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Explosão atinge depósito de armas no Irã

Autoridades iranianas afirmaram que houve uma forte explosão, ontem, em um depósito de armamentos em uma base militar da Guarda Revolucionária do país.

Equipes de resgate foram enviadas ao local, Bidganeh, próximo à cidade de Karaj e a 20 quilômetros de Teerã.

Ramazan Sharif, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse em pronunciamento na televisão estatal que “pessoas foram martirizadas e tantas outras, feridas”. Ele afirmou, também, que especialistas estão investigando as causas do evento.

Ao menos 27 foram mortos, segundo informação oficial.

O jornal israelense “Haaretz” diz que, no local, está estacionada a 5ª Brigada Raad, capaz de lançar mísseis Shahab de número 3 e 4.

A explosão destruiu vidros de bairros próximos, segundo testemunhos, e foi ouvida mesmo no centro da capital.

A princípio, havia sido noticiado que o incidente havia ocorrido em uma estação de distribuição de combustível. A informação foi desmentida pelo Ministério do Petróleo.

Os arredores de Teerã concentram diversas bases militares. Há dois anos, uma explosão em outra base, no oeste do país, causou 20 mortes.

Na ocasião, especulou-se que Israel tivesse tido participação no ataque. O Irã afirma que foi um acidente.

Nesta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica, vinculada à ONU, afirmou, em relatório, que o programa nuclear iraniano pode ter fins militares.

O Irã nega, mas a divulgação do relatório intensificou a pressão ao país para comprovar os fins pacíficos de seu programa nuclear, assim como suscitou rumores de um possível ataque militar israelense ou americano ao país.

Autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, ameaçam com intensa retaliação. Nesta semana, o aitolá Ali Khamenei advertiu “os inimigos, sobretudo os Estados Unidos, seus vassalos e Israel” que seu país reagirá “com punho de ferro” a uma eventual agressão.

FONTE: Folha de São Paulo

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Arsenal nuclear dos EUA atualizado

O Departamento de Estado dos EUA divulgou um novo relatório sobre o seu inventário de armas nucleares, conforme situação em 1º de setembro de 2011. O Departamento de Estado também divulgou informações sobre a situação das armas nucleares russas segundo o novo tratado START.

Os EUA possuem 822 ICBM (Intercontinental Ballistic Missiles), SLBM (Submarine Launched Ballistic Missiles) e bombardeiros pesados, enquanto a Rússia possui 516. O número de ogivas nuceares disponíveis para estas plataformas atinge um total de 1790 para os EUA e 1566 para a Rússia.

 

A bomba iraniana

A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU confirmou o que já se sabia: o programa nuclear do Irã não se limita a fins pacíficos. A construção de uma bomba atômica pelo regime dos aiatolás é, ao que parece, questão de tempo.

A evidência acirra as preocupações de parte da comunidade internacional, que mostra-se determinada a impedir o ingresso do país no clube das nações nucleares. A questão é saber se isso, de fato, é possível e qual o melhor caminho a seguir.

Há duas opções em debate: aumentar as sanções econômicas e diplomáticas impostas aos iranianos ou lançar um ataque às instalações onde se imagina que o projeto atômico seja desenvolvido.

As sanções, até agora, têm se mostrado contraproducentes. Em julho, o Irã anunciou que havia aumentado a capacidade de produção de urânio enriquecido (material necessário para a bomba), comprovando que a rodada de punições aplicada pelo Conselho de Segurança em 2010 foi inútil.

Uma agressão militar, no entanto, implica enormes riscos. O Oriente Médio encontra-se conflagrado pela Primavera Árabe e pela deterioração da relação entre israelenses e palestinos. Um ataque teria efeitos imprevisíveis e provavelmente deflagraria nova guerra.

Além disso, não há garantias de que uma operação militar seja capaz de identificar instalações secretas e eliminar a capacidade nuclear daquele país.

Um Irã atômico poderá deixar o mundo menos seguro, mas é preciso ter em mente que construir uma bomba não significa que ela será usada. O país, aliás, situa-se numa região geográfica na qual vizinhos e países próximos possuem capacidade nuclear -como Israel, Paquistão, Índia e Rússia.

O isolamento diplomático ou um ataque reforçariam os próprios motivos alegados pelo Irã para buscar a bomba e uniriam o país em torno do projeto.

Ao que tudo indica, as represálias, sejam quais forem, conseguiriam, no máximo, retardar a conquista da capacidade de produzir o artefato.

Melhor faria a comunidade internacional se conseguisse estimular a abertura política no país, favorecendo a emergência de vozes menos beligerantes – como as sufocadas pela sangrenta repressão à revolta de 2009.

FONTE: Folha de São Paulo

Da BBC

Israel deve contribuir com os esforços para impedir que o Irã obtenha armamentos atômicos abrindo suas instalações nucleares à inspeção internacional, disse à BBC Brasil o cientista Uzi Even, que participou da construção do reator nuclear de Dimona.

Na opinião do físico nuclear israelense, o relatório publicado pela Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA) na última terça feira demonstra que o Irã está prestes a produzir armamentos nucleares e a comunidade internacional não deveria poupar esforços para convencer o país a interromper seu avanço nessa direção.
Segundo o cientista, Israel deveria contribuir com esses esforços abandonando a politica de ambiguidade em relação a seu próprio programa nuclear.

O governo não confirma nem nega possuir armas atômicas. O país não tem um programa declarado de produção de energia nuclear e não comenta a existência do reator de Dimona, conhecido oficialmente como Centro de Pesquisas Nucleares.

Israel não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, ratificado por 189 países (entre eles o Irã).
Os signatários do tratado se comprometem a não desenvolver ou comprar armas atômicas e a se submeterem a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, caso tenham um programa nuclear para fins pacíficos.

Saída honrosa
Israel deveria abrir a instalação nuclear de Dimona à inspeção internacional, disse Uzi Even à BBC Brasil.
Para Even, que nos anos 1960 trabalhou na construção do reator nuclear de Dimona, a abertura do local poderia oferecer uma saída honrosa para o Irã.

O Irã poderia apresentar a abertura de Dimona como uma grande vitória e aproveitar essa oportunidade para abandonar seus planos de produzir armamentos nucleares, explicou.

Uzi Even, professor do departamento de Química da Universidade de Tel Aviv, vem alertando há mais de dez anos para o estado precário e perigoso da instalação nuclear de Israel na cidade de Dimona, no sul do país.
Depois do vazamento radiativo dos reatores nucleares no Japão, em decorrência do terremoto ocorrido em março, Even advertiu que um acidente semelhante ou pior poderia ocorrer em Dimona.

Dimona é um dos reatores nucleares mais velhos do mundo, tem mais de 50 anos, e por razões de segurança deve ser fechado, afirmou.

Para ele, a abertura de Dimona à inspeção internacional poderia causar o fechamento da instalação.
Abrir Dimona seria uma contribuição por parte de Israel nos esforços para frear o Irã, sem perder seu poder de dissuasão, acrescentou.

Rumores
Em Israel estão se intensificando nas últimas semanas os rumores e especulações sobre um suposto plano do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do ministro da Defesa, Ehud Barak, para atacar o Irã, cujo governo ameaça destruir Israel.

Os rumores, divulgados pela mídia local, deram início a um debate público sobre um eventual ataque de Israel ao Irã para impedir que o país obtenha armamentos nucleares.

De acordo com uma pesquisa de opinião, 41% dos israelenses apoiam a ideia do ataque e 39% são contra.
Entre os analistas militares, alguns consideram a ideia uma loucura e outros a consideram razoável.
Segundo Uzi Even, o relatório da AIEA demonstra que já é tarde demais para uma operação militar.
Os iranianos têm a intenção, o conhecimento e os materiais para produzir uma bomba nuclear, e nessas circunstâncias um ataque já não poderia impedi-los de produzi-la, disse.

Segundo a avaliação de Even, o Irã já teria investido pelo menos US$ 10 bilhões em seu programa nuclear e milhares de funcionários já estariam envolvidos no projeto.

Na opinião dele, para frear o projeto seria necessário convencer os iranianos de que, se continuassem, teriam que pagar um preço alto demais, por meio de sanções econômicas.

No entanto, o especialista em Irã da rádio estatal israelense, Menashe Amir, afirmou que o regime atual do Irã jamais abrirá mão de seu projeto nuclear e que as sanções econômicas não levarão à interrupção do projeto.
Para Amir, a única maneira de interromper a corrida do Irã em direção às armas nucleares seria por uma mudança de regime no país.

FONTE: G1

ONU debate esta semana relatório com detalhes inéditos sobre planos iranianos

Denise Chrispim Marin

Os EUA e países europeus pressionam Israel a desistir de qualquer plano de ataque a instalações nucleares do Irã. Diante de novas evidências sobre a natureza militar do programa iraniano, que serão divulgadas pela ONU esta semana, potências ocidentais insistiram ontem na adoção de sanções mais duras contra Teerã como alternativa a um ataque – cujas consequências seriam “irreparáveis” e “desestabilizadoras” no Oriente Médio.

Na semana passada, a imprensa israelense divulgou que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu está tentando persuadir seu gabinete a lançar um ataque-surpresa contra o Irã. Vozes de dentro do governo de Israel, incluindo o alto escalão do Exército e da inteligência, seriam contra a ofensiva.

Em meio ao crescimento do temor de uma ação israelense, a França alertou ontem para o risco de uma guerra. “Podemos ainda fortalecer as sanções para pressionar o Irã. Vamos continuar nesse caminho, pois uma intervenção pode criar uma situação totalmente desestabilizadora”, afirmou ontem o chanceler de Paris, Alain Juppé. “Temos de fazer de tudo para evitar o irreparável”, completou.

Essa linha de ação havia sido defendida pelos presidentes Nicolas Sarkozy, da França, e Barack Obama, dos EUA, no dia 3, em Cannes. No encontro bilateral, os dois concordaram com o aumento da pressão sobre o Irã.

A possibilidade de Israel atacar o Irã tem sido classificada oficialmente pela Casa Branca como “especulação”. Mas, nos bastidores, há alto grau de preocupação. Uma autoridade de “alto escalão” de Washington disse à CNN em condição de anonimato que há uma “absoluta preocupação” em relação às intenções de Israel.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o secretário de defesa dos EUA, Leon Panetta, visitou Israel em outubro com o objetivo de conseguir um compromisso de Netanyahu de não atacar o Irã sem o aval dos EUA. Panetta alertou o premiê e o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, que Washington “não quer surpresas”. Mas Netanyahu e Barak foram evasivos com Panetta e não prometeram pedir a bênção dos EUA antes de uma eventual ação contra Teerã.

Em recente entrevista à rede de televisão CNN, Barak afirmou haver preferência no governo israelense pela solução diplomática. Mas, completou ele, nenhuma opção está excluída.

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou na sexta-feira acreditar na possibilidade de seu país empregar a força militar contra o Irã. “Os serviços de inteligência de vários países estão olhando o relógio e alertando seus líderes sobre o fato de não restar muito tempo.”

Nações Unidas

Esta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deverá apresentar um relatório sobre o programa nuclear iraniano, no qual concluirá que existem crescentes indícios de que Teerã está de fato em busca da bomba. O documento deve trazer um grau de detalhamento inédito sobre o programa iraniano.

A agência internacional teria obtido imagens por satélite de um contêiner de aço em Parchin, na periferia de Teerã, onde ocorreriam testes atômicos longe da supervisão dos inspetores. Potências ocidentais esperam usar o novo documento da ONU para conseguir aprovar mais sanções contra Teerã no Conselho de Segurança.

No sábado, o chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou ser “desprovida de fundamento e de autenticidade” a vinculação entre os testes de mísseis e o programa nuclear do país.

FONTE: O Estado de São Paulo

História dos testes nucleares

Assista à animação e descubra a quantidade de testes nucleares feitos por cada potência nuclear ao longo do tempo, a localização e intensidade das explosões.

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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou nessa segunda-feira (21) com representantes do governo do Irã, em Viena (na Áustria), sobre os efeitos das sanções impostas ao país pelas Nações Unidas, os Estados Unidos e a União Europeia. Nas conversas, o chanceler reiterou que o governo brasileiro aguarda manifestações concretas dos iranianos para definir eventuais negociações.

Para Amorim, não é o momento de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter uma atuação proativa em relação às negociações, de acordo com os representantes brasileiros que acompanharam a conversa. O chanceler ressaltou que o Brasil mantém a posição de defesa do diálogo e da busca por um acordo negociado, evitando medidas restritivas e punitivas.

O chanceler conversou com os emissários do presidente Mahmoud Ahmadinejad no mesmo dia em que a Agência de Energia Atômica do Irã proibiu a entrada no país de dois inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), ligada às Nações Unidas. Eles pretendiam visitar as instalações das usinas nucleares iranianas.

Os especialistas iranianos afirmaram, porém, que os dois estrangeiros produziram um relatório técnico baseado em informações falsas sobre o programa nuclear do país. Para parte da comunidade internacional, o Irã mantém de forma secreta a produção de armas atômicas. A suspeita é negada por Ahmadinejad e demais autoridades iranianas.

Na conversa com Amorim, os representantes de Ahmadinejad negaram que o Irã evite a inspeção da Aiea. Segundo eles, a exigência é apenas para substituir os dois inspetores por outros que não levantem dúvidas sobre o trabalho realizado.

De acordo com os iranianos, na conversa com o chanceler brasileiro, os inspetores da agência internacional fizeram chegar à imprensa um documento com dados improcedentes.

Desde o último dia 9, o Conselho de Segurança, os Estados Unidos e a União Europeia aprovaram uma série de sanções ao Irã. As medidas atingem os setores de gás, petróleo, militar e de serviços bancários. São várias restrições que impedem o comércio do Irã com outros países.

Para o governo brasileiro, as medidas atrapalham o avanço das negociações em busca do fim do impasse do Irã com parte da comunidade internacional. O assunto deverá ser retomado durante as discussões do G20, em Toronto, no Canadá, no próximo fim de semana.

FONTE: Agência Brasil

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Reunião do Conselho de Segurança da ONU - 9 de junho de 2010 - foto Reuters

Sanções são limitadas, diz analista que atuou no Conselho de Segurança. Para Heni Ozi Cukier, voto contrário do Brasil demonstra ‘viés ideológico’.

vinheta-clipping-forteA aprovação de uma nova rodada de sanções – a quarta – contra o programa nuclear iraniano pelos países que compõem o Conselho de Segurança da ONU é menos uma solução para o problema e mais a construção de um consenso para o próximo passo, que pode ser o uso de força militar, afirma o professor de relações internacionais Heni Ozi Cukier.

“O que pode acontecer agora, no máximo, é eles [iranianos] acelerarem o programa nuclear por sentir que o cerco está se fechando. O intuito é ganhar tempo, e é o que estão fazendo há dez anos e vão continuar até terem a bomba atômica. O que o mundo tem que decidir agora é: ‘Vamos aceitar o Irã com bomba atômica ou impedir isso usando a força?’”, disse por o professor, que é mestre Resolução de Conflitos Internacionais pela American University, de Washington.

Na opinião de Cukier, que já atuou no Conselho de Segurança da ONU, a aprovação de resoluções com novas sanções têm um efeito limitado, difíceis de aplicar na prática, e um significado simbólico de pressão política e construção de consenso.

Ele destaca, no entanto, com um dos pontos importantes da resolução aprovada nesta quarta pelo conselho a proibição da venda de armas como uma das medidas de maior impacto até aqui. “É uma sanção mais difícil de burlar, que implica na venda dos mísseis que o Irã comprou da Rússia, os S-300”, diz.

Brasil

No que diz respeito ao voto contrário do Brasil, o professor de relações internacionais da ESPM afirma que o país demonstrou “imaturidade” ao lidar com o assunto.

“Se até os aliados iranianos como China e Rússia votaram a favor, o Brasil votar contra não tem sentido. O Irã está descumprindo normas internacionais, e não são os EUA que dizem isso. Se o Brasil votasse a favor não estava indo em direção ao que os EUA querem, mas andando junto com a comunidade internacional, com a ONU e com a AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica], que dizem que o Irã viola suas obrigações.”

Na opinião de Curkis, a política externa brasileira tem revelado um “viés ideológico” e “quase que uma obsessão” em tentar mostrar posições autônomas. O analista vê ainda na posição brasileira marcas de “ambições pessoais do presidente Lula de se mostrar com interlocutor mundial e outro status que ainda não detém, relacionado aos conflitos internacionais.”

FONTE: G1 FOTO: Reuters, via G1

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