As Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) lançaram nesta terça-feira uma ofensiva contra as diferentes posições do grupo rebelde do M23 em Mushaki, no sul da província de Kivu do Norte, no leste do Congo, uma cidade que ainda não tinha registrado confrontos.

Tida como uma “contra-ofensiva”, essa ação do Exército da RDC ocorre depois que os rebeldes não atenderam as exigências apresentadas no último sábado durante a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), as quais ordenava a retirada de suas tropas da cidade de Goma em um prazo de 48 horas.

“Por conta do término do prazo dado na última cúpula de Campala, fomos obrigados a lançar esta ofensiva em Mushaki. Acho que esta é uma advertência para os insurgentes, que devem se retirar de todas as posições que ocupam atualmente”, afirmou à Agência Efe o porta-voz das FARDC, Leon Richard Kasonga.

O Exército do Congo realizou este ataque contra os rebeldes do M23 no mesmo dia que os insurgentes aceitaram se retirar de Goma, mas sob determinadas condições, como o estabelecimento de um calendário de negociações.

Por outra parte, o chefe da Missão da ONU na RDC (MONUSCO), Roger Meece, respondeu hoje as acusações generalizadas contra os capacetes azuis que surgiram no país após a tomada de Goma por parte dos rebeldes.

“A MONUSCO tem prioridade de proteger os civis. Somos uma força de paz estabelecida pelo Conselho de Segurança e não um Exército de guerra”, afirmou Meece hoje durante uma entrevista coletiva.

“Acho que a percepção de certas pessoas é que somos passivos, mas esse não é o caso. Esta percepção não se reflete nas declarações do governo e das Forças Armadas da RDC, e eles são os que sabem o que fizemos”, acrescentou o representante especial do secretário das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Por causa de sua atuação na última ofensiva dos insurgentes, a MONUSCO recebeu várias críticas relacionadas à sua suposta passividade e pelo fato de não ter feito o suficiente para frear o avanço dos insurgentes.

No distrito de Bunia, por exemplo, os universitários da cidade atacaram o quartel-general da MONUSCO para manifestar o descontentamento dos jovens com o papel do órgão no conflito, enquanto milhares de mulheres congolesas pediram à missão de paz redefinir seu mandato em Bukavu e em Kinshasa.

O M23 é formado por soldados congoleses amotinados e, supostamente, fiéis ao rebelde Bosco Ntaganda, procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e lesa-humanidade.

Ntaganda se juntou às forças da RDC há três anos ao contribuir com a pacificação de Kivu do Norte. Na ocasião, em 2009, o rebelde ajudou a deter Laurent Nkunda, um antigo senhor de guerra e general do Exército.

A RDC ainda se encontra imersa em um frágil processo de paz após a segunda guerra do Congo (1998-2003), que implicou a vários países africanos, e tem desdobrada em seu território a maior missão da ONU.

FONTE: Agência EFE via Terra Notícias

 

Subsecretário-geral de Operações de Paz falou com exclusividade ao G1. Ele pediu que tropa brasileira retirada do Haiti seja enviada a outros países.

 

O atual subsecretário-geral de Operações de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Edmond Mulet, disse, em entrevista exclusiva ao G1, que apesar dos soldados brasileiros serem muito bem treinados, possuem equipamentos antigos, “que não foram renovados nos últimos 30 anos”.

Mulet também criticou o gasto anual de 1,5% do PIB com defesa, classificando-o como “tão baixo” em comparação com outros países. Em agosto, o G1 mostrou a situação de sucateamento do Exército e que o país possui munição para apenas uma hora de guerra.

Confira a matéria completa clicando aqui.

Tagged with:
 

Brasília, 11/05/2012 – O governo brasileiro conclui, no início da semana que vem, o envio de dez militares que integrarão o grupo de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria. Sete deles partiram anteontem (09/05) para Damasco, capital do país. O resto do grupo embarca na próxima terça-feira (15/05), para se juntar ao capitão de mar-e-guerra Alexandre Feitosa, que já se encontra no local.

Portaria que autoriza o envio dos brasileiros foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (11). Os militares vão integrar o efetivo de 300 observadores desarmados na Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS). O Ministério da Defesa selecionou três oficiais da Marinha, quatro do Exército e três da Aeronáutica.

O objetivo da ação é monitorar violações do compromisso de cessar-fogo entre o governo sírio e rebeldes. O envio de observadores, por um período de 90 dias, foi aprovado por decisão unânime dos membros do Conselho de Segurança da ONU, no último mês de abril.

A ONU vinha tratando do reforço do efetivo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A primeira etapa do procedimento foi o envio de lista com nomes de 17 militares nas patentes: coronel, tenente-coronel, major e capitão. Nesta semana, o organismo internacional respondeu o documento com os militares selecionados.

Confira os participantes da missão:

Marinha
• Capitão-de-corveta André Luiz Cannellas
• Capitão-tenente Luiz Gustavo Príncipe Canedo
• Capitão-tenente Gustavo Henrique Schneider Arueira

Exército
• Major André Gustavo Pinheiro de Rêgo Barros
• Major Eduardo Boudeaux Matos
• Major Sérgio Luiz Pinheiro da Silva
• Major Leandro Santos da Costa

Aeronáutica
• Tenente-coronel Salomão Pereira da Silva
• Tenente-coronel Adriano da Costa
• Major-aviador Marcelo Lima de Moura

FONTE: Ministério da Defesa

 

Rússia e China deram ao governo sírio “licença para matar” com o veto à proposta de resolução da ONU, segundo ativistas da oposição.

 

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne diversos grupos contrários ao governo, pediu que Moscou e Pequim reconsiderem a decisão.
“O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado”, disse uma declaração divulgada pelo grupo.
A ativista iemenita e vencedora do prêmio Nobel da Paz Tawakul Karman também afirmou que os dois países passaram a ter responsabilidade moral pelas mortes na Síria.
Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram a proposta de resolução que defendia “uma transição política, liderada pela Síria, para um sistema político democrático e plural”.

‘Indignados’

O veto já havia sido duramente criticado por diplomatas ocidentais, que se disseram “indignados” e “horrorizados” com a rejeição do texto.
A proposta de resolução – que contava com o apoio dos outros 13 integrantes do Conselho e da Liga Árabe, representante dos países da região – era considerada por analistas como o esforço mais importante feito até agora pela ONU para solucionar a crise na Síria.
A decisão aconteceu em um dos dias mais sangrentos desde o início do levante contra o governo de Bashar al-Assad, há 11 meses.
Grupos rebeldes e ativistas dizem que um ataque militar contra a cidade de Homs na madrugada de sábado teria deixado dezenas de civis mortos.
Um grupo de oposição disse ter conseguido confirmar 62 vítimas fatais na cidade, enquanto outras organizações falaram em mais de 200.
A mídia estatal síria negou que tenha havido uma ofensiva militar em Homs e acusou a oposição de ter inventado os ataques. A imprensa oficial também elogiou o veto de Rússia e China, alegando que ele será um incentivo para as reformas políticas prometidas pelo governo.

Aliados

A Rússia é o principal aliado da Síria no Conselho de Segurança da ONU e já tinha afirmado que iria vetar a resolução.
O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, criticou a proposta de resolução da ONU que, segundo ele, tinha medidas apenas contra o presidente Bashar al-Assad e não previa punições aos grupos de oposição armados.
Lavrov deve se reunir com Bashar al-Assad em Damasco na terça-feira, junto com o chefe do Serviço de Inteligência Internacional da Rússia, Mikhail Fradkov.
Mohammed Loulichki, embaixador do Marrocos na ONU e único membro árabe do atual conselho da ONU, afirmou que estava profundamente “decepcionado” com o veto de Rússia e China à resolução.
A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que o veto foi “vergonhoso” e mostrou que os russos e chineses “protegem um tirano”.
“Qualquer derramamento de sangue estará nas mãos deles”, acrescentou Rice.
O enviado da Grã-Bretanha à ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que os britânicos estão “chocados” com a rejeição da resolução.
“É um dia triste para o conselho, um dia triste para todos os sírios e um dia triste para a democracia”, disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados.
O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos “lutando contra gangues armadas e terroristas”.

FONTE: BBC Brasil / FOTO: AFP

Tagged with:
 

Cinco capacetes azuis que servem na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) foram feridos hoje (9/12) em uma explosão que teve como alvo o veículo no qual circulavam em Tiro, cidade portuária no sul do país. Eles estão sob cuidados médicos.

Peritos e investigadores da ONU trabalham com autoridades libanesas para avaliar as circunstâncias do ataque.
O Presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, condenou o ataque. Em um comunicado divulgado por seu porta-voz no sábado (10/12), Al-Nasser saudou o compromisso do Líbano em levar os perpetradores do ataque à justiça.

“O presidente Al-Nasser exorta todas as partes a observar a segurança das forças de paz da UNIFIL e toda a equipe das Nações Unidas, em conformidade com o direito internacional”, diz a declaração. “Ele atribui grande importância ao cumprimento do mandato da UNIFIL.”
A missão, em curso desde 1978, conta atualmente com mais 12 mil soldados de 35 países.

FONTE: www.onu.org.br

Tagged with:
 

Tóquio, 31 out (EFE).- O Japão planeja enviar uma unidade de Forças de Autodefesa ao Sudão do Sul (África oriental) para integrar-se à missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), confirmou nesta segunda-feira o Governo japonês.

O país asiático planeja despachar a unidade entre fevereiro e março de 2012 em dois contingentes, o primeiro composto por 200 membros e o segundo por 300, detalham dados divulgados pela agência local ‘Kyodo’.

Essas equipes das Forças Terrestres de Autodefesa realizarão trabalhos de engenharia durante cinco anos, e começarão tarefas de reconstrução a partir de abril.

Está previsto que as operações ocorram principalmente na capital do país, Juba, ‘longe’ da zona do norte do país onde um grupo rebelde perpetrou no sábado um ataque contra militares e civis, revelou nesta segunda-feira em entrevista coletiva o titular da Defesa do Japão, Yasuo Ichikawa.

O ministro porta-voz, Osamu Fujimura, afirmou em declarações a agência ‘Kyodo’, que o Governo vai anunciar em breve os detalhes do plano definitivo.

Ambos os ministros se reuniram nesta segunda-feira para analisar o tema com o premiê do Japão, Yoshihiko Noda, e o chanceler, Koichiro Gemba, a fim de que o Governo dê na terça-feira a aprovação oficial à transferência das tropas.

O envio cada vez mais frequente de membros deste corpo defensivo ao exterior é uma questão polêmica no Japão, cuja Constituição pacifista, em vigor após a Segunda Guerra Mundial, permite unicamente o uso da força em autodefesa.

Antes do país africano se tornar independente em julho deste ano, o Exército japonês mantinha desde 2008 somente dois membros nesta missão de paz da ONU.

O Parlamento nipônico aprovou em 1992 uma lei que permite os membros das Forças de Autodefesa participar de missões de manutenção de paz da ONU.

FONTE: EFE

O Dia Internacional dos “Peacekeepers” das Nações Unidas (“International Day of United Nations Peacekeepers”) foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 29 de maio, em Assembléia Geral, pela Resolução nº 57/129, de 24 de fevereiro de 2003, como forma de anualmente serem homenageados todos os homens e mulheres que serviram e continuam servindo em Operações de Manutenção de Paz, pelo seu alto nível de profissionalismo, dedicação e coragem e para honrar aqueles que perderam suas vidas em prol da paz.

Esta data foi escolhida porque no dia 29 de maio de 1948, pela Resolução nº 50/1948, o Conselho de Segurança autorizou o estabelecimento da primeira Operação de Manutenção de Paz das Nações Unidas e também porque, em 2003, comemorou-se o 55º aniversário de criação da Organização das Nações Unidas.

Com a finalidade de comemorar Dia Internacional dos “Peacekeepers” das Nações Unidas, a data foi lembrada no dia 27 de maio, às onze da manhã, na Avenida do Exército, onde o Exército conduziu a cerimônia alusiva à data, sob coordenação do Ministério da Defesa e participação dos Comandos da Marinha e da Força Aérea.

Missões de Paz

Desde 1956, com a Força de Emergência das Nações Unidas (FENU), o Exército Brasileiro participa de missões visando pacificar ou estabilizar nações assoladas por conflitos. Atualmente, o Brasil envia Soldados para os mais diversos países do mundo em missões de paz. Nesse espaço, você poderá conferir a participação desses militares ao longo da história e conhecer um pouco mais das ações do Exército Brasileiro em operações dessa natureza.

* Sérgio de Oliveira Netto

No dia 02 de maio de 2011, o mundo recebeu a notícia de que, Osama Bin Laden, considerado o terrorista mais perigoso na atualidade, havia sido morto numa operação conduzida pelo governo norte-americano, após cerca de dez anos de perseguição.

Incursão que teria sido executada por membros das forças especiais. No caso, a respeitada unidade conhecida como Navy Seal Team Six da Marinha dos Estados Unidos da América. Que teriam sido levados ao local do esconderijo do terrorista, por helicópteros pilotados pelos Night Stalkers. Pilotos de elite que integral o 160th Special Operations Aviation Regiment (SOAR) do Exército Americano.

Desde então, vários questionamentos passaram a ser levantados, acerca da legalidade desta ousada ação militar, que redundou na morte de Bin Laden.

O que se propõe, portanto, nestas breves considerações, é procurar apresentar respostas a algumas destas indagações, concernentes aos possíveis fundamentos jurídicos que lhe poderiam conferir legitimidade.

Antes, porém, ainda que a título de curiosidade – mas sem perder o foco da análise da questão jurídica – caberia indagar quem seriam os destemidos agentes que participaram desta operação.

Pelo que foi noticiado, a “ponta da lança” desta ação militar teria sido, como dito acima, o time de elite conhecido como Navy Seal Team Six. Que, em parceria com a Agência Americana de Inteligência (CIA), teriam planejado a execução desta ação.

Mas, afinal, quem são, os agora mundialmente famosos, Navy Seals? Criados na década de 60, passaram a ser considerados um grupamento de elite na realização de operações especiais de guerra. Recebendo treinamento extremamente tático e rigoroso, que os habilita a atuar em operações aéreas, navais e em terra. Daí, inclusive, é indicada uma suposta origem para a sigla SEAL. Que, em inglês, compreenderia as iniciais de mar-ar-terra (sea-air-land).

Patches usados pelos militares do US Navy SEAL. A inscrição diz: “Deus julgará nossos inimigos. Nós providenciaremos o encontro”

No livro The Warrior Elite (Publisher: Three Rivers Press – January 2003), Dick Couch descreve em detalhes, todo o rigor do treinamento destes soldados, até que sejam merecedores de receber o tridente (assim chamada a insígnia recebida por aqueles que conseguem ser aprovados durante o processo de seleção chamado  BUD/S – Basic Underwater Demolition).

Já na obra Robert’s Ridge (Publisher: Dell – July 2006), Malcolm MacPherson traz um minucioso relato de como nem todas as operações realizadas pelos Seals são coroadas de êxito. Quando, no Afeganistão, integrantes deste grupamento acabaram sendo surpreendidos por militantes da al-Qaeda e Taliban. Ao tentarem se estabelecer numa montanha mais alta da região, em razão da sua posição estratégica (Takur Ghar), durante a Operação Anaconda.

Mas, em face do avanço do terrorismo no mundo contemporâneo, o time de Navy Seals teve de se submeter a algumas adaptações. Para que pudessem atuar em cenários de guerra não convencional (“atrás das linhas inimigas”). O que teria ensejado o surgimento dos Navy Seals Team Six (ST6). Pertencente ao The United States Naval Special Warfare Development Group (NSWDG), mais popularmente conhecido como DEVGRU.

Uma unidade especializada em atuações de contraterrorismo. Que, em razão do seu estreito relacionamento com os órgãos de inteligência norte-americanos, passaram a ser denominados de “guarda pretoriana da CIA”.

Tal qual acontece com seus colegas de irmandade, os operadores da Delta Force (1st Special Forces Operational Detachment-Delta ou simplesmente 1st SFOD-D). Vinculados ao Exército Americano, também para o combate ao terrorismo. A quem se atribui a captura em 2003, do ex-ditador do Iraque Saddam Hussein.

Que, aliás, ainda possuem em comum o fato de “não existirem” oficialmente. Dado o sigilo que recobre as ações destes destacamentos das forças especiais.

Feita esta digressão, com o propósito de melhor contextualizar os fatos, cumpre examinar se haveria fundamento legal capaz de legitimar esta ação militar.

De início, faz-se necessário conceituar terrorismo. Tarefa nada fácil, posto que pode inclusive albergar múltiplos significados.[1] O que não é empecilho a que se estabeleça uma definição indicativa das suas principais características.

Para tanto, nada impede que se valha da proposta legislativa, que pretende inserir o crime de terrorismo no Código Penal, dando-lhe alguns contornos conceituais. Trata-se do Projeto de Lei n° 6.764, de 9 de maio de 2002, que adicionaria o Título XII, que versa sobre os crimes contra o Estado Democrático de Direito, à Parte Especial do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal. Cujo art. 371 seria redigido da seguinte forma:

“Terrorismo

Art. 371. Praticar, por motivo de facciosismo político ou religioso, com o fim de infundir

terror, ato de:

I – devastar, saquear, explodir bombas, seqüestrar, incendiar, depredar ou praticar atentado pessoal ou sabotagem, causando perigo efetivo ou dano a pessoas ou bens; ou

II – apoderar-se ou exercer o controle, total ou parcialmente, definitiva ou temporariamente, de meios de comunicação ao público ou de transporte, portos, aeroportos,estações ferroviárias ou rodoviárias, instalações públicas ou estabelecimentos destinados ao abastecimento de água, luz, combustíveis ou alimentos, ou à satisfação de necessidades gerais e impreteríveis da população:

Pena – reclusão, de dois a dez anos.

§ 1o Na mesma pena incorre quem pratica as condutas previstas neste artigo, mediante

acréscimo, supressão ou modificação de dados, ou por qualquer outro meio interfere em sistemas de informação ou programas de informática…”

A própria Organização das Nações Unidas (ONU) não conseguiu alcançar um consenso acerca do conceito de terrorismo. Motivo pelo qual ainda não foi elaborada uma convenção universal sobre o tema. Fato que não vem sendo óbice à tomada de iniciativas contra os atos de terror. Do que é exemplo a edição, em abril de 2005, da Convenção Internacional para a Repressão de Atos de Terrorismo Nuclear.[2]

Tanto que a ONU, por meio do seu Conselho de Segurança, editou a Resolução 1373 em 28 de setembro de 2001. Pela qual expressamente repudia a prática de atos terroristas, e exorta os estados-membros a prevenirem e reprimirem sua prática. Seja por meio de medidas simples, como o bloqueio de ativos financeiros de pessoas ligadas a grupos terroristas, seja mediante adoção de providências mais severas. Tais quais a não concessão de abrigo no país a pessoas que se engajam nestas práticas, ou não permitindo a movimentação de terroristas ou grupos terroristas pelo seu território.[3]

No âmbito regional, a Organização dos Estados Americanos (OEA), também tratou de confeccionar a Convenção Interamericana contra o Terrorismo, assinada em Barbados em 03 de junho de 2002. Pela qual insta os países que integram a OEA a prevenir, combater, punir e eliminar o terrorismo (art. 1)[4]. Colocada em aplicação no sistema jurídico nacional pelo Decreto n° 5.639 de 26 de dezembro de 2005.

Dentro desta moldura jurídica, e partindo-se do pressuposto de que tudo leva a crer que o Governo do Paquistão estaria, no mínimo, sendo conivente com a presença de Osama Bin Laden no seu território, já haveria suporte legal para que sofresse represálias internacionais. Posto que flagrado em inescusável descumprimento das normas internacionais. Talvez não da forma unilateral como foi feito pelos Estados Unidos, mas sim com o aval da ONU.

Cenário que, a bem da verdade, dificilmente viria a se concretizar. Considerando os interesses (muitos vezes escusos) os mais variados possíveis dos integrantes da ONU. Indiciando que, se a questão fosse levada ao debate no Conselho de Segurança, provavelmente não se obteria uma permissão para se lançar uma ofensiva sobre o território paquistanês. Ou pelo menos não em tempo de prender o terrorista. Que, até lá, muito provavelmente já teria tomada conhecimento da situação, e fugido do local onde se encontrava.

Mas e quanto à suposta execução sumária de Bin Laden? Haveria lastro jurídico capaz de justificar este ato? Deveria ele ter sido levado a julgamento perante algum país, ou pelo Tribunal Internacional Penal?

Em princípio, certamente que a resposta correta seria aquele que demandava que este terrorista fosse levado a uma Corte de Justiça. Onde seria formalmente acusado, e poderia exercitar sua plena defesa.

Acontece que, um julgamento desta natureza poderia levar anos para ser finalizado. E, até lá, é bem possível que insurgentes da Al-Quaeda passassem a promover atos de terror pelo mundo, exigindo a soltura de Bin Laden. Especialmente contra norte-americanos, principais responsáveis pela sua prisão.

Ante tal situação, não é desarrazoado cogitar-se que o Governo Americano se valeu do regular exercício da legítima defesa. Expressamente previsto na Carta da ONU, em seu art. 51, in verbi:

“Art. 51 Nada na presente Carta prejudicará o direito de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais…”

Que, na hipótese, seria utilizado como forma de legítima defesa preventiva (ou preordenada ou antecipada), ou mesmo sob a indumentária de uma legítima defesa preemptiva. Dentro de uma concepção mais ampla, que faz a diferenciação entre guerra justa e injusta, como sustentado por Michael Walzer, na obra  “Just and Unjust Wars” (New York: Basic Books – 2 ed., 1992).

Para quem, em suma, a guerra preemptiva estaria baseada em fatos reais e irrefutáveis (hard evidence) reveladores da iminência de um ataque. Enquanto a guerra preventiva, seria destinada a impedir o surgimento do próprio risco iminente. Ou seja, teria por finalidade debelar o risco, antes mesmo da efetiva materialização da possibilidade do ataque.

Seja num caso como noutro, não há como se refutar a constatação de que Bin Laden poderia estar engendrando e gerenciando, a prática de outros atos terroristas. Cujo alvo principal, inquestionavelmente, seria a América.

É verdade que, perante o Direito Brasileiro, uma tese desta natureza, preconizando o uso da legítima defesa preventiva, estaria fadada ao insucesso. Posto que, nos termos da legislação nacional (Código Penal, art. 25) não se justificaria uma ação antecipada contra prováveis ameaças, por mais que fossem plausíveis. Como assevera Damásio E. de Jesus, em Direito Penal – Parte Geral, 27ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. Vol.1, p. 389:

“…Não há legítima defesa contra agressão passada ou futura. Se a agressão já ocorreu, a conduta do agredido não é preventiva, tratando-se de vingança ou comportamento doentio. Se há ameaça de mal futuro, pode intervir a autoridade pública para evitar a consumação…”

Entretanto, num cenário internacional onde a “autoridade pública” é a ONU, cujos membros permanentes (China, França, Rússia, Reino Unido da Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América) do Conselho de Segurança (que possuem o poder de vetar qualquer iniciativa – Carta da ONU art. 27) possuem agendas muitas vezes não reveladas e moralmente questionáveis, e interesses conflitantes, seria improvável que se conseguisse uma permissão para se invadir o Paquistão e prender Bin Laden.

Motivo pelo qual, por mais que moralmente possa se reprovar a iniciativa unilateral que culminou na morte do terrorista, e por mais que se deva lamentar toda perda de uma vida humana, juridicamente, existem bases legais que legitimam esta ação militar americana.

Que obviamente não é a melhor medida para se debelar ameaças terroristas. Mas que, no conturbado jogo de interesses entre as nações, parece não ter deixado alternativa ao governo norte-americano.

* Procurador Federal. Mestre em Direito Internacional (Master of Law), com concentração na área de Direitos Humanos, pela American University – Washington College of Law. Especialista em Direito Civil e Processo Civil. Professor do Curso de Direito da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE (SC).

[1] Diniz. Compreendendo o Fenômeno do Terrorismo: “…corre-se o risco de agregar sobre um mesmo nome coisas muito diferentes, impossibilitando a análise, a identificação de alternativas adequadas para se lidar com o fenômeno e induzindo a erro quando da avaliação da eficácia dessas alternativas…” 

[2] http://www.onu-brasil.org.br/view_news.php?id=2881

[3] Resolução 1373 (2001): O Conselho de Segurança…

Reafirmando também a condenação inequívoca dos ataques terroristas ocorridos em Nova York, Washington, D.C. e Pensilvânia, em 11 de setembro de 2001, e expressando a determinação de prevenir esses atos,

Reafirmando ademais que tais atos, como quaisquer outros atos de terrorismo internacional, constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional…

Reafirmando a necessidade de combater por todos os meios, em conformidade com a Carta das Nações Unidas, ameaças à paz e à segurança internacional causadas por atos terroristas,

Profundamente preocupado com o aumento, em várias regiões do mundo, de atos de terrorismo motivados pela intolerância ou o extremismo,

Reafirmando o princípio estabelecido pela Assembléia Geral na declaração de outubro de 1970 (resolução 2.625 (XXV)) e reiterado pelo Conselho de Segurança na resolução 1.189 (1998) de 13 de agosto de 1998, qual seja o de que todo Estado tem a obrigação de abster-se de organizar, instigar, auxiliar ou participar de atos terroristas em outro Estado ou permitir, em seu território, atividades organizadas com o intuito de promover o cometimento desses atos,

Atuando ao abrigo do Capítulo VII da Carta das Nações Unidas,

•  Decide que todos os Estados devem:

a) Prevenir e reprimir o financiamento de atos terroristas;

b) Criminalizar o fornecimento ou captação deliberados de fundos por seus nacionais ou em seus territórios, por quaisquer meios, diretos ou indiretos, com a intenção de serem usados ou com o conhecimento de que serão usados para praticar atos terroristas;

c) Congelar, sem demora, fundos e outros ativos financeiros ou recursos econômicos de pessoas que perpetram, ou intentam perpetrar, atos terroristas, ou participam em ou facilitam o cometimento desses atos. Devem também ser congelados os ativos de entidades pertencentes ou controladas, direta ou indiretamente, por essas pessoas, bem como os ativos de pessoas e entidades atuando em seu nome ou sob seu comando, inclusive fundos advindos ou gerados por bens pertencentes ou controlados, direta ou indiretamente, por tais pessoas e por seus sócios e entidades…

•  Decide também que todos os Estados devem:

•  Abster-se de prover qualquer forma de apoio, ativo ou passivo, a entidades ou pessoas envolvidas em atos terroristas, inclusive suprimindo o recrutamento de membros de grupos terroristas e eliminando o fornecimento de armas aos terroristas;

•  Tomar as medidas necessárias para prevenir o cometimento de atos terroristas, inclusive advertindo tempestivamente outros Estados mediante intercâmbio de informações;

•  Recusar-se a homiziar aqueles que financiam, planejam, apóiam ou perpetram atos terroristas, bem como aqueles que dão homizio a essas pessoas…

[4] Artigo 1:  Esta Convenção tem por objeto prevenir, punir e eliminar o terrorismo. Para esses fins, os Estados Partes assumem o compromisso de adotar as medidas necessárias e fortalecer a cooperação entre eles, de acordo com o estabelecido nesta Convenção.

LONDRES, 17 de abril – (Reuters) – O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, descartou neste domingo a possibilidade de enviar tropas terrestres para a Líbia, dizendo que é importante acatar a ordem da ONU e não tomar nenhuma atitude que possa alienar o mundo árabe.

“O que dissemos é que não se trata de uma invasão ou ocupação – não é o caso da Grã-Bretanha colocar suas botas no território. Não é o que estamos fazendo aqui,” disse ele à Sky News durante uma entrevista, respondendo a uma pergunta sobre o aumento da ajuda militar ao país.

Falando de Oxfordshire, no sul da Inglaterra, ele disse que a missão da aliança ocidental era bem clara: fiscalizar o cumprimento da zona de exclusão aérea e continuar com as incursões aéreas para destruir os tanques e artilharia de Muammar Gaddafi que estão sendo usados para matar civis.

“Está muito claro que devemos nos ater aos termos da resolução do Conselho de Segurança da ONU. Devemos manter o apoio do mundo árabe e acho que é muito importante nos assegurarmos que isso seja feito da maneira certa,” disse ele.

A Resolução 1973, que estabeleceu a zona de exclusão aérea, autoriza as forças a tomar “todas as medidas necessárias” para proteger os civis, ao mesmo tempo em que exclui “qualquer forma de ocupação estrangeira, em qualquer parte do território líbio.”

Cameron disse que, exceto enviando tropas terrestres, a aliança ajudaria de qualquer outra maneira para parar Muammar Gaddafi, “libertando o povo deste inferno em Misrata” e outras cidades ao longo da costa da Líbia.

Reiterando comentários que ele fez na sexta-feira, em conjunto com o presidente does EUA, Barack Obama e o presidente da França, Nicolas Sarkozy para um artigo de jornal, Cameron disse que Gaddafi precisa sair.

“Não tenho dúvidas que o coronel Gaddafi tem a intenção de matar pessoas em Misrata, assumindo o controle dessa cidade e seguindo em direção à Benghazi, onde tenho certeza que se ele chegar lá, haverá um banho de sangue,” analisou Cameron.

FONTE: Reuters/Brasil Online

Tagged with:
 

Fernanda Godoy – Correspondente

NOVA YORK – Indefinições sobre os limites da intervenção militar na Líbia e sobre quem assumirá o comando da operação se e quando os Estados Unidos se retirarem para segundo plano – como é o desejo do presidente Barack Obama – marcaram um dia tenso nas Nações Unidas e na Otan nesta segunda-feira, mostrando que as divergências entre os países aliados podem comprometer a operação. O Conselho de Segurança da ONU se reuniu à tarde, mas a discussão sobre a Líbia, pedida em carta do chanceler líbio, Moussa Koussa, foi adiada. França, Reino Unido e EUA, que lideram a coalizão, ganharam tempo para seguir com o bombardeio pelo menos até quinta-feira, quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, levará ao conselho uma avaliação da situação. A indefinição já ameaça comprometer a participação de alguns países, como Itália e Noruega.

A crise líbia tem acompanhado o presidente Obama em sua viagem à América do Sul. Na capital chilena, ele afirmou na segunda que será uma questão “de dias e não de semanas” a transferência da liderança da operação militar dos EUA para um outro país. Obama afirmou ainda que seu governo é favorável à saída de Muamar Kadafi do poder, mas que a coalizão internacional tem um papel limitado, que é estabelecer uma área de exclusão aérea e proteger civis.

- Obviamente, a situação está se desenvolvendo em campo, e a rapidez com que essa transferência ocorrerá será determinada pela recomendação de nossos comandantes militares de que a primeira fase da missão foi completada – disse Obama, em Santiago.

A transferência, no entanto, pode não ser tão simples. A questão está dividindo a comunidade internacional, seja na Organização do Tratado do Atlântico Norte ou na União Europeia, levando a dúvidas sobre o sucesso da operação. Os países-membros da Otan, por exemplo, não conseguiram chegar a um acordo se a organização deveria assumir o comando da missão no lugar dos EUA.

As decisões requerem o apoio de seus 28 membros, algo para o qual a Turquia deve impor uma série de condições. O país se opõe à intervenção na Líbia, enquanto as nações árabes são contrárias à liderança da Otan na missão. Até segunda-feira, o secretário-geral da ONU só havia recebido a confirmação de um país árabe – o Qatar – de seu desejo de participar da operação.

Na Otan, a Itália ameaçou rever a participação de suas sete bases militares na ofensiva a menos que a organização consiga chegar a um acordo sobre a estrutura de coordenação. Uma fonte no Ministério do Exterior italiano chegou a chamar de “anárquica” a estrutura tripla de comando, liderado pelos EUA em estreita coordenação com Reino Unido e França. Para Roma, a coordenação deve ficar com a Otan. Já a Noruega, que enviou seis caças F-16 para a operação, disse que não entrará em ação até que sua missão seja bem definida.

Na União Europeia, a Alemanha reforçou sua posição de não participar da ofensiva militar, dizendo que as críticas árabes demonstram que sua opção era a correta. Os membros do bloco, no entanto, concordaram em expandir as sanções à Líbia.

FONTE: O Globo

O general no comando das forças americanas na África negou nesta segunda-feira que a coalizão militar que vem realizando bombardeios aéreos na Líbia desde o sábado esteja agindo de forma coordenada com as forças de oposição ao líder líbio, Muamar Khadafi.

“Nossa missão é proteger civis de ataques das forças terrestres do regime. Nossa missão não é apoiar qualquer força de oposição”.

A ofensiva da coalizão, que conta com a participação de Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e outras nações, tem o objetivo de impor a resolução da ONU que estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia, para proteger civis opositores de bombardeios do governo.

Ham acrescentou que “não é intenção destruir completamente a (infraestrutura) militar líbia”.

“Se eles pararem e tomarem posições defensivas, poderemos atacar. Depende sobre onde eles estão e quais são as intenções. Se eles atacarem civis, faz parte de nossa missão atacá-los”, acrescentou.

Ham e outros representantes de outros países que integram a coalizão militar afirmaram que Khadafi não é pessoalmente alvo da ofensiva.

ZONA DE EXCLUSÃO

O general também afirmou que a zona de exclusão aérea estabelecida na Líbia pelas forças da coalizão está sendo estendida para cobrir uma área de mil quilômetros e, em breve, chegará às cidades de Brega, Misrata e Trípoli.

Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse no Parlamento em Londres que, apesar de ainda querer que o líder líbio, Muamar Khadafi, deixe o poder, é preciso lembrar que a resolução da ONU tem “alcance limitado” e “explicitamente não dá autoridade legal para a retirada de Khadafi do poder pelo uso de qualquer meio militar”.

Em uma coletiva no Chile, o presidente americano, Barack Obama, também disse que continua sendo uma aspiração da política externa americana que Khadafi deixe o governo da Líbia.

Nas últimas horas, aeronaves da coalizão realizaram dezenas de voos em território líbio para reprimir ataques de forças líbias contra oposicionistas.

Há relatos de que, apesar de um cessar-fogo anunciado pelo governo de Trípoli, pelo menos nove pessoas teriam sido mortas pelas forças fiéis a Khadafi na cidade de Misrata, o último grande reduto dos rebeldes no oeste da Líbia.

Residentes dizem que a distribuição de água na cidade foi cortada pelas forças pró-Khadafi.

Também há informações de confrontos com mortos entre oposicionistas e forças do governo na cidade de Ajdabiya, no leste do país.

FONTE: Folha/BBC

Tagged with:
 

Após abster-se perante Conselho de Segurança, Rússia lamenta ação internacional

CARACAS – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou neste sábado, 19, de “irresponsável” e “ingerência” a ação militar internacional contra a Líbia. Por sua vez, a Rússia lamentou a intervenção.

A declaração russa foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Alexander Lukashevich. A própria Rússia se absteve na votação do Conselho de Segurança do ONU que permitiu a intervenção e estabeleceu uma zona de exclusão aérea em todo o território líbio.

Segundo Chávez, as nações envolvidas na operação querem apenas se apoderar do petróleo da Líbia e exigiu um “cessar-fogo de verdade” imediatamente. “Já começou a ação militar dos aliados contra a Líbia. É muito lamentável. É uma irresponsabilidade. E por trás disso está a mão dos Estados Unidos e seus aliados europeus”, criticou o presidente venezuelano na televisão estatal.

Chávez disse que a comunidade internacional deveria ter optado pela mediação de paz proposta pela Venezuela há alguns dias. “Exigimos um cessar-fogo de verdade e que se retome o caminho da paz no norte da África.

A intervenção militar na Líbia teve início neste sábado após o Conselho de Segurança concordar em tomar todas as medidas cabíveis para dar um basta nos ataques do líder líbio Muamar Kadafi contra a população civil de seu país. Caças Rafale já estão sobrevoando o território líbio e, segundo o Ministério da Defesa da França, veículos das forças de Kadafi já teriam sido atingidos.

FONTE: Estadão

Conselho de Segurança da ONU discute intervenção contra forças de Kadafi para salvar rebeldes

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, disse nesta quinta-feira, 17, que ainda há tempo para uma intervenção na Líbia. A ação, no entanto, ainda depende do aval do Conselho de Segurança a ONU. O órgão deve votar ainda hoje uma resolução que prevê ataques aéreos contra as forças do ditador Muamar Kadafi.

“O tempo está se esgotando rapidamente, mas acredito que ainda não seja tarde demais. Vai depender do Conselho de Segurança”, disse Rasmussen. “Acredito que a comunidade internacional e as Nações Unidas ficaram firmemente ao lado do povo líbio, se seu regime enfraquecido continuar a atacar seu povo”.

As forças de Kadafi estão próximas de Benghazi e prometem um ‘ataque final’ contra a capital rebelde. O filho do ditador, Said al-Islam, disse ontem que ‘já não haveria tempo’ para uma intervenção e que a situação se resolveria em ’48 horas’.

Decisão na ONU

Ontem, a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice, sinalizou que Washington já trabalha com medidas mais severas que uma zona de exclusão aérea contra as forças de Kadafi.

“Precisamos nos preparar para passos que incluem – mas que devem ir além – de uma zona de exclusão aérea, devido à evolução da situação no local. Esta medida tem limitações na proteção de civis sob risco imediato”, disse Rice. Os EUA já defendem o bombardeio de arsenal de Kadafi.

Na última semana, forças de Kadafi lançaram uma violenta contraofensiva para tomar território dominado pelo Exército rebelde líbio. Depois de controlar quase todo o leste do país e algumas cidades importantes no oeste, a dissidência recuou e atualmente domina apenas a área compreendida entre Benghazi e Tobruk, além de Misrata, no oeste.

O Conselho de Segurança da ONU discute desde quinta-feira uma resolução sobre a Líbia. EUA, Reino Unido, França e Alemanha já defendem uma intervenção mais severa. China e Rússia – dois dos países com direito a veto – precisam concordar com a medida. “Espero que haja progresso nesta quinta”, disse o embaixador chinês na ONU, Li Baodong.

 

FONTE: Estadão / AP e Reuters

Brasília – A ministra das Relações Exteriores da França, Michele Alliot-Marie, defendeu hoje (22) a reforma imediata da estrutura do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para que o Brasil ocupe um assento permanente no organismo. O apoio da França é fundamental porque o país é membro permanente do órgão. Segundo ela, o Brasil tem desempenhado “um papel essencial” no contexto internacional.

A chanceler acrescentou ainda que o Reino Unido – que é o outro país que tem assento permanente no conselho – também apóia o ingresso do Brasil como membro permanente. Para ela, é “natural” o pleito brasileiro para ocupar um assento permanente no conselho.

“O pleito do Brasil para ter um assento permanente deve ser levado em consideração por ele desempenhar a um papel essencial [no cenário internacional]. O Conselho de Segurança ignora o papel muito essencial que o Brasil tem desempenhado para o mundo”, disse a chanceler.

A chanceler chegou ontem ao Brasil e esteve por São Paulo e Brasília. Em Brasília, Alliot-Marie se reuniu com a presidenta Dilma Rousseff, além dos ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o da Defesa, Nelson Jobim.

O Conselho de Segurança tem a mesma estrutura desde a sua criação em 1945, com 15 membros, sendo cinco permanentes e dez com vagas provisórias, por dois anos.

Uma das propostas em discussão é que, entre os seus integrantes permanentes, sejam incluídos dois países da Ásia, um da América Latina, um do Leste Europeu e um da África. Atualmente, são integrantes permanentes do conselho os Estados Unidos, a Rússia, China, França e o Reino Unido. Já o Brasil, Japão, México, Líbano, Gabão, a Turquia, Bósnia Herzegovina, Nigéria, Áustria, e Uganda são membros provisórios do órgão.

FONTE / FOTO: Agência Brasil (reportagem de Renata Giraldi)

Tagged with: