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vinheta-destaque-forteBrasília, 20/02/2013 – A presidenta da República, Dilma Rousseff, autorizou o Ministério da Defesa a iniciar conversas para efetivar a compra de cinco sistemas de defesa antiaéreos da Rússia. A decisão ocorreu na manhã desta quarta-feira (20), durante reunião com o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev, ocorrida no Palácio do Planalto.

No início da tarde, no Palácio do Itamaraty, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, e o diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-militar, Alexander Fomin, assinaram a Declaração de Intenção de Defesa Antiaérea, o primeiro passo antes da formalização do contrato que deve ser assinado dentro de três a quatro meses.

Negociações iniciais indicam que os sistemas serão utilizados pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica. Três deles são de alta tecnologia e têm capacidade de médio alcance (Pantsir-S1). O Brasil pretende comprar também duas baterias antiaéreas do modelo Igla, de baixo alcance.

Após o aval do governo, o general De Nardi e o russo Fomin estiveram reunidos com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e auxiliares da equipe econômica. De Nardi explicou que o valor do contrato ainda não foi definido.

“Tudo vai depender dos componentes dos sistemas que serão adquiridos. É possível, por exemplo, que os caminhões sejam fornecidos por empresas no Brasil. Isso reduziria o preço. Os detalhes começarão a ser definidos a partir de agora”, afirmou.

A aquisição dos sistemas antiaéreos começou a ser discutida em dezembro do ano passado, quando a presidenta Dilma e o ministro da Defesa, Celso Amorim, estiveram em visita oficial a Moscou. Na ocasião, ficou acertada a visita de uma delegação brasileira à Rússia. No final de janeiro, o general De Nardi liderou a comitiva composta por representantes do governo brasileiro e empresários nacionais.

Durante a viagem, o chefe do EMCFA conheceu diversos equipamentos de tecnologia avançada produzida pela indústria russa. Ao mesmo tempo, recebeu garantias do fabricante de que haverá transferência de tecnologia sem restrições, uma das condições estabelecidas para fechar o acordo.

Brasil-Rússia

A negociação dos sistemas de defesa antiaéreos foi um dos principais pontos da visita oficial do primeiro-ministro Medvedev ao Brasil. O assunto constou da reunião com a presidenta Dilma, no Palácio do Planalto. Com a decisão de avançar nas negociações, De Nardi e Fomin passaram ao diálogo com a equipe do ministro Mantega.

Os equipamentos devem começar a ser entregues 18 meses após a assinatura do contrato. O prazo para formalizar o acordo deve ser de três a quatro meses. “Esperamos contar com os sistemas já nos Jogos Olímpicos Rio 2016”, previu De Nardi, que à tarde participou de outra reunião com a equipe do ministro Mantega.

Reunião ampliada

No final da manhã, no Itamaraty, a comitiva russa liderada por Medvedev participou de reunião ampliada que contou com o vice-presidente Michel Temer, os ministros Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), Edison Lobão (Minas e energia), Mendes Ribeiro Filho (Agricultura e Pecuária) e Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia).

Durante o encontro bilateral, as partes trataram de temas como a participação de universidades russas do programa “Ciência Sem Fronteira” e o comércio de carnes bovina, suína, aves, trigo e soja, bem como a licitação de blocos para exploração de petróleo na área do pré-sal e a construção de usinas nucleares.

Na conversa, os dois países trataram também de temas como tecnologia do sistema bancário e uso de moedas comuns no comércio entre os países que integram o bloco econômico denominado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Após a reunião, Temer e Medvedev participaram de cerimônia de assinatura de acordos e encerraram o programa com declarações à imprensa.

DIVULGAÇÃO: Assessoria de Comunicação Social (Ascom)

vinheta-clipping-forte1Avessa às formalidades diplomáticas, a presidente Dilma Rousseff abriu espaço na agenda da semana que vem para receber em audiência o primeiro-ministro da Federação Russa, Dmitri Medvedev, como sinal da importância que o Brasil quer dar à aproximação com a Rússia. Além das demandas por abertura de mercado, para carnes e soja, o governo brasileiro negocia acordos com os russos para compra de armamentos, cooperação em defesa e energia sustentável e intercâmbio de estudantes pelo programa Ciência sem Fronteiras.

Dilma deverá pedir a Medvedev apoio à candidatura do embaixador brasileiro Roberto Azevedo à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e quer discutir com os russos a formação do Banco dos Brics, um banco de desenvolvimento criado pelo grupo constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – a ser oficializado possivelmente na próxima reunião dos cinco governos, em março, na África do Sul.

Há ainda muito que combinar com os russos, até a chegada de Medvedev, que vem ao país para participar, com o vice-presidente, Michel Temer, da reunião da Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia. A missão russa inclui as principais autoridades do Ministério da Agricultura do país, para discutir com o governo brasileiro a retirada de barreiras às vendas de soja e a habilitação, para exportar carne bovina, de frigoríficos do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. Em contrapartida, será negociada a facilitação da entrada do trigo russo no mercado brasileiro.

A vinda de uma comissão de alto nível, chefiada pelo ministro da Agricultura russo, Nicolai Fyodorov, alimenta expectativas em Brasília de um acordo capaz de ampliar as vendas de soja e carnes ao país. O comitê agrário Brasil-Rússia se reunirá nos dias 18 e 19, às vésperas da chegada de Medvedev. As carnes são o principal produto de exportação do Brasil à Rússia; somente as exportações de carnes congeladas de bovino somaram US$ 1 bilhão em 2012, um terço do total, e têm se mantido constantes, apesar da queda de 25% nas exportações totais brasileiras à Rússia em 2012. O fim de restrições à carne bovina in natura fez as exportações do produto crescerem 460% no ano passado, para US$ 15 milhões – ainda uma pequena parcela das vendas aos russos.

Outro ponto de discussão de forte interesse dos dois governos é a compra de equipamento anti-aéreo russo, com a fabricação de componentes no Brasil. O Ministério de Defesa já discutiu com o governo russo a compra de baterias antiaéreas de alta tecnologia Pantsir S1, e um acordo de fabricação conjunta de mísseis portáteis Igla-S, que envolveria pelo menos três empresas brasileiras do setor de defesa: a Embraer, a Odebrecht Defesa e Tecnologia e a Avibrás.

Há exigências de sigilo comercial por parte dos russos e detalhes da cooperação que impedem os diplomatas de prever se o acordo na área de defesa estará entre os documentos a serem assinados durante a visita do vice-presidente russo.

A compra é tratada no governo como uma questão de tempo, porém, e é vista como um passo adicional na cooperação dos dois países no setor, hoje ainda limitada a transações comerciais. Segundo o jornal “Pravda”, citando a empresa Russian Technologies, o Brasil recebeu, entre 2008 e 2012, armas e equipamento militar no valor de US$ 306,7 milhões. Entre os armamentos já usados pelo Brasil estão 250 Igla-S de uma versão anterior à que é negociada no pacote de transferência de tecnologia entre os dois governos.

Entre os acordos com significado também simbólico está a assinatura de um acordo com a Universidade de Brasília para instalação, na capital, de um ponto de calibragem do sistema russo de geo-localização concorrente do GPS, o Glonass. Os dois governos firmarão, ainda, um acordo de cooperação para promoção bilateral de exportações de pequenas e médias empresas russas e brasileiras, além de um memorando para troca de informações e experiência em eventos esportivos.

A Eletrobras firmará um acordo de cooperação em eficiência energética e fontes renováveis de geração elétrica que a estatal brasileira defende como um elemento importante dos planos de internacionalização da empresa. Um memorando para cooperação sobre usos pacíficos em energia nuclear também está em discussão, assim como programas conjuntos em nanotecnologia.

Uma delegação de especialistas do setor financeiro deve discutir com os brasileiros um possível acordo de coordenação bancária, que envolve negociações para um acordo de pagamentos em moeda local no comércio dos dois países. A Rússia tem um acordo do gênero com a China e o Brasil, com a Argentina, embora esse último tenha pouca relevância dadas as incertezas cambiais no país vizinho.

FONTE: Valor Econômico

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Pegou mal

Declaração de Dilma sobre ação militar no Mali irrita governo francês

 

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Murillo Camarotto

vinheta-clipping-forte1Não pegou bem em Paris a declaração da presidente Dilma Rousseff sobre a intervenção do exército francês no Mali. Após uma reunião com líderes europeus, há três semanas, Dilma afirmou que o combate ao terrorismo não deveria “reavivar antigas tentações coloniais”.

Fontes do governo francês informaram ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, que a observação de Dilma foi muito mal recebida em Paris. “Um comentário como esse revela, acima de tudo, desconhecimento”, disse uma pessoa com trânsito na diplomacia francesa.

De acordo com a fonte, a operação militar está amparada nos requisitos necessários, como pedido oficial de ajuda pelo governo do Mali e aval da Organização das Nações Unidas (ONU). “A intervenção também conta com apoio dos países vizinhos ao Mali, que temem a proliferação do terrorismo na região”, reforça a mesma fonte.

Colônia da França até 1960, o Mali passa por uma onda de violência após o envolvimento de grupos terroristas de origem muçulmana e ocidental em disputas políticas locais. As forças francesas entraram em ação no dia 11 de janeiro, no momento em que rebeldes ameaçavam derrubar o governo local.

No último dia 24, Dilma se reuniu em Brasília com os presidentes da União Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman van Rompuy. Na ocasião, a presidente cobrou solução para os conflitos no Mali, na Síria, em Israel e na Guiné-Bissau.

Dilma defendeu a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU e mencionou eventuais tentações coloniais. “O combate ao terrorismo também não pode ele mesmo violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais”, disse a presidente.

Na avaliação dos franceses, a declaração revela também o “desinteresse” do governo Dilma pela política externa. Os europeus reclamam de dificuldades em conseguir agendar reuniões e coletar informações junto aos ministérios e demais órgãos do governo. Os empecilhos, segundo os franceses, teriam aumentado após Dilma assumir a Presidência da República.

Em um primeiro momento, os diplomatas franceses avaliaram a declaração como um arroubo presidencial e esperaram, em vão, por um esclarecimento do Ministério das Relações Exteriores. “Um país que tem a sexta economia do mundo e quer um assento no Conselho de Segurança da ONU não pode falar em colonialismo em pleno século 21”, arrematou a fonte no governo francês.

FONTE: Valor

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Sete dias para destravar o Orçamento

PAULO DE TARSO LYRA

ADRIANA CAITANO

 

vinheta-clipping-forte1Passado o retiro de carnaval na base naval de Aratu, na Bahia, a presidente Dilma Rousseff retornará a Brasília com alguns nós a desatar para que o ano de 2013 comece de maneira efetiva. O primeiro desafio será a votação do Orçamento, remarcada pelo presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para a próxima terça-feira, 19 de fevereiro. Além disso, ela deverá deflagrar a reforma ministerial necessária para incorporar o PSD ao governo, acomodar insatisfações no PMDB e reabilitar o PR.

Dilma queria que o Congresso tivesse aprovado o Orçamento em 5 de fevereiro passado. Afinal de contas, foi o segundo adiamento provocado por falta de consenso entre a base aliada e a oposição — no fim de dezembro, a peça orçamentária já havia batido na trave ao ir à votação. Contaminado pela polêmica na apreciação dos vetos presidenciais, a análise foi transferida para 5 de fevereiro, data subsequente à eleição de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a presidência da Câmara.

Não deu certo. Mais uma vez, a presidente entendeu o adiamento. Segundo conversas com pessoas próximas, ela interpretou a mudança na votação à necessidade de Renan e de Henrique darem uma demonstração de força para seus eleitores, provando que o Legislativo, daqui para frente, “não vai mais se subordinar integralmente aos interesses do Executivo”. Ambos foram eleitos em primeiro turno, fizeram discursos ´para dentro do Congresso´. Era natural que adotassem uma postura corporativista no primeiro dia.

Agora, espera o Planalto, será diferente. “Tudo bem, passou a folia, passou a eleição, temos que começar a trabalhar para que o país volte a crescer”, afirmou ao Correio um interlocutor da presidente. Embora acreditem que, do ponto de vista econômico, a não votação do Orçamento até o momento não chega a ser um desastre — a Medida Provisória liberando R$ 42,8 bilhões para investimentos supre as necessidades imediatas do governo —, nunca é bom governar sem uma peça orçamentária aprovada pelo Congresso.

Além disso, os tempos de rebeldia são curtos, analisam os aliados do Planalto. O Congresso está espremido entre uma presidente com índices astrônomicos de popularidade e um Supremo Tribunal Federal (STF) em estado de graça após o julgamento do mensalão, presidido por um ministro — Joaquim Barbosa — galgado à condição de herói nacional. “Eles (os parlamentares) não vão querer passar a impressão que remam contra a opinião pública”, disse uma pessoa próxima da presidente.

Dilma também está preocupada com os rumos da base aliada. Por precaução, durante a visita feita por Henrique Eduardo Alves — protocolar e formal, sem grandes emoções —, ela perguntou ao peemedebista o que esperar do novo líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha. Ouviu um desanimado Henrique Alves responder: “não sei”. Há muito os antigos aliados não falam a mesma língua. E o deputado potiguar ficou assustado com a celeridade com que o peemedebista fluminense exonerou Francisco Bruzzi, assessor direto da liderança do PMDB, que teria sido flagrado pela Operação Navalha, em 2007, recebendo R$ 20 mil de propina da empreiteira Gautama.

Segundo apurou o Correio, no entanto, Henrique Alves pode ficar tranquilo, mesmo que Eduardo Cunha cometa loucuras na liderança. Não é dele que a presidente Dilma Rousseff vai cobrar a fidelidade do PMDB na Câmara. Os alvos, se o caldo entornar, são o vice-presidente Michel Temer e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O primeiro empenhou a palavra à presidente de que “qualquer líder eleito seria fiel ao Planalto”. E Cabral foi ainda mais específico. “Se eleito, Eduardo Cunha será fiel ao Planalto.”

PR reabilitado

A presidente também ensaiou, na semana passada, uma reaproximação com PR. Recebeu primeiramente o senador Blairo Maggi (MT), que presidirá a Comissão de Agricultura, Meio Ambiente e Fiscalização e sempre foi o nome preferido por Dilma caso o PR retorne à Esplanada. Depois, recebeu o atual presidente da legenda, senador Alfredo Nascimento (AM), e o líder do partido na Câmara, Anthony Garotinho (RJ). Sinalizou que deseja ter o partido mais perto do governo, mas ainda não prometeu nada. “Foi uma conversa muito tranquila. A ideia do partido é esperar a reforma ministerial e ver se ela vai nos colocar em algum ministério. Se sim, o partido vai colher os nomes possíveis que tenham o perfil do ministério que ela escolher”, declarou ao Correio o deputado Lincoln Portela (MG).

O atual titular do Transportes, Paulo Sérgio Passos, sempre foi visto como um “forasteiro pelo PR”, por não ter militância partidária. Dilma, no entanto, gosta dele. Mas Passos tem se sentido desprestigiado nos últimos tempos, esvaziado com a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável por conduzir as concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. “Dilma não prometeu nada para ninguém. Eles (Alfredo e Garotinho) vieram aqui porque Maggi foi recebido em uma dia e eles não queriam parecer desprestigiados um ano antes das eleições”, desconversou um aliado da presidente.

“A ideia do partido é esperar a reforma ministerial e ver se ela vai nos colocar em algum ministério. Se sim, o partido vai colher os nomes possíveis que tenham o perfil do ministério que ela escolher”

Lincoln Portela (PR-MG), deputado federal

“Se eleito (líder do PMDB na Câmara), Eduardo Cunha será fiel ao Planalto”

Promessa feita a Dilma Rousseff pelo governador fluminense, Sérgio Cabral

FONTE: Correio Braziliense via Resenha do Exército

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A presidente Dilma Rousseff relutou em aceitar a demissão de José Genoino, condenado no julgamento do mensalão, segundo o Palácio do Planalto. Ex-presidente do PT, Genoino ocupava cargo de assessoria no Ministério da Defesa. Na terça, foi condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal e pediu exoneração.

Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, Dilma havia decidido, ao ser informada do pedido, que “o governo não demitiria o assessor, pois não havia, àquela altura, nenhuma razão para fazê-lo”. Ela teria comentado que “lamentava o fato de uma pessoa da estatura de Genoino estar naquela situação”.

Segundo a versão do Planalto, a presidente teria aceitado o pedido na quarta, após insistência de Genoino. A demissão do petista foi publicada no “Diário Oficial” de quinta.

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Dilma contrariou Celso Amorim e tentou impedir saída de Genoino do governo

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Presidenta telefonou ao ex-presidente do PT para dizer que não via razão em sua demissão – exoneração só foi aceita após o ex-assessor da Defesa anunciar decisão

A presidenta Dilma Rousseff contrariou o ministro da Defesa, Celso Amorim, e se recusou a demitir o ex-presidente do PT José Genoino do cargo de assessor especial do ministério logo depois de ele ser condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O iG apurou que, além de contrariar Amorim, Dilma telefonou pessoalmente para dizer a Genoino que não aceitaria sua demissão. A exoneração só foi aceita depois que o próprio Genoino anunciou publicamente que deixaria o cargo.

Hoje, a Secretaria de Comunicação Social divulgou a seguinte nota: “Na noite do dia 9 de outubro, terça-feira, a presidenta foi informada pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, sobre pedido do assessor José Genoino, que queria ser demitido pelo governo. A presidenta respondeu ao ministro que o governo não demitiria o assessor, pois não havia , àquela altura, nenhuma razão para fazê-lo, e comentou que lamentava o fato de uma pessoa da estatura de Genoino estar naquela situação”.

Segundo pessoas próximas a Genoino, a história foi diferente. Amorim teria ido até Dilma na terça-feira, logo depois da confirmação numérica de que Genoino seria condenado, para consultar a presidenta sobre o destino do petista. Até então Genoino não tinha intenção de entregar o cargo.

FONTES: Folha de São Paulo e IG

FOTO: Agência Brasil (José Genoino, já assessor do Ministério da Defesa, cumprimenta José Dirceu no lançamento do livro “Tempos de Planície” deste último, em setembro de 2011 – foto de F.B. Pozzebom)

VEJA TAMBÉM:

Em artigo provocador publicado na quarta-feira no The Guardian, o presidente Barack Obama foi acusado de menosprezar a visita de sua colega brasileira, Dilma Rousseff. O motivo da omissão estaria na histórica visão de mundo de Washington. “A ideia de que um país latino-americano pode servir de modelo (aos EUA) está além da compreensão (dos americanos)”, diz o autor do texto, o jornalista nova-iorquino Jason Farago.

“A segunda pessoa mais poderosa do continente chegou a Washington na segunda-feira. No entanto, o mais poderoso passou a maior parte de seu dia caçando ovos de páscoa no gramado da Casa Branca”, afirmou Farago.

Ele compara a boa situação econômica do Brasil e o índice de popularidade de 77% de Dilma com a crise nos EUA e com a polarização no Congresso americano. “O Brasil é o país dos Brics que não ganha o respeito dos EUA, mesmo em 2012″, disse.

FONTE: O Estado de S. Paulo – 13.04.2012

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A presidente disse que Brasil e Índia querem um sistema internacional “mais democrático”

 

Karla Wathier e Renata Giraldi, da Agência Brasil

Nova Delhi (Índia) e Brasília – A presidente Dilma Rousseff defendeu hoje (28), em Nova Delhi, na Índia, as reformas do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e das instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Dilma disse que Brasil e Índia querem um sistema internacional “mais democrático”.

“O Brasil e a Índia compartilham o desejo de construir um sistema internacional mais democrático, enraizado no direito internacional, voltado para a cooperação e a paz”, ressaltou a presidente, que recebeu hoje o título de doutora honoris causa da Universidade de Nova Delhi.

Os líderes dos países que compõem o BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – querem a ampliação nos assentos permanentes Conselho de Segurança da ONU e das instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. Para o BRIC, a economia sólida e em crescimento dos países do bloco deve ser considerada para essas mudanças sugeridas nos órgãos internacionais.

No discurso, a presidente reiterou ainda que o Brasil apoia as negociações pacíficas na busca por acordos em regiões em crise, como a Síria e o Afeganistão, sem a ingerência de forças e pressão estrangeiras. Segundo ela, Brasil e Índia são contrários às ações unilaterais e autoritárias. A afirmação é uma resposta à pressão dos Estados Unidos e da União Europeia em relação ao tema.

“[O Brasil e a Índia] rejeitam as ações unilaterais e doutrinas que enfatizam o uso da força”, disse a presidente. Segundo Dilma, brasileiros e indianos são favoráveis à busca pelo consenso e ao multilateralismo.

A presidente chegou ontem (27) à Índia onde fica até sábado (31). Ela participa da 4ª Cúpula do BRIC – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Nas reuniões estarão presentes além de Dilma, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e os presidentes Jacob Zuma (África do Sul), Hu Jintao (China), e Dmitri Medvedev (Rússia).

FONTE: Agência Brasil

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(Andrés Oppenheimer-La Nacion, 20) 1. As autoridades brasileiras estão ofendidas porque, apesar da ascensão do Brasil como potência global emergente, a Casa Branca não concedeu a viagem de Dilma Rousseff status de “Visita de Estado”, a distinção diplomática de mais alto nível. As visitas de Estado geralmente incluem um jantar black-tie na Casa Branca, um discurso formal do líder visitante perante o Congresso e uma série de eventos culturais de alto nível. A explicação da Casa Branca foi que, como este é um ano eleitoral nos Estados Unidos, Obama não está concedendo visitas de Estado. Mas a imprensa brasileira rapidamente lembrou que o primeiro-ministro britânico David Cameron faria uma visita de Estado aos Estados Unidos duas semanas antes da viagem de Dilma Rousseff.

2. Um recente artigo o jornal O Estado de S. Paulo (intitulado “Dilma será recebida por Obama sem as honras de uma visita de Estado”) observou que o presidente chinês Hu Jintao e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, fizeram “Visitas de Estado” a Washington em 2011 e 2009, respectivamente. E o presidente do México, Felipe Calderón, fez a sua em 2010. “Cerca de 95% do conteúdo das relações internacionais é simbólica, e as “Visitas de Estado” são importantes”, disse Peter Hakim, do Instituto de Pesquisas Inter American Dialogue, em uma conferência realizada em 12 de março no Woodrow Wilson Center em Washington DC. “O Brasil queria que essa fosse uma visita de Estado, e sentiu-se ofendido”.

FONTE: La Nacion

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Marco Antonio Felicio diz que lei garante a militares da reserva o direito de se expressar

 

SÃO PAULO – Autor do manifesto que inflamou a relação entre militares, Ministério da Defesa e a presidente Dilma Rousseff, o general Marco Antonio Felicio diz não temer ser punido pelo que escreveu, por entender que não há base legal para tal. Ele evoca lei aprovada pelo ex-presidente José Sarney que garantiria aos militares da reserva o direito de se expressar sem que fossem punidos. Ex-analista do Centro de Informações do Exército (CIE), Felicio receia que agentes do Estado sejam execrados pela Comissão da Verdade e ainda duvida ter havido tortura ou execução de presos políticos, apesar de admitir ter havido excessos “em ambos os lados combatentes” na guerra contra atos da “subversão marxista-leninista”. Ele aceitou dar entrevista ao GLOBO desde que ela fosse por e-mail. Perguntou ao repórter se ele era patriota. Ao ser questionado se respeitava a autoridade do ministro da Defesa Celso Amorim e da presidente Dilma, respondeu: “Tanto quanto eles respeitam a minha”.

O GLOBO: A presidente Dilma Rousseff ameaçou prender pelo menos um militar da reserva como reação ao manifesto com críticas ao ministro Celso Amorim e à Comissão da Verdade. Como autor do documento redigido, o senhor temeu que fosse o senhor?

GENERAL MARCO FELICIO: Não temi e não temo, pois, usei do direito que a lei me faculta. A liberdade de expressão com responsabilidade. A verdade e somente a verdade.

O senhor já foi informado oficialmente sobre alguma punição ao senhor ou a colega militar em função do manifesto?

FELICIO: Não, pois, creio firmemente que não haja base legal para tal.

O manifesto menciona o ministro Celso Amorim como alguém sem autoridade ou legitimidade para pedir a retirada de outra nota do site do Clube Militar, com críticas a Dilma e duas ministras. O que o senhor quis dizer com isso?

FELICIO: Reafirmo o que escrevi. O Clube Militar é uma associação de caráter civil e pela lei em vigor não é passível de qualquer tipo de ingerência por parte do Ministro da Defesa. Isto significa não ter ele autoridade ou legitimidade para tal. Qualquer um que leu o documento compreenderá o sentido do que lá está escrito.

No texto, há a seguinte frase: “O manifesto supracitado reconhece na aprovação da “Comissão da Verdade” ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”. A Comissão da Verdade não tem poder de punir judicialmente qualquer militar. Por qual motivo, então, os senhores a consideram uma afronta à Lei da Anistia?

FELICIO: Não é esta a motivação expressa quase que diariamente por pessoas do governo e a ele ligadas. Querem a partir da Comissão da Verdade encontrar caminhos para a punição dos agentes de Estado. E o que fazer com os agentes da subversão marxista que mataram, roubaram, assaltaram, sequestraram e justiçaram os próprios companheiros além de lutarem pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil? Porque execrar somente os agentes de Estado que exerciam ações legais?

Hoje o governo federal reconhece casos em que presos políticos foram submetidos a tortura por agentes de Estado. Alguns deles estão até hoje desaparecidos e provavelmente foram mortos. O senhor considera estes episódios específicos como “ações legais”?

FELICIO: Quem comprova tais denúncias? Mário Lago já orientava, em seu tempo, que todos os presos saíssem da prisão afirmando que tinham sido torturados barbaramente, mesmo que tivessem sido bem tratados. De quando em quando aparece um “desaparecido”. Logicamente que uma guerra não se faz com flores e em ambos os lados combatentes há sempre excessos. Por qual razão, aqui, apurar-se tais ditos excessos somente cometidos por um lado? Não tenho conhecimento de torturas. Tenho conhecimento de operações de combate, cumprindo-se ordens superiores e dentro da lei então vigente.

O senhor pede que sejam apurados excessos cometidos por combatentes. Mas não foi justamente isso que ocorreu durante o governo militar, quando militantes de esquerda foram presos e condenados à prisão?

FELICIO: E quantos outros não o foram? Qual a razão de não serem apurados os fatos correlacionados com estes?

Os excessos cometidos por agentes de Estado tiveram como consequência o desaparecimento e provável morte de presos políticos. Não seria razoável que hoje representantes das Forças Armadas ajudassem o governo federal a encontrar esses corpos? Mesmo nas guerras, não é direito de um povo enterrar seus mortos?

FELICIO: Sem dúvida, todos querem enterrar seus mortos. Muitos anos se passaram, o que torna a tarefa muito difícil. Já foram realizadas buscas orientadas pelo Ministério da Defesa, inclusive com o auxilio de militares, e nada foi encontrado.

Para o ministro Celso Amorim, os signatários do documento não respeitam a “autoridade civil”. O senhor concorda com o que disse o ministro?

FELICIO: Gostaria de saber de que argumentos concretos o ministro se vale para tal afirmação. Ele deve saber que o autor, e não autores dos documentos, é profissional com mais de 45 anos de bons serviços prestados à nação, tendo frequentado todos os cursos do exército e alguns civis, conforme atesta a sua folha de alterações onde estão os depoimentos de seus ex-comandantes e as ações que desempenhou no combate aos atos violentos da subversão marxista-leninista.

O senhor poderia detalhar exatamente que ações desempenhou? Por quais órgãos o senhor passou, qual era a sua função neles e quais são os feitos que, ainda hoje, são motivo de orgulho para o senhor?

FELICIO: Fui oficial de informações de unidade e trabalhei como analista do Centro de Informações do Exército (CIE). Orgulho-me de ter contribuído com o meu trabalho, que julgo dedicado e eficiente, na erradicação da subversão marxista-leninista e das violentas ações da guerrilha urbana e rural, causadoras de ações terroristas e das mortes de tantos inocentes, evitando que o povo brasileiro fosse privado de sua liberdade.

Como militar da reserva, o senhor respeita a autoridade do ministro da defesa Celso Amorim e da presidente Dilma Rousseff?

FELICIO: Tanto quanto eles respeitam a minha. Na vida militar o respeito é recíproco.

Não há militares da ativa entre os signatários do documento. Eles temem sofrer algum tipo de punição caso assinem o documento?

FELICIO: Não, eles cumprem apenas a lei, como é da formação dos mesmos. Os militares da reserva e reformados tem livre manifestação de suas opiniões, incluso as de caráter político. Isso não ocorre com os oficiais da ativa.

O senhor acredita que, se pudessem, os militares da ativa assinariam o documento?

FELICIO: Creio que sim, pois, o exército de hoje, quanto aos seus valores, não é diferente do exército de ontem.

Quais são os valores do exército de ontem que permanecem no exército de hoje?

FELÍCIO: As manifestações essenciais dos valores militares são: patriotismo, civismo, fé na missão do exército, amor à profissão, espírito de corpo e o aprimoramento técnico-profissional. Por tal razão estamos coesos e unidos para acorrermos a qualquer chamamento da nação. E isto está presente na história pátria em todos os momentos de gravidade e de inflexão da mesma. Não será diferente no presente e no futuro.

O que o governo deveria ter feito para evitar este desentendimento com os militares da reserva?

FELÍCIO: Não governar pelo retrovisor, respeitar a dignidade dos militares e dar o devido valor às suas Forças Armadas.

Na nossa conversa pelo telefone, o senhor me perguntou se eu era um jornalista patriota. Para o senhor, o que é ser patriota?

FELÍCIO: Há coisas na vida que foram feitas mais para serem mais sentidas do que explicadas ou entendidas. Assim também é ser patriota. Ë um sentimento de amor e orgulho pela nossa pátria. É servir e defender o nosso povo, o nosso território, mesmo que se tivermos de dar a nossa vida para isso.

FONTE: O Globo

Número de assinaturas em manifesto militar com críticas a ministras da presidente saltou de 98 para 235

 

Não será fácil para os comandantes militares resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff que decidiu punir todos os militares que assinaram o manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, por aqui não passarão”, que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia. No novo documento os militares dizem ainda que não reconhecem a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim. Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas e na quinta-feira, após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número de seguidores subiu para 235. Agora são três os generais de exército da reserva que assinam o manifesto e um deles é o ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Valdésio Guilherme de Figueiredo, adicionando um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocupou,mas também como antigo integrante da Corte Militar, tem pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

Nessa quinta-feira, 1º, o Ministério da Defesa passou o dia discutindo com que base legal os militares podem ser punidos. Nova reunião foi convocada pelo ministro Celso Amorim e os comandantes militares. Mas há divergências de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve “ofensa à autoridade da cadeia de comando”, incluindo aí a presidente Dilma e o ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a presidente com estas informações. O ministro entende que os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, o que é crime, de acordo com o Estatuto dos Militares.

Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que “respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”.

Esta zona cinzenta entre as legislações, de acordo com informações obtidas junto a militares, poderá levar os comandantes a serem processados até mesmo por “danos morais”, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só cresce, o que faria com que este tema virasse uma bola da neve. Há quem acredite que o assunto deva ser resolvido de uma outra forma, a partir de uma conversa da presidente com os comandante militares, diretamente, para que fosse costurada uma saída política para este imbróglio que, na avaliação da caserna, parece não ter fim, já que a determinação do Planalto é de que todos que já assinaram e que venham ainda a aderir ao manifesto sejam punidos.

FONTE: Estadão

Militares da reserva reafirmam ataque a Dilma e confrontam Amorim

Em nota divulgada na terça-feira, 98 militares da reserva reafirmaram recentes ataques feitos por clubes militares à presidente Dilma Rousseff e disseram não reconhecer autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de expressar opiniões. A nota, intitulada “Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão”, também ataca a Comissão da Verdade, que apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão espera só a indicação dos membros para começar a funcionar. “(A comissão é um) ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”, diz o texto, endossado por, entre outros, 13 generais. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O novo texto foi divulgado no site A Verdade Sufocada, mantido pela mulher de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e um dos que assinam o documento. Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça. Ele nega os crimes.

A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo que ela se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar desacordo” sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a ditadura. Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da internet.

Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos. “Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia 16″, afirma a nota de ontem, que lembra que o texto anterior foi tirado da internet “por ordem do ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo”. Agora, os militares dizem que o “Clube Militar (da qual a maioria faz parte) não se intimida e continuará atento e vigilante”.

FONTE: Terra

Prestes a se tornar potência global, Brasil não poderá mais ser amigo de todos, diz jornal

 

O jornal britânico Financial Times afirma em sua edição desta quarta-feira (8) que, prestes a se tornar potência global, o Brasil não poderá mais “ser amigo de todos”, especialmente como no período da Guerra Fria, no qual o país teria assumido uma postura neutra, segundo a publicação.

O jornal dedica meia página a um texto sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez, a quem chama de principal voz da oposição ao regime castrista, e comenta o papel do Brasil na recente tentativa da autora do blog Generation Y de deixar a ilha para uma visita ao Brasil.

Escrevendo de São Paulo, o colunista Joe Leahy usa o episódio para comparar a política externa do governo Dilma Rousseff em relação a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Sob o título “Política externa do Brasil não pode ficar para sempre em cima do muro”, Leahy lembra que, ao ser cobrada por ativistas cubanos para que se manifestasse sobre Direitos Humanos em Cuba, em sua primeira visita como presidente ao país, Dilma Roussef preferiu “apontar o dedo para os Estados Unidos”. Na época, Dilma afirmou que todos os países têm telhado de vidro no tema direitos humanos e citou a Base de Guantánamo, que causa constrangimentos ao governo americano.

Postura ambivalente

O colunista também destaca que o governo brasileiro concedeu visto à blogueira, embora Cuba tenha vetado sua saída para o lançamento de um filme no Brasil. Dilma, diz Leahy, “fez o que podia”, considerados os laços históricos de seu partido, o PT, com o regime cubano.

O colunista do FT afirma, porém, que a recente “postura ambivalente” em relação a Cuba não significa continuidade do estilo de Lula, que, segundo ele, despertou a ira de Washington em casos como o da tentativa de Brasil e Turquia de convencerem o Irã a evitar retaliações das grandes potências e provar os fins pacíficos de sua política de enriquecimento de urânio. Leahy diz que Dilma pode surpreender quem a observar mais atentamente.

“Ao contrário (de Lula), Rousseff adotou uma postura mais pró-ativa”, afirma, antes de citar a condenação do governo brasileiro à sentença de morte por apedrejamento de uma mulher no Irã e ao voto do Brasil na ONU favorável à investigação do tema Direitos Humanos no país asiático. A mudança, diz o colunista, foi notada em Teerã, o que fez o presidente Mahmmoud Ahmadinejad evitar o Brasil em seu recente giro pela América do Sul.

O colunista do Financial Times afirma que, na medida em que o Brasil se posiciona como potência global, os diplomatas do país terão que ser “mais assertivos sobre o que apóiam”. E conclui: “Se o Brasil está prestes a se tornar potência global, não poderá mais ser amigo de todos”.

FONTE: BBC Brasil, via R7

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Presidente evita tratar de direitos humanos na ilha, mas cita Guantánamo, onde americanos mantêm 171 presos Washington é alvo de crítica internacional por manter na base supostos terroristas em um limbo jurídico

 

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A HAVANA

Em sua primeira visita oficial a Cuba, a presidente Dilma Rousseff se recusou ontem em Havana a comentar problemas de direitos humanos no país comunista.
Mas, além de admitir violações no Brasil, mencionou um dos pontos em que os EUA são mais criticados nesse quesito: a prisão de Guantánamo, base naval localizada em território cubano. Lá, 171 supostos terroristas são mantidos num limbo jurídico.

“Nós vamos falar de direitos humanos em todo o mundo? Vamos ter de falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui que se chama Guantánamo”, respondeu a presidente a jornalistas.
“Eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral”, continuou, repetindo a linha da diplomacia brasileira de que não deve haver “seletividade” na crítica.

Dilma havia sido instada nos últimos dias por dissidentes do governo cubano a falar sobre repressão e falta de liberdade de expressão no país governado pelos irmãos Fidel e Raúl Castro há 53 anos.
“Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Agora, de fato, [os direitos humanos são] algo que temos de melhorar no mundo de uma maneira geral”, ponderou.

A presidente também foi questionada sobre o caso da blogueira Yoani Sánchez, que espera do governo da ilha autorização para ir ao Brasil. “O Brasil deu seu visto para a blogueira. Agora, os demais passos não são da competência do governo brasileiro.”
Yoani quer participar do lançamento de um documentário na Bahia, mas Cuba precisa liberar a viagem.
Dilma chegou ao poder prometendo mais atenção aos direitos humanos. A mudança mais expressiva foi quanto ao Irã, com apoio à investigação de violações.

Sobre Cuba, em janeiro do ano passado ela prometeu apontar “falhas” na política de direitos humanos, mas isso não ocorreu. Na semana passada, o chanceler Antonio Patriota afirmou que o problema não é “emergencial” -apesar, por exemplo, da morte do dissidente Wilman Villar, que fazia greve de fome na prisão, em janeiro.
O mote da viagem da presidente foi econômico. Dilma levou a Cuba linha de crédito de US$ 523 milhões, que inclui o financiamento da obra-estrela da relação bilateral, o porto de Mariel.

O total de financiamentos brasileiros alcança agora US$ 1,3 bilhão, que inclui US$ 683 milhões via BNDES para o porto, US$ 350 milhões em linha de crédito para importação de alimentos e US$ 200 milhões para importação de máquinas agrícolas.

Após reunião de trabalho e almoço de uma hora e 15 minutos com o ditador Raúl Castro, Dilma visitou as obras de Mariel. Ela e o dirigente cubano discutiram o projeto de instalar fábricas de remédios brasileiras, com tecnologia cubana, na zona do porto.
O Brasil é o quarto parceiro de comércio de Cuba, bem atrás da Venezuela, que tem convênio para a troca de serviços médicos e educativos por petróleo e abarca nada menos que 40% de todo o intercâmbio comercial.

Dilma se encontrou também com o ex-ditador Fidel Castro, 85. “Vou, sim, com muito orgulho [encontrá-lo]“, disse, antes da visita. A presidente esteve acompanhada por Patriota, pelo assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia e pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

FONTE: Folha de São Paulo

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Brasil, professor de capitalismo?

Governo acredita que possa ajudar Cuba a transitar para uma economia mais aberta

 

Clóvis Rossi

Não se realizará a visita da presidente Dilma Rousseff a Cuba que está na cabeça de todas as entidades de direitos humanos. Gostariam que a presidente justificasse sua afirmação de que os direitos humanos estariam no centro de sua política externa e, portanto, fizesse pelo menos uma menção à situação na ilha caribenha.

Não fará. O chanceler Antonio Patriota, na sua passagem por Davos, na semana passada, afirmou que Dilma não falaria para os ouvidos dos jornalistas, no que é uma insinuação de que falará aos ouvidos dos dirigentes cubanos.

Duvido. Não combina com o estilo Dilma, ainda mais que Cuba faz parte do museu da memória sentimental da esquerda latino-americana, e Dilma cultiva essa memória, mesmo sendo uma democrata.

Até entendo a posição histórica do Itamaraty, neste como em governos anteriores, de respeitar sempre a soberania de cada país. Mas discordo: direitos humanos são (ou deveriam ser) patrimônio da humanidade e, portanto, devem ser defendidos acima de qualquer fronteira.
Passemos à segunda -e real- visita da presidente. Neste ponto, é preciso desbastar a linguagem diplomática do chanceler Patriota, para quem o objetivo prioritário da viagem é conversar “sobre a atualização do modelo econômico cubano, em busca de maior eficiência”.

Na verdade, o governo brasileiro acredita, desde a administração anterior, que está em condições de ensinar algo de capitalismo a Cuba, privada dele nos últimos 50 e poucos anos. Não é uma vã pretensão. Cuba está dando os primeiros -e tímidos- passos rumo a uma versão caribenha do modelo chinês. Ou seja, economia parcialmente de mercado com ditadura.

Essa transição para o capitalismo, parcial ou não, foi sempre acompanhada de alta da desigualdade, na Rússia pós-soviética, nos países da Europa Oriental e até na China, apesar do formidável crescimento.

O que o chanceler Patriota considera, com grande exagero, “modelo brasileiro” não precisou transitar para o capitalismo, que nunca abandonou, mas conseguiu, com sucesso, sair da ditadura para a democracia, estabilizar a economia e, ao menos, não aumentar a desigualdade, embora não a tenha reduzido (só reduziu a diferença entre salários, mas não entre a renda do capital e a do trabalho, a verdadeira obscenidade).

A mais relevante contribuição brasileira para a transição cubana não será, entretanto, uma eventual aula teórica, mas algo bem mais concreto: o financiamento para a modernização do porto de Mariel, a 40 quilômetros de Havana.
Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático tanto de Lula como de Dilma, acredita que ampliar Mariel só faz sentido se for para o comércio com os Estados Unidos. Hoje, não existe, pelo embargo imposto pelos norte-americanos à ilha.
Logo, ao financiar o porto, o governo brasileiro acredita estar contribuindo para uma aproximação com os EUA (não, como é óbvio, em um ano eleitoral como 2012). Essa hipótese só se tornará possível se Cuba abrir sua economia sem grande tumulto. Se o fizer, mas continuar uma ditadura, não é um problema insolúvel para Washington (vide as relações com a China).

FONTE: Folha de São Paulo

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Não me fale em Comissão da Verdade

 

Os três comandantes das Forças Armadas não estão dispostos a se encalacrarem com a presidente Dilma Rousseff para levar demandas dos militares da reserva contra a Comissão da Verdade.
Sem o ex-ministro da Justiça Nelson Jobim para brigar por eles, os três só pensam em agradar Dilma para ficar no cargo. O atual, Celso Amorim, segue a mesma toada.

FONTE: Jornal do Brasil

HAVANA, 16 JAN (ANSA) – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, está em Cuba para preparar a agenda que a presidente Dilma Rousseff cumprirá em sua visita ao país, informou à ANSA o assessor de imprensa da embaixada brasileira em Havana, Tulio Amaral.

“O chanceler terminará sua estada amanhã e a presidente Dilma começará sua visita oficial no fim deste mês”, informou Amaral.

Fontes do governo brasileiro anunciaram, no fim de semana, que a viagem da mandatária à ilha “terá um forte tom econômico”.

O comércio entre os dois países alcançou US$570 (cerca de R$1 bilhão) milhões entre janeiro e novembro de 2011, valor superior ao registrado ao longo de todo o ano de 2010, quando a balança registrou US$488 milhões (cerca de R$869 milhões).

O Brasil participa da construção de uma zona especial de desenvolvimento no porto do Mariel, a cerca de 40 quilômetros de Havana, uma obra considerada estratégica para a economia nacional, segundo o presidente Raúl Castro.

FONTE: ANSA

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(BBC/Washington, 21) 1. Após um início de governo marcado pela expectativa de que mudaria o rumo da política externa brasileira, a presidente Dilma Rousseff completará um ano no poder sem grandes diferenças em relação a seu antecessor, dizem analistas consultados pela BBC Brasil. “Acho que há essencialmente uma continuidade”, disse à BBC Brasil o historiador americano John French, professor da Duke University, na Carolina do Norte.

2. No entanto, apesar da aparente sinalização inicial de mudança, nesta semana o Brasil voltou a se abster em uma votação na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que condenou violações de direitos humanos no Irã. No entanto, mesmo em outros temas, como as crises na Síria ou na Líbia, a atuação brasileira no primeiro ano do governo de Dilma não trouxe grandes mudanças em relação a seu antecessor.

3. O Brasil se absteve na votação no Conselho de Segurança, em março, que aprovou uma ação militar na Líbia sob a justificativa de proteger civis. Também demorou a reconhecer os rebeldes líbios que derrubaram o governo de Muamar Khadafi e assumiram o poder. O Brasil também não foi favorável a sanções contra a Síria em votações no âmbito do Conselho de Segurança da ONU – já que nesse fórum há o risco de que resoluções resultem em ação militar, como ocorreu no caso da Líbia.

FONTE: BBC, via Ex-Blog do Cesar Maia

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No início de setembro, a presidente Dilma Rousseff é esperada em Curitiba, no Paraná, para o início das operações dos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) da Polícia Federal. Fabricados em Israel, vão patrulhar as fronteiras.

FONTE: Isto É

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