País aliado de presidente sírio diz que suposta ação seria uma violação da Carta da ONU; fontes indicam que Israel atingiu comboio de caminhões com carregamento de armas
O Ministério de Relações Exteriores da Rússia expressou preocupações sobre um suposto ataque israelense na Síria , afirmando que tal ação seria uma violação inaceitável da Carta da ONU. “Se a informações for confirmada, então estaremos lidando com ataques lançados sem provocação contra alvos no território de um país soberano, o que viola de forma explícita a Carta da ONU e é inaceitável, independentemente dos motivos para justificar isso.”
O Exército sírio disse que jatos israelenses atacaram um centro de pesquisa militar em Jamraya , a noroeste de Damasco, deixando dois mortos e ferindo cinco. Sob condição de anonimato autoridades regionais e dos EUA, porém, afirmaram que o alvo foi um comboio de caminhões que parecia levar um carregamento de armas antiaéreas para o grupo militante islâmico Hezbollah no Líbano. O ataque acrescenta novos elementos de tensão para a já violenta guerra civil da Síria.
A Rússia é a principal aliada do presidente sírio, Bashar al-Assad, protegendo-o de sanções da ONU contra a repressão de seu regime ao levante popular iniciado em março de 2011. Segundo a ONU, a violência deixou mais de 60 mil mortos no país . Moscou também continuou fornecendo a Damasco armas mesmo quando a mobilização popular tornou-se uma guerra civil, acrescentando equipamento aos grandes arsenais de armas soviéticas e russas que a Síria recebeu durante décadas passadas.
Oficiais regionais disseram que Israel planejava havia dias o ataque para atingir um carregamento de armas direcionadas ao Hezbollah. Eles disseram que o carregamento incluiria sofisticados mísseis antiaéreos SA-17 (foto), de fabricação russa, que poderiam fortalecer estrategicamente o Hezbollah, que já se comprometeu com a destruição de Israel e travou uma guerra contra o Estado judeu no passado. O Exército israelense rejeitou fazer comentários sobre o caso.
Importantes autoridades israelenses expressaram recentemente preocupações de que, se desesperado, o regime de Assad poderia fornecer armas químicas para o Hezbollah ou outros grupos militantes . Funcionários americanos dizem que estão rastreando o armamento químico sírio, que aparentemente continua solidamente sob controle do regime.
Israel suspeita que Damasco obteve uma bateria de SA-17 da Rússia depois de um suposto bombardeio israelense em 2007 que destruiu um reator nuclear sírio inacabado.
No início desta semana, Israel moveu uma bateria de seu novo sistema de defesa de foguete “Domo de Ferro” para a cidade de Haifa, no norte de Israel, que foi atingida por disparos do Hezbollah na guerra entre Israel e o grupo em 2006. O Exército israelense classificou a medida de “rotineira”.
O Exército do Líbano, país que compartilha fronteiras com Israel e Síria, disse na quarta que os aviões israelenses aumentaram drasticamente a atividade sobre o Líbano na última semana, incluindo ao menos 12 exercícios em menos de 24 horas no sul do país.
“Houve definitivamente um impacto na região da fronteira”, disse uma fonte de segurança libanesa. Questionado sobre o ataque, um diplomata ocidental na região disse, sem especificar, que “alguma coisa tinha acontecido”.
O vice-premiê israelense, Silvan Shalom, disse no domingo que qualquer sinal de que o controle da Síria sobre suas armas químicas está diminuindo poderia provocar uma intervenção de Israel.
Fontes israelenses disseram na terça-feira que as armas convencionais avançadas representariam uma ameaça tão grande para Israel quando suas armas químicas, caso elas caiam nas mãos das forças rebeldes sírias ou nas mãos da guerrilha Hezbollah baseada no Líbano.
FONTE: iG *Com AP e BBC
VEJA TAMBÉM:
- Israel bombardeia comboio com armas na Síria
1. PAQUISTÃO/ÍNDIA: Pela primeira vez em 11 anos, o Exército do Paquistão modificou o “Livro Verde” que encapsula sua doutrina militar fundamental. Entre outras alterações, a nova edição do “Livro Verde” estabelece que a mais grave ameaça à segurança nacional do Paquistão é representada pela militância islamista doméstica, e não mais pelo anterior principal inimigo externo do país, a Índia. O documento contém capítulo inteiramente novo, dedicado ao tratamento das chamadas “formas subconvencionais da guerra”, o qual descreve as ameaças representadas por indivíduos e organizações envolvidos em ações de terrorismo e guerrilha contra o Estado paquistanês. Do contingente ativo das forças terrestres, de 550 mil homens, 65% estão no patrulhamento da fronteira oriental (indiana) do país; em contraste, apenas 20% das tropas encontram-se dedicadas à proteção da faixa de fronteira noroeste (afegã), onde se situam os principais santuários dos movimentos jihadistas atuantes na Ásia Central e Meridional. A redistribuição física do poder terrestre paquistanês poderia desdramatizar as tensões militares entre Islamabad e Nova Délhi e facilitar a reconciliação bilateral.
2. ISRAEL/SÍRIA Netanyahu anunciou que Israel construirá uma cerca nas Colinas de Golã, nos mesmos moldes da que está sendo finalizada na fronteira do Sinai. Segundo ele, a nova cerca tornou-se necessária uma vez que, do lado da Síria, “o exército sírio afastou-se e, no seu lugar, forças da Jihad Global avançaram”. Netanyahu voltou a comentar a grande instabilidade do regime sírio e sua preocupação com a questão das armas químicas naquele país. Ressaltou que Israel se está coordenando com os EUA e outros países, para preparar-se “para qualquer cenário e possibilidade que venha a ocorrer”.
FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia
Presidente do país também agradeceu China, Rússia e Irã por não interferirem na política da nação
![]()
O presidente sírio, Bashar al Assad, ratificou neste domingo que sua missão é somente “defender a Síria de seus inimigos”, no conflito que definiu como algo “nunca visto” na região.
Em seu primeiro discurso à nação em cinco meses, Assad afirmou que por trás das milícias rebeldes está a ideologia da rede terrorista internacional Al Qaeda e ressaltou que existe um plano exterior para fragmentar o país.
Mas “a Síria é mais forte que seus inimigos e lhes dará uma lição”, afirmou o líder na Opera House de Damasco diante de um público que cantou seu nome e o ovacionou diversas vezes.
Neste contexto, agradeceu à China, Rússia e o Irã por manterem-se firmes e “lutar contra a ingerência” dos países ocidentais e árabes que, para o líder, participam do “complô internacional” contra a Síria.
“Estamos em uma situação de guerra, em todo o significado da palavra, contra um inimigo exterior”, reiterou antes de ressaltar que “defender o país é uma opção legítima e legal”.
Assad defendeu novamente a resposta militar contra os “terroristas”, já que em sua opinião “os que falam apenas de uma solução política para o conflito ou são ignorantes ou utilizam a mesma linguagem que os criminosos”.
No mesmo tom, acusou os insurgentes de não serem opositores mas “terroristas” que atendem a interesses estrangeiros, o que transforma a guerra em “um conflito externo e uma ocupação política”.
“Manteremos diálogo com qualquer um que discorde enquanto seus princípios estiverem baseados no patriotismo e não quiserem vender o país a seus inimigos”, acrescentou.
FONTE: Efe/Estadão / FOTO: Reuters
Cerca de 5 mil homens da organização islamita libanesa Hezbollah atravessaram recentemente a fronteira da Síria para se juntar ao exército de Bashar al-Assad e intervir nas operações militares contra os rebeldes em Damasco, comunica o jornal árabe Alwatan.
O periódico responsabiliza o Hezbollah pela morte de cerca de 3 mil pessoas registrada nos últimos dias. Esta informação, porém, não é confirmada por outras fontes.
FONTE: Voz da Rússia
Otan teme cartada final do ditador Assad para se manter no poder ou o acesso de terroristas a arsenal
Aos grandes riscos que o Oriente Médio enfrenta hoje – batalha campal no Egito, conflito entre Israel e palestinos – somou-se outro com consequências potencialmente trágicas: o temor crescente de um ataque químico na Síria. O regime de Bashar al-Assad estaria pronto para utilizar armas químicas como cartada desesperada para sobreviver no poder, segundo a Turquia, os Estados Unidos e a Otan.
No último dia 14, os EUA autorizaram o envio de uma bateria antimísseis e de soldados àfronteira com a Turquia, após a aprovação pela Otan do pedido turco. Foguetes de artilharia sírios já haviam cruzado a fronteira, e Ancara acredita que os mísseis Scud soviéticos, aos quais o regime começou a recorrer, podem aterrissar na Turquia. A mensagem da Otan ao regime foi clara: que não se meta fora de seu território.
- A possível utilização de armas químicas seria totalmente inaceitável para toda a comunidade internacional e, se alguém recorrer a estas terríveis armas, eu espero uma reação imediata da comunidade internacional – disse, em tom de alerta, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.
O regime de Assad reagiu dizendo que isso é “pretexto” para uma intervenção estrangeira. Usando ou não essas armas, um elemento é suficiente para alarmar as potências internacionais: a Síria é o primeiro país com armas de destruição em massa a mergulhar numa guerra civil, e esse arsenal pode cair nas mãos de grupos terroristas.
Barril de pólvora
“O país é um barril de pólvora química pronto para explodir”, alertou um relatório de julho do Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação do Instituto Monterey de Estudos Internacionais. O instituto cita pelo menos quatro locais de produção dessas armas: al-Safira, Hama, Homs e Latakia, enquanto os depósitos estariam em Khan Abu Shamat (a nordeste de Damasco) e Furqlus (perto de Homs). E está convencido que o arsenal – criado essencialmente contra Israel – é vasto.
- Eles têm gases que foram usados na Primeira Guerra Mundial, como mostarda e cianeto. Também desenvolveram gases nervosos (que atacam o sistema nervoso e provocam morte por asfixia) e também têm o mais moderno e persistente gás nervoso VX – disse Leonard Spector, vice-diretor do Centro James Martin, numa entrevista à rádio “Voice of America”.
E o temor é nas mãos de quem esse arsenal pode cair: al-Qaeda, Hezbollah?
- A Síria tem provavelmente um dos maiores e mais sofisticados programas de armas químicas do mundo – avaliou o presidente da Federação de Cientistas Americanos (FAS, na sigla em inglês), Charles Blair.
Blair lembrou que os insurgentes sírios estão se radicalizando. Ele teme que a revolta acabe nas mãos de jihadistas, e as armas, com terroristas. Blair argumenta que é difícil guardar armas quando um governo desmorona.
- Durante a intervenção americana no Iraque, mais de 330 toneladas de explosivos militares desapareceram da instalação militar de al-Qaqaa. Mais de 200 toneladas do mais poderoso explosivo do Iraque, HMX, usado por alguns Estados para detonar a bomba atômica, estavam lacrados pela Agência Internacional de Energia Atômica. E várias toneladas deste HMX selado desapareceram – relata Blair.
Fora dos tratados
Armas químicas têm uma longa história de tragédias. Começaram a ser usadas na Primeira Guerra Mundial. Um ataque com elas tem consequências imprevisíveis. Em 1995, a seita Verdade Suprema matou 13 pessoas e deixou 5.500 intoxicadas ao usar gás sarin, uma das armas que acredita-se que a Síria possuiria, no metrô de Tóquio.
A maioria dos países prometeu destruir seus estoques com a Convenção de Armas Químicas. E também assinaram tratados que proíbem o uso de armas biológicas. Em 2008, EUA e Rússia declararam ter destruído 40% de seus estoques. Apenas oito países, entre eles Síria e Coreia do Norte, não assinaram o tratado.
O programa de armas químicas do país teria começado nos anos 1970. Ninguém sabe em que pé está, mas especialistas dizem que o país conseguiu produzir o VX. Oficialmente, a Síria não assume que tenha estas armas.
- Não creio que usarão armas químicas. Seria um suicídio, significaria o abandono dos aliados. Os russos não vão aceitar e até os iranianos estão inquietos – opinou Salam Kawakibi, diretor do Arab Reform Initiative, em Paris. – Mas o regime pode ameaçar usá-las para reforçar sua posição numa eventual negociação.
FONTE: O Globo, via resenha do EB
FOTO: Engineering & Technology Magazine
Novos voos são cancelados, e país tem segundo dia sem internet e telefone, provavelmente cortados pelo regime. Ativistas temem que “apagão” na área de comunicações seja estratégia de Assad para cometer novo massacre
A Síria registrou ontem seu segundo dia sem internet e com telefones fixos e celulares praticamente inoperantes, ao mesmo tempo em que bombardeios da Força Aérea atingiram posições de insurgentes nas cercanias do aeroporto da capital, Damasco.
É a pior queda no sistema de comunicações do país desde o início da revolta contra a ditadura de Bashar Assad, em março de 2011 -que acabou se transformando em uma guerra civil e já deixou ao menos 40 mil mortos, segundo cálculos de ativistas.
A verificação independente das informações é impossibilitada pela censura que o regime sírio impõe à mídia.
Conforme relatos de oposicionistas, forças de Assad e rebeldes entraram em choque nos distritos de Aqraba e Babilla, no sudeste de Damasco, por onde é preciso passar para chegar ao aeroporto.
Um porta-voz da insurgência na capital, Musaab Abu Qitada, disse à agência Reuters que a intenção era “liberar” o aeroporto e evitar a chegada de carregamentos de armas para o governo sírio.
Ontem, as informações sobre os voos para Damasco eram contraditórias. O diretor da empresa aérea nacional, a Syria Air, disse que a companhia operava normalmente. Porém voos de empresas estrangeiras, como Emirates e EgyptAir, continuaram suspensos durante todo o dia.
O chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (baseado em Londres), Rami Abdelrahman, disse que os aviões de Assad atacaram áreas rurais perto de Aqraba e Babilla e a estrada para o aeroporto ficou aberta, mas com pouquíssimo tráfego.
Ainda ontem, pelo menos 12 atiradores libaneses foram mortos numa emboscada do Exército sírio perto de Tel Kalakh, na província de Homs (centro do país), aumentando os temores de que o conflito se espalhe pela região.
Fora da rede
O segundo dia de “blecaute” nas comunicações sírias despertou entre ativistas a desconfiança de que o regime sírio planeje um ataque longe das vistas do público. A internet tem sido um dos principais meios de arregimentação dos oposicionistas.
A Síria já atribuiu a queda da internet a “terroristas” e a “problemas técnicos”. Especialistas, porém, dizem que um eventual sabotador teria de cortar, ao mesmo tempo, três cabos submarinos e mais um que passa pela Turquia para tirar o país da rede -o que é altamente improvável.
Ontem, a França manifestou “extrema preocupação” com o corte nas comunicações sírias. “É mais uma mostra do que Damasco está fazendo para manter as pessoas reféns”, disse um porta-voz da Chancelaria francesa.
FONTE: Folha de São Paulo, via Sinopse da Marinha
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta terça-feira (13) que o Brasil está disposto a participar de uma eventual missão de paz da ONU na Síria e se disse preocupado pela possível extensão do conflito nesse país.
“O Brasil já contribuiu no passado e estaria disposto a considerar a possibilidade de participar de uma futura missão de paz”, declarou Patriota, que, no entanto, esclareceu que o organismo internacional ainda não tomou uma decisão.
Também sustentou que o Conselho de Segurança da ONU deveria dar “todas as garantias necessárias” a essa possível missão de paz.
Segundo o ministro, “a comunidade internacional reconhece que não deve haver uma maior militarização do conflito”, mas ao mesmo tempo observa uma espiral crescente de violência, que ameaça expandir-se para além das fronteiras sírias.
“A perspectiva que o conflito comece a afetar outros países começa a preocupar e muito”, comentou Patriota, em alusão aos recentes incidentes com Israel e Turquia.
FONTE: EFE, via Portal R7
Disparo, em reação a projéteis que atingiram Colinas de Golã, é primeiro ataque ao país vizinho desde 1973
Daniela Kresch
A guerra civil na Síria ecoa na fronteira do país com Israel. Pela primeira vez em quase 40 anos, desde a Guerra do Yom Kipur, em 1973, Israel lançou um míssil antitanques (o novíssimo modelo Tamuz) contra solo sírio depois de ser atingido, pela quarta vez em uma semana, por projéteis lançados do país árabe contra as Colinas de Golã. A troca de hostilidades tem o potencial de incendiar o Oriente Médio, principalmente se for acompanhada de bombardeios mútuos também na fronteira entre Síria e Turquia.
“As forças do Exército de Defesa de Israel fizeram tiros de advertência e transmitiram uma mensagem às forças sírias através das Nações Unidas. Qualquer fogo adicional irá provocar uma resposta rápida”, afirmou o Exército, em comunicado.
Para a maioria dos analistas, o fogo sírio que atingiu Israel não foi intencional, e sim fruto dos confrontos entre o Exército e a oposição ao governo do presidente Bashar al-Assad. Os militares tentam, há semanas, retomar as cidades de Kuneitra e Bir Adjam, a poucos quilômetros da fronteira com Israel, controladas atualmente pelos rebeldes. O mesmo tem acontecido na fronteira com a Turquia.
ESCALADA NA ÚLTIMA SEMANA
Apesar de Israel e Síria estarem, tecnicamente, em estado de guerra desde 1974, quando assinaram um acordo de cessar-fogo, a fronteira era considerada uma das mais calmas nas últimas décadas. Desde o começo da guerra civil síria, no entanto, a tensão aumentou. Em julho e setembro, houve casos esporádicos de projéteis que caíram nas Colinas do Golã. Mas, na última semana, eles se acentuaram. Na quinta-feira, três morteiros atingiram a região. Um deles caiu no quintal de uma casa no vilarejo de Alonei HaBashan. Dias antes, três tanques sírios entraram na zona desmilitarizada estabelecida pela ONU em 1974 e um foguete sírio alcançou um jipe militar israelense na fronteira.
- O problema sírio pode acabar se transformando em problema nosso – disse, em reação à escalada na tensão, o general Benny Gantz, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
Ontem, um morteiro sírio de 120 milímetros atingiu a base militar de Tel Hazka, no Norte do Golã, explodindo numa área não populada. O exército israelense enviou uma queixa formal às Forças Observadoras de Separação da ONU (Undof), afirmando que “o fogo que chega a Israel a partir da Síria não vai ser tolerado e poderá ser respondido com severidade”. Paralelamente, os militares dispararam o míssil Tamuz, teleguiado, alvejando intencionalmente uma área despopulada.
- A intenção da resposta de Israel não foi a de instigar guerra, e sim enviar um sinal à Síria que Israel não vai ignorar fogo contra seu território – afirma o analista político Ron Ben-Yishai.
Mas, apesar disso, os moradores das Colinas do Golã se preparam para uma elevação na violência. Muitos estão limpando abrigos antiaéreos para o caso de uma nova guerra com a Síria.
Segundo o professor Ely Carmon, do Centro Interdisciplinar Hertzelyia, o lançamento de ontem contra Israel pode ter sido intencional, mas também pode ser uma provocação do exército de Assad com o objetivo de atrair Israel para dentro do conflito e, dessa forma, conseguir o apoio de parte da população e do resto do mundo árabe. Outra teoria é a de que “jihadistas” estrangeiros estejam preparando o terreno para um conflito com o Estado Judeu.
- Nos últimos dois meses, entraram na Síria e se estabeleceram na fronteira com Israel elementos “jihadistas” e membros da rede terrorista al-Qaeda. Eles já dizem claramente que assim que “acabarem com o trabalho” contra o governo sírio, vão continuar a lutar também contra o país – acredita Carmon. – De qualquer forma, a situação do Golã só ficará mais complicada.
TROCA DE HOSTILIDADES COM GAZA
Se a fronteira Norte está agitada, o mesmo se pode dizer da fronteira sul de Israel, com a Faixa de Gaza. Na sexta-feira, começou uma nova rodada de ataques e contra-ataques entre o exército israelense e militantes de grupos radicais palestinos como o Hamas e a Jihad Islâmica.
A escalada da violência começou quando um jipe de Israel foi atingido por um míssil quando patrulhava a fronteira. Em resposta, a Força Aérea israelense atacou alvos no Sul de Gaza, matando seis pessoas: dois militantes de grupos islâmicos e quatro civis. Nas 48 horas seguintes, mais de 120 mísseis, foguetes e morteiros lançados de Gaza aterrissaram em Israel, ferindo três civis e paralisando todo o Sul do país.
- O mundo precisa entender que Israel não vai ficar de braços cruzados quando enfrenta tentativas de nos ferir – disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
O premiê – que concorre à reeleção pelo partido conservador Likud no dia 22 de janeiro – está sob pressão popular para acabar com os bombardeios de Gaza, ao mesmo tempo em que não parece ter interesse em melindrar a opinião pública internacional – e o novo governo do Egito – com uma nova guerra no território palestino.
FONTE: O Globo, via resenha do EB
FOTO: Haaretz
Carro-bomba explode em bairro afluente de Beirute e mata oito, entre eles chefe da inteligência; Síria é suspeita
Marcelo Ninio
A explosão de um carro-bomba matou ontem num bairro de maioria cristã de Beirute um dos principais chefes da inteligência do Líbano e outras sete pessoas, reacendendo as tensões sectárias e os temores de um contágio da guerra civil na Síria.
Entre os mortos está Wissam al Hassan, 47, chefe de inteligência das forças de segurança internas, o que fortalece a hipótese de que tenha sido o alvo da explosão.
Foi o primeiro carro-bomba em quatro anos em Beirute e o mais grave atentado desde o assassinato do ex-premiê Rafiq Hariri, em 2005.
A explosão abriu uma cratera no chão e ergueu uma coluna de fumaça negra no badalado bairro de Ashrafieh, área no leste da capital conhecida pelo comércio sofisticado e pela vida noturna.
Testemunhas contaram que o impacto foi tão grande que destruiu vários carros e balançou os prédios das redondezas. Ao menos 80 pessoas ficaram feridas.
A explosão assustou os funcionários do Centro Cultural Brasil-Líbano, a quatro quarteirões de distância. “O estrondo foi impressionante, o prédio inteiro tremeu”, contou à Folha a professora Renata Vieira. Segundo a Embaixada do Brasil em Beirute, não há notícia de brasileiros entre as vítimas.
PLANO PARA ATENTADOS
As tensões sectárias no país, alimentadas pela guerra na vizinha Síria, aumentaram nas últimas semanas, depois que os serviços de segurança desbarataram um plano para atentados e assassinatos.
Chefiada por Al Hassan, a operação levou à prisão de Michel Samaha, proeminente político libanês, ex-ministro da Informação e aliado do ditador sírio, Bashar Assad. Após a prisão, Al Hassan recebeu ameaças de morte e mudou a família para Paris.
Ninguém assumiu a autoria do ataque de ontem. As suspeitas recaíram sobre a Síria e seus aliados no Líbano, sobretudo o Hizbollah, misto de milícia e partido e grupo mais influente do país.
O fato de o atentado ter sido num bairro cristão não tem necessariamente significado político, já que os partidos cristãos estão divididos entre a coalizão de governo do Hizbollah e a oposição.
O grupo xiita condenou o atentado em nota: “Este crime terrível é uma tentativa contra a estabilidade do Líbano e a união nacional”.
Saad Hariri, filho do ex-premiê assassinado em 2005, não tem dúvida de que Assad está por trás do ataque. “Um regime que massacra seu próprio povo não pensa duas vezes ao executar um inimigo no Líbano”, disse, à CNN, da Arábia Saudita -há meses Saad evita visitar o Líbano.
Al Hassan foi durante anos um dos assessores mais próximos de Rafiq Hariri. Em 2005, ele chefiou uma investigação que apontou o envolvimento do Hizbollah e da Síria no assassinato do ex-premiê. Mais tarde, uma comissão da ONU também culpou membros do grupo xiita.
A guerra na Síria elevou as tensões no país, acirrando a divisão entre aliados de Assad, como o Hizbollah, e opositores, como a coalizão 14 de Março, liderada por Saad.
Houve confrontos violentos nos últimos meses, mas eles se restringiram a áreas com maior concentração de forças pró-Assad, como Trípoli (norte), enquanto Beirute vivia relativa calmaria.
Ontem, porém, manifestantes queimaram pneus e fecharam ruas na capital em protesto contra o atentado. “Assad já ameaçou várias vezes incendiar a região se a pressão contra ele aumentar”, disse Fares Soueid, porta-voz da 14 de Março.
FONTE/FOTO: Folah de São Paulo, via resenha do EB/RichardHall
Ministro das Relações Exteriores da Turquia disse que o país retaliará em caso de violação da fronteira
Nick Tattersall e Ece Toksabay
O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, criticou o Conselho de Segurança da ONU neste sábado por sua inércia sobre a Síria, dizendo que o órgão estava repetindo os erros que levaram aos massacres na Bósnia na década de 1990.
As forças do presidente Bashar al-Assad usaram ataques aéreos e artilharia para bombardear os insurgentes em diversas frentes na Síria, enquanto o conflito, que já dura 19 meses, corre cada vez mais o risco de envolver potências regionais.
A Turquia está cada vez mais envolvida, depois de interceptar um avião sírio que levava o que disseram ser munição de fabricação russa para o exército sírio, enfurecendo Moscou e Damasco.
Esse acontecimento conduziu a pedidos de intervenção, incluindo a imposição de zonas de exclusão aérea, fiscalizadas por aeronaves estrangeiras, para impedir ataques aéreos mortais, das tropas de Assad.
Mas há pouca chance de se obter o apoio da ONU para uma ação mais robusta. A China insiste que qualquer solução para a crise da Síria precisa vir de dentro do país, enquanto a Rússia diz que muitos sírios continuam apoiando Assad.
As nações ocidentais estão relutantes em se comprometer com uma ação militar que possa dar início a uma guerra sectária regional.
“O Conselho de Segurança da ONU não interveio na tragédia humana que está ocorrendo na Síria há 20 meses, apesar dos nossos esforços”, disse Erdogan durante uma conferência em Istambul, da qual participam diversos líderes e autoridades, incluindo o secretário geral da Liga Árabe, general Nabil Elaraby.
“Há uma atitude que encoraja e dá a Assad o sinal verde para que ele mate dezenas ou centenas de pessoas a cada dia”, completou.
Combates têm sido relatados em todo o país, mas as batalhes cruciais e estratégicas estão acontecendo na região que atravessa o oeste da Síria, onde vive a maioria da população.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmed Davutoglu, se reuniu com o enviado especial da ONU, Lakhdar Brahimi, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, e com o primeiro-ministro da Líbia durante a guerra civil, Mahmoud Jibril, para discutir a situação da Síria, durante a conferência de Istambul.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta semana que Brahimi pretende visitar a Síria em breve para tentar convencer Assad de um cessar-fogo imediato.
LEMBRANÇAS DE SREBRENICA
O Conselho de Segurança da ONU, dividido entre as potências ocidentais de um lado e a Rússia e a China do outro, tem se mostrado impotente para interromper um conflito que se transformou em uma guerra civil e já matou mais de 30 mil pessoas.
Erdogan disse que um sistema que permitia que um ou dois países impedisse uma intervenção em tamanha crise humanitária era inerentemente injusto, e que a Síria pode entrar para a história como um fracasso da ONU, assim como foi a Bósnia, na década de 1990.
“Como é triste que a ONU esteja tão impotente quanto foi 20 anos atrás, quando assistiu ao massacre de centenas de milhares de pessoas nos Bálcãs, Bósnia e Srebrenica”, disse Erdogan durante a conferência de Istambul.
O massacre de julho de 1995 em Srebrenica foi o pior em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, quando os soldados holandeses da missão de paz da ONU abandonaram o que havia sido designado pelas Nações Unidas como um refúgio seguro contra as forças sérvias da Bósnia que avançavam, e que em seguida mataram 8 mil homens e meninos muçulmanos e enterraram seus corpos em valas.
As autoridades turcas disseram ter esperança de conseguir convencer Moscou, que vendeu 1 bilhão de dólares em armamento para a Síria no ano passado, a diminuir sua oposição ao Conselho de Segurança, e que, se isso acontecer, a China poderá seguir o exemplo.
Mas as relações entre Ancara e Moscou pioraram ainda mais na quarta-feira, depois que a Turquia obrigou um avião de passageiros vindo de Moscou a pousar e acusou a Rússia publicamente de transportar material bélico para as forças de Assad.
A Rússia disse que não havia armas no avião e que estava carregando uma carga legal de equipamento de radar.
FONTE: Reuters
Eleição americana e oposição da Rússia dificultam ação da aliança contra Assad
JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA – O Estado de S.Paulo
As hostilidades entre Síria e Turquia reabriram o debate sobre a relevância da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e colocaram a aliança militar em uma encruzilhada. Se agir, abre um mal-estar profundo com o Kremlin e todos aqueles contrários a uma solução militar unilateral para a situação na Síria. Se deixar a Turquia continuar a ser provocada, descumpre sua missão de defender um membro.
Políticos, especialistas e diplomatas ouvidos pelo Estado em Bruxelas e na Conferência de Desarmamento da ONU em Genebra admitem que, além de um desafio para o Oriente Médio, a crise na Síria está se transformando cada vez mais em um novo teste diplomático para a Otan.
Assim que foi atacada, a Turquia pediu uma reunião de emergência da Otan, que condenou as ações e prometeu que apoiaria Ancara. No mesmo dia, os turcos aprovaram uma lei permitindo ataques além de sua fronteira “em caso de necessidade”.
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, insiste que a aliança não tem planos para entrar em uma guerra na Síria e a solução em Damasco terá de ser política. Depois das ações na Líbia, a Otan foi fortemente questionada. O caixa da entidade não permite se lançar em mais um conflito, pelo menos sem que países anunciem novas promessas de recursos.
Diplomatas da área de defesa confirmaram ao Estado que a diplomacia americana tem barrado qualquer tipo de debate sobre um envolvimento da aliança na Síria. Barack Obama, em campanha eleitoral, não estaria disposto a apoiar mais uma guerra, justamente quando suas promessas feitas há quatro anos de que os americanos deixariam o Iraque e Afeganistão são avaliadas.
Mas os cálculos não teriam de ser feitos apenas em razão das limitações dos aliados. Na sexta-feira, Moscou também lançou seu alerta contra a Otan e deixou claro que não tolerará uma ação redesenhando o mapa do mundo árabe, nem vai diminuir a área de influência que Vladimir Putin tenta recriar para o Kremlin na região. Do lado europeu, a ordem também é pedir calma, como já fizeram a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, e o chanceler britânico, William Hague.
Radicalismo. O problema, admitem diplomatas, é que pedir calma pode não ser a solução. O Estado apurou que o comando militar da Otan tem recebido relatórios de serviços de inteligência revelando que, se o Ocidente não agir, os rebeldes na Síria ganharão um caráter cada vez mais radical e grupos islâmicos assumirão o vácuo deixado pelo Ocidente.
Sem o apoio de EUA e Europa, grupos de resistência começariam a olhar para o apoio de radicais. O temor é que, quanto mais o conflito se prolongue, mais espaço radicais islâmicos e jihadistas ganharão, justamente o que não seria o cenário que a Otan gostaria de ver nas fronteiras de um de seus países membros.
Entre os especialistas em estratégia, a percepção é que a crise na Síria é também uma crise na Otan. “Está claro que a Otan não está preparada para uma guerra”, disse Nadim Shehadi, pesquisador da Chatham House, de Londres.
Na avaliação de Michael Codner, do Royal United Services Institut, de Londres, está claro que França e Grã-Bretanha não estão dispostos a assumir a liderança militar das operações, como fizeram no caso da Líbia. “Isso envolve responsabilidade e montar um governo após a queda de Assad”, disse.
Para Francois Heisbourg,presidente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, não há como negar: “A situação é delicada, para todos”.
FONTE: Estadão.com.br
Chanceler brasileiro critica falta de consenso na ONU e ações unilaterais
Lisandra Paraguassu e Roberto Simon / O Estado de S. Paulo
A paralisia do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante da crise síria passou dos limites até mesmo para o sempre moderado – ou, segundo os críticos, passivo – governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, concorda que passou da hora de agir e afirma que, se o conselho conseguir chegar a um consenso que inclua a ameaça explícita de sanções, o Brasil apoiará a decisão. “Acho que há uma clara situação em que o Conselho de Segurança não está desempenhando satisfatoriamente seu papel”, afirmou o chanceler. Nas últimas semanas, o Itamaraty tem feito contatos com pessoas ligadas aos rebeldes sírios. “Recolhemos elementos de análise e também sobre o que estão pensando personagens da oposição síria”, afirmou Patriota. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida na sexta-feira ao Estado.
A ONU reconhece a o direito de intervenção externa quando há ameaças de violência em larga escala contra civis em um Estado. A Síria já não foi além desse ponto?
Há uma clara situação em que o Conselho de Segurança não está desempenhando satisfatoriamente seu papel. Eu concordo com isso. Tanto que o debate foi levado à Assembleia-Geral da ONU e foram adotadas duas resoluções. A resolução que designa um enviado especial foi da Assembleia-Geral. Idealmente, deveria ser do Conselho de Segurança. Então, sim, é legítimo criticar a inação do Conselho de Segurança e a polarização entre os membros permanentes. Houve um momento positivo, que despertou uma expectativa de que as Nações Unidas conseguiriam desenvolver uma estratégia, que foi a convocação do grupo de ação de Genebra pelo (ex-mediador da ONU e da Liga Árabe) Kofi Annan. Ali foi adotado um documento por consenso, apoiado por russos, chineses, americanos e europeus. Foi elaborado um tipo de estratégia e um programa de ação mais ou menos em torno dos seis pontos do plano de Annan. Mas, quando se tratou de homologar esse plano no Conselho de Segurança, mais uma vez as divisões tornaram impossível a adoção de uma resolução. Isso nos faz meditar sobre o funcionamento do multilateralismo e uma das conclusões inevitáveis é que se torna cada vez mais necessário e urgente uma reforma no Conselho de Segurança, para ampliá-lo e também para mudar seus métodos de trabalho.
Mas, objetivamente, o Brasil é favorável a uma resolução do Conselho com base no Capítulo 7, que contempla o uso de sanções e eventualmente da força? Não seria o caso de envolver o Tribunal Penal Internacional (TPI) na crise síria? Não chegamos a esse ponto?
O Brasil é favorável a tudo que leve ao fim da violência e ao desenvolvimento de uma estratégia diplomática que repercuta de forma favorável para a população síria e para o futuro da Síria. Agora, o Brasil também é favorável a estratégias que fortaleçam o multilateralismo. Então, se o Conselho de Segurança deliberar, chegar a um consenso e levar adiante uma resolução, inclusive com referência ao Capítulo 7, que permita desenvolver uma estratégia desse tipo, não seremos contra. O que nos parece que não contribui para pacificar a Síria, nem para fortalecer o multilateralismo, são ações individuais, à margem do direito internacional.
No caso da França, por exemplo, que agora está apoiando abertamente alguns grupos de oposição síria com recursos logísticos e financeiros, o sr. avalia que essa é uma interferência indevida?
A posição do Brasil, de maneira geral, é que só devem ser levadas adiante estratégias coordenadas multilateralmente, especialmente em casos de uso de força. Porque é isso que diz a Carta das Nações Unidas. Quando se trata da coerção, a ação militar só é justificada em legítima defesa ou quando autorizada pelo Conselho de Segurança. Então, medidas que são tomadas à margem de um debate multilateral são um complicador. Eu sei que Annan e agora o seu substituto, Lakhdar Brahimi, veem como problemáticas essas intervenções, incluindo a venda de armas por parte de outros países.
Aqui na América Latina, a Venezuela acabou de denunciar o protocolo de San José e deve deixar a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. O sr. acha que há uma fragilização do sistema de proteção dos direitos humanos nas Américas?
O sistema interamericano está passando por um momento de reflexão interna que o Brasil contribuiu para lançar. Desde o ano passado foi adotada uma resolução na Assembleia-Geral da OEA em El Salvador que determinou uma análise do sistema em seu conjunto, suas possíveis deficiências e falhas, para torná-lo mais satisfatório. Isso prosseguiu na assembleia de Cochabamba (Bolívia, em junho). A verdade é que há um nível razoavelmente disseminado de insatisfação com o funcionamento do sistema e isso se verifica em países de tipos muito diversos da região. As propostas visam tornar mais previsível e mais legítimo o sistema, deixando menos arbitrariedade aos membros da comissão e mais claras as atribuições da comissão e da corte.
O Brasil também compartilha essa insatisfação?
Sim, não há a menor dúvida. O Brasil ficou muito insatisfeito com a maneira como foi tratada a questão da hidrelétrica de Belo Monte, para dar um exemplo. Mas a Colômbia tem insatisfações, o Peru e a Venezuela, também. A saída da Corte Interamericana é uma decisão soberana da Venezuela e sobre isso não tenho comentários mais específicos a fazer. Mas posso dizer que o grau de insatisfação é manifesto e em função disso está sendo feita essa revisão, com vistas a fortalecer o sistema.
O sr. acredita que a proposta do Equador, de se criar um Conselho de Direitos Humanos da América Latina, fora da OEA, tem condições de prosperar?
A nossa região tem conhecido uma certa efervescência de fóruns regionais e sub-regionais, que vão desde a Unasul (União das Nações Sul-americanas) até a Celac (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos), criada mais recentemente, em dezembro do ano passado. Nesse contexto podem conviver diferentes mecanismos e instâncias. Na Unasul nós examinamos, por exemplo, o combate internacional às drogas, mas isso não significa que não possa haver também um esforço no âmbito da OEA ou das Nações Unidas. Eu acho que essas e outras iniciativas podem se fortalecer mutuamente.
O estado da democracia na Venezuela, agora que Caracas passou a fazer parte do Mercosul, preocupa o Brasil?
Acho que devemos partir do princípio que vivemos numa das regiões mais democráticas do mundo. A América do Sul se distingue entre as regiões do mundo em desenvolvimento por ser integrada por países onde todos os governos são democraticamente eleitos, onde todos os governos tentam lidar com a desigualdade social, a exclusão social e a exclusão dos processos políticos. Onde existe cooperação e onde agora, com a perspectiva que o último foco de conflito armado, na Colômbia, dê lugar a um acordo de paz. Isso é importante em si mesmo. Mas também devemos reconhecer que a democracia é imperfeita em todos os lugares do mundo. Você poderá aperfeiçoar a democracia em todos os lugares do mundo e é necessário haver vigilância para não termos derrapagens.
Mas o caso da Venezuela não chama a atenção?
Há sociedades que são mais polarizadas que outras. O Brasil, comparativamente, é uma sociedade onde o espectro político é pouco polarizado, até mesmo na comparação com os Estados Unidos. Em outros países da nossa região existe muita polarização, em função de evoluções históricas específicas. Na Venezuela a gente não pode esquecer o que aconteceu em 2002. A oposição venezuelana mostrou ser pouco democrática ao tentar um golpe de Estado contra um presidente democraticamente eleito, Hugo Chávez. Isso levou a uma série de iniciativas, dos amigos da Venezuela, etc. Hoje temos a Unasul, na qual foi criado um conselho de acompanhamento eleitoral. Serão designados observadores eleitorais para essa próxima eleição na Venezuela, no começo de outubro. E nossa expectativa é que a disputa eleitoral ocorra de maneira transparente e com credibilidade.
Depois da suspensão do Paraguai do Mercosul, fala-se muito na imprensa local na ‘morte do Mercosul’ como bloco comercial. Mesmo no Brasil essas análises aparecem com frequência. Como o senhor responde a essas críticas?
Considero que é uma crítica sem fundamento na realidade. Até mesmo porque o próprio presidente do Paraguai, Federico Franco, tem dito que valoriza muito a relação com Argentina e Brasil e a relação com os dois países se desenvolve no Mercosul. Não tem porque voltar atrás. Vamos estabelecer tarifas de novo? Seria um retrocesso. Isso não é do interesse regional. Acho que a gente tem de distinguir muito entre manifestações que tenham, talvez, um objetivo retórico imediato e a realidade. A realidade é que nós temos constatado manifestações moderadas, tanto do presidente Franco quanto do chanceler em exercício, José Félix Estigarribia, pela expectativa de que no ano que vem as coisas se normalizem.
FONTE: O Estado de São Paulo
MOSCOU, 21 Ago (Reuters) – O chanceler russo, Sergei Lavrov, fez um alerta ao Ocidente para que não tome qualquer ação unilateral sobre a Síria, afirmando que Rússia e China concordam que violações às leis internacionais e à Carta da ONU não são permissíveis.
Rússia e China se opuseram a intervenções militares na Síria ao longo dos 17 meses de um conflito sangrento entre rebeldes e as tropas leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Os dois países vetaram três resoluções defendidas por Estados árabes e potências ocidentais no Conselho de Segurança da ONU, que aumentariam a pressão sobre Damasco para encerrar a violência.
Lavrov, citado por agências de notícias russas durante encontro com um importante diplomata da China, fez os comentários um dia após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter dito que as forças dos EUA poderiam agir contra Assad se ele usar armas químicas contra os rebeldes. Essas foram as palavras mais duras de Obama contra o regime sírio desde o início da revolta.
Rússia e China baseiam sua cooperação diplomática na “necessidade de seguir estritamente as normas das leis internacionais e os princípios contidos na Carta da ONU, e em não permitir suas violações”, disse Lavrov, segundo a Interfax, durante o encontro com o conselheiro de Estado da China, Dai Bingguo.
“Acredito que este é o único caminho correto nas condições de hoje”, disse Lavrov. (Por Steve Gutterman)
FONTE: Reuters
O exército sírio continuava bombardeando neste domingo o principal bastião rebelde de Aleppo e enfrentava os insurgentes em outras áreas, antes de lançar a batalha decisiva para retomar o controle desta cidade-chave do norte da Síria.
A chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, viajará sábado para a Turquia, que desempenha um papel importante na ajuda aos rebeldes, para falar do conflito com a Síria, anunciou o departamento de Estado.
Em Aleppo (355 km a norte de Damasco), a Força Aérea síria bombardeou neste domingo os bairros de Shar e Sajur (leste) e o de Salahedin (oeste), sitiado pelo exército, informou o opositor Observartório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
Depois de enviar milhares de soldados de reforço, o exército lançou dia 28 de julho uma ofensiva contra Aleppo, onde os rebeldes tomaram posição oito dias antes, principalmente em Salahedin, uma área esvaziada pelos seus milhares de habitantes.
Contudo, segundo o jornal oficial Al Watan, a verdadeira batalha de Aleppo ainda não começou. “A missão atual (do exército) consiste em aplicar duros golpes aos terroristas, a estreitar o cerco e reforçar o controle de entradas da cidade para lhes impedir de fugir”, disse o jornal.
Em Damasco, três oficiais do Serviço de Informação Política desertaram e se refugiaram na Jordânia, informou este domingo à AFP Kassem Saad Eddine, porta-voz do Exército Sírio Livre (ESL), na Síria.
“O coronel Yareb al Shareh, seu irmão Kanaan Mohamad al Shareh e o coronel Yaser Hajj Ali, que trabalhavam no Serviço de Informação Política em Damasco, desertaram e se encontram na Jordânia”, afirmou. As deserções não foram confirmadas pelo regime sírio.
No dia anterior, um chefe de segurança afirmou que a verdadeira batalha de Aleppo ainda não tinha começado e que os bombardeios não eram mais que preparativos. Ele disse que pelo menos 20 mil soldados foram destacados como reforço dentro de Aleppo e em seus arredores e que outros continuam chegando.
Os rebeldes dizem controlar a metade da cidade e afirmam que, apesar dos bombardeios, os soldados não conseguem avançar nos bairros.
Segundo jornalistas da AFP no local, a situação parece paralisada. Os combatentes do Exército Sírio Livre (ESL, formado por desertores e civis que pegaram em armas) e soldados se enfrentam violentamente em Salahedin, mas continuam esperando a grande ofensiva prometida pelo regime.
Para aliviar Aleppo, os rebeldes atacam quase toda noite do aeroporto militar de Managh, onde estão alguns helicópteros. Os aviões da aeronáutica, porém, vêm de Idleb, mais a oeste, ou de outras regiões e, por enquanto, nada parece detê-los.
Em comunicado, o Conselho Nacional Sírio (CNS), a principal coalizão da oposição, acusou o exército de bombardear as sedes de instituições públicas, que fazem parte do patrimônio arquitetônico de Aleppo.
O CNS reiterou também seu pedido a favor de 800 famílias no centro histórico de Homs (centro) que há mais de 60 dias estão “ameaçadas não só por um bombardeio selvagem, mas também pela fome, sede e falta de medicamentos”.
O conselho também pediu à comunidade internacional, muito dividida sobre a crise síria, “e os países vizinhos a atuar seriamente frente à ameaça que o regime representa para a existência da Síria, a paz e a estabilidade internacional”.
Iranianos sequestrados
Informações divergentes circulavam neste domingo sobre a identidade dos captores dos iranianos sequestrados no sábado na Síria, cujo rapto foi reivindicado pelo ESL e, ao mesmo tempo, atribuído por um opositor sírio a um grupo extremista sunita.
Os captores de 48 iranianos – supostos peregrinos – sequestrados no sábado, na Síria, são membros de um grupo extremista sunita, afirmou neste domingo um dirigente da oposição síria, pouco depois que o Exército Sírio Livre (ESL, rebeldes) reivindicou o sequestro em um vídeo.
“Jundala é um grupo islamita extremista que tem um discurso religioso baseado no ódio aos xiitas e aos alauitas”, afirma o dirigente, que não quis ser identificado. Os extremistas sunitas consideram os xiitas e alauitas – facção do xiismo ao qual pertence o presidente Bashar al Assad – como hereges. A maioria da população síria é sunita.
Mais cedo, a rede de televisão com capital saudita Al Arabiya divulgou imagens que mostram os reféns iranianos em mãos de rebeldes sírios, que afirmam deter alguns membros dos Guardiões da Revolução.
Nas imagens, o representante do ESL, um grupo armado rebelde, mostra o que diz ser um documento de identificação militar e uma permissão para portar armas de um dos iranianos, apresentado como um Guardião da Revolução.
O Irã insiste que os sequestrados são peregrinos capturados quando se dirigiram de ônibus para o aeroporto e exige sua libertação.
FONTE: Terra/AFP
O líder do Conselho Nacional Sírio (CNS), Abdel Baset Sayda, fez um apelo neste domingo à comunidade internacional para armar os rebeldes que lutam contra o governo do presidente Bashar al-Assad.
A declaração de Sayda ocorre em meio à ofensiva das forças governistas na cidade de Aleppo, a segunda mais populosa do país e importante centro comercial e estratégico.
O líder oposicionista também pediu que, em uma eventual renúncia de Assad, o presidente sírio seja julgado por seus “massacres” em vez de ganhar asilo político.
As potências ocidentais já haviam alertado sobre um potencial “banho de sangue” em Aleppo, no noroeste da Síria. “Nós queremos armas que possam deter tanques e aeronaves. É isso que queremos”, afirmou Sayda à agência de notícias AFP durante uma coletiva de imprensa em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Ele também reivindicou o apoio dos “irmãos e amigos (árabes)” ao Exército Livre da Síria (ELS). Até agora, os rebeldes sírios não receberam nenhum apoio militar internacional. Em abril, os estados do Golfo concordaram em pagar “salários” aos integrantes do Exército Livre da Síria.
Os críticos da decisão, entretanto, afirmam que o dinheiro pode ser usado para comprar armas no mercado negro.
Exílio
Questionado sobre o futuro de Assad, em uma eventual saída do poder, Sayda citou que o “exemplo iemenita”, no qual o presidente Ali Abdullah Saleh recebeu anistia como contrapartida por sua renúncia, “não deve ser replicado na Síria”.
“Inúmeros massacres foram cometidos. Bashar al Assad tem de ser julgado. Ele é um criminoso e não pode receber asilo”, afirmou. Sayda disse que o CNS – que está no exílio – pode discutir planos para um governo de transição com os grupos rebeldes envolvidos nos confrontos armados.
“Nós estamos analisando a ideia (de um governo de transição) e poderemos entrar em contato com todas as forças em solo na Síria”, acrescentou.
Sayda afirmou que o líder desse eventual governo deve ser uma “pessoa honesta e patriótica (…) empenhado nos objetivos da Revolução Síria desde o início”.
FONTE: BBC, via Terra / FOTO: AP
O embaixador do Brasil no país, Edgard Casciano, deixou a capital síria, Damasco, com destino a Beirute, no Líbano, por via terrestre. Ele foi orientado pelo governo da presidente Dilma Rousseff a fechar a Embaixada do Brasil em Damasco. A ordem foi retirar os funcionários e passar a atender às demandas em Beirute. Casciano aguarda ainda orientações de Brasília para pôr em prática o plano de retirada dos brasileiros que moram na região. De acordo com informações do Itamaraty, os funcionários da embaixada já chegaram à capital do Líbano.
O governo brasileiro esperou sinalizações do embaixador para definir o momento adequado para o fechamento da embaixada. O Itamaraty divulgou nota informando que decidiu deixar um funcionário no local, para permanecer como ponto de contato entre os cidadãos brasileiros no país e o Consulado-Geral em Beirute e a Embaixada em Amã (Jordânia). O plano de retirada dos demais brasileiros pode ser executado nas próximas horas. Mas só será informado, segundo diplomatas disseram à Agência Brasil, quando ocorrer, para evitar riscos à segurança dos envolvidos.
Casciano disse ainda que a violência se agravou nas ruas das principais cidades aumentando o medo e o pavor não só de estrangeiros, como também de sírios. “Impossível pôr os pés na rua com tantos tiros. É uma situação extremamente problemática”, disse ele.
O embaixador acrescentou também que a violência na capital síria atingiu tal situação que ontem ele se viu obrigado a não abrir a representação brasileira. Segundo ele, são os dias mais violentos a que assistiu no país. “Helicópteros sobrevoavam constantemente e dava para ouvir muitas explosões que, pela intensidade, eram consequência de armas pesadas.”
Há quatro anos em Damasco, a capital da Síria, Casciano disse que a situação na capital é muito tensa e já não há garantias de segurança para as embaixadas estrangeiras no bairro. “Até cogitamos que o governo brasileiro enviasse agentes de segurança para proteger a embaixada. Mas, com o aeroporto fechado, a ideia foi deixada de lado”.
A estimativa é que existam cerca de 3.000 brasileiros na Síria, a maioria na região de Damasco, mas há uma comunidade na região de Latakia e Tartous, na costa do país, reduto de alauítas (grupo sectário ao qual pertence o presidente Bashar Al Assad) e cristãos. De acordo com o embaixador, o número é apenas uma estimativa, pois muitos brasileiros deixaram o país antes do agravamento da situação.
Para Casciano, o clima é de “guerra aberta” na Síria. Ele disse que seus amigos sírios se mostram muito preocupados e com medo do futuro. “A guerra em Damasco os deixou extremamente apavorados”, disse ele.
Reuniões em Brasília
O acirramento da crise na Síria e o aumento do medo no país motivaram ontem várias reuniões em Brasília, coordenadas pelo Palácio do Planalto em parceria com os ministérios das Relações Exteriores, Itamaraty, e da Defesa.
Situação semelhante ocorreu na Líbia, no ano passado, quando a Embaixada do Brasil no país foi fechada em decorrência da insegurança no país. Os detalhes sobre a ação na Síria foram preservados por motivos de segurança. Porém, o Brasil aguarda ainda o momento adequado para executar o restante do plano de retirada dos brasileiros que vivem na Síria.
O plano foi definido anteontem (18), mas até as últimas horas de ontem sofria adaptações devido aos episódios registrados na Síria. O plano define a retirada das cerca de 3.000 pessoas do país, levando-as para uma área fora do país considerada de segurança. O objetivo é garantir segurança para os brasileiros.
Os governos de vários países já fecharam suas embaixadas na Síria, principalmente europeus e asiáticos. Tradicionalmente, o Brasil só opta pela medida quando considera a situação insustentável.
Após a explosão do homem-bomba há dois dias provocando 26 mortes, inclusive de dois ministros (da Defesa e do Interior), além uma terceira autoridade, Damasco amanheceu ontem como se o dia fosse feriado. Escolas e lojas estão fechadas e apenas alguns serviços públicos funcionam. Há um clima de medo predominando, segundo relatos de brasileiros que estão na capital síria.
O embaixador e os funcionários brasileiros da representação em Damasco deixaram a Síria por terra, utilizando uma estrada considerada de qualidade, que liga o país ao Líbano.
FONTE: Renata Giraldi / Agência Brasil
Não, isto não é o nome de uma nova banda de rock. É o nome da operação que os rebeldes sírios lançaram contra o governo do país
A rebelião síria entrou numa nova fase. Os revoltosos anunciaram na segunda-feira ao cair da noite o lançamento da operação “Vulcão de Damasco e os terramotos da Síria”. A oposição pretende lançar ataques sistemáticos contra postos de controlo militar por todo o país, cortar as estradas e paralisar o exército do regime. Este anúncio foi efetuado depois de um dia de combates intensos na capital síria. Dois bairros de Damasco estarão já nas mãos dos revoltosos.
A batalha de Damasco pode anunciar o fim do regime mas o antigo embaixador sírio no Iraque, que se encontra em Londres depois de ter desertado, alertou que Bashar al-Assad pode autorizar o recurso a armas químicas para se manter no poder. Uma possibilidade que ganha peso dada a transformação do conflito em guerra confessional. A maioria sunita apoia os rebeldes enquanto as forças de elite de Bashar al-Assad são dominadas pela seita alauita a que pertence o presidente.
FONTE:






















Comentários recentes