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amazonia_internagrande

vinheta-clipping-forte1Em sintonia com a diretriz da Estratégia Nacional de Defesa (END) que determina o adensamento da presença de suas unidades na região amazônica e nas áreas de fronteira, o Exército Brasileiro (EB) deverá criar um novo comando militar.

Trata-se do Comando Militar do Norte (CMN), que cobrirá uma área de cerca de 1,722 milhão de quilômetros quadrados, abrangendo os estados do Amapá, Maranhão e Pará.

Em decreto (nº 7.946) publicado np último dia oito no Diário Oficial da União, a presidenta Dilma Rousseff delega ao comandante da Força Terrestre, general Enzo Peri, competência para alteração de parte dos efetivos militares, de modo a permitir a transferência dos oficiais e praças que irão compor o novo comando.

O CNM será o oitavo comando militar do Exército, que já conta com os comandos do Sul (CMS), Sudeste (CMSE), Leste (CML), Oeste (CMO), Nordeste (CMNE), da Amazônia (CMA) e do Planalto (CMP). A criação do CMN, cuja sede será em Belém (PA), está prevista no plano de reestruturação da Força.

amazonia_internapequenaO estabelecimento doa novo comando, afirma o EB, ampliará a presença militar na Amazônia oriental, criando melhores condições para as ações de planejamento, gestão e execução das atividades de defesa, segurança e proteção sob responsabilidade da Força Terrestre na região.

Com a mudança, a grandes unidades do Exército existentes na área – 8ª Região Militar, 8ª Divisão de Exército e 23ª Brigada de Infantaria de Selva, com sedes nas cidades de Belém (PA) e Marabá (PA) – passam a se subordinar ao novo Comando.

Veja a íntegra do Decreto n° 7.946/13

FONTE: Ministério da Defesa

nonamevinheta-clipping-forte1Os coordenadores de Defesa de Área (CDAs) das seis cidades-sede da Copa das Confederações devem apresentar, até o fim de março, a lista de estruturas estratégicas que será submetida ao crivo da presidenta Dilma Rousseff. A medida tem por objetivo definir os principais pontos a serem monitorados pelas Forças Armadas ante possível “ataque” que coloque em risco a realização da competição esportiva promovida pela Fifa.
As diretrizes foram transmitidas ontem (5) durante reunião no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste (CML), na capital fluminense. Por orientação do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, os oficiais-generais apontarão os locais que deverão ser monitorados. Os militares estarão atentos, por exemplo, a estruturas de telecomunicações, transportes e energia elétrica.
A reunião dos CDAs serviu também para que cada coordenador detalhasse sobre a mobilização do aparato e a montagem dos centros de comando e controle. De acordo com as informações transmitidas, Marinha, Exército e Aeronáutica devem mobilizar cerca de 20 mil militares que estarão na linha de frente dos eventos ou integrando a força de contingenciamento. Os comandantes terão também o instrumento da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que pode ser utilizado em caso de necessidade.
“Ao contrário daquilo que ocorreu na Rio+20 [Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável], na Copa das Confederações não teremos a exposição militar nas ruas. Até porque isso é uma determinação da Fifa que terá a vigilância privada nos estádios e a participação da segurança pública estaduais. Cuidaremos apenas da infraestrutura crítica e do combate ao terrorismo e guerra cibernética”, explicou o general De Nardi.

Estruturas estratégicas

O assessor especial para grandes eventos do Ministério da Defesa, general Jamil Megid, explicou que o Ministério de Minas e Energia, por exemplo, já tomou iniciativa de se reunir com as diretorias das concessionárias de energia elétrica que abastecem as cidades de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Recife (PE), Rio de Janeiro(RJ) e Salvador (BA) para transmitir as orientações referentes ao fornecimento de eletricidade. Ficou decidido também que as empresas devem manter seguranças privados no planejamento e somente receberão o suporte do aparato militar caso haja emergência.
De acordo com os relatos apresentados pelos coordenadores, nas sedes de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Salvador há pouco risco de incidente. As cidades do Recife e do Rio de Janeiro deverão merecer atenção especial. A capital pernambucana em função de manifestações de trabalhadores rurais sem terra (MST) e o Rio pelo fato de que ao encerramento da Copa das Confederações entrará no ritmo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Mesmo assim, os generais Marcelo Flávio Oliveira Aguiar e José Alberto da Costa Abreu, respectivamente coordenadores do Recife e do Rio, estão otimistas sobre a realização dos jogos. “A copa das Confederações será um grande teste para a visita do Papa”, explicou o general Abreu. “No Recife, estaremos prontos para receber as três partidas da Copa das Confederações”, assegurou o general Aguiar.

Calendário da Copa

A partir da lista de locais que devem ser protegidos pelas Forças Armadas, o EMCFA produzirá Exposição de Motivos a ser levada à presidenta Dilma, em meados de abril, para que conceda os instrumentos visando a execução do plano de segurança da Copa das Confederações. Com isso, os coordenadores de área poderão concluir o planejamento para o evento.
Durante a reunião dos CDAs foram repassadas as ações da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para as cidades-sede. O encontro teve exposição sobre combate ao terrorismo e defesa cibernética. O general Marco Antonio Freire, comandante da Brigada de Operações Especiais, sediada em Goiânia (GO), e o general José Carlos dos Santos, chefe do Centro de Defesa Cibernética, explanaram  sobre as participações dos setores no evento.

FONTE: Ministério da Defesa

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vinheta-clipping-forte1O novo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse na sexta-feira que a incerteza orçamentária – com a possibilidade de novos cortes de 46 bilhões de dólares nas verbas da Defesa – põe em risco o cumprimento de todas as missões do Pentágono.

Na sua primeira entrevista coletiva desde que tomou posse no cargo, na quarta-feira, Hagel disse que, por causa dos cortes, a Marinha terá de gradualmente desativar quatro unidades aéreas, a Força Aérea terá de cortar imediatamente as horas de voo, e o Exército irá reduzir treinamentos.

“Deixe-me deixar claro que essa incerteza põe em risco nossa capacidade de cumprir efetivamente todas as nossas missões”, disse Hagel, acrescentando que, enquanto os cortes continuarem em vigor, “seremos forçados a assumir mais riscos, com medidas que irão progressivamente ter efeitos abrangentes”.

Hagel, no entanto, adotou um tom mais moderado que outras autoridades de defesa, segundo as quais os cortes orçamentários seriam devastadores e poderiam transformar as Forças Armadas dos EUA em um poderio de segunda categoria.

O novo secretário disse que os EUA “têm a melhor força de combate, a mais capacitada força de combate, a mais poderosa força de combate do mundo”, e garantiu que “a gestão dessa instituição, a começar com o Estado-Maior, não vai permitir a erosão de tal capacidade”.

“Vamos gerir essas questões. Há ajustes. Antecipamos esse tipo de realidade, e vamos fazer o que precisamos para assegurar as capacidades das nossas forças”, acrescentou Hagel.

As declarações do secretário foram feitas num dia em que a Casa Branca e o Congresso fracassaram novamente na busca de um acordo que impeça o chamado “sequestro” de 85 bilhões de dólares do orçamento governamental, que começa a vigorar à meia-noite, conforme prevê uma lei de 2011 que resolveu uma crise fiscal anterior.

Hagel disse que uma prioridade do Pentágono será proteger as verbas para a guerra do Afeganistão.

“O Exército vai restringir os treinamentos para todas as unidades, exceto as mobilizadas no Afeganistão, afetando adversamente quase 80 por cento de todas as unidades operacionais do Exército”, disse ele.

Hagel afirmou ainda que neste mês o Pentágono deverá notificar preliminarmente milhares de funcionários civis sobre a concessão de uma licença não-remunerada. Autoridades dizem que a maioria dos 800 mil funcionários civis do Departamento de Defesa deve ser afetada, provavelmente tendo de tirar um dia de folga por semana durante 22 semanas, a partir de abril.

“Sei que esses cortes orçamentários vão causar dor, particularmente para a nossa força de trabalho civil e suas famílias”, disse Hagel, que prometeu continuar trabalhando com o Executivo e o Congresso para tentar reverter os cortes.

(Reportagem de David Alexander e Phil Stewart)

FONTE: Reuters via o Estado de S. Paulo


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O discurso de igualdade defendido na posse do segundo mandato do presidente dos EUA, Barack Obama, deve se estender também às Forças Armadas do país. Está previsto para hoje um anúncio oficial do governo americano que acaba com a proibição de que mulheres atuem na linha de frente de unidades de combate direto. A medida atende a anos de apelos por um serviço militar mais inclusivo, e acontece menos de um ano e meio depois do fim da proibição de declaração de homossexualidade (“Dont ask, dont tell”) nas Forças Armadas. Trata-se ainda de um aceno à abertura de milhares de novos postos na frente de combate e em comandos de elite para as mulheres americanas – que, não é de hoje, vêm aumentando sua presença nas fileiras militares.

A ação recomendada pelo secretário de Defesa Leon Panetta – que deixará o cargo assim que seu sucessor, Chuck Hagel, for aprovado pelo Senado – derruba uma regra de 1994 pela qual as mulheres não poderiam ser designadas a unidades terrestres de combate. A nova determinação deixa às diferentes Forças Armadas a responsabilidade de desenvolver um plano de incorporação das mulheres a esses postos. Caberá às Forças também, até janeiro de 2016, determinar exceções caso acreditem que certos cargos deveriam permanecer fechados para elas.

Na prática, as americanas nunca estiveram tão à frente nas linhas de combate. Embora representem apenas 14% dos militares da ativa, já servem no Iraque e no Afeganistão – 280 mil delas serviram nesses confrontos, e 152 foram mortas, segundo o Departamento de Defesa.

O Departamento de Defesa já tinha dado indicações de que expandiria as oportunidades para as mulheres. Em fevereiro do ano passado, o Pentágono anunciou que abriria 14 mil postos de combate para elas. Mas outros 238 mil cargos – cerca de um quinto do serviço militar ativo – continuaram fora do alcance feminino.

Grupos de veteranas afirmam que mesmo que o número de mulheres que poderiam se beneficiar da medida seja pequeno, ter essa opção é um grande passo. A medida foi endossada por Carl Levin, presidente da Comissão de Serviços Armados. “Eu apoio. Isso reflete a realidade das operações militares no século XXI”, declarou o senador, segundo o Washington Post.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército (título original “EUA vão permitir mulheres no front“)

VIDEO: Naval Open source Intelligence

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  • Exército Brasileiro se prepara para ter mulheres combatentes em até cinco anos

 

 

vinheta-clipping-forte1Está pronta para ser incluída na Ordem do Dia a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 54/2004, que proíbe por dez anos o contingenciamento orçamentário de recursos destinados a programas de reaparelhamento, modernização, pesquisa e desenvolvimento tecnológico das Forças Armadas. A proposta chega ao Plenário com parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

De autoria do senador licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ) – atualmente ministro da Pesca –, a proposta tramita em conjunto com a PEC 85/2003, do ex-senador Demóstenes Torres. O relator Pedro Simon (PMDB-RS) opina pela rejeição desta última e a aprovação da primeira. Ele destaca que a PEC 54/2004, além de ter sido “também subscrita por boa parte dos signatários” da outra proposta, limita o tempo de vigência da emenda.

Para o relator, a fixação de prazo evita que a medida seja criticada por “abrir exceção favorecedora”, por tempo indeterminado, em favor de apenas um segmento de governo. Pedro Simon apresentou apenas emendas de redação à proposta de Marcelo Crivella.

O parecer acrescenta que, além de estipular um tempo determinado, a PEC 54 também abrange os recursos destinados a aquisições de bens e serviços definidas em contratos com organismos financeiros internacionais; e os cronogramas de desembolso pactuados como contrapartida em contratos de financiamento externos.

As justificações de ambas as propostas destacam a persistente falta de recursos para investimento, que resulta no sucateamento dos meios militares e na estagnação da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico nessa área, com o consequente enfraquecimento da capacidade militar.

FONTE: Jornal Brasil on-line via Resenha do Exército

 

Em diferentes oportunidades, a presidenta Dilma Rousseff destacou, nesta quinta-feira, os investimentos do Governo na modernização das Forças Armadas e a participação “cada vez mais ativa e altiva” das mulheres na carreira militar.

“Pela primeira vez, uma mulher ascende à patente de oficial-general, demonstrando que nas Forças Armadas o patriotismo e o profissionalismo independem das distinções de gênero”, disse, ao enaltecer a conquista da contra-almirante Dalva Maria Carvalho Mendes nos cumprimentos a oficiais generais recém promovidos, no Palácio do Planalto. As palavras foram acompanhadas pela tenente da Marinha Luciana Mendes, filha de Dalva. Orgulhosa da mãe, ela disse que a almirante é a sua “grande influência” na carreira.

Mais tarde, em almoço de confraternização com a cúpula das Forças Armadas, a presidenta Dilma sublinhou o compromisso do Governo com o fortalecimento da indústria nacional de defesa, segundo ela “vital para um país que deseja obter capacidades militares apropriadas e manter sua independência internacional”.

No almoço, realizado no Quartel-General do Exército, Dilma enalteceu a ascensão das mulheres a cargos representativos nas Forças Armadas, citou investimentos feitos em 2012 em cada uma das Forças e destacou aspectos importantes do Governo, num rápido balanço anual.

“Sabemos que o engajamento da sociedade com o tema da defesa nacional pode formar um círculo virtuoso com a democracia, queremos ambos para o Brasil, o Brasil do século 21, um país democrático e bem defendido”, afirmou, antes de elencar alguns projetos de destaque da Defesa.

Ao falar da Marinha, a presidenta ressaltou o início da fase nacional do submarino de propulsão nuclear. Sobre os investimentos no Exército, ela elegeu o Centro de Defesa Cibernética como um dos ganhos. Já quanto à Aeronáutica, destacou os projetos da aeronave de reabastecimento KC-390 e do Veículo Lançador de Satélite (VLS). Dilma mencionou ainda o sucesso da segurança da Rio+20, realizada sob a coordenação do Ministério da Defesa.

A presidenta falou também das operações de combate aos crimes transfronteiriços, como a Ágata. De acordo com ela, são iniciativas que “estimulam o reforço da interoperabilidade entre as Forças Armadas”. E elogiou o profissionalismo dos militares, afirmando que “o Brasil deposita confiança em vocês”.

O comandante do Exército, general Enzo Peri, fez um discurso no qual enalteceu a gestão da presidenta. “O Brasil de hoje é melhor”, frisou, dizendo que há muito a comemorar. Segundo o comandante Enzo, os investimentos nos meios operacionais das Forças Armadas permitiram que se ampliasse “a contribuição de nosso apoio ao desenvolvimento nacional, à segurança de grandes eventos e à projeção do Brasil no cenário mundial”.

Em seguida, o ministro da Defesa, Celso Amorim, reiterou as palavras do general, saudando os investimentos crescentes na modernização das Forças Armadas. De acordo com Amorim, Dilma Rousseff “brindou” os brasileiros com dois elementos: o reaparelhamento das Forças Naval, Terrestre e Aérea e a sensibilidade em ter dado manutenção para as condições de vida dos militares.

Antes do encontro com a presidenta da República, os oficiais generais recém promovidos foram recebidos no Salão Nobre do Ministério da Defesa, onde receberam os cumprimentos de Celso Amorim. Na ocasião, o ministro ressaltou que “a promoção é o reconhecimento do trabalho” desempenhado pelos oficiais presentes.

Confira a íntegra do discurso da presidenta Dilma Rousseff na apresentação dos oficiais generais recém promovidos das Forças Armadas, no Palácio do Planalto

Confira a íntegra do discurso da presidenta Dilma Rousseff no almoço com os oficiais generais das Forças Armadas, no Quartel-General do Exército

Confira a lista dos recém promovidos das Forças Armadas, que receberam os cumprimentos da presidenta Dilma Rousseff

FONTE: Ministério da Defesa

 

Os ministros da Defesa do Brasil e do Peru, Celso Amorim e Pedro Cateriano Bellido, anunciaram nesta segunda-feira a criação de um grupo de trabalho binacional para estudar aspectos econômico-financeiros e jurídicos de futuras operações de compra e venda de equipamentos e de transferência tecnológica na área de defesa. O anúncio foi feito ao final da reunião bilateral entre ambos, ocorrida esta manhã na sede do Ministério da Defesa (MD), em Brasília.

Um dos aspectos centrais a ser tratado no âmbito do grupo de trabalho será a proteção da Amazônia, área de interesse comum enfatizada pelos representantes dos dois países durante o encontro. Há duas semanas, em reunião ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) na cidade de Lima, Peru, os países-membros da Unasul aprovaram a proposta brasileira de estabelecimento de um sistema sul-americano de gestão e monitoramento das chamadas áreas especiais, a exemplo de reservas indígenas e de unidades de proteção ambiental.

O Brasil já possui expertise no assunto, adquirida com o trabalho desenvolvido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão da Defesa. O CDS aprovou, dentro do Plano de Ação para 2013, a constituição de um grupo para estudar a criação desse sistema, que deverá prestar importante auxílio no mapeamento e monitoramento de áreas isoladas em zonas geográficas como a Amazônia, os Andes e o Chaco.

Destacando que a relação entre Brasil e Peru já gerou importantes acordos regionais, entre os quais o que deu origem à Unasul, Celso Amorim chamou de “estratégica” a cooperação com o país vizinho. Para o ministro, mais significativo que o aspecto comercial é fortalecer essa parceria por meio de ações concretas.

O ministro da Defesa peruano também reforçou a importância da integração entre os dois países. Segundo ele, “a aliança estratégica com o Brasil é uma prioridade” do atual governo de seu país.

Produção de embarcações fluviais Pedro Bellido convidou os representantes brasileiros a conhecer empresa SIMA (Serviços Industriais da Marinha), que fabrica embarcações fluviais e petrolíferas no Peru, e que tem a França como um de seus clientes. De acordo com o ministro, há interesse em realizar parceria entre a SIMA e a estatal brasileira Petrobras.

Presente à reunião, o comandante da Marinha do Brasil, almirante Julio Soares de Moura Neto, saudou a iniciativa, dizendo que as duas Armadas têm buscado ampliar a cooperação. “Em fevereiro, pretendo estreitar mais os laços com a vinda do almirante Carlos Roberto Tejada Mera [comandante da Marinha peruana] ao Brasil”, afirmou.

Ensino

O intercâmbio na área de ensino também foi enfatizado na reunião desta manhã. Segundo o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, as conferências bilaterais de Estado-Maior são exemplos de cooperação entre as Forças Terrestres dos dois países, além da quantidade de militares brasileiros e peruanos que fazem cursos em ambas as nações. “Fazemos esforço para manter isso no mais alto nível”, disse ele.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, lembrou que a Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga (SP), tem atualmente quatro alunos peruanos. “Na área de ensino e operacional temos forte intercâmbio, e estamos prontos para iniciar cooperação em outras instâncias”, disse.

Na oportunidade, o comandante-geral da Força Aérea do Peru, general-do-ar Pedro Seabra Pinedo, elogiou a instrução acadêmica recebida pelos militares peruanos no Brasil em cursos de formação.

Os peruanos manifestaram ainda interesse em enviar alunos para estudar no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), ideia prontamente aceita pela comitiva brasileira, que reiterou que a instituição passa por processo de expansão.

Na reunião, Amorim abordou também o interesse brasileiro em fortalecer a cooperação na área de indústria de defesa. Como exemplo desse fortalecimento, ele mencionou algumas importantes iniciativas recém-aprovadas pelo CDS de desenvolvimento regional de Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants) e um avião treinador básico.

O ministro brasileiro também destacou outras oportunidades de cooperação na área naval, como navios-patrulha fluviais, e fez menção ao início da produção, no Brasil, dos blindados sobre rodas Guarani. Ele ressaltou ainda o trabalho realizado em conjunto com países vizinhos nas Operações Ágata, iniciativa prevista no Plano Estratégico de Fronteiras (PEF). “Nós sempre avisamos aos países fronteiriços quando as ações começam e é importante que isso seja feito em cooperação. Nós fazemos do nosso lado e vocês do outro”, reiterou o ministro.

Pedro Bellido explicou que atualmente a maior preocupação na área de defesa no Peru é na luta contra o terrorismo na chamada zona do VRAEM (Valle do Rio Apurímac, Ene e Mantaro). “Não é como em décadas passadas, mas é importante enfrentarmos a situação”, afirmou.

Nesse sentido, o ministro da Defesa peruano manifestou interesse nos aviões de alarme aéreo antecipado (AEW) da Força Aérea Brasileira (FAB), usados pelo Censipam no monitoramento da Amazônia. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, destacou que esse tipo de avião agregou uma nova tecnologia de emprego à Força Aérea.

Antes do encontro bilateral, o ministro peruano foi recebido com honras militares no Ministério da Defesa. Na ocasião, foram entoados os hinos nacionais dos dois países. Também estiveram presentes no encontro o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi; o chefe de Logística do MD, general Adriano Pereira Júnior; e o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Por JOHN LYONS, de Tabatinga, Amazonas

Dois policiais brasileiros saltaram de um helicóptero na Amazônia peruana recentemente com um pelotão de agentes peruanos. Tiros ecoaram na floresta antes que o grupo capturasse e destruísse um laboratório secreto de cocaína.

Os brasileiros tinham a posição oficial de observadores desarmados na blitz conduzida em 19 de agosto pela polícia de elite antidrogas do Peru.

Mas ambos os brasileiros carregavam rifles de assalto e tiros foram disparados contra eles. O laboratório ficava no Peru, mas os policiais decolaram de um aeroporto no Brasil, num helicóptero abastecido com combustível brasileiro, para atingir um alvo identificado por um informante pago por brasileiros.

Seja na sua fronteira amazônica ou nas suas cidades, o Brasil está mergulhando mais fundo numa guerra contra as drogas, à medida que o uso crescente da cocaína faz do país o maior mercado consumidor depois dos Estados Unidos. O fato é surpreendente, considerando-se que os políticos brasileiros antes criticavam as estratégias antidrogas patrocinadas pelos EUA, dizendo que elas faziam mais mal do que bem.

Agora, o Brasil está adotando uma polêmica tática americana: atravessar fronteiras para combater a cocaína na fonte.

“O Brasil está ultrapassando um limite do qual ele nem chegava perto no passado”, disse Douglas Farah, um consultor de segurança nacional que orienta o Departamento de Defesa dos EUA sobre América Latina e assuntos ligados a drogas.

A percepção geral é que a América Latina está se distanciando da guerra às drogas apoiada pelos EUA. Em abril, aliados de longa data dos EUA como o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, aproveitaram a Cúpula das Américas para rotular como um fracasso a guerra às drogas de 40 anos dos EUA na América Latina e exigir um debate sobre alternativas como a descriminalização.

Mas o caso do Brasil sugere que a guerra às drogas na América Latina está se expandindo, não encolhendo. Embora Colômbia e México tenham dúvidas sobre as estratégias de proibição dos EUA, nenhum dos dois países alterou o seu curso. Enquanto isso, o Brasil, de longe a maior economia da América Latina, está virando um participante depois de passar décadas praticamente como um expectador.

A presidente Dilma Rousseff está enviando até 10.000 soldados de cada vez para os pontos mais notórios de contrabando de drogas. Ela decidiu há pouco tempo comprar 14 aeronaves não tripuladas israelenses para procurar por traficantes do céu. A Polícia Federal está aumentando em 30% seu número de agentes e equipando-os com 1.000 novos rifles de assalto, mais lanchas e aviões. Uma consequência parcial disso é que o número de pessoas presas no Brasil por crimes ligados a drogas dobrou desde 2006.

Os problemas do Brasil refletem a globalização do negócio da cocaína, já que o uso da droga nos EUA caiu 40% nos últimos dez anos. Os traficantes responderam explorando novos mercados na Europa e em países em desenvolvimento como Brasil, Argentina e África do Sul.

Em São Paulo, a violência ligada às drogas e a proliferação de mercados ao ar livre de crack, um derivado barato da cocaína, levaram os políticos a exigir medidas. Pelo menos 90 policiais militares no Estado já morreram este ano nas mãos dos traficantes de cocaína locais.

“Estamos sofrendo as consequências da falta de policiamento na fronteira”, disse a repórteres em outubro o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, depois de um período particularmente sangrento de sete dias, durante os quais três policiais e 16 outras pessoas foram mortas no Estado.

A propagação do uso da cocaína está atraindo mais países para o combate aos narcóticos, dizem autoridades americanas.

“Todos esses males vêm para o bem no aspecto da cooperação”, disse William Brownfield, que, no seu papel de chefe do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei do Departamento de Estado dos EUA, é o embaixador americano na guerra às drogas. “Estou mais otimista sobre a iniciativa internacional agora do que em qualquer momento do passado, porque o tráfico de narcóticos se tornou tão globalizado que a maioria dos países vê a necessidade de cooperação.”

O desafio do Brasil é deter a cocaína nas vastas e pouco habitadas fronteiras. São mais de 16.000 quilômetros de divisa com os três maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia, Peru e Bolívia, e com o centro de contrabando do Paraguai. Só a fronteira com a Bolívia é mais longa que a do México com os EUA.

O Brasil assinou acordos de cooperação policial com seus vizinhos para compartilhar informações, conduzir investigações conjuntas e financiar operações nos estrangeiro. Autoridades de alto escalão do Brasil enfatizaram que a polícia do país está proibida de cruzar a fronteira portando armas.

Fazer isso viola os acordos com os países vizinhos e poderia causar incidentes diplomáticos caso um brasileiro seja ferido fora do país, ou se envolva num tiroteio com mortes.

“A gente nao quer entrar em outros países. Não pode entrar armado. Se aconteceu ali, foi errado”, disse Oslain Santana, diretor de combate ao crime organizado da Polícia Federal, acrescentando que a polícia peruana poderia prender os brasileiros nesse caso.

Mas alguns agentes dizem privadamente que policiais brasileiros armados às vezes de fato atravessam a fronteira, refletindo o espírito de “toda ajuda é pouca” do combate às drogas em regiões perigosas, onde os reforços estão distantes e as divisas entre países geralmente não são demarcadas.

Tal prática ficou visível em agosto, quando o Brasil se uniu ao Peru numa operação conjunta de três semanas para reprimir a crescente produção de cocaína no lado peruano do Rio Javari, que separa o país andino do Estado do Amazonas.

A polícia do Peru comandou as operações do lado peruano da fronteira. Mas havia pelo menos um policial federal brasileiro armado em cada uma das duas missões para destruir laboratórios de cocaína no Peru em agosto acompanhadas por um repóter do The Wall Street Journal.

Era fácil ver por quê. Os policiais brasileiros eram os que tinham grande conhecimento da floresta e que haviam cultivado informantes que sabiam onde os laboratórios estavam. Os agentes peruanos tinham vindo de Lima.

O engajamento do Brasil além de suas fronteiras está longe de se comparar ao praticado pelos EUA, que durante anos gastou bilhões de dólares para operar bases antidrogas no Equador, Bolívia e Colômbia e empregou táticas polêmicas como ajudar os países a abater aviões suspeitos de transportar drogas.

Mesmo assim, críticos no Brasil temem que a guerra contra as drogas do país esteja entrando num terreno perigoso. A ideia de ter brasileiros armados em outros países poderia custar vidas e problemas diplomáticos numa região já apreensiva com o crescimento do Brasil, dizem esses críticos. Eles também receiam que a estratégia simplesmente não funcione.

“Isso não vai ter muito efeito, porque eles sempre podem fazer mais laboratórios”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem defendido a descriminalização das drogas.

O Peru também está mudando para um combate mais ativo contra drogas ilegais. Na sua campanha eleitoral, o presidente Ollanta Humala se distanciou da proibição apoiada pelos EUA e até mesmo sugeriu que iria interromper a erradicação de coca financiada pelos EUA.

Mas, uma vez na presidência, ele tem agido de forma diferente. Ele passou a recear que o aumento na produção da cocaína — em parte para atender a demanda no Brasil — poderia ameaçar a estabilidade ao financiar o terrorismo. Hoje os EUA veem em Humala um melhor aliado contra as drogas que seus predecessores, dizem analistas políticos americanos.

O envolvimento do Peru e do Brasil não poderia vir num momento melhor para os EUA. A ascensão de líderes antiamericanos na Bolívia, Equador e Venezuela limitou a capacidade dos EUA de operar na região. Em 2008, a Bolívia expulsou a DEA, a agência americana de combate às drogas.

Mas o Brasil tem boas relações com todos esses países e a sua polícia pode preencher essa lacuna no combate à cocaína. Em 2010, por exemplo, a polícia brasileira, em colaboração com a da Bolívia, capturou o traficante brasileiro Maximiliano Dorado Muñoz Filho, que atuava naquele país.

Durante a operação conjunta de agosto entre Brasil e Peru, os dois lados estabeleceram a sua base no aeroporto policial da vizinha Tabatinga, AM. Um helicóptero militar peruano pousou lá com um grupo de policiais.

“Precisamos impedir que a Amazônia vire outra grande zona de cocaína”, disse o Coronel Cesar Arévalo, comandante da força peruana na operação.

Dois observadores da DEA, a agência americana de combate às drogas, chegaram para os últimos dias da operação. Eles passaram a maior parte do seu primeiro dia lá checando seus BlackBerries num centro de comando da polícia brasileira, enquanto brasileiros e peruanos saíam para as batidas antidroga. Praticamente nada da cocaína produzida aqui vai para os EUA, mas sim para o Brasil, e então isso vira um problema do país, diz a polícia brasileira.

Um voo de reconhecimento com a PF mostrou o tamanho do problema. Plantações de coca, a matéria-prima da cocaína, do tamanho de campos de futebol, surgem ao longo do Javari. Dados da ONU indicam que a Amazônia peruana é a região produtora de cocaína que mais cresce no mundo.

O Brasil e o Peru estão lidando com o problema com um orçamento limitado. Ao contrário da Colômbia, que tem frotas de helicópteros Blackhawk fornecidos pelos EUA, a polícia aqui viaja para as missões em helicópteros de transporte russos de 20 anos, grandes demais para aterrissagens precisas na floresta.

O trabalho pode ser fatal. Em 2010, dois agentes da PF brasileira foram mortos por homens com armas automáticas enquanto revistavam uma canoa em busca de cocaína, no lado brasileiro da fronteira. As fotos deles estão penduradas na porta da sede da polícia na região. Na foto de um dos policiais assassinados, Mauro Lobo, alguém escreveu: “Vá em frente. Eu estou com você”.

As mortes dos policiais fortaleceu a determinação da PF. Os brasileiros trabalharam com a polícia peruana para capturar a maioria dos membros da quadrilha de traficantes supostamente por trás dos assassinatos. Os laços criados durante essas prisões ajudaram a tornar possíveis operações maiores de combate às drogas.

Antes de uma busca, Mauro Spósito emprestou a Arévalo, o coronel peruano, sua arma pessoal, um rifle semiautomático, mais adequado do que os automáticos porque ajuda a economizar munição “quando a adrenalina sobe”, explicou Spósito.

A polícia peruana comandou todas as missões do seu lado da fronteira. Os brasileiros entraram com a maior parte da logística, inclusive o combustível.

Num complexo de cocaína capturado em 17 de agosto, um cientista da polícia brasileira ouviu seu colega peruano descrever os processos químicos que estavam ocorrendo num tanque do tamanho de uma jacuzzi cheio de folhas de coca picadas mergulhadas em gasolina. Um suco de gasolina e coca fluía por tubos de PVC e enchia latões de 200 litros, um passo crítico no preparo da cocaína.

Os investigadores acharam pistas sobre a indústria local da cocaína. Os operários usaram fita adesiva para prender lanternas ao redor de uma estrutura de madeira, indicando que eles trabalhavam em turnos noturnos para dar conta da demanda. Longas varas de madeira com pontas afiadas para pegar peixes nos riachos mostravam que os operários eram de famílias indígenas locais. Eles moravam numa cabana de palha sobre estacas. Dentro dela havia alguns brinquedos de criança.

A polícia suspeita que o laboratório pertencia a um brasileiro que agia com um químico colombiano.

“Esta é a nova realidade: os brasileiros têm o dinheiro, os colombianos têm o know-how, e os peruanos são os pobres coitados que fazem o trabalho”, disse um agente do serviço de informação do Peru que participou da ação.

Pouco depois, um especialista em demolição peruano, baleado três vezes nos seus 12 anos de serviço, enrolou tambores de gasolina num cordão detonante cor-de-rosa e prometeu mandar o laboratório pelos ares “que nem Hiroshima”.

Ambas as equipes estavam em ação de novo na manhã de 19 de agosto, quando um informante disse que um laboratório ligado à quadrilha responsável pelos assassinatos de 2010 estava funcionando no lado peruano do Javari.

Spósito, um comandante da PF brasileira, entrou com as coordenadas do GPS no Google Earth do seu laptop e começou a discutir a logística com Arévalo. Um esquadrão da polícia peruana em camuflagem encheu duas picapes que saíram em disparada na direção do helicóptero.

Nos veículos também estavam dois observadores da polícia brasileira, que carregavam armas automáticas. Desde que seus colegas foram mortos, a polícia federal brasileira jurou nunca mais ser surpreendida desarmada. Todo mundo esperava um tiroteio, e os homens a bordo pareciam imersos em seus pensamentos.

O volumoso helicóptero ganhou altura e dali a pouco já havia cruzado o rio Javari e entrado no Peru. O informante, um morador da área com o rosto oculto por um capuz, ajudou a guiar os pilotos. Não acostumado a andar de helicóptero, ele ficou desorientado com a vista do alto.

De repente, eles avistaram o alvo, e em segundos um oficial peruano estava gritando para que seus homens pulassem do helicóptero e procurassem proteção na plantação de coca que os rotores da aeronave fustigavam.

A polícia informou que eles foram recebidos com uma saraivada de tiros. Um agente brasileiro presumiu que os traficantes, em número inferior, abriram fogo antes de escapar porque matar um policial fortaleceria a reputação da quadrilha.

No fim do dia, os traficantes haviam fugido e o laboratório, sido destruído.

FONTE: The Wall Street Journal

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A Otan afirmou nesta quarta-feira que a transição no Afeganistão caminha de acordo com o previsto e se comprometeu a buscar fundos para o financiamento das forças de segurança afegãs após a saída de suas tropas do país, um capítulo que tem gerado problemas para muitos países europeus golpeados pela crise.

Os ministros das Relações Exteriores do bloco repassaram em Bruxelas a situação no Afeganistão, onde os números demonstram que o processo para ceder o controle da segurança aos afegãos “vai pelo bom caminho”, ressaltou o secretário-geral aliado, Anders Fogh Rasmussen.

“Vimos uma redução significativa do número de ataques inimigos nas áreas que já são de responsabilidade afegã. É um desenvolvimento muito promissor (…) que demonstra que estamos seguindo a estratégia correta”, disse Rasmussen em entrevista coletiva ao término da reunião.

Segundo o político dinamarquês, os ministros receberam “uma apresentação muito positiva” da situação por parte do comandante da missão, o general americano John Allen.

Os aliados, no entanto, se mantêm à espera de uma análise por parte dos comandantes militares sobre o ritmo com o qual poderão retirar tropas ao longo do próximo ano, explicou.

Os Estados Unidos efetuaram, em setembro, a retirada de 33 mil soldados com os quais haviam complementado sua presença no Afeganistão, embora mantenham ainda cerca de 68 mil militares no país.

No total, a missão da Otan conta com algo mais de 100 mil homens atualmente e o objetivo é ir reduzindo esse número conforme o Exército afegão assuma uma maior responsabilidade, para culminar no fim das operações de combate e na saída do grosso das forças no final de 2014.

A partir dessa data, a Aliança Atlântica se limitará a uma nova missão para formar e treinar soldados afegãos, que serão encarregados de garantir a segurança do país.

Entre Exército e Polícia, o Afeganistão já tem forças de segurança que se aproximam do objetivo de 352 mil soldados estipulado por seus parceiros internacionais.

Na atualidade, os EUA arcam com a totalidade do orçamento dessas forças, mas a comunidade internacional se comprometeu a contribuir com esses custos no período posterior a 2014. O custo anual estimado passa de US$ 4 bilhões.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, chamou o resto dos países da Otan e seus parceiros no Afeganistão para manter seus compromissos financeiros, apesar das dificuldades orçamentárias que muitos governos europeus estão sofrendo.

Segundo um primeiro esquema distribuído este ano, o próprio Afeganistão assumiria US$ 500 milhões ao ano, e os 50 países que participam da missão da Otan – menos EUA – pagariam US$ 1,3 bilhão.

Do resto, os Estados Unidos continuariam sendo o contribuinte principal, com o apoio de alguns outros contribuintes internacionais.

Nesse repartição, a Espanha teria que arcar com US$ 30 milhões, embora os números ainda estejam em discussão, segundo fontes diplomáticas.

O ministro espanhol de Relações Exteriores, José Manuel García-Margallo, explicou no primeiro dia da reunião com os aliados que “a Espanha está absolutamente decidida em cumprir com seus compromissos internacionais dentro das restrições orçamentárias que estamos vivendo”.

“Temos que definir qual é o cenário de 2014 e qual é a contribuição que a Espanha pode se permitir pagar a uma missão que considera imprescindível”, explicou.

A Otan pactuou desenvolver “um mecanismo de financiamento” que complemente as contribuições do resto da comunidade internacional.

Os detalhes da repartição, no entanto, ainda não começaram a ser discutidos, segundo fontes da Aliança, que lembraram que o objetivo é que o dinheiro esteja disponível no início de 2015.

Uma das chaves para a Otan é garantir o bom uso desses fundos, levando em conta que o Afeganistão voltou a ser assinalado pela ONG Transparência Internacional como um dos três países mais corruptos do mundo.

Rasmussen lembrou que a luta contra esse problema não é responsabilidade da Aliança, mas ressaltou que é um assunto que também preocupa nas capitais porque é considerado chave para garantir a estabilidade do país a longo prazo.

FONTE: EFE via Terra Notícias

 

Disciplina, hierarquia, preparação, conhecimento técnico, capacitação e comprometimento. Durante a entrega do 3º Prêmio Melhor Gestão do Projeto Soldado-Cidadão, que aconteceu nesta segunda-feira à tarde, os requisitos foram mencionados, em oportunidades diferentes, para destacar o leque de qualidades aprendidas pelos jovens que integram o programa – que tem o objetivo de capacitar profissionalmente militares temporários da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Durante a premiação no Teatro da Poupex, no Setor Militar Urbano, o ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que “a importância desse programa é ressaltar ainda mais o papel que tem o Serviço Militar na integração dos indivíduos na sociedade”.

Para ele, o Soldado-Cidadão representa, ainda, o compromisso do governo da presidenta da República, Dilma Rousseff, com a inclusão social e “com a transformação de todos os brasileiros e brasileiras em efetivos cidadãos”.

Foram agraciadas instituições das três Forças que se destacaram na implementação do projeto: o Comando do 8º Distrito Naval, localizado na cidade de São Paulo; o Departamento de Engenharia e Construção do Exército, em Brasília (DF); e a Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, os prêmios foram recebidos pelos comandantes de cada unidade militar.

No mesmo evento, houve entrega do diploma de Colaborador do Projeto Soldado-Cidadão – honra concedida a personalidades e instituições, oficiais e suboficiais da ativa e da reserva, que prestaram serviço ao programa. Além de seis militares (dois de cada Força), receberam o prêmio as empresas BASF, Intelbras e Rudder Centro de Formação em Segurança.

Antes das entregas, foi exibido rápido vídeo explicativo, onde soldados das três Forças Armadas contaram sobre as qualificações que escolheram – entre elas panificação, refrigeração e eletricista de automóveis – e como têm usado os aprendizados na vida profissional.

O ministro participou da solenidade ao lado dos comandantes da Força Naval, almirante-de-esquadra Wilson Barbosa Guerra (representante); da Terrestre, general-de-Exército Enzo Martins Peri; e da FAB, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito. Estiveram presentes, também, participantes beneficiados pela iniciativa.

Projeto

Sob a gestão do Ministério da Defesa (MD), o projeto Soldado-Cidadão foi criado em 2002. O propósito principal é dar oportunidade para que profissionais temporários das Forças Armadas aprendam uma atividade e possam exercê-la após deixarem as organizações militares. É uma ponte para o primeiro emprego.

Até o final deste ano, a iniciativa terá beneficiado cerca de 180 mil jovens em 134 municípios, com uma média de 67% empregados ou gerando renda.

Já o prêmio Soldado-Cidadão foi instituído pelo MD em 2010 para reconhecer e divulgar as melhores práticas de gestão dos agentes envolvidos na execução do programa.

FONTE: Ministério da Defesa

 

A recuperação da capacidade operacional das Forças Armadas e o desenvolvimento de projetos ligados aos três eixos estruturantes da Estratégia Nacional de Defesa (END) e do Programa de Articulação e Equipamentos de Defesa (PAED) – cibernético, aeroespacial e nuclear – marcaram o último painel do Seminário Estratégias de Defesa, realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

Durante mais de duas horas, militares representando o Ministério da Defesa, por meio do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), fizeram detalhamento minucioso daquilo que planejam para o horizonte de 35 anos. O seminário foi promovido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Coube ao chefe de Operações Conjuntas (Choc), do EMCFA/MD, brigadeiro Ricardo Machado Vieira, a abertura do painel “Os grandes projetos estratégicos das Forças Armadas”. O militar fez sua exposição com base nas diretrizes traçadas pela END e pelo PAED. E apresentou os eixos estruturantes que cabem às Forças Armadas e os principais projetos em desenvolvimento por elas.

“Precisávamos de um plano para as nossas Forças Armadas dispostas em forma mais lógica. Por isso, buscamos prioridades em áreas estratégicas”, disse o brigadeiro Machado.

Submarino nuclear

Após a apresentação das diretrizes gerais, os oficiais-generais representantes dos comandantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB) deram detalhes daquilo que vem sendo desenvolvido. O contra-almirante Antonio Fernando Garcez Faria relatou que a Marinha tem trabalhado em projetos na área nuclear, que se divide no ciclo de combustível e no laboratório de geração núcleo-elétrica (LABGENE).

A Força Naval também trabalha no âmbito do núcleo de poder naval no desenvolvimento de navios-patrulha de 500 toneladas – corveta classe Barroso. A meta é incorporar 46 desses navios. A Força atua ainda no Programa de Obtenção de Meios de Superfícies com os navios-patrulha adquiridos recentemente na Grã-Bretanha.

O navio-patrulha oceânico Amazonas foi o primeiro de três unidades a ser incorporado para atuar na região denominada “Amazônia Azul”. Nas próximas semanas, a Marinha receberá a segunda embarcação em Londres, sendo a terceira no primeiro trimestre do próximo ano.

Em outra frente, a Força Naval trabalha no projeto de construção de submarinos convencionais e a propulsão nuclear no polo de Itaguaí (RJ). O esforço concentrado tem por finalidade, também, permitir a segurança da navegação.

Já na parte de tropas, a Marinha planeja constituir a 2ª Esquadra da 2ª Força de Fuzileiros que deverá ser instalada próximo à foz do rio Amazonas. Deste modo, o litoral brasileiro estaria sendo coberto pelos fuzileiros numa área que vai do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS).

Sete projetos do Exército

Em seguida, o general-de-brigada Luiz Felipe Linhares Gomes, chefe do Escritório de Projetos do Exército, apresentou os setes projetos estratégicos da Força Terrestre. O primeiro deles é o blindado Guarani – que tem por finalidade produzir o carro de combate substituto do Urutu e do Cascavel. Segundo o general, serão adquiridas 102 unidades de combate, mas, antes dessa remessa, a Iveco produzirá 14 para a Argentina.

“Isso será importante, pois o Brasil irá exportar esses equipamentos, agregando divisas à balança comercial”, disse o militar, ao explicar que o projeto é viável economicamente para o país.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) foi o segundo projeto apresentado na palestra das Forças Armadas. De acordo com o general Luiz Felipe, o projeto piloto a cargo do braço de indústria de defesa Embraer, vencedora da licitação, será desenvolvido em Dourados (MS). Além disso, o Exército trabalha com o projeto Proteger, que tem foco nas 664 bases de infraestrutura do país, como porto, aeroportos, usinas nucleares e hidrelétricas, bem como redes de comunicação.

O Exército atua também no projeto Astros 2020, no Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) e na Recop (Recuperação da Capacidade Operacional). O militar enfatizou em discurso que o investimento em defesa não tem custo. Segundo ele, o leque de projetos e programas permitirá, entre outras questões, gerar mais emprego, desenvolver a indústria nacional e transferir tecnologia.

Soberania do espaço aéreo

O brigadeiro Osmar Machado, da 6ª Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica, apresentou os projetos prioritários da Força Aérea. Ele começou a exposição informando que o Plano Estratégico Militar da Aeronáutica (PEMAER), para 2010/2013 traz, na prática, as determinações da END e do PAED, documentos norteadores do Ministério da Defesa. O plano, prevê entre outras coisas, o aumento da capacidade operacional da FAB e a capacitação científica e tecnológica da Força.

“Qualquer projeto dentro da FAB tem que chegar à missão principal, que é manter a soberania do espaço aéreo do Brasil”, destacou.

A Aeronáutica atua em projetos como a modernização do F-5M com lote de 46 aeronaves, sendo que 44 aviões já foram incorporados. Também investe na revitalização de 43 aviões do A-1M (AMX), cuja entrega deve ser concluída até o próximo ano. O brigadeiro citou ainda, que entrou em ação na Operação atlântico III, que ocorre entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Aeronave tem por missão assegurar o patrulhamento marítimo.

Durante sua exposição, o militar mencionou também projetos como o A-29 (caça leve), o KC-390 – avião para transporte de tropas e cargas, além de outras funções – e os helicópteros H-XBR, que terão 50 unidades entregues para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, além da Presidência da República.

A FAB atua também no desenvolvimento de doutrina para utilização de veículos aéreos não tripulados (Vants), com dois equipamentos já em fase de testes pela Força. Já quanto ao projeto F-X2 – um dos temas mais esperados pela plateia –, o brigadeiro Osmar Machado informou que a análise da concorrência encontra-se em fase de decisão por parte da presidenta Dilma Rousseff.
“Posso apenas informar que, qual seja a decisão do projeto escolhido atenderá muito bem à FAB”, encerrou.

Após as apresentações, o público pôde formular indagações. Em seguida, o seminário foi encerrado pelo deputado Hugo Napoleão (PSD-PI) e pela presidenta da Comissão, deputada Perpétua de Almeida (PCdoB-AC).

FONTE: Ministério da Defesa

 

O ministro da Defesa, Celso Amorim, voltou a defender, em palestra, a participação da sociedade na discussão sobre os rumos da Defesa brasileira. “O envolvimento do conjunto da população no debate sobre as questões da paz e da guerra é da essência da democracia”, disse Amorim na abertura do “Seminário Estratégias de Defesa Nacional”, realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, o interesse crescente por esse debate, manifestado por variados setores sociais, “expressa a determinação do povo brasileiro de ter parte ativa na construção de seu destino como nação independente.”

O seminário, que acontece hoje e amanhã (28), é promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE).

“Esse contato estreito e regular que mantive este ano com as duas Casas do Congresso é um reflexo da importância que os temas da Defesa alcançaram na agenda política e, de maneira mais ampla, na agenda da opinião pública”, afirmou o ministro.

A cerimônia de abertura do seminário contou com a participação do ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, dos comandantes da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto; do Exército, general Enzo Martins Peri; e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Na plateia, autoridades civis e militares, parlamentares, adidos militares e jornalistas.

Confira, abaixo, os principais trechos do discurso do ministro da Defesa, Celso Amorim, na abertura do seminário na Câmara dos Deputados.

Aproximação com o Congresso Nacional

“Quero dizer da minha satisfação em retornar à Câmara dos Deputados para participar de um seminário sobre a Defesa do Brasil. Em fevereiro, recebi o honroso convite para fazer a abertura de um seminário sobre política industrial e tecnológica na área de Defesa, promovido pela Frente Parlamentar de Defesa Nacional. Em março e abril, compareci a audiências públicas no Senado Federal e, em julho, em ato com o Presidente do Congresso Nacional, Senador José Sarney, entreguei à apreciação do Congresso o Livro Branco de Defesa Nacional e as novas versões da Política e da Estratégia Nacionais de Defesa. Agora, graças à iniciativa da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, tenho a oportunidade de debater aqui assuntos centrais para o pensamento estratégico, como o atual cenário global, o entorno geoestratégico brasileiro, as relações da Defesa com a sociedade e os desafios para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa.”

Profissionalismo militar

“A liderança civil das Forças Armadas é hoje uma realidade não contestada. A ela corresponde, com igual naturalidade, a valorização e o respeito do profissionalismo militar. A altíssima credibilidade de que gozam nossos marinheiros, soldados e aviadores junto à população brasileira – inclusive consignada em estudo do IPEA – dá testemunho disso.”

Interesse da população pela temática da Defesa

“O crescente interesse público por assuntos militares não se confunde com militarismo de qualquer natureza. O envolvimento do conjunto da população no debate sobre as questões da paz e da guerra é da essência da democracia. Segundo o famoso relato de Tucídides, a “oração fúnebre” pronunciada por Péricles aos atenienses, no ano de 430 antes de Cristo, enunciou a importância capital da tomada de decisões de forma democrática para a condução dos destinos da coletividade. Péricles assevera que seus concidadãos – mesmo abatidos pelas adversidades na guerra contra Esparta – têm o dever de (cito) “decidir as questões públicas por si mesmos, na crença de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação” (fim da citação). Felizmente, as ações que nos cabe tomar hoje são bastante diversas daquelas que levariam a uma guerra geral e consumiriam a civilização grega. Vivemos em um tempo de paz e nos beneficiamos dele.”

Estratégia Nacional de Defesa

“A Estratégia Nacional de Defesa, por sua vez, estabelece as orientações e as formas de alcançar os objetivos de defesa por meio de ações de médio e longo prazo. Um dos desafios que identifica é o fato de ser “indispensável para as Forças Armadas de um país com as características do nosso, manter, em meio à paz, o impulso de se preparar para o combate e de cultivar, em prol desse preparo, o hábito da transformação”. O primeiro eixo dessa transformação é a reorganização e reorientação das Forças Armadas, de modo a que estejam preparadas para desempenhar sua missão constitucional de defesa da pátria no contexto dos riscos e ameaças do século XXI.Outro eixo é a organização da indústria nacional de defesa, orientada pelo preceito de que a política de defesa é indissociável da política de desenvolvimento. O documento define três setores estratégicos em que o país deve alcançar autonomia tecnológica: o nuclear, o cibernético e o aeroespacial. Destaco o importante papel do Congresso Nacional na apreciação e implementação dessas e de outras ações previstas na Estratégia.”

Livro Branco de Defesa

“(…) o Livro Branco divulga e detalha a visão geral do Governo na área da Defesa. É uma medida concreta que visa à sensibilização do público para a importância da defesa. Nas palavras da Sra. Presidenta da República, Dilma Rousseff, o Livro “é um convite à reflexão e ao diálogo. Sua leitura indicará, sobretudo, que Defesa e Democracia formam um círculo virtuoso no novo Brasil que estamos construindo” (fim da citação). A publicação do Livro Branco, pioneira no Brasil, cumpre duplo propósito: de um lado, comunica com transparência à sociedade os objetivos traçados para sua defesa bem como as carências que terão de ser supridas para a sua realização; de outro, sinaliza as estratégias de preservação dos interesses brasileiros, de modo a manter os altos níveis de confiança junto a nossos parceiros no exterior. O Livro Branco é, ele mesmo, indicador da transformação do lugar ocupado pela Defesa na agenda pública no Brasil – e da transformação da própria Defesa.”

Multipolaridade

Associações de Estados também contribuíram para mitigar a preponderância de uma única potência. A maioria delas assumiu uma dimensão regional, com ênfase em aspectos econômicos, mas com indiscutíveis implicações políticas. A União Europeia – em que pese às dificuldades do momento – é a mais notável. Mesmo aqui, na América do Sul, demos passos importantes, com a preservação (sempre difícil) do Mercosul e a criação da Unasul. Em 2003, um fato novo ocorreu: três grandes países em desenvolvimento e democráticos do Sul, Índia, Brasil e África do Sul, juntavam-se em um Foro de Diálogo, o IBAS, voltado para a busca de soluções a desafios internos e externos semelhantes. Três anos mais tarde, em 2006, começaria a tomar forma outro grupo político que, aos três países do IBAS, associaria China e Rússia.  IBAS e BRICS tornaram-se símbolos, ainda que talvez embrionários, das novas perspectivas abertas pela incipiente multipolaridade.

Primeira mulher oficial-general no Brasil

“É com enorme satisfação que registro, neste foro, a promoção da primeira mulher ao posto de oficial-general das Forças Armadas brasileiras, a Contra-Almirante Dalva Maria Carvalho Mendes. Suas novíssimas platinas dão um brilho especial às muitas conquistas que as mulheres brasileiras vêm obtendo em nossa sociedade.”

Segurança internacional

“Trabalhamos, assim, para o fortalecimento da multipolaridade, que, em tese, reduz as vulnerabilidades e aumenta as margens de liberdade para a ação externa do Brasil. Há indícios de uma desconcentração do poder mundial, que conduziria a essa multipolaridade. Mas tal desconcentração não se tem feito acompanhar da observância das regras universais (ou multilaterais) de conduta inscritas na Carta da ONU. Por outro lado, nada garante que essa desconcentração ocorra de forma pacífica. Uma rápida passada d’olhos no panorama da segurança internacional ajuda a dimensionar os desafios para que uma multipolaridade orgânica – isto é, baseada em normas de ampla aceitação – lance raízes no campo das relações internacionais. Ou, para dizê-lo de outra forma, para que a cooperação prevaleça sobre o conflito. Aprofunda-se, por exemplo, a assimetria na aplicação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, quase exclusivamente dirigida aos esforços de não-proliferação (Art. I, II e III), em detrimento dos objetivos igualmente fundamentais de promoção dos usos pacíficos da energia nuclear (Art. IV) e de abertura de negociações “em boa fé” rumo ao desarmamento nuclear (Art. VI).”

Conselho de Segurança da ONU

“A última década assistiu a mais de uma situação em que ações armadas ocorreram à revelia da vontade do Conselho. A invasão do Iraque foi um caso patente. Há que se notar também a evidente extrapolação do mandato conferido por aquele órgão no caso da Líbia. O desrespeito às regras de conduta multilaterais determinadas pela Carta das Nações Unidas é uma fonte de instabilidade no sistema internacional, com implicações para a segurança de nosso país. Debilitada a âncora multilateral que disciplina o emprego da violência, o sistema internacional corre sério risco de ver-se à deriva. Não custa insistir: o Brasil beneficia-se da paz. Apenas um Conselho de Segurança reformado em seus métodos de trabalho e na composição de seus membros permanentes poderá lidar eficazmente com os desafios da segurança internacional.”

Riqueza do Brasil

“Disputas entre as grandes potências são – e sempre serão – parte integrante da realidade internacional. A possibilidade de que possam assumir a natureza de um conflito militar é o que motivaria preocupação, uma preocupação que não pode ser descartada. A escassez de alimentos e de energia, assim como a deterioração das condições ambientais ou a busca por recursos como a água doce ou a biodiversidade, podem constituir-se em pontos de fissura nas placas tectônicas da ordem global. Do nosso ponto de vista, esse quadro hipotético agrava-se quando se leva em conta ser o Brasil dotado de abundantes reservas justamente desses recursos.”

Dissuasão

“Não me canso de dizer: ser país pacífico não é sinônimo de estar desarmado. A dissuasão é a estratégia primária da política de defesa brasileira. E defesa, volto a repetir, não se delega. Seu objetivo é evitar, por meio da posse de adequadas capacidades militares, agressões ao patrimônio brasileiro ou ações que afetem, ainda que indiretamente, interesses nacionais.”

Cooperação na América do Sul

“A estratégia dissuasória se complementa com a estratégia de cooperação, sobretudo na América do Sul. Nas relações com nossos vizinhos, o interesse brasileiro é servido por medidas de apoio a outros países, que revertem em benefícios a médio ou longo prazos. A incompreensão por vezes suscitada por essa lógica de cooperação – incompreensão que se apega à retórica do egoísmo e da reciprocidade imediata – não encontra amparo no pensamento do Patrono da diplomacia brasileira. Há 103 anos, o Barão do Rio Branco advertia que o Brasil sempre havia suscitado na América espanhola “grandes preconceitos e desconfianças, que pela nossa parte procuramos ir modificando pela cordura e pela longanimidade” (fim da citação). Em outras palavras, o Barão advogava, com lucidez de estadista, uma atitude de bom senso e generosidade para com nossos vizinhos.  Isso é especialmente válido na área de Defesa: o Brasil, um dos países com maior número de vizinhos no mundo, mantém com todos eles uma paz centenária, podendo evitar o dispêndio de recursos e energia em diferendos fronteiriços.”

Operações Conjuntas

“Além de desenvolver a doutrina de interoperabilidade entre as Forças e conduzir exercícios como as operações Amazônia 2012 e Atlântico III, cabe ao EMCFA conduzir a Operação Ágata, que é uma operação de prevenção e repressão a ilícitos transfronteiriços, inserida no Plano Estratégico de Fronteiras, estabelecido pela Sra. Presidenta da República, Dilma Rousseff, em junho de 2011. O EMCFA tem aprofundado estudos relativos à recomposição das capacidades de defesa antiaérea brasileira, carência sentida em todas as frentes de Defesa.”

 

Confira a íntegra da conferência do ministro Celso Amorim.

FONTE: Ministério da Defesa

 

Em um discurso sincero e objetivo, o comandante das Forças de Defesa dos Países-Baixos, general Peter van Uhm, explica porque ele escolheu a arma como instrumento para tornar o mundo um lugar mais desenvolvido e seguro, e também lança a reflexão do papel das Forças Armadas para promover a paz, soberania e auto-determinação da sociedade.

FONTE: TED Ideas Worth Spreading

 

Pedro Peduzzi

Brasília – Os fuzileiros navais da Marinha encerraram hoje (30) o maior treinamento já feito no Planalto Central. Com a participação de aproximadamente 2,2 mil militares, a Operação Formosa 2012 preparou militares para ações dentro e fora do país. A preparação habilita fuzileiros a atuarem em regiões de conflito, como o Líbano, ou na garantia da lei e da ordem em ações humanitárias.

Parte da preparação visa também a ações, como os Jogos Olímpicos de 2016, a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo, em 2014. Mas os fuzileiros atuarão em diversos outros eventos, como no 3° Encontro Mundial de Juventude, marcado para a segunda quinzena de julho do ano que vem, e no encerramento do mesmo evento, que terá a visita do Papa Bento XVI.

Os militares preparados em operações como a de hoje, na cidade de Formosa (GO), já atuaram, por exemplo, na ocupação das favelas cariocas, até então tomadas por traficantes; em desastres naturais, como as enchentes de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro; ou no socorro às vítimas de catástrofes, como no terremoto ocorrido no Chile em 2010.

Os agrupamentos que participaram do treinamento vieram do Rio de Janeiro, por uma rota de 1,6 mil quilômetros. “Para se ter uma ideia do que isso representa, o deslocamento das Forças Armadas norte-americanas na Guerra do Kuwait foi de 1,2 mil quilômetros”, disse o comandante Fábio, responsável por detalhar a operação.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante-de-esquadra Marco Antônio Guimarães, foram gastos R$ 5 milhões com a Operação Formosa. Iniciada no dia 19 de outubro, o treinamento envolveu o uso de aviões, carros de combate, veículos blindados de transporte de tropas, veículos anfíbios sobre esteiras, vários tipos de mísseis (anti-carro, superfície-ar) e veículos aéreos não tripulados (Vant) e artilharia.

“Só com combustível foram gastos R$ 197 mil. A alimentação da tropa custou R$ 320 mil. Gastamos R$ 120 mil com despesas diversas, como a compra de geradores, banheiros químicos, entre outras coisas. E R$ 850 mil nas licitações para a área de transporte. A maior parcela foi gasta com munições: R$3,5 milhões”, disse Guimarães.

A Agência Brasil assistiu à uma demonstração do treinamento do grupo. Na oportunidade, foi simulada uma missão envolvendo tiros de canhões anti-aéreos, seguidos de disparos de Míssil Bill – armamento usado para atacar blindados. Após os disparos iniciais, entrou em operação o veículo não tripulado Carcará, que tem alcance para cobrir uma área de oito quilômetros.

Feito o reconhecimento pelo Carcará, um Helicóptero UH-14 aportou no local trazendo a tropa e um cão farejador, que simulou a identificação de explosivos. A equipe deixou o local para, em seguida, explodi-lo. Por fim, chegaram ao local diversos soldados, por terra, e veículos blindados, entre eles, anfíbios e tanques.

Com atividades tão intensas, o risco de acidentes aumenta, principalmente cortes, fraturas ou ferimentos de tiro, segundo o médico capitão-de-fragata Maués. Por isso, hospitais de campanha, similares aos usados em situações de emergência no Brasil e no Chile, foram armados para dar assistência aos fuzileiros. “Em 48 horas, temos condições de instalar um posto como esse em qualquer lugar do Brasil”, informou o médico.

“Havendo necessidade e solicitação podemos ampliar as ações para outros tipos de atendimentos menos emergenciais, como serviços odontológicos”, acrescentou, informando que a ação foi adotada na região serrana do Rio de Janeiro, afetada por enchentes no ano passado, e durante o terremoto que abalou o Chile, em 2010.

Esse tipo de treinamento, que acontece desde 2001 em Formosa (GO), visa a garantir a prontidão dos militares para atuarem imediatamente, caso seja necessário. “Somos uma força de emprego pronta e rápida. Temos de estar sempre prontos”, enfatizou Guimarães. “Preparamos, anualmente, cerca de 2 mil soldados. Praticamente, 10 mil já passaram por aqui. Alguns, mais de uma vez”, completou Fernando Antônio, o comandante da Força de Fuzileiros de Esquadra.

 

FONTE/FOTOS: Agência Brasil

Em entrevista veiculada, no dia 22 de outubro, na TV Record, o Ministro da Defesa, Embaixador Celso Amorim, apresentou pontos centrais do Livro Branco de Defesa Nacional, destacando o plano de modernização das Forças Armadas e a Estratégia Nacional de Defesa do País.

A entrevista foi concedida ao jornalista Paulo Henrique Amorim. A íntegra da conversa pode ser assistida pela Internet, na página da Marinha na Internet na seção Sala de Imprensa “Marinha na Mídia/Televisão”.

FONTE: Nomar

 

Por: KEITH B., RICHBURG, THE WASHINGTON POST

Na China, ao lado da transição política, com a passagem do poder para novos dirigentes no próximo mês, uma mudança radical também ocorrerá na liderança do Exército de Libertação Popular, com a nomeação de uma nova geração de comandantes desse que é o maior Exército do mundo.

Num momento em que o país insiste nas suas reivindicações territoriais contra vizinhos, a Comissão Militar Central que governa de fato o Exército da China deve passar por uma impressionante renovação. Sete de seus dez membros do alto escalão, incluindo dois vice-presidentes, estão se aposentando e muitos outros postos do alto comando serão renovados.

Depois de anos de modernização, o Exército chinês tornou-se um protagonista cada vez mais poderoso, impulsionando o engajamento da China com o mundo. Alguns generais mais assertivos têm defendido publicamente uma linha diplomática mais dura em relação aos vizinhos asiáticos e aos EUA, tentando usurpar o que antes era uma área exclusiva do Ministério do Exterior. Mas o processo de promoção da comissão militar, que é secreto, parece ter sido obstruído com a destituição este ano de Bo Xilai, ex-governador da Província de Chongqing que tinha vínculos pessoais nas Forças Armadas. Pelo menos dois generais muito cotados para participar da comissão – Liu Yuan, comissário político da Academia de Ciência Militar, e Zhang Haiyang, comissário político do Segundo Corpo de Artilharia – foram deixados de lado por terem estreitas relações com Bo Xilai.

Após o escândalo envolvendo Bo, outros comandantes correram para manifestar sua lealdade a partido e ao seu secretário-geral, Hu Jintao, também presidente da China.

A transição militar também ficou um pouco incerta depois de rumores surgidos em setembro de que Hu tentaria se manter no posto de presidente da comissão militar após renunciar aos demais cargos do alto escalão que ocupa. Seria uma jogada de Hu para aumentar sua influência, o que poderia prejudicar seu sucessor designado, o vice-presidente Xi Jinping. O atual vice-presidente da comissão passaria a ocupar a cadeira de presidente com a saída de Hu.

Quando Hu assumiu a liderança, o ex-presidente Jiang Zemin manteve a presidência do Exército chinês durante dois anos. As tentativas de Hu suscitaram uma inusitada reação contrária dos militares. “Quando chega o momento de uma pessoa se aposentar, ela deve fazê-lo”, disse um general aposentado. “Não acho que uma pessoa deve usar esse recurso para ampliar seu mandato. Além do mais, a sucessão será menos independente. Cada um necessita da sua própria equipe.”

Xi Jinping, filho do herói revolucionário Xi Zhongxun, tem elos muito mais profundos com o Exército do que Hu e conhece muitos da safra mais jovem de oficiais. De meados de 1970 até 1982, Xi usou o uniforme de membro do serviço ativo e trabalhou como secretário de Geng Biao, que foi comandante do Exército de Libertação Popular, ministro da Defesa e secretário-geral da Comissão Militar Central. Xi acompanhou Geng Biao em visitas oficiais de delegações militares à Europa e em 1980 aos EUA. Muitos dos comandantes mais jovens nasceram depois de o Partido Comunista assumir o poder na China, em 1949. Como Xi e outros novos líderes políticos, alguns dos generais em ascensão são membros da “nobreza vermelha”, ou filhos de heróis revolucionários. Esses “pequenos príncipes”, como são chamados, nasceram com privilégios e sofreram a opressão da Revolução Cultural de Mao Tsé-tung, dos anos 1966-76, mas conhecem mais a China economicamente poderosa dos últimos 30 anos.

Ao contrário da geração mais velha, muitos desses comandantes jovens não têm nenhuma experiência de combate. O último importante conflito da China foi uma guerra de fronteira com o Vietnã em 1979, que durou 29 dias. Pouco se sabe o que esses novos líderes militares pensam. Somente alguns falam ou escrevem abertamente e muitos jamais dão entrevistas. Mas sua visão de mundo determinará de modo considerável se o poder militar crescente da China deverá alarmar a região e mais além, se um futuro confronto com os vizinhos ou os EUA será inevitável.

A China não torna público seus gastos militares totais, mas especialistas de todo o mundo estimam que as despesas subiram de US$ 20 bilhões em 2002 para no mínimo US$ 120 bilhões no ano passado. É uma fração dos gastos militares dos EUA, mas para alguns analistas o orçamento militar da China deve ultrapassar o dos EUA em 2035.

As tendências políticas dos novos líderes militares também poderão determinar se o Exército continuará a ser o principal pilar de apoio do Partido Comunista. Desde que foi convocado para reprimir as manifestações pró-democracia na Praça Tiananmen em 1989, o Exército tem trabalhado para tornar a Polícia Armada do Povo uma entidade separada direcionada para controlar distúrbios, com competência para garantir a segurança interna. Assim, o Exército regular pode se concentrar na sua tarefa de modernização e se tornar uma força profissional, em vez de ser utilizado novamente como instrumento de controle interno. “O Exército e a polícia armada devem ter funções separadas”, afirmou o general Luo Yuan numa rara entrevista. “A polícia armada deve controlar assuntos domésticos e o Exército se concentrar na defesa.”

Dennis Blasko, ex-oficial da inteligência militar americana e ex-adido militar em Pequim, diz que, depois de 1989, “o Exército de Libertação Popular entendeu que sua reputação estava prejudicada e não desejava passar por aquela experiência novamente”.

Segundo Luo, “os novos líderes virão com experiências diferentes, qualidades diferentes e personalidades distintas da última geração e isso certamente afetará seu estilo de trabalhar”. Entre outros atributos, os comandantes nascidos nos anos 50 são mais cultos – muitos têm curso superior e a maior parte trabalhou no campo durante a Revolução Cultural, o que significa que “compreendem as bases”, disse Luo.

Alguns analistas estrangeiros se preocupam com a possibilidade de essa geração mais jovem estar ansiosa para provar sua têmpera. “Existe um real antagonismo com relação aos EUA. O alarmante é que, à medida que esse grupo de oficiais acredita que os EUA estão determinados a persegui-los, seu Exército também se aprimora”, afirmou Dean Cheng, analista da Heritage Foundation em Washington. “Observamos um Exército mais confiante, mais arrogante e impulsionado por uma liderança política de certa maneira ávida para mostrar o quanto ele melhorou. Tudo o que você necessita é que alguém faça algo estúpido”, acrescentou Cheng.

Outros concordam que o real problema pode decorrer de alguma coisa fortuita. Por exemplo, com mais forças marítimas operando nos mares do sul da China e da China Oriental, Dennis Blasko diz estar “cada vez mais preocupado com a possibilidade de ocorrer alguma coisa que possa levar a uma escalada”.

Tão importante quanto a perspectiva de mundo dos novos comandantes é a sua opinião sobre a necessidade de uma reforma do sistema político leninista retrógrado da China. Lin Yuan, filho de Liu Shaoqi, líder da era Mao, num discurso em janeiro, alertou que a corrupção está tão profundamente arraigada que se tornou uma ameaça para o partido e o Exército. “Prefiro arriscar minha posição do que desistir de combater a corrupção até o fim”, afirmou para algumas centenas de autoridades.

O general Liu Yazhou, comissário político da Universidade de Defesa Nacional e considerado um “pequeno príncipe” por seu famoso sogro Li Xiannian, chocou as pessoas em 2010, com um ensaio provocativo publicado numa revista de Hong Kong, em que defendia mais democracia. “Se um sistema não consegue deixar seus cidadãos respirarem livremente e liberarem sua criatividade ao máximo, está fadado a perecer”, escreveu.

Essas palavras poderiam ser consideradas subversivas num outro contexto. Mas Liu há meses foi promovido a general por Hu Jintao, que vem colocando seus fiéis partidários nos altos escalões da comissão. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINOT

FONTE: The Washington Post via O Estado de S. Paulo
IMAGEM: China Daily

 

O Exército Brasileiro se prepara para receber mulheres combatentes. Uma lei sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em agosto dá à Força prazo de até cinco anos para se preparar para integrar alunas à EsPCEx (Escola Preparatória de Cadetes do Exército), à Aman (Academia Militar das Agulhas Negras, escola de oficiais), em Resende (RJ), e praças profissionais à Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações (MG). Grupos de trabalho no Exército estão sendo formados para estudar como se dará a entrada das mulheres combatentes na tropa.

Com a mudança, as mulheres poderão passar a entrar efetivamente em combate, portando fuzis, integrando patrulhas e missões reais de confronto e de Paz, como parte das sete Armas do Exército.

Poderão rastejar e combater a pé em qualquer terreno pela Infantaria, embarcar em um carro de combate da Cavalaria no front, disparar um obus da retaguarda na Artilharia, fazer contato ou guerra eletrônica com o equipamento das Comunicações, reparar ou destruir pontes na Engenharia, dar o apoio logístico do Material Bélico ou fazer o planejamento dos suprimentos, na Intendência.

O Exército já tem mulheres, mas apenas no quadro complementar, em áreas como Saúde (médicas, dentistas, enfermeiras, técnicas de enfermagem e psicólogas, por exemplo) e em carreiras técnicas do IME (Instituto Militar de Engenharia).

Com desempenho acadêmico destacado, a cadete do IME Clara Luz foi enviada para estágio de um ano em West Point, academia militar dos Estados Unidos. Ao lado de cadetes mulheres combatentes, ela também ficou em primeiro lugar lá.

Embora haja mulheres combatentes em polícias militares pelo País , no Exército o segmento feminino se restringe a 6.700 de seus 200 mil integrantes, representando apenas 3,35% do total. Trata-se de uma carreira, portanto, esmagadoramente masculina. Como comparação, o Exército dos Estados Unidos, por exemplo, tem 14% de mulheres, o quádruplo, proporcionalmente.

Resistência interna

Apesar de não declarado oficialmente, ainda persistem resistências internas e muitas incertezas na Força em relação à mudança – determinada por lei.

A intenção inicial da presidenta Dilma era implantar o plano imediatamente, mas a ideia deixou o oficialato em polvorosa. O Comando argumentou que seria necessário algum tempo para adaptação, e conseguiu o prazo de até cinco anos – os militares argumentam que pode acontecer antes.

O Exército alega que precisa de tempo para estudar as adaptações necessárias, tanto no aspecto curricular quanto estrutural, de instalações (alojamentos, banheiros, etc.). “Os desafios são mais culturais. Na Aeronáutica já há mulheres, mas também é recente, a exemplo de outros exércitos”, diz o da Seção de Informações Públicas do Exército, coronel Campos. Ele, entretanto, acredita que a adaptação não será tão “traumática”, porque já há mulheres na Força. Segundo ele, grupos de trabalho estão sendo formados para estudar o plano de disciplinas.

O Exército também ainda não sabe quantas vagas nem quando serão criadas para as mulheres nem quando. Tampouco se decidiu ainda se elas vão entrar em todas as sete Armas do Exército ou se haverá período de transição.

“Não tem trauma, o Exército já aceitou. Precisa se adequar e cumprir o prazo”, afirmou o coronel Campo, que admite ainda haver muitas questões indefinidas.

Dois artigos incluídos pelos militares na lei foram vetados pela presidenta Dilma. Um que impedia a entrada de mulheres casadas, com união estável ou dependentes, e outro que impedia candidatas com tatuagens que, por “suas dimensões ou natureza, prejudiquem a camuflagem e comprometam as operações militares”.

Mulher nas Forças Armadas brasileiras

Em outras Forças Armadas, as mulheres participam ativamente há mais tempo, como nos Estados Unidos, onde estão cada vez mais em operações desde as guerras do Afeganistão e do Iraque.

O país já desenvolveu até coletes balísticos especiais para mulheres (mais curtos e desenhados para o corpo feminino).

No Brasil, a primeira participação de uma mulher em combate ocorreu em 1823, quando Maria Quitéria de Jesus – considerada a primeira mulher a assentar praça em unidade militar – lutou pela manutenção da independência. Só em 1943, as mulheres entraram oficialmente no Exército, na 2ª Guerra Mundial, quando a Força enviou 73 enfermeiras voluntárias para servir em quatro diferentes hospitais do exército dos EUA. Ao voltar da guerra, a maioria ganhou a patente de oficial foi condecorada e licenciada do serviço ativo militar.

Em 1992, 49 mulheres integraram a primeira turma da Escola de Administração do Exército. Quatro anos depois, foi criado o Serviço Militar Feminino Voluntário para médicas, dentistas, farmacêuticas, veterinárias e enfermeiras de nível superior – e 290 voluntárias entraram. No ano seguinte, o IME matriculou a primeira turma de dez alunas, no Quadro de Engenheiros Militar e a Escola de Saúde do Exército formou a primeira turma de oficiais de seu quadro.

Em 98, 519 mulheres de áreas que variam de jornalismo a advocacia e administração de empresas entraram no Estágio de Serviço Técnico para profissionais, no Quadro de Oficial Técnico Temporário.

Primeira mulher voou sozinha em avião da FAB em 2003

Na Aeronáutica, as mulheres passaram a ser admitidas no quadro de oficiais intendentes da AFA (Academia da Força Aérea) em 1995. Em 2003, a AFA recebeu as primeiras alunas do Curso de Formação de Aviadores; em 2002, a Escola de Especialistas da Aeronáutica teve 56 alunas, do total de 287.

Em 2003, a cadete-aviadora Gisele Oliveira foi a primeira piloto militar a voar sozinha em aeronave da FAB; no ano seguinte, a cadete Fernanda Göertz voou solo em avião de instrução básica. Entre 2002 e 2012, a presença feminina na Aeronautica cresceu 154%, de 3.249 para 8.284 militares. “Com passar dos anos, elas têm destacado, inclusive ocupando cargos de liderança e chefia, em áreas antes tipicamente masculinas”, afirma o site da corporação.

O ingresso da mulher na Marinha começou em julho de 1980, mas, como no Exército, sempre nas áreas do Quadro Complementar de Oficiais ou Corpo Auxiliar de Praças, não como combatentes. Elas atuam em áreas como Medicina, apoio à saúde, Engenharia, Arquitetura, Pedagogia, Direito, História, Comunicação Social, Serviço Social, Psicologia, entre outras.

FONTE: Portal iG.

 
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