Página 1 de 3123

vinheta-clipping-forte1A Câmara aprovou nesta quinta-feira (14) o Projeto de Decreto Legislativo 571/12, que ratifica um acordo de cooperação em assuntos de defesa entre Brasil e Alemanha. O acordo foi assinado em Berlim, em 8 de novembro de 2010 e está previsto na Mensagem 68/12, enviada à Câmara pelo Poder Executivo.

O texto prevê trocas entre os dois países nas áreas de política de defesa; pesquisa e desenvolvimento militar; apoio logístico e aquisição de produtos e serviços; assessoramento em tecnologia militar; intercâmbio de experiências e conhecimentos em assuntos relacionados à defesa; e educação e treinamento militar, entre outros.

O documento permite que a cooperação entre Brasil e Alemanha seja feita por meio de visitas mútuas a instituições militares e de defesa, e por intercâmbio de delegações e de informações sobre projetos de desenvolvimento relacionados à tecnologia militar e a sistemas de defesa.

A relatora da proposta na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), afirmou que o governo brasileiro tem procurado expandir a sua rede de acordos de cooperação na área de defesa por causa do aumento das demandas relativas à segurança nacional.

FONTE: Câmara dos Deputados via Resenha do Exército

Tagged with:
 

africadosul_internagrande

vinheta-clipping-forte1Teve início na manhã de ontem (05), no edifício-sede do Ministério da Defesa (MD), a 1ª reunião do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-África do Sul. Até a próxima quinta (7), militares das Forças Armadas dos dois países e servidores civis vão trocar experiências sobre as respectivas indústrias de defesa e debater possibilidades de cooperação. As conclusões servirão de base para as próximas reuniões do comitê.

O evento foi aberto pelo ministro da Defesa, Celso Amorim. Além de dar as boas-vindas à comitiva sul-africana, o ministro ressaltou a importância de se aumentar a cooperação bilateral. Na avaliação de Amorim, Brasil e África do Sul são parceiros de grande potencial. Ambos constituem grandes democracias multiétnicas de influência central em suas regiões, defensoras de uma ordem multipolar, com inclusão dos países emergentes na governança global. Segundo o ministro, esse potencial está comprovado pelo projeto do “A-Darter”, míssil ar-ar de quinta geração desenvolvido conjuntamente entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Força Aérea Sul-africana. Os novos mísseis, cuja produção terá início ainda em 2013, vão ser utilizados pelas aeronaves F-5M da FAB e por aeronaves Gripen sul-africanas.

Após a abertura do evento, os trabalhos começaram com a apresentação da estrutura do MD e de alguns dos projetos prioritários da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Na ocasião, mapas mostraram a reestruturação das organizações militares pelo país, atendendo à diretriz da Estratégia Nacional de Defesa (END) de “adensar a presença das unidades das Forças nas fronteiras”.

africadosul_interna2Novos batalhões e brigadas em áreas ribeirinhas, aquisição e modernização de equipamentos, além de sistemas de monitoramento, como o de gerenciamento da Amazônia Azul, da Marinha, e o Sisfron, do Exército, foram alguns dos exemplos citados de iniciativas para prover o país de mais capacidades de defesa.

Houve, também, um breve resumo sobre a LAAD Defence and Security – maior feira de defesa e segurança da América Latina, que este ano acontecerá na primeira quinzena de abril, no Rio de Janeiro. Representantes da África do Sul foram convidados para o evento e tiveram sua provável presença valorizada pelo Brasil. Até o momento, ministros de defesa de 14 países já confirmaram participação. A expectativa é de receber até 65 delegações estrangeiras.

Ao fazer sua exposição, a comitiva estrangeira – sob a coordenação do comandante da Força Aérea, tenente-brigadeiro Fabian Msimang – apresentou as bases da estratégia de defesa sul-africana, de garantia de proteção e das capacidades de defesa efetiva do país e sobre como são desenvolvidas as operações conjuntas. Para os sul-africanos, “é fundamental a proteção das vias marítimas, terrestres e aéreas”.

africadosul_interna1Representantes da South African Aerospace Maritime and Defence Industries Association (AMD), única associação reconhecida como entidade comercial da indústria de defesa da África do Sul, falaram sobre a capacidade do país na produção de helicópteros, navios e veículos-aéreos não tripulados (VANTs).

Sobre o assunto, a AMD informou que uma nova geração de VANTs está em andamento. Segundo a associação, os veículos entrarão em teste entre junho e julho deste ano. As aeronaves têm resistência de 16h e são adaptadas com mísseis, diferencial tecnológico da companhia sul-africana.

Presidida pelo chefe de Assuntos Estratégicos do MD, almirante de esquadra Carlos Augusto de Sousa, a 1ª reunião do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-África do Sul deverá ser encerrada na manhã de quinta-feira. Ao final do encontro bilateral, será assinada ata com os resultados das discussões travadas ao longo dos três dias.

FONTE: Ministério da Defesa

022213seibwesselmip1_512x288

vinheta-clipping-forte1O novo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse na sexta-feira que a incerteza orçamentária – com a possibilidade de novos cortes de 46 bilhões de dólares nas verbas da Defesa – põe em risco o cumprimento de todas as missões do Pentágono.

Na sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse no cargo, na quarta-feira, Hagel disse que, por causa dos cortes, a Marinha terá de gradualmente desativar quatro unidades aéreas, a Força Aérea terá de cortar imediatamente as horas de voo, e o Exército irá reduzir treinamentos.

“Deixe-me deixar claro que essa incerteza põe em risco nossa capacidade de cumprir efetivamente todas as nossas missões”, disse Hagel, acrescentando que, enquanto os cortes continuarem em vigor, “seremos forçados a assumir mais riscos, com medidas que irão progressivamente ter efeitos abrangentes”.

Hagel, no entanto, adotou um tom mais moderado que outras autoridades de defesa, segundo as quais os cortes orçamentários seriam devastadores e poderiam transformar as Forças Armadas dos EUA em um poderio de segunda categoria.

O novo secretário disse que os EUA “têm a melhor força de combate, a mais capacitada força de combate, a mais poderosa força de combate do mundo”, e garantiu que “a gestão dessa instituição, a começar com o Estado-Maior, não vai permitir a erosão de tal capacidade”.

“Vamos gerir essas questões. Há ajustes. Antecipamos esse tipo de realidade, e vamos fazer o que precisamos para assegurar as capacidades das nossas forças”, acrescentou Hagel.

As declarações do secretário foram feitas num dia em que a Casa Branca e o Congresso fracassaram novamente na busca de um acordo que impeça o chamado “sequestro” de 85 bilhões de dólares do orçamento governamental, que começa a vigorar à meia-noite, conforme prevê uma lei de 2011 que resolveu uma crise fiscal anterior.

Hagel disse que uma prioridade do Pentágono será proteger as verbas para a guerra do Afeganistão.

“O Exército vai restringir os treinamentos para todas as unidades, exceto as mobilizadas no Afeganistão, afetando adversamente quase 80 por cento de todas as unidades operacionais do Exército”, disse ele.

Hagel afirmou ainda que neste mês o Pentágono deverá notificar preliminarmente milhares de funcionários civis sobre a concessão de uma licença não-remunerada. Autoridades dizem que a maioria dos 800 mil funcionários civis do Departamento de Defesa deve ser afetada, provavelmente tendo de tirar um dia de folga por semana durante 22 semanas, a partir de abril.

“Sei que esses cortes orçamentários vão causar dor, particularmente para a nossa força de trabalho civil e suas famílias”, disse Hagel, que prometeu continuar trabalhando com o Executivo e o Congresso para tentar reverter os cortes.

(Reportagem de David Alexander e Phil Stewart)

FONTE: Reuters via o Estado de S. Paulo


O secretário geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, apelou para que os países da União Europeia invistam mais em defesa apesar das restrições econômicas, sob o risco de comprometerem a parceria militar do bloco com os Estados Unidos.

Rasmussen disse, durante a divulgação de relatório ontem (31), que se os investimentos em defesa continuarem baixos “ a capacidade prática das nações europeias para agir juntamente com os EUA será comprometida”. O secretário acrescenta que a OTAN ainda é “o poder militar mais importante no mundo”.

Porém, Rasmussen alerta que ameaças como terrorismo, pirataria e guerra cibernética não darão trégua enquanto a Europa tenta se recuperar economicamente, e acrescenta: “a ascenção de novo poderes pode criar um vácuo entre a capacide de de influência [desses novos agentes] e a nossa”.

O documento divulgado ontem aponta que 72% dos investimentos em defesa da OTAN em 2012 foram por parte dos Estados Unidos, em comparação aos 68% de 2007. Alemanha, França, Itália e Reino Unido respondem pelo resto das despesas, mas a contribuição francesa caiu dramaticamente.

De acordo com o relatório, “[essa retração] pode fragilizar laços de solidariedade e comprometer a capacidade dos países europeus para agir sem envolvimento norte-americano”. Ainda segundo o documento, as despesas militares da OTAN corresponderam a 60% dos gastos militares globais em 2011, e devem cair para 56% em 2014.

FONTE: EU Observer e Naval Open Source Intelligence (tradução e adaptação do Forças Terrestres a partir de original em inglês)

VEJA TAMBÉM:

 

Europeus reduzem despesas militares

economist 6 18 11 Europe military failings.preview

Por Assis Moreira

De Genebra 

vinheta-clipping-forte1A crise econômica acelera cortes bilionários nas despesas militares na Europa, provocando temores de que o velho continente se desarma quando o resto do mundo se rearma e perde influência na cena internacional.

No começo do mês, o jornal “Le Monde”, de Paris, publicou editorial com o título “Perigo, a Europa renuncia a se defender”, alertando para consequências civis e militares, como aumentar a desindustrialização que alguns países dizem querer combater.

Num relatório ao presidente francês, François Hollande, o ex-chanceler Hubert Védrine diz que desde o fim do império soviético, em 1991, o que os europeus esperam são os “dividendos da paz, do social e do aumento do poder de compra ou da afirmação dos direitos individuais”.

Ou seja, a Europa está muito longe da dialética de ameaças à segurança/respostas militares, mesmo na área do terrorismo, ou da visão americana de riscos e ameaças estratégicas. Mas nota que o choque enorme da “crise da economia cassino americano-global” desde 2008, a crise da dívida soberana europeia e a necessidade imperiosa de pegar emprestado entre € 8 trilhões e € 9 trilhões por ano para manter o nível de vida acentua a tendência que se traduz por baixa dos orçamentos de defesa europeus. “E o que é ambivalente: menos meios e capacidades, mas em princípio também mais obrigações de agir em comum”, diz.

Globalmente, as despesas militares alcançaram US$ 1,7 trilhão em 2011, quando pararam de crescer. O que muda é a repartição. Em 2012, os EUA fizeram 46% do total. Por sua vez, os Bric – Brasil, Rússia, China e Índia – aumentaram as despesas militares em 38,6% entre 2007 e 2011. Somente a China elevou os gastos em 62%, pulando de US$ 87,7 bilhões a US$ 142,8 bilhoes no período. A Índia aumentou em 42%, a Rússia, em 40% e o Brasil, em 30,7%. Azerbaijão, Polônia, Turquia e Colômbia estão também entre os países que aumentaram os gastos nos últimos anos.

Já a Europa em 15 anos viu sua fatia diminuir de 31% para 19%. Grécia e Espanha, especialmente afetados pela crise, cortaram as despesas militares entre 30% e 40% em 2011. Itália e Bélgica, entre 10% e 15%, e vários outros países, entre 15% e 30%. A França e o Reino Unido diminuíram a conta em cerca de 5%. Já a Alemanha aumentou suas despesas militares ligeiramente. Na Suécia, o chefe do Estado-Maior, general Sverker Goeranson, irritado, sugeriu suprimir uma das Forças Armadas, dizendo que o país não dispõe de meios que permitam defender o país por mais de uma semana.

Os EUA insistem para os europeus não se privarem de meios estratégicos. A ex-secretária de Estado Madeleine Albright estimou num relatório em 2% do PIB o mínimo que um país da Otan, a aliança militar ocidental, deve gastar em defesa para não comprometer a segurança comum.

Atualmente, somente o Reino Unido está acima de 2% do PIB – é o primeiro da Europa, mas prevê corte de 7,7% nas despesas até 2015. Os gastos da França ficam em 1,7% do PIB, da Espanha, em 0,65% e da Itália, em 0,8%. A crise leva países nórdicos e do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) a juntarem seus esforços militares.

A guerra contra terroristas no Mali ilustra dificuldades da capacidade francesa e da ausência de defesa europeia. Para transportar soldados ao país africano, Paris teve que alugar também aviões comerciais de grande porte. Na Líbia, 80% dos alvos atacados pelos franceses foram a partir de informações de drones dos EUA.

No momento, os franceses dizem que a guerra no Mali não vai aumentar muito sua fatura militar porque uma hora de voo de jato Rafale custaria de toda maneira € 40 mil em treinamento ou no combate. Já um míssil custa € 300 mil, e essa fatura vai crescer.

Para o jornal “Le Monde”, as consequências do desarmamento europeu são estratégicas. Estima ser provável que a indústria europeia de defesa “desapareça definitivamente” das licitações de países emergentes, dando como exemplo o fiasco até agora das tentativas francesa e sueca de vender jatos de combate ao Brasil.

Considera que a espiral de austeridade pode tanto afundar as indústrias de defesa europeias como fortalecer “definitivamente” a órbita de um complexo americano “sem dúvida ávido de compensar além de suas fronteiras os cortes orçamentários que também sofre em casa”. E adverte para que a perda de influência, emprego e autonomia seja levada em conta.

Já o Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) vê outro cenário. Sam Perlo-Freeman, diretor do Programa de Despesas Militares, considera “muito forte falar em desarmamento” na Europa, apesar dos cortes significativos nas despesas militares.

“Vários países estão cortando tropas, recuando em compras de equipamentos. Mas grandes países como Reino Unido, França e Alemanha continuam a atualizar e modernizar seus armamentos, só que num ritmo menor.”

Além disso, segundo Freeman, outras capacidades estão sendo expandidas, como no caso dos drones. Avalia também que menos forças convencionais não significam perda de segurança. “Isso significará diminuição de capacidade em se engajar em missões no estrangeiro, embora alguns países estejam de fato expandindo o número de tropas disponíveis, como a França no Mali”, diz.

Freeman contesta a percepção de que menos capacidade militar conduz à perda de influência. “”De várias maneiras a influência econômica e cultural pode ser mais importante no mundo moderno do que a militar, embora a influência econômica da União Europeia também esteja baixando por causa da crise”, diz. Para ele, uma consequência mais provável “será crescente tensão na Otan, com os Estados Unidos vendo um valor menor na contribuição militar de membros europeus na aliança”.

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

 

THAAD para Qatar e EAU

A agência do Pentágono DCSA notificou o Congresso sobre uma possível venda de duas unidades de lançamento THAAD (Terminal High-Altitude Area Defence), 12 lançadores, 150 mísseis, além de suporte e treinamento para o Qatar. O valor do negócio está estimado em US$6,5 bilhões de dólares.

Já os Emiados Árabes Unidos, que já possuem unidades do THAAD, solicitaram uma nova encomenda avaliada em US$1,135 bilhões. O THAAD é produzido pela Lockheed Martin (LMT) em associação com a Raytheon (RTN).

FONTE: DSCA

Tagged with:
 

Ao assisnar um acordo em Bruxelas na última sexta-feira (14), o primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi acusado de dar os primeiros passos rumo a uma única forma militar para toda a Europa. Na ocasião, todos os 27 países membros da União Europeia prometeram fortalecer a capacidade do continente para enviar contingentes de forma rápida e eficiente no caso de futuras crises.

As nações se comprometeram a considerar a cooperação por toda a Europa sempre que formularem suas estratégias individuais de defesa. O Reino Unido já tem um tratado formal com a França para o compartilhamento de conhecimentos, em especial na parte de porta-aviões. No entanto, o premiê britânico afirmou em reunião da Câmara dos Comuns hoje: “nós jamais apoiaremos [a ideia de] um exército europeu”. A declaração vem após a reação negativa dos membros conservadores do Parlamento, que atentaram para a possibilidade de o acordo recém-firmado inibir a defesas individuais da Grã Bretanha.

Cinco países – Alemanha, Espanha, França, Itália e Polônia – já estão se preparando para formalizar uma estrutura de comando militar conjunto e uma central de operações. “Se alguém realmente acredita que é do interesse da nossa nação passar nossas defesas para as mãos daqueles que administram o euro, então precisamos de um exame psiquiátrico”, disse na última sexta feira o membro da ala conservadora do Parlamento britânico, Douglas Carswell.

O presidente da França, Francois Hollande, afirmou na sexta-feira que seu país é favorável a uma “defesa europeia”. “Há uma disposição para o fortalecimento da capacidade de defesa e para desenvolver uma indústria europeia no setor”, disse. “Queremos atuar na Europa. Para que sejamos ouvidos no plano internacional, os recursos de defesa são fundamentais. Sendo assim, concordamos em cooperar e realizar missões conjuntas”.

FONTE: The Telegraph (Tradução e adaptação do Forças Terrestres)

 

Em comunicado conjunto divulgado noa última sexta (14) em Moscou, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, manifestaram o interesse em reforçar a parceria entre os dois países na área de defesa. No encontro, ficou acertado que uma delegação brasileira, composta por militares e empresários da indústria de defesa, visitará a capital da Rússia já no início de 2013 para tratar de temas referentes à cooperação bilateral.

“Os dois presidentes congratularam-se pela assinatura do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia de Cooperação em Defesa. Nesse contexto, concordaram em aprofundar a cooperação no marco desse acordo, dedicando particular prioridade à área de desenvolvimento tecnológico. Nesse sentido, reiteraram a importância de desenvolver cooperação de longo prazo, com base no princípio da transferência de tecnologia, no estabelecimento de parcerias industriais e em programas de formação de pessoal. Nesse contexto, as Partes destacaram a potencialidade da cooperação no setor de defesa antiaérea. Missão brasileira do Ministério da Defesa, com participação empresarial, visitará a Rússia muito proximamente, com esse objetivo”, diz a declaração conjunta. Ao todo sete acordos bilateriais nas áreas de defesa e comércio foram assinados, além da venda para o Brasil de 14 helicópteros da empresa Russian Helicopters no valor de quase 200 milhões de dólares. Todos os compromissos vigoram no período entre 2013 e 2015.

Dilma e Putin também reiteraram que a “cooperação econômica e comercial é parte importante da parceria estratégica bilateral” e, nesse sentido, “destacaram o compromisso de trabalhar para, no curto prazo, elevar o intercâmbio comercial bilateral à cifra de US$ 10 bilhões anuais”.

O documento informa que “os dois governos tomarão as medidas necessárias para identificar e incentivar o desenvolvimento de novas áreas de cooperação comercial em benefício mútuo; para garantir perfil mais equilibrado e dinâmico ao comércio; para diversificar e aperfeiçoar a pauta comercial, por meio do aumento da participação de artigos de maior valor agregado, especialmente os relacionados a setores de alta tecnologia; para intensificar contatos entre grupos empresariais brasileiros e russos, de modo a explorar eventuais complementaridades produtivas e a possibilidade de atuar conjuntamente em terceiros países”.

Durante sua passagem pela Rússia, a presidente falou sobre a posição do Brasil em relação ao conflito na Síria, afirmando que “o Brasil é extremamente pessimista no que se refere a soluções militares para conflitos militares”. Segundo Dilma, essas tentativas estão fadadas ao fracasso, como observado no Iraque e Afeganistão.

“Nós, brasileiros, somos pacíficos e vivemos em paz com nossos vizinhos. Portanto, defendemos que o conflito sírio seja resolvido pelos sírios. A solução deve ser diplomática  através do diálogo e nós apoiamos o alto representante da ONU nessa questão”, finalizou a presidente.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, integrou a comitiva da presidente Dilma durante a visita à França e à Rússia nesta semana. A previsão é que a delegação brasileira chegue à capital federal neste fim de semana.

FONTE: Ministério da Defesa e Gazeta Russa (edição e adaptação do Forças Terrestres)

 

Brasil e França manifestaram o interesse de manter e aprofundar a cooperação em matéria de defesa, com participação conjunta no acompanhamento da transferência de tecnologia, em benefício da indústria de defesa dos dois países. O anúncio foi feito ontem, em Paris, em um comunicado conjunto divulgado ao fim do encontro entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da República Francesa, François Hollande.

“Os presidentes do Brasil e da França saúdam o amplo escopo, a qualidade e a densidade da cooperação bilateral em matéria de defesa. A participação do Brasil nas consultas para elaboração do Livro Branco sobre a Defesa e a Segurança Nacional francês demonstra o alto nível de confiança que se estabeleceu entre o Brasil e a França ao longo dos anos”, aponta o comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil.

Atualmente, o Brasil desenvolve com a França um de seus maiores projetos de modernização de meios operativos militares: o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que inclui a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico e a fabricação de um submarino movido a propulsão nuclear.

“Com base na boa implementação dos programas em curso, os presidentes recordam o interesse compartilhado na cooperação entre dois países que são comparáveis e complementares em diversos aspectos, industriais e tecnológicos, assim como em sua concepção das questões estratégicas e em sua busca de autonomia”, diz o texto divulgado ontem.

Segundo o documento, a cooperação ocorrerá nas áreas aeronáutica, naval, terrestre e espacial. Caberá aos ministros da Defesa dos dois países formularem novas propostas de cooperação nessas áreas, reportando-as ao longo de 2013.

A declaração conjunta destaca ainda o desejo de Brasil e França aprofundarem o relacionamento entre as Forças Armadas dos dois países, por meio de reuniões de Estado-Maior e de planos de cooperação bilateral. “O objetivo principal é reforçar a interoperabilidade das Forças, adensar o intercâmbio em matéria de doutrina e de organização e desenvolver a formação dos quadros de defesa”.

Por fim, o documento menciona a intenção de brasileiros e franceses em elevar o nível da cooperação operacional na fronteira comum da Guiana Francesa, promover e facilitar a participação conjunta em operações sob mandato das Nações Unidas, como a que ocorre no Haiti, e incrementar as atividades comuns nos espaços de interesse compartilhado no Atlântico Sul e no Caribe, assim como na África Ocidental e no Golfo da Guiné.

Além da cooperação em defesa, o comunicado aponta a disposição em fortalecer a concertação política entre os dois países, cooperar para aumentar o volume do intercâmbio comercial, apoiar a cooperação nos campos da ciência, da tecnologia, da inovação e da indústria e explorar oportunidades de parcerias no setor energético.

FONTE: Ministério da Defesa

 

O ministro da Defesa, Celso Amorim, avaliou como bastante positivo o resultado da IV Reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS/Unasul), realizada na última semana em Lima, no Peru. “O Conselho evoluiu em seus objetivos de dirimir desconfianças, criar entendimentos e facilitar o diálogo entre seus integrantes”, disse Amorim.

No encontro, o CDS aprovou seu Plano de Ação para 2013, que inclui uma série de iniciativas conjuntas entre os países da região (veja a relação ao final do texto). Todas as propostas apresentadas pela delegação brasileira foram aprovadas pelo organismo, considerado um dos mais importantes e dinâmicos fóruns de ampliação da confiança e de desenvolvimento de ações multilaterais no âmbito da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Entre as propostas brasileiras aprovadas pelo Conselho figuram iniciativas relevantes, como a criação de um grupo de especialistas, ao qual caberá a elaboração de um projeto de fabricação de um sistema de veículos aéreos não tripulados. A partir de requisitos comuns definidos pelos países participantes, a ideia é produzir um vant regional.

Outra iniciativa aprovada deverá ter impacto direto no objetivo de fortalecer a indústria sul-americana de defesa. Trata-se da instituição de um fórum com o intuito de estabelecer mecanismos e normas especiais para compras e desenvolvimento de produtos e sistemas militares na região. Um seminário sobre o tema foi marcado para o terceiro trimestre de 2013. Na ocasião, deverá ser discutido o estabelecimento de um regime preferencial para aquisição de material militar entre as nações da Unasul.

Na reunião ocorrida em Lima, as nações amigas manifestaram amplo apoio a outra proposta apresentada pela delegação brasileira. Ela consistiu no estabelecimento de um sistema sul-americano de gestão e monitoramento das chamadas áreas especiais, a exemplo de reservas indígenas e de unidades de proteção ambiental. O Brasil já possui expertise no assunto, adquirida com o trabalho desenvolvido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão do Ministério da Defesa.

O CDS aprovou a constituição de um grupo de trabalho para estudar a criação desse sistema, que deverá prestar importante auxílio no mapeamento e monitoramento de áreas isoladas em zonas geográficas como os Andes, o Chaco e a Amazônia.

A expectativa é a de que, com base nos recursos humanos e tecnológicos do Censipam, seja possível auxiliar os países membros da Unasul a combater, por exemplo, o narcotráfico na região. Para isso, serão utilizadas tecnologias como o sensoriamento remoto para monitoramento da superfície terrestre, mecanismo que permite “enxergar” áreas de cultivo de plantas usadas na fabricação de entorpecentes.

Colégio Sul-Americano de Defesa

Numa declaração veiculada ao final do encontro (leia aqui a íntegra do documento), os onze países membros do CDS manifestaram seu compromisso em ampliar a cooperação em defesa, fortalecendo a América do Sul como zona de paz. A declaração também faz referência à bem-sucedida iniciativa de realização do Curso Avançado de Defesa Sul-Americano, projeto que tem o objetivo de contribuir para a construção de um pensamento regional de defesa.

Iniciativa pioneira, a primeira edição foi organizada este ano pelo Brasil, na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro (RJ).  Contou com a participação de 28 alunos, civis e militares, dos onze países integrantes do CDS. O Conselho aprovou a realização de segunda edição do curso, que deverá novamente ocorrer no Rio de Janeiro, entre setembro e novembro do ano que vem.

Além de ter aprovadas suas propostas para o Plano de Ação 2013 do CDS, o Brasil assumiu a corresponsabilidade em outras importantes iniciativas apresentadas pelas nações vizinhas. Um das mais importantes refere-se à criação da Escola Sul-Americana de Defesa.

O assunto foi objeto de uma intervenção do ministro da defesa brasileiro logo no início dos trabalhos da reunião plenária do Conselho. Celso Amorim chamou a atenção de seus pares para a necessidade da adoção de medidas concretas para tirar do papel a escola. “Acho que chegou o momento de pensarmos seriamente nisso. Se queremos formar uma identidade regional, temos que ter um colégio sul-americano de defesa”, disse.

O ministro brasileiro propôs uma medida pragmática para o alcance desse objetivo. Ao invés de montar uma estrutura com sede fixa, ponderou Amorim, os países da Unasul deveriam aproveitar iniciativas já existentes – como o Centro de Estudos Estratégicos em Buenos Aires e o CAD – SUL no Rio de Janeiro –, além de outras futuras que vierem a ocorrer nos demais países. “Nós estaríamos inovando na América do Sul, sem pretensões de hegemonia”, pontuou.

Para Amorim, essas iniciativas descentralizadas nos diversos países poderiam ser acompanhadas pela sede da Unasul, que teria sua Secretaria reforçada por integrantes, civis e militares, cedidos pelas nações do continente. “Uma das nossas grandes riquezas é a pluralidade, e ela deve ser mantida”, afirmou. “Temos ideias diferentes sobre vários assuntos, mas queremos procurar nisso uma identidade, uma unidade”.

Segundo Amorim, o Colégio teria, entre outros aspectos, o papel de preencher lacuna hoje existente de um espaço para discussão das percepções, preocupações, estratégias e políticas de defesa na região. Para o representante brasileiro, os países sul-americanos deveriam ter menos preocupação de traçar uma estratégia para o conjunto da região, e mais capacidade de ouvir as estratégias individuais que cada nação sul-americana está desenvolvendo. “Com base no que formos capazes de ouvir e entender, e utilizando o que existir de comum, aí, sim, chegaríamos a uma estratégia sul-americana formadora da nossa identidade”, afirmou.

O CDS foi criado em 2008 no âmbito da Unasul, a partir de uma proposta apresentada pelo Brasil, para ser uma instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defesa. Seus objetivos principais são a incremento da cooperação entre os países-membros para promoção da paz e para o fortalecimento de ações de ampliação da estabilidade regional.

Em Lima, a delegação brasileira teve a participação do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, do diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes, além de representantes do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

PLANO DE AÇÃO 2013 DO CDS

Conheça algumas das principais iniciativas aprovadas

Eixo 1: Políticas de Defesa

Criar um Grupo de Trabalho para gestão e monitoramento de áreas especiais utilizando os recursos do centro Gestor de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) em proveito dos países membros da Unasul.

Manter o Grupo de Trabalho para estabelecer uma política e mecanismos regionais para enfrentar as ameaças cibernéticas e informáticas no âmbito da defesa.

Eixo 2:  Cooperação Militar, Ações Humanitárias e Operações de Paz

Realizar o Terceiro Exercício Combinado regional na carta, sobre Operações de manutenção da paz e de Ajuda Humanitária denominado “UNASUL III”, incluindo nestes exercícios, entre outros elementos, a inclusão da mulher e proteção de civis.

Criar um Grupo de Trabalho para reunir em um mecanismo de resposta aos desastres naturais: o Protocolo de Cooperação apresentado pelo Peru, por meio da atividade 2.d e o inventário de Capacidade de Defesa dos Estados para resposta aos desastres, apresentado pelo Brasil, através da atividade 2.c do Plano de Ação 2012.

Avaliar a possibilidade de utilizar os mecanismos já existentes.

Eixo 3: Indústria e Tecnologia da defesa

Realizar um Seminário Sul-americano de Tecnologia Industrial Básica – Segurança e Defesa para incentivar a cooperação e o intercâmbio no âmbito da Unasul, de mecanismos que incentivem e atribuam às indústrias regionais uma maior prioridade e com normas especiais para as compras, as contratações e o desenvolvimento produtos e sistemas de defesa, assim como desenvolver um sistema integrado de informações sobre indústria e tecnologia da defesa.

Criar um grupo de Trabalho constituído por especialistas com o propósito de apresentar o desenho, desenvolvimento e a produção regional de um sistema de aeronaves não tripuladas, considerando os requisitos operacionais apresentados no relatório de viabilidade concluído no ano de 2012.

Eixo 4: Formação e Capacitação

Realizar o segundo Curso Sul-Americano de Formação de Civis em Defesa.
Realizar o II Curso Avançado de Defesa Sul-Americano (II CAD-SUL)
Elaborar uma proposta para criação da Escola Sul-Americana

FONTE: Ministério da Defesa

 

Em um discurso sincero e objetivo, o comandante das Forças de Defesa dos Países-Baixos, general Peter van Uhm, explica porque ele escolheu a arma como instrumento para tornar o mundo um lugar mais desenvolvido e seguro, e também lança a reflexão do papel das Forças Armadas para promover a paz, soberania e auto-determinação da sociedade.

FONTE: TED Ideas Worth Spreading

 

 

Por Andrei Netto, correspondente

Desde a explosão da bolha dos subprimes, os créditos imobiliários de alto risco, em 2007, e da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008, nos Estados Unidos, e do início da turbulência causada pelas dívidas soberanas na Europa, em dezembro de 2009, virou lugar comum lembrar que em grego a palavra “Krisis” significa “decisão” e, em chinês, pode ser usado tanto como “perigo” como “oportunidade”. Mas é exatamente nessa ambivalência do termo que confia o embaixador do Brasil na França, José Maurício Bustani.

Em lugar de recessão econômica, desemprego e ameaças de implosão da zona do euro, o diplomata, no posto desde 2008, vê em Paris um manancial de oportunidades para empresários brasileiros dispostos a desbravar a Europa – inspirando-se no caminho inverso, trilhado há várias décadas pelas multinacionais do Velho Mundo. Em entrevista ao Estado, concedida na terça-feira, horas antes da festa de gala realizada pela Câmara do Comércio do Brasil na França (CCBF) – criada na sua gestão -, o diplomata enfatizou a queda do preço dos ativos na Europa e, em particular, na França, para advertir: é a hora de investir.

Bustani fala com conhecimento de causa. Nos últimos quatro anos, vem costurando acordos políticos, industriais e comerciais entre Brasil e França que resultaram na Parceria Estratégica firmada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy. Submarinos e helicópteros já estão em produção, e o embaixador vê os caças Dassault Rafale como os ideais para reequipar a Força Aérea (FAB).

A janela para negócios, entretanto, vai bem além do âmbito militar. Para Bustani, por viverem um momento de contração financeira, a França e a Europa estão abertas ao capital estrangeiro, esperando que investidores de países emergentes, como o Brasil, venham suprir a carência de dinâmica econômica.

Os campos, diz o embaixador, são os mais variados: vão do supercomputador cuja tecnologia a França se mostra disposta desde 2009 a compartilhar com o Brasil até brechas para a atuação de empreiteiras brasileiras. Tudo isso, assegura, será ainda mais impulsionado pela proximidade ideológica entre o presidente socialista François Hollande e Dilma Rousseff, que será recebida no Palácio do Eliseu no início de dezembro. A seguir, os principais trechos da conversa.

A câmara de comércio

“O Brasil tem câmaras de Comércio em Nova York e em Londres, as duas já bem antigas. Em Paris, quando eu cheguei, não havia uma câmara. Com o movimento enorme que há entre os dois países, sobretudo do ponto de vista da França, que tem mais de 500 empresas com filiais no Brasil – algumas delas desde o começo do século passado -, era estranho que não houvesse uma entidade como essa. Com a câmara, estimulamos as relações entre os dois países e incentivamos – o que é meu grande objetivo – os empresários brasileiros que estão se internacionalizando. Há grandes oportunidades aqui.”

A imagem da França

“Há uma percepção no Brasil que precisa ser mudada. Não nos damos conta de que a França desenvolveu sozinha desde De Gaulle toda uma gama de alta tecnologia que passa pelo nuclear, pela biodiversidade, pela biotecnologia, pela medicina, por equipamentos de tratamento de câncer, pelos trens de alta velocidade (TGV), pela aviação, pelos satélites, por tudo. E toda essa tecnologia é deles, propriedade do Estado francês. O Brasil ainda não percebeu isso. Nossa mentalidade é de que essas tecnologias só existem nos Estados Unidos, ou agora na China. O potencial da França é gigantesco.”

A parceria estratégica

“Estabelecemos a parceria estratégica, com Lula e Sarkozy, em 2009. É uma verdadeira parceria, porque não é retórica e tem resultados concretos. Foi uma decisão de muito alto nível, do Estado brasileiro e do Estado francês. A França é dona de sua tecnologia. Mas ela não conseguirá sozinha levá-la às suas novas etapas e suas novas dimensões. Eles se deram conta de que precisam encontrar um parceiro com potencial, de preferência nos países emergentes. O Brasil foi a escolha óbvia, pelos laços tradicionais, pela comunidade de instituições, pela comunidade de cultura, por ser uma democracia consolidada e pelo sucesso do desenvolvimento que colocou o país em outro patamar.”

A relação entre o Estado e as empresas na França

“As empresas francesas têm muita participação estatal. Sobretudo quando se trata de colaboração em áreas de tecnologia muito sensíveis, você tem de ter o apoio do governo, porque envolve segredos industriais. Essa parceria entre os Estados foi estabelecida. Temos os helicópteros sendo construídos, assim como os submarinos. O estaleiro em que estão sendo construídos é algo emocionante, porque são os nossos submarinos, que depois serão montados na base de Itaguaí.”

Negociações em curso

“Há outros campos em que estamos em negociações. Um deles é importantíssimo: o do supercomputador. Só os Estados Unidos, a China e a França têm uma máquina dessas, que é o cérebro do país. Os franceses estão dispostos a transferir toda a tecnologia e a construir um supercomputador no Brasil.”

O supercomputador

“Imagine um Pentágono feito de máquinas. O supercomputador é algo inacreditável em termos de capacidade de cálculo. Só os Estados Unidos, a China e a França têm um. A proposta é montar um computador desses no Brasil, treinar pessoal e deixá-lo em funcionamento lá, cada um desenvolvendo seus próprios usos, mas com cooperação. Esse computador pode servir para as mais diferentes áreas. Ele controla as armas nucleares francesas, mas pode servir para qualquer escola da França que se interesse em usar sua capacidade de cálculo. É algo importante para o controle do espaço aéreo, para a Petrobras, para os submarinos, para tudo, porque permite que se aloque fatias do supercomputador a projetos específicos. No meio do país fica um cérebro que calcula tudo em questão de segundos. Nunca visitei nada tão importante na minha vida. O acordo vem sendo negociado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, mas não tem previsão ainda. É um projeto que não demora muito tempo. Vem antes das conversas sobre o Programa Espacial.”

O programa espacial

“Os franceses estão dispostos também a fazer um programa espacial com o Brasil. Os seus lançadores e seus satélites passariam a usar a base de Alcântara, em colaboração com a base de Kourou (o centro espacial francês na Guiana Francesa). As duas não são competitivas, mas complementares. Como a transferência de tecnologia é efetivamente feita – e essa é a beleza das parcerias com a França -, criamos projetos industriais no Brasil, que por sua vez criam empregos no Brasil e criam empresas que vão alimentar as grandes indústrias.”

Impacto no Brasil

“Esses grandes projetos terão um impacto enorme no desenvolvimento do Estado brasileiro. Para fazer um submarino, é preciso ter toda uma linha de empresas que vai trabalhar na fabricação das partes. Assim é com o supercomputador, com o programa espacial. Além da tecnologia, nesse processo resgataremos tudo o que perdemos em cérebros – todos os físicos, os químicos foram trabalhar fora acabam recrutados de volta. A Marinha já está recrutando físicos da área civil porque não tem gente para dar conta de seus projetos. Temos a capacidade intelectual para absorver a tecnologia que estão nos oferecendo.”

Interesse das empresas

“Sim, existe interesse das empresas brasileiras. A Odebrecht acabou de criar a Odebrecht Defesa, para poder absorver a tecnologia que vamos receber. Essas parcerias funcionam como uma joint venture com o Brasil. Dão origem a empresas franco-brasileiras. Normalmente o diretor da empresa acaba sendo um brasileiro. É a forma como os franceses trabalham, que é diferente da de outros países. Isso tudo parece ser desconhecido da opinião pública no Brasil. As pessoas nem se dão conta do papel da Renault, da Peugeot, da L’Oreal, etc, na economia do Brasil. A segunda maior distribuidora de eletricidade no Brasil é a francesa GDF Suez. Ninguém se dá conta disso.”

Lançar-se ao exterior

“A comunidade empresarial brasileira cada vez mais desperta para as oportunidades aqui na França e na Europa. Nós vamos realizar em dezembro na Fiesp um seminário justamente sobre o que a França oferece, sobretudo agora com os ativos com valor mais baixos. Os empresários brasileiros precisam acordar e se dar conta de que há oportunidades agora e o momento é bom. Há uma gigantesca presença francesa no Brasil e oportunidades aqui que não estão sendo preenchidas pelo empresariado brasileiro, que já tem a capacidade necessária.”

O momento

“O momento é bom porque os ativos estão com preços baixos. A França está aberta à participação externa. As oportunidades estão aí. As empreiteiras brasileiras, por exemplo, poderiam aproveitar, mesmo com a concorrência (Vinci e Bouygues, entre outras). O seminário vai ser a oportunidade para identificar essas áreas. Os próprios franceses criaram uma agência de captação de empresas estrangeiras no Brasil. Vão participar do seminário.”

Visita de Dilma a Paris

“É sua primeira visita de Estado. O Lula fez uma visita oficial, a de Dilma Rousseff é a primeira de Estado que ela fará à França e será a primeira que Hollande receberá de um brasileiro. Representa a reiteração da Parceria Estratégica estabelecida em 2009 e a abertura de novas áreas de colaboração. Também vamos relançar o Grupo de Alto Nível Econômico e Financeiro, que é o encontro dos governos e dos empresários dos dois lados. Os governos dão o arcabouço legal e os empresários vão adiante. Tudo está caminhando da forma mais positiva possível.”

Hollande e Dilma

“Há um contexto de aproximação de visões do mundo, com dois governos de centro-esquerda. A percepção dos dois governos em relação à governança mundial é muito parecida, a preocupação em encontrar um equilíbrio entre o crescimento e a política fiscal séria, etc. Os discursos de ambos têm sido muito parecidos. E isso permite que os dois países possam ter uma voz comum nas discussões internacionais, sobretudo no G20. A colaboração é profunda e estratégica. Da forma como ela é feita, vira uma joint venture e não termina mais.”

Ruídos na comunicação

“Houve um governo novo no Brasil e um governo novo aqui. Até as coisas se assentarem, toma um certo tempo. Agora ambos já estamos com muito bom contato. O Jean-Yves Le Drian, ministro da Defesa da França, esteve no Brasil e não falou só de Rafale. O Rafale é importante, mas não é um must. Para nós, é uma opção bastante válida, por causa da transferência de tecnologia, que os dois outros concorrentes não têm condições de oferecer.”

Os caças Rafale

“Seria obviamente muito interessante a compra dos Rafale e uma eventual parceria entre a Dassault e a Embraer. (…) São oportunidades que o Brasil precisa ver com muita atenção, porque são parcerias em pé de igualdade. Não são apenas vendas, que são o grande problema dos americanos. Eles têm impedimentos legais insuperáveis no congresso. Aqui a tecnologia é da França, e há uma decisão do Estado de transferir tecnologia. Isso é o mais importante para o Brasil. Com isso o Brasil ganha 40 anos.”

Por que a Europa se interesse pelo Brasil

“O Brasil se consolidou como uma democracia estável que se desenvolve, com um nível de crescimento que é menor do que o da China, mas cada vez mais dentro dos moldes ocidentais. Por isso o diálogo com a França é tão bom, de ambas as partes. Não conseguiríamos fazer a mesma parceria de compartilhamento com outro país.”

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

O aprofundamento da cooperação bilateral e da parceria no desenvolvimento de projetos estratégicos setoriais foi a tônica do encontro entre os ministros da Defesa do Brasil e da França, Celso Amorim e Jean-Yves Le Drian, nesta segunda-feira, em Brasília.

Na reunião, os ministros também trataram de aspectos gerais relativos à cooperação em defesa, ressaltando a confiança mútua existente entre as duas nações na execução de projetos de interesse comum.“Temos com a França uma relação importante que se estende também na área da defesa. Essa cooperação recebeu um impulso enorme nos últimos anos”, destacou Amorim.

O ministro francês ressaltou a disposição do governo de seu país em manter os compromissos contratuais firmados com o Brasil, sobretudo no aspecto relativo à transferência de tecnologia, requisito indispensável previsto na Estratégia Nacional de Defesa (END) brasileira para aquisições militares.

A França é, atualmente, um dos principais parceiros estratégicos do Brasil no setor de defesa. Durante o encontro, os representantes das duas nações mencionaram alguns dos mais relevantes projetos em conjunto atualmente em curso. O primeiro foi o PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), que prevê a construção de submarinos convencionais e à propulsão nuclear, em Itaguaí (RJ). O outro envolve a produção de 50 helicópteros de transporte, modelo EC-725, fabricados pela Eurocopter e Helibras, em Itajubá (MG).

Na reunião, os ministros também fizeram breves considerações sobre as visões estratégicas dos dois países. Amorim lembrou a influência francesa na formação do Exército Brasileiro e ressaltou a importância na manutenção de uma parceria duradoura, que vá além de um único governo. O ministro brasileiro reafirmou as prioridades geoestratégicas do Brasil, focadas no incremento da cooperação com os países sul-americanos e africanos, mas sem a exclusão de parceiros de outras regiões do mundo.

O encontro entre Amorim e Le Drian resulta no desdobramento das conversas mantidas entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da França, François Hollande, em julho, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. No próximo mês, a presidenta fará visita oficial à França.

Missões de paz e cooperação

A comitiva francesa chegou a Brasília no último domingo (04). Hoje, pela manhã, foi recebida com honras militares na sede do Ministério da Defesa. Em seguida, as duas autoridades iniciaram a reunião bilateral com suas respectivas equipes, que incluíram comandantes militares e autoridades civis.

No início da conversa, o ministro Amorim deu as boas-vindas ao colega francês e destacou que recebia, pela primeira vez, o ministro do governo Hollande para tratar de assuntos de defesa. Depois, o brasileiro apresentou a proposta dos temas que seriam tratados no encontro.

Entre outros aspectos, os ministros destacaram a participação brasileira nas missões de paz no Líbano e no Haiti. A propósito desse último país, Amorim recordou a doação de US$ 40 milhões feita pelo governo brasileiro para a elaboração do projeto de construção da usina hidrelétrica de Artibonite. O ministro sugeriu a participação francesa no projeto, que tem por finalidade suprir o Haiti de energia elétrica, insumo indispensável para garantir condições para o desenvolvimento socioeconômico da nação caribenha.

Amorim destacou também a participação de um assessor especial do Ministério da Defesa, em evento em Paris, para relatar aos franceses sobre a experiência do processo de elaboração do Livro Branco de Defesa Nacional, que pela primeira vez está sendo editado no Brasil. O governo Hollande vem coletando informações sobre o tema para elaboração de documento congênere que deverá contemplar as diretrizes estratégicas de defesa daquele país. “Isso é uma demonstração de confiança e interesse mútuos”, disse Amorim.

O tráfico de drogas na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa também foi assunto abordado na reunião. O ministro francês explicou que seu governo tem permanecido atento em relação ao tema. Ele citou inclusive o patrulhamento da fronteira da Guiana como forma de combate ao narcotráfico.

Ainda em relação ao aprofundamento da cooperação bilateral, os dois ministros conversaram sobre a possibilidade de retomada das reuniões no formato “2+2”, que consiste na participação dos titulares das pastas de Defesa e de Relações Exteriores. Para eles, o encontro poderia se dar a cada ano, como forma de estreitar as relações Brasil-França. A proposta deverá ser encaminhada à consideração dos presidentes e ministros das Relações Exteriores dos dois países.

Programa FX-2

A compra dos caças pelo Brasil no âmbito do programa FX-2 também entrou na pauta do encontro bilateral. Numa breve consideração, o ministro Amorim explicou que o tema está sob análise da presidenta Dilma Rousseff, a quem caberá, oportunamente, a decisão final sobre o assunto.

De Brasília, o ministro francês seguiu para o Rio de Janeiro. A comitiva de Le Drian visitará as obras que contemplam o PROSUB, como a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), além da construção do Estaleiro e Base Naval (EBN) de Submarinos, em Itaguaí* . Ele será acompanhado pelo comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, e do diretor-geral do Material da Marinha, almirante Arthur Pires Ramos.

O ministro conhecerá as futuras instalações que possibilitarão a construção do submarino com propulsão nuclear, marco do PROSUB.

A parceria estratégica entre Brasil e França adotou, entre outras, a Cooperação na Área de Defesa, mediante a qual os dois países desenvolverão parcerias industriais e transferência de tecnologia. Essa Cooperação abrange, como uma das metas, a construção conjunta de quatro submarinos com propulsão convencional (S-BR) e a assistência da França para desenvolver a parte não nuclear do projeto de submarino com propulsão nuclear brasileiro (SN-BR).

FONTE: Ministério da Defesa

*NOTA: não deixe de conferir matéria exclusiva do Poder Naval sobre a visita do ministro da Defesa da França às obras em Itaguaí. Clique aqui para acessar.

 

Única cidade do país a abrigar Vants (aviões não tripulados) em sua base aérea militar e um centro que prepara instrutores de veículos blindados, Santa Maria recebeu, nos últimos dois dias, a visita do ministro da Defesa, Celso Amorim, acompanhado de autoridades do alto escalão das Forças Armadas.

O objetivo da viagem foi conhecer in loco alguns dos projetos destinados a modernizar equipamentos e sistemas em uso no Exército e na Aeronáutica, além de dimensionar, presencialmente, o notável aparato militar disponível na região.

Na guarnição de Santa Maria estão localizados o comando da 3ª Divisão de Exército (3ª DE), a Base Aérea local (BASM) e um número expressivo de organizações militares do Exército, que compõem um dos maiores efetivos militares do país. Cerca de 17.500 homens da força terrestre integram a 3ª DE, além dos 1.600 efetivos da Força Aérea Brasileira (FAB) que atuam na BASM.

“Santa Maria é um pólo importantíssimo para a defesa brasileira. E sendo um pólo de defesa importante, é natural que se torne também um pólo da indústria dessa defesa”,  disse Amorim, referindo-se à vinda de empresas do setor para a região.

No início do mês, a alemã Krauss-Maffei Wegmann (KMW), que produz os carros de combate Leopard lançou na cidade a pedra fundamental do centro de desenvolvimento, manutenção e fabricação da KMW no Brasil. Ali, será feita a manutenção dos 220 Leopard 1 A5 comprados há dois anos pelo Exército Brasileiro. Segundo especialistas, os blindados alemães estão entre os melhores do mundo.

Para o ministro da Defesa, que acompanhou no Campo de Instrução Barão de São Borja (Saicã) um exercício de tiro com os novos Leopard, o esforço da indústria na área de manutenção dos blindados poderá criar outras possibilidades de desenvolvimento na região.

“Essas coisas não acontecem de uma só vez, mas nada impede que futuros projetos venham a ser desenvolvidos aqui, dentro da nossa ideia do Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED)”, afirmou. “O importante é aprendermos agora aquilo que é de interesse estratégico para desenvolver depois projetos que incorporem, ao menos em parte, tecnologia nacional”, completou.

3ª Divisão de Exército

Na companhia do comandante do Exército, general Enzo Peri, Celso Amorim explorou o vasto complexo sob responsabilidade da 3ª Divisão de Exército (3ª DE), uma das unidades de maior poder de fogo da força terrestre brasileira.  Subordinada ao Comando Militar do Sul (CMS), a Divisão abrange a 1ª e a 2ª Brigadas de Cavalaria Mecanizada, a 6ª Brigada de Infantaria Blindada e a Artilharia Divisionária/3.

Ao longo da visita, Amorim conheceu o local das futuras instalações do Simulador de Apoio de Fogo (SAFO), no Campo de Instrução de Santa Maria (CISM), uma arena com software e maquinário voltada para a simulação de combates, a ser concluída até o final de 2013. E percorreu o Centro de Instrução de Blindados, responsável pela especialização de militares brasileiros no emprego técnico e tático dessas viaturas – tanto as que operam sobre lagartas, quanto aquelas sobre rodas –, além do desenvolvimento da doutrina militar aplicada a esses veículos. Ali, conheceu também os simuladores utilizados na instrução dos oficiais e sargentos para o emprego dos carros de combate Leopard 1 A5.

Base Aérea

Um dia antes, o ministro visitou a Base Aérea de Santa Maria (BASM), na companhia do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. E inteirou-se sobre o histórico, a missão, o efetivo e a estrutura da unidade, bem como as perspectivas de chegada de novos equipamentos.

Fica em Santa Maria parte importante dos esquadrões de jatos do tipo caça da FAB, bem como um esquadrão de aeronaves de asas rotativas.  É para lá, inclusive, que irão os primeiros caças subsônicos A-1 (AMX) que estão sendo revitalizados na planta industrial da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior paulista.

Desenvolvidos na década de 80, numa parceria entre o Brasil e a Itália, os AMX  ganharão sobrevida de 20 anos após a modernização. Ao todo, 43 unidades serão revitalizadas, tornando-se os principais caças a operarem no país. A entrega do primeiro lote, de oito unidades, está prevista para o início do ano que vem.

Outra novidade para o começo de 2013 é a chegada de dois novos Vants para o Esquadrão Hórus. Criado em 2011, o Hórus tem a missão de desenvolver a doutrina que permitirá à FAB se familiarizar com o uso desses equipamentos. A Base Aérea de Santa Maria é a única do país a abrigar Vants prontos para uso militar.

Atualmente, duas aeronaves Hermes 450, de fabricação israelense, têm sido utilizadas pelo esquadrão. Além de missões locais, esses Vants já foram empregados em quatro edições da Operação Ágata, de proteção das fronteiras, e na conferência Rio+20.

Segundo o tenente coronel Gramkow, comandante do Hórus, os Vants que vão chegar em 2013 são versões mais modernas da aeronave hoje disponível, e permitirão um ganho ainda maior de dados, por conta dos novos radares de abertura sintética (SAR) incorporados ao sistema. “Temos aprendido muito com esses equipamentos, que abrem um novo mundo de possibilidades em tarefas de vigilância de longa duração”, afirmou.

Comitiva

Além dos comandantes do Exército e da Aeronáutica, Celso Amorim visitou a guarnição militar de Santa Maria acompanhado do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi. O general Adriano Pereira Júnior, chefe de Logística do EMCFA, e o brigadeiro Ricardo Machado Vieira, chefe de Operações Conjuntas, também participaram da programação, bem como outros assessores militares e civis.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Polícia Militar de SP compra novas submetralhadoras

A Polícia Militar do São Paulo comprou submetralhadoras Famae SMT.40 para seus oficiais. De acordo com a corporação, “a submetralhadora foi comprada com o intuito de aumentar o número desse tipo de armamento”. A PM, porém, faz a ressalva que “as submetralhadoras anteriores são tão eficientes quanto essas e não serão retiradas de uso”.
Segundo a Taurus, fabricante da arma, a submetralhadora pesa 3,270 kg – com carregador -, tem 30 cartuchos e tem 470 mm de comprimento. A PM não pode informar quantas armas foram adquiridas por medida de segurança. Cada submetralhadora é avaliada em R$ 4,5 mil.

Fonte:Terra

NOTA DO LEITOR: Existe um erro na nomenclatura da mesma, sendo este modelo, um desenvolvimento próprio da Taurus e não a versão feita sob licença da FAMAE Chilena. (Claudio de Queiroz)

 

Alex Costa - repórter

Ano após ano, as comemorações relativas ao 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, vão se tornando cada vez mais raras. A exceção se dá aos  colégios militares e algumas escolas particulares que inserem este conteúdo para o ensino de crianças e adolescentes. Diferente das comemorações do “4 de Julho” norte-americano e do “14 de Julho” dos franceses, que marcam, respectivamente, a Independência dos Estados Unidos e a Queda da Bastilha, na França, o 7 de Setembro do Brasil não é tão festejado. Nesses países, a cultura nacional é de que as pessoas saiam  às ruas para celebrar e fazer manifestações com relação àquele momento histórico. Em 2012, o Brasil completa 190 anos de liberdade frente ao colonialismo português.

Segundo o professor de história Luiz Eduardo Brandão Suassuna, conhecido como professor Kokinho, o brasileiro acaba entendendo a data apenas como mais um feriado. “Não existe sentimentalismo. Não faz parte da história pessoal de cada indivíduo”, afirma. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE foi à Praça 7 de Setembro, localizada em frente à Assembleia Legislativa, para conversar com populares sobre o que significa o feriado dessa sexta-feira.

Para o estudante Ramon Fava, de 19 anos, a Independência do Brasil é apenas mais uma data inserida no calendário para conceder feriado ao povo brasileiro. A estudante Aline Milena, de 17 anos, vai além: “É bonito ver aquele desfile das forças armadas. Não sei o que significa, mas acho o evento muito bonito”, disse. Questionada sobre de qual país o Brasil foi colônia, a estudante alegou desconhecer o fato.

“Desde a época da Ditadura Militar que o brasileiro ganhou uma aversão às práticas militaristas como desfiles, hinos e bandeiras. Afinal, o cidadão era obrigado a usar as simbologias da pátria no seu cotidiano escolar. Isso está sendo levado para as gerações seguintes”, considera Kokinho. Outra razão que pode explicar o esquecimento da data, segundo o professor, é o fato de que a Independência do Brasil não foi um movimento popular, mas um ato muito mais político, visando o interesse da aristocracia. “É lamentável que não haja essa cultura, pois com isso, vão se perdendo os símbolos, uma das mais fortes marcas da identidade de um País”, completa.

A falta de investimento em educação e a desestrutura escolar é outro ponto apontado pelo professor. De acordo com Kokinho, cada vez menos escolas adotam a prática de cantar o hino nacional. “Um longo processo deve ser seguido para tentar resgatar a auto-confiança das pessoas e o respeito pelo Brasil. É necessário que o brasileiro assuma o Brasil e não apenas assista os governos fazendo história por ele”, finaliza.

Desfile Cívico de Natal deve receber cerca de 15 mil pessoas

Maior do que o ano passado, o desfile cívico de encerramento da Semana da Pátria, que comemora a independência do Brasil, espera receber em torno de 12 mil visitantes para assistir ao cortejo. Cerca de três mil militares e civis devem participar do desfile pela avenida Prudente de Morais, que trás novidades para este ano. Além dos tradicionais sobrevoos de quatro caças A-29 e de quatro helicópteros “Esquilo”, que farão voos baixos em meio do cortejo, uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) fará uma demonstração de primeiros socorros e da intervenção médica em casos de acidentes de trânsito. A intenção é de conscientizar a sociedade com relação à segurança na estrada para o feriado prolongado.

De acordo com o major Gelson de Sousa, chefe 7ª Brigada de Infantaria Motorizada,o Exército do Brasil está organizando o evento este ano, bedecendo ao sistema de rodízio para a realização do evento. “Para nós é uma honra poder representar a nossa pátria e servir à nossa nação”. Segundo o major, três palanques foram armados na Praça Pedro Velho (Praça Cívica) para receber as autoridades estaduais a partir das 8h30. O evento será iniciado a partir das 9h. Os comandantes da 7ª Brigada do Exército Brasileiro, da Base Aérea de Natal, do 3º Distrito Naval, da Polícia Militar e dos Corpo de Bombeiros, além do representante municipal e da governadora Rosalba Ciarlini, são esperados nos palanques. O primeiro grupo a desfilar são as escolas municipais e estaduais selecionadas, e algumas escolas particulares, que somam ao todo 21 escolas.

Programa

Logo a seguir, o cortejo segue com a entrada de crianças e  jovens que fazem parte de projetos sociais das instituições militares, como o Corpo de Bombeiros Mirim, o Programa Educacional de Resistência às Drogas, da Polícia Militar, e o Programa Educacional da Marinha, entre vários outros. Os escoteiros das mais variadas classes e os desbravadores também participam do desfile cívico. Logo após a participação cívica, o desfile começa a ser adornado com a presença das forças militares do estado. Entre os representantes do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, são aguardados aproximadamente 1.000 militares. Carros da polícia, viaturas do Corpo de Bombeiros, bunkers do Exército e motocicletas entram logo após os integrantes das forças armadas no cortejo. Cavalos encerram o desfile por volta das 11h30 da manhã do dia 7 setembro e anunciam o arreamento das bandeiras e o encerramento da comemoração da Semana da Pátria 2012.

Comércio

O comércio natalense vai funcionar em horário diferenciado na próxima sexta-feira, 7, feriado em que se comemora o Dia da Independência do Brasil.  De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), no centro da cidade, a maioria das lojas fecha, mas grandes magazines abrem com  expediente reduzido. Nos shoppings, o horário também será diferenciado (confira no quadro). O feriado ocorre em meio à Liquida Natal, campanha promocional que começou na última quinta-feira (30) e segue até domingo, dia 9, na capital potiguar. “A Liquida foi projetada sabendo que teria o feriado, então isso não atrapalha as vendas”, diz o superintendente da CDL Natal, Adelmo Freire.

Durante o período promocional, empresas de diversos segmentos oferecem até 70% de descontos ao consumidor, em produtos e serviços. De acordo com a CDL, a expectativa é que a campanha gere R$ 200 milhões em vendas. O montante representa  um incremento de cerca de 15% em relação ao alcançado no ano passado, quando  chegou a R$ 180 milhões. E pode ser ainda maior, segundo Freire. O otimismo  é movido pela quantidade de cupons disponibilizados este ano para sorteios: eram 4 milhões ao todo, mas, dada a demanda, mais 1 milhão deverão ser fabricados, de acordo com o superintendente da CDL.

Na campanha, a cada R$ 25 em compras o consumidor recebe um cupom para concorrer a sorteios.

Cerca de 3 mil pontos de venda, entre lojas de roupas, concessionárias de veículos, farmácias, supermercados e restaurantes, entre outros,  devem se valer da oferta de prêmios e descontos para atrair o consumidor e melhorar o desempenho das vendas, no período, considerado de retração.

Tagged with:
 

“Embora os processos políticos continuem a evoluir – e nem sempre de forma linear –, a América do Sul é hoje um continente politicamente mais maduro, no qual defesa e democracia se reforçam mutuamente”. Assim, o ministro da Defesa, Celso Amorim, definiu como enxerga, hoje, o momento por que passa a região.

A afirmação foi feita durante aula magna do Curso Avançado de Defesa Sul-americano (CAD-Sul), promovido pela Escola Superior de Guerra (ESG). Com um público que inclui aproximadamente 30 estagiários de países vizinhos, o curso foi inaugurado nesta quarta-feira (29), na Urca, no Rio de Janeiro.

Segundo Amorim, a publicação do Livro Branco de Defesa Nacional, cuja versão preliminar foi entregue no mês passado ao Congresso Nacional brasileiro, é um entre vários exemplos que mostram que há mais transparência e democracia no subcontinente sul-americano.

“Iniciativas como essa, já corriqueiras em nossa região, suscitam o acompanhamento atento e crítico dos assuntos de defesa pela sociedade civil, fator imprescindível para políticas de defesa em sintonia com os interesses nacionais”.

De acordo com o ministro, “essa representatividade é exemplificada, no caso brasileiro, pelo sólido vínculo entre política de defesa e política de desenvolvimento, que orienta nossa Estratégia Nacional de Defesa”.

Curso Avançado

Celso Amorim compareceu ao auditório da ESG para proferir a aula magna inaugural do curso promovido pela ESG. Estagiários da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela presenciaram a exposição.

Sob o título “Por uma identidade sul-americana em matéria de defesa”, o ministro iniciou a palestra ressaltando a importância do curso, que foi incluído no plano de ação para 2012 pelo Conselho de Defesa Sul-americano.

De acordo com ele, a capacitação “dá mais um passo significativo – ao lado de iniciativas como a criação do Centro de Estudos Estratégicos de Defesa – rumo à construção de uma identidade sul-americana em matéria de defesa.”

Nas próximas dez semanas – período de duração do curso – os alunos terão o que Amorim definiu como “uma visão dos contornos dessa identidade, pelo estudo da realidade de defesa sul-americana, pelo contato com autoridades da nossa região e pela visita a algumas das principais organizações brasileiras na área de defesa”.

Ao longo de sua exposição, o ministro fez um relato sobre a importância da relação entre os países do continente sul-americano. “Falar em identidade regional em matéria de defesa é falar na grande maturidade de nossos países ao colocarem suas relações nesta área sabidamente sensível sob o signo da paz e da cooperação”, enfatizou.

Ele lembrou do ano 2000, quando se deu em Brasília a primeira cúpula dos chefes de Estado da América do Sul, oportunidade em que “um período surpreendentemente longo de afastamento começou a ser superado”. Amorim explicou que essa desconexão lançava suas raízes no passado colonial de nossas sociedades, tempos em que os “territórios ligados a uma ou outra metrópole mantinham entre si rivalidades exógenas, depois projetadas sobre a vida independente de nossas nações”.

Além dos estagiários, a palestra foi acompanhada pelo comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, do subcomandante da ESG, vice-almirante Nelson Garrone Palma Velloso, e demais autoridades militares.

FONTE: Ministério da Defesa

NOTA DA EDITORA: Você pode ler na íntegra a palestra do ministro Celso Amorim clicando no link: Por uma identidade sul-americana em matéria de defesa

 

O verdadeiro inimigo

O ministro da Defesa, Celso Amorim, voltou a pedir a ampliação dos gastos com as Forças Armadas, em recente evento da Associação de Estudos da Defesa, como noticiou o Estado (7/8). No entanto, sua justificativa para pedir mais recursos na área militar foi constrangedora: o ministro acredita na possibilidade de agressão não de algum vizinho, tampouco de narcoguerrilhas ou grupos terroristas, mas de “grandes potências e alianças militares” – que só podem ser Estados Unidos e Otan.

Amorim avalia que há hoje um “forte sentimento de insegurança no sistema internacional” em razão de ações militares unilaterais, referindo-se às guerras no Iraque e no Afeganistão, deflagradas pelos americanos, e à intervenção da Otan na Líbia sem que houvesse claro mandato da ONU para isso.

Como sugere a fala do ministro, casos como esses mostram que o Brasil deve se precaver. “Temos um patrimônio que nos transforma num dos territórios mais ricos do planeta”, disse ele, enfatizando também a “nova estatura internacional do Brasil ao redor do mundo” (sic !). E arrematou: “O Brasil deve construir capacidade dissuasória crível, que torne extremamente custosa a perspectiva de agressão externa a nosso país”. Os estrategistas militares de Washington devem ter perdido o sono depois disso.

O discurso de Amorim se aproxima perigosamente da delirante retórica bolivariana, que enxerga nos Estados Unidos uma ameaça militar permanente, como se uma invasão dos “ianques” fosse acontecer a qualquer momento na América do Sul. Foi com essa desculpa grotesca que o caudilho venezuelano, Hugo Chávez, armou-se até os dentes com equipamento bélico russo – muito mais para atemorizar a oposição interna, graças à militarização das chamadas “milícias bolivarianas”, do que para enfrentar uma improvável intervenção americana. Essa coincidência entre a posição de Amorim e as bandeiras do bolivarianismo não deveria causar espanto, a julgar por sua trajetória na Chancelaria do governo Lula.

Nada disso significa que não haja necessidade de qualificar os investimentos nas Forças Armadas, sobretudo diante do estado de penúria em que elas se encontram. Um estudo produzido pelo Ministério da Defesa mostra que metade dos equipamentos militares do Brasil simplesmente não tem condições de uso. Há casos críticos, como o da Marinha, responsável por patrulhar a área que guarda uma das principais riquezas a que aludiu Amorim – isto é, o petróleo do pré-sal. Os números mais recentes, compilados no ano passado, mostram que somente 2 dos 23 jatos A-4 da Marinha estavam em condições de voar. Além disso, apenas 53 das 100 embarcações e 2 dos 5 submarinos podiam navegar. Na Aeronáutica, nem metade dos aviões saía do chão, e a maior parte da envelhecida frota superou os 15 anos de uso. Como se sabe, porém, essa renovação, prometida ainda no governo Lula, está emperrada.

O Brasil gasta 1,5% do PIB com defesa, e Amorim quer algo em torno de 2%, equiparando-se à China, Rússia e Índia. É difícil imaginar, no entanto, que o Brasil tenha necessidades militares semelhantes às desses países, a não ser como expressão de megalomania. Ademais, já estamos entre os 15 países do mundo que mais gastam na área militar – na Lei Orçamentária Anual para este ano, a dotação do Ministério da Defesa foi de R$ 64,795 bilhões. O problema é que, desse valor, R$ 45,298 bilhões estavam destinados ao pagamento de pessoal e de encargos sociais, enquanto R$ 9,128 bilhões foram destacados para investimentos. Ainda assim, a verba para modernizar a área militar vem crescendo constantemente desde 2007, quando somou R$ 5 bilhões.

Mais econômico, portanto, seria investir numa equação em que as Forças Armadas gastassem melhor os recursos disponíveis e priorizassem a proteção das fronteiras, sem ter de, recorrentemente, fazer o papel que cabe à polícia.

Não resta dúvida de que é imperativo manter uma força militar capaz de enfrentar os desafios da defesa nacional, mas é preciso estabelecer prioridades claras, lastreadas em ameaças reais, e não na imaginação fértil de um punhado de ideólogos.

FONTE: O Estado de S. Paulo

 
Página 1 de 3123