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Historiador que revelou prova do arsenal diz que notícia foi a tentativa de vendê-lo

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Marcelo Ninio

vinheta-clipping-forte Toda nova informação sobre o suposto programa nuclear de Israel desperta enorme interesse, dada a ambiguidade que envolve o tema. Não foi diferente com a notícia, divulgada nesta semana, de que em 1975 o ministro da Defesa israelense, Shimon Peres (hoje presidente), teria oferecido armas nucleares ao regime do apartheid sul-africano.

A revelação está num livro que consumiu seis anos de pesquisa do historiador americano Sasha Polakow-Suransky e é considerada uma rara prova do arsenal atômico de Israel -que o país não nega nem admite ter.

Folha – Em que medida os documentos revelados em seu livro comprovam a oferta israelense? Peres negou tudo. Sasha Polakow-Suransky – Peres está sendo evasivo. Ele está certo quando diz que sua assinatura não aparece nas minutas das reuniões, mas ela aparece no documento que garante sigilo para a negociação sobre a venda de mísseis Jericó. Os documentos mostram acima de qualquer dúvida que o tema foi discutido em uma série de encontros em 1975. As frases usadas para descrever as ogivas são vagas, o que é comum nesse tipo de negociação. A confirmação de que o governo sul-africano viu a discussão como uma oferta nuclear explícita está num memorando do chefe do Estado-Maior, R. F. Armstrong, que detalha as vantagens do sistema de mísseis Jericó para a África do Sul, mas só se os mísseis tivessem ogivas nucleares. É a primeira vez que aparece um documento com a discussão sobre mísseis nucleares em termos concretos. O acordo nunca foi fechado, mas a discussão ocorreu, e o alto escalão sul-africano entendeu a proposta israelense como oferta nuclear.

Qual era o objetivo de Israel? Principalmente financeiro. Peres também estava buscando financiamentos conjuntos e precisava oferecer algo em troca à África do Sul. No encontro de 4 de junho, Peres sugeriu a Pieter Botha [então ministro da Defesa] que a África do Sul financiasse entre 10% e 5% de um projeto de um jato leve e 33% de um sistema balístico de cognome “Assaltante”. Israel tinha o know-how, e a África do Sul tinha dinheiro.

Há outras revelações sobre o elo entre Israel e o regime do apartheid em seu livro? Muitas. As principais são a continuação do projeto dos mísseis Jericó na África do Sul nos anos 80, quando especialistas israelenses ajudaram a construir projéteis de segunda geração para carregar ogivas nucleares; e a venda de “yellow cake” [concentrado de urânio] da África do Sul para Israel em 1961.

Os documentos revelados em seu livro são a evidência mais clara até hoje do arsenal nuclear israelense? Não. As fotos de Mordechai Vanunu [técnico nuclear israelense condenado por traição] em 1986 são muito mais definitivas. O significado dos documentos não é provar que Israel tem armas nucleares, o que o mundo todo sabe há décadas. A notícia aqui é que a possível transferência de tecnologia nuclear foi debatida no alto escalão.

FONTE/IMAGEM: Folha de São Paulo, via Resenha/UOL

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vinheta-clipping-forteA AIEA (agência nuclear da ONU) teme que o Irã esteja desenvolvendo uma carga nuclear para criar um míssil, segundo relatório confidencial obtido nesta quinta-feira pela Reuters. O texto da AIEA confirma que o Irã produziu o primeiro lote, pequeno, de urânio enriquecido a 20%, sem ter avisado aos inspetores internacionais com a antecedência devida.

O Irã anunciou na semana passada que havia passado a enriquecer urânio até um grau de pureza de 20%, para uso em um reator de pesquisas médicas. Até então, o país enriquecia urânio apenas até 3,5%. Para uso em armas nucleares, é preciso uma pureza de cerca de 90%.

Tanto o enriquecimento adicional quanto a notícia sobre ogivas nucleares devem alimentar preocupações no Ocidente quanto às verdadeiras intenções do programa atômico iraniano, apesar de Teerã insistir no caráter pacífico, para geração de eletricidade e fins científicos.

A AIEA há anos investiga relatos de governos ocidentais indicando que o Irã tem esforços coordenados para processar urânio, testar explosivos em alta altitude e adaptar o cone de um míssil balístico para que possa receber ogivas nucleares. Em 2007, no entanto, os EUA avaliaram que o Irã havia abandonado tais atividades em 2003 e, provavelmente, não as retomaria.

Importantes aliados ocidentais, porém, acham que o Irã manteve o programa –e o relatório da AIEA representa um inédito aval independente a essa teoria.

“A informação disponível para a agência é extensa [...], amplamente consistente e crível em termos de detalhes técnicos, do cronograma em que as atividades são conduzidas e das pessoas e organizações envolvidas”, afirma a AIEA. “Tudo isso desperta preocupações sobre a possível existência no Irã de atividades não reveladas, passadas ou atuais, relacionadas ao desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil.”

Com termos excepcionalmente duros, foi o primeiro relatório da AIEA sobre o Irã desde a posse do novo diretor geral da instituição, Yukiya Amano, que é considerado mais inclinado a confrontar o Irã do que seu antecessor, Mohamed ElBaradei.

O relatório, que será avaliado em um encontro entre os próximos dias 1º e 5 de março pelos 35 países que formam a direção da AIEA, apontou que, com o passar do tempo, fica mais difícil obter informações sobre o programa nuclear iraniano, e que, portanto, é essencial que Teerã coopere “sem mais delongas” com os investigadores da agência.

O Irã alega que as acusações ocidentais sobre o desenvolvimento de ogivas atômicas são inventadas, mas não conseguiu provar o contrário. O país passou 18 meses evitando contatos com a AIEA a respeito desse assunto.

FONTE: Reuters

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vinheta-clipping-forteO representante do Irã na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) considerou “infundadas” as suspeitas de que seu país esteja fabricando uma bomba atômica, descritas no relatório da ONU que teve trechos revelados ontem, informa a agência iraniana Fars.

Ali Asghar Soltanieh disse que os documentos citados no relatório da AIEA são “inventados” e, portanto, “não têm nenhuma validade”.

“Eu disse, em muitas ocasiões, que vimos esses documentos e nenhum deles tinha selos confidenciais ou secretos”, disse Soltanieh. “Assim, fica claro que todos os documentos foram inventados e são infundados, não têm nenhuma validade” acrescentou ele.

Também nesta sexta-feira, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, negou que o Irã busque construir armas nucleares. “As acusações do Ocidente são falsas, porque nossas crenças religiosas nos impedem de usar tais armas (…). Nós não acreditamos em armas nucleares e não temos a intenção de construi-las”, disse ele em discurso à TV iraniana.

O Irã, a despeito das acusações das potências mundiais, afirma que seu programa nuclear tem fins civis.

O país anunciou, na semana passada, que havia passado a enriquecer urânio até um grau de pureza de 20%, para uso em um reator de pesquisas médicas. Até então, o país enriquecia urânio apenas até 3,5%. Para a fabricação de armas nucleares, é preciso uma pureza de cerca de 90%.

Relatório

Em seu primeiro relatório aos ministros da agência da ONU, o diretor geral da AIEA, Yukiya Amano, se mostrou preocupado com a possibilidade do Irã desenvolver ogivas nucleares.

“A informação de que dispomos (…) destaca a existência potencial de atividades secretas passadas ou presentes do Irã ligadas ao desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil”, disse Amano.

Os Estados Unidos expressaram “incômodo” em relação às atividades nucleares do Irã após o vazamento do informe confidencial da AIEA, segundo o qual o país já produziu seu primeiro lote de urânio enriquecido a 20% e pode estar tentando obter armas nucleares. Foi a primeira vez que a agência admitiu essa possibilidade.

“Temos um incômodo persistente em relação às atividades do Irã. Não podemos explicar por que e negam a comparecer à mesa de negociações e a responder de uma forma construtiva as perguntas que lhe foram feitas”, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, P.J. Crowley, à imprensa.

Em referência ao relatório, Crowley afirmou ser o primeiro desde a revelação, no dia 25 de setembro passado, da existência de uma usina nuclear na cidade iraniana de Qom.

“Não há para essa usina uma explicação coerente com a necessidade de um programa nuclear civil”, disse o porta-voz.

O relatório, que será avaliado em um encontro entre os próximos dias 1º e 5 de março pelos 35 países que formam a direção da AIEA, apontou que, com o passar do tempo, fica mais difícil obter informações sobre o programa nuclear iraniano, e que, portanto, é essencial que Teerã coopere rapidamente com os investigadores da agência.

FONTE: Folha Online, com France Presse e agências internacionais

vinheta-clipping-forteCinco países da Otan — Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Noruega e Holanda– solicitarão nas próximas semanas a retirada de todas as armas nucleares dos Estados Unidos armazenadas na Europa, informou nesta sexta-feira Dominique Dehaene, do escritório do primeiro-ministro belga Yves Leterme.

A iniciativa faz referência às cerca de 240 bombas atômicas da época da Guerra Fria que os Estados Unidos seguem armazenando na Alemanha, Bélgica, Itália e Turquia, confirmou uma fonte próxima ao governo belga.

Apenas os Estados Unidos possuem este tipo de armamento, já que as armas nucleares francesas e britânicas não estão espalhadas “por outros Estados membros”.

“O governo belga e os outros quatro países proporão nas próximas semanas que sejam retiradas as armas nucleares em território europeu pertencentes a outros estados membros da Otan”, insistiu Dominique Dehaene.

“O governo belga quer aproveitar a oportunidade aberta pelo presidente (Barack Obama) a favor de um mundo sem armas nucleares”, afirmou Leterme.

O primeiro-ministro belga afirmou contar com o apoio no mesmo sentido de dois ex-primeiro-ministros belgas, o democrata Jean-Luc Dehaene e o liberal Guy Verhofstadt, assim como por dois ex-ministros das Relações Exteriores, o liberal Louis Michel e o socialista Willy Claes, que também foi secretário-geral da Otan.

“As armas nucleares americanas na Europa perderam toda a sua importância militar”, escreveram em um comunicado os quatro responsáveis para justificar o pedido de retirada.

Segundo especialistas, restam cerca de 20 bombas na base belga de Kleine Brogel, e haveria um número equivalente na Alemanha.

Itália e Turquia abrigariam cerca de 90 bombas cada.

No final de 2009 já havia a tendência de que a retirada das bombas americanas –um pedido já feito pela Alemanha –fosse adotada pela Otan, não de forma unilateral pelos países que a compõem.

Os aliados voltarão a debater o assunto no Grupo de Planos Nucleares da Otan.

A retirada das bombas americanas não significaria o fim do poder nuclear dos EUA, nem o fim da utilização de armas nucleares pela Otan, afirmam especialistas.

FONTE: Folha de São Paulo / France Presse

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Presidente em exercício diz que isso serviria como ‘fator de dissuasão’ e para ‘dar mais respeitabilidade’

Tânia Monteiro

Em uma declaração polêmica, o presidente em exercício José Alencar defendeu nesta quinta-feira que o Brasil tenha armas nucleares como importante “fator de dissuasão” e para “dar mais respeitabilidade” ao País. “A arma nuclear utilizada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país que tem 15 mil quilômetros de fronteiras a oeste e tem um mar territorial e, agora, esse mar do pré-sal de 4 milhões de quilômetros quadrados de área”, declarou Alencar.

Na conversa com jornalistas, em seu gabinete, em Brasília, Alencar, ao ressaltar a necessidade de o Brasil ter meios para proteger seu patrimônio, citou o caso do Paquistão, que, segundo o vice, embora seja um país pobre, tem assento em vários organismos internacionais, justamente por ter a bomba atômica. “Eles sentam à mesa porque eles têm arma nuclear. É vantagem? É, até do ponto de vista de dissuasão é. É importante”, observou.

Na opinião do presidente em exercício, “nós, brasileiros, às vezes somos muito tranquilos. Nós dominamos a tecnologia da energia nuclear, mas ninguém aqui tem uma iniciativa para avançar nisso. Temos que avançar nisso aí”. Em seguida, Alencar passou a pregar também a necessidade de aumento do orçamento das Forças Armadas e da vinculação deste orçamento ao PIB. “Precisa ter uma percentualidade do PIB entre 3% e 5%, que daria muita força para o sistema de defesa, que precisa de cuidado e está abandonado há muito tempo”, comentou Alencar, que já foi ministro da Defesa.

O presidente em exercício disse que este avanço nas pesquisas tem de ser para fins pacíficos, mas o fato de ter o artefato, “reforça” o poder do país. “Não estou dizendo que o Brasil vai fazer isso ou não e nem quero dizer se quero ou se não quero. Estou fazendo uma análise como brasileiro. Se nós estivéssemos nessas condições, imagina o que seria o Brasil? A respeitabilidade do país cresceria muito. Tem aquela frase `a força é o direito e a justiça é o poder do mais forte’”, emendou.

As declarações de José Alencar foram dadas no mesmo dia que o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas aprovou uma resolução com o fim de conter a disseminação das armas nucleares no mundo. O Conselho, com cinco membros permanentes e dez rotativos, passou a medida por unanimidade. O Brasil reivindica um assento no Conselho. Anteontem, Lula se reuniu por mais de uma hora, com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e fez uma enfática defesa do colega iraniano, apoiando, inclusive, o direito de Teerã enriquecer urânio, material das bombas nucleares.

Questionado se esta declaração de defesa de armas nucleares não precisaria de mudanças na Constituição, Alencar lembrou que somos signatários do Tratado de Não proliferação de Armadas nucleares, mas, em seguida, emendou: “eu acho que isso é tudo negociado, é tudo conversado”.

Alencar retornou de São Paulo na noite de quarta-feira, depois de mais uma sessão de quimioterapia. Na semana que vem, Alencar reassume a presidência, com a ida de Lula para a Europa.

FONTE: Estadão

FOTO (Dia do Soldado, em 2007): Agência Brasil

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