao holocausto nuclear, o Estado mergulhou em centenas de telegramas secretos do Itamaraty, consultou historiadores e entrevistou protagonistas. No duelo entre os gigantes atômicos, o Brasil parlamentarista de Jango, solidário a Cuba e dependente dos EUA, colheu informações e chegou a tentar intermediar uma solução, enviando uma mensagem direta de Kennedy a Fidel Castro. O portador do recado era o chefe da Casa Militar, general Albino Silva, recebido por Fidel em Havana naquele outubro de 1962.
O Brasil entrou no imbróglio diplomático no dia 22 de outubro, quando o embaixador dos EUA no Rio, Lincoln Gordon, entregou a Jango uma carta de Kennedy avisando sobre a descoberta do arsenal soviético. Horas depois, o presidente americano iria à TV anunciar que a 3.ª Guerra Mundial poderia começar em breve.
No texto, Kennedy convidava o Brasil a “discutir a possibilidade de uma ação armada” em Cuba caso a crise não fosse solucionada pela diplomacia. Jango, imediatamente, convocou cinco assessores ao Palácio da Alvorada para rascunhar a resposta ao líder do “mundo livre”.
“Debatemos ao longo de toda tarde e, ao final, o (ex-chanceler) San Tiago Dantas retirou-se a uma biblioteca para escrever a mensagem”, relembra hoje, aos 83 anos, Almino Affonso, que participou da reunião como líder do governo de Jango na Câmara.
Veio, então, a resposta: o Brasil rejeitava qualquer “intervenção militar num Estado americano, inspirada na alegação de incompatibilidade com seu regime político” – ou seja, dizia-se um grande “não” a Kennedy.
A posição de Jango irritou os americanos, que repetidas vezes se queixaram ao embaixador do Brasil nos EUA, Roberto Campos. Em seus telegramas, o diplomata – que se tornaria ministro do Planejamento após o golpe de 1964 – contava que estava sendo cobrado pela “tibieza” da posição do Brasil, que não “compreendia” a ameaça do arsenal soviético no Caribe.
Em reunião de emergência na OEA, o Itamaraty votou a favor do bloqueio naval a Cuba. O Brasil, porém, diferentemente de Argentina, Peru, Colômbia e Venezuela, recusou-se a enviar forças para implementar o cerco à ilha.
Missão Albino
Recentemente, o historiador James Hershberg, da Universidade George Washington, descobriu que Kennedy voltou a procurar o governo brasileiro no meio da crise. Dessa vez, porém, para que o embaixador do Brasil em Cuba transmitisse a Fidel uma mensagem de oito pontos, incluindo uma promessa de não invasão em troca do fim da boa relação entre Havana e Moscou.
“Uma palavra explica a decisão de Kennedy de recorrer ao Brasil: desespero. Os EUA discutiam várias opções e uma delas era essa mensagem via governo brasileiro”, explica Hershberg.
Segundo o historiador, o embaixador americano e o chanceler brasileiro reuniram-se no Rio na madrugada do dia 27. Além de um papel com a oferta, Gordon deu a Lima uma instrução: o Brasil deveria dizer que a mensagem partira de Jango, e não de Kennedy.
O governo brasileiro aceitou transmitir o recado, só que com uma pequena mudança. O portador da oferta a Fidel não seria o embaixador em Cuba, mas o chefe da Casa Miliar de Jango, general Albino, que partiria logo a Havana. Roberto Campos, nos EUA, avisava que os americanos viam o militar como simpático ao bloco socialista e o próprio Kennedy o questionara sobre a filiação ideológica de Albino.
Um telegrama do Rio informava o diplomata em Havana sobre a iminente chegada do general e o instruía a conseguir um “encontro imediato com Fidel”. Dois dias depois, o líder cubano falaria por mais de uma hora com Albino na Embaixada do Brasil em Havana. Após ouvir o emissário de Jango, Fidel respondeu-lhe que qualquer acordo para a retirada dos mísseis soviéticos passaria pela devolução da base de Guantánamo a Cuba – algo impensável para Kennedy.
O líder cubano ainda se negava a permitir que inspetores internacionais fossem a Cuba, pois considerava isso “ofensivo ao brio de seu povo”, escreveu Albino ao presidente Goulart.
No entanto, enquanto o general brasileiro e o revolucionário cubano discutiam, Kennedy e Khruchev já haviam chegado a um acordo, à revelia de Fidel. A URSS retiraria os mísseis de Cuba em troca de garantias de que os EUA não invadiriam a ilha e moveriam seus arsenais nucleares da Turquia e do sul da Itália.
Dias depois, já longe do abismo nuclear, o embaixador brasileiro descreveu a conversa que tivera com o chanceler cubano, Raúl Roa García, sobre o pacto entre Kennedy e Khruchev. “Não somos brinquedo nas mãos das superpotências!”, teria bradado o chanceler de Fidel.
FONTE: O Estado de S. Paulo
NOTA DA EDITORA: O texto faz parte da série do Estadão marcando os 50 anos da Crise dos Misseis.
Os dois países trocaram acusações na 56ª assembléia geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O clima tenso e a falta de um acordo para o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, afastou qualquer possibilidade da realização, até o fim do ano, de uma conferência sobre o Oriente Médio sem armas nucleares. Sob ressalva, países árabes decidiram aderir ao tratado, apesar das críticas dos ocidentais.
Os 155 países membros da AIEA se reuniram em Viena, para discutir sobretudo as tensões entre Irã e Israel, alimentadas pelo impasse nuclear entre os dois países. Durante os debates, Teerã insistiu que Israel assine o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP). “Atualmente, o regime israelense é o único não-signatário do TNP no Oriente Médio, apesar de todo o apelo da comunidade internacional. “A paz e a estabilidade não serão obtidas no Oriente Médio caso o arsenal nuclear massivo deste regime continue a ameaçar a região e outros países mais distantes”, acusou o embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh. O representante iraniano declarou ainda que “o comportamento irresponsável do regime israelense coloca em xeque o estabelecimento de uma zona sem armas nucleares”. Segundo ele, o Estado de Israel é o “único obstáculo”.
O representante israelense Ehud Azoulay atacou o Irã e a Síria e apontou os dois países como os responsáveis pelas tensões na região. “A ameaça mais relevante à não-proliferação nuclear vem daqueles que tentam obter armas nucleares sob a alegação de serem aderentes ao TNP”, afirmou o embaixador. Nesta quinta-feira, a agência Reuters publicou uma reportagem, segundo a qual, um relatório dos países ocidentais acusa o Irã de fornecer armas ao regime sírio de Bashar al-Assad por meio de aviões que cruzam o espaço aéreo do Iraque. O fornecimento de armas teria como objetivo reprimir os insurgentes que travam batalhas contra o regime há dezenove meses.
Por causa do impasse, Israel e Irã não confirmaram se participarão da conferência, organizada pela Finlândia, para debater a criação de um grupo do Oriente Médio de países sem armas nucleares. A reunião deve acontecer até o final do ano. Apesar dos esforços de países como a Finlândia, a questão nuclear entre o Irã e Israel deve continuar tensa. O chefe da delegação israelense de energia nuclear, Shaul Hore, declarou durante a assembléia da AIEA em Viena, que a situação na região é “volátil e hostil” e não é propícia à criação de uma zona desprovida de armas nucleares.
Durante a reunião da AIEA, os Estados membros aprovaram, por uma grande maioria, o pedido de adesão dos países do Oriente Médio ao TNP. A decisão foi criticada pele embaixador americano na AIEA, Robert Wood. Os Estados Unidos e outros países ocidentais, entretanto, decidiram pela abstensão, ao invés do voto contra a adesão dos países árabes ao TNP. A decisão foi motivada pela decisão dos países árabes de não apresentarem uma resolução separada condenando o programa nuclear israelense. O voto contra dos ocidentais à adesão dos árabes ao TNP afastaria toda a possibilidade da organização de uma conferência na Finlândia, sobre o desarmamento nuclear no Oriente Médio.
FONTE: RFI – Rádio França Internacional
Hoje a Coreia do Norte reafirmou a necessidade do país de desenvolver armamentos nucleares para deter a ameaça atômica dos Estados Unidos, e afirmou que não abrirá mão do direito de lançar foguetes como parte do que o país definiu como um programa espacial pacífico.
Segundo informe fornecido a repórteres pela delegação norte-coreana, o ministro das relações internacionais, Pak Ui-Chun, declarou aos presentes no Forum da Associação das Nações do Sudeste Asiático que o objetivo de Washington seria “eliminar o sistema e a ideologia política pelos quais nosso povo optou”.
O lançamento de um foguete de longo alcance realizado pela Coreia do Norte em 13 de abril deste ano elevou tensões na região e anulou um acordo firmado com os Estados Unidos em 29 de fevereiro. Os termos propunham que o país asiático aceitasse suspender seu programa de enriquecimento de urânio e os testes nucleares e com mísseis – em contrapartida os Estados Unidos prometeram fornecer 240 mil toneladas de alimentos em regime de auxílio.
Os norte-americanos e seus aliados descreveram o lançamento do foguete como um teste de mísseis disfarçado, enquanto que a Coreia do Norte declarou que o objetivo era apenas colocar um satélite em órbita. O foguete explodiu logo após a decolagem.
De acordo com o informe, o ministro Ui-Chun disse aos colegas durante o fórum, que foram os EUA que puseram o acordo de lado e causaram as tensões na península da Coreia.
Os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul realizaram uma conferência hoje, aparte das atividades do fórum, onde advertiram que “qualquer provocação da Coreia do Norte… será encarada com uma resposta resoluta e coordenada por parte da comunidade internacional”.
A declaração oficial também expressa “profunda preocupação com o bem-estar do povo norte-coreano e a grave situação dos direitos humanos no país”
Em seus comentários durante o fórum em Phnom Penh (Camboja), o ministro Pak citou o uso de uma bandeira norte-coreana como alvo durante um grande exercício com munição real envolvendo os Estados Unidos e a Coreia do Sul – isso seria “uma prova clara das intenções hostis dos Estados Unidos”.
Declarou também que o país não abrirá mão de seu direito soberano de “explorar e utilizar o ambiente espacial, e de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos” através da construção de reatores de água para geração de eletricidade.
Pyongyang afirma que seu programa de enriquecimento de urânio é destinado a alimentar reatores leves para gerar energial. Cientistas dizem que o programa poderia ser facilmente reconfigurado para produzir matéria-prima para bombas, em reforço ao atual programa de produção de plutônio.
Conversas multilaterais buscando um acordo de paz e outros benefícios caso a Coreia do Norte pusesse de lado seu arsenal atômico estão estagnadas desde dezembro de 2008.
FONTE: DefenseNews
Autoridades iranianas afirmaram que houve uma forte explosão, ontem, em um depósito de armamentos em uma base militar da Guarda Revolucionária do país.
Equipes de resgate foram enviadas ao local, Bidganeh, próximo à cidade de Karaj e a 20 quilômetros de Teerã.
Ramazan Sharif, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse em pronunciamento na televisão estatal que “pessoas foram martirizadas e tantas outras, feridas”. Ele afirmou, também, que especialistas estão investigando as causas do evento.
Ao menos 27 foram mortos, segundo informação oficial.
O jornal israelense “Haaretz” diz que, no local, está estacionada a 5ª Brigada Raad, capaz de lançar mísseis Shahab de número 3 e 4.
A explosão destruiu vidros de bairros próximos, segundo testemunhos, e foi ouvida mesmo no centro da capital.
A princípio, havia sido noticiado que o incidente havia ocorrido em uma estação de distribuição de combustível. A informação foi desmentida pelo Ministério do Petróleo.
Os arredores de Teerã concentram diversas bases militares. Há dois anos, uma explosão em outra base, no oeste do país, causou 20 mortes.
Na ocasião, especulou-se que Israel tivesse tido participação no ataque. O Irã afirma que foi um acidente.
Nesta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica, vinculada à ONU, afirmou, em relatório, que o programa nuclear iraniano pode ter fins militares.
O Irã nega, mas a divulgação do relatório intensificou a pressão ao país para comprovar os fins pacíficos de seu programa nuclear, assim como suscitou rumores de um possível ataque militar israelense ou americano ao país.
Autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, ameaçam com intensa retaliação. Nesta semana, o aitolá Ali Khamenei advertiu “os inimigos, sobretudo os Estados Unidos, seus vassalos e Israel” que seu país reagirá “com punho de ferro” a uma eventual agressão.
FONTE: Folha de São Paulo
O Departamento de Estado dos EUA divulgou um novo relatório sobre o seu inventário de armas nucleares, conforme situação em 1º de setembro de 2011. O Departamento de Estado também divulgou informações sobre a situação das armas nucleares russas segundo o novo tratado START.
Os EUA possuem 822 ICBM (Intercontinental Ballistic Missiles), SLBM (Submarine Launched Ballistic Missiles) e bombardeiros pesados, enquanto a Rússia possui 516. O número de ogivas nuceares disponíveis para estas plataformas atinge um total de 1790 para os EUA e 1566 para a Rússia.
A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU confirmou o que já se sabia: o programa nuclear do Irã não se limita a fins pacíficos. A construção de uma bomba atômica pelo regime dos aiatolás é, ao que parece, questão de tempo.
A evidência acirra as preocupações de parte da comunidade internacional, que mostra-se determinada a impedir o ingresso do país no clube das nações nucleares. A questão é saber se isso, de fato, é possível e qual o melhor caminho a seguir.
Há duas opções em debate: aumentar as sanções econômicas e diplomáticas impostas aos iranianos ou lançar um ataque às instalações onde se imagina que o projeto atômico seja desenvolvido.
As sanções, até agora, têm se mostrado contraproducentes. Em julho, o Irã anunciou que havia aumentado a capacidade de produção de urânio enriquecido (material necessário para a bomba), comprovando que a rodada de punições aplicada pelo Conselho de Segurança em 2010 foi inútil.
Uma agressão militar, no entanto, implica enormes riscos. O Oriente Médio encontra-se conflagrado pela Primavera Árabe e pela deterioração da relação entre israelenses e palestinos. Um ataque teria efeitos imprevisíveis e provavelmente deflagraria nova guerra.
Além disso, não há garantias de que uma operação militar seja capaz de identificar instalações secretas e eliminar a capacidade nuclear daquele país.
Um Irã atômico poderá deixar o mundo menos seguro, mas é preciso ter em mente que construir uma bomba não significa que ela será usada. O país, aliás, situa-se numa região geográfica na qual vizinhos e países próximos possuem capacidade nuclear -como Israel, Paquistão, Índia e Rússia.
O isolamento diplomático ou um ataque reforçariam os próprios motivos alegados pelo Irã para buscar a bomba e uniriam o país em torno do projeto.
Ao que tudo indica, as represálias, sejam quais forem, conseguiriam, no máximo, retardar a conquista da capacidade de produzir o artefato.
Melhor faria a comunidade internacional se conseguisse estimular a abertura política no país, favorecendo a emergência de vozes menos beligerantes – como as sufocadas pela sangrenta repressão à revolta de 2009.
FONTE: Folha de São Paulo
Da BBC
Israel deve contribuir com os esforços para impedir que o Irã obtenha armamentos atômicos abrindo suas instalações nucleares à inspeção internacional, disse à BBC Brasil o cientista Uzi Even, que participou da construção do reator nuclear de Dimona.
Na opinião do físico nuclear israelense, o relatório publicado pela Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA) na última terça feira demonstra que o Irã está prestes a produzir armamentos nucleares e a comunidade internacional não deveria poupar esforços para convencer o país a interromper seu avanço nessa direção.
Segundo o cientista, Israel deveria contribuir com esses esforços abandonando a politica de ambiguidade em relação a seu próprio programa nuclear.
O governo não confirma nem nega possuir armas atômicas. O país não tem um programa declarado de produção de energia nuclear e não comenta a existência do reator de Dimona, conhecido oficialmente como Centro de Pesquisas Nucleares.
Israel não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, ratificado por 189 países (entre eles o Irã).
Os signatários do tratado se comprometem a não desenvolver ou comprar armas atômicas e a se submeterem a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, caso tenham um programa nuclear para fins pacíficos.
Saída honrosa
Israel deveria abrir a instalação nuclear de Dimona à inspeção internacional, disse Uzi Even à BBC Brasil.
Para Even, que nos anos 1960 trabalhou na construção do reator nuclear de Dimona, a abertura do local poderia oferecer uma saída honrosa para o Irã.
O Irã poderia apresentar a abertura de Dimona como uma grande vitória e aproveitar essa oportunidade para abandonar seus planos de produzir armamentos nucleares, explicou.
Uzi Even, professor do departamento de Química da Universidade de Tel Aviv, vem alertando há mais de dez anos para o estado precário e perigoso da instalação nuclear de Israel na cidade de Dimona, no sul do país.
Depois do vazamento radiativo dos reatores nucleares no Japão, em decorrência do terremoto ocorrido em março, Even advertiu que um acidente semelhante ou pior poderia ocorrer em Dimona.
Dimona é um dos reatores nucleares mais velhos do mundo, tem mais de 50 anos, e por razões de segurança deve ser fechado, afirmou.
Para ele, a abertura de Dimona à inspeção internacional poderia causar o fechamento da instalação.
Abrir Dimona seria uma contribuição por parte de Israel nos esforços para frear o Irã, sem perder seu poder de dissuasão, acrescentou.
Rumores
Em Israel estão se intensificando nas últimas semanas os rumores e especulações sobre um suposto plano do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do ministro da Defesa, Ehud Barak, para atacar o Irã, cujo governo ameaça destruir Israel.
Os rumores, divulgados pela mídia local, deram início a um debate público sobre um eventual ataque de Israel ao Irã para impedir que o país obtenha armamentos nucleares.
De acordo com uma pesquisa de opinião, 41% dos israelenses apoiam a ideia do ataque e 39% são contra.
Entre os analistas militares, alguns consideram a ideia uma loucura e outros a consideram razoável.
Segundo Uzi Even, o relatório da AIEA demonstra que já é tarde demais para uma operação militar.
Os iranianos têm a intenção, o conhecimento e os materiais para produzir uma bomba nuclear, e nessas circunstâncias um ataque já não poderia impedi-los de produzi-la, disse.
Segundo a avaliação de Even, o Irã já teria investido pelo menos US$ 10 bilhões em seu programa nuclear e milhares de funcionários já estariam envolvidos no projeto.
Na opinião dele, para frear o projeto seria necessário convencer os iranianos de que, se continuassem, teriam que pagar um preço alto demais, por meio de sanções econômicas.
No entanto, o especialista em Irã da rádio estatal israelense, Menashe Amir, afirmou que o regime atual do Irã jamais abrirá mão de seu projeto nuclear e que as sanções econômicas não levarão à interrupção do projeto.
Para Amir, a única maneira de interromper a corrida do Irã em direção às armas nucleares seria por uma mudança de regime no país.
FONTE: G1
ONU debate esta semana relatório com detalhes inéditos sobre planos iranianos
Denise Chrispim Marin
Os EUA e países europeus pressionam Israel a desistir de qualquer plano de ataque a instalações nucleares do Irã. Diante de novas evidências sobre a natureza militar do programa iraniano, que serão divulgadas pela ONU esta semana, potências ocidentais insistiram ontem na adoção de sanções mais duras contra Teerã como alternativa a um ataque – cujas consequências seriam “irreparáveis” e “desestabilizadoras” no Oriente Médio.
Na semana passada, a imprensa israelense divulgou que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está tentando persuadir seu gabinete a lançar um ataque-surpresa contra o Irã. Vozes de dentro do governo de Israel, incluindo o alto escalão do Exército e da inteligência, seriam contra a ofensiva.
Em meio ao crescimento do temor de uma ação israelense, a França alertou ontem para o risco de uma guerra. “Podemos ainda fortalecer as sanções para pressionar o Irã. Vamos continuar nesse caminho, pois uma intervenção pode criar uma situação totalmente desestabilizadora”, afirmou ontem o chanceler de Paris, Alain Juppé. “Temos de fazer de tudo para evitar o irreparável”, completou.
Essa linha de ação havia sido defendida pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Barack Obama, dos EUA, no dia 3, em Cannes. No encontro bilateral, os dois concordaram com o aumento da pressão sobre o Irã.
A possibilidade de Israel atacar o Irã tem sido classificada oficialmente pela Casa Branca como “especulação”. Mas, nos bastidores, há alto grau de preocupação. Uma autoridade de “alto escalão” de Washington disse à CNN em condição de anonimato que há uma “absoluta preocupação” em relação às intenções de Israel.
Segundo o jornal israelense Haaretz, o secretário de defesa dos EUA, Leon Panetta, visitou Israel em outubro com o objetivo de conseguir um compromisso de Netanyahu de não atacar o Irã sem o aval dos EUA. Panetta alertou o premiê e o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, que Washington “não quer surpresas”. Mas Netanyahu e Barak foram evasivos com Panetta e não prometeram pedir a bênção dos EUA antes de uma eventual ação contra Teerã.
Em recente entrevista à rede de televisão CNN, Barak afirmou haver preferência no governo israelense pela solução diplomática. Mas, completou ele, nenhuma opção está excluída.
O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou na sexta-feira acreditar na possibilidade de seu país empregar a força militar contra o Irã. “Os serviços de inteligência de vários países estão olhando o relógio e alertando seus líderes sobre o fato de não restar muito tempo.”
Nações Unidas
Esta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deverá apresentar um relatório sobre o programa nuclear iraniano, no qual concluirá que existem crescentes indícios de que Teerã está de fato em busca da bomba. O documento deve trazer um grau de detalhamento inédito sobre o programa iraniano.
A agência internacional teria obtido imagens por satélite de um contêiner de aço em Parchin, na periferia de Teerã, onde ocorreriam testes atômicos longe da supervisão dos inspetores. Potências ocidentais esperam usar o novo documento da ONU para conseguir aprovar mais sanções contra Teerã no Conselho de Segurança.
No sábado, o chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou ser “desprovida de fundamento e de autenticidade” a vinculação entre os testes de mísseis e o programa nuclear do país.
FONTE: O Estado de São Paulo
Assista à animação e descubra a quantidade de testes nucleares feitos por cada potência nuclear ao longo do tempo, a localização e intensidade das explosões.

























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