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A quem interessa o Brasil dividido

Marcos Coimbra

 

vinheta-opiniao-forteDenominamos de “países-baleias” os quatro países (Brasil, China, Índia e Rússia, componentes do grupo Bric), em virtude de disporem de gigantescas extensões territoriais e enormes mercados populacionais com crescente poder aquisitivo e qualidade de vida. É evidente que os EUA ainda são a potência hegemônica mundial e, mesmo com sua decadência, ainda terão grande importância, bem como a União Européia, no contexto internacional, além do ascendente Bric.

A China já é a segunda economia do mundo, detentora de apreciável poder militar. A Índia e a Rússia estão entre as dez maiores economias do mundo e também possuem elevado poder militar.

Em uma análise prospectiva, apesar de termos a sétima economia do mundo, vasta extensão territorial, abundantes recursos naturais existentes, da água ao titânio, passando agora pelo petróleo, além de um povo ordeiro e trabalhador, a fragilidade da expressão militar do Poder Nacional constitui uma vulnerabilidade preocupante.

De fato, há um plano arquitetado pelos “donos do mundo” de enfraquecer as Forças Armadas dos países emergentes, sufocando-as de todas as maneiras, financeira, econômica e moralmente.

É proibido o acesso à moderna tecnologia bélica, seja no tocante a engenhos nucleares, seja na área espacial. O trágico episódio da explosão do terceiro VLS brasileiro, com a perda de 21 mártires, é emblemático.

Até jatos supersônicos são proibidos. Fabricação de mísseis, nem pensar. Até a proibição da comercialização de armas e munições queriam impor ao povo brasileiro. As empresas nacionais seriam expulsas do mercado, e o Brasil ficaria dependente até da importação de um cartucho de 22. Desta forma, fica mais fácil intimidar e até agredir nosso território, direta ou indiretamente.

Os conceitos de Integração, Soberania e Integridade do Patrimônio Nacional são importantes para serem lembrados por todos nós, brasileiros, devido à insegurança vivenciada, gerada principalmente por pressões externas. Sofremos o risco de serem agravadas as tensões no plano social, com o acirramento e a indução de choques de caráter “racial”, religioso, étnico e até sexual ou de gênero.

As famigeradas ONGs e a mídia internacional, secundada pela mídia nacional, vão procurar jogar católicos contra protestantes e espíritas, brancos contra negros e índios e outros. Seu objetivo é abalar nossa coesão social, para fragilizar-nos.

Absurdas imposições externas e referendadas pelas últimas administrações, como o denominado sistema de “cotas raciais”, começam a criar conflitos antes inexistentes em nosso país.

Quanto à coesão territorial, estão acelerando o processo de demarcação de terras indígenas, para depois preparar o terreno para o “direito dos índios à autodeterminação” e para aplicar o “direito de ingerência dos mais fortes”. Isto lhes possibilitaria retalhar o território brasileiro, em especial a Região Amazônica, dividindo-a em quistos, a serem “protegidos” por uma força internacional de paz. Sob o pretexto de defender os direitos dos índios, pretendem explorar nossas riquezas e recursos naturais.

O revolver de chagas abertas há cerca de 50 anos, abrindo feridas que deveriam estar cicatrizadas, com a Lei da Anistia referendada pelo Supremo Tribunal Federal, por mais motivações que apresentem, representa justamente o desejo do inimigo externo.

Enquanto olhamos pelo espelho retrovisor, digladiando-nos ferozmente por várias razões, algumas justificáveis, outras não, em virtude da parcialidade evidente, dando voz a apenas um dos lados participantes da luta armada no país, os “donos do mundo” enxergam com farol de milha, deleitando-se com nossa divisão interna e avançando sem a devida resistência em nossas riquezas, afrontando nossa soberania.

O momento é de União. O passado foi-se. Nossos descendentes dependem daquilo que conseguirmos legar para eles. Sequer temos um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Chega de ódio e sentimento de vingança! Houve excessos de ambos os lados e, em nome do futuro, devemos lutar ombro a ombro contra as formidáveis ameaças existentes ao nosso Progresso.

Marcos Coimbra - Conselheiro diretor do Cebres, titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e autor do livro Brasil Soberano.

FONTE: Monitor Digital via Resenha do Exército

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venezuela_army_2013_05_14

vinheta-clipping-forte1O governo venezuelano está adotando um plano de combate à violência que acionou na segunda-feira cerca de 3 mil militares e policiais – principalmente no Estado de Miranda, governado pelo opositor Henrique Capriles – para reforçar a segurança no país. Nesta terça-feira, 14, o presidente Nicolás Maduro também aplicou a primeira etapa do aumento salarial que pretende dar às Forças Armadas.

O deslocamento das forças de segurança foi iniciado nos distritos caraquenhos de Sucre e Baruta que, localizados no Estado sob o governo do líder opositor derrotado nas duas últimas eleições presidenciais, são administrados por prefeitos também pertencentes aos rivais do chavismo.

“Decidimos lutar com toda nossa alma para construir uma pátria segura”, declarou Maduro na segunda-feira em cadeia nacional de rádio e TV, diante de batalhões de militares e policiais, no Forte Tiuna.

Capriles, que não aceita a derrota para Maduro na votação de 14 de abril, afirmou em uma entrevista à Unión Radio que “segurança não é simplesmente pôr as forças policiais ou o Exército nas ruas”.

O governador de Miranda – onde, segundo o governo federal, ocorreram 16% dos 3,4 mil assassinatos registrados no primeiro trimestre do ano – pediu um “plano integral” de segurança, que se concentre também na luta contra a impunidade e na reforma do problemático sistema carcerário venezuelano. O opositor contesta as cifras oficiais de violência em seu Estado, afirmando que 10% dos homicídios na Venezuela ocorrem em Miranda e qualificando os registros do governo federal de “politicagem”.

Favela.

“Exigimos que o Exército suba os morros. Diariamente nos roubam duas ou três motos”, disse nesta terça-feira José Vélez, membro de uma cooperativa de mototaxistas do Petare, uma das regiões mais violentas de Caracas, localizada no Estado de Miranda.

Visivelmente incomodado, Vélez afirmou que, na noite de segunda-feira, foi a primeira vez em muito tempo que viu policiais e militares patrulhando o local.

Assista ao vídeo de Maduro anunciando o aumento salarial às Forças Armadas:

 

FONTE: O Estado de S. Paulo

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audiencia_grande

vinheta-clipping-forte1O ministro da Defesa, Celso Amorim, apresentou em audiência pública no Senado Federal os principais projetos em curso para as Forças Armadas. Em sua exposição, disse que a concretização e a manutenção desses programas depende de investimento contínuo e voltou a defender que o volume de recursos dedicados à Defesa passe dos atuais 1,5% para 2% do Produto Interno Bruto (PIB), num prazo de dez anos. A audiência aconteceu na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

“A regularidade de investimentos na área militar é absolutamente imprescindível, porque de pouco adianta você ter um armamento que seja obsoleto ou que não funcione, você ter dez aviões e só poder usar cinco, ou três ou dois. Então, a constância dos recursos não só para os grandes projetos – para esses não têm realmente faltado – mas também para o esforço de manutenção é muito importante, é vital na área da defesa”, afirmou.

Celso Amorim iniciou a explanação lembrando a escolha do embaixador Roberto Azevêdo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o ministro, a vitória de Azevêdo mostrou a força dos países em desenvolvimento naquele organismo internacional. “Quero mencionar aqui a minha satisfação diante da importantíssima vitória do Brasil”, comemorou ao lembrar que um brasileiro está à frente também da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva.

Durante cerca de três horas, Amorim tratou também de temas como o Livro Branco da Defesa Nacional, a lei de incentivo à base industrial de defesa, as ações nas fronteiras brasileiras e o planejamento de segurança para os grandes eventos, que começam a ser colocados em prática com a Copa das Confederações e prosseguem com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2013, a Copa do Mundo Fifa 2014 e as Olímpiadas Rio 2016.
Leia, abaixo, alguns trechos da audiência pública realizada no Senado Federal.

Relação do MD com o Congresso Nacional

“Tenho sempre procurado manter um contato estreito e regular com as duas Casas do Congresso Nacional sobre todos os assuntos atinentes à pasta da Defesa, o que naturalmente reflete também a importância que o debate sobre os temas de defesa alcançaram na agenda política e na agenda pública brasileira. O acompanhamento atento da política de defesa pelo Congresso Nacional aprofunda um diálogo que é absolutamente indispensável para a vitalidade da democracia brasileira.”

Eleição de Azevêdo para OMC

“Talvez, antes de passar a um aprofundamento aqui ou a um detalhamento das minhas observações, eu gostaria apenas de mencionar, como esta é uma Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, também a nossa grande satisfação – eu sei que isso foi feito antes pelo senador Ricardo Ferraço – com a importantíssima vitória do Brasil –, e eu repito muito que é do Brasil, não é apenas de um governo, é um fato que vai se somando a toda uma capacidade de presença no mundo – com a eleição do Embaixador Roberto Azevedo para o cargo de Diretor-Geral do OMC. Como me tocou ser ministro das Relações Exteriores por tanto tempo, eu acho difícil não mencionar a importância desse fato.

A OMC é um dos órgãos principais da governança global dos três principais órgãos econômicos internacionais. A não ser num episódio muito peculiar em que o mandato foi dividido, ela nunca havia sido dirigida por um país em desenvolvimento. Isso ocorreu, como eu disse, de uma maneira muito peculiar por um tailandês, e nunca tinha sido seguramente por um latinoamericano.

Então, é uma grande vitória, é um motivo de regozijo. E eu digo isso porque o Brasil, com essas posições, Senadora, que vai assumindo, vai se tornando mais importante no cenário internacional. Obviamente, mais protagonismo traz também, algumas vezes, sentimentos de ordens variadas que têm implicação também para a Defesa.

Mas eu queria deixar registro dessa importante conquista e cumprimentar o meu colega Antônio Patriota por ter dirigido, sob orientação da presidenta Dilma Rousseff, esse processo.

É uma vitória importantíssima para o Itamaraty e, como Defesa e Relações Exteriores se complementam muito, eu não poderia deixar de fazer isso.”

Parlamento e política de defesa

audiencia0679“Mas volto a dizer aqui sobre a importância do Congresso Nacional e do Legislativo para a nossa política de defesa. A Constituição brasileira atribui ao Legislativo responsabilidades de extrema relevância sobre o trabalho do Ministério da Defesa, como a decisão sobre as leis orçamentárias, definição dos efetivos das Forças Armadas, passando pela aprovação de iniciativas ligadas a atividades nucleares e pela incorporação de tratados internacionais ao ordenamento jurídico brasileiro.

Não podemos esquecer que a Lei Complementar nº 136, de 2010, determinou também que os documentos que norteiam a defesa do País, a política nacional de defesa e a estratégica nacional de defesa, e o Livro Branco, que na realidade não é um documento normativo, mas é um documento expositivo, fossem também submetidos à apreciação desta Casa. E aproveito para agradecer a aprovação desses documentos pelo Senado Federal, que agora estão na Câmara. Espero que em breve possam ir ao Plenário.

Essas competências do Legislativo, muito especialmente do Senado, induzem à necessidade de uma perfeita sinergia entre o Executivo e o Legislativo. Tal sinergia se torna sinergia entre o Executivo e o Legislativo. Tal sinergia torna-se particularmente importante num momento atual em que observamos um novo posicionamento do Brasil no cenário internacional.”

Necessidade de investir em Defesa

“A estatura do país no século XXI requer Forças Armadas bem equipadas e adestradas para a proteção do nosso patrimônio e dos nossos recursos. Essa é justamente uma das dimensões da estratégia nacional de defesa, e cito textualmente, o vínculo entre o conceito e a política de independência nacional, de um lado, e as Forças Armadas, para resguardar esta independência de outro.

A inserção internacional do Brasil deve, portanto, conjugar a política externa à política de defesa. Baseia-se em dois níveis coordenados de proteção dos interesses nacionais, a ação diplomática, que antecipa crises e previne o seu surgimento, e ação militar, quando for necessária, quando os canais diplomáticos já não estiverem disponíveis. Uma defesa robusta é, em nossa opinião, um complemento indispensável de uma política externa pacífica, não há nenhuma contradição. Ás vezes, as pessoas perguntam por que um país pacífico como o Brasil precisa de uma defesa importante é porque justamente, tendo uma defesa, estaremos dissuadindo eventuais ameaças a nossa segurança, aos nossos recursos, conforme vou detalhar mais tarde.”

Importância do Ministério da Defesa

“O Ministério da Defesa é, como sabem, um ministério novo, que vai ainda completar 14 anos de vida, poderíamos dizer, se fôssemos comparar com uma pessoa que está ainda vivendo a sua adolescência, mas que vem se consolidando com algumas medidas importantes. Algumas delas foram tomadas ainda antes da minha gestão, desde o início, evidentemente, a criação do Ministério foi feita pelo governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso e, ao longo do governo do presidente Lula, várias medidas foram tomadas, sobretudo, em 2010, quando se consolidou o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e também se deu uma estrutura mais ampla ao ministério, com a criação de Secretarias como a Secretaria de Produtos de Defesa, a Secretaria de Ensino, Saúde e Desporto, além da Secretaria de Organização. Isso veio ocorrendo com o tempo, e, agora, mais recentemente, já no governo da presidenta Dilma, quando já me tocava ser ministro, lei e decreto aprovaram uma nova estrutura de cargos, ampliaram a estrutura de cargos do Ministério da Defesa, o que acentua essa natureza civil do Ministério.”

Criação do cargo de secretário-geral no Ministério

“Embora os instrumentos sejam naturalmente militares, predominantemente é um Ministério civil, e um dos cargos importantes criados foi o de secretário-geral, hoje presente aqui, na audiência, o  Ari Matos, que exerce este cargo, que é o equivalente aproximado dos cargos de Secretário-Executivo que existem nos outros ministérios. Claro que, como o Ministério da Defesa tem uma estrutura peculiar, que veio, digamos, se sobrepor à preexistência das Forças de maneira independente do próprio Estado-Maior das Forças Armadas no passado, a simetria não é exata. Na realidade, quem substitui o ministro são os Comandos Militares por um sistema de rodízio, mas a criação desse cargo que coordena toda a parte civil, mas que tem uma interface constante, inclusive, com a parte militar, tanto no que diz respeito a orçamento, pessoal, questões que dizem respeito às três Forças, à saúde, a parte toda de indústria, de defesa, de equipamento, a criação desse cargo de secretário-geral é de extrema importância. E quero agradecer aqui a compreensão que tivemos do Congresso Nacional, que aprovou celeremente essa nova lei que possibilitou finalmente, então, a criação do cargo. E também dentro desse contexto da criação do cargo.”

Instituto Pandiá Calógeras

“E também, dentro desse contexto da criação dos novos cargos, acho que é algo que deve ser ressaltado, a criação do Instituto Pandiá Calógeras, que é um instituto civil para pesquisa na área de defesa. É ainda algo muito embrionário. Na realidade, hoje consta apenas o seu titular, e estamos tratando de nomear agora uma segunda pessoa, além do pessoal de secretaria. Mas acho que é algo muito importante. Ele não vem se sobrepor nem, de maneira alguma, duplicar as funções da Escola Superior de Guerra que continuará atuando com suas funções de ensino e com suas funções também de pesquisa mais tipicamente militar. Mas era muito importante que existisse também um instituto civil para a área de defesa, até para trabalhar conjuntamente com nossa Secretaria de Ensino, conjuntamente com as Forças e com a Escola Superior de Guerra, no contato com a Academia, na futura preparação de currículos para a carreira de analista de defesa (analista ou gestor de defesa), que ainda é discutida internamente no Governo. Mas, enfim, é algo também muito importante.”

Reequipamento das Forças Armadas

“Eu seria, digamos, a última pessoa a negar que há uma necessidade de reequipamento de reaparelhamento. Agora, também eu acho que nós temos de colocar isso em perspectiva. E tem havido um incremento constante das dotações orçamentárias, às vezes há uma pequena oscilação de um ano para outro. Mas se nós compararmos, por exemplo, de 2005 a 2013, a parte que mais interessa, porque é a que estaria mais sujeita a oscilações, a parte de Custeio e Investimento, passou pouco mais de R$ 6 bilhões em 2005 e chegou a R$17,5 bilhões em 2013. Então, há uma considerável melhorar na situação que está muito longe de corrigir ou sanar todas as falhas que existem, mas há um esforço constante nesse plano.”

Orçamento e PIB

“Eu só queria fazer uma referência, en passant, até para termos uma base comparativa. Nosso orçamento tem oscilado, nos últimos anos, em volta de 1.5% do PIB, um pouco mais, um pouco menos. Embora tenha havido esse crescimento, que eu anotei, especialmente no que diz respeito a Custeio e Investimentos, se fizermos uma comparação com outros países, inclusive com os do Brics, grupo ao qual hoje o Brasil se associa em muitos aspectos, esse orçamento ainda é baixo. A média dos Brics – a média –, pois, se tomarmos países como a Rússia ou mesmo a Índia, será muito mais alto. Mas a média dos Brics é da ordem de 2.5%. A do Brasil é pouquinho abaixo: de 1.5%. Então, se me perguntassem qual seria uma meta razoável para o Brasil atingir, e nós entendemos razoável para o Brasil atingir, e nós entendemos claramente que isso não ocorre de um ano para o outro. Eu diria que, se nós, em 10 anos, chegássemos a 2% do PIB, até porque as Forças Armadas têm tido mais e mais tarefas, seria algo razoável.”

Incentivo à base industrial de defesa

“O governo da presidenta Dilma Rousseff está comprometido com essa necessidade de continuidade e tem buscado recuperar a capacidade de investimento estratégico do Brasil, contribuindo dessa forma para o renascimento da indústria de defesa.

Eu mencionaria aqui como muito importante – e contamos aqui com o apoio do Congresso e, especialmente, do Senado – uma lei que foi aprovada muito rapidamente, a Lei nº 12.598, sobre a empresa estratégica de defesa, que marca uma inflexão na política nacional. Além de instituir um marco regulatório para o setor, a lei diminui o custo de produção de companhias legalmente classificadas como estratégicas e estabelece incentivos ao desenvolvimento da tecnologia indispensável ao setor.

Essa lei já está regulamentada. Foi assinado, este ano, o decreto nº 7.970, que vai trazer de imediato a possibilidade de credenciamento das empresas estratégicas de defesa que farão jus a incentivos governamentais, com impacto direto na geração de tecnologia e no desenvolvimento econômico.”

Licitação especial

“Um dos aspectos importantes da lei é a criação de um termo de licitação especial, com o objetivo de favorecer as empresas nacionais que tenham realmente investido nesse setor, cujas cadeias produtivas estejam efetivamente colocadas no Brasil. Eu acho que isso é muito importante, porque a própria presidenta tem dito várias vezes que a indústria de defesa é uma indústria de conhecimento. Então, não houve país que desenvolvesse sua ciência e tecnologia sem indústria de defesa. Se você olhar, por exemplo, no caso dos Estados Unidos, naquela época – eu não tenho a estatística atual, mas não devem ter mudado substancialmente os números relativos –, 50% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento vinham através de encomendas do Pentágono. Então, a pesquisa militar é que gerou a indústria aeronáutica – como, aliás, é o caso no Brasil –, gerou a internet, que nós também estamos tentando desenvolver aqui.”

Os programas da Defesa

“Mencionei rapidamente aqui essa questão industrial e queria só fazer, digamos, uma referência aos principais programas, os programas prioritários da Defesa, que estão, aliás, explícitos na Estratégia Nacional de Defesa. E a segunda versão, já vista e apreciada no Senado, elenca como setores prioritários: nuclear, cibernético e espacial.

No setor nuclear, é óbvio. Quer dizer, a capacidade desenvolvida com o Programa Nuclear da Marinha tem uma vertente que é a propulsão nuclear do submarino, mas toda a capacidade desenvolvida e já alcançada de enriquecimento de urânio – o Brasil é um dos poucos países no mundo que têm essa capacidade – tem, naturalmente, interesse também para produção de eletricidade, para usos medicinais, que é de extraordinária importância.

E criamos no ano passado  o Centro de Defesa Cibernética, que já esteve ativo na Rio+20, que estará ativo nos grandes eventos e que começa a desenvolver uma capacidade em um dos setores mais importantes.

Programa espacial

FFB_0711“E no setor espacial é bastante óbvio, aí é uma área mais complexa, porque a competência primária sobre o Programa Espacial brasileiro é a da Agência Espacial, localizada no Ministério da Ciência e Tecnologia, mas cabe, digamos, basicamente à Força Aérea a execução de toda a parte relativa a lançadores. E aí os recursos têm sido menores do que talvez tivesse sido desejável.

Temos planejado o lançamento, um lançamento, digamos, experimental em 2014, se eu não me engano, e 2016 seria já um lançamento com carga útil, 2015 ou 2016, seria um lançamento com carga útil com o satélite.

Mas, se nós compararmos com outros países que têm, digamos, um nível de desenvolvimento semelhante ao nosso, nós temos que caminhar. E não é por dificuldade tecnológica. O Brasil desenvolveu toda a capacidade tecnológica. É, realmente, houve no passado, uma irregularidade muito grande nos recursos do Programa Espacial, ainda temos alguma dificuldade nesse sentido, mas é um programa ao qual damos grande importância.

E eu, digamos, entre as iniciativas recentes que têm a ver com ele de certa maneira, eu incluiria, tem a ver com outros aspectos da Ciência e Tecnologia, eu mencionaria a decisão de praticamente dobrar a capacidade discente e docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, que é onde as pessoas estão localizadas e também do CTA, do Centro Tecnológico da Aeronáutica. Não é dobrar, mas é um aumento, também, muito considerável de pessoal.”

Projetos no PAC

“Da mesma forma, a Marinha está empenhada no Projeto Barroso, que é o desenvolvimento num projeto de uma corveta, que já existe no ano passado, mas que tem que ser atualizado, e é um projeto integralmente nacional, não é apenas a construção no Brasil. O projeto é brasileiro, tem que ser atualizado.

Muito importante, também, nesse contexto, é o Projeto Guarani, do blindado sobre rodas. O ano passado nós tivemos uma importante aquisição permitida pelo parque nós tivemos uma importante aquisição de equipamentos permitida pelo PAC: cerca de 40 blindados, que formarão o primeiro lote que vai ajudar o Exército a testar, inclusive, a aprimorar a produção. Já temos o interesse, por exemplo, de alguns vizinhos nossos – entre outros, a Argentina – na aquisição do blindado Guarani, que vai substituir os antigos Urutus e Cascavéis. Acho que isso também é algo muito importante. E os recursos têm sido assegurados todos os anos.”

Fronteiras

“Temos programas do tipo Sisfron, que é um programa de vigilância nas fronteiras, ambicioso, de longo prazo, cujo custo total é de cerca de R$10 bilhões. É claro que vamos ter que, aos poucos, adequando isso às possibilidades, mas, mesmo este ano, a previsão é de mais de R$200 milhões. Portanto, não é algo desprezível. Creio que, no mês que vem, se não me engano – não é, general Enzo? –, vai ser inaugurado o projeto piloto do Sisfron em Campo Grande. Então, é algo bem concreto. Não estamos falando de algo longínquo, que não está ocorrendo.

Nesse contexto de outros projetos importantes, eu mencionaria também o KC-390, o avião cargueiro e reabastecedor que vai substituir os antigos Hercules, que todos conhecem: Hercules C-130. Ele não vai substituir só no Brasil. Ele vai, na realidade, concorrer internacionalmente para um mercado muito amplo, porque todos esses Hercules C-130 estão envelhecidos, são aviões muito antigos, de mais de 50 anos. E isso vai gerar uma nova demanda. Nesse contexto, não posso deixar de mencionar os aviões Super Tucano.

Hoje nós temos pouco menos de cem, noventa e poucos, na nossa Força Aérea. Já vendemos – acho que incluídas as encomendas que estão sendo feitas – cerca de 70 no mundo para os mais variados países na América do Sul, na América Latina, em geral, na África, mas também, recentemente, para os Estados Unidos.”

Operações Ágata

“Grandes e importantes ações de fronteira, que nós realizamos junto com o Ministério da Justiça – as operações Ágata, que nós coordenamos, e as operações Sentinela, que o Ministério da Justiça coordena. As operações Ágata são operações maciças, de grande presença do Estado, sobretudo de força dissuasória. As operações Sentinela dizem respeito ao dia a dia que vai sendo conduzido. Uma ajuda a outra.

Só para terem uma noção, o contingente utilizado, o contingente de militares, fora outras agências militares das Forças Armadas, variou entre 2,5 mil e 2,8 mil na primeira operação Ágata e chegou a um máximo de 12 mil – estou falando das seis que se realizaram nos dois últimos anos – e agora nós vamos realizar, em antecipação à Copa das Confederações, agora no final de maio, uma grande operação que vai abranger toda a fronteira brasileira e que vai envolver cerca de 25 mil efetivos apenas das Forças Armadas, além da colaboração estreita da Polícia Federal, das polícias estaduais, da Receita Federal e de outros órgãos. Então, há algo muito concreto em benefício direto da população brasileira.”

Por Raquel Ulhôa | De Brasília

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Com a realização de grandes eventos religiosos e esportivos no país, a aprovação de projeto de lei com a definição penal do crime de terrorismo terá prioridade na comissão mista do Congresso criada para consolidar a legislação federal e regulamentar dispositivos constitucionais. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), sub-relator do tema de segurança pública, apresentará proposta na quinta-feira. Prevê pena máxima de 30 anos de prisão, sem progressão de penas, e, por outro lado, isenção total de pena para o envolvido que colaborar com as investigações.

“No caso do terrorismo, o “arrependimento eficaz” tem que ter tratamento privilegiado e deixar de ser chamado de “delação premiada”. Como estímulo à colaboração em favor da sociedade, temos de isentar de pena o integrante de quadrilha que se arrepender, confessar e impedir que o crime ocorra, denunciando às autoridades”, diz Miro.

As penas serão aumentadas até a metade, se as condutas forem praticadas durante grandes eventos esportivos, culturais, educacionais, religiosos, de lazer ou políticos, nacionais ou internacionais. “O terrorismo é hediondo por si mesmo, independentemente do número de vítimas que provoca. Temos que chegar à pena máxima de 30 anos e discutir a mínima com critério.”

Para definir o terrorismo, Miro usa como base a tipificação proposta no projeto de novo Código Penal elaborada por comissão de juristas, agora tramitando na Casa. O deputado aumenta as penas fixadas na proposta (de 8 a 15 anos de prisão, que considera “ridículas”), e altera o texto para, entre outras coisas, evitar que ações de movimentos sociais possam ser enquadradas como terrorismo.

Em resumo, esse tipo de crime é definido como “causar terror na população” mediante várias condutas detalhadas no texto, como sequestrar ou manter alguém em cárcere privado; usar (ou ameaçar usar), transportar, guardar, portar, ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdo ideológicos ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa.

E incendiar, depredar, saquear, explodir, ou invadir qualquer bem público ou privado; interferir, sabotar, ou danificar sistemas de informática e bancos de dados; ou sabotar o funcionamento ou apoderar-se de controle de bens de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas, ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transmissão de energia e instalações militares.

Se a conduta é praticada com arma de destruição de massa ou outro meio capaz de causar grandes danos, o crime é qualificado e as penas aumentam.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) preside e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é o relator-geral da comissão criada pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), para propor a Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação de Dispositivos da Constituição Federal. O prazo é de 180 dias, podendo ser prorrogado.

Segundo o ato de criação, há 25 dispositivos na Constituição pendentes de regulamentação por leis complementares e 117, por leis ordinárias. Entre eles, a lei de greve do servidor público e o sistema financeiro. A ideia não é elaborar apenas propostas novas. Os projetos em tramitação serão analisados, segundo Jucá.

A regulamentação do terrorismo, previsto no artigo 5º da Constituição, de acordo com o relator, tem urgência por causa dos eventos programados para acontecer no país: Copa das Confederações em junho, visita do Papa Francisco em julho, para a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. O atentado terrorista na maratona de Boston aumentou a preocupação com a “lacuna” da legislação brasileira. Acordo entre Renan e Alves prevê que os projetos da comissão tenham rito especial de tramitação e sejam aprovados rapidamente.

Foram designados dez sub-relatores para os temas: os senadores Jucá – Direitos dos Trabalhadores, Ordem Econômico-Financeira, Tributação e Finanças Públicas -, Aloysio Nunes (PSDB-SP) – Servidores Públicos, Administração Pública -, Pedro Taques (PDT-MT) – Poder Executivo, Poder Judiciário, Estado de Defesa, Estado de Sítio -, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) – Competências Privativas do Poder Judiciário -, e Jorge Viana (PT-AC) – Organização do Estado.

E os deputados Miro – Segurança Pública e Proteção à Família Vítima de Crime -, Carlos Sampaio (PSDB-SP) – Seguridade Social, Saúde, Previdência Social, Educação, Cultura, Jovens, Índios -, Sérgio Zveiter (PSD-RJ) – Comunicação Social -, Arnaldo Jardim (PPS-SP) – Competências Privativas do Poder Executivo – e Edinho Araújo (PMDB-SP) – leis que precisam ser anuladas.

A Emenda Constitucional que estende ao empregado doméstico todos os direitos trabalhistas foi a primeira a ser tratada na comissão. A regulamentação está a cargo de Jucá, que aguarda estudos do governo para apresentar a proposta.

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

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Indústria da defesa aguarda efeitos da nova lei

Por Chico Santos e Francisco Góes | Do Rio

 

vinheta-clipping-forte1O novo arcabouço regulatório da área de defesa, recentemente regulamentado, está movimentando as empresas do setor e renovou as expectativas de uma retomada da expansão dessa indústria, o que não ocorre desde os anos 1980. No fim de março, o governo regulamentou, pelo Decreto 7.970, a Lei 12.598, de 2012, que estabelece normas especiais para compras de produtos e sistemas de defesa. Ao mesmo tempo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está estruturando um programa de apoio ao setor que, segundo o Valor apurou, deverá estar pronto a partir do segundo semestre deste ano.

Mas em meio à esperança, parte do setor mostra-se ressabiada. A expectativa já dura cerca de dois anos, desde a inclusão da área no Plano Brasil Maior, sem efeitos nas encomendas. E ainda há regulamentação pendente na área fiscal, uma das pernas mais importantes de nova política. “É positivo, estamos no caminho certo, mas as ferramentas ainda não estão prontas”, disse Sami Hassuami, presidente da Avibras, uma das principais do setor, e da Associação Brasileira das Empresas de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde). “O Decreto 7.970 não é suficiente”, ressalta. E afirma que ainda falta, por exemplo, a regulamentação pelo Ministério da Fazenda do Regime Especial Tributário do Setor de Defesa (Redit), criado pela Lei 12.598 há mais de um ano.

Do lado do BNDES, o Valor apurou que, mesmo ainda não tendo recebido a aval da diretoria da instituição, o novo programa caminha sem obstáculos. Ele deverá valer-se de mecanismos tradicionais de financiamento do BNDES, incluindo operações de crédito e a possibilidade de o banco comprar participações acionárias nas chamadas Empresas Estratégicas de Defesa (EEDs), figuras jurídicas de controle nacional, com base industrial no país e que invistam em inovação. Mesmo sem contar com uma ferramenta nova, o programa está sendo desenhado para oferecer condições mais favoráveis para os investimentos das EEDs.

Essas condições podem passar até pela taxa de juros. Também haverá estímulo para as empresas investirem em tecnologia, com apoio à inovação. A exportação é outra área que deverá ser estimulada pelo BNDES. Até agora o banco vinha apoiando as indústrias de defesa sem um foco específico. Em 2012, desembolsou R$ 48 milhões no setor. No total, o banco tem hoje em carteira projetos da indústria de defesa que somam R$ 107 milhões em financiamentos. Os projetos encontram-se em diferentes fases de tramitação, desde a análise até a aprovação e contratação.

A criação de um programa específico pelo BNDES para atender às necessidades da indústria de defesa se insere na atual política industrial do governo dentro do Plano Brasil Maior. O programa também é resultado da política de reaparelhamento das Forças Armadas prevista pela Estratégia Nacional de Defesa (END). Ainda não é possível dimensionar, porém, o efeito do programa de apoio do BNDES sobre os investimentos do setor, o que vai depender da demanda criada pelo próprio governo. Neste mês, o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) deverão lançar edital para incentivar projetos de inovação tecnológica nas áreas aeroespacial e de defesa.

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O problema é que a longa espera por uma nova política para o setor está deixando os empresários e executivos tensos e céticos. Hassuami acha que o processo de gestação ainda vai levar de um a dois anos para ficar azeitado. A política promete, entre outras coisas, assegurar a compra pelas Forças Armadas de equipamentos nacionais mesmo que sejam até 25% mais caros do que os importados e vai também isentar de tributos federais componentes importados para esses equipamentos, por meio do Redit, além de prover financiamentos das agências oficiais.

“A gente ainda não está acessando esse dinheiro”, disse Hassuami. A Avibras, segundo ele, vai depender de financiamento do BNDES para completar investimentos de R$ 90 milhões necessários ao atendimento dos pedidos em carteira, domésticos e externos. Esses pedidos, mesmo fora da nova política, deverão elevar o faturamento da empresa de R$ 180 milhões no ano passado para R$ 400 milhões neste ano e R$ 600 milhões em 2014.

O diretor regional de São José dos Campos (cidade que concentra a maior parte do setor de defesa e aeroespacial do país) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Almir Fernandes, é outro que se mostra na expectativa. “Pelo que a gente sente, para as empresas associadas não houve nenhum efeito prático até o momento.” A maior parte das empresas citadas por Fernandes trabalha como fornecedora da Embraer e, segundo ele, está trabalhando a 60% ou, no máximo, 80% da capacidade, enfrentando dificuldades desde a crise internacional de 2008.

“O Brasil ficou décadas parado e está há seis anos preparando o que agora, espero, começa a se efetivar”, disse Agliberto Chagas, gerente-executivo do Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi). Segundo ele, por ser “altamente intensivo em tecnologia” o setor aeroespacial e de defesa precisa de dos insumos fundamentais: pessoal com formação especializada, aspecto que o sistema de ensino da região de São José dos Campos vem suprindo a contento, e de capital que, ele espera, está agora sendo providenciado. “Acredito que o Brasil está colocando ordem na casa.”

Para o especialista em assuntos militares Expedito Bastos, professor da Universidade Federal de Juiz de fora (UFJF), apesar das perspectivas geradas pela nova legislação, o quadro atual dá a impressão que o Brasil está recomeçando do zero, como teria feito em três outras iniciativas para desenvolver sua indústria de defesa. Segundo ele, no momento o país está fazendo “compras de ocasião”. Cita a compra, na Alemanha, de equipamentos para uso em eventos como a vinda do papa ao Brasil e a Copa das Confederações. Bastos disse que a Embraer, mais voltada para a área civil, e a Avibras são remanescentes das vitórias que o país tinha obtido nos anos 80 e desconfia de associações que estão sendo feitas por empresas brasileiras não especializadas (empreiteiras) com firmas estrangeiras altamente especializadas. “Essas empresas vão acabar apenas colocando suas tecnologias aqui”, prevê.

FONTE: www.valor.com.br

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vinheta-clipping-forte1O Japão celebrou oficialmente pela primeira vez neste domingo o 61º aniversário da reconquista de sua soberania, após a derrota na 2ª Guerra Mundial. O evento é uma intensificação da campanha nacionalista do primeiro-ministro Shinzo Abe.

Após assumir o cargo em dezembro do ano passado, Abe focou principalmente em melhorar a economia. Mas recentemente ele mudou o foco para perseguir sua agenda conservadora. O marco do aniversário é visto como um passo para angariar apoio para a revisão da Constituição japonesa, de forte inspiração pacifista, feita durante o período de intervenção dos Estados Unidos. O partido conservador de Abe denunciou durante anos que a atual Constituição foi imposta pelos norte-americanos, que ocuparam o país do final da 2ª Guerra Mundial, em 1949, até 1952.

No mês passado, o Conselho de Ministros aprovou um plano do partido para designar a data de 28 de Abril como o dia “da recuperação da soberania” no Japão e, neste domingo, a cerimônia foi o primeiro evento patrocinado pelo governo para lembrar o dia. Eventos similares foram organizados anteriormente de forma privada, entre alguns legisladores ultraconservadores, principalmente do Partido Liberal Democrático, de Abe.

As comemorações deste domingo estavam repletas de rituais nacionalistas, considerados símbolos do regime que levou o Japão a diversos confrontos com seus vizinhos asiáticos no Século XX. A cerimônia começou com o polêmico hino “Kimigayo” (“Reino de sua Majestade”) e terminou com saudações para o imperador Akihito. Houve também a subida de um enorme sol decorativo no centro do palco.

Durante a cerimônia, Abe instou os Japoneses a marcar o dia em seus corações, comprometendo-se a fazer do Japão um forte país com orgulho nacional. Ele disse que há 61 anos atrás, os japoneses tinham grandes esperanças e compromisso para fazer um melhor Japão, acrescentando que hoje em dia as pessoas precisam atender a essas expectativas. “Nós somos obrigados a fazer um Japão forte e resistente para que nos tornemos um país com o qual o resto do mundo possa contar”, disse o primeiro-ministro. Abe falou que está procurando fazer do Japão uma nação melhor e “mais bonita”. Essa é a sua frase favorita, mas os críticos dizem que tem um tom nacionalista.

A cerimônia foi a última de uma série de eventos nacionalistas e observações que incitaram duras reações nos países vizinhos, que sofreram agressões do Japão nos tempos de guerra. As visitas de vários ministros e quase 170 legisladores ao santuário de guerra de Tóquio esse mês teriam enfurecido a China e a Coreia do Sul. O Santuário Yasukini relembra a morte de 2,3 milhões pessoas, incluindo 14 mandatários japoneses condenados por crimes de guerra.

Abe também provocou a China e a Coreia do Sul ao dizer que não há uma clara definição de “agressão” e que o Japão não irá “sucumbir a qualquer tratado”. O primeiro-ministro ainda fez campanha para o reconhecimento das Forças de Autodefesa do Japão como um corpo nacional de pleno direito, para a revisão das desculpas japonesas para as atrocidades cometidas pelo seu Exército Imperial, antes e durante a 2ª Guerra Mundial, e para atualizar o status do imperador para chefe de Estado.

Celebrando 28 de abril como o dia de recuperação da soberania provocou duras críticas do sul da ilha de Okinawa, onde a ocupação dos EUA continuou até 1972. Na cidade de Ginowan, milhares de manifestantes fizeram um comício em um parque para protestar contra a cerimônia. Okinawa é atualmente o lar de cerca de três quartos das tropas norte-americanas alocadas no Japão, sob os termos de um pacto de segurança bilateral. O governador de Okinawa, Hirokazu Nakaima, boicotou a cerimônia deste domingo. As informações são da Associated Press.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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Intrigas palacianas em Pyongyang

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NICHOLAS EBERSTADT, THE NEW YORK TIMES, É MEMBRO DO AMERICAN ENTERPRISE INSTITUTE – O Estado de S.Paulo

vinheta-clipping-forte1A política arriscada empreendida por Pyongyang é um sinal de fraqueza, não de força. Os problemas atuais do regime norte-coreano são, em grande parte, obra de Kim Jong-il, que morreu há um ano e meio.

Ele não foi apenas um governante péssimo, mas também nefasto. Foi o cérebro por trás do fracasso monumental da economia da Coreia do Norte que, sob sua vigilância, registrou o pior desempenho de qualquer Estado industrializado.

Ele foi também o arquiteto da única situação de fome em tempo de paz a atingir uma sociedade urbana e alfabetizada.

Muitas das vítimas desse desastre foram designadas oficialmente membros das “classes hostis” – ou inimigos do Estado -, de maneira que o regime não lamentou as mortes.

Mais do que Stalin ou Mao, em sua busca do poder absoluto, Kim Jong-il destruiu o aparelho de Estado. Não menos atroz para um governante dinástico, também falhou na sua sucessão.

Ele próprio foi preparado para o comando durante quase um quarto de século antes da morte do seu pai, o “grande líder” Kim Il-sung. Mas não se preocupou em nomear um herdeiro até ficar incapacitado por um acidente vascular cerebral em 2008. Seu escolhido, o filho Kim Jong-un, foi posto às pressas no poder em 2010, antes da morte do pai.

Não é surpresa, portanto, o fato de Kim Jong-il ser universalmente (ou talvez secretamente) repudiado pelas elites da Coreia do Norte, que o acusam de deixar como legado uma nação arruinada. Kim Jong-un, o filho, quase admitiu isso em julho, durante um discurso no Partido dos Trabalhadores da Coreia, afirmando que as autoridades do país ainda tinham “um fraco entendimento” do patriotismo do pai.

A semelhança física de Kim Jong-un com Kim Il-sung pode ajudá-lo a se distanciar do legado direto deixado por seu pai, mas ele não conseguirá resolver os problemas que herdou simplesmente imitando o estilo de oratória apaixonado do avô.

O trono não é exatamente incontestado. Ele tem dois irmãos e o mais velho, Kim Jong-nam, denunciou publicamente a última transferência de poder.

O anúncio feito por ele no ano passado de que se casara e o fato de sua mulher estar grávida podem ser vistos em parte como uma apólice de seguro de vida.

Existe ainda a questão de assegurar o próprio Estado, o que já provocou algumas mudanças nos escalões mais altos. Três dos sete homens que acompanharam Kim Jong-un no carro fúnebre de Kim Jong-il durante seu funeral foram atingidos desde então por enfermidades políticas: rebaixamento, eclipse e morte.

Esses fatos provariam que o partido está retomando seu controle sobre o Exército e os órgãos de segurança do Estado.

A Coreia do Norte tem objetivos internacionais na propagação de sua crise. Mas a demonstração de poder nuclear de Pyongyang tem como objetivo também fortalecer internamente a autoridade do jovem líder. A mídia estatal norte-coreana saiu do seu padrão para referir-se a Kim como “querido e respeitado líder”. Diante da lógica orwelliana da propaganda de Pyongyang, isso poderia ser um indício forte de que o rei menino não é nem querido e nem respeitado em seu próprio país.

Essa é exatamente a razão pela qual os governos ocidentais devem refrear seu impulso de estabelecer negociações de alto nível com Pyongyang.

Qualquer ostentação diplomática inevitavelmente será alardeada na Coreia do Norte como uma concessão feita pelo seus inimigos externos. Ele não deve receber esse presente.

Deixar que Pyongyang saiba que suas provocações só lhe trarão prejuízos pode ajudar a mudar os cálculos do regime. E desencorajar a Coreia do Norte a recorrer à chantagem militar internacional, hoje e no futuro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

FONTE: Estado de S. Paulo

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Paraguai: Lugo era ‘tigre de papel’

vinheta-clipping-forte11. A destituição do presidente Lugo pelo Congresso do Paraguai foi traduzida pela família bolivariana como um golpe contra um grande líder popular. Nenhum tipo de constrangimento Lugo sofreu. Movimentou-se com liberdade total. Deu quantas entrevistas entendeu à imprensa. E finalmente se garantiu a ele o direito de se candidatar a Senador agora em 2013.

2. A eleição de Senador no Paraguai tem a mesma característica da de Presidente da Republica. Vota-se numa lista onde só aparece o nome do cabeça da lista e seu número. E a base é todo o país, exatamente como a de Presidente. O Presidente eleito Horacio Cartes obteve uns 46% dos votos e a lista de sua Senadora Lilian Samaniego na cabeça uns 35%.

3. O liberal Efraim Alegre veio em segundo para Presidente com uns 37% dos votos e a lista de seu Senador Blas Llano uns 25%.

4. Lugo puxou a chapa de senador e fez uma dobradinha informal com um popular apresentador de TV para presidente Mário Ferreiro, que teve todo o apoio da família bolivariana. A chapa do senado com Lugo na cabeça obteve menos de 10% dos votos, Ferreiro 5% e o candidato a presidente da Frente Guazu, de Lugo, obteve 3,5%. Com tudo agregado o tamanho da família bolivariana não atingiu nem 10%.

5. Os Colorados voltam ao poder. São 40 anos com o interstício de Lugo. Seu candidato Horacio Cartes nunca votou (voto voluntário) e o fez pela primeira vez agora em 2013. Já esteve comprometido até a alma com contrabando de fumo/cigarro e problema de lavagem de dinheiro, que lhe valeu alguns meses de prisão.

6. Cartes – nas circunstancias do fracasso da família bolivariana – passou a ser o candidato preferencial dos governos do Brasil e da Argentina. As portas para a normalização da situação do Paraguai – Mercosul… – estão mais que abertas: estão escancaradas.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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vinheta-clipping-forte1O Plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (16), o texto de acordo firmado entre o Brasil e a Alemanha sobre cooperação em matéria de defesa, assinado em novembro de 2010. A cooperação poderá envolver assuntos relacionados à política de defesa, bem como a treinamento e operações militares. Também permite tratar de pesquisa e desenvolvimento, aquisição de produtos e serviços de defesa, além de apoio logístico.

Examinado por meio de projeto de decreto legislativo (PDS 32/2013), o acordo pode se estender a temas de assessoramento em equipamentos de defesa e intercâmbio de informações relacionadas a assuntos de segurança institucional.

O acordo permite ainda incluir compartilhamento de conhecimentos e experiências sobre prevenção de conflitos internacionais e operações de gerenciamento de crises, assim como outras áreas no domínio da defesa que possam ser de interesse mútuo.

O acordo, já ratificado pela Câmara dos Deputados, foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado na semana passada.

Se definitivamente confirmado, o acordo deverá entrar em vigora 30 dias após a notificação ao governo alemão do cumprimento de todos os requisitos legais internos. A matéria vai à promulgação.

FONTE: Jornal do Senado vai Resenha do Exército

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Military-Sequestration-Infographic

Denise Chrispim Marin

 

vinheta-clipping-forte1Segundo plano enviado pelo governo americano semana passada ao Congresso, a receita para os militares totalizará US$ 526,6 bilhões em 2014. Até 2023, o Pentágono se verá obrigado a cortar US$ 350 bilhões de seus gastos. O Congresso tende a aprovar os números. Adotado dia 1º de março em razão da ausência de acordo no Congresso sobre a redução de despesas no longo prazo, o “sequestro” já impôs à Defesa um corte adicional de despesas de US$ 41 bilhões até 30 de setembro, quando termina o ano fiscal de 2012. Para o de 2014, o Pentágono terá um orçamento de US$ 475 bilhões, 10% maior que o deste ano.

“O sequestro contribui para o maior corte no orçamento de Defesa em um único ano desde a redução que se seguiu à Guerra da Coreia, em 1955”, afirmou Todd Harrison, do Center for Strategic and Budgetary Assessment. Outras reduções expressivas ocorreram nos dois anos de paz do governo de Ronald Reagan (1981-1989) e desde o fim da gestão de George W. Bush (2001-2009), concluiu Robert Zarate,da Foreign Policy Initiative.

O valor sugerido por Obama para a Defesa em 2014 não é modesto. A questão é como gastá-lo, levando-se em conta os desafios dos EUA de manter o combate ao terrorismo, evitar um conflito na Península Coreana e preservar um equilíbrio de forças no Leste Asiático. O Pentágono está preso a despesas crescentes com salários e benefícios para militares, civis da ativa e aposentados que,em2012,consumiram 34% de seus recursos.

As tropas do Exército e dos marines estão em redução desde o fim da Guerra do Iraque, em 2011, e o início da retirada das forças americanas do Afeganistão, a ser completada em dezembro de 2014. No ano passado, o Pentágono anunciou plano de diminuir 100 mil militares de sua folha de pagamento. Entre 2001 e 2010, porém, o número de funcionários civis aumentou de 100 mil para 800mil. O custo com as operações e treinamento em tempo de paz consumirá 40% da receita em 2021 se não houver mudanças estruturais. Juntas, essas duas fontes de gasto tendem a devorar todo o orçamento do Pentágono em 2024.

FONTE: O Estado de S. Paulo via Resenha do Exército

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…Fernando Henrique foi Castello Branco e Lula, outro Médici. O ciclo econômico do regime militar se repete

 

Samuel Pessoa

vinheta-clipping-forte1No Brasil, nem a sociedade nem as elites que tomam as decisões têm convicção de que os mercados precisam de liberdade para funcionar bem. A adoção de políticas favoráveis a essa liberalização vem e vai em ciclos. Normalmente, um ciclo desses começa por causa de um cenário externo, que nos joga em direção à liberalização. No entanto, choques também externos que atinjam a economia servem de pretexto para que o penoso processo seja abandonado. A elite dirigente se volta, então, ao remédio de sempre: o Estado.

Que fique claro, não o Estado em sua função fundamental de tributar a sociedade e, em troca, oferecer serviços de seguro social, que protejam o cidadão das oscilações e riscos naturais de uma economia de mercado. Não o Estado que exerça seu saudável papel de reduzir as desigualdades herdadas do passado e as construídas pelo funcionamento do mercado. O Estado que se busca como remédio teria a capacidade de promover o desenvolvimento. Teria a capacidade de vislumbrar, por algum critério, quais setores produtivos são prioritários e dirigiria a eles os esforços públicos e privados.

Diferentemente do que se pensa, há conflito entre os dois Estados. O Estado de bem-estar social e o Estado desenvolvimentista disputam verbas do orçamento público. Não é por outro motivo que, dos anos 1950 aos 1970, no período do nacional-desenvolvimentismo, o Estado brasileiro investiu, em média, ridículo 1% do PIB em educação fundamental. Ao mesmo tempo, a taxa anual de crescimento da população beirou 3%. A conseqüência desse subinvestimento em educação foi a tragédia social dos anos 1980: favelização das grandes cidades, deterioração dos espaços públicos e explosão da criminalidade.

A falta de convicção da elite dirigente, à direita e à esquerda, nas instituições liberais de regulação econômica produz ciclos que se repetem com surpreendente semelhança. Não se requer do analista capacidade superior de observação para enxergar a repetição compulsiva, nem se trata de repetição burlesca de tragédias anteriores. Trata-se de repetição simples, como se a sociedade teimasse em não aprender. Nos últimos 50 anos, vivemos dois ciclos idênticos, em que um cenário externo leva à liberalização econômica. Depois, retomamos o crescimento, o cenário externo muda, recuamos nas reformas, estatizamos a economia e, no fim, reduzimos novamente nosso potencial de crescimento.

O primeiro desses ciclos iniciou-se no governo do presidente Humberto de Alencar Castello Branco (1964 a 1967), em seguida ao golpe que instituiu a ditadura militar. Os Estados Unidos e a Europa Ocidental cresciam vigorosamente. O Programa de Ação Econômica (Paeg) do novo governo brasileiro, entre outras medidas, promoveu uma reforma tributária, trabalhista, creditícia e monetária, além da redução das tarifas de importação, o que abriu a economia ao comércio exterior. Um conjunto enorme de leis e emendas constitucionais somente possíveis em períodos de exceção criou as bases para a retomada posterior do crescimento. A maturação das reformas institucionais do Paeg, em associação com um ciclo de crescimento da economia mundial, produziria as fortíssimas taxas de crescimento observadas no período do “milagre econômico”, até os anos 1970.

Mas o primeiro choque externo do petróleo, em 1973, interrompeu o período do milagre. A resposta da política econômica, sob o presidente Ernesto Geisel (1974 a 1979), foi expandir o papel do setor público na função de promotor do desenvolvimento. Uma solução alternativa teria sido permitir a desaceleração ou até o encolhimento da economia, por certo período, para que os diversos setores absorvessem a perda de renda. Essa perda era real, já que o que o Brasil importava (petróleo) se tornara relativamente muito mais caro do que o que o país exportava. Mas admitir essa realidade estava fora de questão. Naquele momento, a sustentação política do regime de exceção dependia do crescimento.

O governo lançou um segundo Programa Nacional de Desenvolvimento (II PND). O plano exigia atrair capital externo, para compensar a falta de poupança doméstica e manter o ritmo dos investimentos. Houve forte endividamento de empresas privadas, com aval do Tesouro Nacional, para bancar projetos duvidosos. Futuramente, essa dívida seria estatizada. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a atuar mais intensamente. Ficaram famosos os empréstimos do banco com juros nominais prefixados, num período de inflação ascendente. Começou um descasamento no balanço do setor público: seu ativo – ou os créditos que acumulava com o setor privado – era expresso nominalmente, em moeda nacional. Seu passivo – ou a dívida com o setor privado doméstico e externo – era atrelado a algum índice de preços ou ao dólar. À origem do problema era clara: o governo e agências do governo tomavam dinheiro pagando juros mais altos e emprestavam dinheiro cobrando juros mais baixos.

Além da mão pesadíssima do Estado na direção do investimento e seu envolvimento financeiro direto, assumindo riscos monumentais, houve um processo de convivência com a inflação e diversas tentativas de controle direto de preços. Outro elemento importante do pacote foi a adoção, nos projetos incentivados pelo setor público, de objetivos ambiciosos e irrealistas de conteúdo nacional e de internalização praticamente de toda a indústria de bens de capital. A economia se fechou ao comércio internacional. O resto da história é conhecido e triste. Tornamo-nos, nos anos 1980, uma nação comparativamente mais pobre, desigual e atrasada.

Diversos estudos mostram que a aceleração do crescimento no período do milagre econômico foi essencialmente um fenômeno de produtividade. Ou seja, com um mesmo nível de crescimento do uso do trabalho e do capital, a economia passou a ser capaz de crescer mais. A precedência temporal do Paeg e a natureza do crescimento no período posterior – resultante de forte avanço da produtividade – sugerem que o milagre econômico resultou da melhora institucional promovida pelo Paeg. Há toda uma literatura teórica e empírica recente que sugere que a produtividade resulta de melhoras institucionais.

Estamos agora no ponto ruim de um segundo ciclo, igual àquele encerrado nos anos 1970. Observamos a aceleração de crescimento na passagem do governo de Fernando Henrique Cardoso para o governo Luiz Inácio Lula da Silva. A aceleração, de pouco mais de 1,5 ponto percentual, foi integralmente fruto da aceleração da produtividade. Não houve aceleração nas taxas de crescimento das horas trabalhadas nem do estoque de capital. Não coincidentemente, a aceleração do crescimento foi precedida por um período de liberalização da economia, desta vez bem mais longo que o do governo Castello Branco. A reforma feita na democracia é mais custosa e lenta do que na ditadura, mas também mais sólida.

O longo período de reformas da economia que abriu o novo ciclo iniciou-se antes do governo FHC, com a abertura no governo Fernando Collor de Mello. Terminou nos primeiros três anos do governo Lula, quando, com Antonio Palocci à frente do Ministério da Fazenda, muitas reformas elevaram a eficiência da intermediação financeira e permitiram o funcionamento de diversos mercados. A crise deflagrada pelas hipotecas de má qualidade nos Estados Unidos, em setembro de 2008, serviu de justificativa para que houvesse forte inflexão na política econômica. Isso nos jogou na fase final do ciclo. Entre outros elementos, a mudança na política econômica inclui:

- alteração no regime de câmbio flutuante para fortemente administrado. Nos últimos anos, vigora na prática o regime de câmbio fixo;

- tolerância com inflação maior. Há percepção generalizada de que o Banco Central trabalha com uma meta informal de 5,5% ao ano de inflação;

- controle de preços para tentar conter a inflação. Isso é visível nos combustíveis e na política de desoneração tributária;

- expansão do papel do BNDES na intermediação do investimento. Como nos anos 1970, as opções do banco são altamente questionáveis. Não há literatura que sustente que a política de criar empresas campeãs nacionais alavanque o crescimento;

- tendência a fechar a economia ao comércio internacional;

- direcionamento da política de desoneração tributária a alguns setores ou bens, em vez de estendê-la de forma equitativa a todos os setores produtivos;

- aumento do papel do Estado e da Petrobras no setor de petróleo. Isso ocorreu com o novo marco regulatório para o pré-sal. Ele dificulta os novos leilões de áreas a explorar;

- aumento da dificuldade do governo federal para desenhar leilões de concessão de serviços de utilidade pública.

Esse conjunto de medidas de política econômica responde, em parte, pela redução do potencial do crescimento da economia a que temos assistido nos últimos anos. Desde a saída de Palocci do Ministério da Fazenda, completou-se a última etapa da repetição: a excessiva intervenção do Estado reduz a eficiência da economia e nos leva de volta a níveis baixos de crescimento.

Essa interpretação é de um pesquisador que se filia à visão institucionalista do desenvolvimento econômico. Um pesquisador formado na tradição do estruturalismo latino-americano considerará essencialmente correto o pacote de políticas adotado desde a inflexão na condução de política econômica de 2008. A convivência de diferentes visões de mundo ou ideologias é inerente à ciência social. A complexidade do fato social impede que haja experimento empírico capaz de dirimir divergências.

Do ponto de vista da economia política, não há, na sociedade brasileira, uma sólida base de apoio e consenso favorável ao Estado desenvolvimentista. Há, sim, forte consenso favorável ao Estado de bem-estar social. Suas bases foram estabelecidas na Constituição de 1988 e, eleição após eleição, têm sido referendadas pelos eleitores. Não enxergo a possibilidade de qualquer grupo político ter como agenda a redução do Estado de bem-estar social. Mas, se persistir a dificuldade do novo desenvolvimentismo em produzir crescimento, é natural esperarmos uma ou mais candidaturas defendendo um modelo mais liberal na economia.

FONTE: Revista Época via Resenha do Exército

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Movimentos, partidos e meios de comunicação progressistas e anti-imperialistas enviaram nesta terça-feira (2) uma declaração de solidariedade e apoio à embaixada da República Popular e Democrática da Coreia em Brasília

 

pcdobA escalada da tensão na Península Coreana, com a participação direta dos Estados Unidos, tem aumentado a pressão e a preocupação com um possível conflito internacional, apesar dos pedidos reiterados por diálogo enquanto a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA, toma medidas belicistas.

Neste contexto, movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações enviaram a seguinte declaração à embaixada da Coreia Popular:

Senhor Embaixador da República Popular e Democrática da Coreia;

A campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real.
Apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia, os Estados Unidos tem enviado para a Coréia do Sul os bombardeios nucleares estratégicos B-52 e, em seguida, outros meios sofisticados como aeronaves Stealth B-2, dentre outras armas.

Os exercícios com esses bombardeios contra a RDP da Coréia são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável.

As atuais situações criadas na península coreana e as maquinações de guerra nuclear dos EUA e sua fantoche aliada Coréia do Sul além de seus parceiros que ameaçam a paz no mundo e da região, nos levam a afirmar:

1. Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país;

2. Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear contra a RDP da Coréia;

3. Incentivaremos a humanidade e os povos progressistas de todo o mundo e que se opõem a guerra, que se manifestem com o objetivo de manter a Paz contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA.

Conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial, as entidades abaixo manifestam esse apoio e solidariedade.

Brasília, 02 de abril de 2013.

PCdoB, PT, PSB, Cebrapaz, CUT, MST, MDD, UJS, UNE, Unegro, Unipop, CDRI, CDR/DF, MPS, CMP, CPB, Telesur, TV Comunitária de Brasília, Jornal Revolução Socialista.

Com informações do Cebrapaz – DF

FONTE: www.pcdob.org.br

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vinheta-clipping-forte1passagem_comando_tarde1Novos oficiais assumiram o comando das subchefias de Inteligência Estratégica (SCIE) e de Política e Estratégia (SCPE) do Ministério da Defesa (MD). Na primeira, a responsabilidade fica a cargo do brigadeiro Omar Juan Wara, e na segunda do general César Augusto Nardi de Souza.

Tanto a SCIE quanto a SCPE são órgãos ligados à Chefia de Assuntos Estratégicos (CAE) e têm como missão assessorar o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), em assuntos internacionais e relacionados à política, estratégia, inteligência e contrainteligência.

A cerimônia de troca de funções aconteceu na tarde de ontem (04), no Salão Nobre do MD, e foi presidida pelo chefe de Assuntos Estratégicos, almirante Carlos Augusto de Sousa.

Inteligência

Na subchefia de Inteligência Estratégica, o brigadeiro Wara substitui o brigadeiro Roberto Carvalho – no setor desde agosto do ano passado. Roberto agora vai estar à frente do 5º Comando Aéreo Regional, localizado em Canoas (RS).

No período em que passou pela SCIE, o brigadeiro Roberto efetuou a revisão do Plano de Inteligência de Defesa, coordenou tarefas com vistas à participação da subchefia em atividades relacionadas aos Grandes Eventos e integrou as ações do órgão à Chefia de Operações Conjuntas, também do MD.

Em seu discurso de despedida, disse que buscou atender às diretrizes contidas na Estratégia Nacional de Defesa, que determina o aperfeiçoamento do sistema de inteligência de defesa e a formulação de diagnósticos conjunturais de prospecção da política e estratégia nos campos nacional e internacional.

Agradeceu o apoio recebido, durante sua jornada na área, pelos integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência, como os Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores; os Estados-Maiores da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e os centros de inteligência das Forças, além do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia). Por fim, Roberto desejou sucesso ao seu substituto, brigadeiro Wara, “em seu primeiro cargo como oficial general”.

Antes de ser designado para o MD, Wara era chefe da Divisão Administrativa do Centro Logístico da Aeronáutica, situado em São Paulo (SP).

Política

passagem_comando_tarde2aNa subchefia de Política e Estratégia, o general César Augusto Nardi de Souza substitui o general Carlos Cesar Araújo Lima – à frente da SCPE desde agosto do ano passado. Araújo Lima será o novo comandante da 10ª Região Militar, em Fortaleza (CE).

Durante a solenidade, o general substituído relembrou sua longa trajetória no ministério (mais de 400 dias), onde ficou responsável, também, pela subchefia de Integração Logística (Subilog). Dessa maneira, agradeceu, citando nome a nome, todas as pessoas que trabalharam com ele nos dois órgãos internos – desde o chefe até seus secretários, estagiários e motorista.

“Nos últimos seis meses no Ministério da Defesa pude trilhar caminhos bastante complexos, mas muito interessantes sob o ponto de vista da Defesa. Destaco nesse momento a oportunidade que tive de assessorar o chefe de Assuntos Estratégicos na discussão dos temas na área da Política de Defesa Nacional e sua implantação”, afirmou o general Araújo Lima. Destacou, ainda, o privilégio “em trabalhar na atualização de um dos mais importantes documentos (…) que é a Estratégia Nacional de Defesa”.

Para ele, as políticas governamentais, em suas mais variadas vertentes, impactam, muitas vezes, na área de defesa. Por conta disso, citou que entre os assuntos trabalhados pela SCPE, encontram-se o licenciamento ambiental, a Amazônia, o Atlântico Sul, as fronteiras, o tráfico de drogas e de pessoas e a questão indígena e quilombola.

Algumas atividades realizadas pelo general no período em que permaneceu na subchefia foram relembradas pelo almirante Carlos Augusto. Entre elas a coordenação do 1º Curso Avançado de Defesa Sul-Americano e a orientação em diversos fóruns de desenvolvimento do governo federal junto aos Ministérios da Indústria e Comércio Exterior, da Justiça e do Meio Ambiente.

Já o novo responsável pela Política e Estratégia da Defesa, general Nardi, atuava como 1º subchefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), localizado em Brasília (DF).

FONTE: Ministério da Defesa

(Entrevista Mangabeira Unger – El Tiempo – 31/03)

vinheta-clipping-forte11. Rebeldia intelectual a serviço da inovação institucional. Os países de renda média, estão sofrendo uma dupla pressão: dos países de trabalho barato, por um lado, e dos países de alta produtividade, por outro. E para isso é necessário superar o atual modelo industrial existente. Para isso existem duas tarefas fundamentais. A mais simples é acelerar nos grandes centros industriais a mudança para uma economia inovadora, baseada no conhecimento e no valor agregado. Fora dos centros industriais, a tarefa é mais difícil. Você tem que associar o Estado com as pequenas e médias empresas dentro de um novo marco institucional.

2. Não basta escolher entre um modelo americano que regula as empresas à distância e um modelo asiático de política industrial e comercial de unidade, imposta de cima pela burocracia. Nós precisamos de uma forma de coordenação estratégica entre o Estado e as empresas, que seja descentralizada, pluralista, participativa e experimental. Na agricultura, temos que superar o contraste ideológico entre agricultura empresarial e agricultura familiar.

3. Esta é a grande tarefa que temos diante de nós, e requer outro conjunto de ações a serem tomadas. Primeiro, impor o capitalismo aos capitalistas, ou seja, radicalizar a concorrência, quebrando os oligopólios. Segundo, superar o dualismo no mercado de trabalho: atualmente a metade da população no Brasil trabalha na economia informal, uma calamidade. Terceiro, colocar o sistema financeiro a serviço da economia real, criando canais para mobilizar a poupança de longo prazo para investimentos produtivos de longo prazo. E em quarto lugar, transformar a educação pública. Passar para um sistema de ensino analítico, problemático, dialético e cooperativo. E não o que temos hoje: um sistema dogmático, informativo, enciclopédico.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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vinheta-clipping-forte1O governo federal editou Decreto nº 7970, de 28 de março de 2013, que regulamenta dispositivos da Lei 12.598/2012, marco legal para as compras, as contratações e o desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa no país. Assinado pela presidenta da República, Dilma Rousseff, ele foi publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial da União. A iniciativa está inserida no contexto do plano “Brasil Maior”.

Sancionada em março do ano passado, a Lei 12.598 assinala um ponto de inflexão no modo como o Brasil cuida da indústria de defesa. Além de instituir um marco regulatório para o setor, a norma diminui o custo de produção de companhias legalmente classificadas como estratégicas e estabelece incentivos ao desenvolvimento de tecnologias indispensáveis ao Brasil.

De imediato, a regulamentação traz a possibilidade de credenciar Empresas Estratégicas de Defesa (EED), homologar Produtos Estratégicos de Defesa (PED) e mapear as cadeias produtivas do setor. A norma também permite estimular as Compensações Tecnológicas, Industriais e Comerciais e fomentar o conteúdo nacional da Base Industrial de Defesa, bem como incrementar a pauta de exportações de produtos de defesa.

O decreto contempla ainda a criação da Comissão Mista da Indústria de Defesa – CMID, assessoria de alto nível que possibilitará a participação, junto com o MD, de outros órgãos e entidades (públicas e privadas) no credenciamento das empresas estratégicas de defesa e na homologação dos produtos estratégicos.

“A CMID atribui um perfil interministerial e multidisciplinar ao processo. Embora o ‘poder decisório’, por Lei, seja prerrogativa do MD, optou-se por uma sistemática interativa que ouve os diversos segmentos interessados no tema”, assegura o general-de-divisão Aderico Mattioli, diretor do Departamento de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa (MD).
Licitação Especial.

Um dos elementos chave do novo decreto é a definição do Termo de Licitação Especial (TLE), uma opção concorrencial que permitirá que as compras e contratações do setor sigam uma lógica baseada não apenas nos custos dos projetos. Segundo o texto da regulamentação, a opção pelo TLE exige motivação para que o procedimento especial seja utilizado, permitindo a adoção de critérios com orientação mais estratégica, no intuito de fortalecer a Base Industrial de Defesa.

“Isso nos possibilita, por exemplo, levar em conta outras variáveis importantes na elaboração nos termos de licitação, como aspectos geopolíticos ou fatores micro e macroeconômicos de longo prazo, que permitirão às empresas brasileiras desenvolver capacidades tecnológicas e construir vantagens competitivas”, afirmou o general.

O decreto também garante às empresas estratégicas de defesa acesso a financiamentos para programas, projetos e ações relativas a bens de defesa nacional. Um aspecto importante, já que, em muitos casos, essas empresas necessitam de condições especiais de financiamento para levar seus projetos adiante, sobretudo iniciativas de maior horizonte temporal.

A próxima etapa da regulamentação da Lei 12.598/2012 será a definição das regras específicas do RETID, um regime especial de tributação que desonera empresas de encargos diversos. A novidade será regulamentada por ato específico. “Nossa expectativa é de que, uma vez sancionada a Lei de Conversão 1/2013 (MP 582), a proposta de decreto sobre o RETID seja apresentada pelo Ministério da Fazenda, com a participação do MD”, diz Mattioli.

“Demos um passo importante. Agora é trabalhar para que a regulamentação completa seja finalizada num curto espaço de tempo”, conclui.

Leia aqui a íntegra do Decreto nº 7970, de 28/03/2013.

FONTE: Ministério da Defesa

vinheta-clipping-forte1A Comissão Nacional da Verdade foi o alvo escolhido pelos clubes Militar, da Marinha e da Aeronáutica em mensagem “à nação brasileira” pela passagem dos 49 anos do golpe de 1964 – ou “revolução”, como preferem os defensores do movimento. Em nota, as entidades atacam os “democratas arrivistas” e reafirmam que a intervenção de quase cinco décadas atrás ocorreu para preservar a ordem.

Segundo os clubes, as ações das Forças Armadas desde o início da República garantiram sua credibilidade. “Não foi por outro entendimento que o povo brasileiro, no início da década de 1960, em movimento crescente, apelou e levou as Forças Armadas Brasileiras à intervenção, em Março de 1964, num governo que, minado por teorias marxistas-leninistas, instalava e incentivava a desordem administrativa, a quebra da hierarquia e disciplina no meio militar e a cizânia entre os Poderes da República”, diz a nota, divulgada ontem (28), mas com data de 31 de março, assinada pelos presidentes do Clube Militar, general do Exército Renato Cesar Tibau da Costa, do Clube Naval, vice-almirante Ricardo Antonio da Veiga Cabral, e do Clube da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Ivan Moacyr da Frota.

Essa intervenção, afirmam os militares, teria beneficiado o país em várias setores (economia, comunicações, transportes, social, político), “além de outros que a História registra e que somente o passar do tempo poderá refinar ou ampliar, como sempre acontece”. Mas – acrescentam – as “minorias envolvidas na liderança da baderna que pretendiam instalar no Brasil” tentaram se organizar e, financiadas por capital estrangeiro, “iniciaram ações de terrorismo, com atentados à vida de inocentes que, por acaso ou por simples dever de ofício, estivessem no caminho dos atos delituosos que levaram a cabo”.

Nesse trecho da mensagem entram os ataques à Comissão da Verdade. “E que não venham, agora, os democratas arrivistas, arautos da mentira, pretender dar lições de democracia. Disfarçados de democratas, continuam a ser os totalitários de sempre”, afirmam, apontando uma resolução da CNV, de agosto de 2012, que definiu como sua área de investigação as violações de direitos humanos praticadas “por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado”. Para os militares, a comissão alterou a Lei 12.528 (que criou a própria CNV) a fim de “’varrer para debaixo do tapete’ os crimes hediondos praticados pelos militantes de sua própria ideologia”.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em fevereiro o brigadeiro Ivan Frota procurou o então presidente da comissão, Cláudio Fonteles, para encaminhar em nome da Academia Brasileira de Defesa (ABD), que ele preside, documentos e publicações para que servissem de “subsídios para a apreciação isenta dos fatos”. Em entrevista, o militar disse que a CNV “tem trabalhado em uma direção única”, sem dar direito à defesa ao “outro lado”.

No manifesto referente aos 49 anos do golpe, os representantes militares criticaram o que chamam de terrorismo daqueles que “almejavam empalmar o poder para fins escusos”. Não fazem referência as ações praticadas pelo “outro lado”, representado pelo Estado, exatamente o foco das investigações feitas pela comissão, que em maio completará metade de seu mandato de dois anos.

A nota é divulgada no dia em que se completam 45 anos da morte, pela polícia, do estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, durante protesto no Rio de Janeiro. Em 13 de dezembro daquele ano (1968), o governo baixaria o Ato Institucional número 5 (AI-5), formalizando a fase mais dura do regime iniciado em 1964.

FONTE: Rede Brasil Atual

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