
Clique aqui para acessar matéria do Poder Naval, em reportagem exclusiva dos editores Alexandre Galante e Fernando “Nunão” De Martini, da Forças de Defesa.

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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o Brasil precisa de uma base industrial de Defesa que seja consistente.
Ele participou nesta quarta-feira, 5, de seminário realizado pelo MD em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O Seminário de Segurança Internacional foi realizado com o objetivo de envolver a sociedade civil na discussão dos assuntos de Defesa e a inserção do Brasil no cenário mundial.
Com esse propósito, a Fiesp criou em 2004, o Departamento da Indústria de Defesa (Comdefesa). Para Jobim, os temas de Defesa não são restritos aos militares e que é importante trazer esta temática para a agenda da sociedade.
“Este tema passou a ser vital para a Defesa do País”, salientou. O ministro observou que, com a queda do Muro de Berlim, o mundo saiu de uma situação bipolar e atualmente “caminha para uma multipolaridade” de posições.
Jobim acredita que a capacidade de dissuadir e de dizer não ao que for contrário aos interesses da nação dependerá da própria sociedade.
Na sua avaliação, é fundamental a formação de uma “base industrial de defesa consistente e econômica” e que faça a junção de Defesa e desenvolvimento nacional.
No ranking mundial de investimentos em Defesa, o Brasil ocupa a 12ª posição.
Em 2008, o gasto no setor foi de R$ 23,3 bilhões, equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Virgínia Silveira, para o Valor, de São José dos Campos
O Brasil está investindo mais em projetos de inovação na área de defesa. Estudo inédito feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nos últimos oito anos, a participação do setor de defesa nos desembolsos dos fundos setoriais cresceu cerca de 10%. Do total de 13.433 projetos analisados pelo Ipea e que receberam apoio dos fundos, 258 estavam relacionados com o setor. Esses projetos, segundo a pesquisa, receberam R$ 479 milhões entre os anos de 2000 a 2008 e representaram cerca de 11% dos desembolsos dos fundos setoriais no período.
O trabalho faz parte de uma análise da inovação nos setores industriais brasileiros, desenvolvida em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo a diretora-adjunta da Diretoria de Estudos Setoriais do Ipea, Fernanda De Negri, responsável pela pesquisa sobre a participação do setor de defesa nos fundos setoriais, os mecanismos de apoio à ciência, tecnologia e inovação no Brasil vem registrando um crescimento importante nos últimos quatro anos. “O orçamento dos fundos setoriais para inovação subiu de R$ 300 milhões por ano para R$ 2 bilhões”, ressalta.
A participação atual do setor de defesa nos desembolsos dos fundos, de acordo com Fernanda, pode ser considerada expressiva, tendo em vista que no ano 2000 os projetos nessa área respondiam por menos de 1% do total liberado para pesquisas e desenvolvimento em inovação. “O aumento dos investimentos do governo em projetos de defesa é resultado de uma nova percepção da importância desse setor para o desenvolvimento do país, pois várias dessas tecnologias têm aplicações que podem gerar importantes efeitos de transbordamento para o setor produtivo brasileiro”, disse a diretora.
O Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), prevê o apoio a uma série de ações na área de defesa, com destaque para os sistemas computacionais complexos, tecnologia de sensoriamento remoto, fabricação e emprego de propelentes e explosivos, veículos autônomos, estruturas resistentes e eficientes, sensores, ações de defesa química, biológica e nuclear e integração de sistemas.
Ainda segundo a pesquisa do Ipea, dos 258 projetos relacionados com o setor de defesa, 99 foram desenvolvidos com a participação de 44 empresas, representando 46% do valor desembolsado pelos fundos ou R$ 223 milhões. “Levando-se em conta que a base industrial de defesa, utilizada neste trabalho, é composta por aproximadamente cem empresas, mais de 40% delas são apoiadas pelos fundos setoriais, evidenciando a elevada participação deles no apoio à P&D no setor de defesa”, ressalta Fernanda na pesquisa. Um dos principais projetos relacionados ao setor de defesa e apoiados pelos fundos setoriais nos últimos anos está o navio polar de apoio à pesquisa, que respondeu por 15% dos recursos destinados aos projetos selecionados. Ele foi adquirido pela Marinha para apoiar o programa de pesquisas brasileiro na região Antártica.
A pesquisa do Ipea também mostra que o sistema setorial de inovação no setor de defesa está bastante concentrado nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, devido à localização das instituições de pesquisa das Forças Armadas nessas regiões.
FONTE: Valor Econômico
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