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A China tornou-se o quinto maior exportador de armas do mundo, sua posição mais alta no ranking desde a Guerra Fria, com o Paquistão sendo seu principal comprador, informou nesta segunda-feira um respeitado centro de estudos sueco.

O volume de exportações de armas da China entre 2008 e 2012 cresceu 162 por cento, em comparação com o período de cinco anos anterior, com sua participação no comércio mundial de armas passando de 2 por cento para 5 por cento, afirmou o Instituto Internacional de Estudos para Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês).

A China substitui a Grã-Bretanha entre os cinco primeiros países que mais comercializam armas entre 2008 e 2012. Estados Unidos e Rússia, que são responsáveis por 30 e 26 por cento, respectivamente, das exportações de armas, são os maiores exportadores mundiais do setor, segundo o Sipri.

“A China está se estabelecendo como um significativo fornecedor de armas para um número crescente de importantes Estados beneficiários”, disse o diretor do Programa de Transferências de Armas do Sipri, Paul Holtom, em um comunicado.

A mudança, destacada no Relatório de Tendências na Transferência Internacional de Armas do centro de estudos, marca pela primeira vez a China como um dos cinco maiores exportadores de armas desde o período entre 1986 e 1990 analisado pelo Sipri.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês Hong Lei, quando questionado sobre o relatório, disse que a China era um exportador de armas responsável que cumpria rigorosamente a lei internacional.

“Na exportação de armas, a China adota três princípios. Primeiro, que seja favorável às necessidades justificáveis de autodefesa do país destinatário. Segundo, que não prejudique a paz, segurança e estabilidade regional e global. Terceiro, que não interfira nos assuntos internos de outros países”, disse ele a repórteres.

O Sipri mantém uma base de dados global de transferências de armas que registra as exportação de armas desde 1950. O centro avalia os dados em um período de cinco anos, porque a venda de armas varia por ano.

Alemanha e França ficaram em terceiro e quarto lugares na lista de exportadores de armas.

FONTE: Reuters via Resenha do Exército

O chavismo sem Chávez

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vinheta-clipping-forte1A morte de Hugo Chávez, após mais de um ano e meio de luta contra o câncer, deixa a Venezuela órfã do seu grande protagonista dos últimos 21 anos, se levarmos em conta a tentativa de golpe de 1992. Ele atropelou a velha política “das elites” e prometeu o paraíso à grande maioria de pobres de um país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo e um de seus maiores exportadores. Populista, criou marcas só aparentemente inovadoras. Fez de Bolívar o grande inspirador da Revolução Bolivariana e chamou seu grandioso projeto de “socialismo do século XXI”.

Embora no velho figurino do caudilho latino-americano, ele acumulou poder a partir de uma nova e sibilina estratégia: usar as instituições democráticas para corroer a própria democracia. O chavismo é um regime autocrata que mantém aparências democráticas, enquanto funciona na prática como uma ditadura “constitucional”. Para isso, fez intervenções arbitrárias, como expurgos e nomeações no Judiciário, para domesticá-lo, e alterações na distribuição dos colégios eleitorais para que a oposição, mesmo com mais votos, não conquistasse a maioria das cadeiras no Legislativo. Neste sentido, faz lembrar a ditadura militar brasileira, em que havia troca de generais na presidência, mas sem qualquer possibilidade de ocorrer alternância de forças políticas no poder, como numa democracia de fato.

As instituições republicanas venezuelanas foram destroçadas pelo chavismo. A oposição, vítima de erros como o boicote às eleições de 2006, teve um bom momento nas eleições de outubro de 2012, quando Henrique Capriles obteve 45% dos votos, embora insuficientes para evitar nova vitória chavista.

O grande problema de regimes assim, autorreferenciados e personalistas, é justamente quando o chefe morre e entra em pauta a inevitável sucessão. O tratamento dispensado pela liderança chavista à doença do caudilho, confirmada em 10 de junho de 2011 pelo então chanceler Nicolás Maduro como um “abcesso pélvico”, assemelha-se ao que se passava na antiga URSS, quando o chefe do Partido Comunista tinha problemas de saúde. Caía uma “cortina de ferro” entre o enfermo e o resto do mundo, que dele só sabia através de comunicados oficiais que quase nada diziam.

O mesmo segredo cercou a volta de Chávez à Venezuela, na madrugada do dia 18 de fevereiro, após uma internação de 70 dias em Havana para a quarta cirurgia. O presidente anunciou o retorno pelo twitter e foi internado num hospital militar sob tanto mistério que muitos chegaram a duvidar de sua presença em solo venezuelano.

Foi essencial para seu projeto de poder o colchão de petrodólares inflado com a disparada do preço do hidrocarboneto. Quando assumiu de fato o poder, há 14 anos, o barril custava cerca de US$ 25. Nos últimos anos, mantém-se ao redor dos US$ 100. Com isto, pôde lançar um dos maiores projetos assistencialistas do mundo, com programas nas áreas de saúde, educação, habitação e transferência de renda, que de fato reduziram a pobreza, mas ficaram a dever na melhoria da qualidade de vida, além de ser apenas uma forma de assistencialismo demagógico, sem sustentação a longo prazo. Prova disto é que a insegurança se tornou a maior causa de preocupação popular, e a capital, Caracas, uma das cidades mais violentas do mundo. Mas o assistencialismo assegurou-lhe imensa popularidade.

Os petrodólares permitiram-lhe, também, a projeção externa de seu projeto. A partir da visão míope, maniqueísta, de que o mundo é dividido entre o “império” (os EUA) e os demais países, ele comandou uma frente antiamericana anacrônica, tendo como modelo Cuba, e discípulos, Bolívia, Equador, Nicarágua, além de influenciar a Argentina kirchnerista. Teve a amizade do Brasil lulopetista, da Rússia, do Irã. E a simpatia de Dilma Rousseff, essencial para sua entrada no Mercosul numa manobra conduzida por Brasília em associação com a Casa Rosada. Nunca deixou, porém, de vender petróleo ao “império”, além de abastecer Cuba em condições camaradas.

O “novo” socialismo não dispensa conceitos ultrapassados. O chavismo produziu uma estatização em massa das empresas venezuelanas, com resultados desastrosos na produtividade, estímulo à fuga de investimentos estrangeiros e recursos dos próprios venezuelanos para o exterior. A economia passou a depender ainda mais do petróleo. A estatal PDVSA foi transformada em cabide de empregos, além de funcionar como caixa dos projetos do governo. Descapitalizou-se, e a produção despencou. Os desequilíbrios na economia produziram alta inflação, de 23,2% em 2012, segundo o FMI, que projeta 28,8% para este ano. O recurso ao controle de preços levou ao desabastecimento. A infraestrutura sofre com a falta de investimentos e a população, com os frequentes apagões.

Uma das piores heranças do caudilho, ao lado da supressão da liberdade de expressão, é uma economia em frangalhos. Ele ainda se encontrava internado em Havana quando a Venezuela executou sua décima desvalorização cambial desde 1983, uma década antes do chavismo, de pouco mais de 30%. Apenas no período de Chávez as desvalorizações somaram 992%.

O governo fez o possível a fim de retardar mais esta alteração cambial, empurrá-la para o mais distante possível do período eleitoral, de que Chávez saiu vitorioso, com mais um mandato. Explica-se: a cada desvalorização da moeda nacional, o “bolívar forte”, adjetivo irônico, as importações ficam mais caras. E como o país é importador maciço de quase tudo – graças à desarticulação do parque produtivo causada pelas expropriações chavistas de empresas privadas – o impacto na inflação não seria desprezível. E não será.

Mas a desvalorização ajuda as desequilibradas contas públicas, pois aumenta a arrecadação de impostos que incidem sobre o petróleo, cujo preço sobe na moeda nacional. A contrapartida, entretanto, é a inflação, também alimentada pela gastança desenfreada para facilitar a reeleição do caudilho, em outubro: as despesas públicas subiram 52% e a emissão total, 62%. Todos são ingredientes infalíveis no estímulo à alta dos preços. Algo como jogar um fósforo aceso no palheiro.

O que será do chavismo sem Chávez e no aguçamento da crise econômica? Não se pode descartar uma luta pelo seu espólio entre os mais próximos seguidores, como o vice-presidente Nicolás Maduro e Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional e ex-companheiro de armas do ditador. Para adiar o desfecho, Maduro e Cabello, ouvido o governo cubano, fizeram letra morta da Constituição, que marcava a nova posse de Chávez para 10 de janeiro. O argumento era de que, entubado ou não, ele continuava governando. Mas, sempre que um autocrata morre, o regime que o representa paga um preço: faltam instituições democráticas que patrocinem a sucessão de forma natural, sem turbulências. Qual será o custo de tudo isso ainda se saberá.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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Andrés Velasco – O Estado de S.Paulo

vinheta-clipping-forte1Os participantes chegaram, os convidados europeus saudados, discursos foram proferidos, brindes foram feitos e, no final, a reunião anual da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe, (Celac) foi aclamada como um sucesso.

Mas o que restou na manhã seguinte foi a sensação clara de uma região que está profundamente dividida, sem um objetivo comum e, sobretudo, sem liderança.

Em primeiro lugar, a boa notícia: os quatro principais países da orla do Pacífico – México, Colômbia, Peru e Chile – adotaram importantes medidas para aprofundar seu acordo de integração e comércio. No fim deste ano, 90% de todo o comércio praticado no bloco estará livre de tarifas. A Costa Rica solicitou sua adesão e o Japão foi aceito como observador. Esta aliança do Pacífico, com quase 40% do PIB latino-americano e US$ 500 milhões de exportações anuais, tem potencial para se tornar uma força motriz do crescimento econômico da região.

A saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o impediu de participar do encontro, mas os chefes de Estado que seguem sua liderança compareceram em bloco e coletivamente rejeitaram um pedido europeu para ser incluída na declaração final uma garantia de que as regras de investimento não serão mudadas arbitrariamente.

O presidente boliviano, Evo Morales, usou o fórum para criticar o Chile e reiterar as reivindicações territoriais do seu país. Quando, no final, o presidente cubano, Raúl Castro, assumiu a presidência rotativa da Celac, instituição presumivelmente dedicada a ampliar a democracia, nem mesmo os mais experimentados diplomatas conseguiram disfarçar o sorriso irônico.

A Celac, que exclui explicitamente os Estados Unidos e o Canadá, foi criada em 2010 para que os países da América Latina e Caribe pudessem determinar seu próprio rumo no sentido de políticas democráticas e de uma prosperidade compartilhada. O que não fizeram.

Claro que muitos países da região são nominalmente democráticos. Mas a liberdade política não existe em Cuba e a governança democrática está sob desafio permanente na Venezuela e em outras partes.

É verdade que muitas economias da região cresceram desde a crise, beneficiando-se de um ambiente internacional caracterizado por preços exorbitantes das commodities e taxas de juro baixíssimas. Mas, em razão da competitividade limitada e pouca capacidade para inovar, ninguém sabe o que ocorrerá com o crescimento na América Latina, se e quando os preços das commodities caírem.

Da mesma maneira, a desigualdade diminuiu em alguns países. Mas a região permanece a mais desigual do planeta e os mercados de trabalho e escolas que funcionam muito mal sugerem que a situação permanecerá a mesma num futuro previsível.

Se perguntar aos líderes latino-americanos e caribenhos como pretendem enfrentar tais desafios, você terá uma cacofonia de respostas, nem todas coerentes. As raízes do problema estão nas décadas de 80 e 90.

Nessa época, os governos de diversos países latino-americanos fizeram tentativas radicais para desregulamentar suas economias e abri-las para o comercial internacional e o capital externo.

Algumas reformas de liberalização dos mercados já estavam muito atrasadas nesses países. Mas privatizar sem políticas de concorrência mais vigorosas levou em muitos casos à criação de monopólios privados que cobravam preços altos por serviços e produtos medíocres.

Da mesma maneira, permitir as enormes entradas de capital antes de regulamentar adequadamente o sistema bancário interno provocou uma explosão de empréstimos e crises financeiras em massa. Os custos econômicos e sociais dessas estratégias equivocadas foram enormes.

Um retrocesso era inevitável. E de fato o populismo, tão familiar na história da região, fez um retorno estrondoso na Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela e em outros lugares. A retórica adotada é no estilo dos anos 60 e anticapitalista e as políticas adotadas têm sido erráticas e quase sempre arbitrárias. E apesar das receitas inesperadas propiciadas pelo boom global das commodities na década passada, os resultados deixam muito a desejar.

Na Venezuela, a renda per capita hoje está menor do que há três décadas. Na Argentina, o governo resolveu o problema da inflação persistente, de 20% ou mais, manipulando os dados sobre preços.

Naturalmente os países que tiveram melhor desempenho são aqueles que evitaram tanto o fanatismo da direita como o populismo da esquerda. O Brasil sob o governo dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva deve ser lembrado neste aspecto, juntamente com o Chile.

Nesses casos, os incentivos com vistas ao investimento e crescimento foram combinados com ambiciosas políticas sociais. A renda se expandiu e a pobreza caiu, enquanto um amplo conjunto de indicadores de desenvolvimento humano melhorou.

Brasil e Chile não têm todas as respostas: os dois países ainda exibem muita desigualdade e seus sistemas de ensino são medíocres, para citar dois problemas arraigados. Mas ambos os países parecem ter encontrado mais respostas do que outros com propostas alternativas. Então, por que Brasil e Chile não se tornam modelos de desenvolvimento de centro-esquerda modernos para a região?

No Chile, a coalizão de partidos Concertación foi uma defensora inútil de suas próprias realização, porque líderes mais velhos da mesma aliança nunca aprovaram as políticas moderadas que eram implementadas.

O Brasil, um país muito maior, seria o candidato natural para liderar ideológica e politicamente a região. Mas não desejando confrontar Chávez e muito ansioso por ser o melhor amigo de todos, o país renunciou a esse papel.

Imagine uma futura reunião da Celac em que a presidência do órgão seja outorgada a um líder progressista, moderno, que consiga impor um programa convincente no sentido das liberdades pessoais, crescimento econômico e inclusão social. Imagine um encontro em que defender a democracia seja algo mais do que uma pilhéria cruel. É pedir muito? Uma geração inteira de latino-americanos espera que não. / / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* É EX-MINISTRO DAS FINANÇAS DO CHILE, PROFESSOR-VISITANTE NA SCHOOL OF INTERNATIONAL AND PUBLIC AFFAIRS DA UNIVERSIDADE DA COLUMBIA. FOI CONSULTOR DO FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL, BANCO MUNDIAL E DO BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, COMO TAMBÉM DE DIVERSOS GOVERNOS LATINO-AMERICANOS

FONTE: O Estado de S. Paulo

Vamos aprender com a Alemanha?

A Alemanha de Merkel num mundo globalizado e hiperconectado!

 

(Jorge Castro – Clarín, 19) 1. O superávit em conta corrente da Alemanha é o primeiro do mundo em relação ao PIB, superando a China. As exportações da Alemanha para China, Índia, Brasil e Rússia, somadas, eram 2,2% do total em 2000. Agora, em 2010, subiram para 20,7%, crescendo 366% nesse período. O aumento da produtividade foi de 20% entre 2000 e 2010. A chave de seu boom exportador é a potência competitiva de sua indústria manufatureira que é a primeira do mundo, em especial nos equipamentos e bens de capital, além da produção automotriz.

2. A Alemanha induziu o fechamento massivo dos setores incapazes de competir, como construção naval, consumo eletrônico, telefonia celular e vestuário. A taxa de juros real é negativa. O sistema financeiro internacional paga pelo “privilégio” de emprestar a Alemanha. O PBI industrial cresceu 9% em 2011 e os setores de maior expansão foram o automotor (+13.4%), engenharia (+13%) e produção metalomecânica (+12%).

3. A metade das exportações europeias a China são alemãs e recebe 25% das vendas da China a Europa. Na acumulação capitalista, na atual fase de globalização e hiperconexão, as políticas económicas são pouco relevantes frente às mudanças de fundo.

4. (BBC, 20) Produtividade. Horas de trabalho por ANO: México: 2.250 / Chile: 2047 / Rússia: 1981 / EUA: 1787 / Itália: 1774 / Japão: 1728 / Espanha: 1690 / Reino Unido: 1626 / Alemanha: 1413 / Holanda: 1379. (Fonte OECD)

5. Mais importante ainda para a força industrial da Alemanha é seu sistema educacional. A metade dos jovens no ensino médio está em treinamento vocacional e a metade destes em estágio em empresas. Os estagiários entre 15 e 16 anos, passam mais tempo no lugar de trabalho que na escola. E depois de três anos tem garantido o emprego. Ninguém acha isso algo menor. Assim, o sistema educacional alemão é uma espécie de fábrica de trabalhadores altamente qualificados para suprir as necessidades específicas das empresas.

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(Delfim Neto – Folha de SP, 18) Um modesto economista entende que a capacidade de pagar importações com exportações condiciona o crescimento econômico possível, sem criar problemas no financiamento do balanço em conta-corrente. Infelizmente, apesar do aparente “sucesso” de nosso setor exportador, cada vez mais voltado às atividades agrícolas e mineradoras, com concentração em produtos e compradores, não avançamos nada nos últimos 30 anos. Dados da OMC. Entre 1981/1984 o Brasil participava com 1,2% das Exportações mundiais. Em 2009/2010 com 1,3% e em 2011 com 1,4%. Fingimos que corremos para ficar no mesmo lugar. O resultado é ainda mais trágico diante do tremendo aumento de nossas relações de troca!

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O capitalismo de Estado reforça a corrupção

1. O Brasil é o mais ambíguo dos países a praticar o capitalismo de Estado, segundo a revista britânica The Economist. Com o líder soviético Vladimir Lênin na capa, a publicação diz que o capitalismo de Estado tem se tornado um modelo ascendente. Estado brasileiro voltou a se fazer presente com força na economia nos últimos anos. “O governo despejou recursos em um punhado de (empresas) campeãs, particularmente no setor de recursos naturais e telecomunicações”, diz a publicação. A Economist afirma que a grande inovação do capitalismo de Estado brasileiro é a prática que chama de “Leviatã como acionista minoritário”.

2. A revista ressalta que o Estado brasileiro é acionista minoritário em uma série de empresas privadas e que, apesar de não ter o controle acionário, o governo tem voz suficiente para mudar o curso dos negócios de acordo com seus interesses. “O capitalismo de Estado frequentemente reforça a corrupção, porque aumenta o tamanho e as opções de prêmios para os vitoriosos”, diz, lembrando que os principais expoentes do modelo ocupam posições nada louváveis no ranking de corrupção da Transparência Internacional: o Brasil está em 73º lugar, a China em 75º e a Rússia em 143º.

FONTE: BBC

Começa a ressaca épica da China

1. A Bolha de crédito da China finalmente estourou. O mercado imobiliário está balançando descontroladamente. É difícil obter bons dados na China, mas algo está errado quando o site de imóveis Homelink relata que o preço das casas novas em Pequim despencou em novembro em relação ao mês anterior. Se isto é remotamente verdade, o calibrado pouso suave que as autoridades chinesas pretendiam está indo muito errado e os riscos girando fora de controle.

2. Os investidores estão subestimando maciçamente o risco de uma aterragem forçada na China, e certamente de outros BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China). Os BRICs estão caindo como tijolos (bric em inglês) e as crises são o home-blown, causado por seus próprios ciclos de altos e baixos de crédito. Acho que é altamente provável que a China vá desvalorizar o yen no próximo ano, arriscando uma guerra comercial.

3. A economia está totalmente fora dos eixos. O consumo caiu de 48pc para 36pc do PIB desde a década de 1990. O investimento subiu para 50pc do PIB. Isso está fora das cartas, mesmo para os padrões do Japão, Coréia ou Taiwan. Nada assim tem sido visto antes em tempos modernos. A Fitch Ratings afirmou que a China é viciada em crédito, mas com cada vez menos vontade para cada dose. Um dólar extra em empréstimos aumentou o PIB em 0,77 dólares em 2007. Agora em 2011 são $ 0,44. “A realidade é que hoje a economia da China exige um financiamento significativamente maior para atingir o mesmo nível de crescimento, como no passado”, disse o analista chinês Charlene Chu.

4. Professor Patrick Chovanec da Tsinghua de Pequim School of Economics, disse que a desaceleração do mercado imobiliário China começou em agosto, quando as empresas de construção informaram que os estoques não vendidos atingiram US $ 50 bilhões. Isso já se transformou em “uma espiral descendente de expectativas”. Uma queima de estoques está em curso. Enquanto isso, a desaceleração está se infiltrando no núcleo das indústrias. A produção de aço tem fraquejado.

5. Pequim foi capaz de contrariar a crise global em 2008-2009 com o desencadeamento de crédito, agindo como um amortecedor para o mundo inteiro. É duvidoso que Pequim pode repetir este truque pela segunda vez.

6. Mark Williams da Capital Economics disse que a grande esperança era que a China usasse sua farra de crédito após 2008, para ganhar tempo, mudando os crônicos sobre-investimento para o crescimento do consumo. “Isso não saiu conforme o planejado. Na verdade, a China enfrenta uma ressaca de desalavancagem épica, como o resto de nós”.

FONTE: A. Evans – Editor de Negócios Internacionais – The Telegraph, 15.12, via Ex-Blog do Cesar Maia

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O ministro de Negócios, Inovação e Treinamento da Grã-Bretanha, Vince Cable, criticou neste domingo o impasse do Congresso americano para a elevação do teto de sua dívida, afirmando que alguns poucos “loucos de direita” ameaçam o sistema financeiro mundial.

Em entrevista à BBC, ele disse que a disputa no governo americano representa um risco maior aos mercados globais do que a crise na zona do euro.

“A ironia da situação no momento, olhando para a abertura dos mercados amanhã é que a maior ameaça para o sistema financeiro mundial vem de alguns poucos loucos de direita no Congresso americano e não da zona do euro.”
As negociações fracassaram na sexta à noite, quando o líder da Câmara dos Representantes (deputados federais) dos Estados Unidos, o republicano John Boehner, se retirou das negociações com a Casa Branca sobre um acordo.
Segundo o governo americano, caso o Congresso não autorize a elevação do teto da dívida – atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) – até 2 de agosto, os Estados Unidos terão de parar de cumprir seus compromissos financeiros.

Prazo final

Esta sexta-feira marcava o prazo final estabelecido por Obama anteriormente para que um acordo fosse fechado e pudesse tramitar no Congresso e ser aprovado a tempo de evitar o calote.
Outro encontro de emergência no sábado entre Obama e os líderes do Congresso também não chegou a um consenso.
Há divergências entre os dois partidos sobre a profundidade dos cortes e que programas devem ser afetados.
Um dos principais pontos de discórdia se refere ao pagamento de impostos. Obama quer que o pacote inclua o fim dos cortes de impostos concedidos à camada mais rica da população ainda durante o governo de seu antecessor, George W. Bush.
Os republicanos se recusam a aprovar qualquer medida que inclua aumento de impostos.

Calote ‘impensável’

No entanto, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse nesse domingo que está confiante em um acordo.
“É impensável a ideia de que esse país não cumprirá com suas obrigações”, disse Geithner em entrevista à rede americana CNN. “Isso não vai acontecer.”
Ele afirmou ainda que a proposta republicana de primeiro elevar o limite da dívida e só então negociar os cortes era “irresponsável” e não seria aceita pelos democratas.

FONTE: BBC

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Uma onda de desânimo vem tomando conta do setor produtivo e, aos poucos, o pessimismo começa a se traduzir em redução de investimentos e demissões. Na expectativa do anúncio da nova política industrial do governo, representantes de diversos segmentos da economia ouvidos – incluindo calçadista, têxtil, de plástico e papel – afirmam que a agenda econômica empacada no governo e a persistência de problemas como câmbio, inflação e turbulência internacional podem até não afetar o crescimento da economia neste ou no próximo ano (estimado em 4%), mas cobrarão a fatura no futuro.

FONTE: O Globo, via Ex-Blog do Cesar Maia

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Londres caiu 1,03%; Frankfurt, 2,33%. Paris apresentou queda de 2,71%. Em Lisboa, a baixa chegou a 4,28% e Madri amargou perda de 2,69%. Milão despencou 3,96%

SÃO PAULO – As bolsas na Europa fecharam em forte queda nessa segunda-feira, depois que o risco de calote atingiu também a Itália. Londres caiu 1,03%; Frankfurt, 2,33%. Paris apresentou queda de 2,71%. Em Lisboa, a baixa chegou a 4,28% e Madri amargou perda de 2,69%. Milão despencou 3,96%.

O setor bancário foi o que mais sofreu impacto das preocupações com a crise europeia. BNP Paribas caiu 6,8% em Paris, Commerzbank recuou 8,6% em Frankfurt e Dexia cedeu 8% em Bruxelas. Em Milão, Intesa Sanpaolo declinou 7,7% e UniCredit perdeu 6,3%. “As preocupações com a Itália estão dominando tudo no momento”, comentou Joshua Raymond, estrategista do City Index.

O pessimismo provocou reflexos em vários ativos do mercado. O ouro, usado como porto seguro pelos investidores, chegou a 1.108,92 euros por onça-troy, rompendo brevemente o importante nível de resistência de 1.100 euros. Esse foi o preço mais alto já atingido pelo ouro em euros e representou um avanço de 8,4% sobre o valor do começo da semana passada.

A aversão ao risco também fez com que o rendimento dos títulos de 10 anos do governo da Espanha superassem 6% pela primeira vez desde a introdução do euro, chegando a 6,027%. Para se ter uma ideia, na semana passada o Brasil chegou a captar no exterior, no mesmo prazo, com juro de 4,188%.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também sentiu os reflexos da piora no quadro internacional. Com investidores fugindo das opções de risco no mercado, a Bolsa cai para 2,08%, às 14h26, no patamar mínimo dessa segunda. O dólar sobe para R$ 1,58, com alta de 1,6%.

Crise. No domingo, a União Europeia convocou uma reunião de emergência para discutir o risco de calote em países europeus, principalmente na Itália. Na sexta-feira, o risco do país foi duramente atingido pelo mercado, que passou a apostar não apenas na quebra da periferia. As dúvidas em relação à saúde dos bancos italianos também ajudou a proliferar a tensão. As ações do Unicredit Spa, o maior banco da Itália, desabaram quase 8%.

Nos Estados Unidos, fundos de pensão que tinham investimentos na Itália iniciaram uma corrida para vender seus ativos, aprofundando ainda mais os temores em relação à Roma.

A chanceler alemã Angela Merkel disse que a Itália deve enviar um “sinal muito importante” aos investidores nervosos, garantindo a apresentação de um plano crível para consolidar os planos para o orçamento do país. Merkel disse ainda que conversou ao telefone ontem com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, sobre a posição da dívida da Itália e sobre o plano orçamentário.

“Acredito haver um sinal muito importante de que a Itália deve enviar – a aprovação de um orçamento que inclua a consolidação necessária”, disse Merkel. “Tenho completa confiança de que o parlamento italiano irá aprovar tal orçamento”, acrescentou.

Merkel afirmou que a reunião das autoridades da União Europeia e os ministros das finanças desta segunda-feira em Bruxelas precisa ter como foco a preparação de um novo pacote de ajuda para a Grécia, e que a zona do euro deve continuar a fazer o que for necessário para proteger a moeda comum.

“A Alemanha e seus parceiros na zona do euro estão completamente comprometidos em defender a estabilidade do euro de modo geral”, afirmou Merkel.

China tem confiança no euro e vai cooperar com a Europa, diz BC chinês

Danielle Chaves, da Agência Estado

FRANKFURT E HONG KONG – A China tem confiança no euro e está pronta para explorar “vários meios de cooperação efetiva” com a União Europeia para lidar com a crise de dívida soberana do bloco, afirmou Yi Gang, vice-presidente do Banco do Povo da China (PBOC, banco central do país). Separadamente, Fu Ying, ministra de Relações Exteriores chinês, declarou que a recuperação das economias desenvolvidas voltou a um “caminho saudável”.

“Nós apoiamos todas as medidas adotadas pela União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional para solucionar a crise de dívida soberana”, disse Yi durante uma conferencia no banco central da Alemanha, o Bundesbank. Os bancos centrais da China e da Alemanha pretendem fortalecer a cooperação entre eles para manter a estabilidade financeira.

“Nós estamos preparados para explorar, junto com a União Europeia, várias formas de cooperação efetiva”, acrescentou. Segundo Yi, a China “sempre considerou a Europa um importante destino de investimentos” e vai continuar ativamente protegendo “a estabilidade do mercado financeiro internacional” como um investidor de longo prazo responsável.

Em um discurso em Hong Kong, Fu observou que o desemprego em alguns países europeus ainda é uma preocupação. Em Junho, Fu havia informado que a China aumentou a quantidade de bônus europeus que possui desde a crise financeira – uma retórica padrão que mostra que Pequim apoia os países debilitados da Europa. As informações são da Dow Jones.

FONTE: Estadão

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Brasil versus BRICs

Enquanto o Brasil não resolver seus problemas estruturais, vai ser difícil ao País conseguir recursos adicionais para investir em Defesa

1. Investimento em relação ao PIB. Brasil em último.

2. Exportações em relação ao PIB. Brasil em último.

3. Dívida Pública em relação ao PIB. Só a Índia é pior que o Brasil.

4. Pagamento de juros em relação ao PIB. Só a Índia é pior que o Brasil.

5. Receita Tributária em relação ao PIB. Aqui, ninguém passa o Brasil.

6. Se quiser ler a matéria toda, são 18 páginas. Sebastian Briozzo e Joydeep Mukherji. Standard & Poor’s. Conheça.

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